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Segunda-feira, 13 Março 2017

A estória do sapo que não se dá conta do PREC [Processo Revolucionário em Curso]

Filed under: Bloco de Esquerda,Partido Comunista,Partido Socialista,PREC — O. Braga @ 7:26 pm
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“Aquilo que Portugal está a viver não é um PREC mas sim a destruição do centro.”Helena Matos


Vamos tentar analisar em poucas palavras este texto da Helena Matos.

A História não se repete; mas há padrões históricos que se repetem (os ciclos históricos) → “a velhice do eterno novo”, como escreveu Fernando Pessoa. Em um certo sentido, o “novo é velho”.

Em 1975, o PREC [Processo Revolucionário em Curso] foi uma tentativa de destruição do centro — só que foi uma tentativa apoiada em uma parte das Forças Armadas e no agit-prop de rua à moda do José Pacheco Pereira.


Em primeiro lugar, temos que saber o que significa “centro”. O “centro político” é sempre uma posição relativa, por um lado, e por outro lado é uma posição referencial — é uma referência que não tem uma correspondência exacta na realidade política. O “centro”, em 1975, não é o mesmo “centro” em 2017.


sapo_cozidoOs marxistas (incluindo uma parte do Partido Socialista) aprenderam com o fracasso do PREC [Processo Revolucionário em Curso] de 1975, e com a queda do muro de Berlim.

A haver uma intervenção militar marxista (que ocorreu em 1975, a 11 de Março), esta ocorrerá desta vez em um último estágio do “processo” de tomada do Poder: em vez da intervenção das Forças Armadas “à cabeça” (inicial), a tropa fechará o “processo” político de tomada do Poder totalitário.

O papel da tropa é invertido, em relação a 1975.

Ademais, os métodos de tomada do Poder totalitário são diferentes hoje, em relação a 1975: digamos que os métodos de assalto ao Poder totalitário são hoje menos abrutalhados e mais refinados, com apelos sistemáticos ao sentimentalismo (a tolerância repressiva  do marxismo cultural) e com o apoio incondicional das mulheres, em geral, à causa do politicamente correcto (embora haja excepções de mulheres que confirmam a regra).

Hoje, o perigo do totalitarismo é muito maior, porque em 1975 havia o bloco soviético e os Estados Unidos não queriam Portugal na esfera soviética. Hoje, os Estados Unidos estão se cagando para Portugal: hoje a reacção ao marxismo no Poder tem que ser indígena, e sem grande apoio da CIA e dos “Franks Carlucci”.


O que estamos a viver hoje é um novo tipo de PREC [Processo Revolucionário em Curso]; mas é um PREC da estória do sapo que não se dá conta de que vive no PREC .

Quinta-feira, 21 Abril 2016

Os políticos liberais não se dão conta de que estão a enterrar a liberdade

Filed under: Política — O. Braga @ 7:28 pm
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“Hoje o Parlamento pode vir a legalizar a gestação de substituição em Portugal. Mas à excepção da Rádio Renascença o assunto passa incógnito. Essa conformada desatenção é o melhor sinal do fatalismo resignado com que se reage perante as mais destravadas propostas dos radicais”.

Helena Matos

Quando os “direitos” se transformam em uma forma de fazer política, os direitos perdem o seu sentido e significado, na medida em que os direitos passam a depender exclusivamente do legislador humano. O fundamento metajurídico do Direito desaparece da Constituição e das normas.

A falácia positivista assume falsamente que um direito pode emanar da vontade do legislador humano. Mas se o legislador humano é fonte de direitos, então segue-se esses direitos não comprometem nem abarcam o legislador — a causa dos direitos (o legislador) não se confunde com o efeito desses direitos (os cidadãos); e por isso, esses direitos não obrigam o legislador.

Portanto, do que se trata, na prática e por parte da esquerda e do politicamente correcto em geral, não é a concessão de direitos, mas a concessão de privilégios que podem ser retirados pelo legislador positivista a qualquer momento. Basta que se instale em Portugal, por exemplo, uma ditadura de Esquerda para todos esses privilégios concedidos possam ser revogados (ver o exemplo de Cuba).

Quando os direitos de uns entram em conflito com os direitos de outros (por exemplo, no direito ao aborto, por um lado, e no direito do nascituro à vida, por outro lado), o Poder político do legislador (ou do juiz, em representação do legislador) aumenta, e aumenta também a discricionariedade desse Poder totalitarizante.

Para se alcançar a “igualdade de direitos”, os direitos naturais e genuínos terão que ser destruídos — os direitos verdadeiros, naturais e invioláveis, passam a ter o mesmo estatuto de privilégios ou de direitos contingentes, para que todos os direitos possam competir em um mesmo nível (nivelamento positivista dos direitos que transforma o legislador humano em um deus).

¿Será que a merda dos políticos de “Direita Liberal” que temos estão a perceber a estratégia da Esquerda? ¿Ou será que os políticos de “Direita” pensam que podem meter o liberalismo na gaveta, e que se podem aproveitar da estratégia da Esquerda?

Quinta-feira, 14 Abril 2016

A Esquerda e a espiral do silêncio

 

A Helena Matos chama aqui a atenção para a actual distorção da democracia:

“As barrigas de aluguer têm ido no tropel das chamadas causas fracturantes relacionadas com os direitos dos homossexuais. E a partir do momento em que tal acontece não se discute mais nada porque se fica logo sob o espectro de se ser considerado reaccionário, atrasado e tudo o mais que as pessoas bonitas, com muitos likes, não são. O resultado dessa anomia da sociedade perante essa milícia dita progressista é que os assuntos já nem se discutem. É fatal como o destino que se o BE e a ala jacobina do PS colocam um assunto na agenda ele vai inundar os noticiários. Caso contrário não há assunto”.

Ainda vamos a tempo

O termo “espiral do silêncio” foi cunhado pela filósofa política alemã Elisabeth Noelle-Neumann para explicar a razão pela qual as pessoas tendem a permanecer silenciosas quando têm a sensação — muitas vezes falsa! — de que as suas opiniões e mundividências estão em minoria. O modelo do conceito de "espiral do silêncio" baseia-se em três premissas:

  • As pessoas têm uma intuição ou um sexto-sentido que lhes permite saber qual a tendência da opinião pública, mesmo sem ter acesso a sondagens;
  • As pessoas têm medo de serem isoladas socialmente ou ostracizadas, e sabem qual o tipo de comportamento que poderá contribuir para esse isolamento social;
  • As pessoas apresentam reticências ou até medo em expressar as suas opiniões minoritárias, por terem receio de sofrer o isolamento da sociedade ou do círculo social próximo.

shut-upQuanto mais uma pessoa acredita que a sua opinião sobre um determinado assunto está mais próxima da opinião pública julgada maioritária, maior probabilidade existe que essa pessoa expresse a sua opinião em público. Então, e se a opinião pública entretanto mudar, essa pessoa reconhecerá que a sua opinião não coincide já com a opinião da maioria, e por isso terá menos vontade de a expressar publicamente. E à medida em que a distância entre a opinião dessa pessoa e a opinião pública aumenta, aumenta a probabilidade de essa pessoa se calar e de se auto-censurar.

Os meios de comunicação social são um factor essencial de estabelecimento da “espiral do silêncio”, na medida em que formatam a opinião pública. Perante uma opinião pública formatada, as pessoas que não concordam com a mundividência politicamente correcta, emanada da comunicação social, entram em “espiral do silêncio” — muitas vezes constituindo uma “maioria silenciosa”. Mas neste momento acontece um fenómeno especial: os próprios meios de comunicação social e os jornalistas são vítimas da espiral do silêncio.

Aconteceu uma situação semelhante à actual nas famosas manifestações da “maioria silenciosa” em Lisboa e no Porto, durante o PREC [Processo Revolucionário em Curso]. O activismo político de uma pequeníssima minoria de radicais comunistas e jacobinos era de tal modo eficaz — em termos dos me®dia — que a esmagadora maioria do povo entrou em espiral de silêncio, e foi preciso que a sociedade civil se organizasse para que as pessoas do povo se sentissem desinibidas e a manifestarem publicamente a sua discordância em relação aos radicais de Esquerda.

Segunda-feira, 11 Abril 2016

Estamos a ser sujeitos a uma nova forma de totalitarismo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 1:07 pm
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O politicamente correcto é uma forma de totalitarismo, porque em nome da diversidade e da igualdade impõe coercivamente a indiferenciação formal das pessoas. Para o politicamente correcto, a “igualdade” é uma espécie de “fôrma” que nos torna idênticos. O colorido é apenas uma “farda” que nos dá a ilusão da diferença. igualdade-diversidade

A obsessão politicamente correcta (Partido Comunista, Bloco de Esquerda e Partido Socialista de António Costa) com a igualdade, priva-nos da liberdade.

A sociedade não pode viver sem instituições, e estas devem sempre ter a liberdade de se organizarem autonomamente; ou seja, nas instituições, e pela sua própria natureza, há sempre pessoas que reúnem as condições para estarem dentro delas, e outras que não reúnem essas condições – mesmo que as instituições tenham apoio do Estado.

Por exemplo, um determinado clube (uma instituição) deve ter o direito de definir autonomamente quem pode ser sócio dele, ou não.

A propósito, a Helena Matos escreve aqui um artigo acerca da polémica igualitarista e politicamente correcta sobre o Colégio Militar, que é uma instituição com características específicas.

Domingo, 31 Janeiro 2016

O jacobinismo é uma forma romântica de revolta

 

A Helena Matos tem razão neste artigo:

“O nosso problema é o iluminismo jacobino, esse período/modo de ser em que umas criaturas se achavam melhores que as outras e como tal se entendiam não só predestinadas para mandar como não aceitavam quaisquer limites à sua vontade”.

O que distingue realmente o Partido Comunista do Bloco de Esquerda é que o primeiro adopta uma forma racionalista de revolta, enquanto que o segundo adopta o jacobinismo que é uma forma romântica de revolta.


A forma romântica de revolta vê-se no calvinista Byron, por exemplo, mas também em Schopenhauer ou em Nietzsche — para além de Rousseau. A forma romântica de revolta tende a elevar a vontade (subjectiva) sacrificando o intelecto; impacienta-se com quaisquer cadeias de raciocínio e glorifica determinadas formas de violência.

Na política prática, a forma romântica de revolta tem importância como aliada de um nacionalismo emotivo e não fundamentado racionalmente. Por tendência, os revoltosos românticos tendem a ser hostis à Razão, e até anticientíficos; é por isso que não vale a pena perder tempo a argumentar com eles. Discutir com alguém do Bloco de Esquerda ou da ala radical do Partido Socialista, é pura perda de tempo.

Algumas das formas mais extremas do forma romântica de revolta encontram-se entre os anarquistas russos, mas foi a Alemanha que deu saída à filosofia anti-racional da Vontade Nua. Trata-se de uma filosofia aristocrática da rebelião (Byron) que, em crescendo, inspirou uma longa série de movimentos revolucionários — desde a Carbonária (depois da queda de Napoleão), até ao golpe de Estado de Hitler em 1933; e em cada fase inspirou o modo de pensar e sentir entre intelectuais e artistas.

As pessoas cultas de França, no século XVIII, admiravam muito a chamada “sensibilité” (sensibilidade), a tendência para a emoção, em especial a da simpatia: para ser verdadeira e genuína, a “sensibilidade” tinha que ser directa, violenta, inteiramente liberta do pensamento e da razão. Um homem de “sensibilidade”, no século XVIII, choraria copiosamente ao ver a miséria de uma só família campesina, mas ficaria indiferente diante um programa político de melhoria das condições de vida do campesinato. Um homem de “sensibilidade” supõe os pobres mais virtuosos do que os ricos (na linha de Rousseau).

Esta atitude romântica da “sensibilidade” encontra-se plasmada no Bloco de Esquerda e no Partido Socialista de António Costa.

Os românticos não ambicionam paz e descanso, mas antes uma vigorosa e apaixonada vida individual. Não simpatizam com o industrialismo, por ser feio: a minhoca é útil mas não é bela; o tigre é belo mas não é útil. A moral dos românticos tinha motivos estéticos; mas o problema do romantismo actual é o de que inverteu os valores estéticos do século XVIII.

Nos românticos — verifica-se isto, por exemplo, no Daniel Oliveira — o erro do ser humano não tem origem na psicologia do indivíduo, mas antes tem origem no padrão de valores. Admiram as paixões fortes, sejam quais forem, na qualidade e nas consequências sociais; e têm uma enorme dificuldade em renunciar a satisfações presentes para obter vantagens futuras (Carpe Diem). O movimento romântico visa libertar a personalidade humana de quaisquer convenções e moralidade sociais, criando um espírito de revolta inconsequente e irracional.

Domingo, 31 Maio 2015

O neoliberalismo apoia a agenda política cultural radical de Esquerda

 

A revista britânica The Spectator  publica um artigo que tenta explicar por que razão os mais ricos do mundo — a plutocracia a que chamamos de “neoliberalismo” — apoia as políticas culturais da Esquerda, e muitas vezes da Esquerda mais radical. Vou tentar fazer aqui um resumo do artigo.

¿Por que razão a maioria das empresas multinacionais, por exemplo, a Google, apoiou o SIM no recente referendo acerca do “casamento” gay na Irlanda? E ¿por que razão os plutocratas, em geral, apoiam as lutas de Esquerda naquilo a se convencionou chamar de “justiça social”?

(more…)

Segunda-feira, 18 Maio 2015

Direito Natural e Direito Positivo em uma sociedade que não é comunidade

 

Sobre este artigo da Helena Matos:

Acerca do ponto 1/, estou de acordo.

Qualquer dia vamos ter um Código Penal do tamanho de uma biblioteca, e a Isabel Moreira — por exemplo — vai ser a bibliotecária; ela (Isabel Moreira) disse em directo em um programa de televisão: “Criem-se mais leis!”. A solução — segundo a Isabel Moreira — dos problemas da sociedade é “criar mais leis”; mas, por outro lado, a mesma Isabel Moreira diz que o Direito Positivo deve ser “antinatural, felizmente”.

Caros amigos: o rei vai nu. É preciso abrir os olhos a muita gente que não pertence às elites. Quando Portugal tem uma Isabel Moreira como “constitucionalista” e como tal deputada do Partido Socialista, batemos de facto no fundo.

Quando um homem é vítima de uma injúria, por exemplo, pode tentar justificar uma retaliação segundo a Lei Natural; o que o Direito Positivo faz — através de um contrato social — é estabelecer que a retaliação será feita pelo Estado. E se alguém matar em auto-defesa fá-lo segundo a Lei Natural, embora tenha que demonstrar em tribunal (Direito Positivo) a razão do acto. A lei do Direito Positivo contra o assassínio, por exemplo, é irrelevante se uma pessoa não se puder defender do assassino: se uma pessoa for assassinada antes de ter tempo de chamar a polícia, de nada serve a lei positiva contra o assassínio.

Portanto, não podemos fugir ao Direito Natural.

Podemos estabelecer uma identificação entre o Direito Natural e as regras morais que são independentes de disposições legais positivas. E se não existirem essas regras morais previamente ao Direito Positivo, deixamos de saber o que são actos bons e maus e, por isso, deixamos de fazer a distinção entre leis boas e más; e é isso que gente como a Isabel Moreira pretende quando defende que o Direito Positivo deve ser antinatural: impôr as leis de forma arbitrária e discricionária, o que denota um perigoso ideário totalitário.

Quando se afasta a imagem de um Criador do universo da equação humana, caímos invariavelmente em um qualquer totalitarismo — porque deixa de haver uma distinção ética entre acções justas e injustas. Se é verdade que o Direito Natural decide entre acções justas e injustas em uma comunidade sem Estado, também é verdade que o Direito Positivo deve guiar-se e inspirar-se no Direito Natural.

Dizer, como diz a Isabel Moreira, que o Direito Positivo deve ser antinatural, é defender uma qualquer forma de fascismo.

Sobre o ponto 3/, não estou de acordo.

Uma das formas de “demissão”, de que a Helena Matos se queixa, é o acto de esconder as caras dos protagonistas do vídeo violento em nome de uma putativa “não-estigmatização”. O conceito de estigmatização é politicamente correcto (marxismo cultural).

A Helena Matos entra em contradição entre o ponto 1 e o 3 do seu artigo. E parte do princípio estabelecido pelo idealismo alemão (Hegel, que está na base do materialismo dialéctico de Karl Marx) de uma distinção radical entre “sociedade” (Gesellschaft) e “comunidade” (Gemeinschaft), sendo que — segundo Hegel — não existe uma identificação entre os dois conceitos. Esta ideia de Hegel assombra mesmo os que hoje não se consideram marxistas.

Se separarmos a ideia de “comunidade”, por um lado, da de “sociedade”, por outro lado, chegamos às conclusões da Helena Matos, do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista, do “governo sombra” da TVI, e da ILGA. É aqui que a Helena Matos se contradiz.

É suposto que uma nação seja uma grande comunidade, e é óbvio que a separação radical entre comunidade e sociedade leva não só à descaracterização da sociedade como à sua desnacionalização.

Por exemplo, em uma aldeia ou vila portuguesa do interior do país (ou seja, em uma comunidade), os protagonistas de um eventual acto de violência injusta são certamente conhecidos por quase todos os seus habitantes. A moral pública, em geral, ditada pelo Direito Natural — e pelas regras morais de que falei acima e que são anteriores ao Direito Positivo — condena a injustiça sem esconder as caras dos protagonistas.

Haverá sempre uma pequena minoria da população da vila que se comprazerá morbidamente com o acto de violência e com o sofrimento da vítima; mas não devemos é partir de comportamentos imorais de minorias para definir regras gerais — como defende a Isabel Moreira em um caso, e a Helena Matos em outro.

Anexo: ficheiro PDF do artigo da Helena Matos.

Sábado, 21 Março 2015

Ou se é liberal ou não

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 6:33 am
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Quando os liberais (de Direita) da nossa praça são confrontados com a Lista Fiscal VIP, entram em dissonância cognitiva — como acontece com a Helena Matos.

Os liberais fundamentam o seu conceito de “igualdade” na igualdade perante a lei que se opõe aos privilégios — o que não significa que todos tenham o mesmo Poder ou as mesmas características, mas significa que todos têm uma dignidade igual.

Ora, raciocinando como um liberal, diria eu que, por exemplo, o primeiro-ministro tem uma dignidade igual ao Zé da Esquina. Por isso, o primeiro-ministro tem o mesmo direito do Zé da Esquina a não ver a sua vida privada — neste caso, fiscal — vasculhada e divulgada na praça pública. E é em nome dessa putativa igualdade na dignidade que a Helena Matos defende a ideia de que deveria haver uma Lista Fiscal VIP, para assegurar que o primeiro-ministro tenha os mesmos direitos que o Zé da Esquina tem.

Ora, aqui é que está o sofisma da Helena Matos: é que o Zé da Esquina não tem qualquer garantia ao direito de não ter a sua vida fiscal vasculhada; a diferença é que o vasculho não sai publicado nos jornais — e portanto ela mistura aqui dois planos diferentes do problema: o vasculho propriamente dito, de que ninguém está livre neste país, por um lado, e a publicação do vasculho que atinge as figuras públicas. Mas não é porque o Zé da Esquina não é figura pública que o vasculho se torna justificado.

O vasculho da vida fiscal privada do Zé da Esquina traduz-se, por exemplo, no acesso a ficheiros do fisco por parte de entidades privadas — que não pertencem ao Estado — na cobrança de dívidas, devidas ou indevidas; e como o acesso aos tribunais é caro, o vasculho fiscal da vida do pobre Zé da Esquina traduz-se numa cobrança coerciva, com ou sem razão; ou então o vasculho fiscal generalizado permite que uma entidade privada possa obter informações acerca da vida fiscal privada de um candidato a seu empregado: o que é preciso é ter alguém amigo na repartição de Finanças para fornecer a informação.

Ou seja, a filosofia política liberal não deveria permitir que existisse qualquer tipo de vasculho; ou então, toda a gente tem o direito a ser vasculhada. Mas não é isto que a Helena Matos defende.

Numa sociedade sem uma tradição democrática forte; em que ainda existem fortes resquícios estalinistas na política; em que a maçonaria se transformou em uma associação de malfeitores que mina a política e que sustenta, em grande parte, o tráfico de influências; em que os me®dia que temos fomentam, no povo, todos os dias, uma cultura da coscuvilhice e da inveja — nesta sociedade não há liberalismo político que aguente. Ou então, a ser-se coerentemente liberal, mesmo na merda da sociedade que temos, há que correr o risco de não admitir qualquer Lista Fiscal VIP.

Quarta-feira, 24 Setembro 2014

A Helena Matos precisa de visitar a Suíça ao Domingo

Filed under: bovinotecnia — O. Braga @ 10:04 am
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A Helena Matos precisar de fazer uma visita à Suíça, mas ao fim-de-semana, para apanhar um Domingo. Estou certo de que ela virá de lá mal impressionada com esse país anti-capitalista.

E se ela quiser fazer compras em um super-mercado suíço ao Domingo, vai dar com o nariz na porta; bem fica sem comer o dia inteiro. Ou, em alternativa, vai comer ao McDonalds — aqueles que estão abertos ao Domingo, porque nem todos estão.

Mas isso só acontece num país atrasado e comunista como é a Suíça. No país maravilhoso, liberal, capitalista, desenvolvido e prá-frentex como é Portugal, o Domingo é como outro dia qualquer.

Segunda-feira, 16 Junho 2014

As boas feministas e as feministas boas

Filed under: cultura — O. Braga @ 10:07 am
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Por aquilo que eu tenho lido, a Helena Matos parece ser uma feminista no bom sentido — porque há “boas feministas”, “feministas boas”, as “feministas camafeu”, e as “outras que nem uma coisa nem outra”.

Uma “boa feminista” até pode ser boa (ou não); mas não é por ser boa ou menos boa que é feminista; em contraponto, há feministas que deixam de ser boas com o avançar da idade: são as “feministas boas”. Mas as “boas feministas” não têm idade: são o paradigma da mulher cujo coração não envelhece. E depois há as “feministas camafeu”, que são aquelas que estavam ausentes quando Deus criou as “feministas boas”.

Depois, a Helena Matos parece ser uma mulher que foge ao juízo universal da mulher actual que sofre daquilo a que a ex-atleta australiana Lucy Curry chama de “síndroma da mulher frenética”, que caracteriza as “feministas boas”, as “feministas camafeu” e as “outras que nem uma coisa nem outra” (e que são sempre desculpadas pelos me®dia e pelo politicamente correcto). A “boa feminista” não luta apenas contra o “machismo”: também combate o “mulismo” do síndroma da mulher frenética — porque ela sabe que o mulismo e o machismo são duas faces da mesma moeda.

Ela compara-se com o homem: não para ser igual a ele, mas antes para que as características do feminino tenham (na cultura antropológica) um valor idêntico às características do masculino. Dando um exemplo: o número 10 assume um valor idêntico nas somas de 7+3 e de 4+6. As parcelas das duas somas não são iguais, mas o resultado final é igual em ambas.

É assim que a “boa feminista” pensa: “somos diferentes dos homens, mas, do ponto de vista ontológico, somos idênticas aos homens” — atenção!, porque “ser idêntica” ao homem não é a mesma coisa que “ser igual” ao homem: “ser idêntica” é também “ser única” (sob percepções diferentes e/ou sob nomes diferentes): por exemplo, o vitríolo é idêntico ao ácido sulfúrico concentrado; mas não é porque o vitríolo não seja exactamente igual ao ácido sulfúrico natural que deixa de ter o seu valor intrínseco enquanto vitríolo.

Portanto, há uma identidade feminina (em termos de juízo universal) que não é igual à do homem, mas que é idêntica no seguinte sentido: no ser humano, a “identidade” (A=A) pressupõe um valor ontológico e axiomático (ver “Primeiros Princípios”, de Aristóteles) que não admite qualquer manipulação ideológica em favor da sua simples redução à “igualdade”.

Não é por que as pessoas não sejam todas iguais (embora sejam idênticas, em valor absoluto) que deixam de ter um valor idêntico: o grande problema da Esquerda — e do politicamente correcto de esquerda e de “direita” — é o de que identifica necessariamentediferença”, por um lado, com “hierarquia”, por outro lado. E é esta uma das razões por que a Esquerda é retrógrada.

E é por isto tudo que a Helena Matos tem legitimidade para escrever isto:

“Fomos conhecer o nosso pénis de aluguer. O pénis de aluguer está feliz porque assim poderá criar as suas outras crianças e proporcionar-lhes tudo aquilo a que elas têm direito. Levámo-la a conhecer o país e a cultura dos seus testículos de substituição.”

Os pénis de aluguer e os testículos de substituição

Quinta-feira, 6 Fevereiro 2014

Estou bastante dividido entre dois tipos de ladroagem

Filed under: bovinotecnia,economia,Europa — O. Braga @ 2:00 pm
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Um tal Jorge Bateira, que por sinal é um ladrão de bicicletas, lançou uma diatribe à bovinotécnica Helena Matos. Estou dividido, nesta polémica. Por um lado, concordo com a seguinte proposição do salteador de velocípedes:

“Porém, tenho de lhe lembrar que foi o baixo crescimento da economia portuguesa desde que aderimos ao euro, agravado pela actual política de austeridade, que produziu um nível de desemprego que tornará insustentável a segurança social. Apesar de não ter lugar no seu discurso, afinal é a moeda única, com tudo o que implica, que está a comprometer o futuro dos nossos jovens. Não são os seus pais e avós, nem o nosso modesto Estado social.”

Só não vê quem não quer ver:

PIB e defice no Euro

Mas, por outro lado, o ladrão de veículos de duas rodas escreve o seguinte:

“Depois, o que diz sobre o Estado, a demografia e a segurança social é pura ideologia. A Helena Matos diz que o Estado tomou conta das pessoas e as desresponsabilizou. Pois eu digo-lhe que um Estado social forte, administrado em função do interesse público, é um Estado que garante a provisão de serviços sociais de qualidade e protege os cidadãos de diversos riscos sociais. Liberta-os da insegurança económica, do receio de não terem recursos para enfrentar esses riscos.”

¿O que é “interesse público”? Alguém, por favor, que me defina “interesse público”, para que saibamos exactamente do que estamos a falar. E ¿desde quando é defensável que a “função do Estado” seja a de tratar os cidadãos como se de mentecaptos se tratassem?

Nem o ladrão de bicicletas, nem a bovinotécnica Helena Matos, têm razão — porque partem da mesma base de raciocínio: a economia. Quando a realidade social é reduzida à economia, deixamos de saber quem é ladrão e quem não é.

Terça-feira, 21 Janeiro 2014

Não se pode dizer de Helena Matos que ela não tenha coragem

 

“O que está em causa na co-adopção, tal como no recurso às barrigas de aluguer e em alguns casos à inseminação artificial, não é uma questão de amor ou de competência para tratar de crianças mas sim de modelo familiar e de direito à identidade por parte da criança.”
Helena Matos

A Helena Matos acertou aqui na mouche, porque o conceito abstruso de “homoparentalidade” (ou seja, a adopção de crianças por pares de invertidos) suprime toda a percepção carnal da origem da criança, que ela já não se pode inscrever em duas linhas directas e claras de parentesco.

O controlo dos dois gays adultos sobre a origem da criança transforma-os (a eles) em um ponto zero da linhagem da criança que fica, assim, com as suas gerações anteriores relegadas para uma espécie de limbo ou lugar marginal. A criança já não pode instituir as suas gerações anteriores como suas raízes pessoais — o que vai tornar difícil o acesso dessa criança à sua própria maternidade ou paternidade.

Só uma pessoa com muita má-fé não vê isto; é tão evidente que me admira que existam “técnicos” que não o consigam ver.

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