perspectivas

Domingo, 14 Fevereiro 2016

O dia de S. Valentim não existe.

Filed under: Geral — O. Braga @ 2:37 pm
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A Igreja Católica aboliu-o em 1969.

O Miguel Real diz que “é preciso descristianizar a morte”

 

Há uma tendência dos defensores da “desconstrução do sujeito” em transformar a discussão ética sobre a eutanásia em um assunto teológico e religioso. Mas a ética pertence à filosofia e não à religião. A discussão sobre a eutanásia é ética e filosófica, e não necessariamente religiosa.

Portanto, seria bom que os defensores da eutanásia abandonassem o espantalho falacioso da religião, e discutissem ética. É certo que as religiões têm éticas; mas isso não significa que a recusa da eutanásia seja apenas uma matéria de fé religiosa.


Se lermos este texto acerca das posições do Miguel Real sobre a eutanásia, apercebemo-nos do perigo ético que ele encerra. O princípio é utilitarista.

eutanasia-velhariasPor exemplo, e para que o leitor entenda: uma pessoa da família adoeceu na própria casa com uma infecção mortal: ¿é mais correcto abandonar a casa, de modo a não transmitir a infecção, ou cuidar do doente, mesmo que já não exista qualquer esperança?

O Miguel Real defende (no texto) a ideia de que, não existindo qualquer esperança, o referido doente não deve ser cuidado e deve ser eutanasiado.

Ou seja, para o Miguel Real, para a sociedade seria mais útil se, por exemplo, doentes infectados com o vírus do Ébola fossem abandonados ao seu destino, para que a causa da doença permanecesse isolada. Em 1995, em África, também teria sido mais útil para as enfermeiras cristãs se se tivessem mantido afastadas: em vez disso, cuidaram dos doentes e também morreram.

O utilitarismo tem um problema fundamental: ¿quem define o que é útil? ¿E para quem há-de ser útil?

O critério deve ser o de “maior bem para o maior número” (Bentham). ¿E o que acontece com aqueles que não fazem parte do “maior número”? Pascal reduziu ao absurdo as tentativas de chegar a um resultado por esta via: a filosofia conheceria, segundo ele, “280 bens supremos”, de modo que cada filósofo teria a sua própria moral.

Por outro lado, o utilitarismo tem outro ponto fraco: se os valores morais são estabelecidos de acordo com o critério da utilidade individual ou social, uma pessoa pode sempre abandonar esta moral por motivos de uma prudência egoísta. O princípio do interesse próprio, em última análise, também pode ser muito útil: ¿por que motivo deve a utilidade para o maior número possível de seres humanos estar acima da utilidade para mim?

Quando Miguel Real defende a opinião de que os seres humanos com doenças terminais ou muito idosos não têm qualquer direito à continuação das suas vidas até à morte natural, justifica a sua opinião, por um lado, com a situação real de alguém que (alegadamente) vive “muito para além do seu ciclo natural” — uma vida que não vale a pena —, mas, por outro lado, com a utilidade que representa para a sociedade não ter encargos com tais pessoas. Ou seja, incorre em um sofisma naturalista, visto que não podemos tirar conclusões morais a partir de um facto. E, ademais, pressupõe um consenso acerca do valor e dos custos convenientes de uma vida humana — consenso esse que não existe!

Por isto é que a eutanásia, a ser legalizada, é um retrocesso civilizacional — porque, como o leitor já percebeu, não está apenas em causa a eutanásia dita “voluntária” em casos de doenças terminais. A agenda política da eutanásia é muito mais alargada, como podemos verificar no texto do Miguel Real. E o problema consiste em abrirmos a caixa-de-pandora da eutanásia e deixarmos de ter a noção de que a barbárie se instalou entre nós.

eutanasia-cadeiras

Um médico não é um deus

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:38 pm
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O Quim escreve aqui sobre aquilo a que ele chama “continuásia”. E dá como exemplo o caso de Ariel Sharon. A pergunta que se deve fazer é a seguinte:

Se não tivessem retirado a nutrição e (alimentação e água), e sem outras ajudas médicas, ¿será que Ariel Sharon teria sobrevivido todo o tempo que esteve em coma?

Se a continuásia é não deixar que a Natureza siga o seu curso, o Quim tem razão; se a continuásia é retirar ao doente em coma os seus meios de nutrição, então o Quim não tem razão.

Ou seja, o ser humano não tem o direito de se arvorar em deus, e decidir quem tem direito à vida e quem está condenado à morte.

Existem casos de pessoas que estão em coma durante anos a fio e que “voltam à vida”; e se lhe retirassem os meios de nutrição, teriam sido literalmente assassinadas. Se eu fosse médico, e por muito que me custasse a emoção dessas situações humanas, nunca correria o risco de me considerar um deus.

Eutanásia, por Pedro Arroja

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:06 pm
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Excelente texto.

Sábado, 13 Fevereiro 2016

O delírio interpretativo do José Pacheco Pereira

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 8:19 pm
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O José Pacheco Pereira está cada vez pior: agora defende a ideia segundo a qual quem chegou à conclusão de que a austeridade na economia é necessária, é uma espécie de sadista, porque “gosta da austeridade”; o “sadismo económico da austeridade” é uma espécie de ideologia política.

Mas a estupidez do José Pacheco Pereira não fica por aí:

« A "bancarrota Sócrates" foi um desastre para o interesse nacional, Sócrates tem uma imensa responsabilidade, mas não está solitário nessa responsabilidade. Embora ainda haja muitas obscuridades no que aconteceu, a responsabilidade deve ser partilhada com o PSD e o CDS, e em menor grau como BE e o PCP. »

Ou seja, segundo o José Pacheco Pereira, o que interessa é saber se existem impressões digitais no local do crime. Um criminoso que deite abaixo uma economia, mas sem deixar impressões digitais, é inimputável.

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Para uma mulher pertencer ao governo socialista, basta ter uma vagina no lugar dos miolos

 

“A Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade salientou que os refugiados, "pelas suas características culturais e sociais, têm normalmente mais filhos do que os europeus"

A secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, defendeu hoje que a entrada de refugiados em Portugal vai ajudar a resolver o problema da baixa natalidade no país. "Acreditamos que, para o país, é positivo nós termos pessoas que possam ajudar a renovar a nossa população, que possam trazer outras experiências", afirmou, em declarações à Lusa”.

Catarina Marcelino: refugiados ajudam a resolver problemas de natalidade

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As redes sociais estão ao rubro com os erros de português da deputada do PS Catarina Marcelino:

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Bem diz o ditado português: “quem tem uma vagina, tem uma mina!”

A redução da antropologia à economia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:39 pm
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A redução de toda a realidade à economia é uma característica da pós-modernidade. Essa atitude redutora está bem patente em quase toda a opinião publicada: é como que, perante a perda de sentido, as pessoas se agarrassem a uma qualquer “ciência” para afastarem os demónios do absurdo que elas próprias criam ou adoptam.

Um exemplo da redução da realidade à economia é este texto: é uma logomaquia em “economês” em defesa do Rendimento Básico Incondicional.

Porém, o problema do Rendimento Básico Incondicional é antes de mais um problema antropológico lato sensu que não pode ser reduzido à economia. Antes de ser um problema económico, é um problema metafísico; e depois, é um problema ético; a seguir é um problema cultural; depois passa a ser um problema político; e só finalmente é um problema financeiro.

A definição de Rendimento Básico Incondicional pode ser lida aqui:

“O Rendimento Básico Incondicional é uma prestação atribuída a cada cidadão, independentemente da sua situação financeira, familiar ou profissional, e suficiente para permitir uma vida com dignidade”.

O Rendimento Básico Incondicional significa que o Estado tem a obrigação de sustentar o indivíduo independentemente de ele querer trabalhar muito, pouco, ou mesmo nada. Como se vê, o problema é antes de mais, metafísico e ético. E depois é cultural (antropológico) e político. A economia vem no fim da linha.

Sexta-feira, 12 Fevereiro 2016

Benfica 1 – Porto 2

Filed under: Futebol — O. Braga @ 10:25 pm
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drago-campeoes

¿Por que razão “os direitos individuais não são referendáveis”?

 

Perante o pensamento dogmático politicamente correcto, devemos fazer perguntas. O questionamento é a melhor forma de destruir o politicamente correcto que é uma burocracia do espírito.

"Um referendo sobre direitos individuais é virar a democracia de pernas para o ar, é virar a democracia contra ela própria", escreveu João Semedo em resposta à agência Lusa, considerando que referendar direitos individuais "não é democrático", embora o pareça.

É antes, disse, "admitir que um direito que é de todos possa ser retirado por alguns": "Alguém admitiria ou acharia democrático fazer um referendo em que o direito de todos à saúde ou ao trabalho, por exemplo, fosse retirado da lei por decisão de alguns?"

João Semedo


Em primeiro lugar, analisemos o aspecto formal da tese do João Semedo.

O direito à democracia participativa (direito ao referendo) é um direito de todos (é simultaneamente um direito negativo e positivo); mas o João Semedo e meia dúzia de estupores sentados nas cátedras do Poder da capital-do-império-que-já-não-existe, pensam que têm o direito de coarctar esse direito ao referendo que é de todos. Portanto, o João Semedo utiliza um argumento auto-contraditório: para ele, “os direitos são de todos” apenas e só quando lhe convém.

Em segundo lugar, vamos analisar o conceito de “autonomia” que fundamenta o “direito individual”.

Quando falamos de “autonomia da pessoa”, há duas mundividências que são inconciliáveis.

A primeira é a de que existe uma natureza humana, que é fundamentalmente idêntica desde que surgiu o homo sapiens sapiens. A segunda é a de que a dita “natureza humana” nada mais é do que uma “construção social e cultural”.

Quando falamos em “direitos do indivíduo”, devemos situar os fundamentos desses direitos em uma das duas mundividências que não são conciliáveis entre si (são mesmo antagónicas). Ou optamos por uma ou por outra. Das duas, uma: ou a autonomia é uma tendência da Natureza Humana, ou é um conjunto de valores construídos cultural e socialmente e que podem ser moldados através de engenharias sociais; ou a autonomia é promotora natural e progressiva do bem-estar do indivíduo e da sociedade, ou o seu papel de promoção do bem-estar é relativo e depende dos valores que a sociedade atribui à autonomia.

Autonomia não é a mesma coisa que individualismo e/ou colectivismo.

Decorrente da diferença entre estas duas mundividências, surgem o individualismo e o colectivismo, que não são a mesma coisa que “autonomia”. A autonomia é uma necessidade psicológica fundamental do organismo humano (a Natureza Humana perene), ao passo que o individualismo e o colectivismo são doutrinas socialmente construídas acerca das relações entre o indivíduo e a sociedade, e que consistem em diversos valores e práticas que podem ser mais ou menos interiorizadas.

Portanto, quando falamos em “autonomia”, não a podemos confundir com individualismo e/ou colectivismo. Ora, é essa confusão que é feita (propositadamente) pelo João Semedo.

Quando os conceitos de “autonomia” e de “Natureza Humana” não são senão “construções sociais e culturais”, o direito positivo é retirado ao cidadão em nome do individualismo (Paula Teixeira da Cruz e Rui Rio) ou do colectivismo (João Semedo) e transferido para uma elite de iluminados. Em ambos os casos, o cidadão só fica com o direito negativo.

Quando a autonomia é entendida em termos de necessidade de uma Natureza Humana perene e intemporal, a noção de autonomia implica o direito negativo e o direito positivo: temos o direito à nossa individualidade, mas também temos o direito de legislar sobre a sociedade. É este direito positivo (a do cidadão e do legislador) que legitima que todos possamos definir os direitos de todos.
Neste sentido de autonomia, os direitos de todos são referendáveis por todos.

Portanto, caro leitor, você tem que escolher uma destas duas mundividências. Ou você dogmatiza o conceito de autonomia e transfere o seu direito positivo para uma elite política, ou você racionaliza o conceito de autonomia e assume o seu papel de cidadão e de legislador e, neste caso, os seus direitos, como os de todos, são por princípio igualmente referendáveis.

Quinta-feira, 11 Fevereiro 2016

Apertem os cintos!

Filed under: Portugal — O. Braga @ 2:48 pm
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«A maior subida semanal das taxas de juro desde 2012», refere o FT.

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Não concordo com Bagão Félix acerca dos mecanismos referendários na democracia

 

“Populismo é o termo usado pelos democratas quando a democracia os assusta” (Nicolás Gómez Dávila). A pesporrência e a arrogância dos “donos da democracia”, instalados nas cadeiras dos me®dia da capital-do-império-que-já-não-existe, revela um medo em relação à democracia; e por isso inventaram um sistema em que a vontade popular é diferida e interpretada discricionariamente pela classe política e pela rulling class segundo o modelo da "Vontade Geral" de Rousseau.

A limitação (ou negação) dos mecanismos de democracia participativa retira a legitimidade da democracia representativa.

Por que um liberal humanista (não religioso) não deve concordar com a legalização da eutanásia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:00 pm
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  • A morte do indivíduo passa a fazer parte do processo burocrático do Estado.
  • A legalização da eutanásia retira a responsabilidade moral de quem se suicida. O processo burocrático estatal subjacente à eutanásia enfraquece essa responsabilidade moral, transferindo-a para a burocracia do Estado que depende, por sua vez, de uma classe de profissionais que é chamada a pronunciar-se sobre a forma física e psicológica do doente. O facto de essa classe de profissionais estar a receber ordens superiores absolve-os de qualquer responsabilidade moral.
  • A legalização da eutanásia desvaloriza todas as vidas que se aproximam do fim — e não apenas a de quem pede para ser eutanasiado.
  • A lei da eutanásia permite ao Estado demitir-se, mais ou menos, das suas obrigações em relação ao cidadão em matéria de saúde. Os cuidados paliativos custam muito dinheiro. Ao permitir a eutanásia, o Estado pode poupar dinheiro à custa de muitas mortes prematuras.
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