perspectivas

Terça-feira, 23 Junho 2015

Qual a bandeira portuguesa mais bonita?

Filed under: Portugal — O. Braga @ 3:07 am
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Sábado, 4 Julho 2015

A Fé Metastática de José Pacheco Pereira e o grau zero do pensamento

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 9:38 am
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O José Pacheco Pereira confunde propositadamente a puta da realidade (ler verbete) que condiciona não só a Grécia mas qualquer outro país e/ou povos, por um lado, com “possibilidade”, por outro lado.

Vamos ver o que significa a “puta da realidade”:

“Realidade” vem do latim “res”, coisa. No sentido comum (que é o que nos interessa agora), a “realidade” é o conjunto das coisas que têm uma existência objectiva e constatável.

“Possibilidade” é outra coisa: é aquilo que não é, mas que poderia eventualmente ser — ou, por outras palavras, a possibilidade é tudo aquilo que não implica contradição lógica. Enquanto o possível não é, distingue-se da existência; enquanto o possível pode ser, distingue-se da necessidade.

Será possível que a Grécia mantenha o PIB per capita actual com a economia real que tem?

Em tese é possível. Por exemplo, se a Grécia convencer os outros países da Europa a  sustentar os gastos do Estado grego, é possível à Grécia continuar a ter o actual PIB per capita. O problema é o de saber se é possível que a democracia grega seja superior, em valor, às democracias dos outros países da Europa.

O José Pacheco Pereira compara a actual situação da Grécia, por um lado, com a situação de Portugal de 1640 sob domínio espanhol. É aqui que o pensamento de José Pacheco Pereira atinge o grau zero, porque compara coisas que não são comparáveis (não tem nada a ver o cu com as calças). E explico por quê.

Está implícito no pensamento do José Pacheco Pereira que a Grécia está hoje “dominada” pela Europa, tal qual estava “dominado” Portugal pelos espanhóis em 1640 (a noção marxista cultural de “domínio”). Porém, a Grécia tem hoje a liberdade de sair da União Europeia e do Euro — ao passo que Portugal não tinha a liberdade de se tornar independente de Espanha em 1640 (ficando mais pobre ou mais rico: para o caso não interessa).

No caso da Grécia actual, podemos dizer qualquer uma de três coisas:

  • é possível à Grécia sair do Euro (se quiser);
  • é verosímil que a Grécia possa sair do Euro (se quiser);
  • é provável que a Grécia possa sair do Euro (se quiser).

Em relação a Portugal de 1640, dada as condições políticas daquela época, só poderíamos dizer: “era possível a Portugal ser independente de Espanha (se quisesse)”. Em 1640 não havia verosimilhança nem probabilidade credível. Ou seja, a puta da realidade era diferente nos dois casos. A comparação do José Pacheco Pereira (entre a Grécia actual e o Portugal de 1640) é absurda e revela o grau zero do pensamento político da Esquerda portuguesa.

O que não é de espantar é que a populaça esquerdista aplauda o populismo do José Pacheco Pereira que ele tanto critica nos outros. Para o José Pacheco Pereira, o “populismo” é só de direita: quando o populismo é de esquerda, é “democracia”.

Tanto o José Pacheco Pereira como a populaça esquerdista padecem de Fé Metastática.

Fé Metastática é a crença de que é possível mudar a natureza fundamental da realidade.

Eric Voegelin usava o termo “fé metastática” para designar a crença ou esperança numa repentina transfiguração da estrutura da realidade e na subsequente emergência de uma ordem paradisíaca.

A expectativa dessa transformação perpassa toda a literatura revolucionária desde o século XVI. Com o tempo, acabou por se tornar uma figura de pensamento incorporada de tal modo nos usos populares, que a ela se pode recorrer com relativa certeza do efeito psicológico, a despeito do fracasso de todas as transfigurações anteriores.

(Olavo de Carvalho)

Richard Dawkins dá razão ao Padre Gonçalo Portocarrero de Almada

 

O Ludwig Krippahl diz que não tem alma. Cada um pensa de si o que quiser. Convém contudo dizer que, segundo a ontologia aristotélica que influenciou o Cristianismo, os animais têm alma, embora não tenham espírito (autoconsciência). Mas não vale a pena explicar ao Ludwig Krippahl a diferença entre alma e espírito, porque teríamos que obrigá-lo a ler Platão e Aristóteles — o que é uma maçada, convenhamos! Escreve ele:

“O ADN dá-nos uma medida conveniente de distância evolutiva e, nessa, eu e o chimpanzé estamos equidistantes da aranha. Mas não é só o ADN que sugere que o chimpanzé e eu estamos mais próximos. A nossa anatomia é semelhante mas muito diferente da da aranha e partilhamos capacidades para resolver problemas, sentir afecto, aprender, comunicar e interagir em sociedade que nos afastam a ambos da aranha.”

dawkins-and-freud-webHá problemas que uma aranha resolve que não passam pela cabeça do macaco. Cada ser vivo (cada espécie) resolve os seus problemas. O que não devemos é confundir, por exemplo, o comportamento submisso de um cão, com “afecto” (como está hoje na moda); ou não devemos confundir “instinto” e “afecto” (por exemplo, o instinto maternal, que vemos nos leões ou nos símios, mas também no ser humano), nem devemos confundir “instinto” — que é próprio de todos os animais em geral— e “intuição” que é exclusivo do ser humano.

O Ludwig Krippahl concebe apenas a forma das coisas, e ignora ostensivamente o conteúdo delas.

Do ponto de vista do conteúdo do ser (e foi isto que o Padre Gonçalo  Portocarrero de Almada quis dizer), «a distância que vai do mais apto dos símios para o mais estúpido dos homens é infinitamente superior à que dista entre o mais evoluído dos primatas e o mais básico ser vivo» — exactamente porque a alma aristotélica, princípio de pensamento, privilégio e essência do Homem, dá acesso à liberdade e à moral.

O Ludwig Krippahl pensa que não: pensa ele que existe menos liberdade e menos moral numa aranha do que num símio. Para ele, um macaco tem mais liberdade e mais moral do que uma aranha. Ora, é aqui que eu divirjo dele e me aproximo do Padre Gonçalo  Portocarrero de Almada: nem a aranha nem o macaco têm liberdade e moral; e por isso é que estão ambos infinitamente distantes do ser humano.


Numa entrevista a uma revista1 , foi perguntado a Richard Dawkins o seguinte: “¿O senhor pensa que o ser humano poderia superar as leis da evolução?”. E Richard Dawkins respondeu assim:

“Sim, de uma maneira limitada; no entanto, importante para nós. Embora nós sejamos seres darwinianos, podemos olhar para o futuro. Podemos perguntar-nos em que sociedade desejamos viver. É uma sociedade na qual as regras são respeitadas, independentemente da forma que assumam num determinado país. Penso que isto é algo singular, algo anti-darwiniano, algo que nunca foi observado em nenhum outro ser vivo”.

Ou seja, Richard Dawkins constatou uma evidência: não é preciso qualquer demonstração através do ADN para chegar à conclusão a que ele chegou. Quando ele diz que há “algo (no ser humano) que nunca foi observado em nenhum ser vivo”, o que ele diz, de facto, é que «a distância que vai do mais apto dos símios para o mais estúpido dos homens é infinitamente superior à que dista entre o mais evoluído dos primatas e o mais básico ser vivo».

No entanto, o Ludwig Krippahl consegue ser radicalmente mais darwinista do que o Richard Dawkins — o que é obra! Isso não tem nada a ver com darwinismo: antes tem a ver com ideologia política que levou o Ludwig Krippahl a militante do partido “Livre”.

Com esta afirmação, foi o próprio Richard Dawkins quem revelou o ponto fraco da sua argumentação radical darwinista: ou somos escravizados pelos nossos genes e/ou pelo nosso ADN, ou então temos em relação a eles a liberdade de manifestar comportamentos que permitem a sobrevivência de toda a biosfera da Terra.

É precisamente porque o ser humano está infinitamente distante dos símios e das aranhas que tem a liberdade de proteger os símios e as aranhas.


Nota
1. revista alemã “Focus”, nº 39, 1996

Sexta-feira, 3 Julho 2015

A Igreja Católica do "papa Francisco" e a sexualidade como “comunicação física”

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 1:47 pm
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Kirchliche Sexualmoral ist in Bewegung
Esta imagem aqui em cima é de um artigo publicado no sítio da Rádio Vaticano em língua alemã. Procurei em todas as línguas e não existe senão em língua alemã. Ou seja, é um artigo da Rádio Vaticano para satisfazer os “católicos” alemães.

Segundo um “teólogo católico” de seu nome Martin M. Lintner, “a moral sexual da Igreja está em movimento: com o “papa Francisco”, a sexualidade será entendida na sua dimensão pessoal e holística”.

Martin M. Lintner é o Secretário-geral da “Sociedade Europeia Para a Teologia Católica”; e defende a ideia segundo a qual, com o “papa Francisco”, a sexualidade católica irá afastar-se da “lei natural”, no seguimento do estipulado pelo Concílio do Vaticano II que definiu que “o comportamento sexual é comunicação física”.

Um dia destes vamos ter esta imagem na Rádio Vaticano:

nova radio vaticano

O problema da Grécia não é a dívida

Filed under: Europa — O. Braga @ 8:51 am
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Os comentadores dos me®dia (principalmente os do esquerdalho) têm dito que o principal problema da Grécia é a dívida. Nada mais falso! Tomara que o problema grego fosse a dívida.

¿Como explicamos que o Japão, por exemplo, que tem uma notação de “AA-” na Standard & Poors e uma notação “A” na Fitch, tenha, apesar disso, uma dívida pública de 237% do PIB?

O Japão é um exemplo de que a ligação entre a dívida, por um lado, e o crédito (e a credibilidade), por outro lado, é apenas indirecta. Ou seja, não se segue necessariamente que um país com uma grande dívida esteja em uma situação de dificuldade tal que lhe tolha o desenvolvimento. Naturalmente que é melhor não deixar crescer a dívida acima de um determinada percentagem do PIB; mas não é a dívida o principal problema da Grécia.

Os problemas da Grécia são o défice orçamental e a capacidade da economia grega para pagar. Quando não temos capacidade de pagar porque não produzimos o suficiente, normalmente dizemos que “o problema está na dívida”.

O problema grego é muitíssimo mais grave do que muita gente pensa.

A verdade acerca da homossexualidade e o partido nazi

“The Interfaith Alliance, a far-left religious advocacy group in Idaho, has accused Scott Lively, a scheduled speaker at this weekend’s “Shake the Nation” conference in Boise, of “bearing false witness” and of being “mean-spirited and hurtful.”

Lively’s crime? In his book, “The Pink Swastika,” Lively exposes a secret homosexual activists don’t want you to know about Nazi Germany: that although the Nazis did persecute homosexuals, the homosexuals the Nazis persecuted were almost exclusively the effeminate members of the gay community in Germany, and that much of the mistreatment was administered by masculine homosexuals who despised effeminacy in all its forms.”

→ Ler o resto: The truth about homosexuality and the Nazi Party

Quinta-feira, 2 Julho 2015

As verdadeiras cores do arco-íris

Filed under: aborto — O. Braga @ 7:53 pm
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verdadeiras core do arco iris

As três normas da moral cristã

Filed under: ética — O. Braga @ 8:24 am
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Um artigo assinado por José Paulo do Carmo, no semanário SOL, é crítico em relação à forma como o sexo é concebido na cultura actual — especialmente em Lisboa.

“Assim se explicam tantos divórcios, tantas separações, porque vivemos numa dicotomia de valores em que queremos ser livres mas ‘ai de que o nosso companheiro/a faça o mesmo’. Deixámos de ser apedrejados por adultério, perdeu-se o julgamento em praça pública, gradualmente tudo passou a ser normal porque o tempo encarregou-se de desresponsabilizar esse tipo de atitudes”.

As relações sexuais

A moral é hoje reduzida ao conceito de “não chatear o outro”. Hoje só existe uma única norma moral: a liberdade negativa: “cada um faz o que quer e não tens nada a ver com isso! Vive e deixa viver!”.

Esta norma moral é válida; mas não é a única. Existem, para além dela, mais duas normas morais:

  • a necessidade de uma determinada harmonia interior em cada pessoa, que tenha em conta também a liberdade positiva;
  • o problema do sentido da vida. A forma como organizamos as nossas vidas e as nossas mundividências de forma a obtermos um sentido justo e racional para as nossas vidas.

Reduzir toda a moral à liberdade negativa é característica da barbárie moderna contemporânea. E só o Cristianismo pode ajudar as pessoas a assimilar as duas outras normas que são hoje invisíveis.

Agora, em Espanha, é tudo considerado “terrorismo”

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:16 am
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Você peidou na via pública? Tenha cuidado, porque em Espanha pode ser acusado de terrorismo.

Por exemplo, organizar protestos políticos em Espanha através das redes sociais passa a ser delito de terrorismo:

« Gestionar protestas online y en redes sociales será un delito castigado con penas de terrorismo. Según el artículo 30 de la Ley de Seguridad Ciudadana “se considerarán organizadores o promotores [de las protestas] quienes por publicaciones o declaraciones de convocatoria de las mismas, por las manifestaciones orales o escritas que en ellas se difundan […], pueda determinarse razonablemente que son directores de aquellas”. »

Ley Mordaza: Las 5 Cosas Que No Podrás Hacer En Internet

Por exemplo, o conceito de “alterar gravemente a paz pública” também é considerado terrorismo. ¿Mas o que significa “gravemente”? A lei não diz. Depende da vontade circunstancial da elite política (depende da vontade geral).

E para os que pensam que o governo espanhol é de esquerda, convém lembrar que alegadamente se trata de um governo da direita “liberal”.

Quarta-feira, 1 Julho 2015

A intolerância dos gays

Filed under: Geral — O. Braga @ 6:28 pm
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« A street preacher was repeatedly punched in the head and kicked by two men at Seattle’s Pridefest this past Sunday – and the entire confrontation was caught on camera.

In disturbing video footage uploaded on Youtube and reported by Seattle’s KOMO news, two Christian street preachers can be seen standing on a grassy area. One of the preachers holds a sign that says “Jesus saves and heals,” and “Repent or else,” while the other holds a Bible. »

Seattle gay pride participants viciously beat Christian street preacher (vídeo)

Isto só agora começou. Em breve os gayzistas irão ter protecção do Estado, da mesma forma que os camisas castanhas foram protegidos pelo Estado nazi.

 

“Discriminação” : a palavra-mestra do politicamente correcto

Filed under: ética,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 11:32 am
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A qualidade vertiginosa do actual ambiente sócio-político não pode prescindir de Kafka para o descrever: é como se acordássemos de manhãzinha, e sete em dez pessoas, conhecidas ou não, tivessem sofrido uma metamorfose, transformando-se em baratas gigantes.

“In the Journal of Medical Ethics, two influential bioethicists argue that we should allow euthanasia for patients suffering from ‘treatment-resistant’ depression. Udo Schuklenk, of Queens University in Canada, and Suzanne van de Vathorst, of the University of Amsterdam, claim it is discriminatory to allow euthanasia or assisted suicide for terminally ill patients but to deny it to those who suffer from incurable mental illness. Professor Schuklenk is co-editor of the journal Bioethics”.

Leading bioethicists back euthanasia for mentally ill

Segundo dois eminentes académicos especializados em ética, a ideia é a seguinte:

“Se uma pessoa com com cancro terminal, por exemplo, tem direito à eutanásia; segue-se que é discriminatório não conceder a eutanásia a pessoas com depressão mental resistente a tratamento”.

Ou seja, para não haver “discriminação”, tem que haver “direito”.

Levado às suas últimas consequências, este raciocínio implica que toda a gente tem direito à eutanásia, para que não seja alvo de discriminação. Por exemplo, o adolescente a quem a namorada pôs os cornos, e que está em um sofrimento psicológico atroz e insuportável, também tem direito à eutanásia; e os desempregados também (dava muito jeito às estatísticas!). Se o critério da concessão da eutanásia é a avaliação pessoal e subjectiva acerca da nossa qualidade de vida, estamos todos potencialmente fod***s!

Dizem, portanto, os académicos, que uma pessoa com “depressão mental resistente a tratamento” não deve ser discriminada, e por isso deve ser autorizada a “decidir” morrer desde que “a decisão seja livre” (sic). Ora, há aqui uma coisa que eu não compreendo (certamente serei deficiente cognitivo): ¿uma pessoa com “depressão mental resistente a tratamento” poderá tomar “decisões livres”?

Mas a falácia da cultura da morte vai mais longe: por exemplo, na Holanda e na Bélgica, já é praticada a eutanásia a pessoas (com Alzheimer, demência, etc.), sem consentimento prévio; e o argumento é o seguinte: se essas pessoas pudessem julgar o seu próprio estado, considerariam que não vale a pena viver”.

Nestes dois países já não existem crianças com síndrome de Down, em resultado de uma política de erradicação pré-natal (aborto selectivo). Quando já não existirem pessoas deficientes (porque foram todas eutanasiadas), nem velhos dementes, nem pessoas com “depressão mental resistente a tratamento”, etc., — ¿quem será eutanasiado a seguir, para não ser “discriminado”? Os pobres? Ou talvez você.

A estupidez “filosófica” da Isabel Moreira

 

Uma pessoa tira um cursinho de Direito, auto-proclama-se “constitucionalista” graças ao nome público do paizinho, e passa automaticamente a ser líder de opinião política e me®diática. É o caso da Isabel Moreira.

“O lastro de Marx que me marca sem retorno, tão forte que faz de mim uma marxista, é a genialidade como contrapôs o progresso à natureza. A recusa de uma qualquer “ordem natural das coisas” e a defesa acérrima do progresso como antítese que espatifa a selva do acontecer como acontecer, ou do cada um por si, ou da não intervenção humana para mudar as suas condições, foi apresentada por Marx sem complacências.”

É BOM PORQUE NÃO É NATURAL

Parece-me que a Isabel Moreira não compreendeu Karl Marx. Karl Marx nunca contrapôs o “progresso”, por um lado, e “natureza”, por outro lado. Para Karl Marx, o conceito de “natureza” era concebido como “Estado de Natureza” e como sinónimo de “necessidade”. Ou seja, para Karl Marx, a oposição não era entre “natureza” e “progresso”, mas entre “Estado de Natureza” enquanto “necessidade”, por um lado, e “liberdade”, por outro lado.

A oposição marxista entre “necessidade” (ou Estado de Natureza) e “liberdade” serviu, durante muitos anos do curto século XX, para tentar definir uma ordem humana que seria estranha ao resto do universo. É neste sentido que podemos dizer que a visão marxista do universo se reduz ao mundo sub-lunar delimitado pelos satélites artificiais. Trata-se de uma visão anti-cósmica, e, por isso, gnóstica.

Para Karl Marx (via Engels), o “fim do reino da necessidade inaugurará o reino da liberdade”.

Segundo o marxismo, o Fim da História, ou seja, “a passagem do reino da necessidade ao reino da liberdade” (Engels, e não Karl Marx como diz a Isabel Moreira), será caracterizado pelo desaparecimento das necessidades oriundas da luta económica do homem contra o Estado de Natureza ou contra a necessidade (e não contra a Natureza enquanto tal). No entanto, Karl Marx admite que novas necessidades surgirão após esse Fim da História.

Mas, se é assim, teremos que admitir que é extremamente difícil saber o que significa “liberdade” — porque, neste caso, a liberdade passa a ser independente de qualquer princípio de causalidade: se a liberdade é independente de qualquer necessidade, segue-se que é impossível ter uma noção de “liberdade” que não seja puramente subjectiva e, portanto, anti-filosófica, anti-lógica e mesmo anti-científica.

Karl Marx via o “progresso” como uma lei da natureza.

E quando constatamos a existência de pessoas como a Isabel Moreira, verificarmos que basta uma geração de bárbaros para que o “progresso” vá pela pia abaixo. O conceito de “progresso como lei da natureza” define a estupidez da Isabel Moreira. Não me vou alongar sobre o delírio de Karl Marx, porque seria fastidioso para o leitor e para mim. Gosto pouco de falar sobre ideias de merda.


«O progresso económico como condição da igualdade, o progresso que recusa a lei do mais forte, por ter o mesmo substrato filosófico, é o mesmo que exige a ciência contra a “natureza”, os afectos e a sexualidade contra a “natureza da maioria”.»

Sinceramente, caro leitor, eu penso que Isabel Moreira deveria ser interditada; o problema é muito grave.

¿Como é que a ciência, que se funda na Natureza, pode ser “contra a Natureza”?!

isabel moreira-webA palavra “natureza” vem do latim “natura” e do verbo latino “nascor”, que significa “nascer”; e lembra-nos que a natureza é o que preexiste ao Homem: é aquilo que, na espécie humana, é espontâneo e natural.

Mas a Natureza Humana não se reduz ao conceito de “nascer”; a sociedade, a técnica, tudo o que resulta da actividade humana é (sempre foi, desde o aparecimento dos hominídeos) natural ao homem (faz parte da Natureza Humana segundo Aristóteles).

A natureza ocupa, para os seres naturais, a posição do artesão para os objectos fabricados.

Não existe tal coisa como uma posição do artesão contra a matéria-prima utilizada para fabricar os seus objectos. ¿Já imaginaram o artesão ser contra a sua obra de arte?!


A Isabel Moreira tem um raciocínio contraditório: por um lado, diz-se de esquerda, marxista, contra a necessidade (embora a favor do determinismo marxista, o que é uma contradição em termos), e progressista; por outro lado, assume uma mundividência cartesiana.

Segundo Descartes (mecanicismo) a ciência deveria organizar-se segundo as leis da técnica que é considerada “modelo da natureza”: os animais (incluindo o ser humano) são máquinas, as funções fisiológicas são análogas à acção de tubos, roldanas e molas… Esta concepção têm como corolário a ideia segundo a qual a natureza é inteiramente domável (cientismo): conhecer as suas leis é dominá-la, tal como o objecto técnico é dominado (mas a Isabel Moreira é contra o conceito de “domínio” !), para a colocar ao serviço dos interesses humanos.

Diz Descartes : “poderíamos tornar-nos donos e possuidores da Natureza” (mas a Isabel Moreira é “ecologicamente pura”!). Para Descartes, apenas o Homem pode dominar a natureza porque conhece o determinismo das leis da natureza: ao mesmo tempo que reconhece e aceita o determinismo cartesiano, a Isabel Moreira recusa o determinismo cartesiano. Aquela criatura não pensa: diz umas coisas.

Assim como o nosso corpo já não se satisfaz com a simplicidade das coisas originalmente “naturais”, os nossos desejos afastam-se das verdadeiras necessidades e o nosso amor-próprio leva-nos a banir a igualdade da nossa vida social (Rousseau).

Ou seja, o conceito de Isabel Moreira de “igualdade” em função da “ciência contra a natureza”, mesmo que fosse válido, é auto-contraditório — porque o afastamento da simplicidade natural (Estado de Natureza) é a causa das desigualdades sociais (como reconheceu Engels).

Com “marxistas” deste calibre, Karl Marx deve andar às voltas na tumba.

Karl Marx dizia que “o utilitarismo é moral de merceeiro inglês”. O marxismo é incompatível com o utilitarismo da Isabel Moreira. A Isabel Moreira é uma contradição nos seus próprios termos; é uma caricatura dela própria; mas os me®dia dão-lhe toda a atenção do mundo.


A ler: Publicação dramaticamente reaccionária. Chega-se a invocar a natureza.

É tudo uma questão de má-interpretação.

 

Quando o “papa Francisco” diz, na sua encíclica que “o capitalismo é mau” (confundindo propositadamente capitalismo e neoliberalismo), isso não significa que ele esteja a dizer que “o capitalismo é mau”: pelo contrário! Quem interpreta o “papa Francisco” desta forma incorre em propaganda política sem escrúpulos e oportunista.

“O senhor Bergoglio tem duas línguas, e os seus apologistas têm quatro”.Olavo de Carvalho

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