perspectivas

Sábado, 13 Fevereiro 2016

O delírio interpretativo do José Pacheco Pereira

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 8:19 pm
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O José Pacheco Pereira está cada vez pior: agora defende a ideia segundo a qual quem chegou à conclusão de que a austeridade na economia é necessária, é uma espécie de sadista, porque “gosta da austeridade”; o “sadismo económico da austeridade” é uma espécie de ideologia política.

Mas a estupidez do José Pacheco Pereira não fica por aí:

« A "bancarrota Sócrates" foi um desastre para o interesse nacional, Sócrates tem uma imensa responsabilidade, mas não está solitário nessa responsabilidade. Embora ainda haja muitas obscuridades no que aconteceu, a responsabilidade deve ser partilhada com o PSD e o CDS, e em menor grau como BE e o PCP. »

Ou seja, segundo o José Pacheco Pereira, o que interessa é saber se existem impressões digitais no local do crime. Um criminoso que deite abaixo uma economia, mas sem deixar impressões digitais, é inimputável.

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Para uma mulher pertencer ao governo socialista, basta ter uma vagina no lugar dos miolos

 

“A Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade salientou que os refugiados, "pelas suas características culturais e sociais, têm normalmente mais filhos do que os europeus"

A secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, defendeu hoje que a entrada de refugiados em Portugal vai ajudar a resolver o problema da baixa natalidade no país. "Acreditamos que, para o país, é positivo nós termos pessoas que possam ajudar a renovar a nossa população, que possam trazer outras experiências", afirmou, em declarações à Lusa”.

Catarina Marcelino: refugiados ajudam a resolver problemas de natalidade

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As redes sociais estão ao rubro com os erros de português da deputada do PS Catarina Marcelino:

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Bem diz o ditado português: “quem tem uma vagina, tem uma mina!”

A redução da antropologia à economia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:39 pm
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A redução de toda a realidade à economia é uma característica da pós-modernidade. Essa atitude redutora está bem patente em quase toda a opinião publicada: é como que, perante a perda de sentido, as pessoas se agarrassem a uma qualquer “ciência” para afastarem os demónios do absurdo que elas próprias criam ou adoptam.

Um exemplo da redução da realidade à economia é este texto: é uma logomaquia em “economês” em defesa do Rendimento Básico Incondicional.

Porém, o problema do Rendimento Básico Incondicional é antes de mais um problema antropológico lato sensu que não pode ser reduzido à economia. Antes de ser um problema económico, é um problema metafísico; e depois, é um problema ético; a seguir é um problema cultural; depois passa a ser um problema político; e só finalmente é um problema financeiro.

A definição de Rendimento Básico Incondicional pode ser lida aqui:

“O Rendimento Básico Incondicional é uma prestação atribuída a cada cidadão, independentemente da sua situação financeira, familiar ou profissional, e suficiente para permitir uma vida com dignidade”.

O Rendimento Básico Incondicional significa que o Estado tem a obrigação de sustentar o indivíduo independentemente de ele querer trabalhar muito, pouco, ou mesmo nada. Como se vê, o problema é antes de mais, metafísico e ético. E depois é cultural (antropológico) e político. A economia vem no fim da linha.

Sexta-feira, 12 Fevereiro 2016

Benfica 1 – Porto 2

Filed under: Futebol — O. Braga @ 10:25 pm
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¿Por que razão “os direitos individuais não são referendáveis”?

 

Perante o pensamento dogmático politicamente correcto, devemos fazer perguntas. O questionamento é a melhor forma de destruir o politicamente correcto que é uma burocracia do espírito.

"Um referendo sobre direitos individuais é virar a democracia de pernas para o ar, é virar a democracia contra ela própria", escreveu João Semedo em resposta à agência Lusa, considerando que referendar direitos individuais "não é democrático", embora o pareça.

É antes, disse, "admitir que um direito que é de todos possa ser retirado por alguns": "Alguém admitiria ou acharia democrático fazer um referendo em que o direito de todos à saúde ou ao trabalho, por exemplo, fosse retirado da lei por decisão de alguns?"

João Semedo


Em primeiro lugar, analisemos o aspecto formal da tese do João Semedo.

O direito à democracia participativa (direito ao referendo) é um direito de todos (é simultaneamente um direito negativo e positivo); mas o João Semedo e meia dúzia de estupores sentados nas cátedras do Poder da capital-do-império-que-já-não-existe, pensam que têm o direito de coarctar esse direito ao referendo que é de todos. Portanto, o João Semedo utiliza um argumento auto-contraditório: para ele, “os direitos são de todos” apenas e só quando lhe convém.

Em segundo lugar, vamos analisar o conceito de “autonomia” que fundamenta o “direito individual”.

Quando falamos de “autonomia da pessoa”, há duas mundividências que são inconciliáveis.

A primeira é a de que existe uma natureza humana, que é fundamentalmente idêntica desde que surgiu o homo sapiens sapiens. A segunda é a de que a dita “natureza humana” nada mais é do que uma “construção social e cultural”.

Quando falamos em “direitos do indivíduo”, devemos situar os fundamentos desses direitos em uma das duas mundividências que não são conciliáveis entre si (são mesmo antagónicas). Ou optamos por uma ou por outra. Das duas, uma: ou a autonomia é uma tendência da Natureza Humana, ou é um conjunto de valores construídos cultural e socialmente e que podem ser moldados através de engenharias sociais; ou a autonomia é promotora natural e progressiva do bem-estar do indivíduo e da sociedade, ou o seu papel de promoção do bem-estar é relativo e depende dos valores que a sociedade atribui à autonomia.

Autonomia não é a mesma coisa que individualismo e/ou colectivismo.

Decorrente da diferença entre estas duas mundividências, surgem o individualismo e o colectivismo, que não são a mesma coisa que “autonomia”. A autonomia é uma necessidade psicológica fundamental do organismo humano (a Natureza Humana perene), ao passo que o individualismo e o colectivismo são doutrinas socialmente construídas acerca das relações entre o indivíduo e a sociedade, e que consistem em diversos valores e práticas que podem ser mais ou menos interiorizadas.

Portanto, quando falamos em “autonomia”, não a podemos confundir com individualismo e/ou colectivismo. Ora, é essa confusão que é feita (propositadamente) pelo João Semedo.

Quando os conceitos de “autonomia” e de “Natureza Humana” não são senão “construções sociais e culturais”, o direito positivo é retirado ao cidadão em nome do individualismo (Paula Teixeira da Cruz e Rui Rio) ou do colectivismo (João Semedo) e transferido para uma elite de iluminados. Em ambos os casos, o cidadão só fica com o direito negativo.

Quando a autonomia é entendida em termos de necessidade de uma Natureza Humana perene e intemporal, a noção de autonomia implica o direito negativo e o direito positivo: temos o direito à nossa individualidade, mas também temos o direito de legislar sobre a sociedade. É este direito positivo (a do cidadão e do legislador) que legitima que todos possamos definir os direitos de todos.
Neste sentido de autonomia, os direitos de todos são referendáveis por todos.

Portanto, caro leitor, você tem que escolher uma destas duas mundividências. Ou você dogmatiza o conceito de autonomia e transfere o seu direito positivo para uma elite política, ou você racionaliza o conceito de autonomia e assume o seu papel de cidadão e de legislador e, neste caso, os seus direitos, como os de todos, são por princípio igualmente referendáveis.

Quinta-feira, 11 Fevereiro 2016

Apertem os cintos!

Filed under: Portugal — O. Braga @ 2:48 pm
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«A maior subida semanal das taxas de juro desde 2012», refere o FT.

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Não concordo com Bagão Félix acerca dos mecanismos referendários na democracia

 

“Populismo é o termo usado pelos democratas quando a democracia os assusta” (Nicolás Gómez Dávila). A pesporrência e a arrogância dos “donos da democracia”, instalados nas cadeiras dos me®dia da capital-do-império-que-já-não-existe, revela um medo em relação à democracia; e por isso inventaram um sistema em que a vontade popular é diferida e interpretada discricionariamente pela classe política e pela rulling class segundo o modelo da "Vontade Geral" de Rousseau.

A limitação (ou negação) dos mecanismos de democracia participativa retira a legitimidade da democracia representativa.

Por que um liberal humanista (não religioso) não deve concordar com a legalização da eutanásia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:00 pm
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  • A morte do indivíduo passa a fazer parte do processo burocrático do Estado.
  • A legalização da eutanásia retira a responsabilidade moral de quem se suicida. O processo burocrático estatal subjacente à eutanásia enfraquece essa responsabilidade moral, transferindo-a para a burocracia do Estado que depende, por sua vez, de uma classe de profissionais que é chamada a pronunciar-se sobre a forma física e psicológica do doente. O facto de essa classe de profissionais estar a receber ordens superiores absolve-os de qualquer responsabilidade moral.
  • A legalização da eutanásia desvaloriza todas as vidas que se aproximam do fim — e não apenas a de quem pede para ser eutanasiado.
  • A lei da eutanásia permite ao Estado demitir-se, mais ou menos, das suas obrigações em relação ao cidadão em matéria de saúde. Os cuidados paliativos custam muito dinheiro. Ao permitir a eutanásia, o Estado pode poupar dinheiro à custa de muitas mortes prematuras.

Quarta-feira, 10 Fevereiro 2016

Adriano Moreira e a impotência italiana

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 7:55 pm
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“O incidente das estátuas pudicamente cobertas, não pelo manto diáfano da fantasia mas pela dureza da submissão revelada perante o representante político de uma potência de área cultural diferente da ocidental, o que não deixa esquecer não é uma leviandade protocolar, é sim a dificuldade crescente de impedir que a Europa, não há muito considerada a "luz do mundo", seja um passado histórico e não a voz de um novo tempo de grandezas para a casa comum dos homens que se prometeu ser o globo.

Tratou-se de um incidente entre a nobre soma de países, a procurar que a União Europeia recupere uma posição na hierarquia das potências, um processo que vai mostrando as dificuldades de conciliar a memória de soberania e proeminência de cada uma com as realidades do tempo mal sabido em que vivemos”.

Adriano Moreira


impotencia-de-esquerdaAdriano Moreira refere-se à recente visita do presidente do Irão a Roma.

Normalmente dizemos que as pessoas só vêem aquilo que querem ver. No caso vertente, Adriano Moreira só vê o que quer ver; e atribui o tapamento das estátuas de Roma a uma “submissão por impotência”. Trata-se, de facto, de uma submissão, mas que não se deve a uma impotência real.

Quando D. Afonso Henriques declarou a independência de Portugal, prometeu ao Papa uma determinada quantidade de ouro em troca do seu (deste) apoio. O Papa anuiu e apoiou a independência de Portugal; mas, depois, D. Afonso Henriques não pagou! O primeiro rei de Portugal enganou e desafiou o próprio Papa medieval; e não consta que o condado portucalense fosse uma “potência” no contexto europeu de antanho.

Uma coisa é sermos de facto impotentes; outra é pensarmos que somos impotentes, sem de facto o sermos; e outra, ainda, é fazermos de conta de que somos impotentes. Ora, para Adriano Moreira, se um país age com impotência, é por que é de facto impotente — aqui segue o Salazar: “em política, o que parece, é!”

O que Adriano Moreira se esqueceu de dizer — porque não lhe convém — é que o governo italiano é socialista. A Esquerda em geral castra a cultura indígena europeia.

O novo tipo de colonização necessária, segundo Boaventura Sousa Santos

 

 

Para Boaventura Sousa Santos, precisamos de um novo tipo de colonização que nos liberte do velho tipo de colonização.

O problema não está na colonização, entendida em si mesma, mas antes está na existência de uma colonização progressista, por um lado, e de uma colonização reaccionária, por outro lado. Ora, segundo Boaventura Sousa Santos, devemos adoptar a colonização progressista, “descolonizando-nos” da velha colonização.

Ou seja: a colonização não é, em si mesma, uma coisa má. O mal está na História, que temos que esquecer através de uma nova colonização.

boaventura sousa santos web

(Via)

O Partido Comunista irá extinguir-se rapidamente

 

Tradicionalmente, o Partido Comunista não adoptava uma ética utilitarista. Karl Marx dizia que “o utilitarismo é uma moral de merceeiro inglês”. Álvaro Cunhal dedicou a sua tese de doutoramento em Direito à justificação da legalização do aborto: o aborto era de tal modo repugnante para ele, que ele dedicou a tese inteira do seu doutoramento para justificar a sua legalização.

Desde a morte de Álvaro Cunhal, o Partido Comunista abandonou “progressivamente” a sua tradição não-utilitarista, em parte devido à influência do fenómeno Bloco de Esquerda, e por outra parte devido ao isolamento ideológico que sofreu dentro da União Europeia do Euro.

Isto faz com que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista sejam hoje intermutáveis: tanto faz votar num como no outro. A distinção não-utilitarista do Partido Comunista desapareceu.

À partida, o problema colocar-se-ia assim: a probabilidade do Bloco de Esquerda substituir o Partido Comunista é tão grande como a do Partido Comunista substituir o Bloco de Esquerda no eleitorado. joao-semedo-autonomia-web

Mas, para além do utilitarismo adoptado pelo Bloco de Esquerda, o Partido Comunista terá que seguir à risca o Culto da Autonomia 1 (a perversão do conceito iluminista de “autonomia” segundo Kant) que também caracteriza o Bloco de Esquerda.

O princípio utilitarista da “maior felicidade para o maior número”, sendo repugnante para Karl Marx, ainda tem qualquer coisa de colectivo; mas o Culto da Autonomia, que caracteriza o Bloco de Esquerda, o Partido Socialista e uma parte do Partido Social Democrata, destrói qualquer desígnio colectivista real, e transforma os partidos de Esquerda em meros projectos de poder apenas pelo Poder.

O Culto da Autonomia é, no seu fundamento, incompatível com qualquer partido marxista-leninista. Quando o Partido Comunista tenta ignorar esta contradição, desfigura-se e copia o original que é o Bloco de Esquerda. Entre a cópia e o original, os eleitores tendem instintivamente a seguir o original. Por isso é que o Partido Comunista tem os dias contados em Portugal.

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Nota
1. A autonomia de Kant pode definir-se 1/ como liberdade no sentido negativo, isto é, como independência em relação a qualquer coacção exterior (o cidadão), 2/ mas também no sentido positivo, como legislação da própria Razão pura prática (o legislador).

A autonomia da vontade é, segundo Kant, “o princípio supremo da moralidade” (“Fundamentação da Metafísica dos Costumes”). Segundo Kant, uma acção não pode ser verdadeiramente moral se não obedece a razões sensíveis exteriores à razão legislativa. Por exemplo, segundo Kant, se ajo por amor à Humanidade, não ajo por dever, mas por sentimento.

Ora, uma acção cuja máxima se baseia num sentimento não pode aspirar à universalidade e servir de lei a todo o ser racional. Em contrapartida, e seja qual for o meu sentimento em relação à Humanidade, “tratar a Humanidade na minha pessoa e na pessoa de qualquer outro, sempre simultaneamente como um fim, e não simplesmente como um meio”, é a máxima exigível universalmente, um dever para todos; a vontade que determina a sua acção a partir dela, é uma vontade autónoma, na medida em que se submete livremente à lei da razão pura prática.

Ou seja, para Kant, a autonomia consiste em ser simultaneamente “cidadão e legislador”: a vontade do Bem é ela própria uma criação livre.

A radicalização do princípio da autonomia de Kant, que ocorre na contemporaneidade, consiste grosso modo em adoptar a liberdade em sentido negativo (o “cidadão”) e excluir o sentido positivo da função da Razão no papel do “legislador”, transformando a autonomia em subjectivismo puro e não passível de universalidade, levando à atomização da sociedade.

Terça-feira, 9 Fevereiro 2016

O conceito actual de “autonomia” coloca em cheque a “consciência”

Filed under: filosofia — O. Braga @ 6:07 pm
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“Só há a vida do indivíduo, mas a consciência ultrapassa o indivíduo e rompe sem cessar os seus limites.

(…)

A consciência conduz a vida sob a sua própria jurisdição, em lugar de ser ela a submeter-se à jurisdição da vida.

O animal não se eleva acima da vida. Mas a consciência só ilumina aquilo que existe para se interrogar sobre o seu valor; só é consciência psicológica por ser também consciência moral. A vida só conhece o bem do indivíduo; a consciência eleva-se até ao bem universal; e quando o bem do indivíduo a põe em cheque (à consciência), eis que surge o mal”.

(Louis Lavelle, “Tratado dos Valores”, T. 1, pág. 744)


A consciência é, aqui, a essência que caracteriza não só o indivíduo, mas também a que une todos os indivíduos (o Absoluto). A nível do indivíduo, a consciência é uma experiência originária — comprovável a nível intersubjectivo — que antecede a experiência objectiva, tanto em termos lógicos como também em termos existenciais.

Quando o “bem do indivíduo” coloca em causa, ou em cheque, a “consciência” que se eleva ao bem universal, surge o mal. Quando o conceito actual e politicamente correcto de “autonomia do indivíduo” ignora a consciência e o bem universal, destrói a sociedade e o indivíduo, em vez de os tornar melhores. Não é possível um “mundo melhor” que se baseie principalmente no bem do indivíduo — porque o animal não se eleva acima da vida que só conhece o bem do indivíduo.

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