perspectivas

Terça-feira, 25 Setembro 2018

As 5 características principais do Totalitarismo de Veludo que começamos a sentir em Portugal

 

1/ leis opacas de difícil entendimento, ou de interpretação ambígua e ambivalente, insuficientemente objectivas em relação às punições respectivas; politização da justiça;

2/ presença de comissários políticos que se infiltram em todos os níveis da sociedade, e intelectualmente pouco qualificados (por exemplo, alguns jornalistas — como Daniel Oliveira ou Fernanda Câncio — operam, na prática, como comissários políticos do Totalitarismo de Veludo);

3/ ética definida pelo estatuto da pessoa — por exemplo, o homem branco heterossexual e cristão é um alvo preferencial de perseguição política.

4/ medo da discussão pública de assuntos controversos mas fundamentais (a “espiral do silêncio”) — um medo difuso que atravessa a sociedade e impede o contraditório público e real.

5/ demonização da dissidência ideológica e política (“quem não é por mim, é contra mim”); o Totalitarismo de Veludo não só não admite dissidentes, mas também não faz prisioneiros: a dissidência é constantemente fabricada para alimentar a voragem do puritanismo ideológico.

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Segunda-feira, 28 Abril 2008

Os valores da lógica do Absurdo (1)

Filed under: cultura,Política — O. Braga @ 12:28 pm
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1. A utopia radical e o islamismo



A aliança Marx-Maomé

1.1 Existem três realidades ligadas de tal forma entre si que são inseparáveis: o darwinismo (o evolucionismo como filosofia), o ateísmo – que se radica numa visão estritamente evolucionista e materialista do universo, – e o movimento revolucionário mundial, cuja base filosófica se escora na conjugação dos dois primeiros pressupostos.

1.2 Para que possamos compreender o que se passa hoje na política e na sociedade em geral, temos que “rebobinar” a História – pelo menos – até à revolução francesa, embora algumas das ideias do século 19 sejam essenciais para a compreensão do nosso tempo. Quando um político actual adopta um tipo de acção, essa acção tem por base um repositório ideológico que constitui a súmula idiossincrática de (pelo menos) 200 anos de história das ideias. Contudo, essa acção pode ser fruto do inconsciente – quando o discurso é assimilado mecânica e culturalmente e reproduzido nessa condição – como parece ser o discurso de José Sócrates ou de alguns sacerdotes católicos “intelectuais” – ou consciente, quando o discurso é fielmente estereotipado e consentâneo com a linha ideológica que se mantém ao longo de décadas, ou mesmo de séculos (por exemplo, o discurso da “cassete” do partido comunista).

1.3 Por “movimento revolucionário mundial” entende-se o prolixo conjunto de organizações políticas e sociais – incluindo a maçonaria, e mesmo alguns sectores da Igreja Católica em haraquiri – que têm actuado de forma concatenada e muitas vezes aparentemente desconexa, ao longo dos últimos 150 anos – por via da herança cultural e pela transmissão oral geracional – e que têm por objectivo a erradicação dos valores da cultura civilizacional de raiz europeia, e entre os seus valores essenciais, o cristianismo, seguindo assim a velha prescrição defendida por António Gramsci.

1.4 O papel do islamismo nessa acção de devastação cultural na Europa é tolerada pelos movimentos revolucionários – ou pelo menos, pelas elites mais conscientes desses movimentos. Isto pode parecer um pouco contraditório com o ateísmo primordial dos utopistas radicais, mas tudo se processa como se um indivíduo que não gosta de pessoas de etnia cigana, contratasse um cigano para dar uma sova a um vizinho que o incomoda. O islamismo e a islamização da Europa assumem uma função desagregadora da cultura europeia e do cristianismo (é preciso “baralhar as cartas para as tornar a dar”), e essa acção de destruição da predominância dos valores cristãos é vista com bons olhos pelo conjunto dos movimentos revolucionários – que não pertencem só já à tradicional Esquerda, mas também aos movimentos de libertários de Direita Neoliberal – não só por uma questão de oposição em determinados valores que o islamismo propõe em relação ao cristianismo (por exemplo, a posição ideológica do islamismo no que respeita ao exercício da violência), mas porque sendo o islamismo intolerante e defensor da violência em determinadas situações, serve como um bom exemplo para a denúncia generalizante do papel das religiões na sociedade.

1.5 A convicção revolucionária é a de que se deve lidar com um “mal” de cada vez, numa escala de prioridades, e a prioridade actual é a eliminação cultural do cristianismo, tendo em consideração que este é muito mais “perigoso” que o islamismo porque se desenvolveu em paralelo com o pensamento filosófico ocidental e assimilando valores da filosofia clássica até ao pensamento contemporâneo (teologia), sendo que o tratamento a dar ao islamismo medievo na Europa do futuro – depois de aniquilados os valores cristãos na sociedade – seguirá uma receita mais radical, totalitária, violenta e brutal. Resolver um “problema” de cada vez, começando pelo mais difícil e delicado, é a estratégia dos utopistas.

Estamos aqui, de facto, no campo da utopia, e o nosso destino colectivo parece estar entregue a uma plêiade de loucos que se pautam por uma visão utópica, e por isso, intangível e inatingível, da realidade.

(continua)

Domingo, 11 Novembro 2018

¿Quem te manda a ti, sapateiro, tocar tão mal rabecão?

 

O Carlos Fiolhais escreveu o seguinte (ver ficheiro PDF):

“Já está nas bancas o novo livro de Peter Atkins, químico e escritor de ciência que estará em Lisboa no Auditório do Oceanário na próxima sexta-feira para fazer uma conferência a convite da Fundação Francisco Manuel dos Santos. O livro, uma edição apoiada por aquela Fundação, intitula-se "Como surgiu o Universo" (colecção "Ciência Aberta" da Gradiva, excelente tradução de Fátima Carmo) e subintitula-se "As origens das leis naturais".

Para Atkins o Universo surgiu espontaneamente, sem necessidade de intervenção de um criador.”


Longe vão os tempos em que Einstein dizia que “Deus não joga aos dados”; hoje, os palhaços que mandam na ciência transformam Einstein num palhaço.

¿Por que razão um químico se aventura na metafísica, em vez de se concentrar nas retortas de alquimista? E ¿por que razão o Carlos Fiolhais escreve sistemicamente asneiras?

O discurso do referido químico é anti-realista (contra o realismo filosófico) quando revela a habitual hostilidade empiricista em relação à matemática, por um lado, e é positivista, por outro lado. Continuamos com a mania da predominância do positivismo na cultura “intelectual” — eu, que pensava que o positivismo tinha sido metido no seu lugar próprio.


atkins

Num outro postal, o Carlos Fiolhais continua com a saga do referido químico (ver ficheiro PDF):

"Gostaria de afirmar que não aconteceu nada de extraordinário na Criação — escreveu o químico. Naturalmente que o Carlos Fiolhais, com o seu cérebro de galináceo, subscreve esta teoria segundo a qual “não aconteceu nada de extraordinário na Criação”; porque, caso contrário, o Carlos Fiolhais teria escrito qualquer coisa em contraditório.

Escreve o químico retardado:

«Não aconteceu nada de extraordinário? Sim, é um grande passo pensar em toda essa hiper-actividade, energia e emergência [do Big Bang] da matéria fundamental em geral como não sendo nada de extraordinário

naturalismo_darwinO químico retardado classifica o início do universo como um “enigma”; ora, um enigma tem resolução. O que ao tem resolução científica, nem terá, é um “mistério”. Podemos inferir a forma do fenómeno do Big Bang, mas nunca saberemos exactamente o seu conteúdo. Por isso trata-se de um mistério, e não de um enigma. Mas falar disto ao Carlos Fiolhais é perder tempo com alguém que utiliza sistematicamente o argumento Ad Verecundiam nos seus textos → não é por que um homem é químico que tem autoridade em metafísica, ou mesmo na física.

O texto do químico é histriónico. A ideia-base do químico é a seguinte: se nós dissermos, por exemplo, que “o sistema imunitário animal é um sistema muito simples e de fácil construção”, então torna-se provável que a ciência consiga explicar a construção do sistema imunitário.

Estamos em presença da invasão da ciência por parte do subjectivismo pós-modernista que caracteriza a politização da ciência pelo marxismo cultural. Ou seja: para o referido químico, as coisas não são o que são: em vez disso, as coisas são aquilo que nós quisermos que sejam. Não tarda nada veremos o químico mudar de sexo.

Mais tarde, no texto, o químico rectificou a teoria e diz que “o universo surgiu do nada” (plagiou a tese do paraplégico Hawking) . Naturalmente que teríamos que definir “nada”. Mas, para estes “cientistas” da treta, as definições contam pouco: o que interessa é a prestidigitação das palavras para enganar os incautos — a “traição dos intelectuais”, de acordo com Julian Benda.

A partir deste livro (o do referido químico e endossado pelo Carlos Fiolhais) ficou demonstrado que “a ciência pode provar que uma coisa não existe” — o que revela um avanço metafísico enorme na ciência marxista cultural.


Repare bem, caro leitor, em um par de pérolas do químico endossado pelo Carlos Fiolhais :

“a eliminação de uma pergunta pode ser uma forma legítima de lhe responder”

“Sem actividade, não é necessário agente.”

Coloco aqui, por exemplo, a pergunta de Leibniz: “¿por que razão existe algo, em vez de nada?”. Segundo o referido químico e o galináceo cerebral Carlos Fiolhais, basta eliminar a pergunta de Leibniz e fica o problema resolvido. “Prontos! Negamos a pregunta e tomaticamente ficou respondida a pregunta!”

A ideia do químico é a de que o estado actual do conhecimento científico é suficiente e bastante (presentismo epistemológico); a dinâmica da epistemologia é negada em função de uma obsessão anti-metafisica (esquecendo-se que a negação da metafísica é sempre uma forma de metafísica) — assim como Galileu errou a sua teoria das marés por ter subestimado a influência da Lua nas marés, devido à sua (dele) obsessão contra a astrologia.


¿Quem te manda a ti, Carlos Fiolhais, tocar tão mal rabecão? Dedica-te à pesca!

Quarta-feira, 7 Novembro 2018

¿Salazar era de Direita?

Filed under: Portugal — O. Braga @ 2:00 pm
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Era.

O facto de Salazar ter sido um autocrata, foi um acidente da História que resultou do caos político e económico do Portugal da I república.

O Estado Novo foi uma consequência necessária do descalabro cultural, social e económico causado pelo golpe-de-estado republicano e jacobino de 1910.

Ou seja: para se ser de Direita não é necessário ser um ditador: ser um ditador é independente do facto de se ser de Direita ou de Esquerda (vejam, por exemplo, o Maduro na Venezuela: é ditador, mas é de Esquerda).

Em geral, um indivíduo de Direita defende um Estado fraco (ou seja, um Estado desburocratizado), mas com um governo forte. Neste sentido, por exemplo, Donald Trump é de Direita; e Rui Rio e Assunção Cristas são de Esquerda.

Salazar — como a maioria dos políticos e intelectuais europeus da sua (dele) época — tinha uma visão hegeliana (Hegel) da História e da política (ver “Direita hegeliana” no Google). Portanto, só podemos julgar Salazar à luz das ideias na moda na sua época.

A elite intelectual europeia do princípio do século XX adoptou uma visão corporativista da sociedade — por exemplo, Durkheim defendeu uma forma de corporativismo, emulação sucedânea das guildas medievais: ou seja, é um erro afirmar que o corporativismo é uma consequência do fascismo: pelo contrário, o fascismo italiano adoptou uma deriva do corporativismo que já vinha do passado.

Isto significa que ser “corporativista” não significa necessariamente ser “fascista” — porque o corporativismo é historicamente anterior ao fascismo italiano. E o facto de Salazar ter sido o protagonista político de um Estado forte e burocrático, deve-se ao facto de os republicanos jacobinos da I república terem conduzido Portugal à falência económica, financeira, social e cultural. salazar-direita-web

Quinta-feira, 1 Novembro 2018

A censura me®diática levada a cabo pelos “liberais” portugueses

 

Há dias, alguém colocou um artigo meu à discussão em um grupo de “liberais” portugueses no FaceBook, e levei com um chorrilho de asneiras e argumentos ad Hominem. Naturalmente que os burrinhos eram maioritariamente frequentadores do blogue Blasfémias.

alianca liberal web

A relação entre os “liberais” portugueses e a Esquerda é uma relação de dependência. Vivem uns em função dos outros; não podem viver uns sem os outros.

protestantism-secularism-communism-webE quando alguém se atreve a não depender ideológica- e emocionalmente de uns e doutros, os “liberais” portugueses actuam em uma lógica corporativista que faz lembrar a Esquerda marxista mais ortodoxa e dogmática.

É neste contexto que surge este artigo de uma luminária “liberal” da nossa praça que dá pelo nome de David Dinis, e um consequente comentário por parte de um indivíduo que dá pelo nome de Henrique Pereira dos Santos.

Devo reconhecer o seguinte: os ditos “liberais” portugueses seguem à risca a agenda política marxista — ou seja, os “liberais” portugueses não passam de um instrumento político do processo revolucionário em curso.

É claro que — ao contrário do que a luminária parece implicar — “normalizar” e “racionalizar” não são a mesma coisa, nem fazem parte de um mesmo processo analítico necessário.

Podemos racionalizar algo que não é passível de normalização (exactamente porque procedemos previamente a um escrutínio da razão). Neste aspecto estou de acordo com o Henrique Pereira dos Santos: não cabe aos gnósticos iluminados da nossa praça (ou seja, à aliança política tácita entre os marxistas e os “liberais”) decidir o que a populaça deve ou não ler, ou deve ou não saber.

A actual ditadura do “regime da rolha” resulta da aliança tácita (não declarada) entre “liberais” e marxistas.

Sábado, 27 Outubro 2018

Thomas Nagel e a Teoria do Aspecto Dual

Filed under: filosofia,metafísica — O. Braga @ 7:05 pm

 

A professora Helena Serrão publica aqui uma citação do autor ateu americano Thomas Nagel, na qual este nos dá a ideia de ter uma “terceira via” para a dicotomia (falsa) entre o dualismo metafísico (não confundir com o dualismo ontológico), por um lado, e o chamado “fisicalismo” por outro lado.

A essa terceira via, Nagel chama de “Teoria do Aspecto Dual”. Mas esta teoria não é outra coisa senão uma forma de epifenomenalismo.


Thomas Nagel é um pensador americano que se diz simultaneamente ateu e contra o materialismo. E o problema é que ele não vê nenhuma contradição naquilo que ele diz que é.

Em 1974, ele escreveu um ensaio com o título “Como É Ser Um Morcego?”, em que Nagel pretende imaginar como seria ser um morcego, na perspectiva de um ser humano. Sabemos que os morcegos percepcionam o mundo, por exemplo, através de uma espécie de radar, em que os impulsos de ultra-sons são enviados a partir do cérebro do morcego e os respectivos ecos permitem-lhe distinguir os objectos do meio-ambiente.

Thomas Nagel chegou a uma conclusão: podemos imaginar como é a tentativa de ser um morcego, mas mais nada do que isto. Podemos conceber e imaginar a nossa experiência se nos comportássemos como morcegos, mas nunca saberíamos o que é ser de facto um morcego. Ou seja, somos obrigados pela Razão a reconhecer a existência de factos onde nunca poderemos racionalmente penetrar. Há coisas que nos são inacessíveis porque temos que observá-las a partir de fora, do exterior dessas coisas em relação às quais podemos conhecer a verdade relativa, mas não a sua verdade absoluta.

A Razão diz-nos que a própria Razão tem limites. O mesmo critério aplica-se à ciência: a Razão diz-nos que a ciência tem limites.


Voltando à “terceira via” de Thomas Nagel.

Ele pretende fazer a distinção entre um alegado “processo físico” (alegadamente mensurável ou observável pela ciência), por um lado e, por outro lado, a subjectividade da eventual acção do processo físico, a que ele chama de “aspecto mental do processo cerebral”.

Ora esta teoria nada mais é do que uma forma de epifenomenalismo, ou a ideia segundo a qual alguns ou todos os estados mentais são meros epifenómenos (efeitos secundários ou sub-produtos) do estado físico do mundo — o epifenomenalismo nega que a mente tenha qualquer influência no corpo ou em qualquer outra parte do mundo físico: enquanto que os estados mentais são causados por estados físicos, os estados mentais não têm influência nos estados físicos.

Para o epifenomenalismo, as ideias são apenas um produto da actividade neuronal. Aquilo que é primário [aquilo que está em primeiro lugar] são os processos químicos e físicos nos neurónios, que decidem o que eu penso, o que faço e o que sou.


Karl Popper demoliu o epifenomenalismo quando demonstrou que esta teoria não pode ter qualquer sentido se obedecer aos seus próprios pressupostos: se as minhas ideias não podem existir sem suporte físico, ou seja, se as minhas ideias são produtos e portanto, efeitos, da química que se processa no meu cérebro, então nem sequer é possível discutir o epifenomenalismo: esta teoria não pode ter qualquer pretensão de verdade, visto que, por exemplo, as provas dela decorrentes são igualmente química pura. Se alguém defende uma teoria contrária ao epifenomenalismo, também tem razão, dado que a sua química chegou a um resultado diferente.

Karl Popper chama a esta armadilha lógica de “pesadelo do determinismo físico”.


A física quântica veio alterar este paradigma científico, colocando em causa a concepção do universo como sistema fechado.

A “amplitude de probabilidade de função de onda” (ou "função de onda quântica", ou ainda, na terminologia mais recente, "vector de estado"), por exemplo, de uma partícula atómica, não constitui um campo material (ou não tem massa ou tem uma massa mínima), mas actua sobre a matéria ao causar a probabilidade de um processo de partículas elementares. Estamos a falar de um facto científico baseado na experimentação, e não apenas de uma teoria. Este facto científico abriu as possibilidades de estados finais diferentes resultantes de processos dinâmicos idênticos, e sem que tivessem sido alteradas as condições iniciais (como, por exemplo, o abastecimento de energia).

Ou seja, segundo a ciência mais recente, o universo como sistema fechado e a primeira lei da termodinâmica estão colocados em causa. A primeira lei da termodinâmica pode ainda ser utilizada em ciência da mesma forma que o conceito de “absoluto” foi utilizado por Newton para elaborar a sua Dinâmica (o conceito de “absoluto”, em Newton, era uma espécie de muleta).

Resulta disto que a alma ou/e espírito não é um produto da evolução (evolução entendida no sentido naturalista e darwinista), e que o dualismo metafísico passa a fazer sentido mesmo à luz da ciência. Hoje já não faz sentido que um cientista seja necessariamente ateu, ou que defenda uma mundividência naturalista do ser humano.

Quinta-feira, 25 Outubro 2018

QI baixo, mas com alvará de inteligente

 

O Ludwig Krippahl voltou ao problema da Teodiceia. Parece um disco de vinil riscado. Baixo QI: não há argumento racional que valha.

 

Sobre o problema da Teodiceia, ler o que eu escrevi aqui em 2014. Qualquer pessoa com dois dedos de testa percebe o texto (a não ser que a sua carreira profissional dependa de um alvará de inteligência politicamente correcto).

A Assunção Cristas e o Asno de Buridan

 

Temos aqui um “post” no Corta-fitas assinado por Henrique Pereira dos Santos.

Diz ele que a Assunção Cristas assumiu uma “posição moderada” ao afirmar que, entre Hadad e Bolsonaro, ela não votaria em nenhum deles. Ou seja, para a Assunção Cristas não há voto útil — a não ser que o voto útil seja no CDS dela.

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A Assunção Cristas — que visitou a mesquita de Lisboa e foi orgulhosa- e alegremente tratada como um ser humano de segunda classe — diz que é a representante da Não-esquerda em Portugal. E por isso é que até a Mariana Mortágua se ri dela.

Diga-se, em abono da verdade, que não estou a ver a Mariana Mortágua a visitar a mesquita de Lisboa e ser por lá tratada como um ser inferior…

A Assunção Cristas, tal como o tal Henrique e quejandos, padece de um Complexo de Inferioridade Moral imposto pela Teoria Crítica  marxista cultural.

Esse complexo de inferioridade moral impõe-lhes o politicamente correcto como uma espécie de “burocracia do espírito”.

Perante as invectivas (muitas vezes irracionais e até fazendo lembrar a Inquisição medieval) do marxismo cultural, a Não-esquerda entra em pânico moral e, no caso vertente, a Assunção Cristas faz lembrar o Asno de Buridan  (a “liberdade da indiferença”, o grau mais limitado da liberdade).

Adolfo Mesquita Nunes contribui para a tarefa política de fechar a Esquerda à direita

 

Eu não simpatizo minimamente com a pessoa de Adolfo Mesquita Nunes. E não é de agora. Adolfo Mesquita Nunes é um “submarino” que, dentro da “Não-esquerda”, cumpre o ideário de Esquerda. Adolfo Mesquita Nunes contribui para a tarefa política de fechar a Esquerda à direita

Neste artigo, Adolfo Mesquita Nunes distribui as culpas pela “polarização” política, igualmente pelas actuais Esquerda e Direita — como se a responsabilidade da tal “polarização moral” pudesse ser atribuída igualmente aos dois lados da contenda política; como se o patriotismo ou nacionalismo fosse um fenómeno cultural e político tão historicamente recente quanto é o globalismo plutocrata ou o internacionalismo trotskista (não confundir “globalismo” com “globalização”).

tolerant-liberal-webOra, não há nada mais perigoso do que o discurso falsamente conciliatório, que tem como função absolver os verdadeiros culpados mediante a distribuição igualitária de responsabilidades.

O Adolfo Mesquita Nunes faz lembrar a Catarina Martins, que está sempre do lado dos criminosos contra a polícia que mantém a ordem legal. E, para não dar razão à polícia, o Adolfo Mesquita Nunes diz que “toda a gente é criminosa”, e por isso (alegadamente) “ninguém pode falar de tarimba e alegar que tem razão”. Em resumo, é isto que o Adolfo Mesquita Nunes quis dizer no artigo em causa.

Ou seja, para o Adolfo Mesquita Nunes, a Direita também é culpada pela tal “polarização moral”, porque a Direita não aceita (no todo, ou em parte) a estratégia gramsciana e marxista cultural.

A narrativa do Adolfo Mesquita Nunes dirigida à Direita pode ser resumida assim: “Se levas um murro nas trombas, deves procurar apaziguar o agressor, mesmo que continues a levar no focinho”. É fácil percebermos de que lado está o “submarino” Adolfo Mesquita Nunes. Ele só engana quem gosta de ser enganado.

É claro que o Adolfo Mesquita Nunes defende uma estratégia de cedência política ao marxismo cultural.

Aliás, a defesa que o Adolfo Mesquita Nunes fez da legalização da adopção de crianças por pares de invertidos revela até que ponto a agenda política de Adolfo Mesquita Nunes coincide com a do marxismo cultural.

No domínio dos princípios, o conservadorismo é incompatível com o marxismo cultural. Não é possível conciliar, por exemplo, o Jacob Rees-Mogg com Jeremy Corbyn — e escolhi dois nomes ingleses, porque em Portugal não existe conservadorismo.

Não se deixem enganar por falinhas mansas de pseudo-conservadores que se dizem “liberais”, que militam em partidos ditos de “inspiração cristã”, e simultaneamente defendem princípios da agenda política marxista cultural.

Domingo, 21 Outubro 2018

Os jornalistas do Diário de Notícias deveriam ter vergonha na cara

 

Se há um me®dia que não tem autoridade moral para criticar as "Fake News", é o Diário de Notícias. Este pasquim consegue ser ideologicamente mais puro do que o jornal Púbico.

orange-man-npc-webA ideia que o Diário de Notícias pretende fazer passar é a de as "Fake News" são um fenómeno de direita — o que é absolutamente falso, não só em Portugal como a nível internacional, e a começar pelo próprio Diário de Notícias que é um pasquim que dá prioridade à narrativa em lugar de factos. (ver ficheiro PDF do artigo do Diário de Notícias).

O Diário de Notícias descobriu que circula na Internet uma mentira descarada sobre um relógio de Catarina Martins; e, vai daí, o Diário de Notícias cria "Fake News" alegando que há muitas notícias falsas como esta, oriundas da Direita — o que é falso. “Bem prega o frei Tomás…!” Chama-se a isto “falácia da generalização”.

O Diário de Notícias assenta a sua propaganda “noticiosa” em falácias.

Se olharmos, por exemplo, para o conteúdo do canal esquerdopata americano CNN, verificamos a propaganda política e ideológica diária, e um constante chorrilho de mentiras — como foi o caso das "Fake News" relativas ao juiz Brett Kavanaugh no intuito de impedir a sua eleição para o Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos.

A verdade pura e dura é a de que a Esquerda é campeã das "Fake News".

Os jornalistas do Diário de Notícias deveriam ter vergonha na cara, mas cada mentira que eles publicam é considerada uma medalha pelos globalistas plutocratas que os compraram e os controlam.

Quarta-feira, 17 Outubro 2018

Por detrás do libertarismo do Ludwig Krippahl, dorme um sargento da polícia

Filed under: Esquerda,esquerdalho,esquerdopatia,PNR — O. Braga @ 9:48 am

 

Disclaimer: eu considero que o PNR (Partido Nacional Renovador) é um partido político tão estatista (defensor de um Estado omnipotente) como é o PSD do Rui Rio, ou como é o Partido Socialista do António Costa. Eu tenho imensa dificuldade em apoiar um movimento político que defenda a ideia de um Estado plenipotenciário que controla as nossas vidas.

Estou totalmente de acordo com Kant neste aspecto:

“Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo — tal o do pai para com os seus filhos, quer dizer, um governo paternal —, onde, por consequência, os sujeitos, tais filhos menores, incapazes de decidir acerca do que lhes é verdadeiramente útil ou nocivo, são obrigados a comportar-se de um modo unicamente passivo, a fim de esperar, apenas do juízo do chefe do Estado, a maneira como devem ser felizes, e unicamente da sua bondade que ele o queira igualmente — um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber.”

→ Kant [Teoria e Prática, 1793]

Se existisse em Portugal um partido da estirpe do UKIP (do Nigel Farage, mas já não a Front Nationale da Marine Le Pen que é semelhante ao P.N.R.), teria o meu voto; mas não existe tal espécie de partido em Portugal. Eu sou um pária partidário.


Posto isto, vamos a esta anormalidade ideológica do Ludwig Krippahl.

Em primeiro lugar, o conceito de “extrema-direita”.

Se considerarmos (por hipótese absurda) que o Partido Comunista pertence ao centro político, então segue-se que tudo o que estiver à direita de Estaline é de “extrema-direita”. Neste sentido, o presidente G.W. Bush foi considerado de extrema-direita; mas depois a febre esquerdista passou. E seguiu-se o Sarkozy, também considerado de extrema-direita; mas a mania esquerdopata passou. Seguiu-se o senador e candidato presidencial americano McCain (recentemente falecido), que a Esquerda americana apodou de “extrema-direita”; a moda passou, e recentemente já não era considerado de extrema-direita. Seguiu-se o Donald Trump, que passou a ser o novo rótulo de “extrema-direita”; mas agora já existe uma outra coqueluche: o Jair Bolsonaro, que, segundo a Esquerda, é ainda mais extrema-direita do que o Donald Trump!

Ou seja, quem não é da Esquerda marxista (ou marxizante — porque existe outro tipo de Esquerda que não é nem marxista nem marxizante), então é de “extrema-direita”. Só uma besta tem este tipo de raciocínio; aliás, este tipo de arquétipo mental assusta, porque é intrinsecamente totalitário.

Por detrás do libertarismo do Ludwig Krippahl (e o de uma certa Esquerda marxista cultural), lucubra um sargento da polícia.

Em segundo lugar, a ideia do Ludwig Krippahl segundo a qual “o Estado deve oferecer dinheiro às pessoas saudáveis que não gostem de trabalhar”, alimentando assim uma cultura da preguiça.

Para o Ludwig Krippahl, quem não quer trabalhar deve ser premiado pelo Estado, com dinheiro à borla. Para o Ludwig Krippahl, o dinheiro do Estado não é o dinheiro dos contribuintes: é uma espécie de dinheiro que cai do céu, em uma manifestação metafísica de hipostasia dos novos deuses da Esquerda.

Em terceiro lugar, o Ludwig Krippahl vem com o argumento idiota ad Novitatem: “os tempos modernos”. Alegadamente, o que é moderno é que é bom! O antigo não presta!. E o argumento ad Novitatem do Ludwig Krippahl justifica, assim, a existência da classe dos Pneumáticos dos gnósticos modernos, que demonstram uma benevolência virtuosa em relação aos novos Hílicos (que, neste caso concreto, são os ciganos). E dizem os esquerdistas que não são racistas!. A Esquerda abraça a ideia elitista de Platão (na República), segundo a qual o povo é ignaro e, por isso, tem necessidade do poder absolutista do rei-filósofo.

A ideia de sociedade defendida pelo Ludwig Krippahl é assustadora. Não é verdadeira: é assustadora. É assustadora porque pretende impôr uma determinada visão totalitária à própria sociedade — e (pasme-se!) em nome da “liberdade”. Gente como o Ludwig Krippahl tem que ser combatida com todo o tipo de armas. Trata-se de uma guerra total.

A ideia segundo a qual “o trabalho pago irá ficar para uma minoria cada vez mais pequena de especialistas” foi defendida pelo Obama (enquanto presidente dos Estados Unidos) para justificar o globalismo defendido pela plutocracia americana. Ver vídeo abaixo. Atenção! “Globalismo” não é o mesmo que “globalização”!

 

Entretanto, com a política de Donald Trump, não só o desemprego atingiu mínimos históricos, como a economia americana está a crescer a mais de 4% ao ano. Ou seja, o Donald Trump (o tal da “extrema-direita”) está a fazer crescer os salários dos americanos — ai! o fassista! Então ¿fachisto?!

Ou seja, a tese do Obama e do Ludwig Krippahl foi demonstrada ser falsa; e defende uma certa ideia de sinificação do mundo, onde o Poder é negociado entre a Esquerda neomarxista (o internacionalismo trotskista), por um lado, e os mais ricos do mundo (globalismo plutocrata), em uma espécie de partilha do Poder à moda da China mas à escala global.

¿Qual é a ligação entre o Grupo de Bilderberg, por um lado, e, por outro lado, partidos políticos trotskistas e (supostamente) libertários do tipo do Bloco de Esquerda? ¿Qual é a ligação e identificação ideológica entre o Trotskismo e o globalismo plutocrata?

O estudo da vida de personagens políticas como (por exemplo) James Burnham pode ajudar o leitor a compreender melhor a aliança tácita entre o Trotskismo e a plutocracia globalista, entre o Bloco de Esquerda e George Soros. Não é “teoria da conspiração”: são factos.

Quando ouço falar em “mundo melhor”, fujo a sete pés !

 

PROBLEMAS, CONJECTURAS E TEORIAS PARA UM MUNDO MELHOR

Sábado, 6 Outubro 2018

A física e a metafísica pertencem à mesma realidade

Filed under: Ciência,David Hume,filosofia,Kant,metafísica — O. Braga @ 4:25 pm

Temos aqui um texto da professora de filosofia Helena Serrão: « ¿Será possível o conhecimento "a priori"? »


O referido texto explica o que significa o “a priori”, segundo Kant. Mas a concepção da diferença entre o “a priori” (o conceito de “relação de ideias”, de Hume), por um lado, e o “empírico” (o conceito de “questões de facto”, de Hume), por outro lado, é anterior a Kant e pertence a David Hume (a Helena Serrão não referiu este facto que é muito importante para a epistemologia).

O que é novo em Kant (em relação a David Hume) é o conceito de “interpretação da realidade” por parte do ser humano, conceito que é compatível com a filosofia quântica. Segundo Kant, as impressões dos sentidos (empirismo) fornecem a matéria bruta do conhecimento (empírico), mas o sujeito (humano) é pensante e responsável pela organização estrutural e relacional dessa matéria bruta.

“O entendimento cria as suas leis (as leis da natureza), não a partir da Natureza, mas impõe-lhe-as” → Kant (Crítica da Razão Pura).

Com esta frase de Kant se resume o conceito de “a priori”, que tem como base o conceito de “interpretação da realidade”. Exactamente por isso é que Karl Popper tem razão quando diz que “a ciência é composta por conjecturas”, porque até as próprias leis da natureza verificadas empiricamente foram verificadas (estatisticamente) no passado, e não há (racionalmente e em bom rigor) uma certeza de elas sejam exactamente as mesmas no futuro.


O que eu não concordo, nem com a Helena Serrão, nem com Kant ou Hume, nem mesmo com Aristóteles, é com a diferenciação entre “física”, por um lado, e “metafísica”, por outro lado (seja o que for que estes dois termos signifiquem). É esta a razão por que escrevo este verbete.

Se existisse uma diferenciação real entre a física e a metafísica, a ciência não teria avançado ou progredido (o único “progresso” que existe de facto é na ciência) — porque muita coisa que pertencia à metafísica, em um determinado momento, passou pertencer a física noutro momento (como podemos constatar actualmente com a física quântica).

Por exemplo, o conceito científico de “não-localidade” ainda há pouco tempo pertencia à metafísica.

Aliás, Kant entra em contradição quando, por um lado, diferencia a física e a metafísica, e por outro lado introduz o “princípio da intencionalidade da Natureza” (Crítica da Razão Pura, 1790).

Kant insistiu que embora não possamos provar que a Natureza está intencionalmente organizada (de uma determinada forma), devemos sistematizar o nosso conhecimento empírico vendo a Natureza como se fosse organizada intencionalmente — o que é uma forma metafísica de conceber a Natureza.

Domingo, 30 Setembro 2018

Como diz, e bem, o Arnaldo de Matos: “Isto é tudo um putedo!”

Filed under: geringonça,o putedo — O. Braga @ 7:46 pm

 

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