perspectivas

Sábado, 28 Maio 2016

O Anselmo Borges reduz o Cristianismo à política

 

“Jesus, na iminência da condenação à morte, ofereceu uma ceia, a Última Ceia. Nela, abençoando o pão e o vinho, que significam a entrega da sua pessoa por amor a todos, disse: "Fazei isto em memória de mim." Os primeiros cristãos reuniam-se e, recordando (recordar é uma palavra muito rica, pois significa voltar a passar pelo coração) essa Ceia, o que Jesus fez e é, celebravam um ágape, o "partir do pão", uma refeição festiva e fraterna em sua memória, abertos a um futuro novo de Vida. E aconteceu o que constituiu talvez a maior revolução do mundo: se algum senhor se tinha convertido à fé cristã, sentava-se agora à mesma mesa que os seus escravos, em fraternidade”.

Anselmo Borges

A interpretação de Anselmo Borges da Eucaristia não corresponde à da iniciação mística cristã, por exemplo, em S. Paulo.

Anselmo Borges reduz a uma estrutura colectiva, exterior ao indivíduo, um comportamento ético que, a não ser que seja interior ao indivíduo, não é nada. O clero “progressista” — por exemplo, o Anselmo Borges — defende a ideia segundo a qual há uma reforma social capaz de branquear as consequências do pecado (o que é uma influência do Romantismo do século XVIII, mormente em Rousseau, que voltou a estar na moda na actual Esquerda depois da queda do muro).

No cristianismo primitivo (Mircea Eliade, por exemplo), o convívio fraternal entre o senhor e o servo não eliminava as categorias sociais dos dois — como parece defender Anselmo Borges.

S. Paulo defendeu que o senhor de escravos deve tratar os seus escravos com o respeito devido à sua humanidade (Direito Natural), mas nunca defendeu a igualdade social entre o senhor e os seus escravos (Direito Positivo); não o podia fazer porque isso seria misturar a religião com política — que é o faz o Anselmo Borges.

A tentativa de desconstrução do símbolo do sacrifício da Eucaristia, feita pelo Anselmo Borges, é delirante, chegando ao ponto de ligar (negativamente) o celibato, por um lado, ao sacrifício eucarístico, por outro lado — quando sabemos que o celibato era apenas e só uma característica dos discípulos de Cristo Jesus que foi seguida pelos apóstolos e bispos dos primeiros séculos da nossa Era (há uma diferença entre “discípulo” e “apóstolo”).

A visão que Anselmo Borges tem da religião cristã é uma visão estritamente política. Refutar aquele texto do Anselmo Borges daria tanto trabalho que teria eu que escrever um texto com o triplo da quantidade de palavras que ele utilizou no dele; mas já não há pachorra.

Sexta-feira, 27 Maio 2016

O Luís Laparoto e a soteriologia da eutanásia

 

O grande problema da filosofia — e da ética — é o de que muitos “filósofos” fazem dela pura retórica (na esteira de Nietzsche, que lançou a moda). A filosofia é reduzida ao acto de “escrever bem”; desta forma, qualquer literato passa a ser filósofo. Se não é assim, então analisemos este texto de um tal Luís Coelho. Trata-se de uma logomaquia que confunde alhos com bugalhos; e o laparoto até publica livros.

Negação do livre-arbítrio; “a liberdade humana é ilusória”

O laparoto é livre para dizer que a liberdade do comum dos mortais é ilusória; mas a liberdade nietzscheana dele, na sua qualidade de semi-deus, já não é ilusória. Critica Platão e o platonismo, mas assume o direito a ser uma espécie de rei-filósofo que decide o que é bom para os mortais.

“Se a liberdade é, de facto, um dogma da espiritualidade, e da Filosofia em geral, é também factual que só a morte se aproxima de uma verdadeira forma de "ser livre". Porque a liberdade que geralmente achamos possuir é apenas obediência à condição primária e arquetípica que, quiçá ilusoriamente, sentimos ser nossa”.

Todo o texto está cheio de contradições; aliás, a contradição, em si mesma, é transformada em uma espécie de lógica. Por exemplo, quando ele diz que a liberdade é ilusória, mas, ao mesmo tempo, defende a liberdade de alguém exigir a um médico que o mate.

“Tenho por hábito dizer que, com o advento da modernidade, acrescido ao dogma da liberdade individual, ganhámos o direito inalienável de gozar com duas coisas: Deus e a Morte. A primeira é tabu já desusado, a "morte de Deus" tornou o sagrado obsoleto, matéria risível, para o bem e para o mal; a segunda é tabu ainda dominante, nisso a religião ainda prepondera, e quando o tema da "morte assistida" é reactualizado é a morte própria, a destruição pessoal — a culpa milenar incutida pela religião e o platonismo —, que é reactualizada, em conjunto com o que Mircea Eliade denunciaria enquanto "reactualização nostálgica das origens"”.

Toda a gente sabe, por intuição, que o sagrado não se tornou obsoleto; o que mudou (em alguns estratos culturais) foi a concepção do sagrado — o sagrado nunca morre nem se torna obsoleto, porque o ser humano não pode viver sem ele. O sagrado actual passou a ser, em parte, a negação de um certo sagrado: trata-se de uma metafísica, porque qualquer negação da Metafísica é uma forma de metafísica. Mas o laparoto escreve livros. E diz que leu Eliade.

E depois vemos um laparoto que despreza a teologia a abordar a problemática teológica; deixou de falar em ética e passou para a teologia com tiques de especialista — tal como um criacionista bíblico convicto pode criticar a evolução das espécies.

Em seguida, temos o problema da “culpa”. Temos que extirpar a culpa do ser humano, nem que nos atiremos de uma ponte abaixo. Maldita culpa! Puta-que-pariu a consciência moral!, que não deveria existir! Deveríamos ser livres o suficiente para não sentir culpa — embora a liberdade seja ilusória para os Hílicos.

O laparoto pertence à categoria dos Pneumáticos que já conseguiram a salvação porque “gozam com a morte”: ele já se encontra em uma dimensão ontológica superior, característica de uma plêiade de indivíduos nietzscheanos que está “para além do bem e do mal”. Só lhe falta agora cantar o hino litúrgico da Igreja Católica,

“Ó morte, sempre vencedora,
Onde está agora, a tua vitória?”,

e meter uma bala na cabeça — porque toda a gente é livre de se suicidar: não há é o direito de exigir que os outros se transformem em assassinos por imposição do Estado.

Uma candidata a número 2 do Senado em Espanha

 

Loreto Amorós Rotger está na posição nº2 na candidatura ao Senado espanhol pelo partido radical de esquerda “Sobirania per a les Illes”. Podem ver o Twitter dela aqui. A foto abaixo foi retirada do blogue dela.

Se um político (homem) tivesse uma conta no Twitter daquela natureza, ou/e um blogue pornográfico, seria censurado pelas feministas. Mas sendo uma feminista radical de esquerda, não só não é censurada pelo politicamente correcto, como é até chique e progressista.

amoros

Siga os conselhos do Bloco de Esquerda: 5 maneiras de saber se você é sexista

 

Quarta-feira, 25 Maio 2016

São estas as ideias que nos governam. Precisamos urgentemente de uma libertação

 

“Está ínsito na ideia de criarmos núcleos familiares que querem crianças, que vão amar as crianças, que vão protege-las e que não vão, como muitos casais heterossexuais violá-los, matá-los, mutilá-los, ofendê-los e impedi-los de ter uma saúde mental e física que lhes permita terem uma integração social útil”, afirma Eurico Reis, presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida.

Conselho de Ética fez um parecer unanimemente negativo, mas a esquerda aprovou a lei da "barriga de aluguer". Rita Lobo Xavier duvida da legalidade da medida, que considera inaceitável.

Naquela frase de Eurico Reis podemos ver a essência da argumentação do politicamente correcto em relação à procriação medicamente assistida para toda a gente, e em relação às "barriga de aluguer":

1/ as excepções à regra são propositadamente hiperbolizadas (falácia da mediocridade). O raciocínio induzido é o seguinte: “Há ‘casais heterossexuais’ que maltratam as suas crianças? Há! Por isso, qualquer forma de família alternativa à família natural é tão boa ou mesmo melhor para as crianças”.

2/ a afirmação da utilidade (utilitarismo) do Comportamentalismo (behaviourismo) na avaliação intrínseca da criança.

O materialismo behaviourista (behaviourismo) contesta a existência do espírito — e por esta via, recusa a liberdade humana e a subjectividade humana —, uma vez que tudo o que poderíamos observar seria o comportamento exterior que corresponde literalmente ao comportamento animal que, no caso do ser humano, inclui o comportamento linguístico. A sociobiologia é a expressão contemporânea do behaviourismo em todo o seu esplendor.

A teoria ética do behaviourismo é tenebrosa, porque parte da teoria do condicionamento do reflexo condicionado (Pavlov), que alegadamente explica todo o comportamento humano através do adestramento positivo e negativo (neste caso, das crianças).

O saralho da Carrilho: o jornalismo bateu no fundo

 

“Há em Portugal, nos portugueses, uma tendência quase natural de jogar aos opostos. Se é isto, não pode ser aquilo também. Se se acredita em algo, não se pode aceitar que o contrário seja igualmente válido, apenas não objecto da nossa crença.

É assim, por exemplo, em relação aos artistas. Se é cantor, não pode ser actor também. Se trabalha com fado, não pode ter uma incursão noutro género, sob o risco de ser considerado traidor. E é assim também em assuntos bem mais fundamentais. Da vida e da morte”.

Sobre o direito a não ser julgado na morte ( Raquel Carrilho, jornalista)

Para a jornalista, aceitar ou não a eutanásia, é como ser cantor e não ser também actor. Ela coloca em um mesmo plano dos valores o desejo de dar um tiro na cabeça, por um lado, e o desejo de trabalhar com o fado e com outra música qualquer, por outro lado.

Quando nós acreditamos que a eutanásia é intrinsecamente negativa e não aceitamos que ela possa ser válida, trata-se de moral, em que o princípio é aquilo que comanda a acção sob a forma de regra ou de uma norma.

Ou seja, a moral tem princípios.

Por exemplo, se alguém disser à Raquel Carrilho que “a escravatura é coisa boa”, ela terá possivelmente o discernimento necessário para repudiar essa afirmação em nome dos seus (dela) princípios morais. Mas quando os princípios morais dela não coincidem com os de outros, ela compara os princípios morais dos outros a simples escolhas musicais.

Eu não conheço a Raquel Carrilho, e por isso não sei se ela é burra ou se é perversa.

Terça-feira, 24 Maio 2016

O feminino nos me®dia e na política

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 9:30 am
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O corpo editorial do jornal Huffington Post é constituído exclusivamente por mulheres (segundo Twitter do próprio jornal); e agora vejam as características políticas do referido jornal.

Huffington Post

E vejam aqui em baixo o comportamento dos homens e das mulheres nas recentes eleições na Áustria — bem como a diferença de voto entre a massa trabalhadora e os estudantes.

AUSTRIA-ELECTIONS

Segunda-feira, 23 Maio 2016

Ser “islamófobo” é uma virtude

 

O jornal Púbico diz que o novo presidente da Áustria é de “extrema-direita” porque é “islamófobo”. Ou seja, parece que ser progressista e de Esquerda é ser islamófilo. Esta coisa das “fobias” (homofobia, islamofobia, etc.) tem a vantagem de criar as “filias” por contraposição.

  • Se ser islamófobo é defender os direitos naturais das mulheres enquanto seres humanos;
  • se ser islamófobo é defender os direitos naturais dos homossexuais enquanto seres humanos;
  • se ser islamófobo é defender a liberdade de expressão;
  • se ser islamófobo é defender o direito à existência das culturas antropológicas dos diferentes povos, e o legado histórico nacional,

então, ser islamófobo é uma virtude. Todos deveríamos ser islamófobos sem que o politicamente correcto e o jornal Púbico nos apodasse de “extrema-direita”.

Quinta-feira, 19 Maio 2016

A razão por que não gosto de ver mulheres na política

 

Stefan Molyneux é um caso sério no debate ideológico. Aconselho os leitores a subscreverem o seu (dele) canal no YouTube.

Podem ver, aqui em baixo, um extracto de uma conversa de Stefan Molyneux com um casal sueco — extracto esse que eu próprio escolhi e publiquei (espero não ser censurado por violação de direitos de autor), e cuja conversa pode ser vista na íntegra, aqui.

¿Por que razão se instituiu o Estado-providência na Europa, e no Ocidente em geral?

Stefan Molyneux argumenta — e cheio de razão! — que o Estado-providência é produto do voto da mulher. A partir do momento em que a mulher passou a votar, o Estado-providência foi sendo construído até ao absurdo actual.

Esse argumento de Stefan Molyneux não significa que não existam mulheres que defendam um Estado mínimo — porque as há. Mas a maioria das mulheres europeias preferem a segurança de um Estado para-totalitário (como é o Estado-providência) em lugar da liberdade.

A malandragem dos malandros da geringonça

 

os-malandros-web

Domingo, 15 Maio 2016

O “direito a ser mãe”

 

A nossa sociedade chegou a um estado de putrefacção tal, que se escrevem, nos me®dia, artigos deste calibre sobre o putativo “direito a ser mãe” através das "barriga de aluguer".

Direito a ser mãe

Repare, caro leitor (extenditur ad speciem humanam, etiam feminis): em matéria de costumes, tudo é defensável desde que seja racionalmente fundamentado; por exemplo, eu até compreendo o raciocínio dos que pretendem proibir as touradas: existe uma determinada lógica no abolicionismo tauromáquico — mas o meu problema está na proibição, por via legislativa, de uma tradição. Ou seja, o abolicionismo tauromáquico afronta irracionalmente o Direito Consuetudinário (o Direito da Tradição, e o direito à tradição).

Mas o conceito de “direito a ser mãe” é aberrante e irracional, porque transfere directamente o Direito Natural para o Direito Positivo, ou seja, pretende-se abolir totalmente qualquer resquício do Direito Natural. Eu não sei se aquela senhora que escreveu aquele artigo nos me®dia tem a noção disto; provavelmente é apenas ignorante.

No Direito Natural, o “direito a ser mãe” é condicionado pela Natureza.

Não se trata de um direito que possa ser imposto pela política, mas de um direito que a Natureza concede apenas à mulher em geral (as excepções confirmam a regra, porque a Natureza tem leis e excepções que as confirmam; e é da constatação deste facto que se faz a ciência).

Quando o “direito a ser mãe” se separa totalmente do Direito Natural, o conceito de “maternidade” fractura-se em três partes: a biológica, a gestacional e a social.

Se levado até às últimas consequências — e se a Esquerda (incluindo o Partido Social Democrata) for coerente — o “direito a ser mãe”, como consequência exclusiva do Direito Positivo, deve ser concedido também aos transgéneros que se assumem como mulheres, uma vez que a Lei Natural é abolida no Direito. Os transgéneros também passam a ter o “direito a serem mães”.

Quando se pretende que o Direito Positivo substitua totalmente o Direito Natural (eliminado este último), abre-se uma caixa de Pandora de consequências imprevisíveis e que faz prevalecer a normalização da insanidade mental na sociedade.

Vivemos já em uma sociedade controlada por psicopatas e doentes mentais.

Sexta-feira, 13 Maio 2016

A Esquerda no Partido Social Democrata

 

Pedro Passos Coelho, Paula Teixeira da Cruz, Teresa Leal Coelho, Jorge Moreira da Silva, Carlos Abreu Amorim, Miguel Santos, Sérgio Azevedo, Ângela Guerra, Berta Cabral, Luís Vales, Sara Madruga da Costa, António Leitão Amaro, António Costa Silva, Fátima Ramos, Firmino Pereira, Emília Cerqueira, Álvaro Baptista, Duarte Marques, Regina Bastos, Margarida Balseiro Lopes, Pedro Pinto, Margarida Mano, Rubina Berardo, António Lima Costa.

É muita esquerda no Partido Social Democrata. Esquerda a mais. Esquerda que escolheu cirurgicamente o dia 13 de Maio para aprovar a lei da procriação medicamente assistida para toda a gente e a lei da "barriga de aluguer".

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