perspectivas

Sábado, 4 Julho 2015

Richard Dawkins dá razão ao Padre Gonçalo Portocarrero de Almada

 

O Ludwig Krippahl diz que não tem alma. Cada um pensa de si o que quiser. Convém contudo dizer que, segundo a ontologia aristotélica que influenciou o Cristianismo, os animais têm alma, embora não tenham espírito (autoconsciência). Mas não vale a pena explicar ao Ludwig Krippahl a diferença entre alma e espírito, porque teríamos que obrigá-lo a ler Platão e Aristóteles — o que é uma maçada, convenhamos! Escreve ele:

“O ADN dá-nos uma medida conveniente de distância evolutiva e, nessa, eu e o chimpanzé estamos equidistantes da aranha. Mas não é só o ADN que sugere que o chimpanzé e eu estamos mais próximos. A nossa anatomia é semelhante mas muito diferente da da aranha e partilhamos capacidades para resolver problemas, sentir afecto, aprender, comunicar e interagir em sociedade que nos afastam a ambos da aranha.”

dawkins-and-freud-webHá problemas que uma aranha resolve que não passam pela cabeça do macaco. Cada ser vivo (cada espécie) resolve os seus problemas. O que não devemos é confundir, por exemplo, o comportamento submisso de um cão, com “afecto” (como está hoje na moda); ou não devemos confundir “instinto” e “afecto” (por exemplo, o instinto maternal, que vemos nos leões ou nos símios, mas também no ser humano), nem devemos confundir “instinto” — que é próprio de todos os animais em geral— e “intuição” que é exclusivo do ser humano.

O Ludwig Krippahl concebe apenas a forma das coisas, e ignora ostensivamente o conteúdo delas.

Do ponto de vista do conteúdo do ser (e foi isto que o Padre Gonçalo  Portocarrero de Almada quis dizer), «a distância que vai do mais apto dos símios para o mais estúpido dos homens é infinitamente superior à que dista entre o mais evoluído dos primatas e o mais básico ser vivo» — exactamente porque a alma aristotélica, princípio de pensamento, privilégio e essência do Homem, dá acesso à liberdade e à moral.

O Ludwig Krippahl pensa que não: pensa ele que existe menos liberdade e menos moral numa aranha do que num símio. Para ele, um macaco tem mais liberdade e mais moral do que uma aranha. Ora, é aqui que eu divirjo dele e me aproximo do Padre Gonçalo  Portocarrero de Almada: nem a aranha nem o macaco têm liberdade e moral; e por isso é que estão ambos infinitamente distantes do ser humano.


Numa entrevista a uma revista1 , foi perguntado a Richard Dawkins o seguinte: “¿O senhor pensa que o ser humano poderia superar as leis da evolução?”. E Richard Dawkins respondeu assim:

“Sim, de uma maneira limitada; no entanto, importante para nós. Embora nós sejamos seres darwinianos, podemos olhar para o futuro. Podemos perguntar-nos em que sociedade desejamos viver. É uma sociedade na qual as regras são respeitadas, independentemente da forma que assumam num determinado país. Penso que isto é algo singular, algo anti-darwiniano, algo que nunca foi observado em nenhum outro ser vivo”.

Ou seja, Richard Dawkins constatou uma evidência: não é preciso qualquer demonstração através do ADN para chegar à conclusão a que ele chegou. Quando ele diz que há “algo (no ser humano) que nunca foi observado em nenhum ser vivo”, o que ele diz, de facto, é que «a distância que vai do mais apto dos símios para o mais estúpido dos homens é infinitamente superior à que dista entre o mais evoluído dos primatas e o mais básico ser vivo».

No entanto, o Ludwig Krippahl consegue ser radicalmente mais darwinista do que o Richard Dawkins — o que é obra! Isso não tem nada a ver com darwinismo: antes tem a ver com ideologia política que levou o Ludwig Krippahl a militante do partido “Livre”.

Com esta afirmação, foi o próprio Richard Dawkins quem revelou o ponto fraco da sua argumentação radical darwinista: ou somos escravizados pelos nossos genes e/ou pelo nosso ADN, ou então temos em relação a eles a liberdade de manifestar comportamentos que permitem a sobrevivência de toda a biosfera da Terra.

É precisamente porque o ser humano está infinitamente distante dos símios e das aranhas que tem a liberdade de proteger os símios e as aranhas.


Nota
1. revista alemã “Focus”, nº 39, 1996

Quarta-feira, 1 Julho 2015

A estupidez “filosófica” da Isabel Moreira

 

Uma pessoa tira um cursinho de Direito, auto-proclama-se “constitucionalista” graças ao nome público do paizinho, e passa automaticamente a ser líder de opinião política e me®diática. É o caso da Isabel Moreira.

“O lastro de Marx que me marca sem retorno, tão forte que faz de mim uma marxista, é a genialidade como contrapôs o progresso à natureza. A recusa de uma qualquer “ordem natural das coisas” e a defesa acérrima do progresso como antítese que espatifa a selva do acontecer como acontecer, ou do cada um por si, ou da não intervenção humana para mudar as suas condições, foi apresentada por Marx sem complacências.”

É BOM PORQUE NÃO É NATURAL

Parece-me que a Isabel Moreira não compreendeu Karl Marx. Karl Marx nunca contrapôs o “progresso”, por um lado, e “natureza”, por outro lado. Para Karl Marx, o conceito de “natureza” era concebido como “Estado de Natureza” e como sinónimo de “necessidade”. Ou seja, para Karl Marx, a oposição não era entre “natureza” e “progresso”, mas entre “Estado de Natureza” enquanto “necessidade”, por um lado, e “liberdade”, por outro lado.

A oposição marxista entre “necessidade” (ou Estado de Natureza) e “liberdade” serviu, durante muitos anos do curto século XX, para tentar definir uma ordem humana que seria estranha ao resto do universo. É neste sentido que podemos dizer que a visão marxista do universo se reduz ao mundo sub-lunar delimitado pelos satélites artificiais. Trata-se de uma visão anti-cósmica, e, por isso, gnóstica.

Para Karl Marx (via Engels), o “fim do reino da necessidade inaugurará o reino da liberdade”.

Segundo o marxismo, o Fim da História, ou seja, “a passagem do reino da necessidade ao reino da liberdade” (Engels, e não Karl Marx como diz a Isabel Moreira), será caracterizado pelo desaparecimento das necessidades oriundas da luta económica do homem contra o Estado de Natureza ou contra a necessidade (e não contra a Natureza enquanto tal). No entanto, Karl Marx admite que novas necessidades surgirão após esse Fim da História.

Mas, se é assim, teremos que admitir que é extremamente difícil saber o que significa “liberdade” — porque, neste caso, a liberdade passa a ser independente de qualquer princípio de causalidade: se a liberdade é independente de qualquer necessidade, segue-se que é impossível ter uma noção de “liberdade” que não seja puramente subjectiva e, portanto, anti-filosófica, anti-lógica e mesmo anti-científica.

Karl Marx via o “progresso” como uma lei da natureza.

E quando constatamos a existência de pessoas como a Isabel Moreira, verificarmos que basta uma geração de bárbaros para que o “progresso” vá pela pia abaixo. O conceito de “progresso como lei da natureza” define a estupidez da Isabel Moreira. Não me vou alongar sobre o delírio de Karl Marx, porque seria fastidioso para o leitor e para mim. Gosto pouco de falar sobre ideias de merda.


«O progresso económico como condição da igualdade, o progresso que recusa a lei do mais forte, por ter o mesmo substrato filosófico, é o mesmo que exige a ciência contra a “natureza”, os afectos e a sexualidade contra a “natureza da maioria”.»

Sinceramente, caro leitor, eu penso que Isabel Moreira deveria ser interditada; o problema é muito grave.

¿Como é que a ciência, que se funda na Natureza, pode ser “contra a Natureza”?!

isabel moreira-webA palavra “natureza” vem do latim “natura” e do verbo latino “nascor”, que significa “nascer”; e lembra-nos que a natureza é o que preexiste ao Homem: é aquilo que, na espécie humana, é espontâneo e natural.

Mas a Natureza Humana não se reduz ao conceito de “nascer”; a sociedade, a técnica, tudo o que resulta da actividade humana é (sempre foi, desde o aparecimento dos hominídeos) natural ao homem (faz parte da Natureza Humana segundo Aristóteles).

A natureza ocupa, para os seres naturais, a posição do artesão para os objectos fabricados.

Não existe tal coisa como uma posição do artesão contra a matéria-prima utilizada para fabricar os seus objectos. ¿Já imaginaram o artesão ser contra a sua obra de arte?!


A Isabel Moreira tem um raciocínio contraditório: por um lado, diz-se de esquerda, marxista, contra a necessidade (embora a favor do determinismo marxista, o que é uma contradição em termos), e progressista; por outro lado, assume uma mundividência cartesiana.

Segundo Descartes (mecanicismo) a ciência deveria organizar-se segundo as leis da técnica que é considerada “modelo da natureza”: os animais (incluindo o ser humano) são máquinas, as funções fisiológicas são análogas à acção de tubos, roldanas e molas… Esta concepção têm como corolário a ideia segundo a qual a natureza é inteiramente domável (cientismo): conhecer as suas leis é dominá-la, tal como o objecto técnico é dominado (mas a Isabel Moreira é contra o conceito de “domínio” !), para a colocar ao serviço dos interesses humanos.

Diz Descartes : “poderíamos tornar-nos donos e possuidores da Natureza” (mas a Isabel Moreira é “ecologicamente pura”!). Para Descartes, apenas o Homem pode dominar a natureza porque conhece o determinismo das leis da natureza: ao mesmo tempo que reconhece e aceita o determinismo cartesiano, a Isabel Moreira recusa o determinismo cartesiano. Aquela criatura não pensa: diz umas coisas.

Assim como o nosso corpo já não se satisfaz com a simplicidade das coisas originalmente “naturais”, os nossos desejos afastam-se das verdadeiras necessidades e o nosso amor-próprio leva-nos a banir a igualdade da nossa vida social (Rousseau).

Ou seja, o conceito de Isabel Moreira de “igualdade” em função da “ciência contra a natureza”, mesmo que fosse válido, é auto-contraditório — porque o afastamento da simplicidade natural (Estado de Natureza) é a causa das desigualdades sociais (como reconheceu Engels).

Com “marxistas” deste calibre, Karl Marx deve andar às voltas na tumba.

Karl Marx dizia que “o utilitarismo é moral de merceeiro inglês”. O marxismo é incompatível com o utilitarismo da Isabel Moreira. A Isabel Moreira é uma contradição nos seus próprios termos; é uma caricatura dela própria; mas os me®dia dão-lhe toda a atenção do mundo.


A ler: Publicação dramaticamente reaccionária. Chega-se a invocar a natureza.

É tudo uma questão de má-interpretação.

 

Quando o “papa Francisco” diz, na sua encíclica que “o capitalismo é mau” (confundindo propositadamente capitalismo e neoliberalismo), isso não significa que ele esteja a dizer que “o capitalismo é mau”: pelo contrário! Quem interpreta o “papa Francisco” desta forma incorre em propaganda política sem escrúpulos e oportunista.

“O senhor Bergoglio tem duas línguas, e os seus apologistas têm quatro”.Olavo de Carvalho

Domingo, 28 Junho 2015

Igualdade para todos, para que nós sejamos superiores

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 7:50 pm
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“Gonçalo Portocarrero de Almada defende que os caracóis não têm direitos. Nisso, estamos de acordo. Mas, quando tenta justificar porquê, lá se vai a nossa breve convergência. Escreve Almada que:

«A polémica questão dos direitos dos animais baseia-se num preconceito: o de que eles são como nós […]. É verdade que algumas pessoas, de tão brutas, parecem meros animais e alguns animais, ditos irracionais, parecem espertos e afectuosos. Mas são aparências que iludem, porque a distância que vai do mais apto dos símios para o mais estúpido dos homens é infinitamente superior à que dista entre o mais evoluído dos primatas e o mais básico ser vivo.»

Objectivamente, Almada está enganado. A diferença entre um chimpanzé e um humano é minúscula quando comparada à que separa o símio de uma aranha, por exemplo. Mais ainda, nós e os restantes primatas estamos todos equidistantes das aranhas. Mas o problema principal não são os factos. É o raciocínio acerca dos valores.”

Vamos ver.

(more…)

Terça-feira, 23 Junho 2015

O homem perfeito da Elisabete Rodrigues

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 4:55 am
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“O Manuel e a Maria são estranhos. Quem o diz é a dona Antónia lá da rua. Ambos são metade homem e metade mulher, acusa ela.

A metade do Manuel que é homem interessa-se por mecânica. É ele que arranja o seu carro e, muitas vezes, desenrasca familiares e amigos mais próximos. Esse interesse conhece-se-lhe desde criança, quando passava horas a desmontar e montar os carros eléctricos que lhe ofereciam. Nessa mesma metade insere-se a sua obsessão pelo Glorioso, o Sport Lisboa e Benfica. Vai ao estádio sempre que há jogos num raio de 300 a 500 km de casa. Lê a Bola todos os dias, na sua versão em papel e digital. Nesta última vai acompanhando as contratações de última hora, as zangas e acusações entre treinadores e afins.”

Elisabete Rodrigues, “Qualquer coisa do género”

Salvo raras excepções, nenhum homem se interessa por mecânica (seguindo o exemplo dado pela Elisabete Rodrigues) por puro passatempo; ou ele é mecânico de profissão, ou comprou uma grande máquina (um BMW, um SUV, um Ferrari, etc.) e, orgulhoso e vaidoso, tem que explicar aos amigos como funciona a máquina. A ideia segundo a qual  um homem interessa-se por mecânica da mesma forma que se interessa pelo Benfica só pode vir da mente de uma criatura delirante como é a Elisabete Rodrigues.

Ou é da minha vista, ou a Elisabete Rodrigues vai “embater muitas vezes contra a parede”, no que diz respeito a homens. Quando ela chegar à menopausa vai ter uma quilometragem tão extensa que vai precisar de um mecânico profissional para lhe fazer as revisões.

Parece que ela imagina um ideal de homem, e depois anda à procura dele. O Jô Soares descreve o homem ideal para a Elisabete Rodrigues:

O homem perfeito é lindo
Tem um pouco de mistério
É belo quando está rindo
E belo quando está sério

O homem perfeito é bom
Tem um jeito carinhoso
Quando fala em meigo tom
Causa arrepio gostoso

O homem perfeito é fino
É solicito, é fiel
Tem a graça de um menino
E é mais doce que o mel

O homem perfeito adora dar flores
Botões de rosa
A uma velha senhora
Ou uma jovem formosa

O homem perfeito tem a energia
Não se cansa, lava a louça
Cozinha, gosta muito de criança

O homem perfeito é sensível
A grande arte, gosta de dança e balé
Nunca há de magoar-te

Para encerrar a preceito
Esses versos que alinhei
Se existe um homem perfeito
Ele só pode ser gay.

Domingo, 21 Junho 2015

O professor Galopim de Carvalho deveria dedicar-se ao estudo das pedras e deixar a História em paz

 

Quando o professor Galopim galopa os corcéis da história ou da filosofia, sai asneira:

“Na mesma época, o Santo Ofício levara Giordano Bruno à fogueira e obrigara Galileu a repudiar as suas ideias sobre o heliocentrismo, tidas por ofensivas da Fé”.

Burrice do Galopim de Carvalho

Misturar, em um mesmo parágrafo e pelas mesmas razões, Giordano Bruno e Galileu, só pode ser burrice de quem aprendeu a classificar pedras e faz da história das ideias uma espécie de menir. Giordano Bruno não foi executado pela Inquisição por ter ter defendido o heliocentrismo!

Por outro lado, já aqui demonstramos aqui que a mente retorcida de Carlos Fiolhais e o cérebro empedernido de Galopim de Carvalho não têm razão em relação a Galileu, porque a ciência actual comporta-se da mesmíssima maneira que a Igreja Católica medieval:

“Qualquer cientista propriamente dito — e não alguém contaminado pelo cientismo, como é o caso de Carlos Fiolhais — reconhece hoje, e a partir da perspectiva actual segundo o conceito de paradigma de Thomas Kuhn, que a reacção do Papa às teses de Galileu foi absolutamente correcta. As teses de Copérnico receberam o imprimatur porque foram formuladas como hipóteses. Porém, Galileu não quis formular quaisquer hipóteses, mas afirmar verdades absolutas — e isto numa época em que a hipótese de Ptolomeu podia explicar melhor muitos fenómenos celestes.

A Igreja Católica, naquela época, defendeu a concepção científica mais moderna embora se tenha atido a concepções cosmológicas erradas. O mesmo critério da Igreja Católica daquele tempo é utilizado por Carlos Fiolhais quando defende o darwinismo: mas Carlos Fiolhais fala sistematicamente em Galileu sem falar nele próprio e naquilo que comprovadamente de errado ele ainda defende.”

Quarta-feira, 17 Junho 2015

Como as putas comentam as preferências dos clientes

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 4:46 am

 

Está na moda comentar a política como as putas fazem quando as preferências dos clientes são exóticas: curto e grosso. Ámen.

Sábado, 6 Junho 2015

O Observador e a defesa do super-estado da União Europeia (adenda)

 

“A humanidade não existe sociologicamente, não existe perante a civilização.

Considerar a humanidade como um todo é, virtualmente, considerá-la como nação; mas uma nação que deixe de ser nação passa a ser absolutamente o seu próprio meio. Ora um corpo que passa a ser absolutamente do meio onde vive é um corpo morto.

A morte é isso — a absoluta entrega de si próprio ao exterior, a absoluta absorção no que o cerca. Por isso, o humanitarismo e o internacionalismo são conceitos de morte, só cérebros saudosos do inorgânico o podem agradavelmente conceber.

Todo o internacionalista deveria ser fuzilado para que obtenha o que quer: a integração verdadeira no meio a que tende a pertencer. Só existem nações, não existe humanidade.”

(Fernando Pessoa)


Em um verbete anterior demonstrei que Paulo Almeida Sande ou é burro, ou faz-se de burro (o que é ainda pior). Este verbete é uma adenda à burrice do professor.

Desde logo, estou no essencial de acordo com o que foi escrito aqui.

Mas isso não significa que eu seja contra o liberalismo económico se este for regulado pelo Estado. Aliás, não é possível liberalismo económico sem regulação. A chamada “competição livre”, na economia ortodoxa, é uma concepção artificial fechada por meio de restrições legais. Em contraponto, a “competição livre” conforme a entendem os utilitaristas liberais [ver utilitarismo] — como os do Observador, do blogue Blasfémias ou do Insurgente — não é livre de modo nenhum. Para os liberais utilitaristas, a “livre competição” global é a vitória dos animais que mais se parecem com os capitalistas bem sucedidos. A competição livre dos utilitaristas liberais está próxima da competição darwiniana: não há regra contra a pancada abaixo da cintura; não há lei entre animais.

Para falarmos de “nacionalismo”, temos que saber exactamente do que estamos a falar. O conceito de nacionalismo é “pau para toda a colher”.

No dicionário podemos ver uma definição nominal de “nacionalismo”: “patriotismo”; “nacionalidade”.

Dizer, como Paulo Sande diz, que “nacionalismo é guerra” é a mesma coisa que dizer que “patriotismo é guerra”.

É aqui que o liberalismo utilitarista se aproxima do socialismo herdeiro das ideias de Bentham (socialismo esse que difere, nos seus fundamentos, do socialismo de Karl Marx, uma clivagem ideológica que separa o Partido Comunista do Partido Socialista: o utilitarismo, a que Karl Marx chamou de “moral de merceeiro inglês”). Ora, um professor de uma universidade católica não deve, por princípio, abraçar o utilitarismo. O que há (nomeadamente) em comum entre o Partido Socialista de António Costa e o liberalismo do Observador e dos outros referidos, é a ética utilitarista.

Se “patriotismo é guerra”, então a Pátria, ou seja, a nação, alegadamente é “a causa da guerra”. Isto supõe que se não existissem nações e, consequentemente, Estados, não haveria guerra no mundo. A ideia abstrusa de Paulo Sande é que de que em um mundo sem nações e com um Estado Planetário (ou com um leviatão da União Europeia), a guerra acabava. Os que não concordassem com as políticas do governo planetário teriam que se exilar em Marte ou em Saturno. O princípio que se extrapola das ideias de Paulo Sande são totalitárias, mas expressas em nome do “fim da guerra” e da “defesa da liberdade”.

À luz do Direito Natural, toda a guerra defensiva é absolutamente legítima. A ideia de se acabar com a guerra não constitui um direito (assim como o casamento não é um direito, a não ser que se conceba que alguém se case consigo próprio, porque os direitos são individuais).

«Um povo, sobretudo se se sentiu oprimido, pode a princípio simpatizar com o movimento liberalista; mas, tarde ou cedo, de desconfiar dele, passa a odiá-lo. O caso é simples. Ou o liberalismo segue o seu caminho lógico e justo, ou não o segue.

Se o segue, entra, mais tarde ou mais cedo, em conflito com privilégios que a ele, povo, tocam já de perto, porque privilégios todos os têm, reais ou esperados.

Se não o segue, que é o que em geral acontece — dada a impossibilidade radical da operação do liberalismo e os atritos que quotidianamente encontra ao tentar existir — vai o liberalismo gradualmente desviando-se do seu primitivo intuito, porventura sincero, e torna-se uma mera arma de espoliação para os políticos sem escrúpulos, modo de viver dos Lloyd Georges e dos Clemenceaux da charlatinice política internacional.

Mero implemento de ambiciosos, quando não positivamente de ladrões, o liberalismo acaba por despertar as iras do povo, quando o caso se não dê de no povo, por decadente, já não haver a possibilidade sã da ira legítima.

O caso é pois, que, sendo assim anti-egoísta, o liberalismo é radicalmente anti-popular. Para se ser “liberal” é preciso ser-se inimigo do povo, não ter contacto nenhum com a alma popular, nem a noção das noções instintivas que lhe são naturais e queridas. Teoria, de resto, originada por emissários da aristocracia inglesa, no seu conflito com a velha monarquia; espalhada, depois, por homens de letras franceses, mais como arma contra a Igreja que contra o Ancien Regime, o liberalismo ainda hoje se conserva fiel à sua origem extra-popular.

Hoje, porém, são os transviados do povo quem teoriza — os infelizes que saíram do povo e, perdido o contacto em ele e com os seus instintos naturais, não subiram, porém, a nenhuma das aristocracias que o esforço pode conquistar, eternos intermédios da vida social, sem cultura verdadeira, sem posição conquistada, sem valor interna ou externamente definido. Escravos de todas as invejas e de todas as falências, o seu subconsciente indisciplinado espontaneamente os leva a colaborar em quanto seja obra de dissolução social, traidores naturais a tudo, excepto à sua própria incompetência para tudo. Tão triste e débil época é a nossa que as próprias teorias falsas desceram de categoria nas pessoas dos seus sequazes.

Feito, assim, por quem ou não é povo, ou já não sabe sentir como povo, que admira que este sistema venha eivado de todos os vícios anti-instintivistas, de todas as raivas anti-naturais?

Ainda se o liberalismo compensasse o ser anti-egoístico com o ser, de qualquer forma, um aspecto do sentimento patriótico; se, por exemplo, a teoria liberal tivesse por base o ser aplicada só a uma determinada nação — a dos seus teóricos — com o fim, absurdo mas explicável, de dar a essa nação a superioridade, pelo “gozo da liberdade”, sobre todas as outras, até certo ponto, talvez o liberalismo equilibraria o mal que lhe advém da outra parte da sua tese.

Mas se há traço característico do liberalismo é o de ser extensivo a toda a humanidade, de ser uma panaceia universal. E, assim, nem esta defesa absurda que fosse, lhe resta.

O assunto comportaria, a não ter que limitar-se, uma série muito mais extensa de considerações, entre as quais a menos interessante não seria, por certo, a demonstração de que um povo são é espontaneamente aristocratista ou monárquico; de que nunca um povo foi liberal ou democrático; de que nunca um povo defendeu, de seu, senão os seus egoísmos, indivíduo a indivíduo, a sua pátria, colectivamente; que nunca, nunca, excepto por doença da sociedade, ou perversão da decadência, os seus “direitos” as suas “justiças” foram assunto por que um homem do povo desse esforço de se levantar de um banco ou de tirar as mãos das algibeiras

→ Fernando Pessoa, Do Sufrágio Político e da Opinião Pública.

Sexta-feira, 5 Junho 2015

O Observador e a defesa do super-estado da União Europeia

 

“Por nacionalismo entende-se um grupo de indivíduos que partilham a mesma lealdade a um grupo étnico ou nacional”.

O Nacionalismo é a Guerra (via).



1/

O idiota que concebeu esta definição de “nacionalismo” escreve no Observador — como não podia deixar de ser. Imaginem que eu definia assim “luz”:

“A luz é o movimento luminoso dos corpos luminosos”.

Trata-se de uma tautologia. Por exemplo, outra tautologia só possível em uma articulista do Observador: “o liberalismo é um movimento político e económico liberal a favor do liberalismo político e económico”. E os leitores do Observador, na sua maioria ignaros, batem palmas.

Portanto, a definição de “nacionalismo”, por parte do idiota do Observador, é uma tautologia. Por outro lado, não é possível definir “nacionalismo” sem primeiro definir “nação”:

“Uma nação é uma comunidade natural em que cada indivíduo se inscreve em função do seu nascimento, da existência de uma História, de uma língua e de uma cultura antropológica comuns.”

A nação (e, por isso, a nacionalidade) é, por definição e natureza, imposta ao indivíduo por nascimento. Mas o indivíduo pode mudar de nação e de nacionalidade — é livre de adquirir outra nacionalidade que não a original. Neste caso, o indivíduo tem a possibilidade de escolher entre a nação originária e uma outra nação de adopção que raramente deixará de ser adoptiva enquanto prevalecer nele a memória da cultura e a língua da nação de origem.

Portanto, temos dois tipos de nacionalidade: 1/ a que decorre da comunidade de origem, e 2/ a que pode decorrer de um contrato em relação a determinados princípios fundamentais celebrado com uma determinada comunidade nacional diferente e de emigração.

2/

Napoleão foi o campeão do liberalismo — económico e político. E foi também o campeão das nações: por isso é que Napoleão fez a guerra contra os conglomerados aristocráticos da Europa de finais do século XVIII, destruindo os impérios monárquicos e instaurando as várias nacionalidades europeias. Ou seja, o liberalismo económico e político foi fundado na nação.

Agora está na moda — como se verifica pelo idiota do Observadorser liberal mas contra a nação. Ou seja, a própria origem histórica e conceptual do liberalismo (“liberalismo” no sentido europeu o termo, ou seja, económico e político, mas não no sentido americano) é negada em nome do liberalismo. Esta contradição pode ser apenas aparente — a não ser que o escriba do Observador, para além de idiota, seja estúpido —, porque o que se pretende é diabolizar as nações europeias para que se possa formar uma super-nação: o leviatão da União Europeia sob a égide de um alegado “federalismo”. O idiota observador pretende a criação de uma super-nação sem fundamentos nacionais: mas essa super-nação já é boa!

3/

O idiota identifica necessariamente “nação” e “Estado”.

“O Estado é o conjunto das instituições – políticas, jurídicas, militares, administrativas, económicas – que organizam uma sociedade num determinado território.”

A noção de Estado pressupõe, em primeiro lugar, a permanência do Poder: o Estado apenas surge quando o Poder se institucionaliza, ou seja, quando deixa de estar exclusivamente incorporado na pessoa de um chefe: é esta permanência do Poder que exprime a seguinte fórmula: “O Rei morreu, Viva o Rei!” (por isso é que o Absolutismo monárquico foi contra o Estado).

Em segundo lugar, o Estado pressupõe a “coisa pública”: se o Poder do Estado não pertence a um seu detentor, se não é sua propriedade pessoal (não há tal coisa como “dono do Estado”), é porque define um espaço público, comum a todos. Neste sentido, podemos dizer que qualquer Estado é uma “res publica” (do latim, “coisa pública”), mesmo tratando-se de uma monarquia. Por exemplo, a monarquia inglesa ou a dinamarquesa são “res publicae”.

Para além da confusão entre “nação”, por um lado, e “Estado”, por outro lado, o idiota observador defende implicitamente um super-estado que é a União Europeia — um super-estado sem rosto e sem identificação com uma qualquer nação propriamente dita.

4/

Se tomarmos por exemplo o movimento radical islâmico I.S.I.S., este faz a guerra em nome de um Estado islâmico que não tem uma nação, mas antes é um aglomerado de nacionalidades. Ademais, Napoleão, como campeão do liberalismo, fez a guerra contra os não-liberais do século XVIII. Ou seja, segundo o observador idiota, parece que há uma guerra boa e uma guerra má; e parece que o Estado islâmico faz a guerra porque é uma nação (o Estado islâmico é, alegadamente, “nacionalista”).

5/

Já vos falei aqui do que é o Observador, ressalvadas raras excepções: uma merda.

Quarta-feira, 3 Junho 2015

Movimento de defesa das minhocas (MDM)

 

Caras e caros compatriotas e compatriotos!

Assistimos neste país a um mal moral generalizado que consiste em os pescadores matarem minhocas para pescar à beira-rio. Por isso, e à semelhança do que aconteceu com o movimento de defesa do caracol (caracol!, amigo!, o povo está contigo!), resolvi fundar o movimento de defesa das minhocas.

MDMA minhoca é um ser senciente. Ao contrário do que acontece com o embrião e fetos humanos, a minhoca sente dor, medo, e emoções em geral. Matar uma minhoca espetando-a num anzol deve ser considerado crime de empalamento. ¿Será que você gostaria de ser empalado?! A perspectiva de lhe ser espetado um pau no cu pode ser agradável para alguns, mas para a minhoca significa a morte. As minhocas não são gays.

Assim como há, segundo a norma ortográfica vigente, espetadores imorais que assistem à tourada, assim há espetadores imorais que espetam as minhocas.

Já convidei o Ricardo Araújo Pereira e o Nuno Markl para fazerem um vídeo de apoio ao movimento de defesa da minhoca.

Matar uma minhoca é uma manifestação cultural anacrónica e preconceituosa de especismo: é considerar que um ser humano é superior a uma minhoca, o que não é verdade. Este fenómeno cultural de domínio do homem branco heterossexual sobre a minhoca, tem que acabar, em nome do progresso da humanidade. Ao contrário do que acontece com a mulher que tem o direito de fazer do corpo o que quiser, o homem branco heterossexual não tem o direito de fazer da minhoca o que que quiser!

É óbvio que a culpa é de Passos Coelho! De tanto minhocar sobre a vida, o povo tem a tendência para passar mais tempo na pesca. Aliás, a pesca deveria ser proibida: deveria ser obrigatório comprar o peixe na peixaria, onde o peixe não é pescado.

Viva a minhoca! A luta continua! Abaixo Passos Coelho! Viva a revolução das minhoquices!

Quinta-feira, 28 Maio 2015

A Maria vai c’as outras

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 3:18 pm
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A Maria João Marques reconhece que é como umas e outras; podia ser pior, porque há pexoas que nem axim xão.

O argumento da Maria João Marques, para justificar o ser uma Maria vai c’as outras, é o seguinte: “toda a gente tem uma ideologia qualquer”. Por exemplo, se eu penso que é preciso trabalhar para viver, é ideologia minha; mas se o meu vizinho pensa que não é preciso trabalhar, é ideologia dele.

O argumento é tu quoque: se toda a gente tem uma ideologia, não me podem criticar por ter minha.

O marginalista Carl Menger escreveu o seguinte: “É tão útil a oração para o homem santo, como é útil o crime para o homem criminoso”. Para a Maria João Marques, o homem santo tem uma ideologia, e o criminoso tem outra. Vivam as diferenças!

relativismoQualquer pessoa que procura a justiça nada mais faz do que seguir a sua própria ideologia, uma vez que o conceito de “justiça” varia de pessoa para pessoa e tem tantas noções quantos seres humanos existem. Por isso é que a Maria João Marques diz que o CDS/PP tem um “socialismo beato” como ideologia, porque, segundo ela, a noção de justiça do CDS/PP passa pela “utilidade da oração para o homem santo”; e presume-se que a Maria João Marques, em contraponto, prefira porventura a liberdade da “utilidade do homem criminoso”.


Uma ideologia é um sistema de representações dominantes em uma determinada época, relativamente à qual constituem a vulgarização de uma filosofia, mais ou menos inconsciente. Trata-se, de facto, de uma redução/simplificação da filosofia: não tendo o estatuto de ciência, também não é possível decidir da sua exclusão do domínio dos conhecimentos regidos pela relação entre a teoria e a prática.

Ou seja, uma ideologia é uma simplificação de uma qualquer corrente filosófica. Mas não devemos confundir os ideólogos, por um lado, com as “Marias que vão c’as outras”, por outro lado. Os ideólogos simplificam uma doutrina para que as “Marias que vão c’as outras” as possam assimilar facilmente sem pensarem muito, e sem se preocuparem com a complexidade de alguns conceitos, como por exemplo, o conceito de “justiça” ou de Direito Natural.

O Observador e o problema intelectual da “cagadeira de género”

 

Eu já me referi à fraca qualidade intelectual dos colaboradores do Observador, salvo honrosas excepções. Eis um exemplo do que eu quis dizer (ver ficheiro PDF). Perante o absurdo (via), é muito difícil fazer uma análise; mas vamos começar por esta notícia:

“The speed with which the transgender agenda is moving may end up making the same-sex marriage debate look slow and deliberative by comparison. And now Scholastic, the children’s publisher that specializes in distributing and selling books through schools, is poised to bring the issue to a middle school classroom near you. The medium is George, the story of an eight year old boy named George who desperately wants to be considered a girl.”

Scholastic Publishing Novel on Transgender Eight-Year-Old By Self-Described ‘Fat Queer Activist’

Começam a aparecer livros para educar “crianças transgéneros” de 6, 7 ou 8 anos de idade.

Esta ideia vem da Revolução Francesa (Helvetius, Condorcet) segundo a qual o ser humano pode ser totalmente formatado através da educação. O determinismo congénito em relação ao ser humano (“o gay já nasce assim”) é apenas uma ferramenta de luta ideológica, porque o lóbi político gayzista sabe perfeitamente que “o gay não nasce assim”. Pelo contrário, na sequência dos ideólogos da Revolução Francesa, o ser humano é visto como uma “tábua rasa que não nasce assim”, e o tipo de educação determina totalmente o seu futuro. A premissa é behaviourista (ver behaviourismo): o ser humano pode ser adestrado como qualquer animal.

out of the closetJames Mill seguiu à risca a ideia de Helvetius na educação do seu filho Stuart Mill; e no fim da sua vida, Stuart Mill escreveu que o seu pai estava errado: a educação é apenas um dos muitos factores que orientam o ser humano, por um lado, e por outro lado não é possível através da educação erradicar os fundamentos da Natureza Humana.

Se não há diferença intelectual entre sanidade e insanidade, então o lunático que julga ser um ovo escalfado deve ser criticado por estar em minoria ou por o governo não concordar com ele.

Ou seja, criticar o lunático que julga ser um ovo escalfado torna-se ilegítimo, porque, em princípio, não se deve criticar as minorias, sejam quais forem. Isto resume o tipo de raciocínio dessa gente.

Mas se lhe acrescentarmos a ideia revolucionária de que a educação é tudo o que define o ser humano, forma-se a ideia segundo a qual educar alguém para pensar que é um ovo escalfado é absolutamente legítimo e são. Mas existe aqui um problema: não é possível afirmar que o lunático que pensa que é um ovo escalfado é saudável sem definir, em contraposição, o conceito de “insanidade” — porque sem uma diferença entre sanidade e insanidade, ninguém sabe o que é uma coisa e/ou outra.

“Kathleen Taylor, a neurologist at Oxford University, said that recent developments suggest that we will soon be able to treat religious fundamentalism and other forms of ideological beliefs potentially harmful to society as a form of mental illness.”

Religious fundamentalism could soon be treated as mental illness

A solução para o problema da diferença intelectual entre sanidade e insanidade, é considerar que o fundamentalismo religioso é uma doença mental.

Naturalmente que haveria que definir “fundamentalismo religioso”, mas o que se pretende é precisamente fugir a qualquer definição — porque uma das características dos ideólogos românticos que congeminaram a Revolução Francesa (por exemplo, Helvetius, Condorcet, Rousseau) é o horror às definições; tudo o que for racional é rejeitado pelo romantismo revolucionário que coloca a volição (a vontade) acima de qualquer outro atributo humano.

Portanto, “fundamentalista religiosa” pode ser aquela velha beata que vai à missa todos os dias; ela passará a ser uma doente mental. Ou pode ser um qualquer católico. Se se evita uma definição de “fundamentalismo religioso”, qualquer pessoa religiosa cai na categoria de “fundamentalista religiosa”.

Em contraponto, o fanchono que frequenta diariamente uma sauna gay é considerado absolutamente saudável em nome do “amor ao pecado” (porque é pecado não amar o pecado), assim como é saudável educar as crianças com livros que contam a estória de um menino de oito anos que é transgénero. Ser um lunático que pensa ser um ovo escalfado é saudável, e quem, como eu, faz análises racionais e preocupa-se com definições passa a ser “doente mental”.

A racionalidade passa ser “racionalmente” entendida como doença mental. Só se salva o ovo escalfado.

Para o lóbi político gayzista — e para a elite política em geral, que se aproveita de uma nova tendência política totalitária — não se trata constatar diferenças entre seres humanos, porque é evidente que eu sou diferente do meu vizinho. Do que se trata é de afirmar o direito à diferença!, que é outra coisa, bem diferente.

O conceito de “direito à diferença” refuta-se a si mesmo — porque se os direitos do Homem fundamentam-se no princípio da igualdade natural de todos os seres humanos, o “direito à diferença” é a negação dessa igualdade natural fundamental. Enquanto que os românticos da Revolução Francesa apoiaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o novo tipo de romantismo politicamente correcto refuta-os em nome do “direito à diferença”.

Além de ser contraditória em termos, o conceito de “direito à diferença” é radicalmente nocivo à sociedade, na medida em que a reivindicação de direitos especiais e exclusivistas de determinados grupos sociais — por exemplo, o feminismo, ou o homossexualismo —, pode conduzir a um retrocesso do princípio de igualdade natural, não só entre os dois sexos mas também entre os seres humanos em geral.

O “direito à diferença” é um absurdo e um perigo iminente de retorno à barbárie. É é a barbárie do lunático que pensa que é um ovo escalfado que as elites políticas procuram, pensando que assim podem controlar melhor a sociedade. É um novo modelo de totalitarismo que surge.

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