perspectivas

Quarta-feira, 30 Novembro 2016

Não há uma alma caridosa que anuncie um voto de pesar pela morte de Hitler? É que “todas as mortes são de lamentar…”

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 7:01 pm
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hitler-simpatico“Ao i, Simão Ribeiro afirmou que “nunca conseguiria votar favoravelmente um voto de pesar como aqueles que foram propostos à Assembleia da República, em que entre outras coisas, tentam branquear quem realmente foi Fidel, chegando mesmo a afirmar que Castro foi um construtor de paz e justiça social”. O deputado não nega, no entanto, “a relevância de uma figura incontornável” e afirma que seria incapaz de votar contra um pesar pela morte de alguém.

O vice-presidente da bancada do PSD Sérgio Azevedo anunciou ontem em plenário que o grupo parlamentar apresentará também uma declaração de voto sobre a morte de Fidel Castro. Ao i, Azevedo afirmou: Todas as mortes são de lamentar e o PSD nunca se opôs no parlamento a que os vários partidos prestassem homenagem póstuma a quem os inspira na sua doutrina. Foi o caso do PCP e é, pelos vistos, o caso do PS. O PSD é um partido humanista e contribuiu sempre para a estabilidade das relações diplomáticas com Cuba, mas isso não impede que estejamos nos antípodas daquilo que Fidel Castro representou e que não condenemos com veemência as atrocidades do seu regime que cortaram a liberdade e a dignidade humana em todas as suas dimensões.”

O Partido Social Democrata continua a mesma merda. Merece desaparecer como partido político.

“Homofobia” é a pata-que-os pôs! É Pedofilofobia, estúpido!

 

Os mesmos que celebram a vida de Fidel Castro e o seu regime como um exemplo, são os mesmos que utilizam a liberdade de expressão para minar o senso-comum que nos resta na cultura antropológica.

“A ministra francesa (socialista) da Saúde, Marisol Touraine, vai levar a tribunal os autarcas conservadores que inviabilizaram nas suas cidades a exibição de cartazes da campanha contra a sida que contam com imagens de homens a abraçar-se e a beijar-se.

“Pela vida, por um fim de semana… Com um amante, com um amigo, com um desconhecido… As situações variam, assim como a protecção”, lê-se num dos outdoors, com a mensagem acompanhada pela fotografia de um homem a abraçar outro pelas costas,

A campanha conta com a apresentação de cartazes em 130 cidades francesas, mas em 12 delas surgiram entraves das autoridades locais que os têm procurado remover.

O autarca de Aulnay-sous-Bois, próximo de Paris, encontra-se entre os que removeram os posters, substituindo-os por imagens com a frase “Proteger as nossas crianças”. Também o autarca de Angers ordenou que fossem retirados os cartazes colocados junto a escolas”.

Ministra francesa processa autarcas por homofobia

ministra-fancesa-homofobia
Ou seja, dá-nos a ideia de que os países da Europa precisam de uma espécie de Fidel Castro de cor oposta.


Os socialistas, e a esquerda em geral, pretendem passar a mensagem segundo a qual “tomar no cu faz bem à saúde e faz crescer as crianças”, conforme vemos nesta outra notícia:

“EVIDENCE has emerged that the views of the Paedophile Information Exchange influenced policy-making at the National Council for Civil Liberties when it was run by former Labour Health Secretary Patricia Hewitt”.

‘We can’t prove sex with children does them harm’, says Labour-linked NCCL

Ou seja, diz a esquerda de que não há provas de que enrabar putos lhes faça mal. E mais: segundo a opinião da Esquerda, não só não faz mal, como até faz bem aos putos serem enrabados.

“Childhood sexual experiences, willingly engaged in, with an adult result in no identifiable damage”.

E mais: a perseguição aos pedófilos é um preconceito inaceitável, porque os pedófilos só fazem bem às crianças quando lhes vão ao cu:

“The present legal penalties are too high and reinforce the misinformation and prejudice. The duty of the court should be to inquire into all the relevant circumstances with the intention, not of meting out severe punishment, but of determining the best solution in the interests of both child and paedophile.”

Isto já não vai com falinhas mansas e argumentos racionais. Precisamos, na Europa, de um enorme paredão de sinal contrário ao de Fidel.


« (…) a lógica do liberalismo político leva-o a tolerar ideias ou movimentos que têm como finalidade destruí-lo. A partir daí, perante a ameaça, o liberalismo está condenado, quer a tornar-se autoritário, isto é, a negar-se ― provisória ou duradouramente ― a si mesmo, quer a ceder o lugar à força totalitária colocada no poder por meio de eleições legais (Alemanha, 1933) »

— Edgar Morin

Quinta-feira, 24 Novembro 2016

Um exemplo chapado do “liberal” português

 

“Donald Trump é certamente o presidente dos EUA eleito com a plataforma de apoio e programa menos liberal (sentido clássico) e mais intervencionista desde Franklin Roosevelt. E não apenas isso. É o mais inexperiente e, (o que é o pior) personagem com personalidade de todo não recomendável para coisa nenhuma. Muito menos para presidir aos EUA. Em suma, um sujeito verdadeiramente perigoso, para todos nós”.


lobotomyPara o típico estúpido liberal português (por exemplo, Pedro Marques Lopes), os impostos têm que ser progressivos. Por isso, quando Donald Trump diz que pretende a mesma taxa de IRS para os mais ricos e para os mais pobres (como acontece na Hungria do faxista Viktor Órban, onde o IRS é de 15% para toda a gente), então segue-se que “ele não é liberal”.

Ser “liberal”, em Portugal, é seguir John Rawls de forma envergonhada ou não assumida.

Quem defende a mesma taxa de IRS para toda a gente é “intervencionista e não é liberal” — diz o estúpido liberal português que, de uma forma ou de outra, se habituou a mamar nas tetas do Estado.

Quando Donald Trump quer cortar na despesa com a NATO, por exemplo; ou cortar na despesa exigida na ONU pelos alucinados do Aquecimento Global antropogénico; e, com esse dinheiro que se poupa, investir em infraestruturas nacionais (estradas, pontes, etc.) — diz o estúpido que “ele não é liberal, mas é intervencionista”: o liberal estúpido português que se preze, acredita no lero-lero aquecimentista da Esquerda radical, por um lado, e, por outro lado, acredita que os Estados Unidos devem andar a plantar guerras em todo o lado (como aconteceu com a Primavera Árabe do Obama e da Hillary Clinton, controlados por George Soros).

Sábado, 19 Novembro 2016

Ensinando o Pai-Nosso ao Padre jesuíta Gonçalo Portocarrero de Almada

 

“I protest against the power of mad minorities to treat the majority as if it were another minority. But still more do I protest against the conduct of the majority if it surrenders its representative right so easily”. → G. K. Chesterton


“Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa!” [Mateus, 18, 1-8]


Depois destas duas citações, vou citar o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada:

“O que é, ou não, natural tem muito que se lhe diga. Sem entrar no fundo da questão, pode-se dizer que é natural o que se observa na generalidade das pessoas e que, por isso, se atribui à natureza humana. Ora, no mundo inteiro, cerca de 97% da humanidade sente-se atraída pelo sexo oposto: pode-se dizer portanto que, em termos sociológicos, essa é a tendência mais natural, sem que o seu contrário seja anormal. Neste sentido, o celibato, que contraria uma inclinação generalizada, não é tão natural quanto o casamento, sem que por isso seja nenhuma anormalidade. Ser superdotado também não é natural, embora seja, como é óbvio, excelente”.

Ou seja, para o Padre, “há tendências mais naturais do que outras”. Naturalmente que se ele comparar o ser humano com o peixe-palhaço, chegará à conclusão de que a ideologia de género é natural.

Por outro lado, o Padre compara a “não-naturalidade” do celibato — que é um esforço que contraria o desejo de um fim próximo, em função do desejo de um fim último: ou seja, o celibato é uma virtude —, por um lado, com a “não-naturalidade da homossexualidade”, por outro lado — como se a homossexualidade fosse também uma “virtude não-natural”.


Mais adiante, o Padre escreve:

“A propósito, esclareça-se que a Igreja não reprova a tendência homossexual, nem muito menos as pessoas – algumas, por certo, católicas – que, por vezes contra a sua vontade e com grande sofrimento, se reconhecem nessa situação. O que a Igreja reprova são os comportamentos contrários ao que, segundo a Bíblia, entende ser o recto uso da sexualidade humana, sejam esses actos praticados por um homem ou uma mulher, uma pessoa solteira ou casada, com tendência homossexual ou heterossexual”.

Isto seria o mesmo que o Padre dissesse: a igreja não reprova a tendência psicopata do assassino em potência: o que a Igreja Católica reprova é o acto do homicídio”. Obviamente é falso. O Padre cai na casuística que os jesuítas inventaram e que o papa Chico utiliza de forma adestrada na destruição da doutrina católica.

A verdade, o que o Padre jesuíta Gonçalo Portocarrero de Almada escamoteia, é a seguinte: a Igreja Católica condena, em graus e termos diferentes e como é lógico, a tendência homossexual e o acto homossexual.

É falso dizer que “a Igreja não reprova a tendência homossexual”, porque isso seria afirmar que a Igreja Católica aprova o conatus gay, o que teria como consequência a impossibilidade lógica de condenar o próprio acto homossexual.

Quinta-feira, 17 Novembro 2016

“Mansplaining”: a nova arma feminista e politicamente correcta contra o homem

 

macho-betaO termo “Mansplaining” aplica-se quando um homem explica qualquer coisa a uma mulher sem que esta lhe tenha pedido qualquer explicação.

Por exemplo, se uma mulher estiver a fazer uma manobra de condução errada, e eu for ajudá-la a estacionar o carro dando-lhe instruções, incorro em Mansplaining e, por isso, sou sexista e um porco machista.

Portanto, ajudar uma mulher espontaneamente e sem que ela peça ajuda é “Mansplaining”, ou seja, é uma manifestação de sexismo e machismo javardo. Para não sermos sexistas nem porcos, temos que nos abster de ajudar as mulheres e/ou explicar-lhes o que quer que seja.

Mas há aqui um problema: se uma mulher nos pedir uma qualquer explicação sobre um qualquer assunto, e nós não dermos essa explicação, também somos sexistas e porcos machistas.

A única forma de (nós, homens) não sermos sexistas e machistas porcos, é obedecer às ordens das mulheres.

Sexta-feira, 11 Novembro 2016

A França está pronta para eleger uma mulher para presidente da república

 

Parece que os Estados Unidos não estavam prontos para eleger uma mulher; mas a França parece estar mais avançada e ser mais progressista: é provável que surja brevemente a primeira presidente da república francesa.

Marine d'arc web

Terça-feira, 25 Outubro 2016

A libertinagem sexual só beneficia o macho

 

É difícil contrariar o politicamente correcto, principalmente por duas razões: 1/ faz apelo ao instinto mais básico no ser humano; 2/ faz da mentira um instrumento de acção política.

Vejamos este texto de um burro que dá pelo nome de João André:

«No outro dia a tua filha ligou. É uma menina! “E o pai, quem é o pai?”, perguntaste no fim, “Ó mãe, o pai não sei, foram tantos…”»

E tu, já deste um preservativo à tua filha?

O texto parte do princípio de que 1/ uma adolescente que usa o preservativo nunca engravida, e de que 2/ o uso do preservativo impede a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis. Como é óbvio, há aqui várias mentiras que são passadas ao povão como “verdades científicas”.

Desde logo, o HPV (Human Papiloma vírus), por exemplo, é transmitido independentemente do uso do preservativo; será que o burro do mestre André sabe disso? E, não… as vacinas contra o HPV (Human Papiloma vírus) não resolvem o problema, não só porque há várias estirpes do vírus, como porque a acção da vacina é limitada no tempo.

Todos sabemos que se o preservativo for mal colocado, a rapariga (adolescente) pode engravidar. Mas o filho-de-puta do João André faz de conta que não sabe. E portanto, na opinião do cabrão, sempre há o recurso à “bomba” da pílula do dia seguinte ou ao aborto como método contraceptivo: não lhe interessa a condição feminina: interessa-lhe a fornicação masculina sem qualquer limite.

Domingo, 23 Outubro 2016

O prémio Nobel é histriónico

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 10:25 am
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Theodore Dalrymple escreve o seguinte sobre a “poesia” de Bob Dylan :

As to the supposed poetry, it seems to me not merely bad, but—except for an occasional line or two—authentically awful. It isn’t even funny like the verse of William McGonagall, a previous claimant to the honor of the worst poet of the English language. His most famous poem, “The Tay Bridge Disaster,” begins:

Beautiful Railway Bridge of the Silv’ry Tay!
Alas! I am very sorry to say
That ninety lives have been taken away
On the last Sabbath day of 1879,
Which will be remember’d for a very long time.

These are not necessarily the worst of McGonagall’s lines: As another poet, Gerard Manley Hopkins, put it (in a more existential context), “No worst, there is none.”


Perdemos o sentido das proporções: tudo passou a ser relativizado, e por isso, a hipótese de um “belo absoluto” é eliminada; e sem um ideal de belo absoluto, qualquer coisa pode ser considerada bela; deixa de haver qualquer critério de belo.

Quando a arte se subordina à política, quando os critérios de avaliação do belo se subjugam aos interesses políticos de circunstância, adoptamos um filinistinismo politicamente correcto — muito pior do que o filinistinismo burguês do século XIX, porque este, pelo menos, adoptava os critérios aristocráticos ou tradicionais de beleza.

Sábado, 22 Outubro 2016

O Anselmo Borges e a imanentização do éschatos

 

Convidar o Anselmo Borges para falar de “utopia” é a mesma coisa que convidar um obeso para falar de culinária, ou um convidar um “junkie” a falar sobre o consumo de drogas.

“As utopias têm duas funções fundamentais : por um lado, são crítica da situação presente e, por outro, impulso para transformá-lo, olhando para um futuro outro, numa sociedade livre e justa, de bem-estar para todos. Parte-se do princípio de que o ser humano é constitutivamente utópico, porque é um ser desejante e esperante, que aspira à felicidade. Por outro lado, se a utopia não há-de cair no mero escapismo, na ilusão ou no wishful thinking, é necessário estudar as possibilidades de transformação da realidade. A utopia é constituinte do ser humano, porque ele deseja mais e melhor, a perfeição, e, por outro, há condições objectivas na realidade para a concretização do desejo. É toda a dinâmica entre "o que é" de facto e o que "pode e deve ser".”

Anselmo Borges


“Não há alvorecer mais desolado do que o amanhecer de uma utopia. A cidade imaginada pelo utopista é sempre de mau gosto, a começar pela do Livro do Apocalipse. Em todo o utopista dorme um sargento da polícia: as decisões utópicas e despóticas do Estado moderno são finalmente tomadas por um burocrata anónimo, subalterno, pusilâmine, e provavelmente cornudo.”

→ Nicolás Gómez Dávila


A utopia, inimiga da civilização

O conceito de “religião” não existia no mundo antigo. A religião fazia de tal modo parte da cultura que não passava pela cabeça de ninguém inventar um termo para a designar. O termo “religião” só surgiu na época do império de Roma com os estóicos de “segunda geração”. Por exemplo, entre os judeus depois do Exílio, não existia, na cultura, o conceito de “deus” no sentido grego, romano e cristão: Javé era indefinível.

Uma coisa semelhante passou-se com o conceito de “civilização”. Não passava pela cabeça dos descobridores e navegadores portugueses, por exemplo, que a sua acção teria em vista a defesa da civilização — o que levou a que Nicolás Gómez Dávila escrevesse o seguinte: “A civilização parece uma invenção de uma espécie desaparecida.”

Os povos civilizadores não viam a civilização como algo exterior a si mesmos, como um conceito separado da sua cultura antropológica. A civilização é algo que se faz, mas quem a faz não a define nem se preocupa em defini-la. Ou como dizia Jean-Edern Hallier: “As civilizações apenas são mortais porque se tornam clarividentes. Logo que se põem a reflectir sobre si próprias, estoiram…”

Esta “reflexão das civilizações sobre si próprias” é o reconhecimento de que a civilização existe como um conceito exterior à cultura antropológica, como algo que não pertence intrinsecamente à cultura e cuja definição tem que ser encontrada fora dela — seja através da utopia imanente (a grande inimiga de qualquer civilização propriamente dita), seja através da negação do próprio conceito de civilização (negação que se iniciou na Europa com Montaigne e, mais tarde completada por Rousseau).

O conceito de “civilização” passou a ser, na modernidade, um ideal, uma utopia, algo desfasado da realidade concreta e objectiva, algo que alegadamente não poderia naturalmente pertencer a uma determinada cultura (Lévi-Strauss).

A partir do momento em que o conceito de “civilização” foi exteriormente concebido (foi definido utopicamente) em relação à cultura, a civilização acabou de facto, ou entrou em decadência. Quando uma cultura que se diz “civilizada” se torna indefesa em relação a ataques exógenos e em nome de uma utopia, de facto, de civilizada não tem quase nada. Por paradoxal que seja, são mais veículo de civilização as sociedades islâmicas ditas bárbaras do que a Europa pós-cristã.

Depois da guerra no Iraque e no Afeganistão, qualquer país europeu e em nome da “civilização”, recusa-se a intervir com militarmente com “botas no terreno” em qualquer conflito no mundo. Temos o exemplo do combate ao Estado Islâmico por parte da Europa e dos Estados Unidos de Obama: enviam aviões, mas não tropas no terreno. Entretanto, o massacre radical islâmico continua e constrói-se assim uma outra civilização que há-de dominar a Europa.

Quarta-feira, 28 Setembro 2016

O Domingos Faria e a confusão do amor politicamente correcto

 

O conceito de “amor” tem sido a ser prostituído por ditos “intelectuais”, e parece que o Domingos Faria embarca no sofisma.

“(…) quando se diz que os homossexuais são incapazes de ter crianças que são o fruto dos seus actos de amor, o Swinburne parece estar a fundir os conceitos de amor e de sexo/procriação. Todavia, tais conceitos não são coextensionais; pois, há muitos actos sexuais que não são actos de amor, bem como há actos de amor que não são actos sexuais. Por exemplo, as carícias, olhares, ou até a partilha das tarefas domésticas não são afinal "actos de amor"? Mas terão esses actos de estar fundidos ou ligados com actos sexuais? Parece óbvio que não”.


Tradicionalmente, faz-se a distinção entre espécies diferentes de “amor”:
  • libido (o amor pelo prazer e o sexo)
  • eros (o amor pelo belo, o deixar-se comover pela sedução do sedutor)
  • filia (o amor entre os corações que não podem viver um sem o outro)
  • ágape (o amor imanente pela comunidade, o amor pelo “outro” em abstracto, o amor pela sociedade, o amor pela continuidade e futuro da pólis)

O amor propriamente dito é a aspiração à unidade daquilo que se completa (também na Natureza). Aquilo que, por princípio, não se completa (naturalmente), também não pode constituir uma unidade. Neste sentido, o amor entre seres humanos é constituído pela libido, eros, filia e ágape.

(more…)

Domingo, 25 Setembro 2016

Estou um pouco surpreso com a evolução da Raquel Varela

 

“(…) nada disto autoriza é que o Estado passe a regulamentar o que se veste, porque isso seria tornar o republicanismo francês em ideologia de Estado e acabar com o princípio do laicismo que diz o seguinte: todas as religiões (e os ateus) têm que ter condições, dadas pelos Estados, para ser praticadas. É no terreno político e social que se combate o obscurantismo, e o relativismo cultural pós-moderno, não é no terreno da concentração de poder no Estado”.

Raquel Varela

Naturalmente que ela fala da polémica das burkas e burkinis em França.


1/ Vemos aqui em baixo um exemplo de uma apresentadora italiana de televisão: chama-se Marina Nalesso e apresenta os telejornais com um crucifixo ao peito e com duas medalhas católicas (uma delas de Nossa Senhora de Fátima). A cruz e as medalhas são símbolos. 1

marina-nalesso

Vemos aqui uma outra mulher, Fatma Nabil, da televisão egípcia (¿ou será “egícia”?, ¿segundo o Acordo Ortográfico?), desta vez, islâmica. Os símbolos são diferentes; é a própria indumentária que é simbólica do estatuto da mulher islâmica. Se os símbolos são diferentes, as religiões são diferentes, e as culturas também são diferentes. Portanto, já chegamos à conclusão de que as religiões (e as culturas) são diferentes; o que falta saber é se são equivalentes, ou seja, se podem ser valorizadas de forma igual ou semelhante.

fatma-nabil

2/ naturalmente que se pode dizer que “os gostos não se discutem”; está na moda dizer-se. Kant não concordava: dizia ele que os gostos devem ser discutidos (o racionalista Kant deixou de estar na moda: hoje é mais o romântico Rousseau) — não porque Kant tivesse grande apetência pela estética, mas porque se preocupava com a política. A verdade é que a estética (o belo) e a ética (o bom) estão intimamente ligadas, e a discussão do “belo” e do “bom” é também uma discussão política.

mulher-romana3/ também se pode dizer que “a mulher tem todo o direito de se tapar” — o mesmo soe dizer-se que a mulher tem o direito de não andar com as mamas à mostra e a exibir publicamente o pernão. Este argumento é pertinente e deve ser acolhido como racional. De facto, a mulher tem esse direito.

Mas — ao contrário do que se passa no Islamismo —, no Cristianismo o recato feminino e a indumentária “pudica”, por assim dizer, nunca foram símbolos religiosos em si mesmos, mas antes foram heranças de uma cultura anterior ao Cristianismo (por exemplo, a cultura romana ou grega). Em contraponto, no Islamismo, essa cultura mais antiga da indumentária feminina “pudica” foi integrada na cultura antropológica islâmica como um símbolo religioso entendido em si mesmo.

Teresa-de-AvilaVemos, por exemplo, a monja medieval Teresa de Ávila: a base da indumentária das monjas era (e é ainda hoje) uma herança de uma cultura anterior ao Cristianismo, e não um símbolo religioso entendido em si mesmo. Hoje, a indumentária das monjas segue uma tradição que não se constitui em si mesma como um símbolo religioso — e tanto assim é, que uma qualquer mulher católica não é coagida pelo Vaticano a vestir-se de freira.

Assim como não podemos confundir ou misturar a arte (a estética), por um lado, e a política, por outro lado — assim não podemos confundir a religião e a cultura de um determinado tempo, a não ser que a religião não passe de um princípio de ordem política que se aplica de forma intemporal, como é o caso do Islamismo.

freiras-carmelitas-usa

4/ quando o modo de vestir (a indumentária) se transforma (em si mesma) em um símbolo religioso (e deixa de ser apenas uma manifestação cultural ou uma tradição, como aconteceu ao longo da história do Cristianismo e da Europa), já não estamos na esfera da liberdade moral individual e/ou colectiva, mas antes em uma forma mais ou menos evidente de coerção social e cultural (negação da liberdade). É evidente que o Islamismo é um princípio de ordem política totalitária.

Neste sentido, é um erro afirmar que “todas as religiões são iguais e têm que ser tratadas da mesma forma pelo Estado”. Um erro crasso da Raquel Varela — porque “os gostos devem ser discutidos”, como afirmou Kant.


Nota
1. Os símbolos são claros, são reconhecidos socialmente, têm um poder imanente de convencimento e participam espiritualmente naquilo que simbolizam. Porém, não devemos confundir símbolos com sinais. Os sinais também são claros e reconhecidos: no entanto, falta-lhes a participação no conteúdo do representado/simbolizado, porque, em regra, os sinais são escolhidos arbitrariamente (por exemplo, os sinais de trânsito). Por isso não é possível comparar, por exemplo, um sinal de trânsito com o símbolo de um Deus pessoal, ou mesmo com o símbolo de uma equação matemática.

O símbolo, para além do significado cultural que o sinal também pode ter, tem um significado espiritual (relativo à experiência humana subjectiva que adquire uma experiência intersubjectiva e universal) que o sinal não tem. Um sinal só passa a ser um símbolo quando passa a ter um conteúdo com relação a um representado, o que lhe retira a arbitrariedade previamente existente. Um símbolo nunca se muda, porque isso resultaria também na dissolução do seu significado; em contraponto, um sinal pode ser mudado mantendo-se o seu significado anterior.

Sábado, 24 Setembro 2016

A censura política no YouTube

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 2:03 pm
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A “turma brazuca” ignorante e esquerdista que faz a censura política no YouTube, censurou-me um vídeo. Trata-se de censura política, pura e dura.

O vídeo retrata a realidade de como a mulher é tratada no Islão; não se trata de “violência gratuita” ou de “incitação à violência” — conforme a ignara inteligência “brazuca” expõe: o vídeo trata, em vez disso, de denunciar uma ideologia política (o Islamismo) que trata a mulher abaixo de animal irracional, e que é protegida por mentecaptos como os que censuraram o vídeo.

Ultimamente assistimos a uma fortíssima deriva censória e totalitarizante no YouTube e no Twitter.

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