perspectivas

Sábado, 23 Julho 2016

Era um alemão persa — disse a RTP

 

precisa-se-terrorista-webA RTP3 entretinha-se a defender a tese segundo a qual o terrorista de Munique era um branco-racista-nacionalista-xenófobo-heterossexual-fassista-sexista-rico, ou seja, de “extrema-direita”: um tal professor Luís burrinho discursava sobre as maleitas do “terrorismo de extrema-direita”, para deleite da apresentadora escolhida a dedo pela televisão que deveria ser de todos nós — e eis que a polícia alemã vem dizer (em bom alemão) de que se tratava de “um iraniano de Munique”.

Aquilo foi um choque nos paineleiros da RTP3! Afinal não era um branco-racista-nacionalista-xenófobo-heterossexual-fassista-sexista-rico… Ganda nóia!

Mas a apresentadora não se deixou ficar: como dizia o filósofo, “os tolos perdem as esperanças mas não perdem as ilusões”; e vai daí fez uma correcção ao comunicado da polícia alemã: o terrorista é um “germano-iraniano”! — disse ela. Ou seja, é uma alemão persa, o que é diferente de um persa alemão. No futuro, poderá haver, por exemplo, um alemão-persa-italiano-português-espanhol-chinês; o que não poderá haver é um branco-racista-nacionalista-xenófobo-heterossexual-fassista-sexista-rico.

Finalmente, a RTP3 conclui que o atentado terrorista não teve nada a ver com o Islão, porque o homem é um alemão persa — excepto de que se tratava de um muçulmano.

Quarta-feira, 20 Julho 2016

O anti-utilitarismo do Partido Comunista

 

O Partido Comunista votou contra a lei das "barrigas de aluguer", na esteira de Karl Marx que dizia que “o utilitarismo é moral de merceeiro inglês”.

bentham

A preocupação com a desconstrução da História de Portugal

Filed under: Política — O. Braga @ 12:58 pm
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brasoes-lxDizem os radicais de esquerda da Câmara Municipal de Lisboa que “os brasões da Praça do Império não existem, e por isso não estão a apagar nada” (no sentido de “apagar” a memória histórica). Ou seja, parece que deixaram propositadamente a erva daninha cobrir os brasões; e depois de transformar os jardins da Praça do Império em um matagal, dizem que “não está lá nenhum brasão”.

Este episódio dos brasões do império português é apenas um pequeno exemplo do que nos espera: a sistemática obnubilação da memória portuguesa e a desconstrução da nossa História. Estaline retirou Trotski da fotografia; a Esquerda utiliza o mesmo método em relação à História de Portugal: retira determinados símbolos da fotografia histórica nacional. Não tarda nada mudam o nome da Praça do Império para (por exemplo) “Praça da Lusofonia” ou “Praça do Acordo Ortográfico”.

Terça-feira, 19 Julho 2016

Nada de confusões!

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:08 pm
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antistigma1“Os adolescentes são problemáticos. Lá porque um desses, refugiado, entra num comboio com um machado aos gritos de Allahu Akbar, isso não significa que tenha a ver com religião. Podia ter gritado abracadabrante, Isabel Moreira tatua-me ou dá-me o teu pénis rechonchudo. Seja como for, importante é que a família dos feridos seja compreensiva, tolerante e não se meta aí a votar nas Le Pens ou nos Trumps, que isso seria muito errado.”

Pequeno incidente sem a mínima importância

 

nonconfundir

Sexta-feira, 15 Julho 2016

“A ameaça é o populismo”

 

“O que nos ameaça é o alastramento do populismo, mas eu não me deixarei intimidar por ameaças”.

François Hollande, entrevista a 14 de Julho de 2016

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Para a Raquel Varela, os verdadeiros terroristas são os que denunciam o terrorismo

 

O Iluminismo transportou consigo a própria negação do Iluminismo, através do Romantismo. A Raquel Varela faz lembrar Rousseau:

“A organização colectiva das pessoas é a única forma de sairmos vivos do declínio histórico que estamos a viver e que faz o declínio do feudalismo parecer uma brincadeira de meninos”.

É claro que “o declínio histórico que estamos a viver” não tem nada a ver com as ideias da Raquel Varela. Ela é impoluta (entre outras coisas). Atira a pedra e esconde a mão; comete o crime sem deixar impressões digitais; e continua a ter acesso aos me®dia em posição de Vampe.

Conclui a Raquel Varela o seu raciocínio romântico afirmando que o camião de Nice foi conduzido por um terrorista ou por um louco (ela não tem a certeza se é terrorista ou louco), e que se trata de uma excepção, porque há muitos camiões que não são conduzidos por terroristas ou loucos; e por isso, não devemos generalizar o comportamento dos condutores de camiões e considerá-los todos terroristas ou loucos.

“A distopia é usar o excepcional e torná-lo na norma, usar a barbárie e concluir que nada podemos fazer a não ser fugir. Fugir para onde? e de quem?”

E — continua a Raquel Varela —, quem denuncia publicamente esses actos isolados e excepcionais dos poucos condutores loucos ou terroristas, está a usar a barbárie para criar o pânico social, ou seja, os verdadeiros terroristas são os que denunciam o terrorismo.

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Camaradas: precisamos de um terrorista

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:27 pm
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precisa-se-terrorista-webDica.

O Rui Ramos é um idiota chapado

 

A estupidez do Rui Ramos clama aos céus; faz a crítica da situação em que se encontra a Europa face à islamização, mas não apresenta soluções; o Rui Ramos encarna uma espécie de “Teoria Crítica” da Direita politicamente correcta: critica tudo e todos, mas não apresenta soluções.

Diz o Rui Ramos que “os terroristas abusam do Islão”; o seu discurso é muito parecido com o do Bloco de Esquerda. A filha-da-putice do Ramos é indizível — como se a acção dos terroristas não fosse recomendada pelo próprio Alcorão. Ele faz a crítica da situação a que chegamos, mas continua a dizer que “o Islão não é nada daquilo”.

O Rui Ramos não aguentaria um debate público de cinco minutos com gente consciente; ele vale-se da inconsciência do politicamente correcto, e sabe que a gente consciente é afastada sistematicamente dos me®dia. O Rui Ramos é um idiota perigoso.

Quinta-feira, 14 Julho 2016

A filha-da-putice puritana do PAN (Pessoas-Animais-Natureza)

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 12:22 pm
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Segundo o PAN (Pessoas-Animais-Natureza), a rainha de Inglaterra pertence à barbárie.

O PAN – Pessoas-Animais-Natureza apresentou um projeto de lei na Assembleia da República para proibir a circulação de veículos de tracção animal na via pública. O projecto de lei identifica como alvos da proposta as “carroças”, “charretes” e “carruagens”.

PAN quer proibir carroças e charretes na via pública

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Um dia destes, os animalistas irão proibir as rondas a cavalo da GNR.

gnr-cavalos

Caro leitor: torna-se impossível aturar esses filhos-de-puta que tratam as excepções como regras.

¿Há gente que maltrata os animais? Há, sempre haverá, como sempre houve. Os que os filhos-de-puta dos animalistas dizem é que as excepções constituem a regra; e, generalizando, entram em um puritanismo bacoco que pretende proibir, pelo simples prazer mórbido de proibir.

Thomas B. Macaulay escreveu o seguinte no século XIX (em relação a puritanismo dos Quacres) : “os puritanos detestavam os combates de ursos, não porque esses jogos causassem sofrimento aos ursos, mas porque davam prazer aos espectadores”.

Quando os filhos-de-puta dos animalistas generalizam os maus tratos dos animais, não pretendem defender os animais, mas antes pretendem retirar o prazer humano da lide com os animais. É neste contexto que os filhos-de-puta dos animalistas pretendem proibir o voo da águia Vitória no estádio da Luz: os filhos-de-puta dos animalistas pretendem retirar aos adeptos do Benfica o prazer de ver a águia a voar no seu estádio.

Sábado, 2 Julho 2016

O Anselmo Borges e a privatização da religião

 

A privatização da religião — a remessa do culto religioso para os lares privados — é uma característica do protestantismo, em contraponto ao catolicismo tradicional. O catolicismo sempre celebrou a religião em locais públicos e em comunidade alargada.

Os primeiros cristãos celebravam a Eucaristia em casas particulares, com todos à volta da mesma mesa; ali, pela primeira vez na história, escravos e senhores sentaram-se uns ao lado dos outros. De acordo com o Novo Testamento, "nem sequer era o presbítero que presidia à celebração, embora pouco a pouco se tenha imposto que o presidente da Eucaristia fosse aquele que presidia à comunidade, talvez para aprender que devia exercer a autoridade não impositivamente, mas igualitariamente, e procurando o máximo de comunhão possível".

Quando os cristãos se tornaram multidão, foram necessários locais amplos, o latim deixou de ser entendido pelo povo, os assistentes já não participavam, com o celebrante de costas e à distância e as pessoas a fazerem "outra coisa" (rezar o terço…) enquanto "estão na Missa", atentos ao momento da "consagração" e, depois, alguns vão receber a hóstia. Tudo se centrou no culto da hóstia, "totalmente separado do gesto do partir, partilhar o pão". Da refeição passou-se a um acto de culto, com uma deturpação fundamental da Eucaristia: "Separar completamente a matéria (pão e vinho) do gesto (partilhá-los)", quando "partir o pão significa compartilhar a necessidade humana (da qual o pão é símbolo primário) e passar a taça é comunicar a alegria, da qual o vinho é outro símbolo humano ancestral". O corpo e o sangue são a pessoa e a vida de Jesus vivo.”

Anselmo Borges

1/ Convém dizer o seguinte: os historiadores (Boak, Russell, MacMullen, Wilken) apontam para uma população total de cerca de 60 milhões de pessoas em toda a área do império romano, após a crucificação de Jesus Cristo. O Cristianismo, então nascente, é considerado um fenómeno sociológico, que passou de 1.000 seguidores (no total) no ano 40 d.C., para 7.500 no ano 100 d.C., 218.000 no ano 200 d.C., e seis milhões no ano 300 d.C..

Quando as comunidades cristãs atingiram as muitas centenas de milhares de pessoas, o comunitarismo de que fala o Anselmo Borges deixou de ser possível, em termos práticos, nas diversas comunidades cristãs no império romano.

Ou seja, o comunitarismo cristão do “tudo em comum”, segundo o Anselmo Borges, só foi praticamente possível enquanto a população cristã total, e em todo o império romano, era apenas de alguns milhares — no século I da nossa Era.

Comparar as comunidades dos cristãos do século I, por um lado, com a realidade do século III, por outro lado e por exemplo, ou com a realidade actual — como faz o Anselmo Borges —, é um sofisma; e só se compreende esse sofisma do Anselmo Borges por má fé, porque se trata de um professor universitário. Por um lado, parece que o Anselmo Borges defende a remessa do culto cristão para as casas particulares; e por outro lado, o Anselmo Borges não tem em conta o aspecto místico da Eucaristia e só valoriza o aspecto político da repartição do pão e do vinho: para o Anselmo Borges, a Eucaristia é um rito estritamente político.

2/ O Anselmo Borges critica o “culto da hóstia” — como se pudesse existir religião propriamente dita sem culto. “Culto” vem de “cultura”. Sem cultura não há religião nem civilização. Encarar o “culto da hóstia” como coisa negativa é detractar a religião cristã — para além de retirar da Eucaristia o seu aspecto místico.

3/ Na Idade Média, antes da Reforma e da Contra-Reforma que tornaram o Cristianismo mundano, a comunhão eucarística nas paróquias efectuava-se na Páscoa, no Natal e no Pentecostes — emulando, aliás, Jesus Cristo que celebrou a Eucaristia uma só vez e na Páscoa. Muitas paróquias só comungavam na Páscoa; e a comunhão precisava de ser preparada com antecedência, pelo jejum, pela abstinência, e pela confissão (e a confissão era pública: o confessionário só surgiu no século XVI). E a comunhão eucarística terminava com a festa na paróquia.

A festa que se seguia à Eucaristia comunitária da Páscoa, nas paróquias, era muitas vezes realizada na própria nave da igreja (não existia outro espaço comunitário acolhedor), com um jantar comunitário de cordeiro Pascal ou coisa parecida.

Com o puritanismo protestante, e a imitação da Igreja Católica (da Contra-Reforma) em relação ao protestantismo, levou a que um acto ritual (a Eucaristia colectiva) que se realizava poucas vezes por ano, passou a realizar-se todos os Domingos, retirando-lhe a índole excepcional que tinha nos séculos anteriores.

4/ A ideia do Anselmo Borges segundo a qual a missa medieval só se realizava em latim, é falsa.

No fim da comunhão do sacerdote, a missa medieval continuava com orações em língua indígena — aquilo a que os ingleses chamavam de “bedes” e os franceses de “prone” —, orações ditas na própria língua em intenção da comunidade, familiares, amigos e inimigos, pelos vivos e pelos mortos. Portanto, é falso que a missa medieval fosse toda ela rezada em latim.

A Europa maçónica está em crise

Filed under: Europa — O. Braga @ 10:31 am
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O jornal Púbico publicou um editorial em que a repetição das eleições na Áustria (devido a fraude eleitoral) é diabolizada. Para o politicamente correcto, a democracia é boa quando ganha a Esquerda; e “populismo” é a palavra usada pela Esquerda (e pela Não-Esquerda) quando a democracia assusta. Tudo se justifica se a Esquerda (ou a Não-Esquerda, que é a “direita” direitinha obediente à Esquerda) ganha as eleições: a fraude eleitoral é boa desde que o politicamente correcto saia vencedor.

Acontece na Europa um fenómeno interessante: no sul, é a Esquerda radical que é crítica da União Europeia; e no norte, é a chamada “extrema-direita” que critica a União Europeia. Por outro lado, existe uma discrepância entre os partidos da “extrema-direita europeus”: em França e na Holanda, a “extrema-direita” apoia Putin; na Polónia e na Hungria, a “extrema-direita” apoia a NATO e os Estados Unidos (não apoiam Obama: apoiam os Estados Unidos). ue-esq-dir



Temos que denunciar o epíteto de “extrema-direita”.

Se o politicamente correcto radicaliza à esquerda, até o Partido Social Democrata corre o risco de ser incluído na extrema-direita. Qualquer dia, até o Partido Socialista é de extrema-direita. Se a democracia não é possível sem o Estado-Nação, então segue-se que a abolição de fronteiras, que os burocratas maçónicos da União Europeia defendem, é antidemocrática. À medida que a Esquerda radicaliza, o centro político passa a ser “extremista”. Por este andar, qualquer dia o António Costa é da extrema-direita. Ou seja, se existe extremismo político, é o do politicamente correcto a que o jornal Púbico obedece caninamente.

A União Europeia só tem uma saída: adoptar a visão de Charles de Gaulle acerca da Europa, em que este recusava o supra-nacionalismo e tentou sempre reduzir os poderes da burocracia em Bruxelas. De Gaulle defendia uma confederação, e não uma federação como defendem os actuais europeístas. E quando, no Tratado de Nice, a maçonaria fez questão de retirar a matriz cultural cristã do ideário de construção europeia, deu uma machadada decisiva na utopia europeísta.

Segunda-feira, 27 Junho 2016

O politicamente correcto diz que a moral católica reprime a sexualidade

 

O jornal Púbico publica um artigo da autoria da jornalista Ana Cristina Pereira, com o título “A prostituição diz muito sobre a sociedade”, que aborda o episódio das “Mães de Bragança”.

O artigo é uma crítica cultural ao homem/marido [de Bragança, neste caso — mas extensível ao marido em geral], e uma tentativa de vitimização da esposa, por um lado, e por outro lado incute a ideia da prostituta como uma espécie de “instrumento de revolução cultural”. E o corolário dessa revolução cultural está expresso no fim do texto, no seguinte trecho:

«Algumas mulheres [de Bragança] “começaram a deixar esturricar a comida, a tolerar os buracos nas meias dos maridos, a desleixar-se nas tarefas domésticas”, garante o sociólogo. Arranjaram tempo para frequentar salões de beleza, cuidar mais da sua imagem. E “a estabilidade matrimonial começou a ceder à influência de novas correntes socioculturais, propensas à valorização dos enlaces efectivos eróticos e não apenas à dos vínculos patrimoniais”.»

Naturalmente que uma “revolução” pressupõe, no pensamento mitológico da nossa actual cultura, uma melhoria e um progresso [entendido como “lei da Natureza”] em relação a condições anteriormente existentes. Mas o mais espantoso, no artigo, é a utilização sistemática da falácia da generalização: qualquer caso particular é generalizado em nome da “ciência social” de um tal José Machado Pais.
O corolário da tese ideológica do texto é a necessidade de precarização dos laços do casamento em nome da libertação da mulher; e, por outro lado, “quando um homem casado vai ao bar de alterne é sinal de quebra de estabilidade conjugal, diz o investigador”. E, a ida do homem [em geral, o que constitui uma falácia da generalização] ao bordel significa [segundo o artigo] “um afrouxar da ordem moralista ou repressiva” — e aqui está, na berlinda, a moral católica.

Ou seja, segundo o artigo, a existência de prostitutas até é uma coisa boa conquanto vá contra “a moral católica sexualmente repressiva”.


prostit-imNo século XV, e nas cidades da Europa, o bordel contribuía para a manutenção da paz social, e neste sentido, era uma “instituição católica”. Em meados do século XVI, o papado, para responder às críticas protestantes [Reforma], sentiu-se forçado a emitir uma defesa deste tipo [“o bordel contribui para a manutenção da paz social”] para justificar a existência dos “banhos públicos” em Roma. Ou seja, ao contrário do que dizem implicitamente a “jornalista” e o “sociólogo”, a moral católica não reprimia a prostituição [na Idade Média]; e a atitude tolerante de Salazar em relação à prostituição reflecte essa tradição católica medieval — que depois foi contrariada pela Contra-Reforma que, no fundo, imitou a Reforma.

A repressão [política] da prostituição iniciou-se com a Reforma protestante; e, de certo modo, essa “repressão sexual” foi imitada pela Contra-Reforma católica através da influência dos jesuítas na Igreja Católica. Em geral — e não só em relação às prostitutas —, antes da Reforma, as relações sexuais aconteciam frequentemente antes da actual “idade adulta” [21 anos]. A Igreja Católica medieval instituiu a figura cultural do padrinho de baptismo, que impedia que um homem mais velho pudesse ter relações sexuais com uma jovem afilhada com quem tinha um “relacionamento espiritual”; e era vulgar [na Idade Média] que uma menina pudesse ter vários padrinhos de baptismo: só depois da Reforma e da Contra-Reforma, o padrinho de baptismo passou a ser um só, e a sua figura foi desvalorizada pelo protestantismo.

Em consequência da repressão da prostituição, a partir do século XVII, (e da repressão sexual em geral), os casamentos passaram a realizar-se mais tarde na vida das pessoas, por um lado, e por outro lado, a idade dos nubentes passou a ser semelhante.


Não estou aqui a defender a prostituição; o que eu quero dizer é que é falso que a Igreja Católica tenha sempre reprimido a prostituição — porque os católicos medievais já tinham compreendido, mesmo sem dados científicos objectivos, que a mulher produz 400 óvulos durante toda a sua vida, ao passo que o homem produz biliões de espermatozóides. É a p*ta da realidade!

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