perspectivas

Segunda-feira, 2 Março 2015

A eficácia política da ministra da justiça Paula Cruz

 

Assim como o sistema político democrático privatiza os lucros da Banca e socializa os seus prejuízos, assim privatiza os comportamentos individuais e socializa as suas consequências.

Em nome da “autonomia individual” vão-se legitimando aberrações comportamentais que se impregnam na cultura antropológica através do Direito Positivo, e cujas consequências terão que ser socializadas.

paula-teixeira-da-cruzPor exemplo, a ministra da justiça do Partido Social Democrata defendeu (em discurso directo nos me®dia) a legalização do comércio e consumo de drogas — em absoluta sintonia com o Bloco de Esquerda, diga-se. Por isso é que já não faz grande sentido falar em Esquerda e Direita, mas antes em um “sistema político”, em que gente com um arquétipo mental semelhante, apenas luta pelos privilégios do Poder.

Reduz-se quase tudo a uma questão de Poder. Ou, como escreveu Nicolás Gómez Dávila, “o político democrático nunca diz aquilo em que acredita, mas antes diz aquilo que julga ser eficaz”.

A eficácia do político democrático é sempre a de socializar as consequências dos comportamentos individuais aberrantes tornados legítimos através do Direito  — por exemplo, a transformação da sodomia em casamento: quando os índices de propagação da SIDA (e de outras “doenças anais”) continuam a aumentar, legaliza-se o “casamento” sodomita ao mesmo tempo que se socializa as suas consequências através da sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde.

Sexta-feira, 27 Fevereiro 2015

As três ameaças ao Estado de Direito democrático ocidental

Em relação a este comentário, convém dizer sucintamente o seguinte:

1/ o liberalismo político da Europa não está — nem nunca estará — preparado para lidar com a Jihad islâmica; perante a ameaça islâmica, o liberalismo político europeu terá que se anular, pelo menos provisoriamente.

2/ para além da Jihad islâmica, que é uma ameaça externa ao liberalismo político ocidental, existem de facto duas ameaças internas, sendo que ambas têm como ponto comum a erradicação (eliminação) dos factores metajurídicos subjacentes aos princípios do Estado de Direito tal como concebido pelo positivismo de Kelsen. Esses factores metajurídicos (que também existiam na democracia da Grécia antiga, com a religião de Atenas) são a religião cristã que enforma a cultura antropológica ocidental, por um lado, e por outro  lado a Tradição sem a qual não é possível a democracia ocidental.

Os factores metajurídicos são aqueles que estão “antes” (são a condição) do Direito Positivo e da Constituição que fundamenta o formalismo do Direito Positivo em um Estado de Direito democrático ocidental.

Por detrás de uma Constituição de um Estado de Direito democrático ocidental está toda uma História, uma tradição e uma cultura antropológica fundada nos princípios éticos e ontológicos historicamente influenciados pelo Cristianismo. Sem esses factores metajurídicos, o formalismo do Direito Positivo pode tornar legal qualquer forma de regime político que não respeite a ética herdada do Cristianismo.

3/ Vamos ver, a título de exemplo, o fenómeno do Confucionismo na China.

“Não murmuro contra Deus e não me encolerizo com os seres humanos. Investigo aqui em baixo, mas aponto para o alto. É Deus quem me conhece”. — Confúcio

O Confucionismo tinha uma concepção ética secular (secularismo), baseada não na transcendência divina ou na religião, mas antes baseada em leis e regras sociais e políticas (as quatro virtudes: Hsiao, Jen, Li, Yi). Ou seja, o Confucionismo era uma religião política (uma doutrina de Estado). Porém, o Confucionismo tinha uma “regra de ouro” invocada, mais ou menos na mesma altura por Sócrates e, mais tarde, no Sermão da Montanha por Jesus Cristo (Mateus 7,12): “Não faças aos outros o o que não queres que te façam a ti”.

Por outro  lado, embora o Confucionismo não tivesse oficialmente em consideração a religião propriamente dita, tinha, não obstante, factores metajurídicos “invisíveis” (a Tradição) que se baseavam em elementos da religião imperial chinesa (anterior ao Confucionismo e ao Taoísmo). Sem o legado cultural e histórico da religião imperial chinesa, o Confucionismo não faria qualquer sentido nem poderia ter-se imposto na China.

São os elementos metajurídicos que dão sentido ao formalismo processual do Direito Positivo na democracia ocidental.

4/ as duas ameaças internas ao liberalismo político são o neoliberalismo que transporta consigo o Marginalismo radical e o social-darwinismo para dentro da ética, desprezando os elementos metajurídicos do Estado de Direito democrático ocidental, por um lado; e por outro  lado, o marxismo cultural que tenta mesmo erradicar e eliminar esses factores metajurídicos, transformando o Direito em um código arbitrário à mercê de uma elite gnóstica moderna.

Quinta-feira, 26 Fevereiro 2015

«Não existe um modelo único de família» — diz a deputada comunista Rita Rato

 

O que a deputada comunista diz, é verdade. Mas o que não pode haver é vários modelos de família em uma mesma sociedade. Por exemplo, em uma sociedade islâmica, a poligenia é o modelo oficial e cultural de família sancionada pelo Estado islâmico. Podem existir, nas sociedades islâmicas, casamentos monogâmicos, mas a monogamia é entendida pela doutrina estatal islâmica como a condição da poligenia (um primeiro estádio da poligenia).

evolução gay

O que a deputada do Partido Comunista tem que decidir é qual o modelo de família que o seu (dela) partido defende para a sociedade portuguesa. Engels abordou o problema da família e da propriedade privada, mas estava longe de supôr que, algum dia, um Partido Comunista defendesse o “casamento” gay. Álvaro Cunhal, o histórico dirigente do Partido Comunista, afirmou em uma entrevista na RTP conduzida por Carlos Cruz na década de 1990, que “a homossexualidade é uma coisa muito triste!” (sic).

Portanto, segundo o marxismo, o que estava em causa era o modelo da chamada “família patriarcal”, mas nunca passou pela cabeça de Karl Marx ou de Engels adoptar o “casamento” gay e a adopção de crianças por pares de invertidos. Pelo contrário: Engels criticou duramente o comportamento homossexual!, cuja causa atribuiu à desordem da sociedade causada pela “família patriarcal”. Nunca Engels ou Marx defenderam ou validaram a homossexualidade como comportamento normal ou normalizável.

Se querem discutir e colocar em causa o conceito de  “família patriarcal”, é uma coisa; se querem dizer que é possível coexistirem, em uma sociedade, vários modelos de família (por exemplo, a poligenia, a poliandria, a poliamoria, o “casamento” gay, etc.), é outra coisa que raia o absurdo.

Podemos deduzir que o ataque da Esquerda à “família patriarcal” justifica a defesa da proliferação de modelos de família na sociedade portuguesa. Não se trata aqui de libertarismo, mas de uma política cultural e social de terra queimada. É uma política de “roleta russa”: não se sabe bem no que dará essa política no futuro, mas confia-se que a bala não será disparada imediatamente quando se percutir o gatilho. Mas nunca se sabe o futuro!

A política de Esquerda em relação à  família resume-se a este conceito: “mais vale destruir tudo, do que termos o que temos neste momento; e depois de tudo destruído, logo se verá o que havemos de fazer”.

Terça-feira, 24 Fevereiro 2015

Quando for a Lisboa, vou fazer a barba ao Figaro’s Barbershop, e levo a minha cadela

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 6:11 pm
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A inclusão (social) pode ser uma forma de exclusão na medida em que exclui a diferença qualitativa. Quando dois seres humanos diferem qualitativamente, pela sua essência ou natureza — um homem é diferente de uma mulher —, o fanatismo politicamente correcto da “inclusão”  exclui a diferença.

Figaro’s Barbershop

Por outro  lado, a “inclusão” feminista não inclui as mulheres, na medida em que reivindica direitos especiais  para elas (por exemplo, em Portugal, a mulher tem o direito de matar um filho recém-nascido sem levar pena de prisão).

Ou seja, o argumento feminista da “inclusão” auto-exclui positivamente a mulher; é um argumento exclusivo, e não inclusivo; é exclusivo no sentido dos privilégios que reivindica para a mulher, e não propriamente em matéria de direitos que nega ao homem (e aos cães).

Se abrisse (em Lisboa) um cabeleireiro só para mulheres e para gatos, eu não faria disso motivo para invadir o estabelecimento comercial. Até acharia original. Mas a exclusão inclusiva feminina não tolera qualquer exclusão que não seja a feminista.

Domingo, 22 Fevereiro 2015

Resquícios do Neanderthal em Portugal

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 7:28 pm
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Sábado, 21 Fevereiro 2015

O Vasco Pulido Valente e o século XIX

 

vpvO Vasco Pulido Valente faz aqui uma comparação entre Portugal e a Grécia; mas compara Portugal e a Grécia no século XIX. E depois extrapola os factos dessa comparação para o século XXI. Mas em nenhum momento fala realmente do século XXI: por exemplo, não diz se a Grécia deveria ou não ter entrado no Euro; a actualidade é escamoteada.

Na década de 1990, antes de entrar no Euro, Portugal estava a crescer mais de 2% ao ano, e em 2000 (ano da entrada de Portugal no Euro) a dívida pública portuguesa era de 50% do PIB. Hoje, quinze anos volvidos no Euro, a dívida pública portuguesa ultrapassa já os 130% do PIB. Em 2011, quando entrou a Troika, a dívida pública já era de 90% do PIB…

¿Ninguém vê aqui um nexo causal?! ¿Será preciso fazer um desenho?

Pelo menos desde 1974, o maior problema da nossa economia foi a balança comercial (a diferença entre o que se exporta e o que se importa).

Antes da entrada no Euro e antes de Schengen, as alfândegas faziam o crivo das importações através de taxas aduaneiras; depois do Euro, acabaram as alfândegas para a União Europeia, e foi o descalabro: o país passou a endividar-se à  fartazana quando importava, em roda livre, de países da União Europeia.

Passos Coelho resolveu o problema, a partir de 2011, com um aumento brutal de impostos que é prejudicial para as empresas portuguesas (não vendem tanto no mercado português), empresas estas  que não podem fazer mais nada senão baixar salários para poder concorrer, no mercado de exportação, também com países do terceiro mundo.

O Euro acabou por destruir parcialmente o mercado interno (consumo interno de produtos fabricados em Portugal). É disto que as elites bem instaladas em Lisboa não dizem. Preferem falar do século XIX.

Rui Moreira em grande

Filed under: Portugal — O. Braga @ 12:28 pm
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“O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, quer entregar uma medalha municipal de Mérito, Grau Ouro, a Sindika Dokolo, coleccionador de arte e marido de Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. A proposta está agendada para a reunião do executivo da próxima segunda-feira e precisa de receber parecer favorável da Assembleia Municipal, para ser validada.”

Medalha de Ouro do Porto para marido de Isabel dos Santos

Cada vez mais o Porto se distancia de Lisboa de António Costa. Dizem que a História não se repete, mas parece que temos uma reedição nacional do fim da década de 1970.

Sexta-feira, 20 Fevereiro 2015

O Rui Tavares diz que os gregos são meus concidadãos

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 2:04 pm
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«O Livre/Tempo de Avançar decidiu expressar o seu apoio às posições anti-austeridade do Governo grego. Numa carta, dirigida aos “concidadãos gregos”, que vai ser entregue esta sexta-feira de manhã na embaixada helénica em Lisboa, e publicada em dois jornais de Atenas, o Efimerida e o diário do Syriza, o novo movimento político português assegura que “vêm reforços a caminho”.»

“Gregos: aguentem firmes que vêm reforços a caminho”

¿ O que é um “concidadão”? Vamos ao dicionário:

Concidadão é um indivíduo que, em relação a outro ou outros, é da mesma cidade ou do mesmo país; patrício.

¿Desde quando um grego é meu concidadão?! O que é que se passa com esta gente?! Mesmo que fosse possível uma graduação na concidadania, seria mais meu concidadão um brasileiro ou um angolano do que um grego.

Que o Rui Tavares é um doente mental, é uma evidência: basta olhar para ele. Mas que os doentes mentais passem a ter acesso aos jornais, dá já a sensação de um país que pretende ser governado a partir de dentro de um manicómio.

rui tavares web

O fim da tragédia republicana

Filed under: Portugal — O. Braga @ 12:02 pm

 

Depois da procelosa tempestade,
Nocturna sombra e sibilante vento,
Traz a manhã serena claridade,
Esperança de porto e salvamento;
Aparta o Sol a negra escuridade,
Removendo o temor ao pensamento:
Assi no Reino forte aconteceu
Despois que o Rei Fernando faleceu.

Luiz Vaz de Camões, Os Lusíadas, Canto IV

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Sexta-feira, 13 Fevereiro 2015

Se é verdade que Putin é um autocrata, também é verdade que Obama é um palhaço

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 3:55 pm

 

Em Portugal, qualquer bicho careta que tira um curso de História passa a ser “historiador” — assim como Carvalho da Silva tirou um cursinho Ad Hoc de sociologia e já é “sociólogo”. O rei vai nu. E depois há os que citam religiosamente o “historiador” :

Putin é um autocrata que, tal como Tsipras, junta os aplausos da direita nacionalista e da esquerda radical. O que é que Tsipras vai fazer na Grécia? Ninguém sabe. Propõe-se debelar a “corrupção” e a “evasão fiscal”. Pode ser um princípio de saneamento, mas na Rússia de Putin tem sido um pretexto para perseguir adversários políticos. Talvez a zona Euro possa incluir um pequeno país desregrado; mas poderá a UE albergar uma mini-Venezuela aliada a Putin?”

Sinceramente, entre ter um presidente autocrata ou um presidente palhaço, venha o diabo e escolha.

obamaclown

Mas esta gentinha histriónica não vê o palhaço: só vê autocrata. O estatuto e o prestigio da presidência dos Estados Unidos anda pelas ruas da amargura — mas eles só vêem o autocrata. E não vêem o palhaço porque se identificam com a palhaçada.

Se esta gente se diz de Direita, ainda é mais nefasta do que a Esquerda, porque enquanto a Esquerda é maniqueísta  (“quem não é por nós, é contra nós”), esta “direita” é exclusivista (“somos a única opção válida”). Tudo farinha do mesmo saco.

A igualdade socialista na lapidação de seres humanos

Filed under: Europa,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 12:12 pm
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A ministra austríaca e socialista da Igualdade, Gabriele Heinisch-Hosek, defende a ideia segundo a qual  deve haver igualdade na lapidação de homens e mulheres no mundo islâmico.

De facto é verdade que, no mundo islâmico, as mulheres são lapidadas enterradas até aos ombros, ao passo que os homens são lapidados enterrados até à  cintura. E conclui a ministra socialista que se trata de uma discriminação das mulheres em relação aos homens:

“Schließlich weist auch die Durchführung der Steinigung selbst eindeutig Nachteile für Frauen auf, weil Männer nur bis zur Hüfte, Frauen hingegen bis zu den Schultern ein-gegraben werden. Dies ist bedeutend, weil imFalle des »Sich-Befreiens« der (oder des) Verurteilten eine Begnadigung durchgesetzt werden kann. Dies ist bei Männern somit weitaus wahrscheinlicher.”

Conclui-se do texto da ministra socialista que, para haver igualdade, homens e mulheres deveriam se lapidados (apedrejados) da mesma maneira. Só pode haver igualdade socialista se a merda existencial é igual para todos.

H/T

Quarta-feira, 4 Fevereiro 2015

Os erros da “não-esquerda” continuam

 

O Bispo de Braga diz que os portugueses têm mais coisas importantes em que pensar em vez de estarem preocupados com a adopção de crianças por pares de invertidos. Ou seja, para o Bispo de Braga é uma questão de prioridade, e não de legitimidade, a discussão da adopção de crianças por pares de invertidos. Este erro já foi cometido  várias vezes pelos “conservadores” e a Esquerda radical ganhou sempre.

Não é uma questão de a adopção de crianças por pares de invertidos ser mais prioritária ou menos prioritária: a questão é que a adopção de crianças por pares de invertidos, para além de ir contra o interesse da criança, é um aberração cultural, mina os fundamentos culturais da família natural — e, por isso, mina o futuro da nossa sociedade —, serve apenas os interesses políticos dos adultos homossexuais, não é um direito natural gay mas antes é um privilégio, pretende tornar igual aquilo que não é nem nunca será igual, atenta contra o princípio de igualdade natural exarado na Constituição, e portanto nem sequer deve ser colocada a questão da adopção de crianças por pares de invertidos. Está fora de questão e ponto final. Por princípio não vamos discutir o absurdo.

Por outro  lado, D. Duarte Pio diz que o referendo sobre a adopção de crianças por pares de invertidos não deve existir e que o assunto deve ser entregue aos “técnicos”. Ora, D. Duarte Pio deve saber que os “técnicos” são maioritariamente da Esquerda radical — a começar pelo Júlio Machado Vaz. Ou seja, D. Duarte Pio parece concordar com a ideia de que se os “técnicos” decidirem — como decidirão certamente — que uma criança deve ser adoptada por dois gays, então a adopção é acertada. Não é preciso referendo.

A questão é a seguinte: ¿é absurdo referendar o absurdo?

Em princípio, é absurdo referendar o absurdo. Não faz sentido um referendo, por exemplo, em que o povo se pronuncie acerca dos direitos dos extraterrestres. Mas se houver uma elite política constituída maioritariamente por psicóticos que acredita que os extraterrestres têm direitos, então não devemos entregar aos “técnicos” controlados por essa elite a decisão sobre os putativos direitos dos extraterrestres. Neste caso impõe-se um referendo, como um mal menor — porque de outra forma, essa elite política psicótica imporia a toda a sociedade uma estimulação contraditória e o povo entraria paulatinamente em dissonância cognitiva.

Tanto o Bispo de Braga como D. Duarte Pio assumem posições politicamente correctas. É lamentável. É assim que o radicalismo psicótico de Esquerda vai ganhando terreno.

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