perspectivas

Quinta-feira, 14 Abril 2016

A Esquerda e a espiral do silêncio

 

A Helena Matos chama aqui a atenção para a actual distorção da democracia:

“As barrigas de aluguer têm ido no tropel das chamadas causas fracturantes relacionadas com os direitos dos homossexuais. E a partir do momento em que tal acontece não se discute mais nada porque se fica logo sob o espectro de se ser considerado reaccionário, atrasado e tudo o mais que as pessoas bonitas, com muitos likes, não são. O resultado dessa anomia da sociedade perante essa milícia dita progressista é que os assuntos já nem se discutem. É fatal como o destino que se o BE e a ala jacobina do PS colocam um assunto na agenda ele vai inundar os noticiários. Caso contrário não há assunto”.

Ainda vamos a tempo

O termo “espiral do silêncio” foi cunhado pela filósofa política alemã Elisabeth Noelle-Neumann para explicar a razão pela qual as pessoas tendem a permanecer silenciosas quando têm a sensação — muitas vezes falsa! — de que as suas opiniões e mundividências estão em minoria. O modelo do conceito de "espiral do silêncio" baseia-se em três premissas:

  • As pessoas têm uma intuição ou um sexto-sentido que lhes permite saber qual a tendência da opinião pública, mesmo sem ter acesso a sondagens;
  • As pessoas têm medo de serem isoladas socialmente ou ostracizadas, e sabem qual o tipo de comportamento que poderá contribuir para esse isolamento social;
  • As pessoas apresentam reticências ou até medo em expressar as suas opiniões minoritárias, por terem receio de sofrer o isolamento da sociedade ou do círculo social próximo.

shut-upQuanto mais uma pessoa acredita que a sua opinião sobre um determinado assunto está mais próxima da opinião pública julgada maioritária, maior probabilidade existe que essa pessoa expresse a sua opinião em público. Então, e se a opinião pública entretanto mudar, essa pessoa reconhecerá que a sua opinião não coincide já com a opinião da maioria, e por isso terá menos vontade de a expressar publicamente. E à medida em que a distância entre a opinião dessa pessoa e a opinião pública aumenta, aumenta a probabilidade de essa pessoa se calar e de se auto-censurar.

Os meios de comunicação social são um factor essencial de estabelecimento da “espiral do silêncio”, na medida em que formatam a opinião pública. Perante uma opinião pública formatada, as pessoas que não concordam com a mundividência politicamente correcta, emanada da comunicação social, entram em “espiral do silêncio” — muitas vezes constituindo uma “maioria silenciosa”. Mas neste momento acontece um fenómeno especial: os próprios meios de comunicação social e os jornalistas são vítimas da espiral do silêncio.

Aconteceu uma situação semelhante à actual nas famosas manifestações da “maioria silenciosa” em Lisboa e no Porto, durante o PREC [Processo Revolucionário em Curso]. O activismo político de uma pequeníssima minoria de radicais comunistas e jacobinos era de tal modo eficaz — em termos dos me®dia — que a esmagadora maioria do povo entrou em espiral de silêncio, e foi preciso que a sociedade civil se organizasse para que as pessoas do povo se sentissem desinibidas e a manifestarem publicamente a sua discordância em relação aos radicais de Esquerda.

Domingo, 17 Novembro 2013

O jornal Público diz que “os leitores deixaram-nos ficar mal”

 

Se há jornal que pratica sistematicamente a pseudo-informação é o jornal Público; e depois vem aqui queixar-se dos putativos ataques ad Hominem dos leitores nos comentários “on line”.

A crítica ao ad Hominem  por intermédio do Ignoratio Elenchi 

Para exemplificar o ataque ad Hominem nas caixas de comentários dos jornais, o jornal Público foi buscar o debate do século XIX entre o Bispo anglicano Wilberforce, por um lado, e o buldogue de Darwin, Thomas Huxley…! Mais uma vez, a pseudo-informação no seu melhor!, como se aquele debate fosse televisionado e pudesse ser comentado por qualquer pessoa. Ademais, o escriba do jornal Público serve-se de um putativo ataque ad Hominem para entrar pela falácia Ignoratio Elenchi  adentro, ao tentar por este meio legitimar, no sentido de dá-la como uma certeza, a teoria de Darwin.

O Quarto Poder e a espiral do silêncio 

media-spoonfeedingFace ao poder quase absoluto de formatação ideológica da opinião por parte dos me®dia, por um lado, e face ao fenómeno avassalador da espiral do silêncio que os me®dia provocam intencionalmente na sociedade, por outro lado, muitas vezes aquilo que o jornal Público classifica de ataque ad Hominem é apenas a utilização da ironia para reduzir ao absurdo uma determinada tese ideológica — “A ironia é a melhor das armas”, escreveu G. K. Chesterton. Um comentário irónico não tem que ser necessariamente um ataque ad Hominem, mas também não estamos à espera que um escriba do jornal Público reconheça esse facto.

Educação do povo = imposição da convergência de opinião

O jornal Público classifica os jornais de esquerda, como é o caso do The Guardian ou o NYT, como paradigmas do debate correcto. Ou seja, quando as opiniões apenas divergem em pequenos detalhes, o jornal Público conclui que o debate é civilizado. Se colocarmos um militante do Bloco de Esquerda a debater com um militante do Partido Comunista, iremos certamente assistir a um debate politicamente correcto. Ou seja, para o jornal Público, o debate deve ser politicamente correcto. E para que o debate seja politicamente correcto, conclui o escriba do jornal Público que o povo deve ser educado no sentido da eliminação das grandes divergências de opinião que reduzam qualquer hipótese de utilização da ironia do tipo da de Wilberforce em relação ao buldogue de Darwin. Enfim, para o jornal Público, educação do povo é sinónimo de opinião convergente.

Confrangedor

Os me®dia, em geral, e o jornal Público, em particular, são confrangedores. A opinião publicada, salvo raras excepções, faz-me “pele de galinha”. Por exemplo, a utilização de um debate do século XIX entre um darwinista e um Bispo anglicano — num tempo em que se supunha que a célula viva evoluiu a partir da lama composta de matéria inerte — para exemplificar o trolling actual nos comentários dos jornais, revela bem o nível medíocre dos jornalistas que temos. Confunde-se o reductio ad absurdum de Wilberforce com o ad Hominem de um insulto. Essa gente não faz a mínima ideia do que sabe e do que escreve, e no entanto são eles que formatam a opinião pública e impõem a espiral do silêncio. E depois admiram-se por serem insultados.

Domingo, 13 Outubro 2013

Os me®dia portugueses e a espiral do silêncio da coelhada insegura

 

que se lixe a troika 2

Ontem comprei o jornal “i” e qual foi o meu espanto quando li um artigo, da autoria de Tiago Mota Saraiva (¿por que é que os lisboetas assinam quase sempre com três nomes?!) acerca de uma Manif a realizar em Lisboa no dia 26 de Outubro próximo.

Manif ?! Mas como é que eu não sabia da Manif?! O Tiago Saraiva dá a explicação:

“Durante esta semana, alguns subscritores a manifestação deram uma conferência de imprensa, num local em que Passos Coelho discursava, anunciando os mais de 650 subscritores (da Manif). Os jornalistas estavam lá. Gravaram. Numa televisão passou como mais um protesto à passagem do primeiro-ministro. Noutros telejornais, a informação não passou.”

A informação não passou; e por isso é que eu não sabia de nada. São os me®dia a colaborar na espiral do silêncio imposta pelo PSD do Pernalonga acolitado pelo Partido Socialista do (in)Seguro. Naturalmente que eu não vou fazer 700 quilómetros para ir à Manif. Mas se vivesse perto de Lisboa, ia.

Domingo, 9 Dezembro 2012

É preciso ter cuidado com aquilo que lemos acerca de algumas celebridades

Leio aqui que uma “biografia” acerca de Alfred Hitchcock publicada por um tal Donald Spoto apresenta o cineasta recusando a religião no leito de morte. Porém, um Padre de seu nome Mark Henninger — na altura, 1980, um jovem Padre — assume publicamente ser testemunha ocular da falsidade da informação do tal Donald Spoto publicada no seu livro.
(more…)

Terça-feira, 23 Novembro 2010

A espiral do silêncio

«Vamos resumir, então, os pontos principais componentes que habilitam os efeitos da espiral do silêncio:

  • 1. Medo da rejeição pelos que o rodeiam;
  • 2. Monitorização dos comportamentos, de forma a observar quais são os aprovados e os reprovados socialmente, (em grupo);
  • 3. Há gestos e expressões que, sem fala, expressam a aprovação ou não de determinada ideia, comportamento;
  • 4. Tendência para não expressar a sua opinião publicamente quando há possibilidade de rejeição, objecções ou desdém;
  • 5. Quando se conclui que a opinião é aceita, a tendência é expressá-la com convicção;
  • 6. O falar livremente de determinado ponto de vista reforça ainda mais a ideia de isolamento, por parte daqueles que defendem a opinião contrária;
  • 7. Este processo apenas ocorre nas situações em que há uma questão moral forte – é a componente moral que dá poder à “opinião pública”;
  • 8. Só questões controversas podem activar a “Espiral do Silêncio”;
  • 9. Nem sempre o ponto de vista mais forte é o defendido pela maioria da população;há o medo de o admitir publicamente;
  • 10. A me®dia de massa pode influenciar, e muito, o processo da “Espiral do Silêncio”, quando numa questão moral tomam determinada posição e exercem influência no processo;
  • 11. As pessoas não se apercebem do medo dos outros e da questão do isolamento;
  • 12. A “Opinião Pública” é limitada no tempo e no espaço – a “Espiral do Silêncio” apenas se verifica durante um período de tempo limitado; este processo tende também a ser limitado pelas fronteiras geográficas e culturais;
  • 13.A “Opinião Pública” serve como instrumento de controle social, mas também de coesão social».

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Quarta-feira, 21 Julho 2010

O que é a “espiral do silêncio” ?

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 7:04 pm
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A espiral do silêncio nos me®dia


Gay e pedófilo

Esta é a capa do Jornal de Notícias de hoje. Vemos a notícia: « “Profeta” terá morto três jovens por ciúmes ». Ora, “profeta” tem uma conotação religiosa, e o Jornal de Notícias pretendeu fazer uma associação de ideias com uns vídeos que o assassino colocou no Youtube — em colaboração com uns miúdos que o sociopata gay e pedófilo andava a “comer” — que anunciavam o fim do mundo para o dia 8 de Agosto próximo.

O que Jornal de Notícias nunca colocaria na capa seria a seguinte parangona: “Gay terá morto três jovens por ciúmes” , porque uma capa destas contrariaria a estratégia política da espiral do silêncio.

Uma coisa semelhante aconteceu com as notícias sobre os recentes incidentes em Grenoble (França), em que dezenas de automóveis foram incendiados e lojas comerciais destruídas por jovens muçulmanos. Os me®dia portugueses não pronunciaram a palavra “muçulmano”, porque se o fizessem estariam a violar a regra de ouro da espiral do silêncio politicamente correcta.

Segunda-feira, 12 Abril 2010

Sobre a carta do cardeal Ratzinger ao bispo americano John S. Cummins

  1. Em meados da década de 80 do século que findou, um padre americano de seu nome Stephen Miller Kiesle solicitou ao bispo da sua (dele, do padre) diocese, que era então o bispo John S. Cummins, a dispensa do celibato — o celibato é uma característica do sacerdócio na igreja católica, como sabemos.
  2. As questões orgânicas relacionadas nomeadamente com o celibato dos sacerdotes católicos são tratadas pela Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), o que não acontece com os casos normais e vulgares de disciplina interna em cada diocese.
  3. A disciplina interna em cada diocese é da responsabilidade directa e única dos respectivos bispos.
  4. Em função do pedido de dispensa de celibato por parte do referido padre (ver ponto 1), o bispo respectivo (John S. Cummins) solicitou um parecer da CDF.
  5. A resposta do cardeal Ratzinger, que era à época o responsável pela CDF, — carta de resposta que veio mal traduzida do latim nos me®dia — referia-se, por isso, a um pedido de dispensa de celibato por parte do padre Kiesle, e é nesse contexto que a carta do então responsável pela CDF deveria ser lida pelos me®dia se não existisse uma intenção propositada de manchar a reputação do actual Papa.
  6. Um bispo tem toda a autoridade eclesiástica necessária para dispensar um padre do seu exercício se tiver provas ou evidências de que esse padre tem um comportamento contrário ou adverso ao que é recomendado pela ICAR. Isto significa que o bispo Cummins, segundo o direito canónico, não tinha necessidade de pedir a interferência do Vaticano — e muito menos da CDF — para poder actuar num caso de um padre pedófilo. Se o bispo Cummins sabia do caso do padre Kiesle e não actuou em conformidade com a sua liberdade para o fazer, a responsabilidade primeira é sempre do bispo e não da CDF que não tem, aliás, nenhuma autoridade neste tipo de casos disciplinares em concreto.
  7. Quando, na referida carta, o cardeal Ratzinger chama à atenção da necessidade de proteger o celibato no sacerdócio católico, não estava necessariamente a proteger um caso de pedofilia como alegam os me®dia — até porque não é a função do responsável pela CDF interferir com a autonomia dos bispos na gestão disciplinar das suas dioceses. Esta conclusão dos me®dia pode ter duas origens: ignorância sobre o funcionamento da ICAR e/ou intenção maliciosa.
  8. O então responsável pela CDF, cardeal Ratzinger, apenas se referiu à petição do padre Kiesle feita ao bispo Cummins em ser dispensado dos votos de celibato sacerdotal. Os me®dia intuíram daí que o cardeal Ratzinger estaria a proteger um caso de pedofilia que se veio a demonstrar mais tarde mesmo depois de o padre Kiesle ter sido dispensado do sacerdócio — o cidadão Stephen Miller Kiesle continuou a abusar de crianças depois de ter deixado de ser padre.

No esclarecimento exaustivo e detalhado deste caso, ler o que escreveu o Frei Joseph Fessio.

Aproveitando-se da ignorância da maioria da população sobre o funcionamento da ICAR, o marxismo cultural europeu pede que o Papa seja preso aquando da sua visita a Inglaterra em Setembro próximo.

Entretanto, os me®dia entram naquilo a que se chama a “espiral do silêncio”: publicam 100 notícias contra a reputação do Papa sem direito a contraditório, segundo a perspectiva nazi e de Goebbels de que “uma mentira repetida acaba por ser transformada em verdade”.

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