perspectivas

Quarta-feira, 30 Março 2016

O I.M.T. (Instituto da Mobilidade e dos Transportes, IP) deve ser privatizado

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 3:42 pm
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Deixei caducar a carta de condução e tive que fazer um exame de condução; para este efeito foi necessário um atestado médico. Não vou discutir a lei em vigor, que me parece um saque ao contribuinte.

Estar à espera de ser atendido no I.M.T (no Porto) é um dia inteiro. Muita gente vai lá da parte de manhã, retira a senha, e volta depois do almoço. A lista-de-espera acumula. De repente, antes das 16 horas (que é a hora de fecho dos serviços), é um “ver se te avias”: os funcionários acordam. Em meia hora atendem a lista inteira que durou o dia a acumular.

Quem espera, desespera. Pergunto a um dos desesperados: “¿Ninguém reclama?”. “¿Para quê?” — responde-me — “Só cá volto daqui a cinco anos…!”. É a lógica do “deixa andar, porque o povo é quem mais ordenha” …

Se o Estado facultasse a base-de-dados necessária, poderia conceder a uma empresa privada (mediante concurso público) a gestão de alguns serviços do I.M.T. (Instituto da Mobilidade e dos Transportes) — como acontece lá fora, por exemplo, no Canadá.

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Segunda-feira, 22 Fevereiro 2016

A Isabel Moreira e a preocupação com o Estado

 

foi cesarianaA Isabel Moreira sabe bem que a lei é a melhor forma de exercer a tirania; e a tirania é o poder de uma minoria sobre a maioria. Por isso é que ela se preocupa tanto com a lei e com o Estado que a impõe.

Ela sabe que a “celebração” que ela invoca é minoritária, e por isso é que a adopção de crianças por pares de invertidos não foi referendada. E retira deste facto a necessidade de o Estado impôr coercivamente a toda a sociedade — sobretudo aos “prevaricadores”, que são maioritários — ou o silêncio dos medrosos ou a anuência dos emasculados.

O texto da Isabel Moreira é um manifesto totalitário, embora em nome da “igualdade”; ou seja, é uma contradição em termos. “O esquerdista modifica as definições, para nos persuadir que transformou as coisas.” — Nicolás Gómez Dávila

E é em nome dessa “igualdade” auto-contraditória que ela compara a raça e a dita “orientação sexual”: ou seja, segundo ela, um negro existe na mesma condição de um gay — negros que são casados, têm família natural e filhos, são comparados com pessoas que optam por um estilo de vida sexualmente promíscuo e niilista.

A Isabel Moreira insulta os negros com a mesma desfaçatez com que pretende impôr à maioria a ideia de que a igualdade é sinónimo de medo imposto pela força bruta do Estado; ela  modifica as noções do senso-comum para nos persuadir (à maioria) que as coisas são transformadas.

A sociedade que a geringonça do António Costa nos quer impôr

Filed under: Europa — O. Braga @ 10:55 am
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Um grupo de pessoas fez uma experiência na Suécia (ver vídeo): uma mulher simulava que estava a ser violada dentro de um automóvel; 85% das pessoas que passavam não acudiram à vítima de violação e nem chamaram a polícia, e as 15% que quiseram intervir deixaram que o violador escapasse com a vítima dentro do carro.

A Suécia é o país com maior índice de violação de mulheres per capita e em todo o mundo, mas continua a ser o paradigma ideal da Esquerda portuguesa. E por quê? Porque a atomização da sociedade conduz ao fortalecimento do Estado, e a absolutização do Estado é o objectivo da Esquerda. O cidadão passa a ser um átomo desligado da sociedade e que existe apenas em função do Estado. A coesão e solidariedade sociais passariam a ser asseguradas apenas e só pelo Estado; fora do Estado, o indivíduo não existiria.

Ora, é este tipo de sociedade que a geringonça liderada por António Costa nos quer impôr.

 

Segunda-feira, 18 Janeiro 2016

O problema do Estado

 

Da palestra de Paul Gottfried podemos retirar as seguintes e principais conclusões:

  • O domínio da Esquerda no ocidente só vai parar quando as populações imigrantes (muçulmanas, na maioria) assumirem um papel preponderante nos países ocidentais.

A partir do momento em que a população islâmica na Europa, por exemplo, atingir uma determinada percentagem — a singularidade islâmica  —, todas as “vitórias” sociais e culturais da Esquerda serão revertidas e abolidas.

  • A única forma de derrotar a Esquerda (sem a contribuição islâmica) consiste no combate contra o Estado.

A Esquerda serve-se do Estado para prosseguir uma política de engenharias sociais e culturais; os partidos políticos legalizados existentes são extensões do Estado, sem excepção; a cultura antropológica é modelada pelo Estado e pela Administração Pública centralizada. O multiculturalismo, a burocracia e a Administração Pública centralizada são instrumentos políticos da Esquerda.

Neste contexto, por exemplo, a União Europeia é um instrumento político de Esquerda. Os partidos ditos de Direita que existem na maioria dos países da União Europeia são apenas instrumentos do maniqueísmo político da Esquerda, que se serve deles (dos partidos da dita Direita) para implementar uma política de “progresso da opinião pública”, em que a dita Direita é demonizada por forma a justificar a radicalização crescente do aprofundamento da intervenção do Estado na sociedade, e o aumento do Poder burocrático sem rosto.

É neste sentido que eu digo que Paulo Portas (com a ajuda de Adolfo Mesquita Nunes) “fechou a Esquerda à direita”. E Assunção Cristas vai continuar a mesma política de Paulo Portas de fechamento da Esquerda à direita (o CDS/PP transformado em um partido tampão que tenta impedir a formação de partidos políticos paleo-conservadores fora deste sistema político controlado pela Esquerda). Neste sentido podemos dizer que o CDS/PP é um partido político de Esquerda.

  • O combate contra o Estado consiste na redução drástica do seu Poder.

sociedade-civil
A receita foi dada por Tocqueville em finais do século XIX: o Estado tem que ser apenas mais uma instituição da sociedade civil. Não se trata apenas de uma descentralização do Poder do Estado: é também a transformação do Estado em um mero parceiro da sociedade civil, dando liberdade às comunidades locais e instituições da sociedade civil de se organizarem autonomamente.

Dado o Poder actual e crescente concentrado no Estado que serve a Esquerda, esta mudança não se fará sem violência — porque é todo o sistema político actual que está em causa. A actual “democracia” não é democrática: serve apenas uma elite de iluminados esquerdistas.

Terça-feira, 22 Dezembro 2015

A renovação da carta de condução é puro negócio promovido pelo Estado

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:23 pm
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Para renovação da carta de condução foi-me exigido um atestado médico. Para passar esse atestado médico para poder conduzir um automóvel, a médica exigiu-me

  • análise ao sangue
  • análise da urina
  • Raios-X pulmonar
  • electrocardiograma
  • e… análise das fezes!

Agora pergunto, caro leitor: ¿o que é que tem a ver a condução com o cagalhão?!

Eu entendo perfeitamente a necessidade do electrocardiograma para um atestado médico para quem pretende conduzir um carro. Até dou de barato a necessidade da análise ao sangue. Já não compreendo a necessidade da análise à urina e dos Raios-X (e o raio que a parta!).

Mas… ¿análise fecal?! ¿Qual é a relação lógica entre “coliforme” e “automóvel”?

Sábado, 1 Agosto 2015

Os sargentos da polícia

Filed under: A vida custa,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 10:19 am
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« Actualmente, por mês, são aviadas cerca de sete milhões de receitas médicas em Portugal, mas sabe-se que uma parte significativa, “15%”, não são levantadas por várias razões, por exemplo, porque o cidadão não tem dinheiro ou porque não segue a posologia recomendada.

Quando o novo sistema estiver completamente operacional, os médicos passam a poder perceber se os seus pacientes compraram ou não os medicamentos receitados, diz. “Uma das grandes vantagens para o médico é a de perceber se o doente comprou ou não os medicamentos”, enfatiza. »

Os polícias da saúde

Por detrás de cada progressista está um sargento da polícia. Nada pode curar o progressista: nem sequer os frequentes ataques de pânico causados pelo progresso.

Terça-feira, 28 Julho 2015

Os magistrados do politicamente correcto, e a estatização da sociedade

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 10:02 am
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Está aqui um texto do Alberto Gonçalves (ex “Homem a Dias”) que reflecte o aumento dos poderes dos juízes. Os juízes já começam a decidir sobre detalhes íntimos da nossa vida privada. Parece que a tendência é a de que o cidadão só terá vida privada quando estiver a dormir. Mas o cidadão também é culpado quando não respeita a sua própria privacidade: temos, portanto, uma pescadinha de rabo na boca que alimenta a estatização do cidadão, nomeadamente através dos juízes que desempenham o papel dos magistrados na República de Platão.

Platão divide a sociedade em três classes: povo, militares e magistrados. Só estes últimos detêm o poder político e são em número muitíssimo inferior ao das outras classes. Os magistrados são escolhidos a dedo pelo Legislador (o Rei-filósofo). Platão está certo de que os magistrados seguirão sempre as intenções do Legislador (o que é um absurdo), e considera que os magistrados são uma classe à parte (como eram os membros do Partido Comunista na URSS). Parece ser esse o papel dos juízes que se prepara para a nossa sociedade.

“ (…) custa perceber a recente decisão dos tribunais de Setúbal e Évora, que proibiram um casal de exibir a filha nas ‘redes sociais’ (…)

A segunda razão [do tribunal] é um primor: ‘os filhos não são coisas ou objectos pertencentes aos pais e de que estes podem dispor a seu belo sic prazer’.”

A coisificação das crianças tende a ser um direito monopolista do Estado patrocinado pelos magistrados que, alegadamente, seguem as instruções do Legislador. “Alegadamente”, dizemos nós – porque na realidade os magistrados tendem a actuar em roda livre. Os magistrados acusam os pais de coisificação das crianças, justificando assim que passe a ser o Estado a deter o exclusivo da coisificação das crianças.

Para que esta estratégia de estatização da sociedade tenha sucesso, o Legislador e os magistrados têm, em primeiro lugar, de classificar toda e qualquer dissidência politicamente incorrecta (em geral e em abstracto) como sendo doença mental. A seguir, os magistrados decidirão que os malucos dissidentes (politicamente incorrectos) devem ser interditados e internados em hospitais psiquiátricos. Será nesta altura que o Júlio Machado Vaz (ou quejando) assumirá as funções de Ministro da Sanidade Mental.

Por exemplo: ¿não gostas da ideia do “casamento” gay e manifestas a tua opinião em público? Então, por decisão do magistrado, tens que ser internado, porque certamente estás maluco.


Na República de Platão, por exemplo, mães e amas só podem contar às crianças histórias autorizadas pelos magistrados que, alegadamente, seguem as instruções do Legislador; também não podem ser contadas histórias em que as pessoas politicamente incorrectas são felizes e em que as politicamente correctas são infelizes — porque o efeito moral entre os espíritos tenros pode ser desastroso. Impõe-se também uma austera alimentação das crianças: a politicamente correcta, se possível vegetariana; peixe e carne só assados, sem molhos nem doçuras; diz Platão que as crianças que seguem este regime não precisam de médico.

No fulcro da estatização das crianças está a abolição (em termos práticos) do casamento — tal como previra Platão na sua utopia: “Estas mulheres serão, sem excepção, esposas comuns, e ninguém terá mulher sua”.

Todas as crianças devem ser separadas dos pais ao nascer ou em tenra idade, e ter-se-á todo o cuidado em que os pais não as conheçam, nem elas aos pais. Crianças deformadas são eutanasiadas (já está acontecer hoje na Holanda e na Bélgica). Os filhos de uma união não sancionada pelo Estado são considerados ilegítimos. Nos casamentos controlados pelo Estado, as pessoas não têm direito a opinião: têm que pensar segundo o seu dever para com o Estado e não segundo aquelas emoções vulgares como, por exemplo, o afecto maternal — isto já é defendido hoje pela deputada socialista Isabel Moreira: procura-se diminuir as emoções privadas, removendo obstáculos ao domínio do espírito público estatal e concordar-se com a ausência da propriedade privada (não veremos, por exemplo, o José Pacheco Pereira a discordar disto).

Como ninguém sabe quem sãos os pais, pode-se chamar “pai” a quem quiser e que tenha idade conveniente, e o mesmo quanto à “mãe”, “irmão” e “irmã”.


A coisa política vai por este caminho.
O actual aumento do poder dos juízes (dos actuais magistrados da República de Platão) deve-se essencialmente a uma concepção determinista do ser humano fundamentada pela ideia (errada!), e que está na moda, de que as ciências sociais são ciências exactas. Não existindo (alegadamente) livre-arbítrio no ser humano, aumenta o poder discricionário dos juízes (que são os únicos que têm livre-arbítrio!). Do que estamos aqui a falar é de liberdade, e do Estado que no-la quer tirar.

Sexta-feira, 5 Junho 2015

O Observador e a defesa do super-estado da União Europeia

 

“Por nacionalismo entende-se um grupo de indivíduos que partilham a mesma lealdade a um grupo étnico ou nacional”.

O Nacionalismo é a Guerra (via).


1/

O idiota que concebeu esta definição de “nacionalismo” escreve no Observador — como não podia deixar de ser. Imaginem que eu definia assim “luz”:

“A luz é o movimento luminoso dos corpos luminosos”.

Trata-se de uma tautologia. Por exemplo, outra tautologia só possível em uma articulista do Observador: “o liberalismo é um movimento político e económico liberal a favor do liberalismo político e económico”. E os leitores do Observador, na sua maioria ignaros, batem palmas.

Portanto, a definição de “nacionalismo”, por parte do idiota do Observador, é uma tautologia. Por outro lado, não é possível definir “nacionalismo” sem primeiro definir “nação”:

“Uma nação é uma comunidade natural em que cada indivíduo se inscreve em função do seu nascimento, da existência de uma História, de uma língua e de uma cultura antropológica comuns.”

A nação (e, por isso, a nacionalidade) é, por definição e natureza, imposta ao indivíduo por nascimento. Mas o indivíduo pode mudar de nação e de nacionalidade — é livre de adquirir outra nacionalidade que não a original. Neste caso, o indivíduo tem a possibilidade de escolher entre a nação originária e uma outra nação de adopção que raramente deixará de ser adoptiva enquanto prevalecer nele a memória da cultura e a língua da nação de origem.

Portanto, temos dois tipos de nacionalidade: 1/ a que decorre da comunidade de origem, e 2/ a que pode decorrer de um contrato em relação a determinados princípios fundamentais celebrado com uma determinada comunidade nacional diferente e de emigração.

2/

Napoleão foi o campeão do liberalismo — económico e político. E foi também o campeão das nações: por isso é que Napoleão fez a guerra contra os conglomerados aristocráticos da Europa de finais do século XVIII, destruindo os impérios monárquicos e instaurando as várias nacionalidades europeias. Ou seja, o liberalismo económico e político foi fundado na nação.

Agora está na moda — como se verifica pelo idiota do Observadorser liberal mas contra a nação. Ou seja, a própria origem histórica e conceptual do liberalismo (“liberalismo” no sentido europeu o termo, ou seja, económico e político, mas não no sentido americano) é negada em nome do liberalismo. Esta contradição pode ser apenas aparente — a não ser que o escriba do Observador, para além de idiota, seja estúpido —, porque o que se pretende é diabolizar as nações europeias para que se possa formar uma super-nação: o leviatão da União Europeia sob a égide de um alegado “federalismo”. O idiota observador pretende a criação de uma super-nação sem fundamentos nacionais: mas essa super-nação já é boa!

3/

O idiota identifica necessariamente “nação” e “Estado”.

“O Estado é o conjunto das instituições – políticas, jurídicas, militares, administrativas, económicas – que organizam uma sociedade num determinado território.”

A noção de Estado pressupõe, em primeiro lugar, a permanência do Poder: o Estado apenas surge quando o Poder se institucionaliza, ou seja, quando deixa de estar exclusivamente incorporado na pessoa de um chefe: é esta permanência do Poder que exprime a seguinte fórmula: “O Rei morreu, Viva o Rei!” (por isso é que o Absolutismo monárquico foi contra o Estado).

Em segundo lugar, o Estado pressupõe a “coisa pública”: se o Poder do Estado não pertence a um seu detentor, se não é sua propriedade pessoal (não há tal coisa como “dono do Estado”), é porque define um espaço público, comum a todos. Neste sentido, podemos dizer que qualquer Estado é uma “res publica” (do latim, “coisa pública”), mesmo tratando-se de uma monarquia. Por exemplo, a monarquia inglesa ou a dinamarquesa são “res publicae”.

Para além da confusão entre “nação”, por um lado, e “Estado”, por outro lado, o idiota observador defende implicitamente um super-estado que é a União Europeia — um super-estado sem rosto e sem identificação com uma qualquer nação propriamente dita.

4/

Se tomarmos por exemplo o movimento radical islâmico I.S.I.S., este faz a guerra em nome de um Estado islâmico que não tem uma nação, mas antes é um aglomerado de nacionalidades. Ademais, Napoleão, como campeão do liberalismo, fez a guerra contra os não-liberais do século XVIII. Ou seja, segundo o observador idiota, parece que há uma guerra boa e uma guerra má; e parece que o Estado islâmico faz a guerra porque é uma nação (o Estado islâmico é, alegadamente, “nacionalista”).

5/

Já vos falei aqui do que é o Observador, ressalvadas raras excepções: uma merda.

Quinta-feira, 14 Maio 2015

Corrupção no Estado é altíssima em Portugal

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 6:48 pm
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A Ernst & Young publicou um relatório sobre a corrupção na Europa, e Portugal está atrás de países como a Roménia e a Hungria. Trata-se de uma sondagem feita a cerca de 3.500 empresas em todo o mundo sobre os subornos pagos a funcionários públicos para “fazer andar as coisas”.

Enquanto Portugal não fizer baixar a corrupção no Estado, não saímos da cepa torta.

Quinta-feira, 30 Abril 2015

Centros de competência de políticas públicas

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 8:31 pm
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Um “centro de competência” é um termo politicamente correcto para o conceito tradicional de “think tank”; “centro de competência” é um termo renovado que encerra novos significados ainda obscuros para a opinião pública.

É aceitável que um partido político, por exemplo, organize e disponha de um “centro de competência” (think tank); é normal que uma empresa tenha o seu “centro de competência”; ou que um grupo de entidades, organizações e pessoas se reúnam em torno de um “centro de competência”, como é o caso, por exemplo, do “centro de competência” do tomate português.

Mas quando se fala de centros de competência de políticas públicas”, saco logo da pistola, porque cheira a neo-camaralismo e a um incremento da burocracia de Estado.

Immanuel Kant escreveu o seguinte acerca do Camaralismo ou Wohlfahrtsstaat:

“Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo — tal o do pai para com os seus filhos, quer dizer, um governo paternal —, onde, por consequência, os sujeitos, tais filhos menores, incapazes de decidir acerca do que lhes é verdadeiramente útil ou nocivo, são obrigados a comportar-se de um modo unicamente passivo, a fim de esperar, apenas do juízo do chefe do Estado, a maneira como devem ser felizes, e unicamente da sua bondade que ele o queira igualmente — um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber.” 1

 

Na mesma época, o filósofo Guilherme Humboldt, no seu ensaio sobre “Os Limites da Acção do Estado”  2 recusava qualquer pretensão do poder público a intervir no sentido do “bem positivo” dos súbditos (saúde, riqueza, educação, moralidade, assistência, etc.), afirmando que o papel do Estado deveria limitar-se estritamente a garantir o seu “bem negativo”, ou seja, a segurança no quadro das leis: “o princípio segundo o qual o governo deve cuidar nos planos material e moral da felicidade e do bem-estar (das Glück und Wohl) da nação constitui o despotismo mais terrível e mais opressivo” 2.

O cidadão comum ainda não se apercebeu disso, mas António Costa é extremamente perigoso — tão perigoso quanto um dirigente do Bloco de Esquerda ou do Livre. A diferença entre um e os outros é mínima. Quando vemos uma mentalidade burocrática radical de Esquerda a tecer loas a António Costa e ao conceito de “centros de competência de políticas públicas”, não devemos hesitar e sacar logo da pistola.


Notas
1.  [“Teoria e Prática”, 1793, II, pág. 31]
2. [Editora Rés, Porto, 1990]

Quinta-feira, 30 Outubro 2014

A brutalidade e a desumanidade de Passos Coelho

Filed under: josé sócrates,Passos Coelho — O. Braga @ 7:11 am
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“A casa onde vive com três filhos e duas netas vai hoje a leilão por uma dívida do Imposto Único de Circulação.

Ana Dias (nome fictício) deve 1.900 euros ao Fisco, de Imposto Único de Circulação (IUC), porque há cerca de cinco anos mandou abater os dois carros da família e não deu baixa nas Finanças. “Eu sei que a culpa é minha, que devia ter dado baixa dos carros nas Finanças. Mas na altura nem me lembrei disso, não tive o cuidado de pedir os papéis na sucata. Não foi por mal”, justifica.

Às dívidas do IUC, não mais de 500 euros, somam-se agora as coimas avultadas. Diz que não tem ninguém que lhe possa emprestar esse dinheiro. Ana Dias tem 52 anos, é viúva e mãe de seis filhos. A casa, onde vive com três dos filhos e mais duas netas, é posta à venda hoje às 10 horas. A notícia chegou-lhe há um mês.”

Fisco vende hoje casa de família por dívida de 1.900 Euros


A Passos Coelho não chega o julgamento político nas próximas eleições: o que ele fez ao país, nomeadamente na área dos impostos, tem contornos criminosos.

Qualquer pessoa de bom-senso vê que a acção do fisco é desproporcionada — não só neste caso, mas em geral. “Sacar” uma casa de família por 1.900 Euros é uma brutalidade política, só comparável com a acção discricionária do Estado nos regimes totalitários.

Haveria outras formas de pagar a dívida, nomeadamente através de serviço comunitário. Mas a brutalidade do sistema fiscal, protagonizado por Passos Coelho, optou pela desumanidade própria dos regimes mais brutais que a História conheceu.

Passos Coelho representa o terrorismo de Estado em Portugal. E é nessa condição que ele tem que ser levado a tribunal por cidadãos organizados (como José Sócrates deveria ter ido a tribunal, embora por razões diferentes).

José Sócrates e Passos Coelho são duas faces da mesma moeda: gente sem escrúpulos e moralmente deficiente; psicopatas alcandorados ao Poder. Gente sem planta nenhuma, sem estrutura ética e intelectualmente débil.

Segunda-feira, 20 Outubro 2014

O ressurgimento dos Estados-Nação na Europa

Filed under: Europa — O. Braga @ 9:24 am
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Estado-Nação significa “território em que o Estado coincide (exclusivamente ou quase) com a Nação”.

Na Europa existem poucos Estados-Nação. Por exemplo, a Bélgica, a Itália, a Espanha, a Áustria, o Reino Unido, a Suíça — não são Estados-Nação porque as diversas nações que habitam em um determinado território estão subordinadas a um mesmo Estado.

Em contraponto e como podemos ver no mapa abaixo, Portugal, a Holanda, a Dinamarca, a Suécia, a Noruega, a Irlanda (república), a Grécia, a Estónia, a Bulgária, a Hungria, são Estados-Nação porque a única nação existente coincide com o Estado.

E depois existem países que sendo basicamente Estados-Nação, têm pequenos movimentos separatistas internos, como é o caso da ilha mediterrânica da Córsega ou do país basco francês, a Sérvia, a república Checa, a Alemanha (o problema da independência da Baviera), a Roménia, etc..

separatismo

Um bovinotécnico de serviço escreve aqui o seguinte:

“Há poucas semanas, a Escócia não se separou do Reino Unido por menos de dez pontos percentuais em relação ao não. Se os estados compostos da União Europeia se começarem a cindir, não há mecanismo previsto nem para os integrar, nem para os excluir.

Este é o problema político que a Europa enfrentará nos próximos anos, e que de alguma forma corresponde ao fim do Estado-Nação, onde ele nasceu e provavelmente se esgotou.”

O que acontece na realidade é exactamente o contrário daquilo que o bovinotécnico escreve. O que está a acontecer na Europa não é o fim do Estado-Nação, mas antes são as nações europeias que não têm Estado a quererem afirmar os seus respectivos Estados-Nação!

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