perspectivas

Sexta-feira, 24 Junho 2016

É isto que os defensores da União Europeia defendem

 

Dizem eles que o controlo de fronteiras é sinónimo de “xenofobia”; então, segue-se que a defesa do Estado-Nação é uma manifestação de xenofobia. E como sem Estado-Nação não há democracia, a xenofobia só pode ser eliminada através de um Estado totalitário.

Sábado, 28 Maio 2016

Quando a democracia assusta, então é “populismo”

Filed under: Política — O. Braga @ 6:34 pm
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“Populismo é o nome que os democratas usam quando a democracia os assusta” — Nicolás Gómez Dávila.


Face à ascensão de Donald Trump nas sondagens, um jornalista de um jornal conservador americano defende publicamente a ideia segundo a qual o voto deve ser restrito a uma “elite esclarecida”. Sublinho: “conservador”.

É este um dos problemas da democracia.

pendulum-loop3Um outro problema da democracia, é o de que quem saca prebendas do Estado e não paga impostos, vota sempre no sentido de manter o seu estilo de vida parasita. E por isso há quem defenda que só deve votar quem paga impostos ao Estado. Eu vou mais por esta ideia.

¿Por que razão o Donald Trump é popular nos Estados Unidos?

Porque os americanos sofreram dois mandatos desastrosos de Obama. Quando há excessos, na Natureza, esses excessos são compensados com excessos em sentido contrário, até que se estabeleça um equilíbrio natural. Donald Trump é o “excesso” que sucede ao “excesso Obama” — o que é natural e democrático.

O que pode surpreender é que ninguém apelou a um voto selectivo quando Obama concorreu às eleições; a democracia desvirtuou-se de tal forma, que qualquer manifestação de oposição a uma determinada corrente política é considerada “populismo”.

Se 99,99 % da população votasse em Hillary Clinton, a Esquerda (e os CU-servadores) consideraria isso como “democrático”; mas se 51% votar em Trump, já é “populismo”.

Domingo, 17 Abril 2016

O que existe hoje não é democracia

Filed under: Política — O. Braga @ 8:02 pm
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“Não creio no sufrágio universal, porque o voto individual não tem em conta a diferenciação humana. Não creio na igualdade, mas na hierarquia. Os homens, na minha opinião, devem ser iguais perante a lei, mas considero perigoso atribuir a todos os mesmos direitos políticos.”

António de Oliveira Salazar, entrevista ao jornal «Le Figaro», Setembro de 1958.

O problema desta proposição de Salazar é o seguinte: ¿quem deve governar? Esta pergunta foi feita por Platão. ¿Quem estabelece o critério da desigualdade dos direitos políticos?

A democracia tem a vantagem de as mudanças políticas se operarem sem derramamento de sangue. Por outro lado, a igualdade natural não significa que as pessoas sejam idênticas, ou seja, a igualdade natural (Direito Natural) não é impedimento da hierarquia.

Não devemos confundir democracia com o que existe hoje. Vejamos o que escreve o reaccionário Alain de Benoist:

“A democracia mudou. Foi no início um meio para o povo participar na vida pública elegendo representantes. Em vez disso, a democracia tornou-se em um meio para que os representantes adquirissem legitimidade popular para o exercício do Poder. O povo já não governa através de representantes: são os representantes que se governam a si própios. ¿Quem representa o quê? A noção de ‘representação’ está em crise”.

Alain de Benoist, The Problem of Democracy

Sábado, 19 Março 2016

A actual ameaça à democracia

Filed under: Política — O. Braga @ 10:42 am
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Em um verbete anterior falamos da diferença entre autonomia do indivíduo, por um lado, e individualismo ou colectivismo, por outro lado.

O princípio da autonomia aplica-se à pessoa enquanto sujeito histórico, com um passado herdado e que vive no presente, e que se baseia no pressuposto de que a realidade é independente da consciência que observa (realismo). Decorre do realismo (que também se utiliza na ciência) do princípio da autonomia, que existem proposições ou mundividências que se aproximam mais a verdade do que outras. Existe não só uma hierarquia de valores éticos, como também uma hierarquia de interpretação dos factos (hierarquia da verdade) que separa as diferentes mundividências que se aproximam mais ou menos da verdade.

O individualismo (direita) ou/e o colectivismo (esquerda) partem do princípio de que a realidade é uma construção cultural e/ou social — ou seja, não existe um realidade objectiva independente da consciência que observa. Neste sentido, não existe qualquer “aproximação à verdade objectiva”, uma vez que a verdade é subjectiva. Grosso modo: cada um tem a sua verdade que vale tanto como a de outra pessoa qualquer — a hierarquia de valores é negada em nome da construção cultural e social dos conceitos que regem a sociedade.

Para o realismo (do princípio de autonomia), existe uma diferença entre factos, por um lado, e interpretação de factos, por outro lado. Para o individualismo e/ou colectivismo, essa diferença ou não existe, ou é precária; os factos são apenas matéria de opinião.

Em uma sociedade em que a maioria da “elite intelectual” (a ruling class) pensa que a realidade é uma construção social, não é possível a democracia: a única realidade que faz sentido é a realidade da força bruta do Estado — seja para “libertar” o indivíduo (libertarismo de direita), seja para impôr um colectivismo (esquerda).

A partir do momento em que a realidade (objectiva) não existe independentemente da minha consciência que observa; que os factos são resultado da minha interpretação; e que a minha verdade é independente de uma verdade exterior a mim — então segue-se que qualquer forma de imposição (incluindo o uso da violência) da minha mundividência aos outros passa ser legitimada.

Quinta-feira, 11 Fevereiro 2016

Não concordo com Bagão Félix acerca dos mecanismos referendários na democracia

 

“Populismo é o termo usado pelos democratas quando a democracia os assusta” (Nicolás Gómez Dávila). A pesporrência e a arrogância dos “donos da democracia”, instalados nas cadeiras dos me®dia da capital-do-império-que-já-não-existe, revela um medo em relação à democracia; e por isso inventaram um sistema em que a vontade popular é diferida e interpretada discricionariamente pela classe política e pela rulling class segundo o modelo da "Vontade Geral" de Rousseau.

A limitação (ou negação) dos mecanismos de democracia participativa retira a legitimidade da democracia representativa.

Sexta-feira, 5 Fevereiro 2016

Portugal vive hoje em uma autocracia

 

É inevitável relacionar este texto de João César das Neves com estoutro que fala do aumento massivo da abstenção na democracia representativa portuguesa — porque a democracia representativa portuguesa nada mais é do que uma sequência de golpes-de-estado, em que o povo não é tido nem achado.

Uma democracia representativa só é legítima quando se baseia em uma Constituição que, por sua vez, se fundamenta em princípios metajurídicos escorados no Direito Natural.

Ora, isto já não se passa hoje com a democracia representativa portuguesa: os fundamentos da Constituição sofreram uma reinterpretação através da qual o Direito Natural foi erradicado; ou seja, os únicos fundamentos metajurídicos que existem hoje realmente na interpretação que é feita da Constituição, são os que decorrem do conceito literal de "Vontade Geral" por parte da classe política controlada pelos globalistas anglo-saxónicos.

Desta forma, o povo alheia-se da democracia representativa; não se sente representado nela, porque ela não passa já de uma expressão arbitrária e discricionária da vontade de Poder da classe política. A classe política portuguesa actua em roda livre, e em vez de democracia temos uma autocracia.

Portugal vive hoje em uma autocracia.

João César das Neves queixa-se daquilo que nos é imposto coercivamente pela ONU que é controlada claramente por uma dúzia de plutocratas anglo-saxónicos (o grupo dos trezentos).

Paradoxalmente, vemos hoje uma Esquerda radical defender, na área da cultura antropólogica, as ideias de Bill Gates, dos Rockefeller, ou dos Rothschild. Estranho mundo em que vivemos hoje, em que alegadas oposições são convergentes. Nunca nos devemos esquecer de que Wall Street apoiou financeiramente os bolcheviques na década de 1920, e que o capitalista eugenista americano Henry Ford apoiou financeiramente o regime de Hitler.

A democracia representativa portuguesa está presa por arames. Ninguém pode ter a certeza do futuro, mas não podemos acreditar que ela dure por muito tempo.

Terça-feira, 26 Janeiro 2016

O Portugal da democracia representativa não tem futuro

Filed under: nacionalismo — O. Braga @ 2:43 pm
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“A estratégia de um Estado tem a ver com a concepção, organização, desenvolvimento e aplicação de Poder para fazer face e ultrapassar os obstáculos que se apresentem, em cada momento, e que dificultem a realização dos objectivos do mesmo.

Qualquer Estado deve possuir, portanto, um instrumento que, por de cima dos diferentes ângulos de visão política partidária e sectorial, estabeleça os objectivos permanentes da nação, que representa, e a estratégia a seguir para os alcançar. Um Plano Estratégico Nacional”.

Miguel Mattos Chaves

O Plano Estratégico Nacional, segundo os critérios de Miguel Mattos Chaves, ¿será possível em Portugal? Vou tentar demonstrar aqui que não é possível. Para que seja possível em Portugal um Plano Estratégico Nacional terão que existir elites, ou melhor, aquilo a que Fernando Pessoa chama de “escol”:

“A crise central da nacionalidade portuguesa deriva da sua impotência para formar escóis. Uma nação vale o que vale o seu escol.

As descobertas e as conquistas que se lhe seguiram, a emigração e as guerras que ambas motivaram, arrastavam consigo, como é natural, a parte mais forte, mais audaz, mais competente da nação. Assim se foi destruindo o escol.

O pior é que o escol se não renovou. Quer isto dizer que não tornaram a haver circunstâncias criadoras de um escol, ou, pelo menos, de um escol perfeito.

¿Quais são as circunstâncias criadoras de um escol? Um escol é tanto mais perfeito quanto mais: diferente é do resto da população em grau de tudo; quanto mais está contudo unido a esse resto da população por um interesse nacional; acção que tem sobre esse resto da população.

O escol não quer dizer uma classe, mas uma série de indivíduos.

Condições auxiliares do escol: a aristocracia de sangue, pois estabelece a cisão no país; um país democratizado baixa imediatamente o nível do escol.

Condições biológicas: não intervenção do Estado em matéria biológica ou demótica. Condições económicas: regime concorrencial o mais apertado possível”.

Portugal não tem um escol, mas antes classes, sejam estas oligárquicas na economia ou na política que controlam o Estado. Por exemplo, existe uma classe política, mas não um escol; ou se este existe um escol, é cultural-  e socialmente invisível ou subalterno.

“A chamada ‘democracia’ é apenas uma oligarquia complexa, ou uma complexidade de oligarquias”. — Fernando Pessoa

Sem um escol interveniente e politicamente decisivo, Portugal não tem futuro enquanto país e enquanto nação, e por isso o Plano Estratégico Nacional de Miguel Mattos Chaves é uma utopia.

Segunda-feira, 18 Janeiro 2016

O problema do Estado

 

Da palestra de Paul Gottfried podemos retirar as seguintes e principais conclusões:

  • O domínio da Esquerda no ocidente só vai parar quando as populações imigrantes (muçulmanas, na maioria) assumirem um papel preponderante nos países ocidentais.

A partir do momento em que a população islâmica na Europa, por exemplo, atingir uma determinada percentagem — a singularidade islâmica  —, todas as “vitórias” sociais e culturais da Esquerda serão revertidas e abolidas.

  • A única forma de derrotar a Esquerda (sem a contribuição islâmica) consiste no combate contra o Estado.

A Esquerda serve-se do Estado para prosseguir uma política de engenharias sociais e culturais; os partidos políticos legalizados existentes são extensões do Estado, sem excepção; a cultura antropológica é modelada pelo Estado e pela Administração Pública centralizada. O multiculturalismo, a burocracia e a Administração Pública centralizada são instrumentos políticos da Esquerda.

Neste contexto, por exemplo, a União Europeia é um instrumento político de Esquerda. Os partidos ditos de Direita que existem na maioria dos países da União Europeia são apenas instrumentos do maniqueísmo político da Esquerda, que se serve deles (dos partidos da dita Direita) para implementar uma política de “progresso da opinião pública”, em que a dita Direita é demonizada por forma a justificar a radicalização crescente do aprofundamento da intervenção do Estado na sociedade, e o aumento do Poder burocrático sem rosto.

É neste sentido que eu digo que Paulo Portas (com a ajuda de Adolfo Mesquita Nunes) “fechou a Esquerda à direita”. E Assunção Cristas vai continuar a mesma política de Paulo Portas de fechamento da Esquerda à direita (o CDS/PP transformado em um partido tampão que tenta impedir a formação de partidos políticos paleo-conservadores fora deste sistema político controlado pela Esquerda). Neste sentido podemos dizer que o CDS/PP é um partido político de Esquerda.

  • O combate contra o Estado consiste na redução drástica do seu Poder.

sociedade-civil
A receita foi dada por Tocqueville em finais do século XIX: o Estado tem que ser apenas mais uma instituição da sociedade civil. Não se trata apenas de uma descentralização do Poder do Estado: é também a transformação do Estado em um mero parceiro da sociedade civil, dando liberdade às comunidades locais e instituições da sociedade civil de se organizarem autonomamente.

Dado o Poder actual e crescente concentrado no Estado que serve a Esquerda, esta mudança não se fará sem violência — porque é todo o sistema político actual que está em causa. A actual “democracia” não é democrática: serve apenas uma elite de iluminados esquerdistas.

Terça-feira, 5 Janeiro 2016

Não é loucura: é ignorância induzida!

Filed under: Política — O. Braga @ 11:24 am
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Por vezes dou razão aos que criticam a democracia, porque a democracia pretende dar legitimidade à ignorância, por um lado, e por outro lado consegue fazer da ignorância uma manifestação de sabedoria. Dou como exemplo uma publicação no Twitter:

islamo-lgbt

¿Como é possível compatibilizar o Islão, por um lado, e por outro lado o movimento LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros]?

Alguém poderá pensar: “trata-se de uma manifestação isolada”. Não é! Aquele burro que publicou aquilo pode ser ignorante, mas a sua ignorância é induzida pelas elites da Esquerda. Aquela burrice não saiu dele por acaso: foi programada, como se pode ver (também) aqui.

Uma pessoa (ou um movimento político) pode ser radical se tiver, no seu ideário, alguma razão (“radical” vem de “raiz”: o retorno à raiz das situações e dos problemas). O que não se admite é que se seja radical sem razão.

A radicalização estupidificada do discurso de esquerda deixa pouco espaço de manobra à sociedade em geral. A radicalização absurda da Esquerda não tem outro remédio senão a exigência da radicalização em sentido contrário — o que significa, literalmente, colocar em causa a democracia.


desfazendo-o genero

Sábado, 5 Dezembro 2015

A democracia representativa tem os dias contados

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 9:46 am
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O principal problema da democracia representativa é o de que, uma vez aprovada uma lei estúpida e irracional, é quase impossível revogá-la — porque a sua revogação colocaria em causa, do ponto de vista simbólico na cultura antropológica, a própria noção de “democracia representativa”.

Quando a democracia representativa se afasta do bom-senso, vai-se alimentando do absurdo, até arrebentar.

Temos aqui uma notícia de exemplo: o governo de Obama aprovou uma lei segundo a qual as mulheres têm os mesmos papéis e funções de combate nas Forças Armadas americanas.

Ora, o bom-senso diz-nos que as mulheres e os homens não são iguais em teatro de guerra; mas aposto que nem os republicanos mais à direita irão revogar esta lei absurda, porque a sua revogação colocaria em causa o próprio sistema político.

Se a democracia representativa não for fortemente apoiada por mecanismos de democracia participativa, tem os dias contados (pelo menos na Europa).

Sábado, 21 Novembro 2015

O actual sistema político português não é democrático.

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 10:33 am
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«A nossa civilização corre o risco de ficar submersa como a Grécia (Atenas) sob a extensão da democracia, de cair inteiramente nas mãos dos escravos, ou então de ficar como Roma — não nas mãos de imperadores filhos do acaso e da decadência, mas de grupos financeiros sem pátria, sem lar na inteligência, sem escrúpulos intelectuais e sem causa em Deus.

O único antídoto para isto é uma lenta aristocratização

→ Fernando Pessoa, 1920.



O actual sistema político português não é democrático.

A democracia representativa não concede o direito à classe política (entendida aqui no sentido de ruling class) de legislar arbitrariamente sob matérias de costumes, por exemplo, ou sobre questões éticas que estejam enraizadas na cultura antropológica portuguesa — a não ser que a classe política interprete a democracia como sendo constituída por uma total discricionariedade da classe política fundamentada no conceito abstracto de “Vontade Geral” (Rousseau).

Questões que pertencem ao fundamento da sociedade (no sentido da nação portuguesa), como por exemplo, os costumes, a imigração, as tradições da cultura antropológica, as instituições da família e do casamento, entre outras, só podem ser tratadas legal- e juridicamente através de alguns mecanismos próprios da democracia participativa (por exemplo, os referendos ou os plebiscitos).

¿Será possível que o sistema político actual se reforme a si mesmo? Resposta: não. Só através do exercício de uma força exterior ao sistema será possível mudá-lo (o teorema de Gödel aplicado à política).

Temos um sistema político em que os deputados são escolhidos pelos partidos políticos, e não directamente eleitos pelo povo. Toda a gente sabe — até os iletrados — que isto não é democracia.

Portugal está longe de ter uma democracia propriamente dita. Temos uma classe política (sancionada pelos me®dia e pela maçonaria que em parte a condiciona) que usurpou o Poder no sentido em que se serve do conceito de “Vontade Geral” para transformar a política em um mero meio de atingir os seus objectivos privados. Os fundamentais interesses do povo — enquanto nação em continuidade histórica — são ignorados pela classe política, sem excepção. A classe política dita “democrática” é presentista.

Alguém poderá argumentar do seguinte modo: “a classe política é (ou faz parte da) a actual aristocracia”.

O argumento é absolutamente falso, porque acontece que a aristocracia não é uma classe social, mas antes é uma colecção de indivíduos. Portanto, a classe política não constitui, em si mesma, uma aristocracia. O aristocrata, enquanto indivíduo, distingue-se da maioria popular em quase todos os graus, mas está unido ao povo através de um patriotismo arreigado e atávico. Existem em Portugal aristocratas (não têm que ser ricos e poderosos!) que têm muito pouco poder político e que, muitas vezes, são desprezados pelo Poder político dito “democrático”.


Um dos argumentos da classe política dita “democrática” contra a utilização de mecanismos da democracia participativa é o de que “o povo é burro ou ignorante”, e que, por isso, não pode tomar decisões complexas. Este argumento, que vem essencialmente da Esquerda, é absolutamente reaccionário, como demonstrarei a seguir.

Nos século XVIII e XIX, constatou-se que o problema da pobreza (por exemplo, com a praga da batata, na Irlanda) era insolúvel sem a participação dos pobres, e que havia que despertar, em primeiro lugar, o desejo e a vontade dos pobres em melhorar a sua situação para se conseguir a sua colaboração. Esta perspectiva foi claramente formulada, por exemplo, por George Berkeley, Bispo de Cleyne (Irlanda) — trata-se daquelas verdades de que o marxismo se aproveitou e que distorceu, tornando-a irreconhecível pelo exagero.

De uma forma semelhante, a iliteracia política (a pobreza política da democracia representativa que temos) só poderá ser combatida com a participação directa do povo nas decisões políticas fundamentais que despertará, com a passagem do tempo, o desejo e a vontade do povo (entendido como um conjunto de indivíduos) em melhorar o sistema político e erradicar a pobreza política imposta pela actual classe política.

Ora, na medida em que o actual sistema político não é reformável por si mesmo, caberá às Forças Armadas impôr essa reforma do sistema político.

E a intervenção das Forças Armadas é uma questão de tempo: não para acabar com a democracia, mas antes para a reformular no sentido da valorização dos mecanismos da democracia participativa, por um lado, e para criar sistemas institucionais que conduzam a uma “lenta aristocratização” na sociedade portuguesa — ou seja, a criação de uma aristodemocracia

Sexta-feira, 20 Novembro 2015

‘Somos governados por gays, lésbicas e gatunos’

 

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