perspectivas

Domingo, 31 Maio 2015

O neoliberalismo apoia a agenda política cultural radical de Esquerda

 

A revista britânica The Spectator  publica um artigo que tenta explicar por que razão os mais ricos do mundo — a plutocracia a que chamamos de “neoliberalismo” — apoia as políticas culturais da Esquerda, e muitas vezes da Esquerda mais radical. Vou tentar fazer aqui um resumo do artigo.

¿Por que razão a maioria das empresas multinacionais, por exemplo, a Google, apoiou o SIM no recente referendo acerca do “casamento” gay na Irlanda? E ¿por que razão os plutocratas, em geral, apoiam as lutas de Esquerda naquilo a se convencionou chamar de “justiça social”?

rockefellerSegundo o articulista do The Spectator, uma das razões é a de que o liberalismo económico tende a mudar drasticamente a sociedade, por exemplo através de constantes “revoluções” tecnológicas (verdade), o que conduz a um desenraizamento dos valores que sustentam o capitalismo desde a sua formação (mas não necessariamente. É o chamado “dilema dos conservadores”).

O livre mercado tende a destruir tradições, costumes e valores, tudo isto em nome da defesa do negócio livre, e, alegadamente, porque qualquer tipo de “intolerância” não dá lucro (fica por explicar, por exemplo, por que razão a intolerância politicamente correcta gayzista ou laicista contra as religiões alegadamente dá lucro). Este argumento é deficiente, mas não vou agora explicar por quê.

Outra razão está ligada a um fenómeno cultural de fraca diversidade política (pensamento único).

A Esquerda domina a juventude inexperiente e ignorante através da utopia, e é essa juventude que hoje é maioritária nas empresas privadas. Face a este fenómeno de pensamento único, as empresas multinacionais e a plutocracia em geral, aproveita a oportunidade para camuflar as suas práticas (muitas vezes desumanas) nos negócios através de manobras de diversão que promovem uma cultura de “justiça social” — conceito este que inclui a promoção do aborto livre, do “casamento” gay, da adopção de crianças por pares de invertidos, das barrigas de aluguer, do tráfico de crianças, etc.: tudo isto é incluído no pacote da “justiça social”.

sorosAssim, os plutocratas pensam que conseguem distrair a juventude em relação aos problemas reais da sociedade — por exemplo, os baixos salários que não permitem que um casal jovem possa constituir a sua família, ou a falta de valores éticos universais e racionalmente fundamentados.

Por exemplo, se o Banco BES faliu criminosamente com prejuízo para a sociedade inteira, a plutocracia concede, em troca, à sociedade, a adopção de crianças por pares de invertidos (uma mão lava a outra), e como a “tolerância” é coisa barata de se dar, o caso BES fica mitigado e é esquecido pela sociedade que putativamente valoriza a “diversidade” e a “igualdade”.

Outro exemplo: quando os mais ricos do mundo apoiam a imigração em massa, “matam dois coelhos de uma cajadada só”: por um lado, agradam aos jovens imberbes e utopistas controlados pela Esquerda que exige que as portas à imigração devem estar escancaradas em nome da “justiça social”; e por outro lado aproveitam o custo da mão-de-obra barata que a imigração traz consigo. Bom negócio!

Portanto, compensa à plutocracia apoiar as políticas culturais da Esquerda para esconder o Marginalismo económico exacerbado e radical, e camuflar as práticas neoliberais e desprovidas de ética do negócio. ¿Será que compensa? A curto prazo compensa; a longo prazo vai trazer imensos problemas ao capitalismo, porque qualquer sistema económico assenta em uma específica cultura.

Finalmente, à plutocracia internacional convém a destruição da família tradicional e nuclear — e aqui os mais ricos do mundo são cúmplices da Esquerda que segue Karl Marx e Engels. A família natural, tradicional e nuclear tende a retirar a mulher do posto de trabalho na fábrica para que elas tenham filhos, e tudo o que seja afastar a mulher da fábrica vai contra o negócio neoliberal da mão-de-obra barata (quanto menos trabalhadores disponíveis, mais cara é a mão-de-obra). Por outro lado, os membros da famílias naturais estáveis e com filhos, na medida em que têm mais encargos, são menos propensos a consumir desalmadamente e a pedir dinheiro emprestado. 

A família natural tornou-se inimiga do neoliberalismo.

Deste modo, é o próprio capitalismo que vai destruindo as bases culturais do capitalismo, em nome de uma filosofia presentista. O que interessa aos capitalistas é apenas e só o presente; o futuro não lhes interessa porque já estarão mortos. E depois da morte há o Nada. A base cultural calvinista do capitalismo (a fé na vida no outro mundo e na justiça de Deus) já não existe, e portanto, o que interessa agora é ter o maior lucro possível imediato, mesmo matando a galinha dos ovos de ouro. Ou seja, a Esquerda já ganhou a batalha; é apenas uma questão de tempo.

Gramsci tinha razão: destrua-se a base cultural do capitalismo (a religião) e a vitória totalitária é certa.

Quando a Helena Matos escreve este artigo“Dez mitos sobre a Segurança Social” — faz de conta que o problema da SS (Segurança Social) caiu do céu e não tem causas. Por exemplo, uma pergunta: ¿por que é que a taxa de natalidade caiu vertiginosamente? Para a Helena Matos, não interessa responder objectivamente a esta pergunta, porque a resposta poderia comprometer os mentores ideológicos neoliberais. A “solução” da Helena Matos para o problema da natalidade é “dar mais lenha” à Esquerda para se “queimar” o capitalismo — entra-se em uma lógica de suicídio em bola de neve. O igualitarismo cultural politicamente correcto, utópico e lunático, raramente é colocado em causa pelos neoliberais, porque o igualitarismo cultural dá lucro no presente (pelas razões apontadas acima) — e PQP o amanhã!: “a ver vamos!” (como diz o cego).

ouriborosEntronca neste verbete a opinião de Pedro Arroja, segundo a qual não é possível transplantar cabalmente instituições de um país com determinada cultura para outro país com uma cultura diferente — aqui, Pedro Arroja perfilha as ideias dos chamados “filósofos comunitaristas”, como por exemplo Charles Taylor, Michael Sandel, Alasdair MacIntyre, Michael Walzer, etc.. Este facto insofismável significa que a actual democracia, que não tem tradição em Portugal mas também não tem em muitos países da Europa, prepara a abolição da própria democracia.

A ilusão do igualitarismo poderá conduzir a uma nova forma de totalitarismo de Esquerda à moda da China — aquilo a que eu chamei de “sinificação” — com o apoio da plutocracia neoliberal.

Em nome da “igualdade”, os espíritos obtusos e embotados da nova e futuras gerações poderão estar disponíveis para uma solução política totalitária, que começará por um totalitarismo suave como já acontece hoje na Suécia.

Da forma como se apresenta hoje o problema, o capitalismo é já um cadáver adiado, à custa os “insurgentes”, dos “blasfemos” e dos “observadores”, libertários e “prá frentex”, patrocinados pelo neoliberalismo internacional.

 É a cobra que morde a sua própria cauda.

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2 comentários »

  1. Reblogged this on Bordoadas.

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    Comentar por O. Braga — Domingo, 31 Maio 2015 @ 7:37 pm | Responder

  2. Eu tenho outra explicação. O Diabo é o dono de toda riqueza do mundo e todo de todos os reinos: “Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles.E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.”
    Mateus 4:8,9. Portanto, toda a ação dessas pessoas (plutocratas) está em sintonia com o deus delas, o Diabo, por isso que buscam a destruição do cristianismo, família…Jesus também dizia: “Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus. E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” Mateus 19:23,24. Não poderia ser diferente se esses indivíduos são do Diabo: “Mas, conhecendo ele os seus pensamentos, disse-lhes: Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado; e a casa, dividida contra si mesma, cairá. E, se também Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que eu expulso os demônios por Belzebu.” Lucas 11:17,18. Se eles fossem do Diabo e defendessem a família e o cristianismo, eles estariam boicotando o deus deles, o Diabo.

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    Comentar por Marco Rezende — Segunda-feira, 1 Junho 2015 @ 12:59 am | Responder


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