perspectivas

Segunda-feira, 27 Julho 2015

Para o José Pacheco Pereira, o Fim da História é (também) a União Europeia e o Euro

 

« O que é a “realidade” para a qual “não há alternativa”?

Em primeiro lugar, é o que há, o que existe, e a ideia de que o “que existe tem muita força” e legitima-se por existir. Neste pensamento do TINA existe uma espécie de congelamento da história, ? o que se compreende visto que chegou ao “fim”, ? no actual momento europeu, visto que é uma doutrina essencialmente europeia. Não é global, nem americana, nem dos BRICs, nem asiática, vem da Europa e fixa-se na Europa. Mais: fixa-se no estado de coisas europeu dos últimos anos, nem sequer uma década, desde a crise financeira (real) seguida da crise das dívidas soberanas (politicamente gerada). »

→ José Pacheco Pereira: A direita radical encontrou o “fim da história” e chama-lhe “realidade”

O José Pacheco Pereira opõe o seu (dele) Fim da História, por um lado, ao Fim da História neoliberal (segundo o “santo” Fukuyama), por outro  lado: são dois tipos diferentes de Fim da História. O que há em comum entre o Fim da História de José Pacheco Pereira e o dos neoliberais, é a necessidade da União Europeia e do Euro.

« When the episteme is ruined, men do not stop talking about politics; but they now must express themselves in the mode of doxa. » — Eric Voegelin


José Pacheco Pereira defendeu, na recente crise grega, que a União Europeia e o BCE [Banco Central Europeu] deveriam proceder de um determinado modo; e os neoliberais defenderam que as instituições deveriam proceder de modo diverso. São dois Fim da História que se opõem. Ou seja, o José Pacheco Pereira critica o determinismo histórico dos neoliberais opondo-lhe o seu (dele) próprio determinismo histórico: a União Europeia e o Euro fazem parte do seu (dele) Fim da História. Aliás, é sabido que o José Pacheco Pereira tem um arquétipo mental hegeliano, na esteira das opções políticas e ideológicas que o marcaram na juventude.

O José Pacheco Pereira é um federalista europeu, mas um federalista de tipo gramsciano: a União Europeia Federal (para ele) deverá ser construída a longo prazo através de uma democracia de base por intermédio de um “progresso da opinião pública” (leia-se, lenta lobotomia cultural, à boa maneira hegeliana de “progresso como uma lei da Natureza”). Em contraponto, os neoliberais e os socialistas (Partido Socialista) são também federalistas europeus, mas defendem que o federalismo deve ser uma espécie de leviatão que se impõe do cimo social e político, para baixo, para as massas anónimas e anódinas. O que difere, na posição de José Pacheco Pereira em relação à dos socialistas  e neoliberais em relação à União Europeia e ao Euro, é a forma, mas não o conteúdo: é a forma de se fazer as coisas, isto é, a forma de se atingir o federalismo europeu.

O que repugna ao José Pacheco Pereira é o conceito de Fim da História neoliberal, ou seja, a “realidade neoliberal”; e opõe-lhe os seu próprios conceitos de “realidade” e de Fim da História que apenas diferem do primeiro na sua forma: o conteúdo (o federalismo europeu) mantém-se comum aos dois tipos diferentes de “realidade”. Aqui, o José Pacheco Pereira está mais próximo do Bloco de Esquerda e do Livre do que do Partido Socialista (que também aceitou e ratificou o famigerado Tratado Orçamental).

O José Pacheco Pereira faz parte do actual “double blind” da política portuguesa, que apenas é “furado” — paradoxalmente! — pelo Partido Comunista que também tem o seu próprio Fim da História segundo Karl Marx.


Quando eu aqui critiquei o governo grego do Varoufucker e  do Tripas — e inclui nessa crítica a “puta da realidade” da União Europeia e do Euro que os gregos não aceitam —, essa minha crítica foi uma crítica ao determinismo histórico, ou seja, foi uma apologia à liberdade que passa sempre por povos que recusam a decadência e a subserviência canina em troca de um prato de lentilhas, e com elites corajosas e esclarecidas. Não existe um Eidos da História (Hegel estava errado!)  — pelo menos que seja perceptível pelo ser humano: os homens fazem a História que os faz; a História faz os homens que a fazem; os homens fazem a sua história sem a fazer.

Terça-feira, 14 Julho 2015

Negócio da venda de bebés abortados

Filed under: aborto — O. Braga @ 7:11 pm
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Neste vídeo vemos uma médica ligada ao Planned Parenthood (planeamento familiar dos Estados Unidos) a discutir o negócio da venda de partes de bebés abortados (fonte).

Segunda-feira, 6 Julho 2015

O estado de negação dos americanófilos

Filed under: Globalismo — O. Braga @ 8:10 am
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Este texto de Olavo de Carvalho seria límpido e esclarecedor se pudesse explicar a acção dos maiores plutocratas do mundo — a maioria deles, americanos. Como o próprio Olavo de Carvalho escreveu no Twitter:

397-empresas-gayzismo

¿Como é que as 400 maiores empresas dos Estados Unidos apoiam as engenharias sociais em curso — gayzismo, abortismo, Ideologia de Género, etc., — e a culpa é da ex-URSS?!

Estou de acordo com vários aspectos do texto, por exemplo: existe um esforço político das elites mundiais na construção de uma ordem mundial que se baseia em um movimento político global anti-cristão.

Mas este movimento político globalista anti-cristão não é conduzido e liderado pelos herdeiros ideológicos do socialismo: os actuais socialistas apenas adoptam, por conveniência óbvia, a tendência política imposta pela plutocracia anglo-saxónica (neoliberalismo) que detém o poder real no mundo.


Existe uma diferença entre a dialéctica de Hegel e a dialéctica de Karl Marx. Na dialéctica de Hegel, a oposição entre os contrários é subsumida (assumida) na síntese (Aufhebung), o que significa que o passado não é destruído mas antes é incorporado na síntese — ao passo que, na dialéctica de Karl Marx, o passado é destruído. Portanto, parece-me que o conceito de dialéctica de Hegel, referido por Olavo de Carvalho no texto, não condiz com a realidade política actual que pretende destruir, de facto, um determinado status quo cultural no Ocidente.

Mas como é possível que a plutocracia internacional seja “marxista”?!

A resposta é a seguinte: o que se passa hoje tem menos a ver com marxismo do que com a tentativa de imposição, por parte do neoliberalismo, de um novo tipo de fascismo aplicado às nações, e que tem a China como paradigma. E vejamos o que diz Nicolás Gómez Dávila acerca da dialéctica:

A negação dialéctica não existe entre realidades, mas apenas entre definições. A síntese em que a relação se resolve não é um estado real, mas apenas verbal. O propósito do discurso move o processo dialéctico, e a sua arbitrariedade assegura o seu êxito.

Sendo possível, com efeito, definir qualquer coisa como contrária a outra coisa qualquer; sendo também possível abstrair um atributo qualquer de uma coisa para a opôr a outros atributos seus, ou a atributos igualmente abstractos de outra coisa; sendo possível, enfim, contrapôr, no tempo, toda a coisa a si mesma — a dialéctica é o mais engenhoso instrumento para extrair da realidade o esquema que tínhamos previamente escondido nela.”

É certo que a Rússia de Putin não é inocente nem virginal; mas o que não devemos fazer é tentar justificar a acção da plutocracia internacional utilizando, em pleno século XXI, o defunto comunismo soviético como bode expiatório. É certo que o marxismo não morreu, mas não devemos tentar branquear a acção de gente como George Soros ou Rockefeller, apenas porque são americanos, atirando a culpa toda para os russos.

Sábado, 13 Junho 2015

Tony Blair e o imperador Bokassa.

Filed under: Política — O. Braga @ 7:33 am
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O Quim tem a mentalidade típica do Tuga. A ambiguidade é típica do Tuga. O Tuga é um indivíduo tão chico-esperto, ambíguo e indeciso, que consegue chegar sistematicamente ao trabalho às nove horas em ponto, mais ou menos.

O Quim afirma o seguinte, a propósito desta notícia acerca de Tony Blair:

“Em Portugal é possível que um ex-primeiro-ministro como Tony Blair fosse metido na choldra.”

O que se passa é os ingleses pagam, através dos seus impostos, cerca de 20 mil Euros por semana para que Tony Bliar construa o seu império financeiro. Naturalmente que o Tuga Quim, ofuscado pelos “amanhãs que cantam” dos sequazes de Passos Coelho, considera indecisa- e ambiguamente que talvez não fosse má ideia termos um Tony Bliar à solta em Portugal travestido de José Sócrates.

Theodore Dalrymple, que é um inglês que é tudo menos de Esquerda, afirma o seguinte:

“Tony Blair está para Churchill assim como o imperador Bokassa está para Napoleão”.

 

bokassa

Os Tugas adoram Bokassas.

Domingo, 31 Maio 2015

O neoliberalismo apoia a agenda política cultural radical de Esquerda

 

A revista britânica The Spectator  publica um artigo que tenta explicar por que razão os mais ricos do mundo — a plutocracia a que chamamos de “neoliberalismo” — apoia as políticas culturais da Esquerda, e muitas vezes da Esquerda mais radical. Vou tentar fazer aqui um resumo do artigo.

¿Por que razão a maioria das empresas multinacionais, por exemplo, a Google, apoiou o SIM no recente referendo acerca do “casamento” gay na Irlanda? E ¿por que razão os plutocratas, em geral, apoiam as lutas de Esquerda naquilo a se convencionou chamar de “justiça social”?

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Sexta-feira, 6 Março 2015

A Espanha está f*did*!

 

Aquilo que me chateia no “pensamento único” é que o Estado se meta, através dele, na minha vida privada; se o pensamento único não tiver nada a ver com a força bruta do Estado, então não me preocupa grande coisa.

Se toda a gente pensar da mesma maneira mas que não se coloque o Estado a vasculhar a minha casa, por mim podem pensar como quiserem.

tu-quoqueEm Espanha, os socialistas dizem que os neoliberais seguem um “pensamento único”, e estes dizem o mesmo daqueles. A verdade é que os neoliberais aproveitam-se do socialismo para aumentar impostos; e os socialistas aproveitam-se do neoliberalismo para ir reforçando o poder do Estado com o aumento dos impostos. A diferença é que uns chupam o povo de uma maneira, e os outros “xuxam” no povo de outra maneira. O que há de comum entre eles é que ambos defendem — na prática e por razões diferentes — aumento de impostos.

Portanto, o “pensamento único” é o aumento de impostos — seja para pagar a dívida pública rapidamente porque os Bancos alemães andam aflitos (os neoliberais) e não podem esperar, seja porque “a dívida pública não é para pagar” (os socialistas) e o “necessário aumento de impostos” serve para reforçar o poder absoluto do Estado.

Enquanto não se quebrar este “pensamento único” comum a neoliberais e socialistas, não saímos da cepa torta; ou então saímos do Euro. Neoliberais e socialistas fazem parte do problema, e não da solução.

Razão tinha o Salazar: quando chegou ao Poder (na década de 1920) só ia pagando os juros da dívida pública: o pagamento da dívida propriamente dita ficou congelado até meados da década de 1950. Mas hoje a Alemanha não facilita pagamentos, não obstante tenha tido condições muito favoráveis para o pagamento da sua dívida contraída com a II Guerra Mundial. “Pimenta no cu dos outros é chupa-chupa”.

“Liberalismo económico” com brutal aumento de impostos, para pagar a dívida pública aos Bancos alemães em uma década, é abuso de poder.

Sexta-feira, 27 Fevereiro 2015

As três ameaças ao Estado de Direito democrático ocidental

Em relação a este comentário, convém dizer sucintamente o seguinte:

1/ o liberalismo político da Europa não está — nem nunca estará — preparado para lidar com a Jihad islâmica; perante a ameaça islâmica, o liberalismo político europeu terá que se anular, pelo menos provisoriamente.

2/ para além da Jihad islâmica, que é uma ameaça externa ao liberalismo político ocidental, existem de facto duas ameaças internas, sendo que ambas têm como ponto comum a erradicação (eliminação) dos factores metajurídicos subjacentes aos princípios do Estado de Direito tal como concebido pelo positivismo de Kelsen. Esses factores metajurídicos (que também existiam na democracia da Grécia antiga, com a religião de Atenas) são a religião cristã que enforma a cultura antropológica ocidental, por um lado, e por outro  lado a Tradição sem a qual não é possível a democracia ocidental.

Os factores metajurídicos são aqueles que estão “antes” (são a condição) do Direito Positivo e da Constituição que fundamenta o formalismo do Direito Positivo em um Estado de Direito democrático ocidental.

Por detrás de uma Constituição de um Estado de Direito democrático ocidental está toda uma História, uma tradição e uma cultura antropológica fundada nos princípios éticos e ontológicos historicamente influenciados pelo Cristianismo. Sem esses factores metajurídicos, o formalismo do Direito Positivo pode tornar legal qualquer forma de regime político que não respeite a ética herdada do Cristianismo.

3/ Vamos ver, a título de exemplo, o fenómeno do Confucionismo na China.

“Não murmuro contra Deus e não me encolerizo com os seres humanos. Investigo aqui em baixo, mas aponto para o alto. É Deus quem me conhece”. — Confúcio

O Confucionismo tinha uma concepção ética secular (secularismo), baseada não na transcendência divina ou na religião, mas antes baseada em leis e regras sociais e políticas (as quatro virtudes: Hsiao, Jen, Li, Yi). Ou seja, o Confucionismo era uma religião política (uma doutrina de Estado). Porém, o Confucionismo tinha uma “regra de ouro” invocada, mais ou menos na mesma altura por Sócrates e, mais tarde, no Sermão da Montanha por Jesus Cristo (Mateus 7,12): “Não faças aos outros o o que não queres que te façam a ti”.

Por outro  lado, embora o Confucionismo não tivesse oficialmente em consideração a religião propriamente dita, tinha, não obstante, factores metajurídicos “invisíveis” (a Tradição) que se baseavam em elementos da religião imperial chinesa (anterior ao Confucionismo e ao Taoísmo). Sem o legado cultural e histórico da religião imperial chinesa, o Confucionismo não faria qualquer sentido nem poderia ter-se imposto na China.

São os elementos metajurídicos que dão sentido ao formalismo processual do Direito Positivo na democracia ocidental.

4/ as duas ameaças internas ao liberalismo político são o neoliberalismo que transporta consigo o Marginalismo radical e o social-darwinismo para dentro da ética, desprezando os elementos metajurídicos do Estado de Direito democrático ocidental, por um lado; e por outro  lado, o marxismo cultural que tenta mesmo erradicar e eliminar esses factores metajurídicos, transformando o Direito em um código arbitrário à mercê de uma elite gnóstica moderna.

Quinta-feira, 23 Outubro 2014

O idiota volta a atacar

 

A Lufthansa (a congénere alemã da TAP) tem um capital privado de 88 % do total das acções da companhia. O resto das acções — 12% — pertencem a instituições ligadas directa ou indirectamente ao Estado alemão.

Mas desses 88% de acções da Lufthansa que estão em mãos privadas, 68% estão em mãos de cidadãos e/ou empresas alemães.

masoquistasOu seja, a Alemanha — enquanto nação — controla, directa ou indirectamente, cerca de 80% do capital da Lufthansa. E isto não aconteceu por acaso: a privatização da Lufthansa foi desenhada de forma tal que a maioria do capital da empresa permanecesse na Alemanha. E mais: os estatutos da empresa prevêem a possibilidade de uma intervenção do Estado (leia-se, compra de acções por parte do Estado) no caso de uma OPA hostil.

Aquilo que não é pecado na Alemanha, já é pecado em Portugal.

Existe em Portugal um grupo de sado-masoquistas que se auto-intitulam de “liberais”, que pretendem que a TAP saia do controlo português. É o caso deste idiota.

Os “liberais” de pacotilha não se importam que o Estado pague biliões de Euros dos contribuintes para salvar um Banco privado (como vai acontecer com o caso do BES); mas já ficam incomodados se o Estado mantém uma qualquer posição accionista em uma empresa estratégica como é a TAP.

É certo que Portugal não é a Alemanha; e por isso teremos que ter soluções portuguesas, e não copiar as soluções alemãs. A Alemanha “blindou” a Lufthansa de uma determinada maneira; Portugal terá que “blindar” a TAP de uma forma diferente.

Se a Alemanha, enquanto nação, controla 80% da Lufthansa, segue-se que Portugal, enquanto nação, tem também o direito de controlar pelo menos a maioria do capital da TAP. E se os meios a utilizar não podem ser os mesmos, terão que ser diferentes. E mais!: PQP as “regras europeias”!

Quarta-feira, 22 Outubro 2014

Um capitalismo errado tomou conta de Portugal

Filed under: Passos Coelho,Política,Portugal — O. Braga @ 9:33 am
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Antes de entramos no tema, aconselho a leitura de três artigos:

O “capitalismo errado” é o neoliberalismo que se traduz na ideologia política que orienta o governo de Passos Coelho. O exemplo vem de cima.

Há cerca de dois anos fui contactado para assumir funções de Director Comercial de uma empresa; foi-me dito pelo dono da empresa que eu teria que despedir mensalmente o pior vendedor do mês, mesmo que ele tivesse sido o melhor vendedor do mês imediatamente anterior. Ou seja, todos os meses seria despedido um vendedor e admitido um novo vendedor. Isto é o neoliberalismo em todo o seu esplendor. Recusei a oferta.

Em nome da produtividade, o neoliberalismo mina e destrói a produtividade. Os ganhos são a curto prazo. Tal como acontece com o jogo na Bolsa, a gestão neoliberal das empresas vive apenas o momento imediato. O futuro e a sua construção não interessam. Não há futuro. As pessoas tornam-se absolutamente intermutáveis, o que significa que a especialização e a experiência do trabalhador são negadas pelo neoliberalismo empresarial.

Uma coisa é não deixar o trabalhador acomodar-se e/ou ganhar vícios (e aqui, estou de acordo). Outra coisa é tentar transformar um ser humano em uma máquina — o que é uma contradição em termos, porque uma máquina tem sempre os vícios inerentes à sua programação, seja qual for. Só o ser humano consegue corrigir vícios e evoluir por si mesmo.

Mas a Esquerda — por exemplo, o antropólogo João Carlos Louçã — não tem autoridade moral para criticar o neoliberalismo empresarial: a intermutabilidade do ser humano, nos seus papéis sociais, é uma característica de esquerda. Por exemplo, a ideologia de género, característica da Esquerda e recuperada pelo neoliberalismo, é uma ideologia de intermutabilidade do ser humano. A Esquerda também está metida na merda neoliberal até ao pescoço.


A ler: Ruthless narcissists churned out by The Apprentice aren’t fit for the real business world

Terça-feira, 26 Agosto 2014

O problema de fundo do actual capitalismo

 

Leio este artigo no blogue Blasfémias:

“Com este governo, esta maioria e, sobretudo, estas pessoas, não vamos lá: o défice voltou a entrar em descontrolo e adivinha-se novo aumento de impostos.

Por razões próprias e alheias, este governo não fez as reformas que tinha que fazer para domar a despesa pública, isto é, para atacar as causas profundas do défice. Pelo contrário, convenceu-se o governo de que o nível da despesa pública até poderia ser mantido ou baixar pouco («vamos manter o estado social», não cansaram de proclamar os seus dirigentes), caso os impostos aumentassem e as exportações também, fórmula mágica que dificilmente se consegue manter por muito tempo, porque explica o bom senso que nenhuma economia se desenvolve se não conseguir aforrar e investir. Um erro de amadores, portanto.”

E leio estoutro:

“As a result of Obamacare Medicaid expansion coupled with means-tested Obamacare assistance, I estimate welfare rolls expanded from 35.4% of the population in 2012 to about 40% in 2014.”

Almost Half of America on Welfare

Cerca de metade da população americana já vive do Estado Social. Portanto, o problema não existe só em Portugal. E isto leva-me a um texto de Kant, escrito poucos anos antes de ele morrer [“Teoria e Prática”, 1793]:

“Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo — tal o do pai para com os seus filhos, quer dizer, um governo paternal —, onde, por consequência, os sujeitos, tais filhos menores, incapazes de decidir acerca do que lhes é verdadeiramente útil ou nocivo, são obrigados a comportar-se de um modo unicamente passivo, a fim de esperar, apenas do juízo do chefe do Estado, a maneira como devem ser felizes, e unicamente da sua bondade que ele o queira igualmente — um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber.”

Aquilo que o blogue Blasfémias talvez não tenha compreendido é o facto de ser a própria plutocracia — ou seja, o capitalismo actual — que apoia e incentiva o Estado Social: basta verificarmos as posições políticas da maioria dos 50 mais ricos do mundo, incluindo Bill Gates, Rockefeller ou Rothschild. A ideia da actual plutocracia é a criação do “maior despotismo que se pode conceber”. É a isto que Adriano Moreira chama de “neoliberalismo repressivo”, em que a solidariedade cristã do capitalismo primordial é substituída por um capitalismo instrumental e utilitarista que, em troca do Estado Social, restringe a liberdade da pessoa.

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Terça-feira, 19 Agosto 2014

¿Quem é que fornece os dados para as estatísticas do Estado? É o Estado!

 

Para os neoliberais, o Estado é fiável quando lhes interessa: quando é conveniente, pode-se confiar no Estado; quando não é conveniente, o Estado é o diabo.

A coisa funciona assim: o Estado fornece estatísticas à OCDE; e depois essas estatísticas são utilizadas, pelos neoliberais assim como pelos marxistas (les bons esprits se rencontrent …) para a guerra ideológica. A diferença é que os marxistas são coerentes: não diabolizam o Estado.

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Quarta-feira, 13 Agosto 2014

O problema demográfico português e o estatuto da mulher e mãe

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 9:24 am
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“Ser mãe e casada é um trabalho a tempo inteiro”.Petula Clark, cantora e octogenária (via)

Portugal terá que construir uma nova sociedade, se quiser continuar a existir como nação e como país. A alternativa a essa nova sociedade é a extinção não só do país enquanto geografia, mas também e principalmente dos valores que nortearam a existência histórica da Nação Portuguesa.

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