perspectivas

Sábado, 21 Janeiro 2017

O síndroma do “país inviável”: tudo como dantes, no quartel de Abrantes

 

Há uma casta de liberais em Portugal que padece do “síndroma do país inviável”; um deles é Pinto Balsemão (que também nem morre, nem a gente almoça), que afirmou um dia em um programa da SICn que “se Portugal tivesse metade da sua população, seria um país viável” — o que é contraditório, porque teria ainda um mercado meTIme Agosto 1975nor; mas é assim que os Bilderbergers liberais pensam de Portugal.

Então ¿o que diríamos da Islândia, que tem uma população de 300 mil habitantes com um PIB per capita de 50 mil US Dollars? ¿Também é um “país inviável”? Ou a Suíça, ¿também é um “país inviável”?

Em consequência do síndroma do “país inviável”, os liberais defendem a ideia segundo a qual “ou o Euro, ou o caos” — sendo que o caos é o “país inviável”. Sem o Euro, o país é inviável (esquecendo-se que a Islândia, ou a Dinamarca, ou a Suíça, por exemplo, não têm Euro).

O liberal Insurgente de serviço é tão idiota que menciona os anos de inflação alta em Portugal sem referir que ela foi devida ao PREC [Processo Revolucionário em Curso] e aos anos que se lhe seguiram. E depois, fala do Euro como se fosse a antítese da inflação e do PREC [Processo Revolucionário em Curso] que ele não mencionou. Ou seja, compara alhos com bugalhos.

A instabilidade política em um pequeno país cria instabilidade económica, e cria automaticamente uma desconfiança na moeda desse país; basta isto para criar inflação, porque a moeda vai sendo desvalorizada de modo “deslizante” em função dessa desconfiança política. Mas num país sem instabilidade política — por exemplo, a Dinamarca que também não tem Euro —, a moeda é credível e a inflação é baixa, embora o país seja pequeno.

O problema de Portugal é que tem uma esquerda marxista e radical na ordem dos 30% dos votos (contando com a ala radical do Partido Socialista), e por isso é que o país é inviável. Enquanto não limparmos o sebo à elite dessa tropa, nem sequer o Euro nos salva. E já agora: há que tratar dos patrões analfabetos funcionais que temos.

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Quarta-feira, 12 Outubro 2016

A “putificação” do trabalho

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:43 pm
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“Um trabalhador independente é definido como alguém cujo trabalho preenche três critérios: um elevado grau de autonomia, pagamento por cada tarefa ou venda, e uma relação de curto-prazo com o cliente”.

A economia do futuro pertence aos trabalhadores independentes

Faz falta que o governo comece a exigir pagamento de IRC e de IVA na actividade independente nocturna no Intendente e no Cais Sodré.

puta

Terça-feira, 26 Julho 2016

A “estagnação secular” e a Religião da Humanidade

 

Ontem, em um programa na RTP3, três economistas falaram da “estagnação secular”. Um deles (de Esquerda) fez referência a Karl Marx, e outro (da Não-Esquerda) afirmou que a solução para o problema da estagnação económica é uma (ainda) maior globalização das economias (internacionalização). Vemos como a Esquerda e a Não-Esquerda estão de acordo em pontos essenciais sobre este assunto.

Em ambos os casos (na Esquerda e na Não-Esquerda) verificamos a eliminação do elemento ético nas relações económicas, e a redução de toda a realidade humana à economia.


Segundo Karl Marx (“Ideologia Alemã”), a estagnação da economia deve-se às “relações de propriedade” — que é a relação que existe entre as “forças produtivas” e as “relações de produção”: alegadamente, quando as “forças produtivas” atingem determinado estado de desenvolvimento, “entram em contradição” com as “relações de produção”, e essa “contradição” é a causa da estagnação económica.

Quando os marxistas e os neoliberais reduzem a realidade inteira à economia, simplificam o que é complexo e adoptam um pensamento dogmático que ignora as retroacções da História. A História é vista por eles como sendo linear e progressiva, sem possibilidade de recuperação, por parte da sociedade, de conceitos do passado; e quando esses conceitos retroactores surgem, marxistas e neoliberais adoptam o ad Novitatem, fazendo com que o “novo” nunca possa ter qualquer coisa em comum com o “velho”.

A reacção contra a estagnação secular já se está a fazer sentir. Por exemplo, o Brexit é uma reacção à estagnação económica na União Europeia; a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos também; na Hungria temos o Viktor Orbán com os 12% de IRS universal; fenómenos similares acontecem na Irlanda, na Polónia, na Rep. Checa, ou mesmo na Eslovénia. No Japão, a reacção à estagnação secular é por demais evidente:

“This week, Japan’s Liberal Democratic Party and its coalition partners won a two-thirds majority in the legislature’s upper house, to go along with their two-thirds majority in the lower house. A two-thirds majority is required in each house to begin the process of amending Japan’s constitution. And amending the constitution is one of the central planks in the LDP’s platform”.

Japan’s New Fascism

Os direitos humanos, entendidos em si mesmos como uma política, tende a ser colocada em causa ou questionada. Os Direitos do Homem não são uma Política [Marcel Gauchet, “Le Débat”, 1980].


É neste contexto que surge a imigração aberta e suicida na Europa. É uma fuga para a frente, no sentido errado.

mulher islamica em inglaterra kodachromeAntes de o problema da “estagnação” ser económico — é metafísico, ético, cultural e político. Os “comunistas do mercado” (os neoliberais) e os “comunistas da revolução” (os marxistas) descobriram a vantagem da imigração em massa, e dizem que os resultados são excelentes: ambos pensam que saem a ganhar do negócio da imigração em barda.

A instalação multiculturalista de comunidades de imigrantes acelera a proletarização dos imigrantes, e também reduz os trabalhadores indígenas (os brancos europeus) à antiga condição de proletários: privados da protecção de uma nação coerente, tratados como “suspeitos históricos” pelo poder político controlado pelos “comunistas do mercado” (os neoliberais) e pelos “comunistas da revolução” (os marxistas), os europeus indígenas perdem as suas últimas imunidades comunitárias: transformam-se em uma versão actualizada dos proletários do século XIX, em zômbis em potência.

Esta estratégia de proletarização geral da sociedade convém tanto aos neoliberais como aos marxistas, embora por razões distintas — é aquilo a que eu chamei de sinificação.

Trata-se de uma aliança entre Trotski e Hayek.

O neoliberalismo utiliza os velhos intelectuais marxistas (por exemplo, Francisco Louçã, José Pacheco Pereira, Daniel Oliveira, etc.) que são os seus compagnons de route, e que se transformam no novo clero inquisitorial da Religião da Humanidade (esse novo ópio do povo): uma religião que se baseia nas tábuas da lei dos direitos humanos, ou seja, nos direitos dos zômbis, e que se transformam nos deveres do Homem. A Religião da Humanidade tem os seus dogmas, e o seu braço secular: a União Europeia e os tribunais nacionais e internacionais.

Um dos instrumentos privilegiados de controlo dos zômbis europeus por parte dos “comunistas do mercado” e dos “comunistas da revolução”, é a exploração sistemática do sentimento de culpa colectiva dos europeus: a Victimilogia “virou” ciência, e transformou-se em um sistema de legitimização de uma sociedade pouco legítima.

“A classe que tem o poder material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, a que tem o poder espiritual do dominante” → Karl Marx, “Miséria da Filosofia”

¿Quem detém hoje o Poder espiritual dominante? É a Religião da Humanidade. E repartem entre si o poder material. Trata-se de uma aliança que aparece ao povo como a mistificação de uma cisão política. É a nova “superstrutura” constituída pelos “comunistas do mercado” e pelos “comunistas da revolução” (Karl Marx pode ser útil, mesmo quando é inútil).

Terça-feira, 19 Julho 2016

O José Pacheco Pereira, a Banca portuguesa, e Angola

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 6:28 pm
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Lembramo-nos das críticas (por exemplo, do José Pacheco Pereira) em relação ao investimento angolano na Banca portuguesa; e agora vemos isto:

FMI aponta os casos de Portugal e de Itália como sendo de risco para a economia mundial até 2017.

O capital angolano era (alegadamente) “podre” e “mau”; e parece que é melhor não haver capital nenhum: é preferível uma Banca falida do que uma Banca com capital angolano. O José Pacheco Pereira deve andar feliz: quanto mais se destrói Portugal, mais ele (e os seus compagnons de route) rejubilam.

Sábado, 11 Junho 2016

A favor da reintrodução de taxas alfandegárias em Portugal

Filed under: Política — O. Braga @ 1:41 pm
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1/ Se a perfeita liberdade de mercado consiste em uma completa ausência de influência política na actividade económica, então segue-se que nenhum mercado pode ser livre. Neste sentido literal, a liberdade de mercado é uma utopia.

2/ Não existe nenhuma razão para preferir a liberdade de mercado, senão quando ela patrocina e fomenta o desenvolvimento de uma determinada sociedade. Quando a liberdade de mercado é sinónimo de definhamento da economia de uma nação, não há nenhuma razão objectiva para a adoptar. O PIB português actual não é real porque é baseado em dívida, e a economia portuguesa tem sofrido um definhamento objectivo pelo menos desde a entrada de Portugal no Euro.

3/ A liberdade contratual tem sempre que ter em conta os custos e benefícios das partes nos contratos. As taxas alfandegárias fazem parte desses custos — desde que esses custos sejam iguais para todos e não privilegiem ninguém em particular. Concebidas neste sentido, as tarifas alfandegárias não deformam os preços; e dada a igualdade em todas as transacções, elas não afectarão o consumo de forma a reduzir benefícios.

4/ As taxas alfandegárias não se focam especificamente naquilo que é importado, mas preocupa-se com o facto de que, seja o que for que seja importado, tenha que pagar o preço de entrada no mercado.

5/ A função de qualquer governo é a de estabelecer regras para uma interacção económica e social, e penalizar as infracções. Sem regras, não há jogo económico.

Quarta-feira, 20 Abril 2016

Sobre o salário mínimo nacional

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:38 am
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Eu penso que, em uma economia saudável, não deveria haver salário mínimo; mas uma economia saudável depende de uma cultura saudável, e esta depende de determinados princípios metafísicos e éticos que se reflectem na política e na economia (por esta ordem). Ora, Portugal não tem essa cultura saudável.

Uma das razões (senão a principal) por que temos cerca de 20% de eleitores que votam no Bloco de Esquerda e no Partido Comunista é a de que temos empresários de merda (em geral, salvo excepções). Ou seja, é a “Direita” que alimenta o “monstro”; são os patrões que, de forma indirecta, impõem o salário mínimo que tanto criticam.

Se fosse possível e legal, a muitos patrões portugueses, não pagar qualquer salário aos trabalhadores, não tenho dúvida que o fariam; há mesmo patrões que exigem que as pessoas paguem para trabalhar. Portanto, em um contexto de empresariado de merda em uma cultura do neolítico, não é possível prescindir do salário mínimo. Infelizmente.

Sexta-feira, 15 Abril 2016

Sobre Portugal e o Euro

Filed under: economia — O. Braga @ 11:48 am
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A economia não é uma ciência exacta, ou melhor, não pode ser sujeita literalmente ao método das ciências da natureza — tal como acontece também com as chamadas “ciências sociais”. Obviamente que em economia há estatísticas que permitem estabelecer algumas leis; mas essas estatísticas são feitas no passado, e as variáveis são de tal forma vastas que qualquer previsão económica corre sempre muitos riscos de falhar.

Um Insurgente refere-se aqui a uma entrevista de João Ferreira do Amaral em que este defende a saída de Portugal do Euro.

Europa do Euro 400 webNão há qualquer garantia de que se Portugal permanecer no Euro, ou se Portugal sair do Euro, o nosso país terá um futuro mais risonho.

Permanecer do Euro ou sair dele é uma decisão política — porque as estatísticas de 15 anos de Euro revelam que as vantagens e desvantagens da permanência de Portugal no Euro se equivalem. Já não estamos aqui a falar de economia, mas antes de opções políticas e, obviamente, ideológicas.

João Ferreira do Amaral mencionou alguns factos (e contra factos não há argumentos). Por exemplo, com Portugal no Euro a crescer entre 1% e 1,5%, o país não tem viabilidade; é um país que não tem futuro. Este é um facto matematicamente verificável, em função do valor da dívida total do país. Quem defende, ainda assim, a permanência de Portugal no Euro, toma uma opção política, e não económica: sacrifica determinados valores para beneficiar outros valores.

Por outro lado, também não há quaisquer garantias de que, saindo Portugal do Euro, Portugal começaria automaticamente a crescer 3% por ano, permitindo assim o pagamento da dívida e juros, o decréscimo do desemprego e a sustentabilidade das despesas do Estado. Mas a experiência demonstra-nos que a permanência de Portugal no Euro levou ao endividamento e à descapitalização da economia portuguesa. Isto são factos. Porém, a experiência demonstra-nos que o soberanismo, entendido apenas isoladamente e sem uma renovação cultural, não é garantia de crescimento económico (como podemos ver no actual Brasil de Dilma).

Permanecer no Euro ou sair dele é escolher entre dois males — porque não há qualquer garantia de que cada um deles funcione para um melhor Portugal futuro. É uma decisão política que esta geração de políticos terá que assumir, para o bem ou para o mal de Portugal, e que ficará para a História.

Sexta-feira, 11 Março 2016

Assobiar e chupar cana

Filed under: economia — O. Braga @ 9:51 am
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O BCE [Banco Central Europeu] pretende que os Bancos assobiem e chupem, ao mesmo tempo. O dinheiro não circula, porque os custos potenciais de circulação do dinheiro são superiores ao prejuízo de ter o dinheiro parado.

Por exemplo, eu prefiro ter um carro usado do que vendê-lo a crédito ao mendigo profissional que me pede uma moeda na rua: o prejuízo de ver o meu carro desvalorizar com a passagem do tempo é inferior ao prejuízo potencial de vendê-lo a quem eu penso que não o pode pagar.

Imaginemos um cano de água na nossa cozinha: tem um furo, e pinga água. Por mais água que metamos no cano, o furo não deixa de pingar. Ou seja, injectar mais dinheiro no sistema monetário não resolve o problema que o estrangula.

Imaginemos, também, caro leitor, que V. Exª acredita que o dinheiro valerá no futuro o mesmo que vale hoje; ou seja, tem a certeza de que a economia não muda. V. Exª seria estúpido se poupasse ou se investisse o seu dinheiro na economia real — porque se o dinheiro vale hoje o mesmo que valerá certamente amanhã, o mote será o carpe Diem: “bota e vira” a gastar! Ou seja, em vez de criar riqueza, o dinheiro destrói a economia e a possibilidade de criação de riqueza.

¿Qual a solução para o problema?

Este problema do Euro tem que ser resolvido nível nacional, em cada país do Euro. Não há “uma solução para todos”. A Finlândia, por exemplo, começa a discutir a sua permanência no Euro, porque esse país está em recessão há quatro anos seguidos; como não pode desvalorizar o Euro, a Finlândia está a cortar nos salários como forma de equilibrar a sua competitividade nas exportações.

Em Portugal, a situação é mais complicada. A saída do Euro (sem alívio da dívida) levaria a um novo PREC [Processo Revolucionário em Curso] elevado ao cubo, e possivelmente a um golpe-de-estado.

Quinta-feira, 3 Março 2016

Os liberais querem a eutanásia da Banca portuguesa

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 10:53 am
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Em média, nos países da União Europeia, 80% da Banca pertence a nacionais desses países. Mas em Portugal, apenas 67% da Banca pertence a nacionais. E os liberais de pacotilha pretendem que a Banca portuguesa se reduza à Caixa Geral de Depósitos (até ver!), ou seja, a 25% de propriedade nacional.

Os liberais portugueses são suicidários por natureza. Aceitam que os liberais alemães, por exemplo, defendam a nacionalidade da sua Banca, ao mesmo tempo que defendem mesmo a alienação da Caixa Geral de Depósitos.

Sábado, 13 Fevereiro 2016

A redução da antropologia à economia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:39 pm
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A redução de toda a realidade à economia é uma característica da pós-modernidade. Essa atitude redutora está bem patente em quase toda a opinião publicada: é como que, perante a perda de sentido, as pessoas se agarrassem a uma qualquer “ciência” para afastarem os demónios do absurdo que elas próprias criam ou adoptam.

Um exemplo da redução da realidade à economia é este texto: é uma logomaquia em “economês” em defesa do Rendimento Básico Incondicional.

Porém, o problema do Rendimento Básico Incondicional é antes de mais um problema antropológico lato sensu que não pode ser reduzido à economia. Antes de ser um problema económico, é um problema metafísico; e depois, é um problema ético; a seguir é um problema cultural; depois passa a ser um problema político; e só finalmente é um problema financeiro.

A definição de Rendimento Básico Incondicional pode ser lida aqui:

“O Rendimento Básico Incondicional é uma prestação atribuída a cada cidadão, independentemente da sua situação financeira, familiar ou profissional, e suficiente para permitir uma vida com dignidade”.

O Rendimento Básico Incondicional significa que o Estado tem a obrigação de sustentar o indivíduo independentemente de ele querer trabalhar muito, pouco, ou mesmo nada. Como se vê, o problema é antes de mais, metafísico e ético. E depois é cultural (antropológico) e político. A economia vem no fim da linha.

Quinta-feira, 11 Fevereiro 2016

Apertem os cintos!

Filed under: Portugal — O. Braga @ 2:48 pm
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«A maior subida semanal das taxas de juro desde 2012», refere o FT.

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Segunda-feira, 11 Janeiro 2016

A produtividade dos países da União Europeia

 

produtividade na ue


Uma analogia:

Os luxemburgueses produzem 1 kg de ouro por hora, e os portugueses produzem 1 kg de alheiras por hora.

O esforço do trabalho por hora é idêntico nos dois casos, porque os luxemburgueses não são super-homens. A diferença é que os luxemburgueses têm os meios necessários para produzir ouro, e os portugueses não têm esses meios. A diferença de “produtividade” está aí.

Ora, é possível dotar Portugal de meios para produzir 1 kg de ouro por hora, em vez de alheiras. Mas isso iria baixar o preço do ouro no mercado — se toda a gente procurar produzir ouro, o preço do ouro baixa no mercado, e a produtividade baixa também. Por isso, quem produz ouro não quer que os outros o produzam, e fazem tudo para que os meios de produção de ouro não sejam transmissíveis a outrem.

A União Europeia é um mercado em que uns produzem ouro, e outros produzem alheiras; pelo meio, há uns que produzem prata ou cobre. E qualquer tentativa de alterar a situação dos produtores de alheiras é considerada um “atentado às instituições europeias”.

Para quem produz ouro, a competitividade não é problema, porque existem poucos com os meios necessários para produzir ouro. A produção de ouro é uma espécie de monopólio de um grupo pequeno. A competitividade só se coloca a nível dos produtores de alheiras, em que os meios de produção estão ao alcance de muitos países.

Portanto, a competitividade é proporcional à produtividade. Quanto menos produtiva é uma sociedade (ou país), menos competitiva ela é (a não ser que restrinja as importações, como faz a China, valorizando a produtividade no mercado interno). 

Para que Portugal possa dar um salto qualitativo e passar a produzir cobre ou prata (e já nem falo em produzir ouro!) tem que fazer um “corte epistemológico” em relação ao status quo.

E esse “corte epistemológico” passa por alianças bilaterais com países com interesses semelhantes aos de Portugal, e principalmente fora da Europa. Ou seja, a atitude de Portugal em relação à União Europeia tem que ser revolucionária, no sentido de colocar em causa a “lógica” de mercado que condena a que uns produzam alheiras toda a vida, enquanto os outros se pavoneiam com a sua “produtividade” produzindo ouro.

(fonte do gráfico)

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