perspectivas

Quarta-feira, 7 Janeiro 2015

As características do novo ""ismo"", ou o Novo Olimpo

O que está a acontecer hoje no mundo é algo de novo; quero dizer, tem pouco já a ver com comunismo ou com fascismo, ou com qualquer outro “ismo” do passado, mas trata-se de um novo “ismo” que a esmagadora maioria das pessoas ainda não compreendeu — nem mesmo a maioria das classes políticas de muitos países compreendeu totalmente. Isto não significa que eu tenha compreendido: o que significa apenas é que eu tenho uma teoria.

¿Quais são as características principais do novo “ismo”?

novo-olimpo-policia1/ é global; o novo “ismo” pretende ser aplicado a nível global. 1

2/ é uma ideologia da não-ideologia, no sentido em que é uma ideologia pragmaticista (por exemplo, “o sucesso determina a verdade”, sendo que a verdade está determinada a partida e, por isso, baseia-se em um pensamento circular).

3/ pretende transformar a democracia em um sistema pro-forma2 .

4/ pretende subjugar qualquer poder político ao poder financeiro alojado nos paraísos fiscais que passam a ser uma espécie de “no man’s land” em termos políticos.

5/ pretende criar uma elite em cada país — seja de Esquerda ou de Direita, é indiferente — que institua paulatinamente e represente intramuros o novo “ismo”.

6/ cada país será obrigado a ser aglutinado em blocos regionais; estes blocos regionais são o prelúdio do governo global coordenado através do “no man’s land”. 3 .

7/ o novo “ismo” passa pela sinificação, mais ou menos literal, dos países inseridos em blocos políticos e económicos 4 .

8/ o novo “ismo” passa pela uniformização totalitária do pensamento mediante a defesa do conceito de “diversidade”. Ou seja, alegadamente, “para que haja diversidade, toda a gente tem que pensar da mesma maneira em relação à  diversidade”, dando lugar a um pensamento único e indiferenciado em relação à realidade social, política e ontológica.

9/ para que toda a gente possa ser obrigada a pensar da mesma maneira, terá que existir um sincretismo entre os pensamentos libertários de Esquerda e de Direita (que é o chamado “politicamente correcto”). O libertarismo — como aconteceu, aliás, com o anarquismo no passado recente —  é assim colocado ao serviço da construção de um novo totalitarismo à  escala global comandado a partir do “no man’s land” ou Novo Olimpo.

10/ os graus mais altos da maçonaria conhecem bem os contornos ideológicos do Novo Olimpo.


Notas
1. A ideia segundo a qual  “existem vários tipos de globalismo”, é ilusória: o que acontece hoje com a Rússia é um caso de resistência ao globalismo, e a Rússia está a pagar o preço pela sua prevaricação — o que já não acontece com a China, que é aliás, e segundo Henry Kissinger, é o modelo a seguir pelo novo “ismo”.

A ideia segundo a qual “o Islão é outro tipo de globalismo” também é ilusória, porque o Islão, entendido como ideologia política que é, é claramente anti-científico. Isto não significa que o novo “ismo” seja a favor da ciência ao serviço do ser humano, mas antes que é a favor do ser humano ao serviço da ciência.

2. (e aqui junta-se a Esquerda e a Direita, ou seja, “junta-se a fome com a vontade de comer”. Não pretende abolir a democracia: apenas pretende fazer de conta que a democracia existe e com a ajuda da manipulação dos me®dia).

3. (por isso é absolutamente necessário destruir as nações e os Estados. Haverá resistência por parte dos Estados maiores, como por exemplo a Alemanha, os Estados Unidos, a China, ou o Brasil; mas nestes casos institui-se o caudilhismo regional);
4. (os países grandes, como o Brasil ou a Índia, serão sinificados per se, sem necessidade de se recorrer a um bloco; ou então serão os caudilhos de um determinado bloco. A democracia pro-forma faz parte do processo de sinificação).

Domingo, 14 Dezembro 2014

A segunda lei da termodinâmica aplicada à História

Filed under: Europa — O. Braga @ 11:25 am
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O José Pacheco Pereira escreveu aqui um texto interessante (ficheiro PDF) — o que já é coisa rara no nosso panorama da chamada “cultura intelectual”, o que corrobora a ideia de um fim de ciclo civilizacional.


Depois de um ciclo começa outro; o homem religioso propriamente dito vê a História em ciclos — desde o ciclo temporal e alternado do sagrado e do profano, até aos ciclos da História que se renova; e mesmo o Cristianismo que se arroga herdeiro da História linear judaica, anuncia a escatologia do “fim dos tempos” que dará lugar a um novo ciclo. Fernando Pessoa materializou o conceito dos ciclos da História através da noção da “velhice do eterno novo”.

O conceito de “história cíclica” é profundamente anti-hegeliano — e talvez seja essa uma das razões por que o José Pacheco Pereira se diz “agnóstico”, sendo que o agnosticismo é uma forma religiosa que se baseia essencialmente em uma espécie de monismo, seja este mecanicista (materialismo) ou dialéctico (Hegel) — porque não concebe o “progresso na Terra”.

De certa forma, a ideia de “história cíclica” aproxima-se do conceito do Eterno Retorno de Nietzsche e/ou dos Yuga dos brâmanes hindus, com a diferença de que o homem religioso não vê, nos ciclos da história, a expressão de um absurdo existencial, mas antes vê neles algo que dá sentido à existência (no sentido terrestre), na esperança de um Nirvana ou de uma vivência na Transcendência.

Não me lembro se foi Spengler que escreveu que “quanto mais se desenrola a História, menos tem para desenrolar”. É como se os acontecimentos tivessem um limite físico, uma finitude endógena, e depois se repetisse tudo outra vez, embora com outras cores — a essência mantém-se, a forma muda. Ao mudar a forma, parece-nos que a essência muda também.

O problema é o de saber se, com o globalismo, haverá espaço para ciclos históricos alternativos, porque um sistema isolado (fechado) exige que a entropia1 aumente com a passagem do tempo. A globalização (que não é a mesma coisa que “globalismo”, e que existe pelo menos desde o século XV) tolerava a existência de sistemas alternativos (embora sujeitos a uma hierarquização valorativa subjectiva ou objectiva) que comunicavam autonomamente entre si, e portanto não havia propriamente um sistema isolado/fechado. Havia trocas entre os vários sistemas.

Com o globalismo, paradoxalmente, a diferença (entre sistemas) vai sendo triturada à medida em que a entropia vai alcançando o seu valor máximo2 .

Quando Agostinho da Silva dizia que “do português há a esperar tudo, e haver um povo no Mundo do qual tudo há a esperar parece-me ser uma coisa extraordinária” — isso foi ainda no tempo subjectivo dele em que a imprevisibilidade do povo português ainda era um facto.

Com a entropia em um sistema fechado (globalismo), a degradação da energia é irreversível e toda a evolução se produz no sentido de estados cada vez mais prováveis e previsíveis. A imprevisibilidade vai desaparecendo à medida que a entropia avança e vai atingindo o seu máximo possível. Este crescendo da entropia globalista constitui um regresso progressivo a uma não-diferenciação da qual teria nascido a História — um regresso cíclico à “matéria inerte” da História que se traduz, como escreveu o José Pacheco Pereira, nos exemplos do “quadro branco de Malevitch, o urinol de Duchamp, o Finnegans Wake de Joyce, o teatro de Beckett, a música de John Cage, as imagens de Andy Warhol”. Enfim, desemboca-se no deserto da História.

Porém, nesta evolução entrópica da História em direcção ao estado mais provável, admite-se hoje que o desenrolar dos acontecimentos possa ser “travado” — por dados ainda não integrados pela teoria da relatividade — através do conceito de neg-entropia. Os sistemas ainda vivos e relativamente autónomos protegem-se do caos circundante criando uma ordem interna específica e própria (retorno ao nacionalismo), em uma espécie de “casulos” semi-autónomos que negam o sistema fechado globalista, por um lado, e por outro lado, exportam a sua própria entropia para os sistemas vizinhos, reforçando assim a sua própria ordem interna.

Portanto, o ciclo fecha-se e abre-se outro. Deste fechar de ciclo, muitos sistemas desaparecerão — aqueles que recusaram reconhecer que em um sistema globalista isolado se evolui irreversivelmente de tal modo que a energia se degrada (por dissipação parcial irrecuperável) em direcção ao seu máximo de entropia.

Notas
1. A entropia é a medida do grau de organização em um sistema isolado/fechado. Um aumento da entropia significa um decréscimo da organização de um sistema.
2. A Segunda Lei da Termodinâmica, também conhecida como Princípio de Carnot, estabelece que os processos que ocorrem naturalmente num sistema isolado aumentam, ao longo do tempo, a entropia do sistema. Ou seja, a quantidade de entropia (desorganização, ou desordem) de qualquer sistema isolado [fechado] tende a aumentar com o tempo e de uma forma espontânea, até alcançar um valor máximo.

Domingo, 9 Junho 2013

O director não-executivo da Goldman Sachs está de acordo com o Bloco de Esquerda

O representante da ONU e organizador do Fórum Global da Migração e Desenvolvimento é o inglês Peter Sutherland que é, também, director não-executivo do Banco Goldman Sachs International, e foi presidente do grupo petrolífero BP (British Petroleum).

¿ E o que é que o director não-executivo da Goldman Sachs (que “por acaso” é o organizador do Fórum Global da Migração e Desenvolvimento) defende, no que diz respeito às migrações populacionais e ao multiculturalismo ? Exactamente aquilo que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista defendem! Ou seja, o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda estão de acordo com a Goldman Sachs.

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Terça-feira, 4 Junho 2013

A democracia em Portugal já acabou

Filed under: Europa,Política,Portugal — O. Braga @ 4:33 pm
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Segundo o Financial Times que refere o “mecanismo único de resolução” da União Europeia, a comissão europeia de Durão Barroso vai intervir directamente na Banca portuguesa, à revelia do governo português, da assembleia da república e do presidente da república, que não serão tidos nem achados nessa intervenção.

Os portugueses presentes na reunião de Bilderberg 2013

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 12:07 pm
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Paulo Portas, o Tó-Zero, e o inarrável e epidémico “bolsa-na-mão”. Vamos ter um governo de coligação Partido Socialista / CDS/PP.

Segunda-feira, 3 Junho 2013

O progresso e o mundo melhor

O conceito de “progresso” só faz algum sentido quando aquilo que de positivo (em termos éticos, culturais e/ou históricos) existiu no passado não se perdeu com o processo de devir. O progresso só pode ser acumulação de experiências positivas; e a esta acumulação de experiências positivas chamamos de “civilização”. Tudo o resto é mudança; e a mudança, entendida em si mesma, não é necessariamente “progresso”.

A existir um “mundo melhor” – se é que é possível – tem que ser um “mundo civilizado”. Não há “mundo melhor” sem a valorização positiva do passado – porque, como vimos, um “mundo melhor” não é apenas um “mundo em devir”: é essencialmente a justaposição cultural das experiências positivas do passado e do presente. A diabolização do passado histórico, ético e cultural é anti-progresso.

E é por isso que o “mundo melhor” é incompatível com o “progressismo” actual: defender o “progresso” e ser “progressista” é, hoje, uma contradição em termos.

Os dois radicalismos que irão devastar a Europa: globalismo e neonazismo

Filed under: Europa — O. Braga @ 4:15 pm
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Globalismo

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Neonazismo

Pelo menos na Grécia, os globalistas vão perder a batalha – a não ser que este país saia do actual double blind em que se encontra. E os neonazis vão ganhar devido à natureza antidemocrática do globalismo que impede que se afirme moralmente entre os povos da Europa. O neonazismo é um mal, mas é mal menor quando comparado com o outro mal.

Terça-feira, 24 Novembro 2009

Quando o marxismo serve de paradigma a um novo fascismo à escala global

« O que quer que venha rotulado como consenso da opinião mundial, aprovado unanimemente por vários governos, pelos organismos internacionais, pela grande mídia, pela indústria do show business e pelos intelectuais públicos mais em moda, ou seja, pela quase totalidade dos “formadores de opinião”, é suspeito até prova em contrário.»

Olavo de Carvalho

O que está a acontecer hoje é a recuperação sistemática dos métodos revolucionários ― que existiam antes da queda do muro de Berlim ― pela plutocracia organizada. Entenda-se por “plutocracia” o “grupo dos quinhentos” a que fez alusão Fernando Pessoa, que manobra, organiza e sustenta as tríades locais que pretendem controlar a sociedade exclusivamente através da mentira endémica como meio de acção política.

O método de acção cultural que serviu a opressão marxista, num passado próximo, é considerado hoje como sendo uma “boa metodologia” para a opressão do futuro ― mas desta vez sem o marxismo económico que atentava contra a super-estrutura capitalista. Vivemos uma espécie de marxismo em que sobrevive a super-estrutura intacta, ao mesmo tempo que se actua na infraestrutura de forma semelhante à que as ditaduras do proletariado o fizeram. Constrói-se uma espécie de ditadura do proletariado global a que escapa o “grupo dos 500” e seus capangas locais. Fascismo puro.

Sábado, 3 Outubro 2009

A celebração do prenúncio do fascismo global

«60 anos de barbárie». O título é perfeito.
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Quinta-feira, 3 Setembro 2009

Sobre Hegel e o comunitarismo de Etzioni

Fiquei a saber através de um comentário neste postal da existência do Comunitarismo, o que prova a minha ignorância e o facto de estarmos sempre a aprender. Segundo parece, o ideólogo do comunitarismo foi o judeu Amitai Etzioni. Sobre o comunitarismo segundo Etzioni, ainda não tenho opinião formada, embora se sugira aqui que o comunitarismo tem origem em Hegel, o que é provável.

Hegel

Hegel

Ora bem, antes de mais, para se evitarem mal-entendidos que sempre acontecem quando o espaço é curto, convém dizer que “nacionalismo” não é o mesmo que “estatismo”. As pessoas confundem Nação com Estado. Eu sou nacionalista mas não sou estatista ― o que não quer dizer que seja anti-Estado, nem o poderia ser, porque o Estado existe como um meio e não como um fim; o Estado serve a Nação e não é esta que deve servir aquele.

aqui se falou como as ideias de Hegel degeneraram naquilo que é o marxismo cultural ou politicamente correcto. As ideias têm sempre uma história. Eu estou de acordo com algumas ideias de Hegel ― por exemplo na frase que parece um cliché: “O que é real é racional, e o que é racional é real”. Mas a aplicação da dialéctica hegeliana ao processo histórico é perfeitamente desastrosa.
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Quarta-feira, 2 Setembro 2009

O que está por detrás da Nova Ordem Mundial ?

Winston Churchill dizia da União Soviética que era “um quebra-cabeças envolvido num mistério, dentro de um enigma”. A eleição de Barack Hussein Obama e os desenvolvimentos da política globalista são um quebra-cabeças envolvido num mistério, dentro de um enigma. Para o cidadão com alguma estatura intelectual, e mesmo para os políticos de países mais pequenos como Portugal e países do terceiro-mundo, o que se está a passar nos areópagos internacionais é um quebra-cabeças envolvido num mistério, dentro de um enigma. O que é Nova Ordem Mundial?
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Quarta-feira, 3 Junho 2009

O silêncio dos culpados

O silêncio dos culpados

O silêncio dos culpados

“Temo os vossos silêncios, não as vossas injúrias.”

― Racine

Se a oposição a G W Bush era saudável, hoje existe um consenso político em torno de Obama que é doentio. Vivemos um tempo de “silêncio dos culpados”, que sabendo da monstruosidade global que se está a criar, se calam por forma a dirimir os erros das convicções pretéritas ― tudo em nome de uma coerência que não existe senão como uma manifestação de uma desonestidade política. Embora a História não se repita, vivemos um tempo de silêncio dos culpados similar ao que ocorreu com a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha dos anos 30 do século passado. Um silêncio ensurdecedor e acomodadiço; um baixar de braços perante um novo projecto de totalitarismo, desta feita, a nível global. Como se poderá fazer oposição a um totalitarismo global?
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