perspectivas

Terça-feira, 26 Julho 2016

A “estagnação secular” e a Religião da Humanidade

 

Ontem, em um programa na RTP3, três economistas falaram da “estagnação secular”. Um deles (de Esquerda) fez referência a Karl Marx, e outro (da Não-Esquerda) afirmou que a solução para o problema da estagnação económica é uma (ainda) maior globalização das economias (internacionalização). Vemos como a Esquerda e a Não-Esquerda estão de acordo em pontos essenciais sobre este assunto.

Em ambos os casos (na Esquerda e na Não-Esquerda) verificamos a eliminação do elemento ético nas relações económicas, e a redução de toda a realidade humana à economia.


Segundo Karl Marx (“Ideologia Alemã”), a estagnação da economia deve-se às “relações de propriedade” — que é a relação que existe entre as “forças produtivas” e as “relações de produção”: alegadamente, quando as “forças produtivas” atingem determinado estado de desenvolvimento, “entram em contradição” com as “relações de produção”, e essa “contradição” é a causa da estagnação económica.

Quando os marxistas e os neoliberais reduzem a realidade inteira à economia, simplificam o que é complexo e adoptam um pensamento dogmático que ignora as retroacções da História. A História é vista por eles como sendo linear e progressiva, sem possibilidade de recuperação, por parte da sociedade, de conceitos do passado; e quando esses conceitos retroactores surgem, marxistas e neoliberais adoptam o ad Novitatem, fazendo com que o “novo” nunca possa ter qualquer coisa em comum com o “velho”.

A reacção contra a estagnação secular já se está a fazer sentir. Por exemplo, o Brexit é uma reacção à estagnação económica na União Europeia; a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos também; na Hungria temos o Viktor Orbán com os 12% de IRS universal; fenómenos similares acontecem na Irlanda, na Polónia, na Rep. Checa, ou mesmo na Eslovénia. No Japão, a reacção à estagnação secular é por demais evidente:

“This week, Japan’s Liberal Democratic Party and its coalition partners won a two-thirds majority in the legislature’s upper house, to go along with their two-thirds majority in the lower house. A two-thirds majority is required in each house to begin the process of amending Japan’s constitution. And amending the constitution is one of the central planks in the LDP’s platform”.

Japan’s New Fascism

Os direitos humanos, entendidos em si mesmos como uma política, tende a ser colocada em causa ou questionada. Os Direitos do Homem não são uma Política [Marcel Gauchet, “Le Débat”, 1980].


É neste contexto que surge a imigração aberta e suicida na Europa. É uma fuga para a frente, no sentido errado.

mulher islamica em inglaterra kodachromeAntes de o problema da “estagnação” ser económico — é metafísico, ético, cultural e político. Os “comunistas do mercado” (os neoliberais) e os “comunistas da revolução” (os marxistas) descobriram a vantagem da imigração em massa, e dizem que os resultados são excelentes: ambos pensam que saem a ganhar do negócio da imigração em barda.

A instalação multiculturalista de comunidades de imigrantes acelera a proletarização dos imigrantes, e também reduz os trabalhadores indígenas (os brancos europeus) à antiga condição de proletários: privados da protecção de uma nação coerente, tratados como “suspeitos históricos” pelo poder político controlado pelos “comunistas do mercado” (os neoliberais) e pelos “comunistas da revolução” (os marxistas), os europeus indígenas perdem as suas últimas imunidades comunitárias: transformam-se em uma versão actualizada dos proletários do século XIX, em zômbis em potência.

Esta estratégia de proletarização geral da sociedade convém tanto aos neoliberais como aos marxistas, embora por razões distintas — é aquilo a que eu chamei de sinificação.

Trata-se de uma aliança entre Trotski e Hayek.

O neoliberalismo utiliza os velhos intelectuais marxistas (por exemplo, Francisco Louçã, José Pacheco Pereira, Daniel Oliveira, etc.) que são os seus compagnons de route, e que se transformam no novo clero inquisitorial da Religião da Humanidade (esse novo ópio do povo): uma religião que se baseia nas tábuas da lei dos direitos humanos, ou seja, nos direitos dos zômbis, e que se transformam nos deveres do Homem. A Religião da Humanidade tem os seus dogmas, e o seu braço secular: a União Europeia e os tribunais nacionais e internacionais.

Um dos instrumentos privilegiados de controlo dos zômbis europeus por parte dos “comunistas do mercado” e dos “comunistas da revolução”, é a exploração sistemática do sentimento de culpa colectiva dos europeus: a Victimilogia “virou” ciência, e transformou-se em um sistema de legitimização de uma sociedade pouco legítima.

“A classe que tem o poder material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, a que tem o poder espiritual do dominante” → Karl Marx, “Miséria da Filosofia”

¿Quem detém hoje o Poder espiritual dominante? É a Religião da Humanidade. E repartem entre si o poder material. Trata-se de uma aliança que aparece ao povo como a mistificação de uma cisão política. É a nova “superstrutura” constituída pelos “comunistas do mercado” e pelos “comunistas da revolução” (Karl Marx pode ser útil, mesmo quando é inútil).

Quinta-feira, 5 Maio 2016

A União Europeia tornou-se em um instrumento de repressão política

Filed under: Europa — O. Braga @ 9:50 am
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A União Europeia pretende estabelecer uma multa de 250.000 Euros por cada imigrante que um qualquer país recuse acolher. Isto significa que a Comissão Europeia pretende penalizar a Hungria em 500 milhões de Euros, e a Polónia em 1,6 mil milhões de Euros, só porque estes dois países recusam receber imigrantes islâmicos.

Estabelece-se assim um princípio perigoso. Nada impede que, no futuro, a União Europeia imponha uma multa, por exemplo, de 1 milhão de Euros por cada soldado que um determinado país recuse enviar para uma guerra qualquer que seja do interesse exclusivo dos países do directório (Alemanha e França).

Quando entramos na União Europeia, sabíamos que não havia almoços grátis; mas o que acontece hoje, é que não só os almoços não são grátis, como também já nos dizem qual é o tipo de dieta que temos que seguir. E qualquer dia proíbem-nos de comer.

Quarta-feira, 6 Abril 2016

Discurso de Viktor Orbán em Março de 2016 (legendado em português)

 

Domingo, 20 Março 2016

A Direita portuguesa deveria seguir a Hungria na política de natalidade

Filed under: Política — O. Braga @ 1:16 pm
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O “faxistaViktor Órban implementou na Hungria — onde a taxa de IRS é única e universal, de 14% — algumas medidas a favor da natalidade que deveriam ser seguidas pela “direita” portuguesa:

  • se um avô ou avó cuidam dos netos enquanto os pais trabalham, têm direito a uma prestação social (adicional) equivalente a uma pensão mínima de velhice;
  • os patrões que empreguem pais que tenham pelo menos 3 filhos ficam isentos de prestações sociais (a “taxa única”) durante três anos (em relação a esses pais, obviamente), e depois ficam sujeitos a uma taxa única de 14% em vez da taxa normal de 27% durante os dois anos seguintes;
  • o pai ou a mãe têm direito, durante os primeiros três anos da criança nascida, ao trabalho em tempo parcial (part-time);
  • o Estado deposita a prazo em um Banco, e em nome da criança, um determinado valor que acumulará juros até poder ser levantado quando a criança tiver 18 anos;
  • ¼ das despesas com a criança (saúde, educação, etc.) são deduzidas em sede de IRS — para além dos normais incentivos fiscais em vigor no governo português de Passos Coelho e que o António Costa eliminou;
  • 32.000 Euros supridos (oferecidos) pelo Estado para aquisição ou obras em habitação própria, a famílias que se comprometam a ter pelo menos 3 filhos nos 10 anos seguintes.

A “direita” portuguesa não pode deixar de olhar e analisar o que se passa na Hungria de Viktor Órban; a alternativa é continuar submetida à Esquerda.

Discurso do primeiro-ministro húngaro, Viktor Órban, em 15 de Março de 2016

Filed under: Política — O. Braga @ 11:44 am
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Assino por baixo (com as duas mãos).

Segunda-feira, 10 Novembro 2014

Viktor Orbán e a União Europeia

Filed under: Europa — O. Braga @ 9:10 am
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“A construção da Europa não é uma utopia: é qualquer coisa de muito concreto que pretende preservar a paz. A ideia da unidade europeia nasceu precisamente em resposta às utopias perigosas que falharam no século XX.”

Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria


Segundo Viktor Orbán, a União Europeia deve ser uma Europa das nações, em que os pequenos países têm um papel fundamental. Os valores mais importantes da Europa são as nações: na Europa, as nações são a realidade e os Estados Unidos da Europa são uma utopia. Ou seja, os euro-federalistas [como, por exemplo, os socialistas e os sociais-democratas portugueses] são utópicos.

Viktor Orbán afirma que a União Europeia não se pode afastar dos Estados membros e dos seus cidadãos, porque somos membros de uma comunidade de valores de uma cultura de raízes cristãs.

Sexta-feira, 1 Agosto 2014

Depois de Boisguilbert e Adam Smith, só nos resta hoje a entropia do capitalismo (por culpa própria)

 

Eu escrevi um verbete com o título “A expansão da “ideologia de mercado” tem que ser travada”; mas isso não significa que eu seja contra o capitalismo e/ou contra o mercado. Pelo contrário, sou a favor do verdadeiro capitalismo, que não é o actual.

Olhemos para o exemplo da Hungria, que é um país capitalista que tem um imposto único e universal (IRS) de 16%, e tem a palavra “Deus” inscrita na sua Constituição.

O leitor Horta Nobre deixou o seguinte comentário no referido verbete: “Talvez os fisiocratas nos possam dar uma ajudinha”.

Vamos ver (como diz o cego): aquilo que se convencionou chamar hoje de “neoliberalismo” já não é o liberalismo de Boisguilbert, dos fisiocratas (por exemplo, Quesnay) e de Adam Smith (por ordem cronológica de evolução ideológica). Vou transcrever a tradução de um trecho de Boisguilbert (“Dissertation de la nature des richesses de l’argent et des tributs” – 1707, pág. 986):

(more…)

Domingo, 16 Fevereiro 2014

Deputado húngaro deita ao lixo a bandeira da União Europeia

Filed under: Europa — O. Braga @ 2:36 pm
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Quarta-feira, 14 Agosto 2013

A III república portuguesa não é regenerável pelos seus próprios meios

“Portanto – como sempre! -, não se busque nos outros a razão da nossa desgraça política. É dentro da direita que se consente esta corrupção de Estado. E é por causa da nossa debilidade moral – votação corrupta – que os socialistas mandam (é sempre «culpa nossa»). Não há redenção da direita sem limpeza da sua corrupção.”

Eu só não recomendo a leitura deste verbete porque está escrito “desconforme o desacordo ortográfico”; mas façam de conta que está escrito correctamente: a nossa imaginação não tem limites.

Existe um nexo causal entre o processo progressivo da perda da soberania para a União Europeia, por um lado, e por outro lado, a normalização paulatina da corrupção que se entranha nos costumes das elites.

Diz o texto que “não há redenção da direita sem limpeza da sua corrupção”. Ora, essa “limpeza”, efectuada dentro do e pelo sistema, é absolutamente impossível! O Direito Positivo apoia-se espontaneamente nos costumes, e no caso específico da política, nos costumes das elites; e o fundamento dos costumes das elites deve ser procurado nas tradições (boas ou más) mantidas vivas pela História, costumes esses que se manifestam de forma inconsciente na vida política.

A partir do momento em que o Direito Positivo se separou totalmente do Direito Natural – o que aconteceu já na III república, mas principalmente com a alienação progressiva da nossa soberania à União Europeia (e porque no tempo de Salazar ainda existia uma ligação entre os dois tipos de Direito) – o problema ético-político agravou-se. A alienação da soberania portuguesa desresponsabilizou a classe política nacional. Os portugueses vivem hoje num limbo, em que existe uma classe política dentro de num sistema que já não é soberano e que não pertence cabalmente a qualquer soberania. Portugal está à deriva.

A “limpeza da corrupção” não é possível nem à Esquerda nem à Direita – porque na esquerda também existe corrupção, embora diferente. Vemos o que se passa, por exemplo, no Brasil de Dilma Roussef governado à esquerda. Ou o que se passa em França socialista de François Hollande governado pela maçonaria. E se tivermos um governo do Partido Comunista ou do Bloco de Esquerda, a corrupção passa a ser escondida da opinião pública através de uma “ideologia de granito” que confunde a sociedade civil com o Partido, e este com o Estado – mas não deixará de haver corrupção.

Por outro lado, é uma ilusão falar em Direita em Portugal; estamos a enganar-nos a nós próprios! A política e a realidade não se reduzem à economia! Não existe “direita” em Portugal.

Quando o ethos que rege o Partido Socialista é essencialmente semelhante – senão idêntico – ao que rege a tal “direita”, essa “direita” simplesmente não existe. Qualquer “reviravolta” no ethos político português conduzir-nos-ia a uma versão nacional da democracia húngara, e nesse caso teríamos a União Europeia de Durão Barroso a condenar e a perseguir Portugal. Existe um nexo causal entre o processo progressivo da perda da soberania para a União Europeia, por um lado, e por outro lado, a normalização paulatina da corrupção que se entranha nos costumes das elites.

Dizer que é possível uma “limpeza da corrupção” dentro do actual sistema é equivalente a dizer que o teorema de Gödel está errado. O teorema de Gödel diz que é impossível demonstrar a não-contradição de um sistema pelos seus próprios meios, ou mediante meios mais fracos. O actual sistema político não pode logicamente demonstrar, pelos seus próprios meios, as suas contradições. A III república portuguesa não é regenerável pelos seus próprios meios.

Quarta-feira, 17 Julho 2013

A Hungria manda o FMI pró Cara**o!

Filed under: economia — O. Braga @ 6:08 pm
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« Gyorgy Matolcsy, governador do Magyar Nemzeti Bank, o Banco central da Hungria, escreveu hoje uma carta à directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, solicitando o fecho do escritório do Fundo em Budapeste. O banqueiro central alegou que não é necessário manter a presença do FMI no país. Matolcsy era o anterior ministro da Economia do governo chefiado por Viktor Orbán. »

Hungria rompe com FMI

Terça-feira, 25 Junho 2013

A União Europeia é um óptimo utensílio político da esquerda mais radical

Filed under: Europa,politicamente correcto — O. Braga @ 4:58 pm
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O esquerdista radical e extremista português Rui Tavares é o responsável pelo chamado “relatório Tavares” que pretende expulsar a Hungria da União Europeia porque este país tem um governo conservador eleito pelo povo. Qualquer governo, de um país pequeno da Europa, que não seja de esquerda ou não esteja subordinado à esquerda, é perseguido pela União Europeia de Durão Barroso.

Entretanto, o governo conservador de Viktor Orbán já conseguiu reduzir o défice excessivo e reconduziu a Hungria à senda do crescimento económico; e as sondagens mais recentes dão o partido conservador de Viktor Orbán com 49% das intenções de votos, logo seguido dos 27% dos socialistas. Mas a União Europeia não aceita a democracia na Hungria.

Enquanto a União Europeia persegue literalmente a Hungria, o Portugal-colónia da União Europeia, com um défice excessivo e sem crescimento económico é o modelo de país preconizado pelo radical e extremista Rui Tavares.

Quinta-feira, 18 Abril 2013

O ataque da União Europeia à Hungria por esta recusar o sincretismo politicamente correcto

A União Europeia está a tentar transformar a Hungria num Estado pária, baseando-se em meros formalismos burocráticos como por exemplo a idade de reforma dos juízes húngaros. O modelo de acção política da União Europeia em relação à Hungria é uma cópia fiel do modelo alemão que se caracteriza pelo sistemático acto gratuito e de imposição de um pensamento único político em toda a Europa.

A União Europeia pretende transformar a Hungria num exemplo de punição dos países “relapsos”, e em uma forma de intimidação em relação a outros países potencialmente “prevaricadores”.

O que está em causa, na realidade, é que a Hungria repudia o sincretismo político típico da União Europeia e imposto por esta, de forma coerciva, a todos os países da Europa; e que transforma a direita política europeia numa “sucursal cultural” da esquerda. Do ponto de vista da mundividência em relação à cultura antropológica, não existe hoje nenhuma diferença entre a direita e a esquerda representadas nas instituições da União Europeia. E por isso é que a Hungria é considerada uma ameaça ao unanimismo Eurofascista.

«Viviane Reding, commissaire à la Justice, s’est livrée à un nouveau discours contre la Hongrie hier devant le Parlement européen. Elle a notamment accusé le gouvernement hongrois d’avoir institué, lors de la dernière réforme constitutionnelle, un impôt spécifique destiné à payer les éventuelles amendes infligées au pays par la Cour européenne de Justice… Elle a indiqué qu’elle avait préparé un « paquet (sic) de lettres d’infraction contre la Hongrie» (à envoyer à la Cour européenne de Justice), mais qu’elle attendait la réponse de Viktor Orban sur l’impôt spécifique pour envoyer le paquet. Cette réponse doit arriver en mai au plus tard. « Nous n’attendrons pas juin pour lancer les procédures d’infraction.»

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