perspectivas

Sexta-feira, 3 Julho 2015

O problema da Grécia não é a dívida

Filed under: Europa — O. Braga @ 8:51 am
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Os comentadores dos me®dia (principalmente os do esquerdalho) têm dito que o principal problema da Grécia é a dívida. Nada mais falso! Tomara que o problema grego fosse a dívida.

¿Como explicamos que o Japão, por exemplo, que tem uma notação de “AA-” na Standard & Poors e uma notação “A” na Fitch, tenha, apesar disso, uma dívida pública de 237% do PIB?

O Japão é um exemplo de que a ligação entre a dívida, por um lado, e o crédito (e a credibilidade), por outro lado, é apenas indirecta. Ou seja, não se segue necessariamente que um país com uma grande dívida esteja em uma situação de dificuldade tal que lhe tolha o desenvolvimento. Naturalmente que é melhor não deixar crescer a dívida acima de um determinada percentagem do PIB; mas não é a dívida o principal problema da Grécia.

Os problemas da Grécia são o défice orçamental e a capacidade da economia grega para pagar. Quando não temos capacidade de pagar porque não produzimos o suficiente, normalmente dizemos que “o problema está na dívida”.

O problema grego é muitíssimo mais grave do que muita gente pensa.

Sábado, 27 Junho 2015

A postura Syrízica do José Pacheco Pereira

Filed under: Europa — O. Braga @ 8:31 pm
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Quando Passos Coelho fala da “herança socialista”, José Pacheco Pereira faz ouvidos de mercador; mas a “herança do Syriza” já desculpa toda a ineficácia e o amadorismo da governança radical grega.

pereira-apcheco-marx-web-600-2 (1)Sinceramente, penso que o José Pacheco Pereira está a mais no Partido Social Democrata, e deveria ter a coragem de o assumir entregando o cartão do partido. Pelo menos seria coerente. Aliás, penso que  posição do José Pacheco Pereira em relação ao Partido Social Democrata é uma posição Syrízica: “se querem que eu saia do Partido Social Democrata, terão que me expulsar, para que eu possa atirar a culpa para cima de outros”. 

Temos o Frei Bento Domingues na Igreja Católica portuguesa e o José Pacheco Pereira no Partido Social Democrata.

O me espanta é que gente como o José Pacheco Pereira, alegadamente com muita experiência política, se revolte em relação ao que acontece no caso grego — porque o que se está a passar era obviamente previsível. Esta gente construiu uma utopia europeia, e quando a realidade não bate certo com o sonho, desancam na realidade! A culpa não é do sonho!: a culpa é da grande puta da realidade!

“A ideia de que a Grécia não é um Estado ou que é um “país falhado” é um absurdo.”

José Pacheco Pereira

Nunca ouvi ninguém dizer que “a Grécia é um Estado falhado”. No seu desespero, o José Pacheco Pereira recorre à falácia do espantalho.

O que devemos fazer é constatar o óbvio, reconhecer a evidência, aquilo que não necessita de demonstração: por exemplo, o contributo da indústria grega (sector secundário) para o PIB está abaixo de 15%; ora, um país com estas características nunca deveria ter entrado no Euro estruturado da forma que está. Portugal, obviamente, não está muito melhor que a Grécia: a contribuição da indústria portuguesa para o PIB é de cerca de 22%; mas, mesmo assim, existe uma grande diferença: Portugal tem a Espanha ao lado; a Grécia não tem vizinhos no Euro. 

Se para Portugal é muito difícil manter-se no Euro (nas actuais condições do Euro), para a Grécia é praticamente impossível. Isto não é “querer mal à Grécia”: em vez disso, é constatar factos.

Ora, são os factos frios, ou sejam, a puta da realidade, que o José Pacheco Pereira não aceita! Que a negação da realidade seja uma característica dos lunáticos radicais de Esquerda, já eu estaria avisado; mas que um militante do Partido Social Democrata, que apoiou Cavaco Silva, venha negar a realidade, já me surpreende.

O radical José Pacheco Pereira deveria aprender com Lenine: “Os factos são teimosos”.

sirizicos

O futuro da Grécia

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:58 am
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Quinta-feira, 18 Junho 2015

A enorme dívida da Grécia impõe uma saída do Euro.

Filed under: Europa — O. Braga @ 3:15 am
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Em 26 de Janeiro p.p. escrevi que “o Syriza quer que a Grécia saia do Euro, embora sob determinadas condições”. Parece que sou candidato a bruxo.

As exigências dos credores não compensam, porque a dívida da Grécia é de tal modo alta que obedecer aos credores é literalmente liquidar o país. Por outro lado, os países europeus credores da dívida da Grécia ficarão a arder com 310 mil milhões de Euros.

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Portanto, provavelmente compensa uma falência (default) da Grécia à moda da Islândia, seguida de uma nacionalização mais ou menos parcial da Banca. Logo a seguir será criado um “Banco Mau” onde ficarão os activos tóxicos (incluindo a dívida de 310 mil milhões de euros), e a circulação de capital para o exterior será estritamente controlada pelo novo Banco Central soberano.

A princípio haverá restrições de levantamento de dinheiro nas caixas de Multibanco, e existirão duas moedas em circulação: o Euro e o novo dracma; mas rapidamente o Euro será retirado de circulação e ficará apenas o novo dracma. Naturalmente que, nesta primeira fase, os Bancos gregos vão ao charco.

Mas depois do primeiro ano de confusão grega, com o novo dracma a Grécia vai passar a crescer a uma taxa impensável na zona Euro e em Portugal.

Sexta-feira, 5 Junho 2015

O argumento ad Terrorem da saída da Grécia do Euro

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:31 pm
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O semanário “O Diabo” invoca aqui argumentos ad Terrorem para a possível saída da Grécia do Euro. O “clube do Euro” parece ser uma espécie de clube gay: toda a gente pode entrar, mas ninguém consegue sair.

Os argumentos ad Terrorem vão ao encontro do conceito neoliberal de “fim da história”, de Francis Fukuyama (que copiou o conceito de “fim da história” de Karl Marx): quem sair do Euro enfrenta o fim do mundo… !

Eu não sei como vive o cidadão grego médio, e portanto convém não especular. Normalmente, no que diz respeito à política, devemos falar daquilo que sabemos por experiência própria. Naturalmente que, à falta de experiência, temos que acreditar minimamente em alguma informação de terceiros:

  • a economia grega caiu 10% em 2 anos (2012 e 2013); a economia portuguesa caiu 5% no mesmo período. Isto significa que o PIB per capita grego era muito maior do que o português no início da crise das dívidas soberanas. Ou seja, os portugueses, antes da crise global, viviam mais de acordo com as suas possibilidades quando comparados com os gregos;
  • o peso da indústria na economia portuguesa é de 22,4%; o peso da indústria na economia grega é de 15,9%. por exemplo, na Itália é de 23,9%; na Alemanha é de 30,8%. O peso da indústria na economia grega é muito baixo para um país da zona Euro.
  • a taxa de poupança na Grécia é de 14,5%; em Portugal é de 16,3%; na Itália é de 18,6%; na Alemanha é de 23,9%.

Estes são apenas alguns dados que nos indicam claramente que não só a entrada da Grécia no Euro foi um erro, como a saída apoiada e sustentada do Euro será necessária. A permanência da Grécia no Euro é uma impossibilidade objectiva; e com a saída apoiada e sustentada da Grécia do Euro, e depois de uma desvalorização do dracma na ordem dos 50% em relação ao Euro, a sua economia começará a crescer a mais de 3% por ano.

A alternativa à saída da Grécia do Euro será um país em que os capitais gregos “fogem” para os países do norte, por um lado, e por outro  lado o PIB per capita grego tende a deteriorar-se até aos níveis do da Roménia. A Grécia não tem futuro dentro do Euro; e a situação de Portugal também é duvidosa, embora beneficie da dinâmica da economia espanhola (os gregos não têm um vizinho como Espanha dentro da zona Euro).

A manutenção da Grécia dentro do Euro será uma lenta agonia para aquele país. Com as taxas de crescimento médias da zona Euro de 0,5% (ou coisa que o valha), a Grécia nunca mais se levanta do chão se permanecer no Euro, nem nunca poderá pagar as suas dívidas. Admira que o semanário “O Diabo” não veja isto e siga o centrão político eurófilo.

Segunda-feira, 11 Maio 2015

O medo da rebelião

Filed under: Europa — O. Braga @ 2:32 pm
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A tendência natural de um qualquer governo para a tirania só se pode combater com o medo da rebelião.

Os governos são piores se os cidadãos adoptam a espécie de submissão defendida por Hobbes no “Leviatão”. Vemos como, no Brasil, a classe política subverteu e prostituiu os mecanismos democráticos de “check & balance”, o que significa que o regime democrático, por si só, não garante a tendência natural dos governos — controlados pelas elites — para a tirania. É preciso que as elites tenham medo da rebelião.

(more…)

Terça-feira, 7 Abril 2015

A Grécia está a ser governada por doentes mentais

Filed under: Europa — O. Braga @ 1:10 pm
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“Greece has demanded nearly €279bn in reparations from Germany, more than the value of its current bail-out, as the cash-strapped country continues to pursue compensation for crimes carried out by the Third Reich.”

Greece demands €279bn from Germany in Nazi war reparations

A Grécia é um manicómio. Dentro desta União Europeia pouco normal e nada homogénea, só nos faltava um país de malucos. Cheguei à conclusão de que é melhor que a Grécia saia do Euro, porque é impossível lidar com psicóticos que não reconhecem qualquer responsabilidade na sua doença. Este ambiente de manicómio europeu é insuportável.

Um dia destes, os psicóticos que governam a Grécia irão pedir compensações financeiras à Itália por causa da ocupação romana na Antiguidade Tardia.

Terça-feira, 24 Março 2015

O Varoufucker não usa gravata, mas abotoa-se bem !

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 8:52 pm
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“O ministro das Finanças grego colocou a sua casa de férias a arrendar por um preço semanal de cinco mil euros, noticia o Daily Mail.

Segundo este diário britânico, Varoufakis terá considerado que seria errado manter a luxuosa casa na sua posse, numa altura em que o país enfrenta elevadas medidas de austeridade e terá decidido que o melhor era livrar-se da mesma. Refere o Daily Mail, que a casa não ‘condizia’ com o seu novo cargo político.”

Varoufakis arrenda casa de luxo por cinco mil euros por semana

Para mim é claro que o BCE [Banco Central Europeu] prepara a saída da Grécia do Euro

Filed under: Europa — O. Braga @ 6:56 pm
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“The European Central Bank is set to make it illegal for Greek lenders to add to their holdings of government debt in a move that effectively cuts off a key source of funding for Athens and heightens the risk of a sovereign default.”

ECB set to tighten rules for Greek banks on T-bills

Segunda-feira, 23 Março 2015

Alex Tsipras viaja em classe económica para Berlim, para se encontrar com Angela Merkel

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 9:17 pm
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tsipras-viagem-berlim-web

Terça-feira, 3 Março 2015

O José Pacheco Pereira entre o milagre a utopia

Filed under: Política — O. Braga @ 7:40 pm
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Quem ler este texto do José Pacheco Pereira percebe que ele pensa que a União Europeia funciona mal. A diferença entre ele e o Passos Coelho é que este pensa que a União Europeia não funciona tão mal quanto isso; mas ambos pensam que a União Europeia funciona, embora o José Pacheco Pereira pense que poderia funcionar melhor.

Ambos recusam a ideia de que a União Europeia não funciona, porque não teria uma função (do latim functio, “cumprimento”, “execução”). Em biologia, função é o conjunto de propriedades activas de um órgão no seio de um ser vivo segundo leis endógenas. Para que um órgão funcione terá sempre que existir uma identidade entre variáveis que se aproxime da noção de lei. E quando essa identidade entre variáveis não existe a nível básico e fundamental (os povos da Europa), o “funcionamento” da União Europeia é uma ilusão ou uma utopia, e a lei é substituída por uma ordem mais ou menos provisória e desordenada.

O José Pacheco Pereira critica a União Europeia com o propósito de contribuir para que ela funcione melhor. Mas há uma diferença entre o milagre e a utopia: esta depende exclusivamente do ser humano. Eu prefiro acreditar em milagres.

Sábado, 21 Fevereiro 2015

A Troika mudou de nome

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 10:45 am
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A pedido do governo grego, a Troika mudou de nome: agora chama-se τρόϊκα.

Para a Esquerda, esta mudança de nome é muito importante, porque se acredita que mudando o nome das coisas, estas deixam de ser o que são. Por exemplo, se a Esquerda chama a uma pedra, “pau”, a pedra deixa automaticamente de ser pedra e “vira” pau (neste caso seria um varapau pelas costas deles abaixo!), como que por magia.

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