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Sexta-feira, 22 Maio 2015

A alma do republicano José Alberto Carvalho

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 5:45 am
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“Informam-me que José Alberto Carvalho terminou o Telejornal da TVI em directo do novo Museu dos Coches ao lado do Landau do Rei Dom Carlos a citar o testamento do Buiça, louvando o facto de ele saber que ia dar a vida pelo futuro dos seus filhos ao assassinar um Chefe de Estado constitucional e o Príncipe Real (por sinal marido e filho da fundadora do Museu) como exemplo dos “valores republicanos”. Ainda há quem acredite na evolução da humanidade. Tenho o estômago revirado.”

Tenho o estômago revirado de nojo

Eu vi e ouvi o encómio ao crime. Lembrei-me então de Fernando Pessoa:

“O regime [republicano] está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados morais, nos serve de bandeira nacional — trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicano português — o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito mental, devem alimentar-se.”

Segunda-feira, 18 Maio 2015

Direito Natural e Direito Positivo em uma sociedade que não é comunidade

 

Sobre este artigo da Helena Matos:

Acerca do ponto 1/, estou de acordo.

Qualquer dia vamos ter um Código Penal do tamanho de uma biblioteca, e a Isabel Moreira — por exemplo — vai ser a bibliotecária; ela (Isabel Moreira) disse em directo em um programa de televisão: “Criem-se mais leis!”. A solução — segundo a Isabel Moreira — dos problemas da sociedade é “criar mais leis”; mas, por outro lado, a mesma Isabel Moreira diz que o Direito Positivo deve ser “antinatural, felizmente”.

Caros amigos: o rei vai nu. É preciso abrir os olhos a muita gente que não pertence às elites. Quando Portugal tem uma Isabel Moreira como “constitucionalista” e como tal deputada do Partido Socialista, batemos de facto no fundo.

Quando um homem é vítima de uma injúria, por exemplo, pode tentar justificar uma retaliação segundo a Lei Natural; o que o Direito Positivo faz — através de um contrato social — é estabelecer que a retaliação será feita pelo Estado. E se alguém matar em auto-defesa fá-lo segundo a Lei Natural, embora tenha que demonstrar em tribunal (Direito Positivo) a razão do acto. A lei do Direito Positivo contra o assassínio, por exemplo, é irrelevante se uma pessoa não se puder defender do assassino: se uma pessoa for assassinada antes de ter tempo de chamar a polícia, de nada serve a lei positiva contra o assassínio.

Portanto, não podemos fugir ao Direito Natural.

Podemos estabelecer uma identificação entre o Direito Natural e as regras morais que são independentes de disposições legais positivas. E se não existirem essas regras morais previamente ao Direito Positivo, deixamos de saber o que são actos bons e maus e, por isso, deixamos de fazer a distinção entre leis boas e más; e é isso que gente como a Isabel Moreira pretende quando defende que o Direito Positivo deve ser antinatural: impôr as leis de forma arbitrária e discricionária, o que denota um perigoso ideário totalitário.

Quando se afasta a imagem de um Criador do universo da equação humana, caímos invariavelmente em um qualquer totalitarismo — porque deixa de haver uma distinção ética entre acções justas e injustas. Se é verdade que o Direito Natural decide entre acções justas e injustas em uma comunidade sem Estado, também é verdade que o Direito Positivo deve guiar-se e inspirar-se no Direito Natural.

Dizer, como diz a Isabel Moreira, que o Direito Positivo deve ser antinatural, é defender uma qualquer forma de fascismo.

Sobre o ponto 3/, não estou de acordo.

Uma das formas de “demissão”, de que a Helena Matos se queixa, é o acto de esconder as caras dos protagonistas do vídeo violento em nome de uma putativa “não-estigmatização”. O conceito de estigmatização é politicamente correcto (marxismo cultural).

A Helena Matos entra em contradição entre o ponto 1 e o 3 do seu artigo. E parte do princípio estabelecido pelo idealismo alemão (Hegel, que está na base do materialismo dialéctico de Karl Marx) de uma distinção radical entre “sociedade” (Gesellschaft) e “comunidade” (Gemeinschaft), sendo que — segundo Hegel — não existe uma identificação entre os dois conceitos. Esta ideia de Hegel assombra mesmo os que hoje não se consideram marxistas.

Se separarmos a ideia de “comunidade”, por um lado, da de “sociedade”, por outro lado, chegamos às conclusões da Helena Matos, do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista, do “governo sombra” da TVI, e da ILGA. É aqui que a Helena Matos se contradiz.

É suposto que uma nação seja uma grande comunidade, e é óbvio que a separação radical entre comunidade e sociedade leva não só à descaracterização da sociedade como à sua desnacionalização.

Por exemplo, em uma aldeia ou vila portuguesa do interior do país (ou seja, em uma comunidade), os protagonistas de um eventual acto de violência injusta são certamente conhecidos por quase todos os seus habitantes. A moral pública, em geral, ditada pelo Direito Natural — e pelas regras morais de que falei acima e que são anteriores ao Direito Positivo — condena a injustiça sem esconder as caras dos protagonistas.

Haverá sempre uma pequena minoria da população da vila que se comprazerá morbidamente com o acto de violência e com o sofrimento da vítima; mas não devemos é partir de comportamentos imorais de minorias para definir regras gerais — como defende a Isabel Moreira em um caso, e a Helena Matos em outro.

Anexo: ficheiro PDF do artigo da Helena Matos.

Domingo, 17 Maio 2015

A religião gnóstica do esquerdalho

 

“The trend of politics in the Western nations since Eric Voegelin’s death in 1986 has made his work increasingly relevant to any philosophically rigorous Conservatism or Traditionalism. In particular, Voegelin’s argument that liberalism and its Leftwing metastases constitute an evangelical religious movement, mimicking and distorting Christianity, has gained currency.

The pronounced irrational character of the “Global Warming” cult and the obvious messianism of Barack Hussein Obama’s presidency have together sharpened the perception that contemporary Leftwing politics shares with history’s specimen-type doctrinally intransigent sects an absolute intolerance for dissent, even for discussion, along with a conviction of perfect certainty in all things.

The sudden experience of Leftwing triumph attests that, indeed, utopian radicalism draws its strength from a deep well of resentment that puts it in conflict, not merely with those whom it regards as heterodox, but also with the unalterable structure of reality.”

Plotinus and Augustine on Gnosticism (Thomas F. Bertonneau )

Quando vemos e ouvimos o esquerdalho na voz, por exemplo, de Ricardo Araújo Pereira ou do Nuno Markl, ou ainda muitas das opiniões ditas “científicas” auto-contraditórias do blogue Rerum Natura — não nos devemos esquecer que essas opiniões são guiadas por uma espécie de religião cuja ortodoxia não admite qualquer dissensão; e, como diz Thomas F. Bertonneau, esse tipo de religião política traduz um ressentimento em relação à inalterável estrutura da realidade.

esquerdalho-webConforme demonstrado por Eric Voegelin, e que Thomas F. Bertonneau sublinha, a rebelião do esquerdalho — que inclui o marxismo e o nazismo — contra a realidade é uma aflição recorrente da vida civilizada, tendo embora como paradigma as seitas gnósticas anti-cósmicas da Antiguidade Tardia. Hoje, o esquerdalho reduz o universo inteiro ao mundo sub-lunar limitado pelos satélites artificiais, o que é uma característica moderna da posição anti-cósmica dos gnósticos antigos. O culto religioso do Aquecimento Global e/ou o culto neolítico moderno e ctónico da Mãe-terra traduzem a redução contemporânea do conceito de “universo” ao mundo sub-lunar.

Quando verificamos que a juventude portuguesa maioritariamente não se interessa pela política, constatamos que o que se passa é uma indiferença em relação às seitas religiosas puritanas, ortodoxas, intolerantes e contemporâneas que em conjunto coordenam a política: o esquerdalho.

É possível que surja na Europa um cepticismo profundo em relação à política, assim como aconteceu um cepticismo profundo em relação às seitas religiosas puritanas depois de Cromwell ter assumido o Poder em Inglaterra, cepticismo esse manifesto no golpe-de-estado inglês de 1688 e na posterior filosofia política de Locke.

O que está em causa hoje é a forma como a política é dogmaticamente concebida, e como o escrutínio político é realizado obedecendo sobretudo à vontade das elites gnósticas contemporâneas (o esquerdalho) através da manipulação dos me®dia e da imposição totalitária de uma espiral do silêncio.

Crimes de ódio: a nossa sociedade em deriva totalitária

 

Um dos valores da nossa civilização é a liberdade de expressão. Hoje temos os me®dia (vulgo “Comunicação Social”) a pactuar com a erradicação da liberdade de expressão na sociedade.

gay-inquisition-web

O conceito de “crime de ódio” segue o paradigma da Inquisição medieval no combate à heresia. Bastava uma denúncia — muitas vezes anónima ou não fundamentada — de heresia para que a Inquisição actuasse. Hoje temos a Ingaysição.

“Os dados dizem respeito a factos ocorridos entre 01 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2014, tendo a ILGA recebido 426 denúncias de crimes e/ou incidentes motivados pelo ódio contra pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero (LGBT), a maior parte relativas a insultos e abusos verbais (182 denúncias), logo seguido de ameaças e violência psicológica (112 denúncias) e 69 denúncias de casos de violência física extrema.”

Homofobia: ILGA recebeu 426 denúncias de crimes de ódio

Vamos partir do princípio (duvidoso) de que as denúncias são verdadeiras.

Os actos de violência ou ameaças de violência física estão previstos no Código Penal actual, e por isso não necessitamos de uma nova figura de “crime de ódio”. Quem ameaça alguém de violência física pode ir a tribunal se for apresentada queixa na polícia; não precisamos de leis específicas e especiais para gays (era o que faltava!). Os gays não podem ser considerados uma casta social à parte. Se existissem “crimes de ódio” só para gays, então também teríamos que exigir a figura de “crimes de ódio” para qualquer minoria — para coxos, para manetas, para obesos, para ciganos, etc..

Portanto, a questão da violência ou ameaça de violência física está esclarecida. Resta-nos analisar os “insultos” (que são injúrias, na linguagem jurídica) e os “abusos verbais”. O Código Penal — artigo 180 e seguintes — já prevê punição para o crime de injúria; não necessitamos de um “crime de injúria” especial para gays.

Sendo assim, ¿por que razão a classe política em geral, o lóbi político gayzista e os me®dia em particular, pretendem instituir uma figura jurídica de “crime de ódio” só para os gays?

A resposta é simples: Portugal e a Europa enveredam hoje por uma deriva totalitária (por exemplo, em Inglaterra, onde o lóbi político gayzista é muito forte).

Quando a classe política passa a confundir propositadamente “argumentação política ou moral”, por um lado, e “injúria”, por outro lado, o que se pretende é calar qualquer opinião que não seja a ditada oficialmente pelo Poder; trata-se de restringir a liberdade de expressão em geral utilizando a noção particular e abstrusa de “crime de ódio”.

Sábado, 16 Maio 2015

O feminismo sofisticado é o mais perigoso

Filed under: cultura,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 8:11 am
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Depois de ver este vídeo acima, o leitor em geral tenderá a ser tomado pela emoção transmitida pelo tipo de encenação teatral típica do feminino. Mas aqui não estamos a falar de qualquer mulher: trata-se da juíza americana Lynn Toler a passar um bigode a um réu — ou seja, trata-se de uma mulher que ascendeu a um cargo que seria impensável a uma mulher assumir há apenas trinta anos.

Não se trata aqui de um feminismo explícito e “hard core” do tipo jugular, que é muito mais fácil de combater porque não se esconde por detrás de conceitos culturais que são hoje considerados «démodés»; o feminismo de mulheres como o da juíza Toler é mais sofisticado, porque exige do homem actual aquilo que ele era em uma época em que a mãe dela cozinhava em casa para a prole. Os dois tipos de feminismo — o do jugular e o da juíza Toler — obedecem contudo ao mesmo princípio de ordem cronológica que podemos ver na imagem aqui em baixo.

feminismo

Convém dizer, acerca da encenação histriónica de superioridade moral feminista da juíza Toler, o seguinte:

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Quinta-feira, 14 Maio 2015

Por detrás do nominalismo radical “de género” do Bloco de Esquerda está uma religião política totalitária

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 11:59 am
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“É importante que rapidamente se passe à elaboração de leis respeitadoras da auto-determinação das pessoas, da democratização do género que deixe de ter as velhas gramáticas binárias e passe a poder compreender o género como diversidade.”

O género como democracia (via)

1/ A qualidade do que é diverso — a “diversidade” — é muitas vezes confundida com o “outro”, entendido como “contrário do mesmo”; mas este adjectivo (“diverso”) deveria utilizar-se para aquilo que implica não só a multiplicidade e a diferença em relação ao “mesmo”, mas ainda e sobretudo para aquilo que leva esta multiplicidade e esta diferença até ao infinito virtual (possível ou em potência) ou actual (em acto).

O “diverso” — se for apresentado no sentido de “diversidade” na citação em epígrafe — reúne em si tudo o que não pode ser incluído no discurso filosófico e/ou científico. O “infinito” designa aquilo que não tem limites, sejam estes actual- ou absolutamente “impossíveis” ou “possíveis” (por exemplo, neste último caso, o tempo).

O infinito — que o conceito de “diversidade” implica — em ciência política, é uma impossibilidade objectiva; transforma a ciência política em um dogma controlado de uma forma arbitrária por uma determinada colecção de indivíduos alcantilada ao Poder.

Neste cenário, qualquer tipo de categorização (concepção de categorias) é tida como uma forma de “opressão”, e a categorização, possível e tolerável, é reduzida ao indivíduo (cada indivíduo é uma categoria, um átomo diferente de outro átomo mas tratado de forma igualitária pela elite política; a atomização da sociedade): estamos em presença de um dogma de uma religião política que nega não só a filosofia e até a ciência, mas também nega a própria sociedade enquanto tal (seja esta qual e como for).

2/ o nominalismo é uma forma de ver o mundo segundo a qual este é compreendido como sendo composto exclusivamente por objectos particulares (sem interligação com outros objectos, sem categorias), e o conhecimento e os conceitos são reduzidos ao conhecimento de objectos particulares e independentes.

O nominalismo radical elimina a interacção entre seres humanos, e concebe o uso da linguagem em um contexto de abstracção da interacção social. O nominalismo radical, quando aplicado em política, leva à atomização da sociedade que é a melhor forma de a controlar.

3/ por detrás do nominalismo radical do Bloco de Esquerda está uma religião política totalitária.

Treta!

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 9:19 am
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“Faço minhas as palavras do Rodrigo Adão da Fonseca: considero grave que os media estejam a expor as crianças ao Tribunal Popular, divulgando o vídeo, e conduzindo à identificação dos personagens, menores.”

Da violência repetida

Ainda em 2005 os professores primários tinham a régua em cima da secretária nas salas de aula; não se batia em ninguém, mas lá estava a régua como lembrança.

Com José Sócrates e a sua famigerada ministra da educação Maria Lurdes Rodrigues, a régua foi banida da secretária da professora, e deu-se início ao “eduquês” e ao descalabro no ensino. Os resultados estão à vista.

E agora chamam a este ministro da educação de “incompetente”, quando na verdade qualquer ministro da educação depois da Lurdinhas será sempre incompetente — a não ser que o “eduquês” politicamente correcto seja revertido.

Este vídeo deveria ser visto em todas as escolas secundárias, como exemplo de um comportamento irracional e reprovável. Chamar os bois pelos nomes nunca é incorrecto, se os bois têm nome. Mostrar a realidade tal qual ela é nunca é incorrecto; “a verdade liberta”.

Quarta-feira, 13 Maio 2015

Coitadinhas das raparigas! São as eternas vítimas de violência dos namorados! Coitadinhas!!!

Filed under: politicamente correcto — O. Braga @ 6:06 pm
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Sábado, 9 Maio 2015

Tirem-me deste filme… e desta Europa!

Filed under: Europa,politicamente correcto — O. Braga @ 7:11 pm
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Um professor universitário da conceituada universidade britânica de Warwick afirmou, em uma entrevista à BBC (Bolshevik Broadcasting Corporation), que os pais que lêem estórias aos seus filhos deviam deixar de o fazer, porque estão a colocar em desvantagem os filhos dos outros:

“According to a professor at the University of Warwick in England, parents who read to their kids should be thinking about how they’re “unfairly disadvantaging other people’s children” by doing so.”

Professor: If You Read To Your Kids, You’re ‘Unfairly Disadvantaging’ Others

Nem na defunta União Soviética o Lenine se lembrou de uma coisa destas! Mao Tsé Tung ficaria fascinado com esta tese… e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, mandaria empalar todos os pais que contassem estórias aos filhos.

Se esta notícia chega ao Partido Socialista de António Costa e ao Bloco de Esquerda, vamos ter uma reforma do ensino em Portugal. Já o Partido Comunista não se importa com as estórias dos pais desde que sejam as da revolução.

Ainda vamos chegar a um ponto em que crianças inteligentes irão ser internadas em manicómios e afastadas da sociedade.

Quinta-feira, 7 Maio 2015

Os ecologistas são aliados estratégicos da e apoiados pela plutocracia internacional

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 1:35 pm
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Quarta-feira, 6 Maio 2015

Ainda sobre a “discriminação científica” do Instituto Português de Sangue e Transplantação

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 2:35 pm
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“Pergunta o autor se “há razões médicas legítimas para considerar os homossexuais masculinos um grupo de risco”. A resposta é clara: não há. Mas João Miguel Tavares tenta demonstrar que sim e, para isso, confunde repetidamente orientação sexual com comportamento sexual, generaliza sobre os comportamentos sexuais, selecciona dados acerca dos casos de novas infecções para favorecer a sua hipótese e, com tudo isso, contribui para a discriminação de um grupo já severamente discriminado e para a difusão de ideias erradas acerca das vias de transmissão do HIV.

A noção de “grupos de risco” há muito foi abandonada e substituída pelo conceito de comportamentos de risco. Em primeiro, ser homossexual é uma coisa bem distinta de ser “homem que tem sexo com homens”. Em segundo, ser homossexual não constituiu risco absolutamente nenhum de contrair HIV porque o risco advém de determinados comportamentos e não da orientação sexual. Em terceiro, a prática de sexo anal passivo desprotegido (que é um comportamento de risco para contrair a infecção) não é exclusiva dos homossexuais.”

Devemos proibir os lisboetas de doar sangue? pelo Pedro Morgado

Como a ciência não pode verificar se uma percentagem quantificável de homossexuais toma no cu sem preservativo ou se se rompe o preservativo durante a penetração anal — porque se trata de uma situação do foro privado dos homossexuais —, então conclui-se ali em cima que a ciência incorre na falácia da generalização ao considerar que os homossexuais são um “grupo de risco” em relação à SIDA.

A ciência é assim acusada de falácia da generalização; mas a verdade é que quem defende esta posição incorre na falácia de acidente, que consiste em negar que uma regra geral não é aplicável, por uma questão de princípio, a uma situação particular.

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A “discriminação científica” do Instituto Português de Sangue e Transplantação

 

Uma das características da organização política dos fanchonos (ILGA) é a de que quem não concorda com ela é imediatamente apodado de “ignorante”.

Chamar os outros de “ignorantes” é um mecanismo de defesa fanchono semelhante ao da Inquisição medieval que chamava de “hereges” a quem não concordava com uma determinada orientação política; no caso da ILGA, em vez da Inquisição temos hoje a Ingaysição, e à orientação política acrescenta-se a “orientação sexual panisga”. 

Eu tinha razão quando escrevi que o João Miguel Tavares iria ser crucificado pelo politicamente correcto. Mas não é só o João Miguel Tavares que é apelidado de “ignorante” pela ONG dos miascos: o presidente do Instituto Português de Sangue e Transplantação (Instituto Português de Sangue e Transplantação (IPST)), o médico Hélder Trindade, também é considerado “ignorante” pela ONG dos picolhos. E o governo também é “ignorante”: todo o mundo é ignorante excepto os  apaniguados da organização política dos panucos.


A Idade Moderna reconheceu a autoridade da ciência que só se pronunciava sobre o que parecia ter sido cientificamente estabelecido. A técnica científica era então um fenómeno social, e não individual. Ao contrário da religião, a ciência é neutral do ponto de vista ético — e por isso é que se pode dizer que a ciência e religião se complementam. A técnica científica é contrária à anarquia e até ao individualismo, e exige uma estrutura social disciplinada.

Essa autoridade da ciência morreu; o irracionalismo volta a estar na moda.

Hoje, o politicamente correcto exige da ciência que seja uma espécie de religião política — uma nova versão do positivismo de Comte. A ciência é hoje utilizada como uma arma de arremesso político e ideológico. É neste sentido que a “ciência politicamente correcta” é uma espécie de cientismo, em que a ciência enquanto técnica é relativamente desprezada, e à ciência teórica é dada o beneplácito de função no jogo político e ideológico.

No caso concreto da putativa “ignorância” do I.P.S.T., os argumentos da ONG panasca são equiparáveis aos argumentos da escolástica medieval que se questionava, por exemplo, se a substância era essência, ou se a essência era a quididade. O politicamente correcto introduz um discurso dogmático em nome da “ciência”.

Perante a pressão política e ideológica — como aconteceu por exemplo na ex-URSS — a própria comunidade científica tem medo de se expressar cientificamente. Hoje, a Ingaysição persegue os cientistas “relapsos” que não assumem um qualquer dogma politicamente correcto. Depois de condenado o cientista, a Ingaysição entrega-o ao seu braço secular, a Gaystapo que actua dentro das instituições científicas e políticas, e que trata de lhe aplicar a pena da censura e da invisibilidade social e política. Hoje já não há pena-de-morte para os heréticos, mas o cientista herege passa a ser um morto-vivo: é a verdade científica que é queimada em auto-de-fé, e o cientista prevaricador é condenado a um purgatório vitalício.

Hoje, o politicamente correcto recusa liminarmente qualquer facto científico julgado “inconveniente”.

São os factos que se têm que adequar à religião política; e se um facto não é “adequado”, é simplesmente condenado pela Ingaysição. Por exemplo, se a técnica científica verifica empírica- e estatisticamente e demonstra que, em média, os rabolhos vivem menos tempo do que o normal, a ONG dos larilas utiliza imediatamente os serviços da Ingaysição e o poder político repressivo da Gaystapo para condenar os factos ao olvido — porque se parte do princípio de que é a realidade que tem de se adequar aos desejos do sujeito. S. Tomás de Aquino dizia que “a verdade é a adequação do intelecto à realidade”; o politicamente correcto inverteu a noção de verdade: passou a ser a adequação da realidade ao sujeito.

Para combater os “factos teimosos e discriminatórios” verificados pela técnica científica, a Ingaysição — e o politicamente correcto, em geral — tenta impedir qualquer possibilidade de categorização da realidade; a noção de juízo universal é destruída pela Gaystapo e a ciência propriamente dita torna-se impossível; a excepção passa a ser uma regra, a curva de gauss é banida alegadamente por ser “discriminatória”, as estatísticas são diabolizadas em nome do dogma da “igualdade”.

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