perspectivas

Segunda-feira, 2 Março 2015

A Raquel Varela e a prostituição feminina

Filed under: ética,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 7:51 pm
Tags: ,

 

A julgar pelas perguntas que a Raquel Varela faz aqui acerca da prostituição, talvez ela precise de ler o “Tratado da Natureza Humana” de David Hume — não porque  o livro tenha alguma coisa de positivo, mas pelo que ele tem de negativo.

“Dizem por aí que vender sexo é um trabalho como outro qualquer…

A mais velha profissão do mundo é…caçador-colector, pescador, cozinheiro, ama ou cuidador, vigia…A prostituição é histórica, como tudo. Não é natural. E por isso não tem que ser eterna. O sexo, sim, é natural. E também histórico, ou seja, a forma como o vivemos/fazemos muda no seio das relações que vivemos, e com quem vivemos.”

→ Raquel Varela

Podemos perguntar: ¿onde é que a História se desliga da Natureza Humana?

Do que estamos a falar é da Natureza Humana, e não da natureza do mundo animal, em geral. Ou seja, se a prostituição é histórica, então pertence à  Natureza Humana — a não ser que a Raquel Varela faça coincidir a História com a descoberta da escrita, e na medida em que a Natureza Humana não surgiu, como que por milagre, com a descoberta da escrita.

Através da sociobiologia, existe hoje uma tendência para desconsiderar a Natureza Humana enquanto tal, e inserir a natureza do ser humano no contexto do mundo animal em geral (falácia de apelo à natureza).

(more…)

A eficácia política da ministra da justiça Paula Cruz

 

Assim como o sistema político democrático privatiza os lucros da Banca e socializa os seus prejuízos, assim privatiza os comportamentos individuais e socializa as suas consequências.

Em nome da “autonomia individual” vão-se legitimando aberrações comportamentais que se impregnam na cultura antropológica através do Direito Positivo, e cujas consequências terão que ser socializadas.

paula-teixeira-da-cruzPor exemplo, a ministra da justiça do Partido Social Democrata defendeu (em discurso directo nos me®dia) a legalização do comércio e consumo de drogas — em absoluta sintonia com o Bloco de Esquerda, diga-se. Por isso é que já não faz grande sentido falar em Esquerda e Direita, mas antes em um “sistema político”, em que gente com um arquétipo mental semelhante, apenas luta pelos privilégios do Poder.

Reduz-se quase tudo a uma questão de Poder. Ou, como escreveu Nicolás Gómez Dávila, “o político democrático nunca diz aquilo em que acredita, mas antes diz aquilo que julga ser eficaz”.

A eficácia do político democrático é sempre a de socializar as consequências dos comportamentos individuais aberrantes tornados legítimos através do Direito  — por exemplo, a transformação da sodomia em casamento: quando os índices de propagação da SIDA (e de outras “doenças anais”) continuam a aumentar, legaliza-se o “casamento” sodomita ao mesmo tempo que se socializa as suas consequências através da sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde.

Quinta-feira, 26 Fevereiro 2015

«Não existe um modelo único de família» — diz a deputada comunista Rita Rato

 

O que a deputada comunista diz, é verdade. Mas o que não pode haver é vários modelos de família em uma mesma sociedade. Por exemplo, em uma sociedade islâmica, a poligenia é o modelo oficial e cultural de família sancionada pelo Estado islâmico. Podem existir, nas sociedades islâmicas, casamentos monogâmicos, mas a monogamia é entendida pela doutrina estatal islâmica como a condição da poligenia (um primeiro estádio da poligenia).

evolução gay

O que a deputada do Partido Comunista tem que decidir é qual o modelo de família que o seu (dela) partido defende para a sociedade portuguesa. Engels abordou o problema da família e da propriedade privada, mas estava longe de supôr que, algum dia, um Partido Comunista defendesse o “casamento” gay. Álvaro Cunhal, o histórico dirigente do Partido Comunista, afirmou em uma entrevista na RTP conduzida por Carlos Cruz na década de 1990, que “a homossexualidade é uma coisa muito triste!” (sic).

Portanto, segundo o marxismo, o que estava em causa era o modelo da chamada “família patriarcal”, mas nunca passou pela cabeça de Karl Marx ou de Engels adoptar o “casamento” gay e a adopção de crianças por pares de invertidos. Pelo contrário: Engels criticou duramente o comportamento homossexual!, cuja causa atribuiu à desordem da sociedade causada pela “família patriarcal”. Nunca Engels ou Marx defenderam ou validaram a homossexualidade como comportamento normal ou normalizável.

Se querem discutir e colocar em causa o conceito de  “família patriarcal”, é uma coisa; se querem dizer que é possível coexistirem, em uma sociedade, vários modelos de família (por exemplo, a poligenia, a poliandria, a poliamoria, o “casamento” gay, etc.), é outra coisa que raia o absurdo.

Podemos deduzir que o ataque da Esquerda à “família patriarcal” justifica a defesa da proliferação de modelos de família na sociedade portuguesa. Não se trata aqui de libertarismo, mas de uma política cultural e social de terra queimada. É uma política de “roleta russa”: não se sabe bem no que dará essa política no futuro, mas confia-se que a bala não será disparada imediatamente quando se percutir o gatilho. Mas nunca se sabe o futuro!

A política de Esquerda em relação à  família resume-se a este conceito: “mais vale destruir tudo, do que termos o que temos neste momento; e depois de tudo destruído, logo se verá o que havemos de fazer”.

Terça-feira, 24 Fevereiro 2015

Quando for a Lisboa, vou fazer a barba ao Figaro’s Barbershop, e levo a minha cadela

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 6:11 pm
Tags: ,

A inclusão (social) pode ser uma forma de exclusão na medida em que exclui a diferença qualitativa. Quando dois seres humanos diferem qualitativamente, pela sua essência ou natureza — um homem é diferente de uma mulher —, o fanatismo politicamente correcto da “inclusão”  exclui a diferença.

Figaro’s Barbershop

Por outro  lado, a “inclusão” feminista não inclui as mulheres, na medida em que reivindica direitos especiais  para elas (por exemplo, em Portugal, a mulher tem o direito de matar um filho recém-nascido sem levar pena de prisão).

Ou seja, o argumento feminista da “inclusão” auto-exclui positivamente a mulher; é um argumento exclusivo, e não inclusivo; é exclusivo no sentido dos privilégios que reivindica para a mulher, e não propriamente em matéria de direitos que nega ao homem (e aos cães).

Se abrisse (em Lisboa) um cabeleireiro só para mulheres e para gatos, eu não faria disso motivo para invadir o estabelecimento comercial. Até acharia original. Mas a exclusão inclusiva feminina não tolera qualquer exclusão que não seja a feminista.

Segunda-feira, 23 Fevereiro 2015

A Rússia precisa da União Europeia como a boca precisa de pão

Filed under: Europa,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 8:20 am
Tags: , , ,

Há no Observador uma plêiade de idiotas que reduzem a realidade a uma ideologia maniqueísta. Há aqui um burro que afirma que “a Rússia quer acabar com a União Europeia” (enquanto agremiação de países), quando em verdade a Rússia precisa da União Europeia para que a sua economia possa ser sustentável.

É preciso que as pessoas entendam o seguinte: o problema da Rússia não é especificamente com a União Europeia: o problema da Rússia é com os Estados Unidos de Obama — porque estou convencido de que se existisse um presidente republicano nos Estados Unidos, não existiriam os problemas que temos hoje na Ucrânia.

A União Europeia é uma extensão da política americana na Europa, qualquer que seja essa política. A União Europeia é uma anã política. A “União Europeia” significa “subserviência canina aos Estados Unidos”. Quando a política externa americana é má e contraditória, como é a de Obama, é a União Europeia que paga a factura.

Quando a União Europeia impõe sanções económicas à  Rússia por causa da anexação da Crimeia (Crimeia que sempre pertenceu à  Rússia, pelo menos desde o tempo do Czar Pedro O Grande), seria estúpido — como é estúpido o escriba do Observador —  que a Rússia desse a outra face e não reagisse: é neste contexto que devemos ver, por exemplo, os apoios financeiros ao Syriza e à Front Nationale de Marine Le Pen.

Sábado, 21 Fevereiro 2015

O Vasco Pulido Valente e o século XIX

 

vpvO Vasco Pulido Valente faz aqui uma comparação entre Portugal e a Grécia; mas compara Portugal e a Grécia no século XIX. E depois extrapola os factos dessa comparação para o século XXI. Mas em nenhum momento fala realmente do século XXI: por exemplo, não diz se a Grécia deveria ou não ter entrado no Euro; a actualidade é escamoteada.

Na década de 1990, antes de entrar no Euro, Portugal estava a crescer mais de 2% ao ano, e em 2000 (ano da entrada de Portugal no Euro) a dívida pública portuguesa era de 50% do PIB. Hoje, quinze anos volvidos no Euro, a dívida pública portuguesa ultrapassa já os 130% do PIB. Em 2011, quando entrou a Troika, a dívida pública já era de 90% do PIB…

¿Ninguém vê aqui um nexo causal?! ¿Será preciso fazer um desenho?

Pelo menos desde 1974, o maior problema da nossa economia foi a balança comercial (a diferença entre o que se exporta e o que se importa).

Antes da entrada no Euro e antes de Schengen, as alfândegas faziam o crivo das importações através de taxas aduaneiras; depois do Euro, acabaram as alfândegas para a União Europeia, e foi o descalabro: o país passou a endividar-se à  fartazana quando importava, em roda livre, de países da União Europeia.

Passos Coelho resolveu o problema, a partir de 2011, com um aumento brutal de impostos que é prejudicial para as empresas portuguesas (não vendem tanto no mercado português), empresas estas  que não podem fazer mais nada senão baixar salários para poder concorrer, no mercado de exportação, também com países do terceiro mundo.

O Euro acabou por destruir parcialmente o mercado interno (consumo interno de produtos fabricados em Portugal). É disto que as elites bem instaladas em Lisboa não dizem. Preferem falar do século XIX.

Sexta-feira, 20 Fevereiro 2015

O Frei Bento Domingues mete as religiões todas no mesmo saco

Filed under: Igreja Católica,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 10:13 pm
Tags:

 

« As religiões na Europa deram muitos maus exemplos ao longo da história, disse hoje frei Bento Domingos, argumentando que, com mais compaixão e cooperação dentro da União Europeia, os problemas da Grécia ou Portugal já podiam estar resolvidos.

“As religiões na Europa deram muitos maus exemplos ao longo da história. Se querem ter de novo audiência na Europa e acolhimento, que se transformem nas formas extremas de acolhimento daqueles que são escorraçados”, defendeu frei Bento Domingues, em declarações à Lusa.»

→ Frei Bento Domingues: Religiões deram maus exemplos na Europa

Em primeiro lugar, como é normal em Frei Bento Domingues, mistura religião e política — e é esse mesmo Frei Bento Domingues que mistura religião e política que critica o Islamismo!

Em segundo lugar, o Frei Bento Domingues serve-se do exemplo do Islão para criticar o Cristianismo.

Por último, o Frei Bento Domingues pretende ser ele próprio um veículo de Revelação religiosa — uma espécie de profeta moderno à  espera de ser interditado e internado.

fbd-2-web

O Rui Tavares diz que os gregos são meus concidadãos

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 2:04 pm
Tags: ,

 

«O Livre/Tempo de Avançar decidiu expressar o seu apoio às posições anti-austeridade do Governo grego. Numa carta, dirigida aos “concidadãos gregos”, que vai ser entregue esta sexta-feira de manhã na embaixada helénica em Lisboa, e publicada em dois jornais de Atenas, o Efimerida e o diário do Syriza, o novo movimento político português assegura que “vêm reforços a caminho”.»

“Gregos: aguentem firmes que vêm reforços a caminho”

¿ O que é um “concidadão”? Vamos ao dicionário:

Concidadão é um indivíduo que, em relação a outro ou outros, é da mesma cidade ou do mesmo país; patrício.

¿Desde quando um grego é meu concidadão?! O que é que se passa com esta gente?! Mesmo que fosse possível uma graduação na concidadania, seria mais meu concidadão um brasileiro ou um angolano do que um grego.

Que o Rui Tavares é um doente mental, é uma evidência: basta olhar para ele. Mas que os doentes mentais passem a ter acesso aos jornais, dá já a sensação de um país que pretende ser governado a partir de dentro de um manicómio.

rui tavares web

Terça-feira, 17 Fevereiro 2015

Ó Ana Sá Lopes!: Os deuses gregos não têm nariz aquilino, porra!

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 2:59 pm
Tags:

 

Não admira que a Ana Sá Lopes compare o Varoufakis a um deus grego: ela própria parece sair de um filme de Frankenstein.

ana sa lopes frankestein

deus gregoOs deuses gregos não tinham nariz aquilino: eram narizes direitos, da testa até ao cabo. Só uma filha do Frankenstein poderia distorcer o perfil do deus grego…

O jornalismo que se faz em Portugal é inacreditável (guardei o artigo em PDF). E depois vem o José Pacheco Pereira criticar o jornalismo económico, fazendo vista grossa em relação ao jornalismo frankensteiniano que se faz por aí…

Segundo a Ana Sá Lopes, a Isabel Moreira acha que “o Varoufakis é sexy, porra!”…

Vejam bem, caros leitores, isto é “notícia”, mas não é “notícia económica” que o José Pacheco Pereira tanto detesta.

Uma lésbica empedernida acha que “o Varoufakis é sexy, porra!”…! de facto, é difícil conceber um qualquer Varoufakis sexy sem a porra. Se a lésbica Isabel Moreira acha que o Varoufakis é sexy com porra e tudo, ¿quem somos nós para negar?

Mas para que Varoufakis possa ser um deus grego, falta-lhe o nariz. Não é uma questão de porra: é uma questão de nariz. Aqui não há porra que o valha, por muito que a Ana Sá Lopes o queira. Que ela anseie pela porra do Varoufakis, é uma coisa; mas que ela tente subverter a estética clássica e grega, é outra coisa bem diferente.

Sábado, 14 Fevereiro 2015

A psicose contra a propriedade privada

Alguém me chamou à  atenção para este vídeo de uma norueguesa que dá pelo nome de Ingunn Sigurdsdatter; e ao fim de 30 minutos parei de ver.

Antes de mais, um ponto de ordem que revela uma firme convicção da minha parte: a crescente influência política da mulher na nossa sociedade tem-se revelado muitíssimo negativa e perniciosa. Demonstrem-me que estou errado!. A mulher é, em juízo universal, guiada pela emoção e tende a negligenciar a razão. E quando a influência da emoção é preponderante, a sociedade tende para autodestruição. É muito raro ver uma mulher filósofa. Vemos muitas poetisas, mas a poesia não é filosofia propriamente dita.

(more…)

Quem não caminhar cinco quilómetros por dia não terá direito ao Serviço Nacional de Saúde

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 12:41 pm
Tags: ,

 

Imagine o leitor a seguinte notícia:

“David Cameron, o primeiro-ministro do Reino Unido, afirmou que o cidadão que não caminhar cinco quilómetros por dia não terá direito a acesso aos serviços de saúde do Estado.

Mais defendeu que só aqueles cidadãos que fazem jogging diário terão direito a eventuais cirurgias gratuitas.

E afirmou também que as profissões que exijam que uma pessoa permaneça sentada grande parte do dia — por exemplo, os informáticos, ou os pilotos de avião — tenham que pagar taxas acrescidas quando se dirijam a qualquer instituição do Serviço Nacional de Saúde”.

Agora, vamos à  notícia real: David Cameron defende que as pessoas obesas que recusem tratamento deixam de ter direito a benefícios do Estado (Serviço Nacional de Saúde, subsidio de desemprego, etc.)

O princípio mórbido não são os obesos mas a opinião de David Cameron; e esse princípio utilitarista já está na notícia: a seguir, esse princípio poderá ser aplicado a qualquer cidadão, a qualquer pretexto. Isto é o “liberalismo” actual — também de Passos Coelho —  que se confunde com o politicamente correcto ou marxismo cultural.

Sexta-feira, 13 Fevereiro 2015

Se é verdade que Putin é um autocrata, também é verdade que Obama é um palhaço

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 3:55 pm

 

Em Portugal, qualquer bicho careta que tira um curso de História passa a ser “historiador” — assim como Carvalho da Silva tirou um cursinho Ad Hoc de sociologia e já é “sociólogo”. O rei vai nu. E depois há os que citam religiosamente o “historiador” :

Putin é um autocrata que, tal como Tsipras, junta os aplausos da direita nacionalista e da esquerda radical. O que é que Tsipras vai fazer na Grécia? Ninguém sabe. Propõe-se debelar a “corrupção” e a “evasão fiscal”. Pode ser um princípio de saneamento, mas na Rússia de Putin tem sido um pretexto para perseguir adversários políticos. Talvez a zona Euro possa incluir um pequeno país desregrado; mas poderá a UE albergar uma mini-Venezuela aliada a Putin?”

Sinceramente, entre ter um presidente autocrata ou um presidente palhaço, venha o diabo e escolha.

obamaclown

Mas esta gentinha histriónica não vê o palhaço: só vê autocrata. O estatuto e o prestigio da presidência dos Estados Unidos anda pelas ruas da amargura — mas eles só vêem o autocrata. E não vêem o palhaço porque se identificam com a palhaçada.

Se esta gente se diz de Direita, ainda é mais nefasta do que a Esquerda, porque enquanto a Esquerda é maniqueísta  (“quem não é por nós, é contra nós”), esta “direita” é exclusivista (“somos a única opção válida”). Tudo farinha do mesmo saco.

Página seguinte »

The Rubric Theme. Create a free website or blog at WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 596 outros seguidores