perspectivas

Quinta-feira, 28 Janeiro 2016

Um exemplo do totalitarismo da União Europeia: o Bloco de Esquerda e George Soros estão de acordo

 

Muitos “liberais” — no Insurgente, no Blasfémias, etc. — são apoiantes da União Europeia e do Euro, ou seja, vêem na União Europeia um espaço de liberdade, não só na economia como também na política. Se assim fosse, eu também seria apoiante da União Europeia e do Euro, mas a realidade conta-nos uma história diferente.

No vídeo em baixo verificamos a recente criação do Conselho Europeu da Tolerância e da Reconciliação (C.E.T.R.), sob os auspícios da União Europeia. O vídeo está em francês. O que o C.E.T.R. pretende é impôr, de forma coerciva, a tolerância aos cidadãos da União Europeia servindo-se de Directivas transformadas em leis aplicadas em todos os países.

 

Segundo a União Europeia e o Conselho Europeu da Tolerância e da Reconciliação (C.E.T.R.), o crime de “intolerância verbal” será comparável, em termos penais, à agressão física agravada. Por exemplo, se eu escrever, aqui no blogue, qualquer coisa contra o feminismo, poderei apanhar pena de prisão até cinco anos de cadeia.

Trata-se de uma vigilância oficial dos cidadãos e de organizações privadas — à moda da URSS e do KGB — que são consideradas “intolerantes”. O engraçado é que são esses mesmos “liberais” que dizem que a o KGB ainda existe na Rússia e que a União Europeia é um espaço de liberdade…!

Também é curioso o facto de este tipo de vigilância estatal totalitária do cidadão em nome da “tolerância”, ser defendida simultaneamente pela plutocracia internacional (Bilderberg, etc.) e pela esquerda neomarxista.

Ou seja, George Soros, Rockefeller, por um lado, e Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa, por outro lado, estão de acordo em relação àquilo a que eu chamei “sinificação da Europa”.

Está mesmo previsto um programa de reeducação dos cidadãos prevaricadores e recalcitrantes em relação à “tolerância” — semelhante aos programas de reeducação maoístas! ¿Percebem agora por que razão o maoísta Durão Barroso é uma acérrimo apoiante da União Europeia?

O que a União Europeia e o Conselho Europeu da Tolerância e da Reconciliação (C.E.T.R.) pretendem é limitar drasticamente a liberdade de expressão e de opinião, tendo em vista a sinificação da Europa.

Segundo o intelectual liberal suíço Thomas Hürlimann:

“O que a União Europeia pretende é criar o Homem Novo, em que tudo o que é especial no ser humano deve desaparecer, ou seja, o sexo, as crenças religiosas, a cor da pele, etc..

No futuro, apenas será autorizado um estereótipo cinzento da tolerância, ou seja, uma tolerância que se declara universal mas que se inverte e que se transforma em intolerância. E quem assinala hoje esta contradição em termos, arrisca a sua reputação e, dentro de pouco tempo, arriscará mesmo a sua vida. O estereótipo da tolerância vai erradicar, sem apelo, os últimos indivíduos”.

Domingo, 10 Janeiro 2016

Pedro Arroja sobre a política bancária europeia

Filed under: economia,Portugal — O. Braga @ 11:10 am
Tags: , , ,

 

Segunda-feira, 31 Agosto 2015

Só há uma forma de salvar o Euro

Filed under: Política — O. Braga @ 9:36 am
Tags: , ,

 

A única forma de evitar o fim do Euro é democratizar a Europa, por um lado, e desnacionalizá-la totalmente, por outro lado.

“Democratizar a Europa” significa, por exemplo, a eleição directa de um presidente da União Europeia com poderes de regulação política; e dar poder político real ao parlamento europeu, do qual sairá o governo da Europa. Significa também o fim da Comissão Europeia e o fim do Conselho Europeu de primeiros-ministros.

Se a democratização da União Europeia é, em tese, possível, a desnacionalização dos países da União Europeia é impossível.

A desnacionalização dos países da Europa significa que os franceses, por exemplo, com cerca de 55 milhões de nacionais, teriam menos força política na União Europeia que os alemães com 80 milhões. Isso já acontece hoje de certa forma, mas a França tem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, e a Alemanha não tem; ou seja, a França mantém o estatuto de vencedor da II Guerra Mundial, o que lhe dá uma vantagem política global que equilibra o poder fáctico com a Alemanha.

A desnacionalização dos países da União Europeia significaria a realização progressiva de um IV Reich alemão, com a ajuda dos países limítrofes da Alemanha: Holanda, Bélgica, Áustria, entre outros. E alguém terá que me convencer que os franceses, um dia qualquer, deixarão de ser franceses.

Quem defende o Euro vive o momento de hoje; não pensa no futuro. Carpe Diem é a característica dos políticos portugueses em geral.

Segunda-feira, 27 Julho 2015

Para o José Pacheco Pereira, o Fim da História é (também) a União Europeia e o Euro

 

« O que é a “realidade” para a qual “não há alternativa”?

Em primeiro lugar, é o que há, o que existe, e a ideia de que o “que existe tem muita força” e legitima-se por existir. Neste pensamento do TINA existe uma espécie de congelamento da história, ? o que se compreende visto que chegou ao “fim”, ? no actual momento europeu, visto que é uma doutrina essencialmente europeia. Não é global, nem americana, nem dos BRICs, nem asiática, vem da Europa e fixa-se na Europa. Mais: fixa-se no estado de coisas europeu dos últimos anos, nem sequer uma década, desde a crise financeira (real) seguida da crise das dívidas soberanas (politicamente gerada). »

→ José Pacheco Pereira: A direita radical encontrou o “fim da história” e chama-lhe “realidade”

O José Pacheco Pereira opõe o seu (dele) Fim da História, por um lado, ao Fim da História neoliberal (segundo o “santo” Fukuyama), por outro  lado: são dois tipos diferentes de Fim da História. O que há em comum entre o Fim da História de José Pacheco Pereira e o dos neoliberais, é a necessidade da União Europeia e do Euro.

« When the episteme is ruined, men do not stop talking about politics; but they now must express themselves in the mode of doxa. » — Eric Voegelin


José Pacheco Pereira defendeu, na recente crise grega, que a União Europeia e o BCE [Banco Central Europeu] deveriam proceder de um determinado modo; e os neoliberais defenderam que as instituições deveriam proceder de modo diverso. São dois Fim da História que se opõem. Ou seja, o José Pacheco Pereira critica o determinismo histórico dos neoliberais opondo-lhe o seu (dele) próprio determinismo histórico: a União Europeia e o Euro fazem parte do seu (dele) Fim da História. Aliás, é sabido que o José Pacheco Pereira tem um arquétipo mental hegeliano, na esteira das opções políticas e ideológicas que o marcaram na juventude.

O José Pacheco Pereira é um federalista europeu, mas um federalista de tipo gramsciano: a União Europeia Federal (para ele) deverá ser construída a longo prazo através de uma democracia de base por intermédio de um “progresso da opinião pública” (leia-se, lenta lobotomia cultural, à boa maneira hegeliana de “progresso como uma lei da Natureza”). Em contraponto, os neoliberais e os socialistas (Partido Socialista) são também federalistas europeus, mas defendem que o federalismo deve ser uma espécie de leviatão que se impõe do cimo social e político, para baixo, para as massas anónimas e anódinas. O que difere, na posição de José Pacheco Pereira em relação à dos socialistas  e neoliberais em relação à União Europeia e ao Euro, é a forma, mas não o conteúdo: é a forma de se fazer as coisas, isto é, a forma de se atingir o federalismo europeu.

O que repugna ao José Pacheco Pereira é o conceito de Fim da História neoliberal, ou seja, a “realidade neoliberal”; e opõe-lhe os seu próprios conceitos de “realidade” e de Fim da História que apenas diferem do primeiro na sua forma: o conteúdo (o federalismo europeu) mantém-se comum aos dois tipos diferentes de “realidade”. Aqui, o José Pacheco Pereira está mais próximo do Bloco de Esquerda e do Livre do que do Partido Socialista (que também aceitou e ratificou o famigerado Tratado Orçamental).

O José Pacheco Pereira faz parte do actual “double blind” da política portuguesa, que apenas é “furado” — paradoxalmente! — pelo Partido Comunista que também tem o seu próprio Fim da História segundo Karl Marx.


Quando eu aqui critiquei o governo grego do Varoufucker e  do Tripas — e inclui nessa crítica a “puta da realidade” da União Europeia e do Euro que os gregos não aceitam —, essa minha crítica foi uma crítica ao determinismo histórico, ou seja, foi uma apologia à liberdade que passa sempre por povos que recusam a decadência e a subserviência canina em troca de um prato de lentilhas, e com elites corajosas e esclarecidas. Não existe um Eidos da História (Hegel estava errado!)  — pelo menos que seja perceptível pelo ser humano: os homens fazem a História que os faz; a História faz os homens que a fazem; os homens fazem a sua história sem a fazer.

Sábado, 27 Junho 2015

A postura Syrízica do José Pacheco Pereira

Filed under: Europa — O. Braga @ 8:31 pm
Tags: , , ,

 

Quando Passos Coelho fala da “herança socialista”, José Pacheco Pereira faz ouvidos de mercador; mas a “herança do Syriza” já desculpa toda a ineficácia e o amadorismo da governança radical grega.

pereira-apcheco-marx-web-600-2 (1)Sinceramente, penso que o José Pacheco Pereira está a mais no Partido Social Democrata, e deveria ter a coragem de o assumir entregando o cartão do partido. Pelo menos seria coerente. Aliás, penso que  posição do José Pacheco Pereira em relação ao Partido Social Democrata é uma posição Syrízica: “se querem que eu saia do Partido Social Democrata, terão que me expulsar, para que eu possa atirar a culpa para cima de outros”. 

Temos o Frei Bento Domingues na Igreja Católica portuguesa e o José Pacheco Pereira no Partido Social Democrata.

O me espanta é que gente como o José Pacheco Pereira, alegadamente com muita experiência política, se revolte em relação ao que acontece no caso grego — porque o que se está a passar era obviamente previsível. Esta gente construiu uma utopia europeia, e quando a realidade não bate certo com o sonho, desancam na realidade! A culpa não é do sonho!: a culpa é da grande puta da realidade!

“A ideia de que a Grécia não é um Estado ou que é um “país falhado” é um absurdo.”

José Pacheco Pereira

Nunca ouvi ninguém dizer que “a Grécia é um Estado falhado”. No seu desespero, o José Pacheco Pereira recorre à falácia do espantalho.

O que devemos fazer é constatar o óbvio, reconhecer a evidência, aquilo que não necessita de demonstração: por exemplo, o contributo da indústria grega (sector secundário) para o PIB está abaixo de 15%; ora, um país com estas características nunca deveria ter entrado no Euro estruturado da forma que está. Portugal, obviamente, não está muito melhor que a Grécia: a contribuição da indústria portuguesa para o PIB é de cerca de 22%; mas, mesmo assim, existe uma grande diferença: Portugal tem a Espanha ao lado; a Grécia não tem vizinhos no Euro. 

Se para Portugal é muito difícil manter-se no Euro (nas actuais condições do Euro), para a Grécia é praticamente impossível. Isto não é “querer mal à Grécia”: em vez disso, é constatar factos.

Ora, são os factos frios, ou sejam, a puta da realidade, que o José Pacheco Pereira não aceita! Que a negação da realidade seja uma característica dos lunáticos radicais de Esquerda, já eu estaria avisado; mas que um militante do Partido Social Democrata, que apoiou Cavaco Silva, venha negar a realidade, já me surpreende.

O radical José Pacheco Pereira deveria aprender com Lenine: “Os factos são teimosos”.

sirizicos

O futuro da Grécia

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:58 am
Tags: , ,

 

Quinta-feira, 18 Junho 2015

A enorme dívida da Grécia impõe uma saída do Euro.

Filed under: Europa — O. Braga @ 3:15 am
Tags: , , ,

 

Em 26 de Janeiro p.p. escrevi que “o Syriza quer que a Grécia saia do Euro, embora sob determinadas condições”. Parece que sou candidato a bruxo.

As exigências dos credores não compensam, porque a dívida da Grécia é de tal modo alta que obedecer aos credores é literalmente liquidar o país. Por outro lado, os países europeus credores da dívida da Grécia ficarão a arder com 310 mil milhões de Euros.

EXP-GR1

Portanto, provavelmente compensa uma falência (default) da Grécia à moda da Islândia, seguida de uma nacionalização mais ou menos parcial da Banca. Logo a seguir será criado um “Banco Mau” onde ficarão os activos tóxicos (incluindo a dívida de 310 mil milhões de euros), e a circulação de capital para o exterior será estritamente controlada pelo novo Banco Central soberano.

A princípio haverá restrições de levantamento de dinheiro nas caixas de Multibanco, e existirão duas moedas em circulação: o Euro e o novo dracma; mas rapidamente o Euro será retirado de circulação e ficará apenas o novo dracma. Naturalmente que, nesta primeira fase, os Bancos gregos vão ao charco.

Mas depois do primeiro ano de confusão grega, com o novo dracma a Grécia vai passar a crescer a uma taxa impensável na zona Euro e em Portugal.

Sexta-feira, 5 Junho 2015

O argumento ad Terrorem da saída da Grécia do Euro

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:31 pm
Tags: , , ,

 

O semanário “O Diabo” invoca aqui argumentos ad Terrorem para a possível saída da Grécia do Euro. O “clube do Euro” parece ser uma espécie de clube gay: toda a gente pode entrar, mas ninguém consegue sair.

Os argumentos ad Terrorem vão ao encontro do conceito neoliberal de “fim da história”, de Francis Fukuyama (que copiou o conceito de “fim da história” de Karl Marx): quem sair do Euro enfrenta o fim do mundo… !

Eu não sei como vive o cidadão grego médio, e portanto convém não especular. Normalmente, no que diz respeito à política, devemos falar daquilo que sabemos por experiência própria. Naturalmente que, à falta de experiência, temos que acreditar minimamente em alguma informação de terceiros:

  • a economia grega caiu 10% em 2 anos (2012 e 2013); a economia portuguesa caiu 5% no mesmo período. Isto significa que o PIB per capita grego era muito maior do que o português no início da crise das dívidas soberanas. Ou seja, os portugueses, antes da crise global, viviam mais de acordo com as suas possibilidades quando comparados com os gregos;
  • o peso da indústria na economia portuguesa é de 22,4%; o peso da indústria na economia grega é de 15,9%. por exemplo, na Itália é de 23,9%; na Alemanha é de 30,8%. O peso da indústria na economia grega é muito baixo para um país da zona Euro.
  • a taxa de poupança na Grécia é de 14,5%; em Portugal é de 16,3%; na Itália é de 18,6%; na Alemanha é de 23,9%.

Estes são apenas alguns dados que nos indicam claramente que não só a entrada da Grécia no Euro foi um erro, como a saída apoiada e sustentada do Euro será necessária. A permanência da Grécia no Euro é uma impossibilidade objectiva; e com a saída apoiada e sustentada da Grécia do Euro, e depois de uma desvalorização do dracma na ordem dos 50% em relação ao Euro, a sua economia começará a crescer a mais de 3% por ano.

A alternativa à saída da Grécia do Euro será um país em que os capitais gregos “fogem” para os países do norte, por um lado, e por outro  lado o PIB per capita grego tende a deteriorar-se até aos níveis do da Roménia. A Grécia não tem futuro dentro do Euro; e a situação de Portugal também é duvidosa, embora beneficie da dinâmica da economia espanhola (os gregos não têm um vizinho como Espanha dentro da zona Euro).

A manutenção da Grécia dentro do Euro será uma lenta agonia para aquele país. Com as taxas de crescimento médias da zona Euro de 0,5% (ou coisa que o valha), a Grécia nunca mais se levanta do chão se permanecer no Euro, nem nunca poderá pagar as suas dívidas. Admira que o semanário “O Diabo” não veja isto e siga o centrão político eurófilo.

Sábado, 30 Maio 2015

Passos Coelho diz uma coisa, Angela Merkel diz outra (em política, o que parece, é)

Filed under: Europa,Política,Portugal — O. Braga @ 8:18 pm
Tags: , , ,

 

Passos Coelho faz lembrar aquele indivíduo que aparece vestido de smoking em uma festa de churrasco na praia; está toda a gente de calções e T-shirt, e aparece o Passos Coelho de laçarote e smoking.

“As propostas são ambiciosas e claramente a favor da criação de instrumentos de natureza europeia capazes de enfrentar colectivamente os efeitos de choques assimétricos futuros, incluindo o avanço por fases em direcção a um verdadeiro orçamento da zona euro, constituído a partir de recursos próprios e não das transferências nacionais dos Estados-membros como actualmente acontece. As propostas que contém mereceriam facilmente a aprovação do PS, o que torna o secretismo ainda mais incompreensível.”

Passos muda discurso e defende maior integração económica e política

angela merkelEntretanto, Angela Merkel defende exactamente o contrário de Passos Coelho e do António Costa. Depois do seu (dela) encontro com David Cameron, Angela Merkel mostrou-se totalmente aberta à revisão do Tratado da União Europeia vigente, para que o Reino Unido não saia da União Europeia; e sobre o aprofundamento económico (Euro) e político da União Europeia, Angela Merkel chega a dizer o seguinte:

“Uma Europa a duas velocidades já é a nossa realidade actual… já temos velocidades diferentes e não tenho absolutamente nenhum problema em rever o Tratado de Roma para que exista na União Europeia um princípio que estabeleça a legitimidade de uma Europa a velocidades diferentes”.

Chegou a hora da aproximação política progressiva de Portugal às forças que são hostis à União Europeia, incluindo os paleo-conservadores americanos. Portugal vai ter que ter a liberdade de negociar com todos os países do mundo, porque as regras na União Europeia vão ser alteradas a meio do jogo.

Quarta-feira, 13 Maio 2015

Um paralelismo entre a Igreja Católica do Renascimento e a Eurofilia actual

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 11:42 am
Tags:

 

Sobre este verbete e estoutro:

Durante a decadência política e moral do Renascimento, raramente os intelectuais ateus, e também os não-ateus que estavam contra a imoralidade do clero católico renascentista, colocaram frontalmente em causa a Igreja Católica. ¿E por quê? Porque o sistema decadente e o clero católico imoral convinham economicamente às elites da Itália.

Com o Renascimento, paradoxalmente os poderes económico e financeiro do papado aumentaram astronomicamente, mas diminuiu a sua autoridade espiritual. Mas como a Itália, no seu todo, ganhava do ponto de vista económico e financeiro com a imoralidade da Igreja Católica e com o aumento dos poderes mundanos do papa, quase toda a gente fechava os olhos perante a iniquidade do clero italiano em geral.

A situação chegou a um ponto tal que até o ateu e epicurista Lourenço Valla, que dizia o pior possível da Igreja Católica e acusara mesmo Santo Agostinho de heresia, foi nomeado secretário apostólico da Igreja Católica pelo papa Nicolau V.

Por aqui vemos a conjugação de interesses entre uma Igreja Católica imoral, materialista e mundana, por um lado, e por outro  lado os interesses materiais e financeiros das elites que, em geral, estavam contra a Igreja Católica — porque o que estava em causa era o viver bem à custa da extorsão pecuniária e da espoliação dos outros países católicos da Europa. Esta foi uma das razões da revolta protestante a norte. Todos os papas do período renascentista — até ao saque de Roma por Carlos V em 1527 — favoreceram o humanismo político e laico, e os humanistas políticos e ateus fecharam os olhos em relação à corrupção da Igreja Católica do Renascimento. Uma mão lava a outra. O que interessava era o vil metal.

Carlos V, o rei católico espanhol, saqueou Roma em 1527 e acabou com a iniquidade na Igreja Católica em Itália; mas a maior parte do seu exército era composto por protestantes holandeses e alemães, porque os católicos tinham reservas em combater contra os interesses dos papas do Renascimento, mesmo sabendo que eram iníquos.

Vemos neste trecho a complexidade política da relação entre poderes diferentes em um mesmo país e em relação a outros países.

Fazendo uma extrapolação para os interesses instalados do Euro em Portugal: mesmo os membros das elites que têm reservas em relação ao Euro, estão calados, porque têm interesses no status quo. Existem hoje em Portugal muitos Lourenço Valla que aceitam pactuar   tacitamente com o sistema eurófilo porque lhes cai alguma coisa no bolso. Só com um novo Carlos V e um saque a Lisboa — ou quiçá um saque a Berlim — a iniquidade do actual sistema terá termo.

Segunda-feira, 11 Maio 2015

O Quim tem razão

 

O Quim escreveu o seguinte:

“É altura de começarmos a pensar em sair do Euro, uma moeda forte não é viável num país socialista.”

Eu acho que ele tem razão. Por isso é que a Suíça não está no Euro: é um país socialista. E no Reino Unido, ainda agora ganharam os socialistas as eleições, e por isso é que este país não está no Euro — já não falando na Dinamarca, Suécia e na Noruega, onde predomina o socialismo estalinista. E a Hungria, que é um país socialista que tem uma taxa única de IRS de 16%, também não está no Euro, o que é sintomático da superioridade e da liberdade da economia na zona Euro.

Já a França, por exemplo, que está no Euro, não é socialista — como é evidente! O Euro é incompatível com o socialismo! O Quim tem razão.

O medo da rebelião

Filed under: Europa — O. Braga @ 2:32 pm
Tags: , ,

 

A tendência natural de um qualquer governo para a tirania só se pode combater com o medo da rebelião.

Os governos são piores se os cidadãos adoptam a espécie de submissão defendida por Hobbes no “Leviatão”. Vemos como, no Brasil, a classe política subverteu e prostituiu os mecanismos democráticos de “check & balance”, o que significa que o regime democrático, por si só, não garante a tendência natural dos governos — controlados pelas elites — para a tirania. É preciso que as elites tenham medo da rebelião.

(more…)

Página seguinte »

O tema Rubric. Blog em WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 728 outros seguidores