perspectivas

Sexta-feira, 10 Abril 2015

Concordo com Passos Coelho: o custo do trabalho é muito alto, e por isso temos que sair do Euro

 

¿Quantos minutos tem que trabalhar um português médio para comprar um litro de leite? E façamos agora as contas em relação a um alemão médio, e comparemos. Mas tanto o português como o alemão vivem na zona Euro…

Passos Coelho nunca trabalhou na sua (dele) vida. Viveu sempre de expedientes políticos e saiu-lhe a sorte grande quando chegou a primeiro-ministro — neste aspecto não é diferente de António Costa.

Se Passos Coelho chega à conclusão que o custo do trabalho em Portugal é alto, então é porque existe uma incompatibilidade entre a economia portuguesa e o valor da moeda Euro, porque o português médio ganha 25% do que ganha um alemão médio. Naturalmente que Portugal tem 10 milhões de consumidores, ao passo que a Alemanha tem 80 milhões (economia de escala), e para além das diferenças no tipo de indústria.

Mas Passos Coelho pretende fazer a quadratura do círculo: manter o Euro (moeda forte) e reduzir o custo de trabalho em Portugal. Nem os chineses fazem isto!: 1 Yuan = 0,15 Euros. Por isso é que a classe média chinesa vive hoje melhor do que a classe média portuguesa, porque os chineses exportam mais do que importam e são auto-suficientes em grande parte da economia (ao contrário de Portugal).

À medida que o tempo passa, o povo português está cada vez mais confrontado em uma situação de “double blind”: ou vota na merda (Passos Coelho), ou então vota na merda (António Costa). E esta alternativa sistémica e merdosa só nos vai levar a um sítio: a criação de uma espécie de Front Nationale em Portugal. É a própria merda do sistema político que nos vai empurrar para um qualquer radicalismo.

Terça-feira, 24 Março 2015

Para mim é claro que o BCE [Banco Central Europeu] prepara a saída da Grécia do Euro

Filed under: Europa — O. Braga @ 6:56 pm
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“The European Central Bank is set to make it illegal for Greek lenders to add to their holdings of government debt in a move that effectively cuts off a key source of funding for Athens and heightens the risk of a sovereign default.”

ECB set to tighten rules for Greek banks on T-bills

Segunda-feira, 23 Março 2015

Marine Le Pen, o Insurgente e o Jugular

 

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Começo por dizer que, se eu fosse francês, não votaria na Front Nationale de Marine Le Pen,  a não ser por voto de protesto contra o sistema político; por várias razões, e fundamentalmente porque a Front Nationale é tão radicalmente laicista quanto o Partido Socialista francês.

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Eu vou mais pelo secularismo, por exemplo, de um UKIP (United Kingdom Independent Party); vou mais por aqui, mas vou mais longe: em minha opinião, a Igreja Católica deveria fazer parte do protocolo de Estado, e portanto, fui contra a posição do Partido Social Democrata que há anos se aliou à  Esquerda e à  maçonaria para revogar a tradição portuguesa da presença da Igreja Católica nos protocolos de Estado que vigorava desde a fundação de nacionalidade.

Segundo o critério do Insurgente, o UKIP, sendo um partido nacionalista e que defende até a saída do Reino Unido da União Europeia, é um partido socialista.

(more…)

Sexta-feira, 6 Março 2015

A Espanha está f*did*!

 

Aquilo que me chateia no “pensamento único” é que o Estado se meta, através dele, na minha vida privada; se o pensamento único não tiver nada a ver com a força bruta do Estado, então não me preocupa grande coisa.

Se toda a gente pensar da mesma maneira mas que não se coloque o Estado a vasculhar a minha casa, por mim podem pensar como quiserem.

tu-quoqueEm Espanha, os socialistas dizem que os neoliberais seguem um “pensamento único”, e estes dizem o mesmo daqueles. A verdade é que os neoliberais aproveitam-se do socialismo para aumentar impostos; e os socialistas aproveitam-se do neoliberalismo para ir reforçando o poder do Estado com o aumento dos impostos. A diferença é que uns chupam o povo de uma maneira, e os outros “xuxam” no povo de outra maneira. O que há de comum entre eles é que ambos defendem — na prática e por razões diferentes — aumento de impostos.

Portanto, o “pensamento único” é o aumento de impostos — seja para pagar a dívida pública rapidamente porque os Bancos alemães andam aflitos (os neoliberais) e não podem esperar, seja porque “a dívida pública não é para pagar” (os socialistas) e o “necessário aumento de impostos” serve para reforçar o poder absoluto do Estado.

Enquanto não se quebrar este “pensamento único” comum a neoliberais e socialistas, não saímos da cepa torta; ou então saímos do Euro. Neoliberais e socialistas fazem parte do problema, e não da solução.

Razão tinha o Salazar: quando chegou ao Poder (na década de 1920) só ia pagando os juros da dívida pública: o pagamento da dívida propriamente dita ficou congelado até meados da década de 1950. Mas hoje a Alemanha não facilita pagamentos, não obstante tenha tido condições muito favoráveis para o pagamento da sua dívida contraída com a II Guerra Mundial. “Pimenta no cu dos outros é chupa-chupa”.

“Liberalismo económico” com brutal aumento de impostos, para pagar a dívida pública aos Bancos alemães em uma década, é abuso de poder.

Sábado, 21 Fevereiro 2015

O Vasco Pulido Valente e o século XIX

 

vpvO Vasco Pulido Valente faz aqui uma comparação entre Portugal e a Grécia; mas compara Portugal e a Grécia no século XIX. E depois extrapola os factos dessa comparação para o século XXI. Mas em nenhum momento fala realmente do século XXI: por exemplo, não diz se a Grécia deveria ou não ter entrado no Euro; a actualidade é escamoteada.

Na década de 1990, antes de entrar no Euro, Portugal estava a crescer mais de 2% ao ano, e em 2000 (ano da entrada de Portugal no Euro) a dívida pública portuguesa era de 50% do PIB. Hoje, quinze anos volvidos no Euro, a dívida pública portuguesa ultrapassa já os 130% do PIB. Em 2011, quando entrou a Troika, a dívida pública já era de 90% do PIB…

¿Ninguém vê aqui um nexo causal?! ¿Será preciso fazer um desenho?

Pelo menos desde 1974, o maior problema da nossa economia foi a balança comercial (a diferença entre o que se exporta e o que se importa).

Antes da entrada no Euro e antes de Schengen, as alfândegas faziam o crivo das importações através de taxas aduaneiras; depois do Euro, acabaram as alfândegas para a União Europeia, e foi o descalabro: o país passou a endividar-se à  fartazana quando importava, em roda livre, de países da União Europeia.

Passos Coelho resolveu o problema, a partir de 2011, com um aumento brutal de impostos que é prejudicial para as empresas portuguesas (não vendem tanto no mercado português), empresas estas  que não podem fazer mais nada senão baixar salários para poder concorrer, no mercado de exportação, também com países do terceiro mundo.

O Euro acabou por destruir parcialmente o mercado interno (consumo interno de produtos fabricados em Portugal). É disto que as elites bem instaladas em Lisboa não dizem. Preferem falar do século XIX.

Sexta-feira, 20 Fevereiro 2015

¿O Euro continua sem a Grécia?

Filed under: Europa — O. Braga @ 11:15 am
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Assistimos hoje a uma torre de babel nos me®dia em relação à  Grécia. Papagaios.

O problema fundamental é escondido do povo: não é possível uma moeda única sem uma unidade política — e já nem falo aqui em uma língua comum! “Unidade política” pressupõe representatividade legítima, e não só legal. Representatividade legítima pressupõe a nação.

Se quisermos identificar a representatividade legítima com a democracia, então é perfeitamente claro que não é possível a democracia senão em um contexto nacional (nação). Quem disser o contrário disto ou é estúpido ou vigarista político: são os casos de Paulo Rangel e de Fernando Rosas.

Quem disser o óbvio e o evidente — que a democracia só é possível em um contexto da nação —, é considerado, por aquelas duas supracitadas avantesmas, “radical” ou “fascista”. Defender a democracia e, por isso, defender a nação, é ser “fascista” ou “radical”.

Os termos políticos foram invertidos pelas bestas notórias da política actual: defender o leviatão da União Europeia (em que o parlamento europeu é praticamente um pró-forma) é ser “democrático”; defender a nação e a democracia é ser “faxista”.

Na Grécia, quer queiramos ou não e independentemente de gostarmos ou não do Syriza, há democracia porque fundada no contexto da nação grega. Não é possível a democracia sem a nação. Por isso, dizer que “a União Europeia é democrática” pressupõe que exista uma “nação europeia” — mas eu ainda não me apercebi dessa realidade nacional europeia. Talvez eu seja ceguinho de todo e o Paulo Rangel tenha um olho.

A probabilidade de acontecer, um dia, uma “nação europeia” é praticamente de zero. E sem nação europeia — ou seja, sem unidade política legítima — o Euro não pode demorar muito tempo.

O Euro foi concebido por políticos europeus lunáticos e/ou psicóticos, e depois foi bem aproveitado pela Alemanha para esmifrar as economias mais fracas da Europa. E os gregos, os irlandeses e os portugueses puseram-se a jeito e foram encavados pela Alemanha. Esta é a verdade pura e dura que resume aquilo que a classe política portuguesa e os apparatchiks do centrão político se recusam a reconhecer perante o povo.

Se a Grécia sair do Euro, é possível que o Euro continue a existir embora circunscrito aos países de língua alemã e afins — Alemanha, Áustria, Holanda, Finlândia, Luxemburgo, e talvez a Bélgica. Mas se a Grécia não sair agora do Euro, sairá mais tarde: estaremos apenas a empurrar com a barriga o problema da legitimidade democrática, à  espera de um milagre em política.

Quinta-feira, 19 Fevereiro 2015

A União Europeia e a Branca de Neve

Filed under: Europa,Passos Coelho — O. Braga @ 11:26 am
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Na União Europeia da Branca de Neve, há sete anões. A Grécia do Syriza é o Ranhoso (“dengoso”, no Brasil); o Portugal de Passos Coelho é o Fanhoso (“soneca”, no Brasil). Claro que a Branca de Neve é a Angela Merkel. Quando o Ranhoso anda chateado com a Branca de Neve, o Fanhoso diz logo que “põia que nãum põde ser!”

Quando a Branca de Neve quer que o Ranhoso tenha um excedente orçamental de 1,5% (em relação ao PIB) em 2015,  3% em 2016 e 4,5% em 2016, para que possa pagar rapidamente a sua dívida aos credores alemães, o Ranhoso recusa porque tem cerca de 50% de desempregados jovens; mas o Fanhoso diz logo: “Õda-se!, pãece que é pãivo!”

ranhoso-fanhoso

Quarta-feira, 18 Fevereiro 2015

A Raquel Varela e o horário de trabalho de 21 horas semanais

Filed under: economia,Europa — O. Braga @ 1:21 pm
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Eu não sou libertário e por isso estou à  vontade para dizer que o programa televisivo “Barca do Inferno” deveria ser enviado para o diabo que o carregue. Não podemos viver em uma sociedade em que o mais sórdido é permitido, em que a razão é violentada por uma classe académica com “direitos de Estado” adquiridos. Mesmo os canais de televisão privados não têm o direito de ter programas que defendam o absurdo, ou que convidem pessoas a defender publicamente o absurdo.

A Raquel Varela mistura no mesmo saco três fenómenos distintos: 1/ a concentração excessiva de capital que acontece hoje (como aconteceu no século XIX); 2/ as horas semanais de trabalho; 3/ o desemprego.

1/ a concentração excessiva de capital é uma realidade, mas está ligada ao fenómeno político da desnacionalização. Que eu saiba, a Raquel Varela — à  semelhança do Bloco de Esquerda — defende a permanência de Portugal no Euro.

2/ as horas de trabalho devem estar ligadas a uma ética de recompensa por quem mais se esforça e se preocupa com o trabalho.

Reparem bem como a Raquel Varela defende 21 horas de trabalho semanais sem redução de salário. É isto que deveria ser proibido de passar na televisão do Estado, nem que se tivesse de demitir a administração da RTP.

Para a Raquel Varela, a produtividade é uma coisa mágica que não depende do contexto político, cultural e social em que uma sociedade está inserida.

3/ a Raquel Varela não quer a saída de Portugal do Euro, e portanto defende a desnacionalização de Portugal (Trotskismo). Mas, ao mesmo tempo, pensa que a economia portuguesa poderá crescer, estando dentro do Euro, 2 a 3% por ano para permitir a absorção do desemprego — o que é uma impossibilidade objectiva.

Só saindo do Euro, Portugal poderá ter taxas de crescimento iguais ou superiores a 2% ao ano. Portanto, quem defender o Euro terá que defender necessariamente um desemprego alto. Claro que, no primeiro ano da saída do Euro, instala-se uma situação económica caótica em Portugal; mas passada primeira fase de choque económico, a economia passa a crescer tanto ou mais do que cresceu na década de 1990.

Portanto, há que escolher: ou o Euro e desemprego alto; ou fora do Euro e absorção de desemprego.


Adenda:

A economia é uma ciência social. Estar fora ou dentro do Euro têm vantagens e desvantagens, segundo a ciência económica.

Mas a opção de estar dentro ou fora do Euro é uma opção ética que não é determinada pela ciência económica: a ciência, qualquer que seja, não determina e não define a ética. Essa opção ética, qualquer que seja, está a montante da política, ou seja, influencia a política.

Isto significa que quem utiliza a ciência económica para defender a permanência de Portugal no Euro escamoteia ou esconde uma opção ética: a de que é preferível um desemprego alto a um desemprego baixo. Cada um defende a ética em que se vê reflectido.

Quinta-feira, 5 Fevereiro 2015

É possível que a Grécia “fabrique” Euros “falsos”

Filed under: Europa — O. Braga @ 10:05 pm
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Se o braço-de-ferro entre a União Europeia — comandada pela Alemanha — e a Grécia continuar, e estando eu convencido de que o Syriza não vai ceder grande coisa em relação à reestruturação da dívida grega, é bem possível que a Grécia mande imprimir notas de Euro para evitar uma corrida aos Bancos gregos (medida acompanhada por uma restrição drástica de movimento de capitais para o exterior do país) — uma vez que o BCE [Banco Central Europeu]  ameaça já cortar o financiamento da economia grega.

Quando o Banco Central da Grécia começar a imprimir Euros, isso significará que a Grécia estará oficialmente de saída da zona Euro e a preparar a introdução do novo dracma. E a responsabilidade política da sua saída será atribuída ao BCE [Banco Central Europeu]  e aos alemães. A acontecer isto, é bem provável que a dívida grega directamente conotada com  Alemanha não seja nunca paga: em um cenário medonho, a Grécia corta relações diplomáticas com a Alemanha.

Sábado, 31 Janeiro 2015

Greek debt vs. Nazi Germany debt

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 3:31 pm
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“Syriza, Greece’s new ruling party, makes an attractive argument for writing off Greek debt: Wasn’t Germany, now the biggest opponent of debt relief, itself the recipient of unprecedented largesse in 1953, when its foreign debt was halved?

Attractive, however, doesn’t mean convincing. Parallels between today’s Greece and 1953 Germany are demagoguery, pure and simple.”

Germany deserved debt relief. Greece doesn’t


It seems that the Nazi war – that destroyed not only Germany but also several countries in Europe – is more acceptable than the actual Greek squandering.

Good point. Congratulations!

The enlightened Mind who wrote that is not discussing debt relief considered by itself, but is mainly taking into account the people that deserves – or not — the debt relief.

So, the writer’s  conclusion is that the German people, who supported Nazism, deserved the debt relief, supposedly because Germany’s ruling class back in the 50’s promised that “it would never happen again” (subjective argument). But we know that Germany has done it many times since Bismark at least, and is doing it again not by military means but by financial means.

In contrast, the writer says that Greece does not deserve a debt relief because the actual ruling politicians in Greece are socialists — “forgetting” that the previous Greek government was not socialist, but still was not entitled to any debt relief .

The writer’s problem is a cognitive dissonance, and he’s doing everything possible to reduce the importance of facts that contradict his expectations about the Greek debt in comparison with Nazi Germany’s debt.

The Greek debt, as it is structured right now, is not payable. And it is stupid not to recognize it.

Segunda-feira, 26 Janeiro 2015

Os burocratas de Bruxelas andam com medo

Filed under: Europa — O. Braga @ 12:50 pm
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O Syriza quer que a Grécia saia do Euro, embora sob determinadas condições. Por isso é que o Syriza diz que “não quer sair do Euro”: pretende que a saída da Grécia do Euro seja apoiada pelos credores, e nesse sentido coloca o ónus da responsabilidade política nos países que controlam o BCE [Banco Central Europeu] — com a Alemanha à cabeça.

eu-greece-kleenex-webSe os credores da Grécia (não estou a falar em perdão de dívida!) derem condições especiais à Grécia para que saia do Euro sem grandes perturbações (garantindo o financiamento ao novo dracma, e amortecendo o choque da mudança de moeda), e se, com o novo dracma e com os apoios dos credores, a economia grega passar a crescer mais de 2% por ano (penso que poderá crescer até mais do que isto: poderia andar entre os 3 e os 4%), os burocratas de Bruxelas estarão em maus lençóis.

A Grécia (com o governo de direita de Samaras) já conseguiu muita coisa: já cobra muito mais impostos e reduziu radicalmente a fuga ao fisco; reduziu a burocracia do Estado; e se o peso dos juros da dívida na economia grega não fosse tão grande (30% da colecta de impostos), o défice orçamental da Grécia andaria já pelos 3%.

O problema é que o Euro é um projecto político, e não meramente económico. É um projecto político de construção de um leviatão burocrático.

E se a Grécia sair do Euro (repito: com o apoio dos credores!, e sem perdão de dívida) e a economia grega começar a crescer, Portugal, Espanha, e até a Itália poderão seguir o exemplo da Grécia. É disto que os burocratas de Bruxelas têm medo!

Sábado, 24 Janeiro 2015

O "Quantitative Easing" do BCE [Banco Central Europeu]

Filed under: economia,Europa — O. Braga @ 10:10 am
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Deflação” não é a mesma que “desinflação” que é estabilização de preços. Quando o preço do petróleo baixa, por exemplo, não há deflação mas sim desinflação.

Mesmo que venha a existir deflação, isso não significa que não haja crescimento económico: depende da flexibilidade dos agentes económicos (o “desenrascanço”).

A decisão do BCE [Banco Central Europeu]  de proceder ao um “Quantitative Easing” nas vésperas das eleições na Grécia em que o Syriza parece ganhar, não acontece por acaso; e não tem nada ver com a deflação na União Europeia. E por não ter nada a ver com a deflação é que a Esquerda e o António Costa, que sempre desejaram um “Quantitative Easing”, agora parece que não gostaram da ideia.

O “Quantitative Easing” é um prémio de Angela Merkel para os alunos bem comportados da União Europeia, em contraste com uma Grécia indisciplinada.

A Grécia fica a um canto da sala de aula, com as orelhas de burro na cabeça, e Passos Coelho pode alardear a sua menção honrosa no recreio. A União Europeia de Angela Merkel mata dois coelhos com uma cajadada só: isola a Grécia e evita um contágio ainda maior do fenómeno Syriza nos países do sul da Europa.

O “Quantitative Easing” do BCE [Banco Central Europeu]  foi menos um acto económico do que político. Não é apenas política monetária: é sobretudo política politiqueira  pura e dura.

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