perspectivas

Quarta-feira, 13 Maio 2015

Um paralelismo entre a Igreja Católica do Renascimento e a Eurofilia actual

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 11:42 am
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Sobre este verbete e estoutro:

Durante a decadência política e moral do Renascimento, raramente os intelectuais ateus, e também os não-ateus que estavam contra a imoralidade do clero católico renascentista, colocaram frontalmente em causa a Igreja Católica. ¿E por quê? Porque o sistema decadente e o clero católico imoral convinham economicamente às elites da Itália.

Com o Renascimento, paradoxalmente os poderes económico e financeiro do papado aumentaram astronomicamente, mas diminuiu a sua autoridade espiritual. Mas como a Itália, no seu todo, ganhava do ponto de vista económico e financeiro com a imoralidade da Igreja Católica e com o aumento dos poderes mundanos do papa, quase toda a gente fechava os olhos perante a iniquidade do clero italiano em geral.

A situação chegou a um ponto tal que até o ateu e epicurista Lourenço Valla, que dizia o pior possível da Igreja Católica e acusara mesmo Santo Agostinho de heresia, foi nomeado secretário apostólico da Igreja Católica pelo papa Nicolau V.

Por aqui vemos a conjugação de interesses entre uma Igreja Católica imoral, materialista e mundana, por um lado, e por outro  lado os interesses materiais e financeiros das elites que, em geral, estavam contra a Igreja Católica — porque o que estava em causa era o viver bem à custa da extorsão pecuniária e da espoliação dos outros países católicos da Europa. Esta foi uma das razões da revolta protestante a norte. Todos os papas do período renascentista — até ao saque de Roma por Carlos V em 1527 — favoreceram o humanismo político e laico, e os humanistas políticos e ateus fecharam os olhos em relação à corrupção da Igreja Católica do Renascimento. Uma mão lava a outra. O que interessava era o vil metal.

Carlos V, o rei católico espanhol, saqueou Roma em 1527 e acabou com a iniquidade na Igreja Católica em Itália; mas a maior parte do seu exército era composto por protestantes holandeses e alemães, porque os católicos tinham reservas em combater contra os interesses dos papas do Renascimento, mesmo sabendo que eram iníquos.

Vemos neste trecho a complexidade política da relação entre poderes diferentes em um mesmo país e em relação a outros países.

Fazendo uma extrapolação para os interesses instalados do Euro em Portugal: mesmo os membros das elites que têm reservas em relação ao Euro, estão calados, porque têm interesses no status quo. Existem hoje em Portugal muitos Lourenço Valla que aceitam pactuar   tacitamente com o sistema eurófilo porque lhes cai alguma coisa no bolso. Só com um novo Carlos V e um saque a Lisboa — ou quiçá um saque a Berlim — a iniquidade do actual sistema terá termo.

Segunda-feira, 11 Maio 2015

O Quim tem razão

 

O Quim escreveu o seguinte:

“É altura de começarmos a pensar em sair do Euro, uma moeda forte não é viável num país socialista.”

Eu acho que ele tem razão. Por isso é que a Suíça não está no Euro: é um país socialista. E no Reino Unido, ainda agora ganharam os socialistas as eleições, e por isso é que este país não está no Euro — já não falando na Dinamarca, Suécia e na Noruega, onde predomina o socialismo estalinista. E a Hungria, que é um país socialista que tem uma taxa única de IRS de 16%, também não está no Euro, o que é sintomático da superioridade e da liberdade da economia na zona Euro.

Já a França, por exemplo, que está no Euro, não é socialista — como é evidente! O Euro é incompatível com o socialismo! O Quim tem razão.

O medo da rebelião

Filed under: Europa — O. Braga @ 2:32 pm
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A tendência natural de um qualquer governo para a tirania só se pode combater com o medo da rebelião.

Os governos são piores se os cidadãos adoptam a espécie de submissão defendida por Hobbes no “Leviatão”. Vemos como, no Brasil, a classe política subverteu e prostituiu os mecanismos democráticos de “check & balance”, o que significa que o regime democrático, por si só, não garante a tendência natural dos governos — controlados pelas elites — para a tirania. É preciso que as elites tenham medo da rebelião.

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Sexta-feira, 8 Maio 2015

É melhor deixar passar a pretalhada toda no Mediterrâneo

Filed under: Europa,Portugal — O. Braga @ 9:37 pm
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“O FMI reiterou hoje a necessidade de Portugal cortar mais na despesa pública, insistindo na necessidade de realizar uma “reforma abrangente dos salários e das pensões” e de “continuar as reformas estruturais” para melhorar a competitividade.”

FMI volta a pedir reformas nos salários e pensões em Portugal

pretalhada-toda

Domingo, 3 Maio 2015

Com esta “direita”, vamos andar tortos

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:41 pm
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Alguém colocou o seguinte comentário neste verbete em que me referi a um artigo do José Pacheco Pereira:

“A Europa está a ser justa ao apertar com o Sul do eterno presente onde nada muda; pagar 500 € à juventude com IVA a 23% é matar o país… entretanto pensões de 1000 e 1500 € é ao pontapé por aqui… uma vergonha.”

Esta forma de pensar caracteriza a chamada “direita” em Portugal, que de direita tem quase nada — mas também de um certo Partido Socialista. ¿Onde é que este raciocínio está errado?

1/ Parte do princípio de que a estada de Portugal no Euro só tem vantagens; daí a ideia de que “a Europa está a ser justa”, como se o Euro fosse uma dádiva de uma entidade abstracta chamada Europa — uma dádiva dos deuses.

2/ Os dez primeiros anos de permanência de Portugal no Euro são escamoteados, como se um passado muito recente não existisse. A situação de bancarrota a que Portugal chegou em 2011 era inevitável — poderia ser mais tarde, mas era inevitável — à luz da política monetária então vigente que serviu, entre outras coisas, para salvar a economia alemã da crise da Bolsa de 1999.

3/ Em consequência da política monetária do Euro da primeira década de vigência da moeda, surgiu a bancarrota de 2011 catalisada pela crise americana de 2008. A própria lógica do Euro impunha uma bancarrota de Portugal a prazo: era uma questão de tempo. Neste contexto, o actual dirigente do BCE [Banco Central Europeu], o português Vítor Constâncio, dizia em 2005 que o endividamento da economia portuguesa seria compensado pela federalização da União Europeia. Até hoje não vimos qualquer federalização, nem veremos.

4/ Se a permanência de Portugal no Euro começa a trazer mais desvantagens do que vantagens, ¿qual o interesse dos portugueses permanecerem no Euro? A resposta da “direita” é a seguinte: “A Europa está a ser justa ao apertar com o Sul do eterno presente onde nada muda; pagar 500 € à juventude com IVA a 23% é matar o país”.

E ¿qual a razão por que os salários médios baixaram em Portugal? E por que razão o PIB per capita grego, apesar da dita “crise que castiga o sul da Europa”, se mantém equiparado ao PIB per capita da região de Madrid? Por que é que Portugal, com a dita crise, passou a ser o país da zona Euro com mais baixos salários?

O problema daquele raciocínio é que é desprovido de quaisquer princípios; é uma opinião sem qualquer atenção a qualquer nexo causal, opinião essa divulgada pela “direita” e que serve para enganar os tolos.

Que seu saiba, a Direita — desde o tempo de Salazar — sempre serviu o país em primeiro lugar. A “direita” que temos hoje serve outros interesses que não o país.

5/ O corolário daquele raciocínio é o seguinte:

“A Europa está a ser justa ao apertar com o Sul do eterno presente onde nada muda; pagar 100 € à juventude com IVA a 23% é matar o país… entretanto pensões de 300 e 500 € é ao pontapé por aqui… uma vergonha.”

Por isso é que “a Europa tem razão” e Portugal deve continuar a aceitar passivamente as regras do Euro impostas pela Alemanha.

Sábado, 2 Maio 2015

A Escolástica da União Europeia

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:49 pm
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O José Pacheco Pereira parece um radical de direita. Digo isto com certa ironia porque, hoje, quem pensa “fora do penico” é imediatamente apodado de “extremista”.

IV-reich-webEu próprio tenho sido aqui acusado de “extremista”. Como diz Olavo de Carvalho: “Chamar um adversário de “extremista” não refuta o que ele disse. É expediente de vigarista”. E de facto é difícil refutar o que o José Pacheco Pereira diz aqui.

Na actual União Europeia, qualquer tese política heterodoxa é imediatamente condenada; vivemos em uma espécie de Escolástica, entendida no pior sentido: as teorias são passadas a pente fino, e qualquer dissensão do politicamente correcto é imediatamente considerado heresia. A União Europeia vive em uma “Idade Média actual”.

G. K. Chesterton dizia (cito de cor) que “quando virmos os socialistas, liberais e conservadores concordarem todos com um determinado tipo de política, tenhamos então cuidado com as nossas carteiras”. Este unanimismo em relação à União Europeia e ao Euro vai-se reflectir nas nossas carteiras.

Ou a União Europeia se reforma e se democratiza, e a filosofia económica que preside ao Euro é alterada, ou então esta União Europeia está condenada a dar o “peido-mestre”, mais cedo que tarde. Não tenhamos dúvida disto.

Porém, o José Pacheco Pereira acaba por cometer um erro crasso (no ponto 7), quando situa o problema da União Europeia na dicotomia esquerda/direita. O problema é o de um princípio geral que é violado, e não o de uma dicotomia ideológica de qualquer índole. Estamos no domínio dos princípios, e não no domínio de uma qualquer ideologia ou conjunto de ideologias. Por exemplo, o Tratado Orçamental ditado pela União Europeia é antidemocrático por definição, e viola um princípio inalienável do Estado de Direito. São os princípios que nos interessam preservar, e não fazer ressaltar ideologias. O José Pacheco Pereira, neste aspecto, esteve pior.

Mesmo que a “realidade” coincidisse totalmente com o neoliberalismo da escola de Chicago — o que seria absurdo! —, essa “realidade” não justificaria a alienação de princípios fundamentais do Estado de Direito.

Sexta-feira, 10 Abril 2015

Concordo com Passos Coelho: o custo do trabalho é muito alto, e por isso temos que sair do Euro

 

¿Quantos minutos tem que trabalhar um português médio para comprar um litro de leite? E façamos agora as contas em relação a um alemão médio, e comparemos. Mas tanto o português como o alemão vivem na zona Euro…

Passos Coelho nunca trabalhou na sua (dele) vida. Viveu sempre de expedientes políticos e saiu-lhe a sorte grande quando chegou a primeiro-ministro — neste aspecto não é diferente de António Costa.

Se Passos Coelho chega à conclusão que o custo do trabalho em Portugal é alto, então é porque existe uma incompatibilidade entre a economia portuguesa e o valor da moeda Euro, porque o português médio ganha 25% do que ganha um alemão médio. Naturalmente que Portugal tem 10 milhões de consumidores, ao passo que a Alemanha tem 80 milhões (economia de escala), e para além das diferenças no tipo de indústria.

Mas Passos Coelho pretende fazer a quadratura do círculo: manter o Euro (moeda forte) e reduzir o custo de trabalho em Portugal. Nem os chineses fazem isto!: 1 Yuan = 0,15 Euros. Por isso é que a classe média chinesa vive hoje melhor do que a classe média portuguesa, porque os chineses exportam mais do que importam e são auto-suficientes em grande parte da economia (ao contrário de Portugal).

À medida que o tempo passa, o povo português está cada vez mais confrontado em uma situação de “double blind”: ou vota na merda (Passos Coelho), ou então vota na merda (António Costa). E esta alternativa sistémica e merdosa só nos vai levar a um sítio: a criação de uma espécie de Front Nationale em Portugal. É a própria merda do sistema político que nos vai empurrar para um qualquer radicalismo.

Terça-feira, 24 Março 2015

Para mim é claro que o BCE [Banco Central Europeu] prepara a saída da Grécia do Euro

Filed under: Europa — O. Braga @ 6:56 pm
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“The European Central Bank is set to make it illegal for Greek lenders to add to their holdings of government debt in a move that effectively cuts off a key source of funding for Athens and heightens the risk of a sovereign default.”

ECB set to tighten rules for Greek banks on T-bills

Segunda-feira, 23 Março 2015

Marine Le Pen, o Insurgente e o Jugular

 

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Começo por dizer que, se eu fosse francês, não votaria na Front Nationale de Marine Le Pen,  a não ser por voto de protesto contra o sistema político; por várias razões, e fundamentalmente porque a Front Nationale é tão radicalmente laicista quanto o Partido Socialista francês.

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Eu vou mais pelo secularismo, por exemplo, de um UKIP (United Kingdom Independent Party); vou mais por aqui, mas vou mais longe: em minha opinião, a Igreja Católica deveria fazer parte do protocolo de Estado, e portanto, fui contra a posição do Partido Social Democrata que há anos se aliou à  Esquerda e à  maçonaria para revogar a tradição portuguesa da presença da Igreja Católica nos protocolos de Estado que vigorava desde a fundação de nacionalidade.

Segundo o critério do Insurgente, o UKIP, sendo um partido nacionalista e que defende até a saída do Reino Unido da União Europeia, é um partido socialista.

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Sexta-feira, 6 Março 2015

A Espanha está f*did*!

 

Aquilo que me chateia no “pensamento único” é que o Estado se meta, através dele, na minha vida privada; se o pensamento único não tiver nada a ver com a força bruta do Estado, então não me preocupa grande coisa.

Se toda a gente pensar da mesma maneira mas que não se coloque o Estado a vasculhar a minha casa, por mim podem pensar como quiserem.

tu-quoqueEm Espanha, os socialistas dizem que os neoliberais seguem um “pensamento único”, e estes dizem o mesmo daqueles. A verdade é que os neoliberais aproveitam-se do socialismo para aumentar impostos; e os socialistas aproveitam-se do neoliberalismo para ir reforçando o poder do Estado com o aumento dos impostos. A diferença é que uns chupam o povo de uma maneira, e os outros “xuxam” no povo de outra maneira. O que há de comum entre eles é que ambos defendem — na prática e por razões diferentes — aumento de impostos.

Portanto, o “pensamento único” é o aumento de impostos — seja para pagar a dívida pública rapidamente porque os Bancos alemães andam aflitos (os neoliberais) e não podem esperar, seja porque “a dívida pública não é para pagar” (os socialistas) e o “necessário aumento de impostos” serve para reforçar o poder absoluto do Estado.

Enquanto não se quebrar este “pensamento único” comum a neoliberais e socialistas, não saímos da cepa torta; ou então saímos do Euro. Neoliberais e socialistas fazem parte do problema, e não da solução.

Razão tinha o Salazar: quando chegou ao Poder (na década de 1920) só ia pagando os juros da dívida pública: o pagamento da dívida propriamente dita ficou congelado até meados da década de 1950. Mas hoje a Alemanha não facilita pagamentos, não obstante tenha tido condições muito favoráveis para o pagamento da sua dívida contraída com a II Guerra Mundial. “Pimenta no cu dos outros é chupa-chupa”.

“Liberalismo económico” com brutal aumento de impostos, para pagar a dívida pública aos Bancos alemães em uma década, é abuso de poder.

Sábado, 21 Fevereiro 2015

O Vasco Pulido Valente e o século XIX

 

vpvO Vasco Pulido Valente faz aqui uma comparação entre Portugal e a Grécia; mas compara Portugal e a Grécia no século XIX. E depois extrapola os factos dessa comparação para o século XXI. Mas em nenhum momento fala realmente do século XXI: por exemplo, não diz se a Grécia deveria ou não ter entrado no Euro; a actualidade é escamoteada.

Na década de 1990, antes de entrar no Euro, Portugal estava a crescer mais de 2% ao ano, e em 2000 (ano da entrada de Portugal no Euro) a dívida pública portuguesa era de 50% do PIB. Hoje, quinze anos volvidos no Euro, a dívida pública portuguesa ultrapassa já os 130% do PIB. Em 2011, quando entrou a Troika, a dívida pública já era de 90% do PIB…

¿Ninguém vê aqui um nexo causal?! ¿Será preciso fazer um desenho?

Pelo menos desde 1974, o maior problema da nossa economia foi a balança comercial (a diferença entre o que se exporta e o que se importa).

Antes da entrada no Euro e antes de Schengen, as alfândegas faziam o crivo das importações através de taxas aduaneiras; depois do Euro, acabaram as alfândegas para a União Europeia, e foi o descalabro: o país passou a endividar-se à  fartazana quando importava, em roda livre, de países da União Europeia.

Passos Coelho resolveu o problema, a partir de 2011, com um aumento brutal de impostos que é prejudicial para as empresas portuguesas (não vendem tanto no mercado português), empresas estas  que não podem fazer mais nada senão baixar salários para poder concorrer, no mercado de exportação, também com países do terceiro mundo.

O Euro acabou por destruir parcialmente o mercado interno (consumo interno de produtos fabricados em Portugal). É disto que as elites bem instaladas em Lisboa não dizem. Preferem falar do século XIX.

Sexta-feira, 20 Fevereiro 2015

¿O Euro continua sem a Grécia?

Filed under: Europa — O. Braga @ 11:15 am
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Assistimos hoje a uma torre de babel nos me®dia em relação à  Grécia. Papagaios.

O problema fundamental é escondido do povo: não é possível uma moeda única sem uma unidade política — e já nem falo aqui em uma língua comum! “Unidade política” pressupõe representatividade legítima, e não só legal. Representatividade legítima pressupõe a nação.

Se quisermos identificar a representatividade legítima com a democracia, então é perfeitamente claro que não é possível a democracia senão em um contexto nacional (nação). Quem disser o contrário disto ou é estúpido ou vigarista político: são os casos de Paulo Rangel e de Fernando Rosas.

Quem disser o óbvio e o evidente — que a democracia só é possível em um contexto da nação —, é considerado, por aquelas duas supracitadas avantesmas, “radical” ou “fascista”. Defender a democracia e, por isso, defender a nação, é ser “fascista” ou “radical”.

Os termos políticos foram invertidos pelas bestas notórias da política actual: defender o leviatão da União Europeia (em que o parlamento europeu é praticamente um pró-forma) é ser “democrático”; defender a nação e a democracia é ser “faxista”.

Na Grécia, quer queiramos ou não e independentemente de gostarmos ou não do Syriza, há democracia porque fundada no contexto da nação grega. Não é possível a democracia sem a nação. Por isso, dizer que “a União Europeia é democrática” pressupõe que exista uma “nação europeia” — mas eu ainda não me apercebi dessa realidade nacional europeia. Talvez eu seja ceguinho de todo e o Paulo Rangel tenha um olho.

A probabilidade de acontecer, um dia, uma “nação europeia” é praticamente de zero. E sem nação europeia — ou seja, sem unidade política legítima — o Euro não pode demorar muito tempo.

O Euro foi concebido por políticos europeus lunáticos e/ou psicóticos, e depois foi bem aproveitado pela Alemanha para esmifrar as economias mais fracas da Europa. E os gregos, os irlandeses e os portugueses puseram-se a jeito e foram encavados pela Alemanha. Esta é a verdade pura e dura que resume aquilo que a classe política portuguesa e os apparatchiks do centrão político se recusam a reconhecer perante o povo.

Se a Grécia sair do Euro, é possível que o Euro continue a existir embora circunscrito aos países de língua alemã e afins — Alemanha, Áustria, Holanda, Finlândia, Luxemburgo, e talvez a Bélgica. Mas se a Grécia não sair agora do Euro, sairá mais tarde: estaremos apenas a empurrar com a barriga o problema da legitimidade democrática, à  espera de um milagre em política.

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