perspectivas

Sábado, 27 Junho 2015

A postura Syrízica do José Pacheco Pereira

Filed under: Europa — O. Braga @ 8:31 pm
Tags: , , ,

 

Quando Passos Coelho fala da “herança socialista”, José Pacheco Pereira faz ouvidos de mercador; mas a “herança do Syriza” já desculpa toda a ineficácia e o amadorismo da governança radical grega.

pereira-apcheco-marx-web-600-2 (1)Sinceramente, penso que o José Pacheco Pereira está a mais no Partido Social Democrata, e deveria ter a coragem de o assumir entregando o cartão do partido. Pelo menos seria coerente. Aliás, penso que  posição do José Pacheco Pereira em relação ao Partido Social Democrata é uma posição Syrízica: “se querem que eu saia do Partido Social Democrata, terão que me expulsar, para que eu possa atirar a culpa para cima de outros”. 

Temos o Frei Bento Domingues na Igreja Católica portuguesa e o José Pacheco Pereira no Partido Social Democrata.

O me espanta é que gente como o José Pacheco Pereira, alegadamente com muita experiência política, se revolte em relação ao que acontece no caso grego — porque o que se está a passar era obviamente previsível. Esta gente construiu uma utopia europeia, e quando a realidade não bate certo com o sonho, desancam na realidade! A culpa não é do sonho!: a culpa é da grande puta da realidade!

“A ideia de que a Grécia não é um Estado ou que é um “país falhado” é um absurdo.”

José Pacheco Pereira

Nunca ouvi ninguém dizer que “a Grécia é um Estado falhado”. No seu desespero, o José Pacheco Pereira recorre à falácia do espantalho.

O que devemos fazer é constatar o óbvio, reconhecer a evidência, aquilo que não necessita de demonstração: por exemplo, o contributo da indústria grega (sector secundário) para o PIB está abaixo de 15%; ora, um país com estas características nunca deveria ter entrado no Euro estruturado da forma que está. Portugal, obviamente, não está muito melhor que a Grécia: a contribuição da indústria portuguesa para o PIB é de cerca de 22%; mas, mesmo assim, existe uma grande diferença: Portugal tem a Espanha ao lado; a Grécia não tem vizinhos no Euro. 

Se para Portugal é muito difícil manter-se no Euro (nas actuais condições do Euro), para a Grécia é praticamente impossível. Isto não é “querer mal à Grécia”: em vez disso, é constatar factos.

Ora, são os factos frios, ou sejam, a puta da realidade, que o José Pacheco Pereira não aceita! Que a negação da realidade seja uma característica dos lunáticos radicais de Esquerda, já eu estaria avisado; mas que um militante do Partido Social Democrata, que apoiou Cavaco Silva, venha negar a realidade, já me surpreende.

O radical José Pacheco Pereira deveria aprender com Lenine: “Os factos são teimosos”.

sirizicos

O futuro da Grécia

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:58 am
Tags: , ,

 

Quinta-feira, 18 Junho 2015

A enorme dívida da Grécia impõe uma saída do Euro.

Filed under: Europa — O. Braga @ 3:15 am
Tags: , , ,

 

Em 26 de Janeiro p.p. escrevi que “o Syriza quer que a Grécia saia do Euro, embora sob determinadas condições”. Parece que sou candidato a bruxo.

As exigências dos credores não compensam, porque a dívida da Grécia é de tal modo alta que obedecer aos credores é literalmente liquidar o país. Por outro lado, os países europeus credores da dívida da Grécia ficarão a arder com 310 mil milhões de Euros.

EXP-GR1

Portanto, provavelmente compensa uma falência (default) da Grécia à moda da Islândia, seguida de uma nacionalização mais ou menos parcial da Banca. Logo a seguir será criado um “Banco Mau” onde ficarão os activos tóxicos (incluindo a dívida de 310 mil milhões de euros), e a circulação de capital para o exterior será estritamente controlada pelo novo Banco Central soberano.

A princípio haverá restrições de levantamento de dinheiro nas caixas de Multibanco, e existirão duas moedas em circulação: o Euro e o novo dracma; mas rapidamente o Euro será retirado de circulação e ficará apenas o novo dracma. Naturalmente que, nesta primeira fase, os Bancos gregos vão ao charco.

Mas depois do primeiro ano de confusão grega, com o novo dracma a Grécia vai passar a crescer a uma taxa impensável na zona Euro e em Portugal.

Sexta-feira, 5 Junho 2015

O argumento ad Terrorem da saída da Grécia do Euro

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:31 pm
Tags: , , ,

 

O semanário “O Diabo” invoca aqui argumentos ad Terrorem para a possível saída da Grécia do Euro. O “clube do Euro” parece ser uma espécie de clube gay: toda a gente pode entrar, mas ninguém consegue sair.

Os argumentos ad Terrorem vão ao encontro do conceito neoliberal de “fim da história”, de Francis Fukuyama (que copiou o conceito de “fim da história” de Karl Marx): quem sair do Euro enfrenta o fim do mundo… !

Eu não sei como vive o cidadão grego médio, e portanto convém não especular. Normalmente, no que diz respeito à política, devemos falar daquilo que sabemos por experiência própria. Naturalmente que, à falta de experiência, temos que acreditar minimamente em alguma informação de terceiros:

  • a economia grega caiu 10% em 2 anos (2012 e 2013); a economia portuguesa caiu 5% no mesmo período. Isto significa que o PIB per capita grego era muito maior do que o português no início da crise das dívidas soberanas. Ou seja, os portugueses, antes da crise global, viviam mais de acordo com as suas possibilidades quando comparados com os gregos;
  • o peso da indústria na economia portuguesa é de 22,4%; o peso da indústria na economia grega é de 15,9%. por exemplo, na Itália é de 23,9%; na Alemanha é de 30,8%. O peso da indústria na economia grega é muito baixo para um país da zona Euro.
  • a taxa de poupança na Grécia é de 14,5%; em Portugal é de 16,3%; na Itália é de 18,6%; na Alemanha é de 23,9%.

Estes são apenas alguns dados que nos indicam claramente que não só a entrada da Grécia no Euro foi um erro, como a saída apoiada e sustentada do Euro será necessária. A permanência da Grécia no Euro é uma impossibilidade objectiva; e com a saída apoiada e sustentada da Grécia do Euro, e depois de uma desvalorização do dracma na ordem dos 50% em relação ao Euro, a sua economia começará a crescer a mais de 3% por ano.

A alternativa à saída da Grécia do Euro será um país em que os capitais gregos “fogem” para os países do norte, por um lado, e por outro  lado o PIB per capita grego tende a deteriorar-se até aos níveis do da Roménia. A Grécia não tem futuro dentro do Euro; e a situação de Portugal também é duvidosa, embora beneficie da dinâmica da economia espanhola (os gregos não têm um vizinho como Espanha dentro da zona Euro).

A manutenção da Grécia dentro do Euro será uma lenta agonia para aquele país. Com as taxas de crescimento médias da zona Euro de 0,5% (ou coisa que o valha), a Grécia nunca mais se levanta do chão se permanecer no Euro, nem nunca poderá pagar as suas dívidas. Admira que o semanário “O Diabo” não veja isto e siga o centrão político eurófilo.

Sábado, 30 Maio 2015

Passos Coelho diz uma coisa, Angela Merkel diz outra (em política, o que parece, é)

Filed under: Europa,Política,Portugal — O. Braga @ 8:18 pm
Tags: , , ,

 

Passos Coelho faz lembrar aquele indivíduo que aparece vestido de smoking em uma festa de churrasco na praia; está toda a gente de calções e T-shirt, e aparece o Passos Coelho de laçarote e smoking.

“As propostas são ambiciosas e claramente a favor da criação de instrumentos de natureza europeia capazes de enfrentar colectivamente os efeitos de choques assimétricos futuros, incluindo o avanço por fases em direcção a um verdadeiro orçamento da zona euro, constituído a partir de recursos próprios e não das transferências nacionais dos Estados-membros como actualmente acontece. As propostas que contém mereceriam facilmente a aprovação do PS, o que torna o secretismo ainda mais incompreensível.”

Passos muda discurso e defende maior integração económica e política

angela merkelEntretanto, Angela Merkel defende exactamente o contrário de Passos Coelho e do António Costa. Depois do seu (dela) encontro com David Cameron, Angela Merkel mostrou-se totalmente aberta à revisão do Tratado da União Europeia vigente, para que o Reino Unido não saia da União Europeia; e sobre o aprofundamento económico (Euro) e político da União Europeia, Angela Merkel chega a dizer o seguinte:

“Uma Europa a duas velocidades já é a nossa realidade actual… já temos velocidades diferentes e não tenho absolutamente nenhum problema em rever o Tratado de Roma para que exista na União Europeia um princípio que estabeleça a legitimidade de uma Europa a velocidades diferentes”.

Chegou a hora da aproximação política progressiva de Portugal às forças que são hostis à União Europeia, incluindo os paleo-conservadores americanos. Portugal vai ter que ter a liberdade de negociar com todos os países do mundo, porque as regras na União Europeia vão ser alteradas a meio do jogo.

Quarta-feira, 13 Maio 2015

Um paralelismo entre a Igreja Católica do Renascimento e a Eurofilia actual

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 11:42 am
Tags:

 

Sobre este verbete e estoutro:

Durante a decadência política e moral do Renascimento, raramente os intelectuais ateus, e também os não-ateus que estavam contra a imoralidade do clero católico renascentista, colocaram frontalmente em causa a Igreja Católica. ¿E por quê? Porque o sistema decadente e o clero católico imoral convinham economicamente às elites da Itália.

Com o Renascimento, paradoxalmente os poderes económico e financeiro do papado aumentaram astronomicamente, mas diminuiu a sua autoridade espiritual. Mas como a Itália, no seu todo, ganhava do ponto de vista económico e financeiro com a imoralidade da Igreja Católica e com o aumento dos poderes mundanos do papa, quase toda a gente fechava os olhos perante a iniquidade do clero italiano em geral.

A situação chegou a um ponto tal que até o ateu e epicurista Lourenço Valla, que dizia o pior possível da Igreja Católica e acusara mesmo Santo Agostinho de heresia, foi nomeado secretário apostólico da Igreja Católica pelo papa Nicolau V.

Por aqui vemos a conjugação de interesses entre uma Igreja Católica imoral, materialista e mundana, por um lado, e por outro  lado os interesses materiais e financeiros das elites que, em geral, estavam contra a Igreja Católica — porque o que estava em causa era o viver bem à custa da extorsão pecuniária e da espoliação dos outros países católicos da Europa. Esta foi uma das razões da revolta protestante a norte. Todos os papas do período renascentista — até ao saque de Roma por Carlos V em 1527 — favoreceram o humanismo político e laico, e os humanistas políticos e ateus fecharam os olhos em relação à corrupção da Igreja Católica do Renascimento. Uma mão lava a outra. O que interessava era o vil metal.

Carlos V, o rei católico espanhol, saqueou Roma em 1527 e acabou com a iniquidade na Igreja Católica em Itália; mas a maior parte do seu exército era composto por protestantes holandeses e alemães, porque os católicos tinham reservas em combater contra os interesses dos papas do Renascimento, mesmo sabendo que eram iníquos.

Vemos neste trecho a complexidade política da relação entre poderes diferentes em um mesmo país e em relação a outros países.

Fazendo uma extrapolação para os interesses instalados do Euro em Portugal: mesmo os membros das elites que têm reservas em relação ao Euro, estão calados, porque têm interesses no status quo. Existem hoje em Portugal muitos Lourenço Valla que aceitam pactuar   tacitamente com o sistema eurófilo porque lhes cai alguma coisa no bolso. Só com um novo Carlos V e um saque a Lisboa — ou quiçá um saque a Berlim — a iniquidade do actual sistema terá termo.

Segunda-feira, 11 Maio 2015

O Quim tem razão

 

O Quim escreveu o seguinte:

“É altura de começarmos a pensar em sair do Euro, uma moeda forte não é viável num país socialista.”

Eu acho que ele tem razão. Por isso é que a Suíça não está no Euro: é um país socialista. E no Reino Unido, ainda agora ganharam os socialistas as eleições, e por isso é que este país não está no Euro — já não falando na Dinamarca, Suécia e na Noruega, onde predomina o socialismo estalinista. E a Hungria, que é um país socialista que tem uma taxa única de IRS de 16%, também não está no Euro, o que é sintomático da superioridade e da liberdade da economia na zona Euro.

Já a França, por exemplo, que está no Euro, não é socialista — como é evidente! O Euro é incompatível com o socialismo! O Quim tem razão.

O medo da rebelião

Filed under: Europa — O. Braga @ 2:32 pm
Tags: , ,

 

A tendência natural de um qualquer governo para a tirania só se pode combater com o medo da rebelião.

Os governos são piores se os cidadãos adoptam a espécie de submissão defendida por Hobbes no “Leviatão”. Vemos como, no Brasil, a classe política subverteu e prostituiu os mecanismos democráticos de “check & balance”, o que significa que o regime democrático, por si só, não garante a tendência natural dos governos — controlados pelas elites — para a tirania. É preciso que as elites tenham medo da rebelião.

(more…)

Sexta-feira, 8 Maio 2015

É melhor deixar passar a pretalhada toda no Mediterrâneo

Filed under: Europa,Portugal — O. Braga @ 9:37 pm
Tags: , ,

 

“O FMI reiterou hoje a necessidade de Portugal cortar mais na despesa pública, insistindo na necessidade de realizar uma “reforma abrangente dos salários e das pensões” e de “continuar as reformas estruturais” para melhorar a competitividade.”

FMI volta a pedir reformas nos salários e pensões em Portugal

pretalhada-toda

Domingo, 3 Maio 2015

Com esta “direita”, vamos andar tortos

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:41 pm
Tags: ,

 

Alguém colocou o seguinte comentário neste verbete em que me referi a um artigo do José Pacheco Pereira:

“A Europa está a ser justa ao apertar com o Sul do eterno presente onde nada muda; pagar 500 € à juventude com IVA a 23% é matar o país… entretanto pensões de 1000 e 1500 € é ao pontapé por aqui… uma vergonha.”

Esta forma de pensar caracteriza a chamada “direita” em Portugal, que de direita tem quase nada — mas também de um certo Partido Socialista. ¿Onde é que este raciocínio está errado?

1/ Parte do princípio de que a estada de Portugal no Euro só tem vantagens; daí a ideia de que “a Europa está a ser justa”, como se o Euro fosse uma dádiva de uma entidade abstracta chamada Europa — uma dádiva dos deuses.

2/ Os dez primeiros anos de permanência de Portugal no Euro são escamoteados, como se um passado muito recente não existisse. A situação de bancarrota a que Portugal chegou em 2011 era inevitável — poderia ser mais tarde, mas era inevitável — à luz da política monetária então vigente que serviu, entre outras coisas, para salvar a economia alemã da crise da Bolsa de 1999.

3/ Em consequência da política monetária do Euro da primeira década de vigência da moeda, surgiu a bancarrota de 2011 catalisada pela crise americana de 2008. A própria lógica do Euro impunha uma bancarrota de Portugal a prazo: era uma questão de tempo. Neste contexto, o actual dirigente do BCE [Banco Central Europeu], o português Vítor Constâncio, dizia em 2005 que o endividamento da economia portuguesa seria compensado pela federalização da União Europeia. Até hoje não vimos qualquer federalização, nem veremos.

4/ Se a permanência de Portugal no Euro começa a trazer mais desvantagens do que vantagens, ¿qual o interesse dos portugueses permanecerem no Euro? A resposta da “direita” é a seguinte: “A Europa está a ser justa ao apertar com o Sul do eterno presente onde nada muda; pagar 500 € à juventude com IVA a 23% é matar o país”.

E ¿qual a razão por que os salários médios baixaram em Portugal? E por que razão o PIB per capita grego, apesar da dita “crise que castiga o sul da Europa”, se mantém equiparado ao PIB per capita da região de Madrid? Por que é que Portugal, com a dita crise, passou a ser o país da zona Euro com mais baixos salários?

O problema daquele raciocínio é que é desprovido de quaisquer princípios; é uma opinião sem qualquer atenção a qualquer nexo causal, opinião essa divulgada pela “direita” e que serve para enganar os tolos.

Que seu saiba, a Direita — desde o tempo de Salazar — sempre serviu o país em primeiro lugar. A “direita” que temos hoje serve outros interesses que não o país.

5/ O corolário daquele raciocínio é o seguinte:

“A Europa está a ser justa ao apertar com o Sul do eterno presente onde nada muda; pagar 100 € à juventude com IVA a 23% é matar o país… entretanto pensões de 300 e 500 € é ao pontapé por aqui… uma vergonha.”

Por isso é que “a Europa tem razão” e Portugal deve continuar a aceitar passivamente as regras do Euro impostas pela Alemanha.

Sábado, 2 Maio 2015

A Escolástica da União Europeia

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:49 pm
Tags: , ,

O José Pacheco Pereira parece um radical de direita. Digo isto com certa ironia porque, hoje, quem pensa “fora do penico” é imediatamente apodado de “extremista”.

IV-reich-webEu próprio tenho sido aqui acusado de “extremista”. Como diz Olavo de Carvalho: “Chamar um adversário de “extremista” não refuta o que ele disse. É expediente de vigarista”. E de facto é difícil refutar o que o José Pacheco Pereira diz aqui.

Na actual União Europeia, qualquer tese política heterodoxa é imediatamente condenada; vivemos em uma espécie de Escolástica, entendida no pior sentido: as teorias são passadas a pente fino, e qualquer dissensão do politicamente correcto é imediatamente considerado heresia. A União Europeia vive em uma “Idade Média actual”.

G. K. Chesterton dizia (cito de cor) que “quando virmos os socialistas, liberais e conservadores concordarem todos com um determinado tipo de política, tenhamos então cuidado com as nossas carteiras”. Este unanimismo em relação à União Europeia e ao Euro vai-se reflectir nas nossas carteiras.

Ou a União Europeia se reforma e se democratiza, e a filosofia económica que preside ao Euro é alterada, ou então esta União Europeia está condenada a dar o “peido-mestre”, mais cedo que tarde. Não tenhamos dúvida disto.

Porém, o José Pacheco Pereira acaba por cometer um erro crasso (no ponto 7), quando situa o problema da União Europeia na dicotomia esquerda/direita. O problema é o de um princípio geral que é violado, e não o de uma dicotomia ideológica de qualquer índole. Estamos no domínio dos princípios, e não no domínio de uma qualquer ideologia ou conjunto de ideologias. Por exemplo, o Tratado Orçamental ditado pela União Europeia é antidemocrático por definição, e viola um princípio inalienável do Estado de Direito. São os princípios que nos interessam preservar, e não fazer ressaltar ideologias. O José Pacheco Pereira, neste aspecto, esteve pior.

Mesmo que a “realidade” coincidisse totalmente com o neoliberalismo da escola de Chicago — o que seria absurdo! —, essa “realidade” não justificaria a alienação de princípios fundamentais do Estado de Direito.

Sexta-feira, 10 Abril 2015

Concordo com Passos Coelho: o custo do trabalho é muito alto, e por isso temos que sair do Euro

 

¿Quantos minutos tem que trabalhar um português médio para comprar um litro de leite? E façamos agora as contas em relação a um alemão médio, e comparemos. Mas tanto o português como o alemão vivem na zona Euro…

Passos Coelho nunca trabalhou na sua (dele) vida. Viveu sempre de expedientes políticos e saiu-lhe a sorte grande quando chegou a primeiro-ministro — neste aspecto não é diferente de António Costa.

Se Passos Coelho chega à conclusão que o custo do trabalho em Portugal é alto, então é porque existe uma incompatibilidade entre a economia portuguesa e o valor da moeda Euro, porque o português médio ganha 25% do que ganha um alemão médio. Naturalmente que Portugal tem 10 milhões de consumidores, ao passo que a Alemanha tem 80 milhões (economia de escala), e para além das diferenças no tipo de indústria.

Mas Passos Coelho pretende fazer a quadratura do círculo: manter o Euro (moeda forte) e reduzir o custo de trabalho em Portugal. Nem os chineses fazem isto!: 1 Yuan = 0,15 Euros. Por isso é que a classe média chinesa vive hoje melhor do que a classe média portuguesa, porque os chineses exportam mais do que importam e são auto-suficientes em grande parte da economia (ao contrário de Portugal).

À medida que o tempo passa, o povo português está cada vez mais confrontado em uma situação de “double blind”: ou vota na merda (Passos Coelho), ou então vota na merda (António Costa). E esta alternativa sistémica e merdosa só nos vai levar a um sítio: a criação de uma espécie de Front Nationale em Portugal. É a própria merda do sistema político que nos vai empurrar para um qualquer radicalismo.

Página seguinte »

O tema Rubric. Create a free website or blog at WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 659 outros seguidores