perspectivas

Quarta-feira, 19 Março 2014

Portugal encostado à parede por uma classe de sibaritas

Filed under: Política,Portugal — orlando braga @ 9:09 am
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Quando falamos de política, não devemos esquecer que existem causas para o “estado a que chegamos”. As coisas não acontecem por acaso. Por exemplo, não devemos esquecer o desastre da governança de José Sócrates (que Santana Lopes elogiou recentemente!) quando elevou o nível da dívida pública portuguesa de uma forma deliberada; mas também não devemos outras causas, por exemplo:

1/ desde finais da década de 1990 que se sabia que, com a liberalização do comércio com “países terceiros” como a China (por exemplo, o Acordo Multifibras), entre outros (Paquistão, Bangladeche, Indonésia, etc.), a economia portuguesa iria sair altamente prejudicada com uma concorrência baseada em salários baixos. E foi o que aconteceu.

2/ com a entrada dos países de leste (Polónia, república checa, Eslovénia, Eslováquia, Roménia, Bulgária, Hungria, Estónia, Lituânia, etc.) na União Europeia, Portugal seria, mais uma vez, altamente prejudicado com uma concorrência baseada em salários mais baixos. Foi o que aconteceu.

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Segunda-feira, 10 Março 2014

O progresso é aquilo que dão por ele

Filed under: A vida custa,Portugal — orlando braga @ 7:28 am
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“O Portugal de hoje não conseguiria nunca perceber o Portugal de 1950 ou de 1960. Agora, até se glorifica o crescimento da economia e a estabilidade financeira do regime.

O primeiro-ministro com certeza nunca se deu ao trabalho de imaginar aquilo a que a pobreza haveria condenado um rapazinho de Trás-os-Montes com uma mediana boa voz. Nem lhe descreveram o deserto que foi Lisboa nessa época de chumbo, onde ir ao café ou a um cinema de “reposição” tomavam as proporções de um acontecimento.

Os sinais que o país começa a voltar atrás são claros. Verdade que a civilização que entretanto se criou não vai desaparecer. Mas nada disso consola se imitações substituírem o que existia antes e acabarmos na mediocridade e na tristeza de uma simples sobrevivência sem destino.”

(Vasco Pulido Valente)

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Foto: crianças de S. Vilarinho Seco, Terras de Barroso, Trás-os-Montes, Dezembro de 1983 (respigada aqui).

Domingo, 9 Março 2014

Cavaco Silva: “quem vier atrás que apague as luzes e feche a porta”

Filed under: economia,Portugal — orlando braga @ 1:07 pm
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«O Presidente da República aponta o relançamento da economia como uma das questões prioritárias do pós-’troika’ e diz ser essencial corrigir as “injustiças acumuladas” na distribuição de sacrifícios durante o período do programa de ajustamento.

“A disciplina orçamental e a supervisão da política económica por parte das instituições europeias irão ser uma constante da vida política portuguesa no período pós-’troika’. No entanto, tal não significa – antes pelo contrário – que a economia não possa crescer e que não melhorem as condições de vida dos Portugueses”, diz o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, no prefácio dos “Roteiros VIII”, divulgados esta noite no ‘site’ da Presidência da República.»

Em português correcto: se, com o Entroikamento vamos viver na merda e ainda perdemos a democracia real, então mais vale viver na merda sem o Entroikamento e com a democracia real. Viver na merda, por viver na merda, que seja com alguma dignidade.

Com uma taxa de juro de financiamento da dívida na casa dos 5%, para que fosse possível pagar a dívida e os juros acumulados, seria necessário que a macro-economia portuguesa crescesse, no mínimo, na ordem dos 3% por ano. Ora, estando Portugal na zona Euro, esta taxa de crescimento é impossível.

Uma “solução” para o problema o crescimento da economia, que é defendida pela Troika, é cilindrar os salários em Portugal, na esperança que Portugal possa competir, em uma lógica de salários baixos, com a Roménia, por exemplo, ou com Marrocos, ou com a Bulgária, etc.. Mas tanto a Roménia como Marrocos estão fora do Euro. Ou seja, o que a Troika pretende é que Portugal, estando no Euro e não podendo ter uma política monetária, entre em competição com economias de baixos salários que não estão no Euro e que, por isso, podem ter uma política monetária. Nestas condições (dentro do Euro), é claro que Portugal não tem a mínima hipótese de competir com essas economias. Nenhuma. E Cavaco Silva sabe disso. Vamos chamar a esta solução da Troika de “Entroikamento”.

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Sábado, 1 Março 2014

Ou o Euro, ou o Caos

Filed under: bovinotecnia,Globalismo,Portugal — orlando braga @ 4:39 pm
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Se o ordenado mínimo é hoje de 480 Euros e o litro de gasolina está em 1,70 Euros por litro, isto equivale ao seguinte: 96 mil escudos (ou 96 contos) contra 340 escudos por litro de gasolina. Mas se um jovem licenciado, com um mestrado, ganha hoje 700 Euros brutos (se tiver a sorte de ter trabalho!), encontramos o tecto máximo salarial: 140 mil escudos.

Em 1990, eu era um jovem e ganhava 250 mil escudos líquidos. Qualquer licenciado com mérito, já nos idos de 1990, ganhava 140 mil escudos por mês — e a gasolina era mais barata do que os actuais 340 escudos por litro.

O que o bovinotécnico de serviço escreve aqui é o seguinte: “há prebendas que a permanência no Euro garante a uma elite de sibaritas” — para aquela minoria que vai sendo sempre cada vez menor (à medida em que os cortes salariais vão avançando), até que se estabilize em uma percentagem ínfima da população (uma espécie de economia à moda da China) que a bovinotecnia serve e em relação à qual se submete de forma canina.

Há aqui dois problemas:

O primeiro é o contra-factual: não é possível sabermos objectivamente como estaríamos hoje se não tivéssemos entrado no Euro. E o Euro nem sequer nos salvou da bancarrota! E a bovinotecnia joga com a falta de memória do povo, por um lado, e com a teoria do caos, por outro lado.

E o segundo problema é que a saída do Euro tem que ser concertada, ou seja, tem que ser acordada entre todos os países da zona Euro — o que me parece difícil. Mas isso não significa que o Euro seja bom para a economia portuguesa: o povo português foi tramado pela classe política portuguesa em aliança com uma minoria ínfima de sibaritas que vive de rendas pornográficas acordadas com o Estado; e isto vai ter que acabar! — nem que a vaca (bovinotécnica) tussa!

Terça-feira, 11 Fevereiro 2014

ESCAPE Index: Portugal na posição 28 de entre 42 países

Filed under: Portugal — orlando braga @ 9:51 am
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A consultora PwC publicou a primeira edição do ESCAPE Index, que é um estudo que pretende analisar quais os países que serão mais capazes de uma recuperação económica vigorosa nos próximos anos.

De uma lista total de 42 países escolhidos, Portugal ocupa a 28ª posição — quando em 2000 ocuparia a posição 19, e em 2007 a posição 23.

Um dos nossos problemas endémicos é que estamos sempre “atracados” a Espanha (que ocupa a posição 27), de tal maneira que os dois países — Portugal e Espanha — se confundem. Não conseguimos livrar-nos de Espanha.

Sábado, 8 Fevereiro 2014

Um estudo económico revela que a Holanda estaria muito melhor se não pertencesse à União Europeia

Filed under: economia,Europa — orlando braga @ 8:24 pm
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O político holandês Geert Wilders mandou fazer um estudo económico acerca de uma possível saída da Holanda da União Europeia, e esse estudo revelou que a eventual saída desse país da União Europeia significaria um aumento do PIB holandês de 10 a 13%, e que cada família holandesa seria beneficiada em cerca de 10.000 Euros.

O estudo, publicado na Quinta-feira, 6 de Fevereiro passado, pela empresa de consultadoria Capital Economics — e que os me®dia portugueses abafaram, como é hábito, e costume da sub-informação me®diática portuguesa —, diz que que Holanda teria um proveito entre 1 bilião (trilião americano) e 1,5 biliões de Euros em um horizonte temporal até 2035, se esse país abandonasse a União Europeia em 2015.

Ler a notícia aqui.

Sexta-feira, 7 Fevereiro 2014

A Alemanha e a união bancária na zona Euro

Filed under: Europa — orlando braga @ 11:01 am
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“Eurodeputados rejeitaram ontem por larga maioria mecanismo único de resolução imposto pela Alemanha”União bancária: Parlamento Europeu em guerra com Berlim

strait-jacket-euro-sexwebA organização monetária do Euro é de tal forma absurda que só depois de 10 anos de vigência da moeda única é que a política se viu forçada a reconhecer a necessidade da união bancária. Mas agora é tarde.

A Alemanha não abrirá nunca — jamais! — mão do excedente (em 2013, de 7% do PIB alemão) na sua balança de pagamentos, que se seguiu a 12 anos de Euro e depois da crise financeira que a Alemanha sofreu em 1999/2000. A Alemanha pode facilitar alguma coisa, aqui ou ali — por exemplo, quando introduz agora o salário mínimo nacional, e quando baixa a idade de reforma, o que vai aumentar ligeiramente o consumo interno desse país —, mas a união bancária propriamente dita está fora de questão.

Para a Alemanha do Euro, existirão sempre dois tipos de Bancos: os Bancos alemães, e os outros Bancos dos outros países do Euro. Qualquer tentativa de mudar isto é “chover no molhado”: como diz o povo: “quem parte e reparte, e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não tem arte”.

Por outro lado, a união bancária iria abrir a porta à mutualização das dívidas estatais dos diferentes países da zona Euro — e são, em grande parte, as dívidas estatais dos países da zona Euro que alimentam o superavit comercial da Alemanha. Portanto, o que a Alemanha quer é que os outros países se endividem para comprar produtos à Alemanha, e sem ter que participar em qualquer tipo de mutualização dessas dívidas contraídas pelos outros países do Euro.

A imagem aqui ao lado resume a posição política da Alemanha em relação à zona Euro.

Quinta-feira, 6 Fevereiro 2014

Estou bastante dividido entre dois tipos de ladroagem

Filed under: bovinotecnia,economia,Europa — orlando braga @ 2:00 pm
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Um tal Jorge Bateira, que por sinal é um ladrão de bicicletas, lançou uma diatribe à bovinotécnica Helena Matos. Estou dividido, nesta polémica. Por um lado, concordo com a seguinte proposição do salteador de velocípedes:

“Porém, tenho de lhe lembrar que foi o baixo crescimento da economia portuguesa desde que aderimos ao euro, agravado pela actual política de austeridade, que produziu um nível de desemprego que tornará insustentável a segurança social. Apesar de não ter lugar no seu discurso, afinal é a moeda única, com tudo o que implica, que está a comprometer o futuro dos nossos jovens. Não são os seus pais e avós, nem o nosso modesto Estado social.”

Só não vê quem não quer ver:

PIB e defice no Euro

Mas, por outro lado, o ladrão de veículos de duas rodas escreve o seguinte:

“Depois, o que diz sobre o Estado, a demografia e a segurança social é pura ideologia. A Helena Matos diz que o Estado tomou conta das pessoas e as desresponsabilizou. Pois eu digo-lhe que um Estado social forte, administrado em função do interesse público, é um Estado que garante a provisão de serviços sociais de qualidade e protege os cidadãos de diversos riscos sociais. Liberta-os da insegurança económica, do receio de não terem recursos para enfrentar esses riscos.”

¿O que é “interesse público”? Alguém, por favor, que me defina “interesse público”, para que saibamos exactamente do que estamos a falar. E ¿desde quando é defensável que a “função do Estado” seja a de tratar os cidadãos como se de mentecaptos se tratassem?

Nem o ladrão de bicicletas, nem a bovinotécnica Helena Matos, têm razão — porque partem da mesma base de raciocínio: a economia. Quando a realidade social é reduzida à economia, deixamos de saber quem é ladrão e quem não é.

Segunda-feira, 3 Fevereiro 2014

A irracionalidade da defesa do Euro

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 3:13 pm
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Reparem nas linhas do PIB (vermelho) em relação à linha do défice (a azul), na sua relação com a entrada de Portugal no Euro (1999/2000). Imagem daqui. Com a entrada de Portugal no Euro, o crescimento do PIB REAL baixa e o défice aumenta.

PIB e defice no Euro

O Euro é muito bom para a Alemanha. E quando os portugueses puderem ser alemães, também será bom para os portugueses. E, das duas, uma: ou passamos a ser alemães, ou teremos que pedir aos alemães que nos deixem sair do Euro de uma forma apoiada e com o mínimo de sobressaltos.

Sexta-feira, 24 Janeiro 2014

Um pouco de decoro não lhe ficaria mal

Filed under: IV Reich — orlando braga @ 7:28 pm
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“Depois da pressão sobre os pares europeus para as subidas da idade da reforma, a coligação alemã decide agora fazer o contrário no seu próprio país”.

Alemanha vai baixar a idade da reforma para os 63 anos

Domingo, 19 Janeiro 2014

A situação política na Grécia é de explosão iminente

Filed under: A vida custa,economia,Europa — orlando braga @ 5:22 pm
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A situação política e económica na Grécia é de explosão iminente. É mais do que provável — é quase uma certeza — de que a Grécia não vai pagar os 325 mil milhões de Euros que a Troika emprestou ao longo de três programas de resgate; e é quase certo que cada português vai ter que pagar 20.000 Euros para que os gregos não paguem nada.

O partido SYRIZA (tipo Bloco de Esquerda, em Portugal) é já o partido maioritário na Grécia. E este partido assegura que os 325 mil milhões emprestados pela Troika vão pela pia abaixo.

A situação política é a seguinte: o PASOK (Partido Socialista) está nos 3% das intenções de votos e tende a desaparecer do parlamento. O partido da Nova Democracia de Samaras está nos 16%, e o partido radical SYRIZA está nos 25%. O partido dito de “extrema direita”, Amanhecer Dourado, está nos 11%. O Partido Comunista está nos 5%; e 13% dos eleitores estão indecisos.

Portugal pediu à Troika apenas 78 mil milhões de Euros, ao passo que a Grécia já pediu à dita 325 mil milhões de Euros. E, no final de contas, cada português ainda vai pagar 20 mil Euros por causa da dívida grega que não vai ser paga, apesar dos grandes sacrifícios que os portugueses já estão a fazer. Ou seja, o crime compensa, e os burros somos nós. Somos entroikados pela Troika e pela Grécia.

Sexta-feira, 13 Dezembro 2013

A “Direita Fukuyama” e do “Fim da História”, aquela que tem a certeza do futuro

Filed under: Política,politicamente correcto — orlando braga @ 1:39 pm
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Fernando Pessoa escreveu que o povo raramente se manifesta a favor de uma causa, mas quase sempre contra uma outra. Mesmo que uma manifestação popular resulte no apoio a uma causa qualquer, esse apoio é apenas a consequência da principal razão da manifestação: estar contra uma outra causa. Isto é tão claro que até fere a vista.

E quando falamos em manifestações populares — quase sempre contra alguma coisa — que possam identificar-se com a opinião pública maioritária, devemos distinguir entre “vontade da maioria”, por um lado, e “vontade nacional”, por outro lado: a vontade da maioria é consciente, ao passo que a vontade nacional é inconsciente e, por isso, o rumo histórico de uma nação foge ao controlo dos políticos e das elites.

As vontades das maiorias e/ou das minorias não determinam, pelo menos de uma forma clara e óbvia, a vontade nacional; e a uma corrente política muito minoritária1 pode ser entregue, pelo consentimento inconsciente do povo e a um determinado momento, a tarefa de reorientar o rumo da nação, e sem que a opinião maioritária popular — mesmo que não seja claramente a favor essa reorientação nacional — se resolva manifestar.

Por isso é que qualquer análise política nacional — como esta, aqui — que pretenda prever o futuro, está condenada ao fracasso: a ideia segundo a qual “o vento sopra para um lado e nunca muda de direcção”, ou a ideia segundo a qual “o marxismo foi definitivamente derrotado”, só podem prevalecer se apenas considerarmos a “vontade da maioria” e esquecermos a “vontade nacional”. Não é por acaso que nações como Portugal e a Grécia, que têm muitos séculos de existência, estão a ser alvo de um ataque vil por parte da União Europeia: não se trata apenas da questão da dívida: o que se pretende é quebrar a espinha dorsal dos povos e, concomitante, tentar controlar a vontade nacional que é inconsciente. E destruindo a vontade nacional portuguesa, a União Europeia do directório alemão destruirá a nação portuguesa. É isto que está hoje em causa.

Por isso, quando eu vejo “nacionalistas” de Direita a apoiar a política de Passos Coelho, fico com os cabelos em pé. A Direita do “Fim da História” tem a certeza do futuro: pensa que o marxismo acabou e que o vento nunca muda.

Nota
1. Essa corrente política minoritária pode ser marxista.

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