perspectivas

Quarta-feira, 8 Fevereiro 2017

O José António Saraiva está a ficar senil

 

“A escrita é uma convenção.”José António Saraiva

A ideia (estruturalista/estruturalismo) segundo a qual a escrita é um conjunto de sinais (convenção) que podem ser mudados por decreto-lei e a bel-prazer pelas elites políticas, é uma barbaridade modernista.

A convenção opõe-se à Natureza.

Uma convenção é o resultado de um acordo explícito ou tácito; em epistemologia, uma convenção é uma regra imposta livremente (Poincaré). O problema destas definições é o de que não é racionalmente possível separar completamente uma língua escrita, por um lado, da sua etimologia, por outro lado: a convenção opõe-se à natureza, e a etimologia é a natureza da língua (escrita).

Além disso, toda a convenção pressupõe já a linguagem etimológica, e por isso mesmo pressupõe já a sociedade natural.

E convém não confundir “convenção”, por um lado, com “convencionalismo”, por outro lado.

Em filosofia política, o convencionalismo é a ideia absurda segundo a qual todas as instituições e práticas humanas são o resultado de convenções, sem qualquer contribuição da Natureza (“O homem é a medida de todas as coisas → Protágoras). É a partir da ideia de “convencionalismo” que o José António Saraiva diz que a escrita é apenas um conjunto de sinais aleatoriamente seleccionados (Saussurre) — quando, em boa verdade, a escrita de uma língua culta é um conjunto de símbolos.

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Segunda-feira, 30 Maio 2016

O José António Saraiva pensa que a Suíça é um país sem futuro

 

Ao ler um artigo do José António Saraiva, ia concordando com ele até que surgiu o seguinte parágrafo:

“Neste momento, Portugal só tem dois caminhos: ou sair da UE e regressar ao escudo (com a extrema-esquerda e os sectores esquerdistas do PS a liderar, assumindo uma vocação terceiro-mundista), ou continuar na UE e aceitar a globalização. Mas, para isto, é preciso inverter rapidamente a marcha”.

Ou seja, para o José António Saraiva, a Suíça (por exemplo; ou a Dinamarca, ou a Noruega, ou a Inglaterra, etc.) é um país do terceiro-mundo — porque a Suíça não adoptou o Euro e não pertence à União Europeia. Segundo o José António Saraiva, a Suíça é um país controlado pela Esquerda radical e que não tem futuro.

O que se passa é que uma certa “direita” já desistiu de Portugal, e projecta na União Europeia e no Euro a salvação do país (o novo Encoberto). Faz parte desta “direita” o Partido Social Democrata, o CDS/PP, o José António Saraiva como o João César das Neves. Essa direita já não acredita em Portugal, e raciocina assim:

“Dado que a Esquerda radical — incluindo uma parte do Partido Socialista — tem grande votação em Portugal, o país é um caso perdido. A única forma de salvar Portugal é fazer com que as orientações políticas e económicas sejam impostas coercivamente a partir da estranja.”

Porém, e simultaneamente, essa “direita” do José António Saraiva, que critica o grande Poder do Estado na sociedade, é a mesma que defende que as escolas privadas devem ser financiadas pelo Estado.

Podemos chamar à “direita” do José António Saraiva a “direita esquizofrénica”.

Essa “direita” não conseguiu convencer o povo acerca das virtualidades do Estado mínimo — porque, o povo não é burro e verificou que, para essa “direita”, o Estado só deve ser mínimo para os outros: para quem pertence ao clube privado dessa “direita”, o Estado é máximo!. E foi assim que o Bloco de Esquerda, que estava em extinção, atingiu os 10% nas últimas eleições.

Precisamos de uma nova Direita que acredite em Portugal; que pense na União Europeia e no Euro como meios para atingir fins, e não como fins em si mesmos. A Esquerda radical só pode ser derrotada se existir uma oposição que acredite em Portugal.

Quarta-feira, 27 Abril 2016

O nominalismo da Esquerda

 

“O BE, especializado nestas temáticas, lembrou-se agora de propor que o ‘cartão de cidadão’ passe a chamar-se ‘cartão de cidadania’. E porquê? Porque o BE acha que “não existe qualquer razão que legitime o uso de linguagem sexista num documento de identificação obrigatório para todos os cidadãos e cidadãs nacionais”. Linguagem sexista? Mas quando se fala em ‘cidadão’ está-se porventura a pensar apenas nos homens? Só uma mente doentia podia ver nisso uma discriminação das mulheres. ‘Cidadão’ é um conceito, uma abstracção. Até por isso o cartão é ‘de’ cidadão e não ‘do’ cidadão”.

E as crianças senhor?


O José António Saraiva constata o óbvio: a incapacidade do Bloco de Esquerda na abstracção, o que caracteriza o nominalismo. O nominalista é essencialmente uma pessoa com défice cognitivo.

O nominalismo é a teoria segundo a qual “nada há de universal no mundo para além das denominações, porque as coisas nomeadas são todas individuais e singulares”. O Nominalismo nega a existência dos géneros e das espécies — nega a classificação abstracta da realidade — que, alegadamente, não existiriam senão em nome.

Alguns filósofos (realistas) sustentam um “realismo de significação”, dizendo: se a beleza é um nome que tem um significado geral, então, qualquer coisa como a “beleza em si” ou a “essência da beleza” existe na realidade. Mas o nominalismo dá a resposta inversa: os nomes apenas são etiquetas, graças às quais podemos representar concretamente as classes de indivíduos; as ideias gerais não têm um objecto geral: são abstracções (sem importância) obtidas por intermédio da linguagem.

Ou seja, o nominalismo defende a ideia segundo a qual as coisas ou objectos da experiência não têm realidade intrínseca fora da linguagem que as descreve.

Um dirigente do Bloco de Esquerda (em juízo universal), por exemplo, não consegue entender o conceito de “cidadão” como uma ideia geral (uma abstracção): a sua mente é anti-científica — porque só através da abstracção em relação a casos concretos é possível a elaboração das leis da ciência (por exemplo, as leis da gravidade são abstraídas do concreto e, em princípio, aplicáveis em qualquer ponto do universo. Sem abstracção não há ciência).

Em linguagem popular, diríamos que os dirigentes do Bloco de Esquerda, em geral, são burros.

Um dirigente do Bloco de Esquerda tem imensa dificuldade na categorização da realidade; e de tal forma que reduz a realidade social ao indivíduo. É certo que cada pessoa é única e irrepetível (como defende o Cristianismo), mas este facto não significa a negação das categorias a tal ponto que se oblitere o conceito de “juízo universal” — que é o que faz o Bloco de Esquerda.

Quarta-feira, 18 Novembro 2015

A ingenuidade do José António Saraiva

 

“Para não termos a Europa transformada num barril de pólvora, para a extrema-direita não ter terreno para medrar, os partidos moderados têm, quanto antes, de deixar de ser ingénuos”.

José António Saraiva

Vamos analisar este trecho do José António Saraiva. ¿A que se refere ele quando fala em “partidos moderados”? Parece-me que ele identifica “moderados” com “tolerantes”; vamos partir deste pressuposto: partidos moderados ≈ partidos tolerantes.


¿O que é “tolerância”?

Em moral e política, a tolerância é o princípio fundamentado na igual liberdade e dignidade das convicções, que exige a não-repressão de uma opinião quando esta é contrária a uma outra.

Até aqui, está tudo certo.

Porém, a tolerância é realmente um princípio da razão que assenta sobre a ideia do exame livre tendo em vista a procura da verdade.

Quem não procura a verdade através da razão — mesmo em um contexto de fé religiosa — não pode ser tolerante.

Neste sentido, podemos dizer que a verdadeira fé religiosa é uma “fé racional” — na esteira de S. Anselmo: a necessidade de crer para compreender; a fé em busca da razão e da compreensão: porque se tem fé e se acredita, buscamos compreender melhor aquilo que, à partida, é aceite pelo coração. A busca intelectual da verdade — a utilização da razão — é o complemento da fé e das verdades inquestionáveis da crença religiosa cristã.

Esta postura racional do Cristianismo primordial, marcada por S. Anselmo, não existe no Islamismo. Por isso é que, na cultura antropológica das sociedades cristãs, foi possível a abertura à ciência.


O problema que se coloca actualmente é o dos limites da tolerância: devemos tolerar o intolerável?

poligamia-islao

Os “partidos moderados” europeus, de que nos fala o José António Saraiva, ¿procuram a verdade através da razão? Resposta: não!

Não, porque recusam verificar racionalmente os dados da experiência e da realidade. E por isso não são partidos “moderados” e/ou “tolerantes” (isto não significa que, por exemplo, o Front National da Marine Le Pen seja um partido tolerante e moderado: faz parte da mesma lógica da dialéctica da irracionalidade política que grassa pela Europa).

Por outro lado, o José António Saraiva diz que os “partidos moderados” (já vimos por que razão não são “moderados”) são “ingénuos”.

Ora, se há coisa que não existe nos tais “partidos moderados” é “ingenuidade”. Quando os Estados Unidos de Obama, por exemplo, defendem as migrações muçulmanas em massa para a Europa, não podemos falar de ingenuidade, mas de intencionalidade. Quando a maçonaria europeia pensa que é positiva a substituição populacional ou o multiculturalismo, estamos a falar de intencionalidade, e não de ingenuidade.

De facto, os “partidos moderados” de que nos fala o José António Saraiva são tão radicais como o Front National de Marine Le Pen. O que os distingue é o tipo de radicalismo.

Quarta-feira, 12 Agosto 2015

A Esquerda, e a “ordem da desordem”

 

A Esquerda vê na desordem uma ordem. Desde já, devemos ter algum cuidado e saber o que significa “ordem” (e dirá o Ludwig Krippahl: “lá vem este gajo com as definições…! que mania!”).

No sentido comum, a “ordem” é a disposição ou arranjo harmonioso e regular das coisas, seres ou ideias. Mas em sociologia política, “ordem” é o conjunto de instituições e de normas que garantem a possibilidade de relações harmoniosas entre membros de uma sociedade — por exemplo, “ordem social”, “ordem pública”.

O problema é o de que “o conjunto de instituições e de regras que garantem a possibilidade de relações harmoniosas entre membros de uma sociedade” não significa a mesma coisa à Esquerda e à Direita — porque, na esteira de Rousseau, a Esquerda considera que não existe “civilização” enquanto forma de “ordem”, mas apenas existem “culturas diferentes”.

Esta posição da Esquerda é contraditória na medida em que a Esquerda defende acerrimamente o conceito de “humanidade”: mas, se se admite (como faz a Esquerda) que não há “várias humanidades” dentro da humanidade, segue-se que é essencial reclamar a unidade da nossa civilização (ou da nossa cultura), não definida como um “particularismo” (como faz a Esquerda), mas antes como condição de todos os seres humanos — da nossa sociedade — de acesso ao universal (como faz a Direita, nomeadamente os filósofos chamados de “comunitaristas”).

O José António Saraiva escreveu um artigo de que cito um parágrafo:

“Até há pouco era consensual, por exemplo, que as pessoas deviam sair à rua lavadas, penteadas e vestidas com roupa limpa e decente. Só os vagabundos não o faziam. Tal não estava escrito em parte nenhuma, mas não passava pela cabeça de ninguém contestar esta evidência. Ora bem: hoje as calças compram-se manchadas e rotas, as camisas usam-se com a fralda de fora, certos penteados tentam imitar os cabelos despenteados. Há uma vontade notória de desafiar as regras.”

As referências estão a desaparecer?

O José António Saraiva tem uma coragem rara em uma figura pública. A coragem dos homens honestos.

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Sábado, 21 Julho 2012

A escumalha também se abate

Quando recentemente faleceu Miguel Portas, abstive-se de fazer qualquer comentário ao infausto evento, não obstante o facto de a minha animosidade a tudo o que seja Bloco de Esquerda ser visceral.
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Terça-feira, 27 Março 2012

José António Saraiva, a mulher, e a urticária mental

Filed under: A vida custa,ética,cultura — O. Braga @ 10:56 am
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A forma como José António Saraiva escreve — e à semelhança de muitos jornalistas e intelectuais portugueses — causa-me urticária mental. Dou um exemplo.

Se estivesse na moda, entre as elites, afirmar peremptoriamente que 1 + 1 = 5, José António Saraiva provavelmente comentaria essa opinião da moda, da seguinte forma:

“Se bem que seja comummente aceite que 1 + 1 = 5, temos que verificar, contudo, que nem sempre é assim; por vezes e em certos casos especiais, acontece que 1 + 1 não é igual a 5. Naturalmente que temos sempre que ter respeito pelas pessoas que são de opinião de que 1 + 1 = 5, porque a opinião das pessoas deve ser respeitada; mas também devemos ter respeito pelas pessoas que pensam, por exemplo, que 1 + 1 = 2.”

Os rodriguinhos de José António Saraiva, ao criticar o politicamente correcto, são politicamente correctos. José António Saraiva utiliza um discurso politicamente correcto para criticar o politicamente correcto. Disto, só um português se lembraria.

Este texto de José António Saraiva é exemplo do que eu afirmei acima: ele critica o politicamente correcto, mas de mansinho e com muitos rodriguinhos à mistura — não vá o diabo tecê-las…!

Não me vou alongar no comentário ao texto de José António Saraiva, mas parece-me lógico que ele parte de um princípio errado: o do putativo benefício da “emancipação da mulher”. Parece-me claro que a mulher não se emancipou, coisa nenhuma. Pelo contrário, o sistema burguês, levado hoje ao seu extremo ideológico hayekiano, escravizou a mulher. Por exemplo, a partir do momento em que a mulher começou a trabalhar fora de casa, o custo da habitação aumentou no mercado para assim absorver as mais-valias provenientes do rendimento familiar acrescentado pela mulher.

Estudos credíveis demonstram claramente que a mulher [em termos gerais e em juízo universal] é mais infeliz hoje do que na década de 70 do século que findou.

Porém, e apesar da urticária mental que possa causar, recomendo a leitura do texto de José António Saraiva.

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