perspectivas

Quinta-feira, 8 Dezembro 2016

As mentiras do João César das Neves

 

À medida em que envelhece, o João César das Neves vai perdendo qualidade — exactamente o contrário do que seria natural: com a idade, a qualidade apura-se. Podemos ver a decadência ideológica do João César das Neves neste artigo.

O João César das Neves chama aos fenómenos “Donald Trump” e ao “Brexit”, de fenómenos do “tempo da pós-verdade” e “populismo”.

“Populismo” é o termo usado pelos democratas quando a democracia os assusta; e a democracia parece assustar o João César das Neves.

Por isso ele tem necessidade de dizer que Donald Trump e Nigel Farage são produto da “Era da pós-verdade”, ou seja, da Era da Mentira — como se fosse possível, em qualquer tempo, mas muito menos na modernidade, uma adequação da política à verdade (ler Hannah Arendt, sff); e como se fosse possível falar de “verdade” quando falamos de Angela Merkel ou de Hillary Clinton, comadres aconchegadas de George Soros.

O mais perverso (e idiota) no texto do João César das Neves é a utilização da mentira para criticar a pseudo-mentira de Donald Trump ou Nigel Farage: o João César das Neves nega factos objectivos, acusando quem verifica esses factos de “mentirosos”.

Verificamos no João César das Neves um vislumbre da mente revolucionária: a inversão dos factos (a inversão do sujeito-objecto); e isto por uma razão: o João César das Neves está vendido a um determinado sistema político globalista plutocrata, que submete a política à finança.

E depois o João César das Neves diz dele próprio que é um “democrata contra os populismos”! — como se fosse possível a existência de um Estado de Direito e da democracia sem a subordinação da finança à política, e sem a soberania dos Estados-Nação!

¿Vêem a contradição do João César das Neves? Por um lado, é um “democrata contra os populismos”; mas, por outro lado, ele é a favor da negação dos Estados-Nação e da soberania dos Estados (globalismo plutocrata).

Essa contradição é produto da sua (dele) “pós-verdade” que ele acusa nos outros. Repare, caro leitor: não é possível democracia sem o Estado-Nação! E o verme (que ele acusa os outros de serem) é ele próprio, quando ele se rebela contra os alegados “populistas” que defendem o Estado-Nação, ao mesmo tempo que ele se diz “democrata”.

Anúncios

Sábado, 11 Junho 2016

O Anselmo Borges diz tudo: o papa Chico é um psicopata

 

O Anselmo Borges não se dá conta de que quando alguém é muito “popular”, não pode ser muito credível. Mussolini foi muito popular em Itália, e não só em Itália; Hitler foi muito popular na Alemanha e um pouco por toda a Europa, havendo mesmo militantes do partido nazi no Reino Unido.

Jesus Cristo não foi popular: pelo contrário, desagradou ao mundo e, por isso, morreu na cruz. O papa Chico sacrificou a verdade em prol da popularidade. Mas “não podes servir a dois senhores”…

Na comunicação social, não existe qualquer colunista autorizado a criticar o papa Chiquinho; apenas existem os propagandistas do caudilho, como é o Anselmo Borges e o Frei Bento Domingues. Até o João César das Neves anda caladinho que nem um rato. Qualquer crítica ao Chico é considerada herética por católicos e ateus. Pela primeira vez na História, católicos e ateus andam de braços dados, e qualquer pessoa com dois dedos de testa sabe o que isso significa:

“Ninguém pode servir a dois senhores; pois não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” — Mateus, 6,24

Aparentemente, o papa Chico não serve o dinheiro. Mas é só aparência. Quando ele defende, por exemplo, a imigração desregrada, ele está a defender os interesses dos mais ricos do mundo. Aos donos do dinheiro interessa que o trabalho especializado seja o mais barato possível; e em vez de trabalhar para o desenvolvimento dos países mais pobres (as tais periferias), o papa Chico defende a deslocação das populações desses países para a Europa, para assim garantir uma mão-de-obra barata na Europa.

O papa Chiquitito está em perfeita sintonia política com a plutocracia globalista. Nunca ouvirão um George Soros ou um Bill Gates, por exemplo, criticar o Chiquinho. E quem critica o Chiquinho — como o fez o Donald Trump — é excomungado: pela primeira vez, desde há 100 anos, qualquer crítica a um papa é considerada motivo para excomunhão.


Escreve o Anselmo Borges:

"Francisco não é um Papa de actos, mas de processos. Ama o processo. Abrir processos que não tem de ser ele necessariamente a terminar." Se um processo é um pôr em marcha, "o próprio facto de haver resistências significa que o processo funciona".

¿O que significa “processo” (neste contexto)?

O termo “processo” foi extraído do vocabulário da química (Ambrósio Paré, século XVI), designando a sequência de funções que originam ou concretizam um fenómeno material, tendo como base a sua regularidade estatística. Mais tarde, a palavra “processo” foi utilizada por Karl Marx no “Capital”, no sentido de “processo dialéctico”. Ou seja, o papa Chico tem uma visão materialista da sociedade (das “massas”) e uma concepção marxista de “progresso”.

A proposição segundo a qual "o próprio facto de haver resistências significa que o processo funciona" é própria de um deficiente mental ou de uma mente perversa.

Se, por exemplo, eu inicio um processo de assalto à mão armada a um Banco, e se houver resistência ao assalto, é porque o processo está a funcionar!. Ou seja, a proposição é irrefutável (o que é próprio de uma ideologia política totalitária): se não há resistência, é porque o processo funciona; e se há resistência, o processo também funciona.

O que o Anselmo Borges escreve é um insulto à nossa inteligência. Aliás, o Chiquitito insulta-nos a inteligência todos os dias. Quando se tratam os seres humanos em função de um “processo” material (como se a sociedade fosse reduzida a um fenómeno físico), descuramos as retro-acções históricas, somos irresponsáveis e não podemos ser credíveis.

Quinta-feira, 17 Março 2016

O mito do João César das Neves acerca do Euro

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:17 am
Tags: , ,

 

Segundo o raciocínio do João César das Neves, na Suíça, por exemplo, que não pertence ao Euro, “o Estado rouba os cidadãos regularmente, desvalorizando o dinheiro para beneficiar empresas exportadoras ineficientes”. Naturalmente que dirão que “a Suíça não é Portugal”.

Em sociologia e em política, um “mito” é uma representação colectiva estereotipada ou um preconceito social predominante.

O que o João César das Neves nos diz (implicitamente) é que o povo português é ontologicamente inferior ao povo suíço — seja o que for o que “povo suíço” signifique; Fernando Pessoa dizia que a Suíça, tal como a Bélgica, é uma pseudo-nação, porque “lhe falta a base linguística para mostrar ao mundo que tem personalidade”.

Ou seja, o João César das Neves adoptou um mito, mas critica os mitos dos outros. O mito adoptado pelo João César das Neves é o de que Portugal é um país inviável fora do Euro. E este mito está presente desde 1974, e sucedeu a outro mito do Estado Novo segundo o qual Portugal era um país maior do que a Europa inteira. Passamos do oitenta para o oito.

Domingo, 13 Março 2016

O João César das Neves e o papa-açorda Francisco: a visão política vem depois da ética

 

O João César das Neves, em um livro recentemente publicado, faz uma interpretação do comportamento (palavras, actos) do papa-açorda Francisco.

¿O que é uma “interpretação”?

"Interpretar" pode ter basicamente três sentidos:

  1. tornar claro, encontrar um sentido escondido, hermenêutica;
  2. deformar, desfigurar;
  3. abordar um tema ou uma obra de maneira a exprimir-lhe sentido; exegese.

A interpretação do João César das Neves em relação ao comportamento do papa-açorda Francisco está de acordo com o sentido de “hermenêutica”, “encontrar um sentido escondido”. Mas em ética, a interpretação deve ser sinónimo de “exegese”. E o papa não é um ocultista, ou pelo menos não é essa a sua principal função: não temos que fazer a hermenêutica das suas (dele) acções e palavras; devemos fazer a exegese das suas palavras e actos.

Assim como o João César das Neves interpreta hermeneuticamente o papa-açorda Francisco, assim o papa-açorda Francisco interpreta o Novo Testamento, desta feita deformando e desfigurando-o (no sentido do ponto 2) à luz de concepções políticas modernas. O problema da análise do João César das Neves é o de que ele se dissocia das consequências éticas da acção do papa-açorda Francisco, concentrando-se apenas na área da teoria económica. Ou seja, o João César das Neves cai na armadilha ideológica que o papa-açorda Francisco preparou minuciosamente.

A leitura parcial das escrituras

O papa-açorda Francisco dá especial atenção a determinadas passagens das escrituras cristãs, e escamoteia outras que não se coadunem com a sua mundividência ética. Por exemplo, nunca ouviram nem ouvirão (tenho a certeza) o papa-açorda Francisco referir-se a S. Paulo ou a um qualquer texto deste. Ora, as escrituras têm um conteúdo holístico, global, e um papa não deve instrumentalizar uns textos e escamotear outros.

O primado da intencionalidade na ética

Vou dar um exemplo introdutório: se queremos cozinhar, podemos ter que acender o fogo; mas não devemos acender o fogo muito perto de palha seca. Ou seja, temos que ter em consideração as consequências dos nossos actos, e a ignorância da lei ou da norma não inocenta quem a viola. O povo português traduz este conceito mediante de uma noção notável: “de boas intenções, está o inferno cheio”.

A ética do papa-açorda Francisco parece ser intencionalista; não tanto no sentido do imperativo categórico de Kant, mas sobretudo no sentido do intencionalismo de Abelardo (intencionalismo medieval, que voltou a estar na moda na nossa contemporaneidade).

De acordo com Abelardo, apenas a intenção moral (subjectiva) é susceptível de qualificação moral, qualquer que seja o acto exterior. O acto exterior — sendo sempre moralmente indiferente enquanto tal — é bom ou mau em função da intenção que o anima, pro intentionis agentis [“Ethica sive scito te ipsum”]. Segue-se, segundo Abelardo e o "papa Francisco", que nenhuma acção pode ser dita má a priori, “não sendo importante que este respeite o que se faz, mas antes o espírito no qual se faz” [“Dialogus”].

Se uma pessoa comete um grave dano mas não era essa a sua intenção, está inocente (Abelardo e o papa-açorda Francisco): “plurimum nocens, plurimum, ut nosti, sum innocens” (idem). Inversamente (segundo Abelardo e o papa-açorda Francisco), acontece muitas vezes que fazemos o que Deus quer que façamos, sem que a nossa intenção seja cumprir a vontade divina: neste caso, não agimos bem ainda que se realize alguma coisa boa. De acordo com a doutrina da indiferença dos actos externos, por mais que um homem faça o que Deus quer que ele faça, somente a boa intenção (subjectiva) torna a acção boa.

Por isso é que o papa-açorda Francisco afirmou, em relação ao comportamento homossexual, “¿quem sou eu para julgar?” — quando é certo que Jesus Cristo não fez outra coisa senão emitir juízos de valor.

A ética do papa-açorda Francisco é diametralmente oposta à do papa Bento XVI que se baseia em S. Tomás de Aquino (ética racional e consequencialista).


É em função da sua mundividência ética que o papa-açorda Francisco determina a sua visão política. Quem segue S. Tomás de Aquino não pode chegar às mesmas conclusões éticas e políticas a que chega o papa-açorda Francisco. É a mundividência ética que determina a política e, subsequentemente, a visão acerca da economia — e não o contrário disto. Por isso, saber se o papa-açorda Francisco é marxista ou não, é absolutamente irrelevante, porque o que devemos criticar nele é a sua concepção ética.

Sexta-feira, 5 Fevereiro 2016

Portugal vive hoje em uma autocracia

 

É inevitável relacionar este texto de João César das Neves com estoutro que fala do aumento massivo da abstenção na democracia representativa portuguesa — porque a democracia representativa portuguesa nada mais é do que uma sequência de golpes-de-estado, em que o povo não é tido nem achado.

Uma democracia representativa só é legítima quando se baseia em uma Constituição que, por sua vez, se fundamenta em princípios metajurídicos escorados no Direito Natural.

Ora, isto já não se passa hoje com a democracia representativa portuguesa: os fundamentos da Constituição sofreram uma reinterpretação através da qual o Direito Natural foi erradicado; ou seja, os únicos fundamentos metajurídicos que existem hoje realmente na interpretação que é feita da Constituição, são os que decorrem do conceito literal de "Vontade Geral" por parte da classe política controlada pelos globalistas anglo-saxónicos.

Desta forma, o povo alheia-se da democracia representativa; não se sente representado nela, porque ela não passa já de uma expressão arbitrária e discricionária da vontade de Poder da classe política. A classe política portuguesa actua em roda livre, e em vez de democracia temos uma autocracia.

Portugal vive hoje em uma autocracia.

João César das Neves queixa-se daquilo que nos é imposto coercivamente pela ONU que é controlada claramente por uma dúzia de plutocratas anglo-saxónicos (o grupo dos trezentos).

Paradoxalmente, vemos hoje uma Esquerda radical defender, na área da cultura antropólogica, as ideias de Bill Gates, dos Rockefeller, ou dos Rothschild. Estranho mundo em que vivemos hoje, em que alegadas oposições são convergentes. Nunca nos devemos esquecer de que Wall Street apoiou financeiramente os bolcheviques na década de 1920, e que o capitalista eugenista americano Henry Ford apoiou financeiramente o regime de Hitler.

A democracia representativa portuguesa está presa por arames. Ninguém pode ter a certeza do futuro, mas não podemos acreditar que ela dure por muito tempo.

Quinta-feira, 29 Janeiro 2015

O retorno a Engels, o liberalismo político, o mimetismo cultural, o Imbecil Colectivo, e a Espiral do Silêncio

 

 

“When the story of our era is written, it is the cultural battle that will count. Capitalism and democracy may be the wave of the future, but the struggle to shape democratic society is anything but settled. The family is at the heart of that struggle.”

Stanley Kurtz


Caiu o muro de Berlim, mas Engels e Marx apenas mudaram de discurso. Sobretudo Engels. Engels viveu obcecado com a família. Pensava que a destruição da família natural ou família nuclear seria o fundamento de uma sociedade em que igualdade e identidade seriam coincidentes.

A experiência demonstrou que Engels estava errado. A queda estrondosa do muro, por um lado, e por outro  lado a actual Rússia que protege a família nuclear, são a prova de que Engels estava errado. Está demonstrado — até pelos estruturalistas, como Claude Lévi-Strauss — que a constituição da família nuclear foi um avanço civilizacional.

João César das Neves escreve um artigo no D.N.:

“A imprensa parece inebriada com a homossexualidade. Este fascínio ressurgiu agora nas discussões sobre adopção por casais do mesmo sexo: a generalidade dos jornalistas assumiu implicitamente apenas uma possibilidade válida, desprezando as alternativas como obscurantismo, numa promoção aberta da sodomia. O totalitarismo opinativo é tão esmagador que afirmar isto fica perigoso, mas o clima pontual de exaltação da liberdade de expressão talvez permita considerar o tema.
(…)
Depois, o deslumbramento gera contradições evidentes. Quem defende, de forma tão absoluta, estas mudanças fá-lo sempre a partir de uma posição liberal face à família. Ora a generalidade desses activistas e jornalistas têm atitude radicalmente oposta nos outros assuntos sociais, usando o adjectivo “neoliberal” só como insulto.”

O inverno liberal


Existem várias razões para este fenómeno:

1/ o totalitarismo homossexualista aliado ao totalitarismo marxista e segundo a teoria da família de Engels.

Aqui, convém recordar Edgar Morin:

« (…) a lógica do liberalismo político leva-o a tolerar ideias ou movimentos que têm como finalidade destruí-lo. A partir daí, perante a ameaça, o liberalismo está condenado, quer a tornar-se autoritário, isto é, a negar-se ― provisória ou duradouramente ― a si mesmo, quer a ceder o lugar à força totalitária colocada no poder por meio de eleições legais (Alemanha, 1933) »

2/ o mimetismo cultural e o politicamente correcto.

Aqui, recordemos Theodore Dalrymple:

“O politicamente correcto é propaganda comunista em pequena escala. Nos meus estudos acerca das sociedades comunistas, cheguei à  conclusão que o propósito da propaganda comunista não era o de persuadir ou convencer, nem sequer informar, mas era o de humilhar; e, por isso, quanto menos ela (a propaganda) corresponder à  realidade, melhor serve o seu propósito de humilhar.

Quando uma pessoa é obrigada  permanecer em silêncio quando lhe dizem as mentiras mais óbvias e evidentes, ou ainda pior quando ela própria é obrigada a repetir as mentiras que lhe dizem, ela perde, de uma vez por todas, o seu senso de probidade.

O assentimento de uma pessoa em relação a mentiras óbvias significa cooperar com o mal e, em pequeno grau, essa pessoa personifica o próprio mal. A sua capacidade de resistir a qualquer situação fica, por isso, corrompida, e mesmo destruída. Uma sociedade de mentirosos emasculados é fácil de controlar. Penso que se analisarem o politicamente correcto, este tem o mesmo efeito e propósito.”

3/ o Imbecil Colectivo.

Aqui, convém recordar Olavo de Carvalho:

“O ‘imbecil colectivo’ é uma comunidade de pessoas de inteligência normal ou superior que se reúnem com o propósito de imbecilizar-se umas às outras”.

4/ a Espiral do Silêncio.

Aqui, convém recordar a  filósofa política alemã Elisabeth Noelle-Neumann:

O termo “espiral do silêncio” foi cunhado pela filósofa política alemã Elisabeth Noelle-Neumann para explicar a razão pela qual as pessoas tendem a permanecer silenciosas quando têm a sensação — muitas vezes falsa! — de que a suas opiniões e mundividências estão em minoria. O modelo do conceito de “espiral do silêncio” baseia-se em três premissas:

1/ As pessoas têm uma intuição ou um sexto-sentido que lhes permite saber qual a tendência da opinião pública, mesmo sem ter acesso a sondagens;

2/ As pessoas têm medo de serem isoladas socialmente ou ostracizadas, e sabem qual o tipo de comportamento que poderá contribuir para esse isolamento social.

3/ pessoas apresentam reticências ou até medo em expressar as suas opiniões minoritárias, por terem receio de sofrer o isolamento da sociedade ou do círculo social próximo.

Quanto mais uma pessoa acredita que a sua opinião sobre um determinado assunto está mais próxima da opinião pública julgada maioritária, maior probabilidade existe que essa pessoa expresse a sua opinião em público. Então, e se a opinião pública entretanto mudar, essa pessoa reconhecerá que a sua opinião não coincide já com a opinião da maioria, e por isso terá menos vontade de a expressar publicamente. E à medida em que a distância entre a opinião dessa pessoa e a opinião pública aumenta, aumenta a probabilidade de essa pessoa se calar e de se auto-censurar.

Os meios de comunicação social são um factor essencial de estabelecimento da “espiral do silêncio”, na medida em que formatam a opinião pública. Perante uma opinião pública formatada, as pessoas que não concordam com a mundividência politicamente correcta, emanada da comunicação social, entram em “espiral do silêncio” — muitas vezes constituindo uma “maioria silenciosa”.

Sábado, 6 Setembro 2014

João César das Neves e as elites de merda

Filed under: Portugal — O. Braga @ 12:00 pm
Tags: ,

 

Eu tenho muita dificuldade em compreender o discurso de João César das Neves. É possível que eu tenha uma qualquer deficiência cognitiva.

João César das Neves, que é professor universitário de economia, defende o défice público zero, alegadamente para garantir o crescimento da economia:

“temos de fazer estímulos de curto prazo e uma reestruturação brutal a médio/longo prazo que convença as pessoas de que estamos a olhar a sério para o défice e que queremos mesmo ter um défice (do Estado) que consigamos pagar, ou seja, zero”.

Segundo João César das Neves, não é 0,5% nem 1% de défice: é 0% de défice do Estado.

Défice zero significa que o Estado não gasta nem mais, nem menos, do que cobra em impostos aos cidadãos.

Isto significa que, segundo João César das Neves, o Estado deve diminuir impostos e deixar de investir em infra-estruturas públicas — porque se o défice é zero e os impostos baixam (como defende João César das Neves), Portugal é recambiado para o Burkina Faso (a não ser que se descubra petróleo no Chiado). O país ideal do João César das Neves é o Burkina Faso ou a Somália.

(more…)

Quarta-feira, 16 Julho 2014

Ricardo Salgado e João César das Neves: duas faces da mesma moeda

 

Em finais da década de 1980, desloquei-me à alfândega da cidade do Porto na companhia de um cidadão dinamarquês (existiam fronteiras, naquela época), para resolver um problema burocrático junto de uma directora de um determinado serviço aduaneiro. À porta do gabinete da directora estava um empregado da alfândega cuja única função era a de gritar: “Próximo!”, sempre que recebia uma ordem da directora no sentido de deixar entrar o seguinte “cliente”.

O dinamarquês achou muito estranho o trabalho daquele funcionário, ali especado a servir de sinaleiro, e perguntou-me: “¿Por que é a directora não instala um semáforo à porta, com uma luz verde e outra vermelha, em vez de ter de se pagar a um funcionário para que sirva de sinaleiro?”. A minha resposta foi a seguinte: “O Estado pensa que assim mantém mais postos de trabalho”, ao que o dinamarquês sorriu.

ricardo salgado

Entre João César das Neves e Ricardo Salgado existe um pensamento comum: ambos pensam que vale a pena ter um funcionário a ganhar 200 Euros por mês a berrar “Próximo!” em frente a uma qualquer porta de um director de uma choça qualquer; e depois dizem que “os portugueses são preguiçosos, não são produtivos e gostam de viver de subsídios”.

joao cesar das neves
Há neste raciocínio (deles) uma contradição: por um lado, dizem eles (os dois) que “a produtividade portuguesa é baixa porque os portugueses são preguiçosos”; mas, por outro lado, quando se pretende pagar condignamente a boa produtividade, dizem que mais vale manter o funcionário sinaleiro a servir de semáforo à porta do gabinete do Senhor “Doutor das Dúzias”.

Ora, isto não é ser conservador!: é ser estúpido — desde logo pela contradição, e depois pela esperteza de um elitismo saloio das doutorices e do insulto à inteligência do cidadão português.

Quinta-feira, 21 Novembro 2013

Mário Soares tem alguma razão

 

Mário Soares tem alguma razão quando fala do recrudescimento da violência a partir de 2014 e com este Orçamento de Estado. Não se trata de uma violência generalizada, mas de uma “violência dirigida”. Se eu fizesse parte deste governo, isolava-me em uma torre de marfim.

Mário Soares tem muitos defeitos mas tem uma qualidade: sempre viu um pouco mais ao longe do que o normal. Quem não vê ao longe é o burro João César das Neves, que ainda há pouco tempo afirmou que amaioria dos reformados finge que é pobre” — o grande burro poderia falar em “alguns”, mas a grande besta preferiu falar na “maioria”.

A ameaça de aumento da violência, de que Mário Soares fala, é real. Posso estar enganado, mas este governo vai ter mau fim: o consulado de Passos Coelho pode resultar numa tragédia.

Sem postos de trabalho e com um desemprego que vai aumentar em 2014; sem apoios do Estado para quem já não tem subsídio de desemprego; com os preços a subir devido a uma inflação induzida das economias mais fortes da União Europeia e do quantitative easing do BCE [Banco Central Europeu]; com os cortes nas pensões dos reformados e nos salários dos trabalhadores que eram, até agora, o único amparo de muita gente desempregada — com tudo isto, Passos Coelho que se cuide, porque arrisca-se a muita coisa.

Domingo, 17 Novembro 2013

João César das Neves diz que "os pobres fingem que são pobres"

Filed under: A vida custa,Esta gente vota,Tirem-me deste filme — O. Braga @ 10:20 am
Tags:

 

joão césar das neves em colete

 

César das Neves:  "A maior parte dos pensionistas não são pobres, fingem"

Segunda-feira, 4 Novembro 2013

João César das Neves, falacioso e completamente desfasado da realidade

 

João César das Neves é visto, pelos "católicos fervorosos", como um paradigma ideológico. Mas a forma como ele vê a realidade portuguesa é utilitarista (obedece a uma ética utilitarista). Por isso, é tempo de desmascarar o “catolicismo” de João César das Neves.

(more…)

Segunda-feira, 7 Outubro 2013

João César das Neves e “o admirável ajustamento português”

 

No tempo do caudilho galego Franco, em Espanha existia um estribilho que dizia assim: “Yo no tengo una Peseta, pero tengo un Franco!”. João César das Neves diz agora assim, em relação ao Zé Povo: “Eu não tenho um caracol, mas estou no Euro!”.

(more…)
Página seguinte »

Create a free website or blog at WordPress.com.