perspectivas

Quinta-feira, 21 Maio 2015

Uma pergunta aos liberais de pacotilha

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 7:07 pm
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¿Um táxi da Über (em Portugal) paga os mesmos impostos que um táxi tradicional paga, e tem a mesma exigência legislativa e regulação estatal?

É que se a Über não paga os mesmos impostos e não tem as mesmas exigências legais, não estamos a falar de “mercado livre”, mas de “piratas à solta”. Defender o livre mercado à custa dos impostos dos outros não é liberalismo económico. Ou há moralidade ou comem todos.

Quarta-feira, 20 Maio 2015

Outra que não é loira (isto está ficando monótono, né?!)

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 5:26 pm
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« “Os casos de violência a que assistimos nesta semana não têm origem na ordem natural ou divina, são formas históricas de determinadas relações sociais. E são, naturalmente, chocantes – só isso têm de natural, a nossa instintiva repulsa pela brutalidade. Ser servil ao de cima, espezinhar o de baixo, está naturalizado, do Governo aos locais de trabalho, em grande parte dos partidos políticos, as relações de poder e de força são dominantes.

Os jovens expressam a sociedade violenta em que são educados, lamentavelmente. O que os jovens assistem todos os dias em matéria de valores sociais são umas centenas a esmagar milhões de “piegas”, 6 a bater em 1 é portanto um prolongamento de uma sociedade onde o primeiro-ministro nunca trabalhou na vida, e depois de eleito diz que um “bom exemplo é Dias Loureiro” ».

Esta senhora é doutorada em História

Ou seja, houve um tempo em que as “relações sociais” eram diferentes e não havia casos de violência: no tempo do paraíso de Adão e Eva. E a nossa instintiva repulsa pela brutalidade também não tem origem na ordem natural ou divina, mas antes reflecte aquelas formas de relações sociais diferentes que existiam in illo tempore no paraíso, em que não existia “domínio” senão o de Eva sobre Adão (belos tempos!). O Tempora! O Mores!

No paraíso também não havia o governo de Passos Coelho — por isso é que não havia violência no Éden. A causa da violência é também o facto de o primeiro-ministro nunca ter trabalhado na vida, ao passo que o Adão estava sempre disponível para trabalhar para a Eva. E depois veio a serpente Passos Coelho que, afoito passeava por aquelas paragens onde a epifania regia as formas de relações sociais, corrompeu a Eva, e o Adão passou a assumir a violência e o domínio.

A Fernanda Câncio da Direita (também não é loira!)

 

«Há algumas gerações, os adolescentes machos andavam à pancada uns com os outros, e as raparigas arrancavam os cabelos umas às outras; e hoje matam pessoas. Por isso não me venham com a conversa de que ‘a juventude de hoje está perdida’ e que ‘antes o mundo era maravilhoso e agora está um descalabro’. Antes o mundo não era maravilhoso e agora não está um descalabro. Ou, se está um descalabro, pelo menos está menos do que costumava estar; por isso não me venham com a estória de que o mundo está condenado.

A adolescência é tempo de fazer disparates, por exemplo, violência em grupo e filmada para mais tarde recordar, atirar pedras e garrafas à polícia, matar o colega, etc.. São os disparates normais dos adolescentes; como disse Óscar Wilde, ‘experiência é o nome que damos aos nossos erros’; naturalmente que a experiência se constrói dando uma marretadas na cabeça de um puto e esmigalhando-lhe o pénis: é uma “experiência penal” (vem de pénis); nada de anormal na adolescência actual, ao contrário do que dizem as mentes serôdias e pessimistas.

Além disso, temos o exemplo dos adolescentes da revolução cultural chinesa ou dos adolescentes guerrilheiros do regime dos Kmers Vermelhos no Cambodja, ou ainda os adolescentes radicais do ISIS, que provam que os nossos adolescentes até nem são tão maus quanto pensam os Velhos do Restelo. Nós temos sempre que nivelar por baixo para saber o nosso valor, e por isso é que sou liberal. Se nos compararmos com a merda, sempre podemos chegar à conclusão e dizer que somos melhor que merda — o que nos enche o ego!

No caso do adolescente que cometeu o disparate singelo de matar um puto e de esmigalhar as partes pudibundas, a culpa é da mãe porque não impediu que o marido e pai morresse e a criança fosse educada sem pai. A culpa é da mãe que tinha que ir trabalhar e deixar o filho entregue a um sistema de ensino que não permite que se toque nos meninos nem como uma flor — porque os disparates dos meninos são normais.»

A Fernanda Câncio da Direita

A crente em um mundo perfeito (e não é loira!)

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:02 am
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Assim como Freud é um caso freudiano, a Fernanda Câncio é um caso “cânciano”. A sua “compagnon de route” Ana Matos Pires deveria analisá-la.

policia-guimaraes-webO discurso, para além de ser irrealista (por exemplo: um polícia que, no meio de uma acção violenta por parte de um colega, protegeu uma criança, segundo a Câncio não fez mais do que a sua obrigação espontânea: a Fernanda Câncio não faz a puta da ideia do que é estar em um ambiente de tensão colectiva, e depois caga postas de pescada desta índole), confunde e mistura situações diferentes, como foi a agressão policial a uma família em Guimarães, por um lado, e a defesa policial na praça do Marquês de Pombal, por outro lado. Mete tudo no mesmo saco; nós é que já não temos saco para meter a Fernanda Câncio.

Fico sem saber o que significa “democratizar a polícia”; gostaria de saber em que país do mundo existe empiricamente uma “democratização da polícia”.

A função de qualquer polícia é essencialmente a de repressão, assim como a função da lei é a de punição. Se a Fernanda Câncio pretende abolir a polícia e a lei, então que se coloque por exemplo no meio de meia dúzia de gandulos no Bairro Alto pela madrugada; mas não se mexa muito, para não lhes dar mais prazer. Pelo menos seria consequente.

Eu fico perplexo com o facto da Fernanda Câncio se ter alcandorado a fazedora de opinião neste país; ou então terei que dar razão ao povo: “quem tem uma vagina tem uma mina; e quem tem um pénis tem um caralho!”.

Terça-feira, 19 Maio 2015

William Patrick Hitler e a Constança

 

williamhitler-webNo período que antecedeu e durante a II Guerra Mundial, quase todos os meios de comunicação social no Ocidente — leia-se, “mundo anglófono” — publicavam notícias amiúde sobre um dos sobrinhos de Adolfo Hitler, de seu nome William Patrick Hitler.

William fez furor naquela época por ter assumido uma posição contra o seu tio, e por ter emigrado para os Estados Unidos onde se alistou no exército americano, embora já no fim da guerra.

Não havia evento social importante nos Estados Unidos a que William Patrick Hitler não fosse convidado, e tinha mesmo acesso às festas na Casa Branca de Roosevelt. O sobrinho de Hitler, para além de ser famoso, vivia principescamente não só à custa das entrevistas e conferências pagas que dava, da publicação de um livro best-seller sobre a sua vida pessoal com Hitler, mas também era pago pela propaganda institucional e política americana contra o regime nazi. William Patrick Hitler era tão conhecido na opinião pública americana daquela época como o é hoje um actor de Hollywood que esteja na moda.

Quando a Guerra Mundial acabou, William Patrick Hitler “varreu-se” não só dos me®dia como da memória da opinião pública.

De um dia para o outro, na sequência das comemorações do fim da guerra nas ruas de Nova Iorque, o sobrinho de Hitler viu-se no quase completo anonimato. Foi como se a sociedade americana em geral operasse uma catarse em relação a determinados factos e notícias populares durante o período de tensão política e social que caracterizaram a II Guerra Mundial. William Patrick Hitler acabou por morrer na miséria e totalmente anónimo em 1987; nunca mais ninguém falou dele, nem sequer para dar a notícia da sua morte.


Se quem escreveu isto tivesse lido alguma coisa de História e de filosofia para além do que se aprende na escola, não o teria escrito. A concepção da figura da “Constança” que alegadamente tira partido da “memória digital” para conseguir um emprego, só revela o desconhecimento da natureza humana próprio de uma juventude prometaica e auto-convencida que usa e abusa da retórica ad Novitatem — de uma juventude com pouca humildade que se recusa a aprender com a experiência dos mais velhos, por exemplo, com os professores.

A “memória digital” que a autora se refere e que pretende ser uma novidade revolucionária e diferente de tudo o que memorizava o passado, é tão ilusória como a memória dos jornais que frequentemente falavam de William Patrick Hitler. Esses jornais existem ainda hoje para quem os quiser consultar, mas a verdade é 99,9% das pessoas nem sabe que eles existem, e apenas são objecto de interesse de historiadores, estudiosos e intelectuais académicos.

Daqui a cinco anos, a memória da Constança sobre o vídeo em que foi protagonista fará parte de uma realidade histórica insignificante porque a memória humana é selectiva, e porque a “memória digital” é apenas uma memória documental como qualquer outra, que pode ou não ter interesse histórico colectivo.

A ideia segundo a qual a História passará debruçar-se sobre a realidade da vida particular de cada um dos milhões de portugueses revela não só a estupidez de um nominalismo radical que infesta a nossa cultura, mas sobretudo revela a concepção absurda e prometaica de que um “gadget” tecnológico pode alterar a estrutura da natureza humana.

Sábado, 16 Maio 2015

El preso nº 45

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 9:15 pm
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Sexta-feira, 15 Maio 2015

¿Quais os países do mundo com mais feriados e dias de férias ? (um recado para a demagogia de Passos Coelho)

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:30 pm
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O 1º lugar pertence a Espanha, seguido de França, Dinamarca, Brasil, Alemanha, Itália, Reino Unido, Suécia, Holanda, Índia, Austrália, Singapura, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul. Portugal não aparece na lista dos primeiros 15.

Quinta-feira, 14 Maio 2015

A irracionalidade do mundo em que vivemos; os radicalismos em acção

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:55 pm

 

“Foi assassinado esta terça-feira, o terceiro blogger no espaço de poucos meses, no Bangladesh. Ananta Bijoy Das tinha 33 anos e trabalhava num banco, na cidade de Sylhet, a quinta maior do país, onde quatro homens mascarados o atingiram mortalmente. Escrevia regularmente para o site Mukto Mona (‘Livre Pensamento’), um espaço de promoção do racionalismo e do secularismo.”

Mais um blogger secular assassinado no Bangladesh


“O primeiro-ministro luxemburguês Xavier Bettel vai casar esta sexta-feira com o seu namorado, tornando-se no primeiro chefe de Governo da União Europeia a co-protagonizar um matrimónio homossexual.”

Primeiro-ministro do Luxemburgo casa com o namorado

Terça-feira, 12 Maio 2015

Portugal desce no ranking dos direitos dos bigodados

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 12:00 pm

 

huge-mustacheUm bigodado é um homem com bigode. O Azerbaijão ocupa o primeiro lugar mundial dos direitos dos bigodados, e o Reino Unido continua a ocupar o terceiro lugar no ranking dos países europeus com mais direitos dos bigodados, incluindo o direito de se apresentar o bigode em locais públicos e nos locais de trabalho.

O último da lista é os Estados Unidos, com excepção da cidade de Chicago, onde os homens são apreciados em função da sua orientação pilosa (“piloso” vem de “pêlo”; nada de confusões!), conforme se pode ler aqui:

“Chicago is a leader in creating a prime living and working environment for Mustached Americans,” said Dr. Aaron Xavier Perlut, chairman of the American Mustache Institute. “Its vast pool of professional opportunities in first-responder fields and in the fishing industry centered around Lake Michigan, along with the heritage of retired Chicago Bears players who have continued to embrace a Mustached American lifestyle helped to set the Windy City apart.”

Portugal desce no ranking mundial dos direitos dos bigodados, ocupando agora o 10º lugar, porque a lei portuguesa permite que os bigodados sejam bigodeados, o que revela um crime de ódio institucionalizado. Bigodear um bigodado, ou passar-lhe um bigode em função da sua bigodeira, é sinal de intolerância e de violência que revela um preconceito.

A ONG inglesa de defesa dos direitos dos bigodados, a Handlebar Moustache, lança um apelo: “se tens um bigode, não desesperes! Junta-te a nós!”. Os bigodados unidos jamais serão vencidos.

Sábado, 9 Maio 2015

O homem sem qualidades

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:31 pm
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homem-sem-qualidades-web

“Tenho para mim a regra daquilo que escrevi um dia sobre Santana Lopes, e que repito para Passos Coelho: por maus que sejam, não se chega a uma função desta natureza sem qualidades. Podem ser qualidades negativas, podem servir o mal e não o bem, podem coexistir com defeitos igualmente intensos e anular-se entre si, mas alguma coisa há.” (A insustentável leveza do “ser” )

Sábado, 2 Maio 2015

Júlio Machado Vaz e o machismo no Porto Canal

 

Ontem passei pelo Porto Canal e vi, mais uma vez, o curandeiro Júlio Machado Vaz a zurzir na religião revelada. Desta vez dizia que a culpa do machismo é do Génesis e da história de Adão e Eva.

julio machado vaz webOu seja, para Júlio Machado Vaz, a alegoria de Adão e Eva não é um efeito da realidade, mas antes é uma causa dela. Fica por explicar o machismo entre os índios americanos, por exemplo, que diziam que os homens cobardes eram parecidos a squaws; ou o machismo dos indianos, tanto hindus como budistas; o machismo dos incas, astecas, maias, dos índios da Amazónia, dos zulos da África do Sul, dos berberes antes do Islão, o machismo de Confúcio, o machismo do xintoísmo, etc..

Gente como Júlio Machado Vaz — que inclui, por exemplo, os naturalistas do Rerum Natura — tem duas características principais: primeira, fala muitas vezes do que não sabe e “arrota” amiúde “postas de pescada”. Segunda, tem um pensamento mágico característico das épocas anteriores às religiões reveladas; os nexos causais da Natureza são como “mágicos”, surgem sem uma razão suficiente e valem apenas por si.

E como o mundo se reduz a uma espécie de “magia moderna” sustentada por uma qualquer teoria sancionada pelo paradigma do Zeitgeist, a realidade tende a ser subjectivizada (tal como acontecia no neolítico). Através da subjectivização da realidade, esta é compartimentada, e a parte considerada como sendo o todo; e só assim se compreende que Júlio Machado Vaz defenda a ideia de que a culpa do machismo é do Génesis.

Se o Porto Canal colocar um contraditório com Júlio Machado Vaz, verificará que ele foge a sete pés. Quando quiserem acabar com o programa, sugiram o contraditório: Júlio Machado Vaz vai logo para casa fazer croché.

Quarta-feira, 29 Abril 2015

República Portuguesa

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 9:02 pm

 

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