perspectivas

Sábado, 18 Fevereiro 2017

O Anselmo Borges fala do Silêncio

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 8:20 pm
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1/ Conta-se que o Padre Pio de Pietrelcina recusou a confissão, pelo menos em duas ocasiões e a duas pessoas diferentes. Disse-lhes o Padre: quando estiveres verdadeiramente arrependido, volta cá. ¿Significa isto que o Padre Pio de Pietrelcina desrespeitou essas duas pessoas ou “renegou-lhes a dignidade humana”? Claro que não. Significa apenas que o Padre Pio compreendia perfeitamente as relações causais metafisicas (causa / efeito místicos) e que ele estava “para além” destas.

2/ O Anselmo Borges escreveu:

“O livro e o filme [“Silêncio”, do escritor católico Shusaku Endo] são obras cimeiras, de rara intensidade dramática e comoção, mas não admira que hoje não se perceba essa intensidade, porque, numa sociedade do bem-estar material e numa cultura do provisório e da pós-verdade, não há abertura para as decisivas questões metafísico-religiosas.”

Essa sociedade “do bem-estar material e de uma cultura do provisório e da pós-verdade” é a sociedade defendida pela esquerda, em geral, que o Anselmo Borges apoia. [¿Qual é a diferença básica entre a Esquerda e a Direita?]

3/ não há religiões completas; o catolicismo é a religião mais completa de todas as que analisei. Mas isso não significa que o catolicismo, enquanto religião concreta (religião popular), seja perfeito ou completo.

Se entrarmos pelo esoterismo bíblico adentro, expresso nos Evangelhos (no “Reino De Deus”, segundo Jesus Cristo), percebemos que existem aspectos do Budismo, por exemplo, que são partilhados por esse Cristianismo que só a alguns pode ser dado a conhecer, porque só alguns se dispõem livremente (usando o seu livre-arbítrio, segundo o conceito de Santo Agostinho e de S. Tomás de Aquino) a abrir-se à exegese dos textos do Novo Testamento

[“¿Pregaste aos que estão adormecidos?” E uma resposta veio da cruz: “Sim.” (Pedro, 35-42)] — [“Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará”. (Efésios, 5,14)]

“Sei de um homem, em Cristo, que há 14 anos — ignoro se no corpo, ou fora dele, Deus o sabe — foi arrebatado até ao Terceiro Céu. E sei desse homem — se no corpo ou fora dele, não sei, Deus o sabe — que foi arrebatado ao Paraíso e ouviu palavras inexprimíveis que não é permitido a um homem divulgar”. → S. Paulo, 2 COR 12, 2-4

“Se alguém tem sede, venha a mim e beba”. → João 7, 37

“Porque não há nada oculto senão para que seja revelado, nem se fez secreto senão para vir à claridade”. → Marcos 4, 22

4/ é óbvio que Deus não existe, no mesmo sentido em que existe uma qualquer coisa no espaço-tempo.

5/ E se lermos as epístolas chamadas de “deuteropaulinas” [Efésios, Colossenses, 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito], verificamos que o Cristianismo não tem a “dinâmica democratizante” que o Anselmo Borges reivindica.

6/ Finalmente, o Cristianismo tem uma componente transcendental (dualismo) que as religiões monistas (incluindo o marxismo) não têm; e essa é a maior dificuldade de “inculturação” do catolicismo na Ásia (e entre os socialistas que o Anselmo Borges aprecia).


Tania Mariam

Esta menina de 12 anos chama-se Tania Mariam, vivia no Paquistão e foi assassinada por ser cristã.

¿Viram alguma notícia nos jornais? Claro que não, não só por causa do “Silêncio” de que fala o Anselmo Borges, mas também por causa da espiral do silêncio de que este papa é criminalmente cúmplice.

Quinta-feira, 16 Fevereiro 2017

O circo da TVI

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 10:34 am
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A TVI do José Alberto Carvalho faz lembrar, cada vez mais, um circo de província que eu visitei na década de 1980: o homem da bilheteira era o dono do circo, que era também o palhaço e o domador do único leão velho que lá existia. Penso que esse circo já faleceu.

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Quarta-feira, 15 Fevereiro 2017

A eutanásia e a autonomia do indivíduo

 

Um artigo escrito por um Diogo Costa Gonçalves, acerca da eutanásia e com o título “Eutanásia e o ‘mito da autonomia’”:

“Sucede, porém, que a autonomia é um mito: um novo dogma moderno com pouco sustentação na realidade. Não, não somos autónomos!”


“Autonomia” é também, e em primeiro lugar, o livre-arbítrio de S. Tomás de Aquino. Em segundo lugar, é sobretudo a “autonomia” segundo Kant que resume o conceito de livre-arbítrio de S. Tomás de Aquino.

No sentido comum ou vulgar, autonomia é a capacidade de um indivíduo ou de um grupo de determinar ele próprio o seu modo de organização e as regras em relação às quais se submete.

Mas, no sentido filosófico (ética) e moral, a autonomia pode ser uma de duas coisas:

1/ Em Kant, é a característica da vontade que se submeteu livremente à lei moral sancionada pela razão pura prática, por respeito a essa lei, e excluindo qualquer outro móbil.

2/ liberdade moral do sujeito que age de acordo com o que a sua razão lhe dita e não por simples obediência às suas paixões.


Em Kant, a autonomia é simultaneamente liberdade negativa e liberdade positiva.

A liberdade negativa é aquela que consiste em não ser impedido de agir — a de não ser impedido por outrem naquilo que desejamos fazer, ou a liberdade de se exprimir sem censura.

Em contraponto, a liberdade positiva é a liberdade do cidadão-legislador, segundo o princípio de autonomia de Kant, que consiste em tomar parte nas decisões políticas e públicas, e de co-exercer a autoridade em geral.

Segundo Kant, uma acção não pode ser verdadeiramente moral se não obedece a razões sensíveis, exteriores à razão legislativa. Por exemplo, segundo Kant, se ajo por amor à Humanidade, não ajo por dever, mas por sentimento. Ora, uma acção cuja máxima se baseia num sentimento não pode aspirar à universalidade e servir de lei a todo o ser racional.

Em contrapartida, e seja qual for o meu sentimento em relação à Humanidade, “tratar a Humanidade na minha pessoa e na pessoa de qualquer outro, sempre simultaneamente como um fim, e não simplesmente como um meio”, é a máxima exigível universalmente, um dever para todos; a vontade que determina a sua acção a partir dela, é uma vontade autónoma, na medida em que se submete livremente à lei da razão pura prática.


Os que defendem a legalização da eutanásia e afins (que são todos de esquerda, mesmo que digam que não são de esquerda) utilizam o conceito de “autonomia” de forma abusiva e falaciosa, porque não cabe em nenhuma das duas noções de “autonomia” supracitadas. É neste sentido que o Diogo Costa Gonçalves tem razão: em nome da “autonomia” (vista apenas como liberdade negativa), negam-se deveres (liberdade positiva), por exemplo, o dever de solidariedade.

Ou seja: a autonomia (enquanto livre-arbítrio) não é um mito, como diz o Diogo Costa Gonçalves. O que que esquerda faz (por exemplo, Rui Rio, que diz que não é de esquerda) é interpretar erroneamente o conceito de “autonomia”; é ver só uma parte do conceito de “autonomia”, ou seja, vê-lo à luz das paixões (sentimentalismo), e não à luz da razão que universaliza a vontade e a lei moral. De resto, o Diogo Costa Gonçalves tem razão:

“Se a dependência é vista como um fardo, como um indignidade, o direito a uma morte rápida e indolor transforma-se facilmente num dever de morrer dignamente, de não ser pesado, de não onerar o outro com a minha existência.

Não tenhamos dúvidas: é isto o que está em debate na eutanásia. O sofrimento do outro – por quem, infelizmente, poucos realmente se interessam – é apenas um pretexto emocional para a discussão… tudo mais (menos cuidados paliativos, mais consentimento informado, etc.) são minudências de uma discussão que só não vê quem não quer.”


 

O utilitarismo da esquerda contemporânea

Domingo, 12 Fevereiro 2017

Animais irracionais tomaram o poder político

 

"There is no neutral ground in the universe. Every square inch, every split second is claimed by God, and counterclaimed by Satan."C S Lewis.

Não existe terreno neutro no universo. As proposições ou são verdadeiras ou falsas; e essas proposições são o resultado de uma linguagem humana que as contêm.

eutanasia-velhariasO Anselmo Borges fala aqui da linguagem humana; mas, através de uma tolerância inusitada, pressupõe ele (o Anselmo Borges) que possa existir um terreno neutro no universo (e no planeta Terra) em que Deus e o diabo possam chegar a um acordo. Portanto: ou acreditamos no Lewis, ou acreditamos no Anselmo. Com todo o respeito pelo Anselmo, eu acredito no Lewis: “não existe terreno neutro no universo”.

De nada vale ao Anselmo Borges procurar compromissos em terrenos moralmente neutros, porque esses compromissos não existem nem são possíveis.

A linguagem humana — para além da expressão que outros animais têm; para além da comunicação que outros animais também têm; e para além do simbolismo que outros animais também têm — tem proposições descritivas que os outros animais não têm. Karl Bühler chamou-lhe a “função representativa” da linguagem especificamente humana, que são proposições que descrevem um estado objectivo de coisas, que podem, ou não, corresponder aos factos; ergo, as proposições podem ser falsas ou verdadeiras.

Para além da função representativa da linguagem humana — que afere a verdade dos factos — temos a função argumentativa da linguagem humana, através da qual se constrói o pensamento crítico que deve obrigar a vontade mediante a razão (S. Tomás de Aquino). O ser humano inventou a crítica que é um método de selecção consciente que permite detectar os nossos erros individuais e colectivos.

O problema da Esquerda actual é o de uma profunda doença espiritual. Em função dessa doença espiritual radical (uma doença que atacou as raízes do “ser de esquerda”), as funções representativa e argumentativa da linguagem humana deixaram de ter qualquer utilidade. A lógica deixou de fazer sentido.

Sexta-feira, 10 Fevereiro 2017

Pacheco Pereira. “Se fosse cidadão dos EUA tinha votado Bernie Sanders”

 

Se o José Pacheco Pereira tivesse vivido na década de 1930, seria seguidor de Heidegger na mesma universidade em que este foi reitor.

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Segunda-feira, 6 Fevereiro 2017

A democracia terá que ser repensada

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:55 am
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Em minha opinião, só deveria votar quem pagasse impostos ao Estado (ou seja, em que o saldo fosse favorável ao Estado).

Se eu pago 100 ao Estado e recebo 200 do Estado, não deveria poder votar — porque quem mama nas tetas do Estado faz tudo o que for possível para que o Estado lhe dê ainda mais mama, votando sempre para que o Estado seja cada vez maior e se transforme em um leviatão.

Isto aplica-se a homens e mulheres, com excepção dos reformados que já ganharam o direito ex-cátedra ao voto.

Sexta-feira, 3 Fevereiro 2017

Comunitarista (direita)

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:24 pm
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"You’re on the right and collective quadrant of the political compass! You believe in a strong military, an efficient government to intervene when necessary, low taxes and a free market economy. You value tradition, hard-work, and you tend to respect religious authority. You’re patriotic and skeptical of people looking for a hand out. You believe in government institutions and you have a strong sense of belonging to those with the same nationality as you. You believe in individual freedoms, but you also take into account tradition and social order. Anarchy and communism are your worst nightmares! Ronald Reagan is most likely one of your personal heroes!"

–> The Definitive Political Orientation Test

 

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Segunda-feira, 30 Janeiro 2017

A estupidez natural do Frei Bento Domingues

 

Quando leio o Frei Bento Domingues fico incomodado: não por qualquer dissonância cognitiva da minha parte, mas porque ele parece ter um sério problema cognitivo. E quando eu leio um burro, fico logo com a mosca.

“Seria, todavia, grave que, por causa das análises inadequadas do autor, não perguntássemos com insistência: o que aconteceu, ao longo dos séculos, para se esquecer, que numa das primeiras comunidades cristãs não havia, entre eles, nenhum indigente (…); distribuía-se a cada um segundo a sua necessidade? Hoje, o abismo entre ricos e pobres continua escandaloso. Alguns desses ricos e opressores ainda passam por benfeitores. Que enxertos perversos foram feitos na árvore cristã para dar frutos tão maus?”

Frei Bento Domingues

fbd-2-webO Frei Bento Domingues é um caso sério de burrice; se houvesse um doutoramento em burrice, ele seria até Honoris Causa. Ora, diz o burro que nas “primeiras comunidades cristãs não havia, entre eles, nenhum indigente (…); distribuía-se a cada um segundo a sua necessidade”; e é verdade.

Conforme referi anteriormente,

1/ Os historiadores (Boak, Russell, MacMullen, Wilken) apontam para uma população total de cerca de 60 milhões de pessoas em toda a área do império romano, após a crucificação de Jesus Cristo.

2/ O Cristianismo, então nascente, é considerado um fenómeno sociológico, que passou de 1.000 seguidores (no total) no ano 40 d.C., para 7.500 no ano 100 d.C., 218.000 no ano 200 d.C., e seis milhões no ano 300 d.C..

Isto são factos relativamente documentados (mais coisa, menos coisa).

Quando as comunidades cristãs atingiram as muitas centenas de milhares de pessoas, o comunitarismo de que fala o burro deixou de ser possível, em termos práticos, nas diversas comunidades cristãs no império romano.

Ou seja, o comunitarismo cristão do “tudo em comum”, segundo o burro, só foi praticamente possível enquanto a população cristã total, e em todo o império romano, era apenas de alguns milhares — no século I da nossa Era.

Comparar as comunidades dos cristãos do século I, por um lado, com a realidade do século III, por outro lado e por exemplo, ou com a realidade actual — como faz o asno —, é um sofisma; e só se compreende esse sofisma do Frei Bento Domingues por estupidez natural.

Sábado, 28 Janeiro 2017

A análise vesga do José Pacheco Pereira em relação a Donald Trump

 

clinton_russiaQuando leio o José Pacheco Pereira, faz-me lembrar a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt: critica, critica, critica, mas não dá solução alternativa. O José Pacheco Pereira é uma espécie de picareta falante: quando não tem argumentos ideológicos, entra pelo ataque pessoal adentro.

Este texto do José Pacheco Pereira acerca de Donald Trump é próprio de um mentecapto — eu posso afirmar que o José Pacheco Pereira é um atrasado mental sem ter que o demonstrar; porque é o que o José Pacheco Pereira faz em relação a Donald Trump: afirma muita coisa, mas sem demonstração. Ele, José Pacheco Pereira, afirma a “opinião-verdade” que acusa aos outros de terem.

Temos aqui ao lado uma foto de um político americano (marido de uma candidata de esquerda à presidência dos Estados Unidos) que, segundo o José Pacheco Pereira (por oposição a Donald Trump), “respeita as mulheres”; mas quando alguém gravou uma conversa de balneário em que Donald Trump falou de mulheres, o José Pacheco Pereira agarra-se a ela como uma carraça em pêlo de cão. O raciocínio do José Pacheco Pereira funciona em modo de tolerância repressiva.

JPP-ZAROLHOPara o José Pacheco Pereira, o exercício do Poder legitimado pelos votos em urna é “autoritarismo” — excepto se for a Esquerda a exercer o Poder.

Obama governou quase sempre por decretos-lei (executive orders), mas nunca ouvimos do José Pacheco Pereira qualquer acusação de “autoritarismo” em relação a Obama. É esta dualidade de critérios que nos enoja em José Pacheco Pereira e quejandos; metem nojo aos cães! Deixam de ter qualquer credibilidade quando só olham para um dos lados — o José Pacheco Pereira é zarolho.

Em relação à deportação de imigrantes ilegais, o José Pacheco Pereira critica o Donald Trump; mas não critica quem os deixou entrar, ou seja, Obama e comandita: para o José Pacheco Pereira (como para a esquerda radical que nos governa) as fronteiras não existem.

Por isto (entre outras coisas) é que a crítica do José Pacheco Pereira a Donald Trump não tem consistência: é uma crítica zarolha e vesga. O José Pacheco Pereira, para além de só ver do olho esquerdo, ainda por cima é vesgo desse mesmo olho.

Segunda-feira, 23 Janeiro 2017

O papa Chiquitito não gosta do Trump eleito, mas adora o comunista Fidel Castro e o ditador Maduro

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:13 pm
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Quarta-feira, 18 Janeiro 2017

A vontade de cagar dos intelectuais contemporâneos

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:18 pm
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PAPA-wcO Joaquim escreveu aqui algo sobre aquilo a que se chamou “força de vontade”, que é aquilo a que sempre se chamou “vontade”.

Aquilo a que o Quim chama de “força de vontade”, é a vontade; e a razão por que se fala em “força” para além da “vontade”, é porque a maioria dos professores universitários e investigadores não sabe quem foi Aristóteles (que sempre defendeu que a vontade adquire-se e fortalece-se através da educação dos jovens) e tem uma vaga ideia de Descartes (que distinguiu a vontade, por outro lado, do entendimento, por outro lado).

Entende-se por “vontade” (ou “força de vontade”, como quiser o Quim) uma qualidade de carácter (ao contrário do que diz o professor universitário do Quim): ter vontade é manifestar perseverança nas escolhas de vida e firmeza nas decisões. A vontade é aquilo através do qual um carácter exprime a sua força de afirmação.

Para além deste sentido psicológico da vontade, encontra-se o problema do voluntário e do involuntário, que tem reflexos no enquadramento jurídico. Em teoria, um acto é voluntário quando encontra o seu princípio numa decisão interior do sujeito livre (o que quer que possa significar “sujeito livre”).

A “vontade” não se deve confundir com “desejo”.

Por exemplo, quando se diz: “tenho vontade de cagar”, deveria dizer-se “tenho desejo de cagar” — porque o desejo remete para uma inclinação ou tendência da qual esperamos retirar uma satisfação sensível e imediata. Por outro lado, se a cagação fosse sujeita à vontade, poderia haver quem tivesse vontade de não cagar, o que seria praticamente impossível a um ser vivo.

A filosofia concebeu a vontade segundo três dimensões: a vontade como faculdade da alma (Platão, Aristóteles, Descartes), a vontade e os valores (Santo Agostinho, S. Tomás de Aquino, Kant), e a vontade e o estar no mundo (Schopenhauer, Nietzsche, e os niilistas modernos que se seguiram, como por exemplo, Heidegger).

Domingo, 15 Janeiro 2017

O partido liberal português que é socialista

 

Começo a ter pouca vontade de escrever aqui no blogue. Um dia destes fecho-o sem anunciar que foi fechado — porque, por exemplo, quando leio que se pretende fundar um partido liberal que fica situado entre o Partido Socialista e o Partido Social Democrata, não me apetece escrever sobre o assunto, e sobre nada. Apetece-me insultar os filhos da puta.

“Liberalismo” vem do latim “liberalis”, que significa “benfeitor”, “generoso”.

Em filosofia política, o liberalismo é o conceito do qual John Locke foi um dos primeiros representantes, e que faz do sujeito individual, dotado de direitos inalienáveis (direito à propriedade, à liberdade, etc.), a fonte e o centro das relações sociais.

Em economia política — que é o que nos mais interessa num partido liberal! —, o liberalismo é o princípio associado ao liberalismo político de que se falou acima, mas segundo o qual as leis do mercado devem continuar a ser livres, pois são naturais (por exemplo, a lei da oferta e da procura), e dependem delas mesmas o equilíbrio entre a produção, a distribuição e o consumo (Adam Smith).

A função do Estado liberal deve ser a de garantir os direitos individuais, e a sua autoridade apresenta, então, limites: os seus diferentes poderes (executivo, legislativo, judicial) devem ser separados. Para o liberal, a igualdade é reduzida à igualdade de direitos, e não à igualdade social. A igualdade social, própria do Partido Socialista e da Esquerda em geral, supõe que o Estado intervenha para “corrigir o livre jogo da sociedade civil”, o que é sempre interpretado pelo liberalismo como funesto para a liberdade.

Ou seja, um liberal não é um socialista.

Dizer que o novo partido liberal fica politicamente situado entre o Partido Socialista e o Partido Social Democrata, é dizer que o liberalismo é socialismo.

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