perspectivas

Sábado, 6 Fevereiro 2016

Vira o disco e toca o mesmo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 7:44 pm
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O outro aconselhava os portugueses a não serem piegas.

costa

A “licença de parentalidade” é coisa boa

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 6:44 pm
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O deus do Anselmo Borges não é o Deus de Jesus Cristo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 3:18 pm
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« Segundo o modelo cosmológico padrão, vivemos num universo que se produziu no big bang e terminará numa morte energética futura: "um universo que nasce a partir de um "fundo" desconhecido no qual será reabsorvido".»

Sabemos, por inferência, que o universo teve um princípio; mas é abusivo dizer — como diz o Anselmo Borges ou qualquer outra pessoa — que o universo vai ter este ou aquele fim. A ciência é uma muleta para a filosofia, mas não podemos misturar ciência e filosofia, como faz o Anselmo Borges.

Do ponto de vista macroscópico — que é o ponto em que nos encontramos, na nossa realidade — não é possível conhecer o futuro. Mesmo as leis da física que conhecemos são revogáveis, por exemplo, face à singularidade.

Parece que o Anselmo Borges parte do princípio da filosofia gnóstica indiana do YUGA das elites secularizadas a partir do hinduísmo, que aliás influenciou Nietzsche na sua teoria do Eterno Retorno.

Um ciclo cósmico completo, um mahâyuga, compreende doze mil anos e termina com uma “dissolução” (pralaya) que se repete de uma maneira mais radical (mahâpralaya, a Grande Dissolução) no fim do milésimo ciclo. Assim, o esquema exemplar da “criação ― destruição ― criação” reproduz-se até ao infinito.

A Causa Primeira (Deus) já não é acessível ao Homem não-religioso através dos ritmos cósmicos.

A significação religiosa da repetição dos “gestos” cósmicos é esquecida; e a partir daqui, a repetição da natureza esvaziada do seu conteúdo religioso conduz necessariamente a uma visão pessimista da existência. Para o Homem não-religioso, o Tempo cíclico torna-se insuportavelmente terrível na medida em que se revela como um círculo rodando indefinidamente sobre si mesmo, repetindo-se até ao infinito.


« O ateísmo seria outra conjectura metafísica, também filosófica: no pressuposto das teorias especulativas de multiversos ou múltiplos universos e de supercordas, essa meta-realidade apresentar-se-ia como "uma realidade impessoal na qual se produziria de modo cego o nosso universo".»

O que o Anselmo Borges diz é que a teoria do Multiverso pode justificar racionalmente a ausência de uma Causa Primeira (Deus). A afirmação de Anselmo Borges não é crítica: é corroborativa. Portanto, segundo esse argumento, existirá um número infinito de Multiversos que justifica alegadamente a ausência de uma Causa Primeira (Deus) : é uma regressão infinita da existência e do Ser, em um mundo que o Anselmo Borges reconhece ser finito. Eu admito que um ateu ignaro coloque a hipótese desta tese; mas vinda de um professor universitário de filosofia ou teologia, acho muito estranha.


“Por isso falei de coisas que não entendia, de maravilhas que me ultrapassam” (Job, 42,2)

A imagem que o Anselmo Borges traça de Deus é a do “Deus absconditus” — o Deus oculto — que se mantém em silêncio:

“Teísmo e ateísmo são confrontados com o silêncio de Deus. Este silêncio manifesta-se num duplo plano: no plano cósmico, porque Deus não se revela de modo evidente enquanto criador do universo. O outro é o silêncio de Deus "perante o drama da história, devido ao sofrimento humano pessoal e colectivo e ao mal natural cego e à perversidade humana".”

Ou seja, o Deus de Anselmo Borges não é o Deus de Jesus Cristo. Por isso, é abusivo que ele relacione o Deus silencioso, por um lado, com o Deus cristão, por outro lado. É evidente que o Anselmo Borges volta ao problema da Teodiceia para justificar a irracionalidade ateísta; neste sentido, recordemos as palavras do filósofo Eric Voegelin:

« Quando o coração é sensível e o espírito contundente, basta lançar um olhar sobre o mundo para ver a miséria da criatura e pressentir as vias da redenção; se são insensíveis e embotados, serão necessárias perturbações maciças para desencadear sensações fracas.

É assim que um príncipe mimado se apercebeu pela primeira vez de um mendigo, de um doente e de um morto ― e tornou-se assim em Buda; em contrapartida, um escritor contemporâneo vive a experiência de montanhas de cadáveres e do horroroso aniquilamento de milhares de indivíduos nas conturbações do pós-guerra na Rússia ― e conclui que o mundo não está em ordem e tira daí uma série de romances muito comedidos.

Um, vê no sofrimento a essência do ser e procura uma libertação no fundamento do mundo; o outro, vê-a como uma situação de infelicidade à qual se pode, e deve, remediar activamente. Tal alma sentir-se-á mais fortemente interpelada pela imperfeição do mundo, enquanto a outra sê-lo-á pelo esplendor da criação.

Um, só vive o além como verdadeiro se ele se apresentar com brilho e com grande barulho, com a violência e o pavor de um poder superior sob a forma de uma pessoa soberana e de uma organização; para o outro, o rosto e os gestos de cada homem são transparentes e deixam transparecer nele a solidão de Deus. »

Sexta-feira, 5 Fevereiro 2016

Os ricos que paguem a crise

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:08 am

Quinta-feira, 4 Fevereiro 2016

Tempo de antena do MRPP

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 9:42 pm
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H/T

O liberalismo europeu e a “liberdade cognitiva”

 

Segundo os liberais europeus — a Esquerda e a Direita dita “liberal” —, o acesso livre ao consumo de quaisquer drogas é um direito consignado no artigo 9º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem através do conceito de “liberdade cognitiva”.

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Em nome da “liberdade cognitiva”, o consumo e o comércio de todas as drogas devem ser legalizados — alegadamente porque a “liberdade cognitiva” é um “direito humano”. A liberdade de pensamento, prevista no Artº 9 da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, legitima o direito cognitivo do indivíduo “pedrado” e com uma “ganda moca”.

A logomaquia psicótica do Paulo de Almeida Sande

 

O Sande ensandeceu.

“Foi assim (lição de História): a crise conhecida como dos refugiados, com epicentro em 2015, levou vários países europeus a pôr em causa o princípio fundamental da livre circulação das pessoas no espaço europeu”.

Paulo de Almeida Sande

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Para o Sande ensandecido, o tratado de Schengen — embora assinado apenas por alguns países europeus — aplica-se ao mundo inteiro: qualquer imigrante vindo da Conchichina ou da Papua pode entrar em qualquer país europeu ao abrigo do tratado de Schengen.

Ou seja, segundo o critério ensandecido do Sande, a partir do momento em que um imigrante das ilhas Galápagos entra ilegalmente no espaço Schengen, passa a ter os mesmos direitos dos cidadãos dos países que aderiram ao tratado.

A narrativa sandia do Sande é uma logomaquia psicótica. Por exemplo, estabelece uma relação causal entre o fim do Euro, por um lado, e a restrição da imigração, por outro lado.

¿Como é que um sandeu deste calibre tem tanta visibilidade nos me®dia?!

(via)

A hermenêutica académica

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 3:38 pm
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“A totalidade social não tem vida própria acima do que é por ela concatenado, e de que ela própria é constituída.

Ela produz e reproduz-se através dos seus momentos singulares. Tão pouco é de dissociar esse toda da vida, da cooperação e do antagonismo social, tão pouco pode um elemento, qualquer que seja, ser entendido meramente no seu funcionamento, sem o discernimento do todo, que tem a sua própria essência no movimento individual. Sistema e singularidade são recíprocos e só podem ser entendidos na reciprocidade”.

→ Habermas, “Polémica do Positivismo”


Vamos “traduzir” este trecho de Habermas:

A sociedade é constituída por relações sociais. As diferentes relações produzem, de qualquer modo, a sociedade. Entre essas relações encontra-se a cooperação e o antagonismo; e uma vez que a sociedade é constituída por tais relações, não pode ser dissociada delas. O inverso é igualmente válido: nenhuma relação pode ser entendida sem as outras.


Uma característica da academia, em geral, transformada em missão, é a de complicar aquilo que é simples e de dificultar o que é fácil. Vejam, por exemplo, este texto da Helena Damião: foi assim que ela aprendeu, e é assim que ela escreve e ensina.

Nem todos os ateístas são politicamente correctos

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 2:22 pm
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camiile-paglia-web

 

“Os homens sacrificaram-se e mutilaram-se física- e emocionalmente para alimentar, acolher e proteger as mulheres e as crianças. Nem uma das suas dores ou conquistas são registadas pela retórica feminista, que os retratam como opressores e exploradores insensíveis”.

Camille Paglia (ateísta)

Quarta-feira, 3 Fevereiro 2016

A Elisabete Rodrigues e a guerra dos mamilos

 

« A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. » — Fernando Pessoa, “Livro do Desassossego”


A Elisabete Rodrigues escreveu (no jornal Púbico) um artigo com o título Libertem os mamilos:

“Porque é que as nossas sociedades toleram melhor os mamilos de um homem do que o seu equivalente feminino? Porque é que um homem, na praia, pode passear-se livremente de peito ao léu sem, por isso, despertar qualquer interesse e uma mulher o faz num clima grandemente envolto de tensão e censura?”

Antes de respondermos à Elisabete Rodrigues, vejamos este vídeo em baixo. Nele, duas mulheres (Dakota Johnson and Leslie Mann) de Hollywood  lançam piropos a um jornalista (Chris Van Vliet). Naturalmente que eu não vejo nada de mal no vídeo e, como eu, a maioria das pessoas (incluindo a Elisabete Rodrigues) acharia até que o vídeo é divertido.

Mas imaginemos que os entrevistados eram dois homens e a jornalista era uma mulher. ¿Seria, neste caso, divertido, o vídeo? Não! Seria sexista, misógino, machista, preconceituoso e reaccionário!

 

Ou seja: é impossível que uma mulher seja “sexista” — assim como é impossível a um preto ser racista.

Penso que as mulheres têm todo o direito ao “sexismo” (seja o que for que isso signifique) e os homens também; os piropos são tão bons vindos de homens como de mulheres, desde que não sejam obscenos. Acho que o sexismo é coisa boa, porque assinala a diferença real entre mulheres e homens.


Ora, é essa diferença entre mulheres e homens que a Elisabete Rodrigues tem dificuldade em reconhecer.

Os mamilos têm, na mulher, uma função biológica no sistema de reprodução. A principal função das mamas das mulheres não é decorativa: em vez disso, a principal função das mamas é a de amamentação da prole.

Os mamilos das mulheres são, por isso, diferentes dos mamilos dos homens. Aliás, se os homens não tivessem mamilos, esse facto não seria relevante em termos de reprodução da espécie. Não é por acaso que quando vemos (nós, homens civilizados) uma mulher com uma mama à mostra a amamentar o seu filho, não ficamos escandalizados e até achamos bem — porque, instintivamente, o homem alia a exibição pública da mama da mulher ao acto de amamentação.

Já a exibição pública das mamas fora do contexto da amamentação é considerada como acto de exibicionismo, porque a mama da mulher tem uma função na reprodução da espécie humana que o mamilo do homem não tem.

A natureza da mulher é diferente da natureza do homem, embora pertençam à mesma espécie. E quem reconhece esta diferença, é sexista, misógino, machista, preconceituoso e reaccionário!

Terça-feira, 2 Fevereiro 2016

A língua de pau da Esquerda: o testiculismo prevalente, o preconceito escrotal e a hormonofobia

 

“O que constitui ainda uma resistência à promulgação da lei da adopção de crianças por casais do mesmo sexo é o heterossexismo prevalente, o preconceito sexual e a homofobia”.


O trecho foi escrito por Diana Martins Correia que diz de si mesma ser médica. Há três perguntas que devemos fazer:

  • ¿O que é “heterossexismo”?
  • ¿O que é “preconceito sexual”?
  • ¿O que é “homofobia”?

Quando perguntamos, por exemplo, ¿o que significa heterossexismo?, pretendemos uma noção de “heterossexismo” — e não um conceito de “heterossexismo”. Porém, desafio qualquer inteligente de Esquerda a definir “heterossexismo”, “preconceito sexual” e “homofobia”. Venham daí as definições!

Seria exactamente o mesmo se a dita médica escrevesse, por exemplo, o seguinte:

“O que constitui ainda uma resistência à promulgação da lei da adopção de crianças por casais do mesmo sexo é o testiculismo prevalente, o preconceito escrotal e a hormonofobia”.

A noção de “testiculismo prevalente” é o que você, caro leitor, quiser — porque tal noção não existe verdadeiramente. Você pode elaborar em um conceito de “testiculismo prevalente” escrevendo 25 livros sobre o termo, mas nunca se chega a uma noção. É uma palavra-mestra ideológica.

De modo semelhante, o “preconceito escrotal” é uma palavra mágica que não tem significado concreto (não existe uma noção de “preconceito escrotal”), embora se possa inventar um conceito tão abrangente de “preconceito escrotal” que permita qualquer interpretação subjectiva do termo.

A “hormonofobia” seria, por definição (ou seja, noção), uma fobia em relação às hormonas. Mas, que se saiba, não consta que exista, por parte de alguém, um medo irracional em relação ao sistema hormonal.

Ou seja, “heterossexismo prevalente”, o “preconceito sexual” e “homofobia” são abstracções delirantes, conceitos artificialmente construídos e sem aderência à realidade, desprovidos de quaisquer noções que lhes dêem um sentido preciso e claro. É língua de pau.

Segunda-feira, 1 Fevereiro 2016

Criacionismo e evolucionismo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:00 pm
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Tenho sido instado (no Twitter) a apoiar o criacionismo.

Se o criacionismo é a ideia segundo a qual o universo teve um princípio e é um efeito de uma Causa Primeira a que chamamos Deus, então sou criacionista. Mas se o criacionismo inclui nele, por exemplo, a ideia de que os dinossauros viveram há cinco mil anos, então peço licença para não ser criacionista.

De modo semelhante, se “evolução” é um processo através do qual o insondável (Deus) se apresenta no espaço-tempo, e por isso, se “evolução” subentende que o espírito, a alma e a razão são produtos de uma evolução, então o termo “evolução” não representa qualquer problema.

Mas se o termo “evolução” for entendido em termos meramente materialistas (conforme a síntese moderna do darwinismo), então, o facto da verificação da autoconsciência e a possibilidade de acesso à dimensão das verdades perenes, destrói este quadro e esta mundividência evolucionários — e, neste último caso, não sou evolucionista.

“A teoria evolucionista/darwinista é um mito — assim como o criacionismo bíblico é um mito — porque é impossível explicar a mutação das formas.” – Eric Voegelin

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