perspectivas

Quinta-feira, 18 Agosto 2016

O Partido Socialista vai implementar o cagómetro

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 9:09 am
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“O Governo quer que o Fisco passe a ter acesso às contas bancárias de todos os cidadãos, já a partir de 2017, mesmo que estes não sejam suspeitos ou culpados de qualquer delito fiscal. No entanto, a Comissão Nacional de Protecção de Dados considera que, a concretizar-se, esta intenção será ilegal, avança hoje o Jornal de Notícias.”

Fisco quer ter acesso a todas as contas bancários. Comissão diz que é ilegal


cagometro-webO cagómetro é um dispositivo acoplado à sanita que mede a quantidade de vezes que o cidadão evacua em sua própria casa.

No sentido de melhorar a qualidade da alimentação dos portugueses, poupando, ao mesmo tempo, dinheiro em cuidados de saúde (ou seja, para o bem dos portugueses), o governo do Partido Socialista vai tornar obrigatória a instalação de um cagómetro em cada sanita dos lares portugueses.

Conforme o número de membros da família, o cagómetro estabelece a média da cagação familiar e define coimas se essa média ultrapassar as duas vezes por dia. No entanto, esta medida da geringonça está a gerar polémica porque há quem diga que vai começar a cagar no penico e a despejar no quintal do vizinho; e os portugueses que vivem na fronteira com Espanha já dizem que irão cagar a Espanha.

Domingo, 14 Agosto 2016

A insustentável leveza do intelecto moderno

 

O Carlos Fiolhais diz que “o ser humano é o mais infinito dos macacos”, e, vindo dele esta ideia, por um momento quase acreditei que ele dizia a verdade!.

darwin macaco webBaseia-se ele na ideia segundo a qual um macaco, teclando numa máquina de escrever durante um “tempo infinito”, acabaria por exemplo por escrever “Os Lusíadas”. Neste caso, segundo o Carlos Fiolhais, o Luís de Camões seria um exemplo do “mais infinito dos macacos”.

A ideia de “tempo infinito” é auto-contraditória ou absurda, porque a noção de “infinito” não é idêntica à noção de “eterno”. O macaco do Carlos Fiolhais (salvo seja) poderia eventualmente ser eterno no tempo, mas ser infinito é uma singularidade que está para além do tempo. Poderíamos falar de um macaco teclando eternamente em uma máquina até conseguir escrever “Os Lusíadas” — mas nem isto seria possível porque o tempo não é eterno, na medida em teve um início no Big Bang.

Um dos erros dos românticos e dos idealistas do século XIX foi a confusão entre “infinito”, por um lado, e “eterno”, por outro lado (eliminando-se assim a transcendência, e reduzindo-se toda a realidade à imanência). O intelecto dos homens modernos tornou-se insustentavelmente leve. Por isso é que não me admiro que o Carlos Fiolhais faça uma comparação entre um ser humano e um macaco. A ideia não é a de valorizar o macaco (comparado-o com o ser humano): em vez disso, a ideia é a de desvalorizar o ser humano (como faz o Peter Singer, entre outros); o ser humano tornou-se-se o principal inimigo ontológico do ser humano.


A nossa língua utiliza um código (alfabeto), e se escrevermos as letras “ABC” de uma forma repetida ao longo de 1.000 páginas, por exemplo, teríamos um padrão regular, altamente ordenado e previsível (que é como o que é produzido pelas leis da Natureza); mas se analisarmos “Os Lusíadas”, verificamos um padrão irregular nas letras do alfabeto utilizadas, o que significa uma enorme quantidade de informação. Para produzir essa informação é necessária uma coisa que se chama “inteligência”.

A ideia implícita do Carlos Fiolhais segundo a qual não seria absurdo que um macaco, teclando eternamente, acabaria por escrever “Os Lusíadas”, advém da constatação lógica de que a vida não surgiu por acaso — a não ser que acreditemos (uma crença contra toda a lógica) de que a vida terá surgido por puro acaso — como o macaco que tecla eternamente acaba por escrever “Os Lusíadas”. Temos, portanto, cientistas que acreditam no “acaso” porque a crença (mais consentânea com a lógica) em uma inteligência criadora superior, é-lhes absolutamente repugnante.


Mesmo que fosse possível ao macaco teclar eternamente para escrever “Os Lusíadas”, há um limite máximo para o conhecimento — ou seja, a ideia positivista segundo a qual o conhecimento humano ou do macaco não tem limites, é própria de gente com uma insustentável leveza de intelecto.

O biofísico Alfred Gierer chamou à atenção para uma dificuldade particular: a densidade média da matéria no universo foi calculada com base em medições astrofísicas, e aquela é da ordem de uma partícula elementar longeva [protão, neutrão, electrão, etc.] por metro cúbico; considerando a dimensão do universo, resulta daí um número total de cerca de 10^80 (1 seguido de oitenta zeros) de partículas no universo.

Se multiplicarmos este número (10^80 ) pela idade do universo: 20 mil milhões de anos-luz = 10^40 (1 seguido de 40 zeros) períodos elementares [período mínimo de estabilidade de partículas elementares], obtém-se o número 10^120 (1 seguido de 120 zeros) que corresponde à constante cosmológica da natureza (que se designa pelo símbolo Λ).

Este número Λ representa o limite superior lógico para o trabalho de cálculo de um computador cuja dimensão e idade seriam iguais a todo o universo, que efectuasse cálculos ininterruptamente desde o início da sua existência, e cujos elementos constitutivos fossem partículas elementares longevas individuais.

Portanto, podemos dizer que Λ é o "máximo excogitável" do universo, como é também o máximo da realidade da existência do universo ― nada é possível, em termos do espaço-tempo, acima de Λ.

Assim, a teoria do conhecimento finística de Gierer refere que, do número máximo de operações realizáveis no cosmo (porque o cosmo ou universo, não é eterno), resulta como consequência para a teoria do conhecimento o facto de o número de passos na análise de problemas também ser, por princípio, limitado — sejam eles passos mentais ou passos de processamento de informações através computador. Sobretudo é limitado, por princípio, o número das possibilidades que podem ser verificadas sucessivamente, uma a uma, para comprovar ou refutar a validade universal de uma afirmação. Gierer refere-se aqui estritamente ao Homem inserido no universo (ou ao macaco do Carlos Fiolhais ) ou mundo do senso-comum, como é óbvio. Gierer estabelece o limite máximo do conhecimento possível no mundo macroscópico na constante cosmológica do universo: 10^120.

Portanto, o macaco do Carlos Fiolhais, mesmo que fosse tão inteligente como o negro Abdul Majeed Wakaso (e depois “a Direita é que é racista!”) da estória do Marmelo, ele chegaria a um limite máximo de operações realizáveis na máquina de escrever em que atingiria a constante cosmológica do universo. A origem da informação complementar inteligente teria que vir de Além do espaço-tempo.

Sexta-feira, 12 Agosto 2016

O Islão não tem solução

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:41 am
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Um tal Guilherme Valente escreve no Observador, começando por dizer que “não há dois Islãos”; mas na segunda parte do texto diz que há muçulmanos que “pretendem viver um Islão pacífico e tolerante”. Ou seja, parece que há aqui uma contradição, porque, ou há dois Islãos, ou não.

islam-evolution-webA primeira vez que li o Alcorão fiquei impressionado, para não dizer horrorizado. O Alcorão é exactamente a antítese do Novo Testamento cristão. Os muçulmanos que “pretendem viver um Islão pacífico e tolerante” pretendem apenas ser seres humanos normais, com uma religiosidade natural independente dos ditâmes do Alcorão. Um muçulmano “pacífico e tolerante” é alguém que, no seu íntimo, desvaloriza, até certo ponto, o Alcorão.

Um erro comum dos intelectuais ocidentais é o de acreditar que é possível reformar o Islão sem mexer no Alcorão (mantendo intacto o Alcorão).

Durante séculos, a turba analfabeta da Mafoma seguia os líderes espirituais maomedanos literatos, ou seja, seguia as interpretações politicamente convenientes do Alcorão e dos Hadith (a tradição) que passavam dos literatos para o povo analfabeto. A partir do momento em que o povo mafamético aprendeu a ler e a escrever, os literatos perderam o controlo da situação e o Alcorão passou a ser interpretado ad Litteram, como seria de esperar.


Hoje sabemos, devido a estudos aturados de muitos biblistas, que algumas passagens de algumas epístolas de S. Paulo não fora escritas por ele. As chamadas epístolas “deuteropaulinas” não foram escritas por S. Paulo, a ver:

  • Efésios, Colossenses, 2 Tessalonicenses, 1 Timóteo, 2 Timóteo, Tito.

As que não fazem parte desta lista foram mesmo escritas por S. Paulo. Porém, mesmo nas que se demonstrou terem sido escritas por S. Paulo, existem as chamadas “interpolações”, como por exemplo em 1 COR 14, 34-35 — ou seja, esta passagem de Coríntios 1 não é de S. Paulo. As “interpolações” têm origem em notas marginais que os escribas mais tarde incorporaram no próprio texto, inserindo-as em alguns casos em um determinado lugar, e noutros casos, noutro lugar.

Portanto, e por exemplo, a subordinação ontológica da mulher em relação ao homem (1 COR 14, 34-35) não é (comprovadamente) da autoria de S. Paulo, e esta passagem foi convenientemente acrescentada mais tarde em função dos costumes vigentes na época.

O mesmo não se passa no Alcorão. O Alcorão é uma peça única que não pode ser desconstruída ou alterada sem que a religião islâmica seja destruída.

Quinta-feira, 11 Agosto 2016

Leandro Karnal é o exemplo da poesia que substitui hoje a filosofia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:05 pm

 

 

Que um individuo diga que não tem fé ou que diga que não tem religião, devemos respeitar não aceitando — porque a ausência de fé é em si mesma uma espécie de fé (uma crença), e a negação da metafísica é uma forma de metafísica.

Mas o que aborrece nestes intelectuais de pacotilha é o discurso redondo (um discurso que tenta iludir a sua própria redundância através de uma prosa poética), por um lado, e por outro lado um discurso que tenta transmitir aquilo que uma determinada categoria de pessoas bem-pensantes pretende ouvir — um discurso encomendado, politicamente correcto, conforme os ditâmes do Zeitgeist e da ruling class que controla o mundo.

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Segunda-feira, 1 Agosto 2016

O realismo do reaccionário

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 10:39 am

 

O reaccionário não procura andar para trás no tempo: em vez disso, procura mudar de direcção. O passado está morto e enterrado; o futuro a Deus pertence.

Do passado, o reaccionário colhe a Tradição, mas não o reifica porque isso seria uma ucronia e uma impossibilidade objectiva; mas ao procurar mudar a direcção dos acontecimentos presentes, o reaccionário reafirma a sempiterna noção segundo a qual os problemas fundamentais do ser humano não têm solução humana.

Domingo, 31 Julho 2016

A inversão democrática da relação entre a Autoridade e o Poder

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 1:22 pm
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“Cum potestas in populo auctoritas in senatus ist” → Cícero.

(“O poder está no povo, e a autoridade está no senado”).

Isto era no tempo dos romanos. Hoje é o contrário: o poder está no senado e a autoridade está no povo. Mas como o povo está dividido, a Autoridade é difusa e quase extinta.

Diz o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada: “Casa roubada? Porta escancarada!”

 

Sai a notícia nos jornais segundo a qual uma dúzia de portugueses foram apanhados a roubar bicicletas em Amesterdão. ¿Será que todos os portugueses na Holanda são ladrões de bicicletas? Claro que não! O bom-senso diz-nos que não devemos generalizar. Mas, se eu fosse holandês, e se me visse perante um português na rua, eu colocaria um cadeado na minha bicicleta; chama-se a isso “prudência”, que também faz parte do “bom-senso”.

Mas o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada diz que eu não tenho razão.

Sendo eu holandês, e perante um português qualquer identificado por mim na rua, diz o Padre Portocarrero de Almada que eu devo sempre confiar que esse português (que eu não conhecia) não é um ladrão de bicicletas; e por isso, perante a sua presença, eu não devo colocar o cadeado na minha bicicleta. E se eu não confiar a segurança da minha bicicleta na presença do tal português, sou um holandês xenófobo (diz o Gonçalo Portocarrero de Almada).

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O povo diz que “casa roubada, trancas à porta!”; o Padre Portocarrero de Almada diz que o povo (e eu também) é burro: o ditado deve ser alterado: “casa roubada, porta escancarada” — porque ele (o Padre) é que o licenciado em direito e filosofia; ele tem dois alvarás de inteligência. G. K. Chesterton tinha razão quando escreveu que “sem a educação e o ensino para todos, somos colocados numa situação horrível e de perigo mortífero de termos que levar a sério as pessoas cultas” (que são as tais que têm alvarás de inteligência).

Ou seja, o bom-senso é reaccionário, xenófobo, “fassista”, homofóbico, sexista, racista, etc.. E o senso comum deve ser contrário ao bom-senso; o princípio natural da auto-conservação deve ser abolido.

que sorte nazis web

Eu não vou aqui entrar na análise das comparações que o Padre Portocarrero de Almada fez entre a Jihad, por um lado, e Hitler e Mao Tsé Tung, por outro lado — porque são absurdas. Poderei fazê-lo noutro verbete, porque, como escreveu Olavo de Carvalho, “a mente humana é constituída de tal forma que o erro e a mentira podem sempre ser expressos de maneira mais sucinta do que a sua refutação. Uma única palavra falsa requer muitas para ser desmentida.”

Sábado, 30 Julho 2016

É difícil entender o arquétipo mental da Raquel Varela

 

Por juízo universal (ver), dizemos que “a mulher e o homem são diferentes”. É claro que há mulheres e mulheres, e homens e homens: por isso é que falamos em juízo universal, conceito que o nominalismo radical do politicamente correcto tem imensa dificuldade em apreender.

“A pergunta é: será que para se ter o apoio das pessoas progressistas basta ser mulher? Mulher e negra?”Raquel Varela

¿O que é uma “pessoa progressista”? Ou antes, ¿o que é o “progresso”?

A experiência diz-nos o seguinte: só existe progresso, propriamente dito, na ciência. Mas, quando os factos parecem dar razão à tese de uma necessidade interna do progresso científico, esta necessidade começa a aparecer como uma obrigação (cientismo) que é preciso conseguir dominar.

Ou então existe de facto “progresso” na evolução da pessoa enquanto indivíduo (até Proudhon defendeu esta ideia!).

Em termos de sociedade, do que podemos falar não é de “progresso”, mas antes de “civilização”, que pode mais ou menos agradável ao nosso gosto.

A civilização é o conjunto de fenómenos sociais de ordem religiosa, moral, estética ou técnica e científica, que determinam o estado dos costumes e conhecimentos de uma sociedade. O conjunto coerente de regras, saberes e crenças que correspondem a uma determinada civilização, não podem ser hierarquizadas numa escala de “progresso”.

Talvez o que a Raquel Varela pretende dizer com “progresso” é a defesa de um tipo diferente de civilização. Mas então que fale claro e em uma “civilização diferente” (e explique qual é), e deixe de conceber o “progresso” como uma lei da Natureza e da História.

O terrorismo e a singularidade islâmica

 

“As sociedades europeias / ocidentais são hoje muito diversas face à realidade de há meio século atrás. Abandonaram a ideia de uma cidadania culturalmente homogénea, a qual foi substituída por uma cidadania multicultural. O ideal é apreciável, especialmente face aos excessos nacionalistas do passado e a modelos de cidadania pouco inclusivos. Parece em sintonia com a diversidade do mundo globalizado. Mas enfrenta um problema delicado.

Entre as elites políticas, empresariais, académicas e artísticas emergiu uma cidadania cosmopolita e multicultural. Na grande maioria da população a ideia não teve ressonância. O principal quadro de referência continua a ser o Estado-nação, como se viu na crise da Zona Euro”.

O Daesh cresce no multiculturalismo de gueto na Europa


O conceito de “elite” é hoje pejorativo; a elite é hoje uma espécie de classe kitsch ou filistina cujos membros aparecem amiúde nos me®dia e que se regulam por um utilitarismo básico e bacoco a que chamam de “cosmopolitismo”.

Em vez de “elite”, adoptemos o conceito de “escol” segundo o critério de Fernando Pessoa: um escol é tanto mais perfeito quanto mais diferente é do resto da população em grau de tudo; quanto mais está, contudo, unido a esse resto da população por um interesse nacional; e na acção que tem sobre esse resto da população.

O escol não significa uma classe de pessoas, mas antes é uma série de indivíduos. Pode pertencer ao escol um rico ou um remediado e até um indivíduo despojado (como foi Agostinho da Silva), um intelectual ou um artista, um industrial ou um operário. Um membro do escol não frequenta necessariamente o Jet7 e a figuração pública, e a maioria prefere até o recato da privacidade.

As condições auxiliares do escol: a aristocracia de sangue, pois estabelece a cisão no país; segundo Fernando Pessoa, um país democratizado baixa imediatamente o nível do escol. A aristocracia não é estritamente necessária, mas ajuda. São condições biológicas do escol: não intervenção do Estado em matéria biológica ou demótica. Condições económicas do escol: regime concorrencial o mais apertado possível.


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A tese do “gueto islâmico na Europa” (conforme vemos no texto) que pretende explicar o terrorismo islâmico, é própria do Romantismo positivista do século XIX que voltou a estar na moda.

Para os românticos, o erro humano não é do domínio da psicologia, mas antes decorre do padrão de valores de uma sociedade; desde logo, a culpa do erro do indivíduo é da sociedade entendida de uma forma quase abstracta. O Positivismo é o romantismo na ciência que alimenta o laicismo radical actual das elites que transformam a ciência em uma religião (o Positivismo é uma metafísica): é a Religião da Humanidade de Augusto Comte que voltou a estar na moda depois da queda do muro de Berlim.


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Conforme constata o texto referido, o problema do terrorismo islâmico escora-se na diferença radicais entre culturas; mas a cultura tem pressupostos metafísicos e éticos.

Por exemplo, existem na Europa comunidades de siques ou comunidades de budistas, mas não vemos os membros dessas comunidades a cometer actos de terrorismo. São os tipos de metafísica e de ética que determinam a forma de uma determinada cultura antropológica e a sua psicologia.

A sociedade europeia actual é herdeira do Cristianismo que, desde as suas origens, separou o Poder político e a religião (“Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”). Esta separação entre o Estado e a religião marcou a metafísica e a ética cristãs e, por isso, determinou um padrão cultural comum a quase todos os povos da Europa ocidental.

A metafísica islâmica tem como consequência, na ética e na política, exactamente o oposto da cristã: defende a teocracia, ou seja a fusão do Estado e da religião, e neste sentido é uma ideologia política, e não uma religião propriamente dita.

Esta diferença cultural entre o Cristianismo e o Islamismo é impossível de ultrapassar, porque tem origem na metafísica que marca indelevelmente uma mundividência (a ética e a cultura antropológica). A única forma de “secularizar” o Islamismo é a repressão cultural do Islamismo — o que iria contra a ideologia dos direitos humanos e contra a Religião da Humanidade. Portanto, a solução do problema do Islamismo é o de o confinar (dentro do possível) aos países de origem, por um lado, e por outro lado regular os fluxos de imigração islâmica para a Europa.

A partir de um certo patamar de influência na sociedade, a comunidade islâmica tende a exigir uma lei separada para ela — a Sharia, ou lei islâmica. Nestas condições estão, para além da França, a Suécia, a Inglaterra, a Bélgica e a Holanda.

A partir de uma determinada percentagem de muçulmanos (digamos, 10%) em relação à população total em uma sociedade europeia, surge o fenómeno da “singularidade islâmica1, que é o ponto através do qual a sua influência se começa a aproximar do infinito. É preciso que se note que a intenção do Islão não é só a conversão dos infiéis; é sobretudo a imposição da lei da Sharia em todo o mundo, independentemente da fidelidade ou não fidelidade ao Islão.

A partir dos 10% do total da população, começa uma guerra civil autêntica, como acontece na Índia (14%), Israel (16%), Rússia (15%), Etiópia (33%). A partir dos 40% começam os massacres em massa contra as populações não-islâmicas, como na Bósnia (40%), no Chade (53%), ou no Líbano ( 60%). A partir dos 60% começam as limpezas étnicas e a aplicação do imposto islâmico (Jizya) — Iraque, Malásia, Catar, Sudão…E por aí fora.


Nota
1. Em termos matemáticos, uma “singularidade” é o ponto em um determinado domínio de uma função no qual o valor da função se torna indefinido. Em uma singularidade típica, a função “aponta para o infinito”, ou seja, na área em torno da singularidade o valor da função aumenta à medida em que este se aproxima daquela ― quanto mais próximo da singularidade, maior é o valor; quando o valor chega à singularidade, torna-se infinito. Em termos da lógica, a singularidade aponta para o absurdo de uma função.

Na astrofísica, o buraco-negro é também referido como uma “singularidade”. Quando a matéria de uma estrela em fim de vida é comprimida para além de um terminado ponto — conhecido como “radius de Schwarzchild” —, torna-se impossível a alguma coisa escapar à sua gravidade, produzindo um ponto de massa de uma “densidade infinita”. Na singularidade, as leis da Física (e da ciência em geral) deixam de ser aplicáveis.

Sexta-feira, 29 Julho 2016

A União Europeia e o materialismo marxista

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 9:33 am
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O materialismo marxista do século XIX (conforme a 1ª Internacional) tinha três características principais:

  1. a negação de Deus;
  2. a negação da pátria;
  3. a negação da propriedade privada.

A Constituição da União Europeia (o Tratado de Lisboa) difere dessas três características do materialismo marxista apenas no ponto 3.

Portanto, a Esquerda marxista europeia já teve sucesso em dois pontos essenciais: 1/ a negação do papel fundamental da religião na sociedade e na civilização; 2/ a negação da pátria como lugar da nação que é fundamental para a instituição da democracia.

A luta da Esquerda marxista é agora restrita à limitação ou mesmo negação da propriedade privada. Sem Deus e sem pátria, a vitória da Esquerda marxista é certa.

Quinta-feira, 28 Julho 2016

Papa Chico: um enorme erro de casting

 

Quem elegeu o papa Chiquinho bem pode limpar as mãos à parede. A culpa não é dele: é dos cardeais que o elegeram; e não me venham falar do Espírito Santo: é política pura e dura!

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Quando Chico fala dentro de um avião, ou entra mosca ou sai asneira. Durante a viagem para a Polónia, o Chico afirmou, a propósito da degolação do Padre Jacques Hamel, que “todas as religiões querem a paz”.

Para além de o Chiquitito não se ter pronunciado directa e pessoalmente acerca do assassínio do sacerdote (remeteu para um comunicado do Arcebispo de Rouen), não teve em consideração o exemplo do Iraque (entre outros países): dos cerca de 3 milhões de cristãos que existiam no Iraque há apenas 10 anos, restam cerca de 400 mil. Se isto não é uma guerra religiosa, então o Chico é um Imã da Mafoma.

Este papa é o pior desastre que poderia acontecer à Igreja Católica. Pior do que aquela criatura é difícil de imaginar.

O Ocidente ainda não percebeu o arquétipo mental do muçulmano comum

 

Os me®dia franceses (com excepção do Le Figaro) pretende tornar anónimos os terroristas islâmicos, não publicando os nomes e as fotos dos terroristas.

Em termos objectivos, o que resulta desta decisão dos me®dia (patrocinada pelo governo de François Hollande e pela maçonaria) é que o público, em geral, deixará de saber se um ataque terrorista é islâmico ou de outra índole qualquer; e aumentará a informação paralela (nos blogues), e proliferarão as teorias de conspiração.

Por outro lado, a Justiça não funciona da mesma maneira que os me®dia. Logo que uma investigação judicial é lançada, a Justiça não pode esconder os nomes dos arguidos no processo.

Parte-se de um princípio errado — o de que a não divulgação dos nomes e das fotos dos terroristas terá um efeito preventivo nas futuras acções de terror. O princípio está errado porque o que interessa aos mentores do terrorismo islâmico é o terror real (concreto, físico) causado nas comunidades de que são alvo; a divulgação, nos me®dia, desses actos (o terror virtual) tem uma importância secundária para os mentores do terror, até porque os islamitas têm canais próprios de difusão de informação.


Os me®dia ocidentais dizem amiúde o seguinte: “O terrorismo mata mais muçulmanos do que não-muçulmanos, e, por isso, o terrorismo islâmico não tem como alvo apenas os não-muçulmanos”.

jacques-hamelEsquecem-se do seguinte: segundo o Alcorão, todos os muçulmanos sunitas que são vítimas inocentes da Jihad têm entrada directa do paraíso com as suas 72 virgens. Se o atentado terrorista de Nice matou muçulmanos sunitas, estes (segundo o Alcorão) já estão no paraíso na companhia das 72 virgens; e portanto, a morte de muçulmanos sunitas inocentes, durante a Jihad, é justificada pelo Alcorão. A morte de muçulmanos sunitas inocentes, durante a Jihad, até é vista pelo Alcorão como um facto positivo.

É esta inversão da cultura europeia que confunde o Ocidente: o verdadeiro catolicismo não pretende o martírio (ao contrário do que acontece no Islamismo): para o católico, o martírio é um mal que a comunidade católica terá que aceitar a contra-gosto. Os católicos vêem o assassínio do Padre Jacques Hamel como um mal, não obstante o martírio; mas se o cidadão Jacques Hamel fosse muçulmano, o seu martírio seria visto pela comunidade muçulmana como um bem.

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