perspectivas

Domingo, 30 Agosto 2015

A logomaquia* do Ludwig Krippahl

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 3:26 pm
Tags:

 

“Barbear-me, mudar fraldas aos filhos, vestir calças, usar o cabelo curto e cozinhar são alguns de milhares de aspectos mais ou menos públicos da minha identidade que constituem o meu género. O meu género não é um pénis. Isso faz parte do meu sexo e faço por não andar com ele à mostra.

Almada é (presumo) do mesmo sexo que eu. Mas não é do mesmo género. Não há nomes para distinguir os nossos géneros mas é óbvia a enorme diferença de género entre nós. Eu tenho filhos, nunca usei saias, vivo com uma mulher e encaro a castidade mais como um problema a resolver do que como uma virtude. Almada e eu temos uma forma muito diferente de viver o mesmo sexo e de nos identificarmos com o sexo que temos. É isso que distingue os géneros.”

Ludwig Krippahl


Temos aqui em baixo algumas imagens de pessoas do mesmo sexo do Ludwig Krippahl, mas que não são do mesmo género dele.

generos

Por exemplo, Leibniz: não se casou (nem com homem, nem com mulher), nem consta que tivesse filhos; aquela roupa efeminada de Leibniz, com punhos de renda e uma cabeleira postiça, não condiz com o género do Ludwig Krippahl.

Ou John Locke, pelas mesmas razões: rendinhas de menina e peruca cabeluda.

E o Einstein, com aquele bigode farfalhudo e com aquele cabelo comprido e despenteado, certamente que não pertence ao mesmo género do Ludwig Krippahl. Já não falando em Sinatra, com aquele chapéu burguês e aquela gravata fascista: certamente que Sinatra não pertence ao mesmo género do Ludwig Krippahl.

Portanto, segundo o Ludwig Krippahl, sempre houve géneros, ou seja, sempre existiu a ideologia de género.


* Logomaquia.

Sábado, 29 Agosto 2015

Os animalistas e os direitos dos animais

 

Sexta-feira, 28 Agosto 2015

Ludwig Krippahl, a ciência e a moral — Parte II

Filed under: A vida custa,Ciência,Esta gente vota — O. Braga @ 8:26 pm
Tags: ,

 

Se eu vejo alguém dar um pontapé num cão e este gane, determinar se o cão sofreu ou não com o pontapé não é um problema científico: é uma questão metafísica e de intuição. A intuição diz-me o seguinte: se eu levar com um pontapé, também sofro; portanto, aplica-se aqui a regra de ouro: não faças aos outros o que não queres que te façam. A regra de ouro não tem nada a ver com a ciência: pertence à ética que se liga intrinsecamente à metafísica, que são partes da filosofia.

Mas o Ludwig Krippahl diz que não: diz que determinar se o cão sofreu ou não com o pontapé, é um problema científico. Já lá iremos; mas antes vamos desmontar um sofisma do Ludwig Krippahl: diz ele:

Na matemática, na lógica e na metafísica podemos estipular verdades por definição. Por exemplo, na álgebra da escola primária é verdade que 1+1=2, na álgebra de Boole a verdade é que 1+1=1 e nada nos impede de inventar uma álgebra na qual 1+1=3”.

O que o Ludwig Krippahl se refere é à chamada “álgebra da lógica”, expressão criada por volta de 1850 pelo matemático Boole para designar a sua própria construção da lógica dita “tradicional” sob a forma de símbolos matemáticos que a aproximam de um “cálculo de classes”, ou seja, de uma série de manipulações que obedecem a princípios de extensão ou de redução dos diferentes conceitos. A chamada “álgebra da lógica” de Boole foi mais tarde englobada naquilo a que chamamos hoje “logística”.

“Logística” é o termo adoptado no princípio do século XX para designar o conjunto de processos e sistemas que fundam a lógica como coerência de símbolos sujeitos a um número de regras fixadas e decididas livremente, sem referência aos hábitos intuitivos de significação nela referenciados e igualmente matematizáveis. A logística quer ser também o “jogo da escrita” comum às diversas ciências, incluindo uma lógica diferente da lógica “tradicional” — mas nada ainda provou que esta lógica “nova” não se reduz àquele “jogo da escrita”, de facto continuamente obrigado a ir buscar o fundamento dos seus exercícios à lógica dita “anterior” ou à experiência empírica.

(more…)

Quinta-feira, 27 Agosto 2015

O Ludwig Krippahl confunde noção e conceito

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 11:24 am
Tags:

 

“Braga alega também que «as pessoas de Esquerda — como é o caso do Ludwig Krippahl — têm horror às definições, porque as definições limitam o poder fáctico da ideologia política.» Mas eu não tenho horror às definições. Até aceito várias definições de pessoa. Definir termos é necessário para comunicar ideias. Mas, desde que a definição seja clara e não crie problemas desnecessários, está cumprido esse objectivo. Essa é uma das razões pelas quais rejeito que se fundamente a ética numa definição de pessoa. Mas há mais, como Braga, inadvertidamente, demonstra”.

Ludwig Krippahl

O Ludwig Krippahl diz que não tem horror às definições; pelo contrário, diz ele, até aceita várias definições de uma mesma coisa.

A definição é o enunciado das características que permitem delimitar ou reconhecer um conjunto qualquer de coisas, de seres, ou de qualidades. A definição de uma coisa estabelece a noção dessa coisa. Por exemplo, a noção de ser humano: “um animal bípede, racional, dotado de linguagem e de inteligência”.

Para o Ludwig Krippahl há várias noções de “pessoa”, o que significa que não existe uma definição precisa de “pessoa”: por exemplo, podemos até, em tese, dizer que a noção de “pessoa” inclui a categoria dos canídeos.

Ou seja, segundo o Ludwig Krippahl, se defendermos a tese segundo a qual existem 10.000 noções de pessoa, isso não significa que tenhamos horror às definições: pelo contrário, se aceitarmos que existem 10.000 definições de pessoa, somos a favor das definições.

O Ludwig Krippahl confunde “conceito”, por um lado, com “noção” (definição), por outro lado.

O conceito de “pessoa” pode incluir todas as divagações ideológicas do Ludwig Krippahl, a ponto de ele escrever uma biblioteca inteira sobre o assunto. Mas a noção de “pessoa” só pode ser essencialmente uma: o que pode acontecer é que essa noção esteja errada.

Quarta-feira, 26 Agosto 2015

Ludwig Krippahl, a ciência e a moral — Parte I

Filed under: A vida custa,Ciência,Esta gente vota — O. Braga @ 10:27 am
Tags:

 

Eu faço a seguinte afirmação: “Os dinossauros extinguiram-se há 65 milhões de anos”. Ou ainda outra: “o universo formou-se há 13,5 mil milhões de anos (luz)”. Estas afirmações são científicas. ¿Mas estarão correctas a 100%? O Ludwig Krippahl diz que sim:

“As mesmas equações que usamos para determinar onde a Lua vai estar na próxima semana também servem para saber onde esteve na semana passada e todos os dados que a ciência usa são históricos, seja o resultado da experiência de ontem, seja a luz que saiu de uma galáxia distante há dez mil milhões de anos”.

Karl Popper, que comparado com o Ludwig Krippahl é uma merda, escreveu o seguinte:

“As nossas teorias científicas, por melhor comprovadas e fundamentadas que sejam, não passam de conjecturas, de hipóteses bem sucedidas, e estão condenadas a permanecer para sempre conjecturas ou hipóteses”.

Como é evidente, a maioria das pessoas acredita mais em Ludwig Krippahl do que em Karl Popper.


Vamos ver, por exemplo, as leis da gravidade: primeiro, temos que nos abstrair de alguns factores, como por exemplo a forma e a cor dos objectos, ou a resistência ao ar. Ou seja, abstraímo-nos de qualquer caso real na natureza observável na Terra, simplificando consideravelmente as condições. Uma vez compreendidas as condições no vácuo, elas permitem então (juntamente com outros princípios) a compreensão da queda dos aviões, ou das folhas, por exemplo.

folhas-outonoImaginemos uma floresta de folhagem caduca, no Outono. Com o vento, as folhas vão caindo. A ciência pode tentar compreender e prever o local da queda das folhas. O Ludwig Krippahl diria o seguinte: “É errado alguém dizer que nunca a ciência compreenderá a combinação da queda das centenas de milhares de folhas”. Ele tem razão por um lado, mas não a tem por outro lado.

Em princípio, a Física tem as folhas em redemoinho sob controlo, ou seja, o processo pode ser compreendido como um caso concreto (nominalismo) de um pequeno número de princípios gerais. Mas, por outro lado, precisamos de ter em conta o facto de esta compreensão fundamental não poder impedir que um físico não possa descrever a trajectória de uma folha, senão de uma forma aproximada. No entanto, esta forma aproximada é tão geral que também é possível prever como as folhas cairiam na Lua.

Em suma: para que seja possível formular leis a partir das observações científicas, é preciso simplificar e criar modelos que constituam uma abstracção da complexidade da realidade. Os modelos, todavia, constituem aproximações à verdade do fenómeno a investigar, sem que possam, como é evidente, chegar alguma vez a compreendê-la completamente. Por isso é que dizemos que “a ciência não explica: em vez disso, descreve”.

Portanto, ficou aqui reduzida ao absurdo a ideia do Ludwig Krippahl segundo a qual “a ciência pode determinar o que é historicamente verdadeiro”.


“A mente humana é constituída de tal forma que o erro e a mentira podem sempre ser expressos de maneira mais sucinta do que a sua refutação. Uma única palavra falsa requer muitas para ser desmentida.” — Olavo de Carvalho

Em uma segunda parte, falarei do resto da treta do Ludwig Krippahl.

Sábado, 22 Agosto 2015

Donald Trump

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 10:22 am

 

Em tudo na vida são precisas as boas maneiras. Li numa revista inglesa um artigo que contava como em plena orgia sexual, um indivíduo nu e com uma erecção pinacular teve a preocupação de se dirigir ao dono da festa para lhe agradecer a hospitalidade. Até numa orgia são necessárias as boas maneiras.

Há em Trump algumas boas ideias, mas as maneiras como as exprime são desastrosas.

Se o politicamente correcto é uma espécie de burocracia da mente, não devemos encontrar o antídoto para ele na burrocracia da mente.

Sexta-feira, 14 Agosto 2015

Os ateus e os calvinistas: um problema idêntico

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 3:37 pm
Tags: , ,

 

Recebi o seguinte comentário de um “cristão” de uma seita herdeira do Calvinismo:

“Animal quadrúpede, o que eu disse foi que o materialismo veio antes do esquerdismo, e estava presente, por exemplo, no atomismo da Índia antiga e em Demócrito; podemos concluir com isso que essa perspectiva está presente em diversas culturas em maior ou menor grau; o materialismo que herdamos do século 21 é herança da Igreja Católica (principalmente pós Renascimento), quando a Igreja deu às costas para Mística Cristã; não tenha o trabalho de publicar o meu comentário, porque não lerei mais seu blog. Boa sorte com suas fantasias.”


“Em verdade, nada sabemos de nada, pois a opinião vem de fora para cada qual. É preciso conhecer o Homem com este critério: que a verdade fica longe dele.” — Demócrito 1


Definição:

Dizemos do “materialismo” que é o conjunto de doutrinas que não admitem outra realidade para além da matéria, sendo o pensamento e o espírito modalidades ou qualidades da matéria.

A palavra “materialismo” é equívoca: é muitas vezes utilizada com intenção polémica e em sentido pejorativo. Por exemplo, algumas seitas cristãs e a seita católica do “papa Francisco” dizem que “os ricos são materialistas apenas porque têm dinheiro”. A riqueza é identificada com o “materialismo”. Jesus Cristo nunca disse que era impossível a um rico entrar no Reino dos Céus: disse apenas que era difícil.

Dizer que Demócrito e/ou os atomistas eram “materialistas”, no sentido moderno, é um abuso, e revela a completa ignorância de quem tirou um cursinho online de filosofia e já julga que sabe tudo.

Os que mais se aproximavam do “materialismo” (no sentido moderno), na Grécia Antiga, foram os epicuristas 2. Quanto muito, podemos dizer que os atomistas (tal como Aristóteles) foram os precursores da ciência e do empirismo científico, o que não significa que tenham sido “materialistas”. Por exemplo, John Locke foi empirista e não consta que fosse materialista — no sentido moderno, “materialismo” identifica-se com “ateísmo”; nem Rousseau foi ateu e/ou materialista; e Voltaire era deísta, o que não é a mesma coisa que “materialista”. Nem mesmo Diderot se pode considerar propriamente materialista, porque defendeu um panteísmo lírico.

Para além dos epicuristas — que não eram propriamente “materialistas” no sentido moderno —, o materialismo propriamente dito surgiu na Idade Moderna. Podemos falar de materialismo em Helvetius, D’Holbach, La Mettrie, (materialismo mecanicista), Comte (Positivismo) David Hume, Bentham e os utilitaristas (Stuart Mill, por exemplo), a Esquerda Hegeliana (Feuerbach, Karl Marx, Engels), Neopositivismo, etc..

O materialismo (no sentido da definição supracitada) é uma característica da mente revolucionária (moderna) e do gnosticismo anti-cósmico (da Antiguidade Tardia com reflexos na modernidade), ou seja, é uma característica daquilo a que se convencionou, depois da Revolução Francesa, chamar de “Esquerda”.

Mente revolucionária = Esquerda.

A ciência não é “materialista”. O que pode acontecer é que uma grande parte dos cientistas sejam materialistas. De modo semelhante, e por analogia, não podemos dizer que a energia nuclear é boa ou má: depende do uso que fazemos dela. A ciência é eticamente neutra e escora-se na metafísica: por isso, é um absurdo dizer que a ciência é “materialista” ou “ateia”.

Eu sou um grande adepto da ciência porque esta procura a verdade — assim como a filosofia e a religião, embora de modos diferentes. A filosofia, a religião e a ciência não se opõem: complementam-se! Uma atitude anti-científica ou anti-religiosa revela uma mente obscurantista.

É tão um obscurantista um ateu como um calvinista fanático.

Por outro lado, a negação da matéria — por exemplo, o Imaterialismo de Berkeley, que é uma forma de Positivismo — ou o repúdio da matéria são características dos cristãos gnósticos modernos, de tipo calvinista nomeadamente.

A verdadeira doutrina católica — que não é a do “papa Francisco”, porque tem uma visão quase panteísta da Natureza — escorada na patrística e em Santo Agostinho, considera a Natureza (ou seja, aquilo a que se convencionou chamar de “matéria”, seja o que for que seja a “matéria” porque nem a ciência sabe bem o que é) uma criação de Deus, e por isso, uma realidade boa e positiva. Apreciar a Natureza (a “matéria”) e dar graças a Deus por ela, é uma característica do bom católico.


Notas
1. citado do Vol. I da História da Filosofia de Nicola Abbagnano, Editorial Presença, 1969, pág. 92
2. Epicuro interpretado por Lucrécio, nota bem!

Quarta-feira, 12 Agosto 2015

Um exemplo da acção social da Esquerda

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:03 am

 

Na Noruega, todos os dias e à primeira hora da manhã, um indivíduo defeca em um buraco de um campo de golfe. Há dez anos que o esquerdista chega bem cedo, entra no campo de golfe, escolhe um buraco a gosto, e caga dentro dele. Mas ele tem o seu critério: não caga em qualquer buraco; mas todos os dias caga em um buraco diferente, talvez por uma questão de afirmação da diversidade cultural. Isto de Segunda-feira a Sexta-feira; aos fins-de-semana dá folga ao terrorismo fecal.

A gerência do campo de golfe instalou um novo sistema de iluminação para demover o meliante; mas ele trepa a uma árvore e desliga as lâmpadas; e depois opera o seu ritual cagativo num buraco do desgraçado campo de golfe.

Estamos em presença de uma característica de esquerda: a obsessão pela defecação em local público, que revela um Transtorno Obsessivo Compulsivo. O esquerdista sente um impulso irreprimível para cagar em qualquer lugar público. Está perfeitamente consciente do que faz, tem uma ideia obsessiva mas é metódico, subversivo, segue um protocolo de tipo maçónico (só caga de Segunda a Sexta-feira) e muito preocupado com os detalhes da cagação pública.

O esquerdista é um indivíduo que, por qualquer razão, teve uma experiência negativa em relação à coisa pública; e por isso caga nela sistematicamente, expressando assim o seu Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Terça-feira, 11 Agosto 2015

Um exemplo da qualidade dos me®dia portugueses

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 1:03 pm
Tags: , ,

 

expresso

(via)

Quinta-feira, 6 Agosto 2015

O josé cabrita saraiva e o nome de deus

 

O josé cabrita saraiva escreve o seguinte no semanário SOL (que cada vez mais se aproxima de um pasquim):

“No fundo pouco importa se escrevemos ‘Deus’, ‘deus’ ou ‘dEUS’, com ou sem maiúscula. Isso é uma questão que só pode ter algum significado para os homens – dependendo do maior ou menor grau de respeito que queiram demonstrar.

Achar-se que se se está a ser provocador ou impertinente ao escrever ‘deus’ é também uma crença bastante ingénua. Algumas pessoas poderão sentir-se atingidas (como eu, quando vi o cartaz da banda belga), mas quanto ao próprio – o omnipotente, omnipresente, ‘criador do Céu e da Terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis’ – não deve estar propriamente preocupado com as nossas palavras. E muito menos se escrevemos ou não o seu nome com maiúsculas.”

Deus não precisa de maiúsculas

O deus cristão não tem outro nome senão “Deus”. Deus é nome próprio Dele. Ora, se o nome próprio de Deus passa a ser “deus”, então o josé cabrita saraiva terá que ser coerente e escrever o seu (dele) em minúsculas. Com o Acordo Ortográfico, não seria grande problema.

Quarta-feira, 5 Agosto 2015

O povo português é reaccionário — diz ele

 

Se, por exemplo, um indivíduo chega à conclusão de que não tem dinheiro para comprar um Ferrari, e por isso abstém-se de o comprar, então ele é um reaccionário — diz o Luís Osório. A definição de reaccionário segundo Luís Osório parece ser a seguinte:

“Um reaccionário é uma pessoa que leva a sério as limitações existenciais impostas pela realidade”.

O reaccionário Nicolás Gómez Dávila tem uma noção diferente de “reaccionário” :

“O reaccionário é aquele que não só tem um sentido apurado para detectar o absurdo, mas também tem um palato adequado para o saborear”.

O Luís Osório é um progressista. Para ele, por exemplo, se uma pessoa pensa que é o Napoleão, não é maluco: em vez disso, é progressista; os malucos não existem: a maluquice é uma construção cultural e social do povo reaccionário.

O psiquiatra Júlio Machado Vaz não concordaria exactamente com Luís Osório, porque o conceito de “progressista” visto desta forma seria ruinoso para o negócio da psiquiatria: Júlio Machado Vaz diria o seguinte: “somos todos malucos: só que há malucos reaccionários ou progressistas”.

Outro absurdo do Luís Osório é a premissa segundo a qual as elites (a chamada “ruling class”) tem geralmente mais razão do que o povo dito “reaccionário”. A História mostra-nos exactamente o contrário: o povo reaccionário tem geralmente mais razão do que as elites; Karl Popper, que era um liberal, por exemplo, corroborou esta experiência histórica.

Um liberal é um céptico (do tipo moderno de cepticismo, e não do tipo grego); basta lermos Hayek, por exemplo, para verificarmos nele a profunda influência de David Hume e dos marginalistas. Mas o cepticismo não implica necessariamente um pessimismo: há cépticos optimistas e até utopistas, como por exemplo Bertrand Russell; ou como os libertários de Esquerda em geral (nos quais se inclui o Luís Osório). O Luís Osório é um céptico optimista. O cepticismo não é incompatível com o optimismo, desde que seja um optimismo fundado na dúvida em relação ao poder da razão humana. O cepticismo optimista contemporâneo tornou a colocar a irracionalidade na moda.

Já o pessimismo, quando casado com a ironia, são características do reaccionário: “com bom humor e pessimismo, não é possível o equívoco e o enfado” — diria o bom reaccionário. O reaccionário é, por definição, “aquele que reage”. O povo reaccionário reage contra a loucura endógena das elites.

É falso que Passos Coelho seja um pessimista (como afirma Luís Osório). O Luís Osório raciocina assim: “aquele indivíduo pensa de maneira diferente da minha, ou pensa diferente dos utopistas de Esquerda; logo, ele é pessimista”. Não lhe passa pela cabeça que Passos Coelho possa ser optimista em função das ideias e da mundividência dele (de Passos Coelho). Não passa pela cabeça de Luís Osório que exista uma certa utopia optimista por entre os neurónios de Passos Coelho.

Sábado, 1 Agosto 2015

O problema não é o assédio sexual: é o de falta de boas maneiras

Filed under: A vida custa,Humor — O. Braga @ 11:03 am

 

boas maneiras“O presidente da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica, em Lisboa, é acusado de ter assediado sexualmente uma funcionária da autarquia, que entretanto se despediu e apresentou queixa contra António Cardoso na PSP.

Esta situação ocorreu, segundo a própria relatou ao PÚBLICO, durante alguns meses de 2014 e de 2015. Marta (nome fictício), que no início de Julho prestou declarações sobre o caso na Divisão de Investigação Criminal da PSP, conta que durante esse período António Cardoso manteve com ela “conversas porcas”, nomeadamente sobre a sua vida sexual, e comportamentos indesejados, como desapertar-lhe casacos, encostar-se a ela e, numa ocasião, beijá-la na boca.”

Autarca de São Domingos de Benfica acusado por funcionária de assédio sexual

O problema do autarca lisboeta é o seguinte: até durante uma orgia são necessárias as boas maneiras:

“The thing that sticks in my mind is the impeccable manners of the man with the huge erection trying to locate his host in order to thank him.”

Manners matter, even at an orgy

Confunde-se “assédio sexual”, por um lado, com “falta de educação”, por outro lado. Ou melhor dizendo: a falta de boas maneiras e o assédio sexual são a mesma coisa, mas a generalidade das pessoas pensa que são coisas diferentes. Desde que os homens ou mulheres tenham boas maneiras, não se pode falar em “assédio sexual”.

Página seguinte »

O tema Rubric. Create a free website or blog at WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 680 outros seguidores