perspectivas

Quarta-feira, 18 Janeiro 2017

Londres, 2017

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 7:12 pm
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Domingo, 15 Janeiro 2017

Boualem Sansal: "A França está no bom caminho para a total islamização".

 

Segunda-feira, 26 Dezembro 2016

Taqiya

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:16 pm
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Taqiya is an Islamic term referring to precautionary dissimulation or denial of religious belief and practice in the face of persecution. Another term for this concept, kitmān (lit. "action of covering, dissimulation"), has a more specific meaning of dissimulation by silence or omission.

Taqiya

 

 

Quarta-feira, 21 Dezembro 2016

Jesus não foi um profeta; Jesus Cristo é o Messias; e não é muçulmano

 

Uma criatura de Deus, que dá pelo nome de FARANAZ KESHAVJEE, escreveu o seguinte:

Jesus surge no Alcorão e nos Evangelhos (ditos) Muçulmanos como o Profeta do Amor; o Guia das virtudes cardinais: a Paciência, a Humildade, a Renúncia ao materialismo, o Silêncio. Jesus também aparece como o "obreiro dos milagres"; o "viajante"; o "arrependido"; o "Redentor". Jesus é para os muçulmanos o Selo dos Santos. Jesus, é o grande Sufi. Jesus também é muçulmano!”

Ora, segundo o Alcorão, Jesus é igual a Adão — Jesus é uma criatura adâmica.

“Jesus é, diante de Alá, igual a Adão, que criou do pó.” — Alcorão, III, 59

¿E o que nos dizem os Evangelhos do Cristianismo sobre Jesus Cristo?

“Jesus partiu com seus discípulos para as aldeias de Cesareia de Filipe. No caminho, fez aos discípulos esta pergunta: “Quem dizem os homens que Eu sou?” Eles responderam: “João Baptista; outros, Elias; e outros, que és um dos profetas”. “E vós, quem dizeis que eu sou?” — perguntou-lhes.
Pedro tomou a palavra e disse: “Tu és o Messias”. Ordenou-lhes, então, que não dissessem isto a ninguém.”

→ (Marcos, 8, 27 – 30) [Mateus 16, 13 -20; Lucas 9, 18 – 21; João 6, 67-71; Bíblia dos Franciscanos Capuchinhos].

A senhora FARANAZ KESHAVJEE está enganada, ou é mentirosa ( Taqiya ) : Jesus não é um profeta, como dizem eles que foi Maomé: Jesus Cristo é o Messias, e portanto não é igual a Adão (que Deus criou do pó). E não consta que Jesus Cristo fosse pedófilo, ou que defendesse a guerra santa e sanguinária contra os infiéis. Portanto, Jesus não é definitivamente muçulmano.

A santidade laica do Soromenho

 

Viriato Soromenho Marques revela, neste texto, uma das características do chamado “intelectual de esquerda”: a recusa da auto-crítica e a dificuldade em lidar com os factos provenientes da realidade. Lenine dizia que “os factos são teimosos”; a “esquerda intelectual” actual acrescenta: “mas nós ainda somos mais teimosos que os factos”.

“Com uma sinistra ironia, o camião assassino veio de oeste, da Kantstrasse – a rua que celebra o filósofo da "paz perpétua" -, galgou o lancil e varreu quase uma centena de metros de passeio, onde estava instalado o mercado natalício, para estacar à beira da rua de Budapeste. Escassos segundos para tanto sofrimento. Foi um ataque à generosa hospitalidade alemã para com os refugiados, em 2015. Mas aquilo que o camião assassino quis esmagar, derramando o veneno do medo com fria premeditação, é a capacidade de os europeus transformarem 2017 no ano de reencontro com o seu futuro comum. Contra a inteligência da solidariedade, o terror quer empurrar-nos para o caos da discórdia.”

Soromenho: “O nosso futuro atacado em Berlim”.

Há no Soromenho uma espécie de aura de santidade laica que o (auto)coloca acima do comum dos mortais; e essa santidade laica do Soromenho escora-se na negação da natureza humana — assim como os santos da Igreja Católica desafiavam o pecado, intrínseco à Natureza Humana. A diferença, talvez, é a de que os santos da Igreja Católica dependiam de Deus, ao passo que a santidade laica do Soromenho depende do conceito deificado e prometaico de “Humanidade” hipostasiado nele próprio: a realidade do Soromenho reduz-se ao mundo sub-lunar delimitado pelos satélites artificiais.

Qualquer cidadão com dois dedos de testa (com bom senso) sabia que a importação, por parte da Europa, de milhões de muçulmanos, não seria uma boa ideia. Mas o santo Soromenho acredita em milagres — não nos milagres de Deus: mas antes acredita nos “milagres” das ciências e das engenharias sociais que caracterizam o eunuco espiritual e intelectual de esquerda.

Domingo, 11 Dezembro 2016

A Esquerda aliou-se à Direita para legalizar a poligamia

Na Austrália, como acontece também em Portugal, uma mãe solteira recebe mais do Estado, por cada filho que tenha, do que se fosse casada. Portanto, compensa ser mãe solteira; e parece que o Estado incentiva a ausência do pai.

É sabido que, em alguns países de maioria islâmica, é normal que os muçulmanos pratiquem a poliginia; e existe uma substancial imigração muçulmana na Austrália. A SS (Segurança Social) australiana, no sentido de pagar menos por cada criança nascida de mãe muçulmana, assumiu tacitamente a legalização da poligamia para que assim poder pagar menos por cada criança de uma família muçulmana polígama.

“CENTRELINK is ignoring Islamic polygamy, paying spousal benefits to Muslim families with multiple wives in an effort to save taxpayers’ money.

The welfare agency has revealed it refuses to collect data on polygamous marriages under Islamic law, despite the fact some families are claiming to be living in a domestic relationship with more than one woman when claiming welfare”.

Centrelink ‘legalises’ multiple Muslim wives

foto-em-familiaVemos que, na origem da “legalização forçada” da poliginia,  estão três aspectos eruptivos da cultura ocidental:

1/ a ideia de esquerda marxista segundo a qual se deve beneficiar a mãe solteira em relação à mãe casada (Engels e o matriarcado);

2/ a ideia de direita liberal segundo a qual a poupança das despesas do Estado justifica qualquer atropelo à lei, ao senso-comum, ao bom senso e à cultura antropológica ocidental;

3/ a ideia da esquerda marxista cultural e da direita liberal segundo a qual os apoios do Estado às crianças são dadas a indivíduos, e não a famílias.

Portanto, para pagar menos à mulher por cada filho, a SS (Segurança Social) australiana reconhece tacitamente a legalidade da poliginia. Isto significa que várias mulheres vivendo sob o mesmo tecto maritalmente com um só e mesmo homem, todas elas recebem os subsídios “legais” do Estado como se fossem legalmente casadas com ele.

O problema está no ênfase dado pelo Estado ocidental ao indivíduo, desprezando a noção de família natural cristã que pressupõe uma igualdade no Direito Natural entre homem e mulher, por um lado, e por outro lado que a noção de família pressupõe o casamento segundo a civilização ocidental.

Quinta-feira, 1 Dezembro 2016

O Leonídio é burro que nem uma porta

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:46 pm
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Khadija_Arib“A Holanda juntou-se a França, Bélgica e Bulgária e está prestes a tornar-se o quarto país europeu a proibir a burqa e o niqab nos transportes e edifícios públicos.

(…)

É bem simbólico que a adopção da lei por 132 dos 150 deputados tenha sido anunciada por Khadija Arib, de origem marroquina e que preside o Parlamento. Trata-se de uma prova de que a Holanda é um país capaz de integrar os imigrantes, fiel, aliás, a uma tradição de tolerância religiosa que tem séculos e que beneficiou muito os judeus expulsos de Portugal.”

Nem burqa nem Niqab



Portugal expulsou os judeus, não por serem judeus (de raça judia, ou de religião judia), mas por serem hereges católicos.

A diferença da península ibérica (em relação ao resto da Europa) no tratamento dos judeus, residia no facto de os reis portugueses (D. João II e D. Manuel I) terem sido persuadidos a transferir o desejo de exterminação (normal já na Alemanha ou em Itália), para uma política de conversão compulsiva ao catolicismo, transformando assim um “problema de judeus” em um “problema de hereges” — o que levou à expulsão de hereges, e não de judeus de raça ou/e credo.

Oficialmente, o Reino de Portugal não expulsou judeus de raça ou credo: em vez disso, expulsou hereges católicos.


Se é certo que o Alcorão não fala especificamente em Burka ou Niqab (24:31), os Hadith (pregações do profeta) e a Sunna (actos do profeta) referem-se a ambas as vestimentas e recomendam o uso de ambas “conforme a consciência da mulher”.

Para que o leitor tenha uma ideia: o Alcorão (isto é uma analogia!) é uma espécie de Código Penal; os Hadith e a Sunna são uma espécie de Código de Processo Penal, ou seja, tornam mais específico, conciso e detalhado aquilo que é ambíguo ou impreciso no Alcorão (por exemplo, o versículo 24:31 do Alcorão).

Se seguirmos os Hadith e a Sunna, podemos afirmar que o Hijab, o Niqab ou a Burka são formas de vestir recomendadas pelo Islão (são todas recomendáveis e dependem apenas da consciência de cada mulher islâmica). Ou seja: a deputada holandesa de origem marroquina Khadija Arib não segue o Islão à risca.

Quarta-feira, 23 Novembro 2016

O Leopildo volta a atacar; a solução é um tirinho no animal

 

De vez em quando, o Leopildo ataca. Desta vez, acerca dos chamados “refugiados”.

“Enrico Letta diz na entrevista que publicamos nesta edição que a crise dos refugiados está para durar décadas, acha inadmissível a recusa de alguns países do Leste em aceitar estrangeiros, elogia Portugal pelo modo como tem sido solidário, tem enormes esperanças em António Guterres à frente da ONU para lidar com o drama e relembra que a grande maioria dos migrantes dos últimos tempos vêm do Afeganistão, do Iraque e da Síria, três países em guerra e com culpas atribuíveis ao Ocidente”.

Sem ter medo dos refugiados


Com esta gente, não servem argumentos racionais: a corja já só vai à bala!

1/ criam-se guerras locais ou civis (por exemplo, a “Primavera Árabe”, a mando da plutocracia internacional, George Soros e comandita) fora da Europa, para depois se justificar o acolhimento dos chamados “refugiados”.

Isto não é feito por acaso — e por isso é que o Leonardo, só à bala. Há uma intenção: a de acabar com as nações (sinificação), por um lado, e a de impôr a lei, a tradição e os costumes na base de Constituições forjadas discricionariamente por gente como a George Soros, Bilderbergers e a Trilateral. Há gente que pensa que é Deus em nome do “humanismo”, e o Leopoldo é um deles. Só à bala.

2/ o segundo argumento dessa cambada de mentecaptos (da laia do Leopildo), que pensa que a flexibilidade humana é infinita, é o da “baixa taxa de natalidade dos países europeus”.

Primeiro, os filhos-de-putas legalizaram o aborto discricionário e a pedido da mulher e pago pelo Estado; criaram cargas fiscais pesadas para casais com filhos; aliviaram a carga fiscal para as mães solteiras, cujas crianças muitas vezes têm pai incógnito; destruíram a família natural na cultura antropológica indígena. E depois, quando a taxa de natalidade da mulher europeia baixa em consequência da política suicida desses filhos-de-putas, dizem que é preciso importar imigrantes muçulmanos.

3/ o que se está a passar na Europa, com a autêntica invasão muçulmana (institucionaliza-se a violência muçulmana), passa ao lado do Leopardo. Esta gente serve-se da comunicação social para mentir descaradamente aos povos da Europa, são os lacaios de uma elite plutocrata com uma agenda política anti-humana e desumana. Só à bala.

Sábado, 22 Outubro 2016

O Anselmo Borges e a imanentização do éschatos

 

Convidar o Anselmo Borges para falar de “utopia” é a mesma coisa que convidar um obeso para falar de culinária, ou um convidar um “junkie” a falar sobre o consumo de drogas.

“As utopias têm duas funções fundamentais : por um lado, são crítica da situação presente e, por outro, impulso para transformá-lo, olhando para um futuro outro, numa sociedade livre e justa, de bem-estar para todos. Parte-se do princípio de que o ser humano é constitutivamente utópico, porque é um ser desejante e esperante, que aspira à felicidade. Por outro lado, se a utopia não há-de cair no mero escapismo, na ilusão ou no wishful thinking, é necessário estudar as possibilidades de transformação da realidade. A utopia é constituinte do ser humano, porque ele deseja mais e melhor, a perfeição, e, por outro, há condições objectivas na realidade para a concretização do desejo. É toda a dinâmica entre "o que é" de facto e o que "pode e deve ser".”

Anselmo Borges


“Não há alvorecer mais desolado do que o amanhecer de uma utopia. A cidade imaginada pelo utopista é sempre de mau gosto, a começar pela do Livro do Apocalipse. Em todo o utopista dorme um sargento da polícia: as decisões utópicas e despóticas do Estado moderno são finalmente tomadas por um burocrata anónimo, subalterno, pusilâmine, e provavelmente cornudo.”

→ Nicolás Gómez Dávila


A utopia, inimiga da civilização

O conceito de “religião” não existia no mundo antigo. A religião fazia de tal modo parte da cultura que não passava pela cabeça de ninguém inventar um termo para a designar. O termo “religião” só surgiu na época do império de Roma com os estóicos de “segunda geração”. Por exemplo, entre os judeus depois do Exílio, não existia, na cultura, o conceito de “deus” no sentido grego, romano e cristão: Javé era indefinível.

Uma coisa semelhante passou-se com o conceito de “civilização”. Não passava pela cabeça dos descobridores e navegadores portugueses, por exemplo, que a sua acção teria em vista a defesa da civilização — o que levou a que Nicolás Gómez Dávila escrevesse o seguinte: “A civilização parece uma invenção de uma espécie desaparecida.”

Os povos civilizadores não viam a civilização como algo exterior a si mesmos, como um conceito separado da sua cultura antropológica. A civilização é algo que se faz, mas quem a faz não a define nem se preocupa em defini-la. Ou como dizia Jean-Edern Hallier: “As civilizações apenas são mortais porque se tornam clarividentes. Logo que se põem a reflectir sobre si próprias, estoiram…”

Esta “reflexão das civilizações sobre si próprias” é o reconhecimento de que a civilização existe como um conceito exterior à cultura antropológica, como algo que não pertence intrinsecamente à cultura e cuja definição tem que ser encontrada fora dela — seja através da utopia imanente (a grande inimiga de qualquer civilização propriamente dita), seja através da negação do próprio conceito de civilização (negação que se iniciou na Europa com Montaigne e, mais tarde completada por Rousseau).

O conceito de “civilização” passou a ser, na modernidade, um ideal, uma utopia, algo desfasado da realidade concreta e objectiva, algo que alegadamente não poderia naturalmente pertencer a uma determinada cultura (Lévi-Strauss).

A partir do momento em que o conceito de “civilização” foi exteriormente concebido (foi definido utopicamente) em relação à cultura, a civilização acabou de facto, ou entrou em decadência. Quando uma cultura que se diz “civilizada” se torna indefesa em relação a ataques exógenos e em nome de uma utopia, de facto, de civilizada não tem quase nada. Por paradoxal que seja, são mais veículo de civilização as sociedades islâmicas ditas bárbaras do que a Europa pós-cristã.

Depois da guerra no Iraque e no Afeganistão, qualquer país europeu e em nome da “civilização”, recusa-se a intervir com militarmente com “botas no terreno” em qualquer conflito no mundo. Temos o exemplo do combate ao Estado Islâmico por parte da Europa e dos Estados Unidos de Obama: enviam aviões, mas não tropas no terreno. Entretanto, o massacre radical islâmico continua e constrói-se assim uma outra civilização que há-de dominar a Europa.

Domingo, 9 Outubro 2016

O Anselmo Borges tenta conciliar o Islamismo com o Estado de Direito democrático

 

tintoretto
Os atropelos à separação entre a Igreja Católica e o Estado aconteceram na Europa também por interesse da classe política laica; mas a Igreja Católica nunca aceitou de ânimo leve ser instrumentalizada pela classe política, ao contrário do que aconteceu com o protestantismo luterano que se transformou em um mero instrumento político da acção do Estado.

Em um verbete posterior, abordarei (se Deus quiser) a dialéctica entre o catolicismo e a liberdade política.


“Não tenho dúvidas: milhões e milhões de muçulmanos fizeram e fazem uma experiência religiosa autêntica com o Deus Clemente e Compassivo, como diz o Alcorão, e a maior parte são pessoas que querem a paz”.

Anselmo Borges

É evidente que o Alá do Alcorão não é aquilo que o Anselmo Borges diz. Basta que se leia o Alcorão para que se verifique a inverdade do Anselmo Borges. Além disso, eu também não tenho dúvidas de que milhões e milhões de alemães — senão mesmo a maioria deles — não queriam eliminar milhões de judeus nos campos de concentração, mas a ideologia está acima das boas intenções (não sei se me faço entender).

Confrontado com a oposição entre a política, por um lado, e a verdade, por outro lado, o Anselmo Borges resolveu tentar conciliar as duas coisas — por exemplo, quando diz que “historicamente o Islão tenha conhecido etapas de maior tolerância do que a demonstrada pelas sociedades cristãs da altura (por exemplo, na época medieval)”; o que é falso, porque a “tolerância islâmica”, quando existiu por exemplo na Alta Idade Média, dependeu sempre do pagamento da Jizya (o imposto dos cafres ou infiéis): ora, se isto é tolerância religiosa, “vou ali e já volto”.

Se tens que pagar um imposto por não seres muçulmano, ¿que merda de “tolerância” é essa?

Continua o Anselmo Borges :

“É preciso reconhecer que centenas de milhões de muçulmanos à volta do mundo "querem que o Islão desempenhe um papel importante na vida pública". Pode-se gostar ou não, mas, se realmente o Islão vai desempenhar nas próximas décadas um papel central na política, também no Ocidente, "então o objectivo não deveria ser empurrá-lo para fora ou excluir as pessoas, mas encontrar maneiras de adaptá-lo num processo legal, pacífico e democrático". Tarefa urgente e ingente, sobretudo num Ocidente que não é só laico, mas laicista e, para lá de secularizado, secularista, materialista”.

Na sua absurda tentativa de conciliar a política com a verdade, o Anselmo Borges mente — porque não há qualquer possibilidade de adaptar o Islamismo ao princípio de um Estado democrático de Direito, porque o Islão tem o seu próprio princípio de Direito que é a Sharia. Só é possível que a comunidade islâmica em um país ocidental obedeça à lei do Estado laico se for uma pequena minoria: a partir do momento em que a percentagem de muçulmanos ultrapasse os 10% do total da população de um país europeu, acontece o que se chama a singularidade islâmica.


1/ Aquilo que é hoje apanágio da chamada “extrema-direita”, ou seja, a limitação de imigração islâmica, terá que passar a fazer parte dos partidos do chamado “centro político” — uma vez que a esquerda radical, como por exemplo o Bloco de Esquerda e uma parte do Partido Socialista praticam uma política de terra queimada que se vira contra o Estado de Direito democrático.

2/ Por outro lado, e ao contrário do que defendem os partidos radicais laicistas ditos da “extrema-direita” (como por exemplo, a Front National de Marine Le Pen, ou o partido do holandês Geert Wilders), o Cristianismo deve ser privilegiado na sociedade europeia, e até promovido pelo Estado nas escolas primárias.

Sábado, 10 Setembro 2016

Roger Scruton está errado

 

“A Idade Moderna, com a sua crescente alienação do mundo, conduziu a uma situação em que o homem, onde quer que vá, apenas se encontra a si mesmo. Todos os processos da Terra e do Universo revelaram-se a si mesmos como feitos-pelo-homem ou como potencialmente feitos-pelo-homem.

Depois de terem devorado, por assim dizer, a sólida objectividade do dado, esses processos [científicos e históricos] acabaram por esvaziar de sentido o processo global único (que originalmente fôra concebido para conferir sentido ao particular), comportando-se, digamos, como um eterno espaço-tempo onde aqueles [os processos] podem evoluir sem conflitos nem tentativas de exclusão mútua. Foi isto o que aconteceu com o nosso conceito de História, tal como com o nosso conceito de Natureza.

Nesta situação de radical alienação do mundo, a Natureza e a História são de todo inconcebíveis. Esta dupla perda do mundo — a perda da Natureza e a perda do artifício humano no seu sentido mais lato, que inclui toda a História — deixou atrás de si uma sociedade de homens que, privados de um mundo comum que os relacionaria e separaria ao mesmo tempo, vivem ora num desesperado e solitário isolamento, ora comprimidos numa massa.

De facto, uma sociedade de massas não é mais do que o tipo de organização que se estabelece automaticamente entre os seres humanos quando estes ainda têm relações que os unem, mas perderam já o mundo que outrora era comum a todos eles”.

Hannah Arendt (“Entre o Passado e o Futuro”, página 103)


Roger Scruton é de opinião de que a herança cultural intelectual vai salvar o Ocidente da decadência, mesmo quando a religião cristã já não exista na cultura antropológica. É também contra este tipo de conservadores (como Roger Scruton) que se ergue a Direita Alternativa (AltRigt).

Num dos seus livros, Eric Voegelin dizia que Heródoto não compreendeu Homero; bastaram 300 anos para que Homero se tornasse incompreensível ao historiador grego; lá se foi a herança cultural pela pia abaixo.

No meu tempo de liceu, estudei “Os Lusíadas”, de Luiz de Camões, no 5º ano; hoje, “Os Lusíadas” foram eliminados do ensino secundário. E, com o novo Acordo Ortográfico, torna-se mais difícil aos alunos compreender Camões. Lá se foi a herança cultural pela pia abaixo.

A perda da religião cristã na cultura antropológica europeia levará a uma de duas hipóteses: ou à arbitrariedade do Poder político (laicismo radical e totalitário), ou ao Islão.

Sexta-feira, 26 Agosto 2016

Há sempre o risco de ser um “fassista”, contra ou a favor do burkini

Filed under: cultura — O. Braga @ 1:49 pm
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Antes de lerem este “post” do João Távora acerca do burkini, peço que leiam estoutro meu sobre o mesmo assunto; mas leiam-no devagar, cogitando cada conceito — por exemplo, o conceito de “religião” que, segundo o João Távora (erradamente), não tem nada a ver com as antigas viúvas aldeãs portuguesas vestidas de negro e com lenço na cabeça.

O conceito de “religião” é assim reduzido a uma espécie de ideologia que contenha em si uma qualquer ideia de transcendência “sobrenatural” que a ciência não controla; e neste sentido, não passaria pela cabeça do João Távora considerar o materialismo dialéctico e/ou histórico como uma religião (embora o materialismo dialéctico não faça parte da ciência porque não é falsificável). E é também por isso que muitos “intelectuais” da treta consideram o Budismo como uma filosofia, e não como uma religião, alegadamente porque (dizem eles) se trata de um monismo imanente (imanência).


Foi Eric Voegelin que cunhou o termo “religião política” que caracterizou, por exemplo, os jacobinos, o romantismo do Positivismo, o marxismo, etc.. Até o ateísmo é uma espécie de religião desprovida de ritos comunitários, mas que inclui um conjunto comum de crenças que compreendem um aspecto subjectivo (o sentimento religioso da crença racionalista ou romântico-positivista). O empirismo e o puritanismo são duas faces da mesma moeda (o que justifica o puritanismo dos republicanos de 1910).

No fim da década de 1970, cheguei a ver homens e mulheres fisicamente separados (mulheres à direita, homens à esquerda na igreja), nas missas católicas em uma aldeia de Trás-os-Montes. Era o costume, dizia o povo; “que não tinha nada a ver com o Padre”. Portanto, é impossível separar os costumes, a moral, a ética, a estética, a metafísica, e portanto, a religião (ou “religiosidade” como soe moderno e prá-frentex dizer-se), da cultura.

burqui

O problema do burkini vestido por uma mulher islâmica (sublinho: islâmica) é o seu símbolo — é aquilo que o burkini simboliza através da cultura islâmica. Esse símbolo tem uma representação que é repugnante e que nunca existiu — nos mesmos moldes — na cultura europeia desde a Antiguidade Tardia.

Neste caldo de culturas em França, há duas possibilidades:

  • ou o burkini não é proibido, e as raparigas de raiz familiar islâmica passam a ser publicamente coagidas pela cultura islâmica a considerarem-se a si mesmas ontologicamente inferiores (de acordo com a ideologia política islâmica);
  • ou então o burkini é proibido e o laicismo transforma-se em uma religião de Estado em França, à maneira da ex-URSS.

Há uma terceira possibilidade, que não digo agora, porque não me apetece ser apodado de “fassista”.

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