perspectivas

Domingo, 9 Outubro 2016

O Anselmo Borges tenta conciliar o Islamismo com o Estado de Direito democrático

 

tintoretto
Os atropelos à separação entre a Igreja Católica e o Estado aconteceram na Europa também por interesse da classe política laica; mas a Igreja Católica nunca aceitou de ânimo leve ser instrumentalizada pela classe política, ao contrário do que aconteceu com o protestantismo luterano que se transformou em um mero instrumento político da acção do Estado.

Em um verbete posterior, abordarei (se Deus quiser) a dialéctica entre o catolicismo e a liberdade política.


“Não tenho dúvidas: milhões e milhões de muçulmanos fizeram e fazem uma experiência religiosa autêntica com o Deus Clemente e Compassivo, como diz o Alcorão, e a maior parte são pessoas que querem a paz”.

Anselmo Borges

É evidente que o Alá do Alcorão não é aquilo que o Anselmo Borges diz. Basta que se leia o Alcorão para que se verifique a inverdade do Anselmo Borges. Além disso, eu também não tenho dúvidas de que milhões e milhões de alemães — senão mesmo a maioria deles — não queriam eliminar milhões de judeus nos campos de concentração, mas a ideologia está acima das boas intenções (não sei se me faço entender).

Confrontado com a oposição entre a política, por um lado, e a verdade, por outro lado, o Anselmo Borges resolveu tentar conciliar as duas coisas — por exemplo, quando diz que “historicamente o Islão tenha conhecido etapas de maior tolerância do que a demonstrada pelas sociedades cristãs da altura (por exemplo, na época medieval)”; o que é falso, porque a “tolerância islâmica”, quando existiu por exemplo na Alta Idade Média, dependeu sempre do pagamento da Jizya (o imposto dos cafres ou infiéis): ora, se isto é tolerância religiosa, “vou ali e já volto”.

Se tens que pagar um imposto por não seres muçulmano, ¿que merda de “tolerância” é essa?

Continua o Anselmo Borges :

“É preciso reconhecer que centenas de milhões de muçulmanos à volta do mundo "querem que o Islão desempenhe um papel importante na vida pública". Pode-se gostar ou não, mas, se realmente o Islão vai desempenhar nas próximas décadas um papel central na política, também no Ocidente, "então o objectivo não deveria ser empurrá-lo para fora ou excluir as pessoas, mas encontrar maneiras de adaptá-lo num processo legal, pacífico e democrático". Tarefa urgente e ingente, sobretudo num Ocidente que não é só laico, mas laicista e, para lá de secularizado, secularista, materialista”.

Na sua absurda tentativa de conciliar a política com a verdade, o Anselmo Borges mente — porque não há qualquer possibilidade de adaptar o Islamismo ao princípio de um Estado democrático de Direito, porque o Islão tem o seu próprio princípio de Direito que é a Sharia. Só é possível que a comunidade islâmica em um país ocidental obedeça à lei do Estado laico se for uma pequena minoria: a partir do momento em que a percentagem de muçulmanos ultrapasse os 10% do total da população de um país europeu, acontece o que se chama a singularidade islâmica.


1/ Aquilo que é hoje apanágio da chamada “extrema-direita”, ou seja, a limitação de imigração islâmica, terá que passar a fazer parte dos partidos do chamado “centro político” — uma vez que a esquerda radical, como por exemplo o Bloco de Esquerda e uma parte do Partido Socialista praticam uma política de terra queimada que se vira contra o Estado de Direito democrático.

2/ Por outro lado, e ao contrário do que defendem os partidos radicais laicistas ditos da “extrema-direita” (como por exemplo, a Front National de Marine Le Pen, ou o partido do holandês Geert Wilders), o Cristianismo deve ser privilegiado na sociedade europeia, e até promovido pelo Estado nas escolas primárias.

Quarta-feira, 14 Janeiro 2015

O libertarismo é um puritanismo

 

O Rui Ramos escreve aqui um artigo ambíguo, ambivalente e até contraditório — porque o fundamento de que parte o seu (dele) raciocínio não é claro e inteligível.

Antes de mais, convém dizer que nada está acima da crítica; nem o Papa. As religiões são susceptíveis de crítica, como é óbvio. Mas temos que definir “crítica”, porque de outro modo não sabemos do que estamos a falar — como acontece com o texto do Rui Ramos.

Em segundo lugar, convém dizer que o homicídio é um acto social- e espiritualmente condenável.


“Crítica” não é a mesma coisa que “humilhação”.

O Rui Ramos não deveria confundir “liberdade de expressão” com “liberdade de excrementação”. Também existe a liberdade de borrar as paredes com grafiti, o que não significa que essa liberdade de excrementação seja necessariamente consentânea com o bom-senso. O bom-senso pode ser definido como o juízo prudente e saudável baseado na simples percepção das situações e dos factos – juízo esse que concede à sociedade um nível básico de julgamentos e de conhecimentos que lhe permita viver de uma forma razoável e segura.

A crítica pode ser, no sentido comum, “denúncia vigorosa” ou “contestação”. Mas é sobretudo a análise dos fundamentos de qualquer coisa ou de qualquer ideia. A crítica remete para uma actividade especial da razão: fazer divisões, discernimentos e juízos. A crítica é também a razão na sua dimensão jurídica: aparece como censor e juiz, separando o trigo do joio, distinguindo o verdadeiro do falso, o bom do mau.

Quando a crítica não obedece a estes critérios, não é crítica: é humilhação. E a humilhação é sempre uma característica de um qualquer puritanismo. A humilhação de outrem é uma característica do puritanismo politicamente correcto.

Diz o Rui Ramos que “o limite da liberdade é a lei”.

Bem, se assim for, na lei da selva, então a liberdade é ilimitada; mas isso não é liberdade, mas antes é libertinagem. Basta que o Código Penal seja reduzido apenas à  condenação do homicídio para que a liberdade seja concebida como um conjunto de actos gratuitos. Longe vão os tempos do Iluminismo e de Kant, que dizia que a liberdade é simultaneamente negativa (a pessoa livre de coacção) e positiva (o cidadão legislador).

Hoje, o libertarismo que o Rui Ramos defende é uma vergôntea do puritanismo que ele próprio critica nos outros: o puritanismo libertário tem a sua própria austeridade e rigidez de princípios que passa, por exemplo, pela sistemática humilhação irracional de outrem — e não pela crítica propriamente dita que deve ser sempre racional.

¿Podemos criticar, por exemplo, o Alcorão? Claro que sim! — mas por razões objectivas, e não com o propósito de humilhar. Uma “crítica” não significa “humilhação”, porque a humilhação é sempre irracional, e a crítica é racional.

Sexta-feira, 10 Janeiro 2014

A liberdade religiosa está a ser ameaçada pela aliança da direita com a esquerda

 

Este texto dá-nos uma visão breve do processo histórico recente que levou a colocar em causa a liberdade religiosa nos Estados Unidos. Um facto que é de extrema importância, e que eu chamo à vossa atenção, é o da aliança entre a direita neoliberal Goldman Sachs e a esquerda marxista cultural, no sentido da limitação e restrição da liberdade religiosa nos Estados Unidos. Ou seja: por razões diferentes, a direita Goldman Sachs e a esquerda marxista cultural estão de acordo no que respeita à limitação da liberdade religiosa.

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Quinta-feira, 21 Fevereiro 2013

A União Europeia pretende controlar a imprensa de todos os países

A União Europeia emitiu um relatório (solicitado por Neelie Kroes, comissária para as “Novas Tecnologias”) com o título “Os média livres e pluralistas para sustentar a democracia na Europa”.

broken_flag_of_europeO relatório defende “a criação de um conselho independente em relação aos média” em cada país da União Europeia. Este “conselho independente” deverá “dispor de poderes reais de sanção, como por exemplo a capacidade de impor emendas, de ordenar a difusão de desculpas públicas, ou a retirada da carteira profissional de jornalista. Segundo a União Europeia, a criação deste “conselho independente” servirá para “proteger a liberdade de imprensa e o pluralismo”.

A construção do leviatão da União Europeia revela um paroxismo maquiavélico: utiliza-se o conceito de “democracia” para eliminar, lenta mas paulatinamente, a própria democracia (Nigel Farage tem razão).

Sexta-feira, 15 Fevereiro 2013

O Ocidente “desenvolvido” e a polícia do pensamento

OTTAWA, February 14, 2013, (LifeSiteNews.com) – The leader of Canada’s Opposition party is digging in despite calls for an apology after he said the Christian belief that homosexuality is a sin goes “completely against” Canadian law and values.

via Opposition leader stands by claim that Christian sexual beliefs violate Canadian law | LifeSiteNews.com.

policia pensamentoA ideia segundo a qual o pensamento individual, ou o de um qualquer grupo social, “vai contra as leis emanadas do Estado”, para além de ser surpreendentemente abstrusa, começa a ser hoje normalmente propalada pela classe política com o maior descaramento. Reparem bem: um político qualquer arroga-se no direito de dizer, por exemplo, que “a minha mundividência, ou a forma como eu penso determinado fenómeno social, político, cultural ou ético — vai contra a lei!”

O que está subjacente a essa concepção da sociedade é a ideia de que o Estado pode legitimamente policiar e controlar aquilo que o cidadão pensa — o que é extraordinário e pede meças à Inquisição espanhola da Idade Média. E o mais chocante é que a classe política, em geral, e cada vez mais em crescendo, defende o policiamento do pensamento como se fosse a coisa mais natural e normal do mundo.

¿ Como é que aquilo que “eu penso” pode ser “contra a lei”? ¿ Como é que pode existir uma lei que me imponha o pensamento?


“Não há machado que corte / a raiz ao pensamento / não há morte para o vento / não há morte”Manuel Freire

Segunda-feira, 21 Janeiro 2013

O blogue Gates of Viena foi politicamente censurado e fechado

O pensamento único e politicamente correcto maçónico começa a causar estragos na liberdade de expressão na União Europeia: o blogue Gates of Viena foi alvo de censura política, depois de cerca de 10 anos de existência sem censura.

A censura política sobre a liberdade de expressão aumenta na União Europeia. A atitude do sítio de alojamento Blogger, que pertence ao Google, não foi explicada, mas tudo aponta que o Google cedeu finalmente a pressões políticas fortíssimas da maçonaria europeia que controla as instituições da União Europeia.

gates of viena

Sexta-feira, 21 Dezembro 2012

Por que razão a Rússia tem hoje uma grande importância para os povos da Europa

Como sabemos, os Estados Unidos reduziram o pessoal militar da base americana das Lajes, nos Açores, para cerca de 180 militares, o que significa que a base está praticamente fechada. A razão do abandono dos americanos em relação à base das Lajes tem a ver com uma mudança geo-estratégica fundamental: os Estados Unidos mudam-se para o Pacífico e abandonam o Atlântico.
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Terça-feira, 11 Dezembro 2012

Nuno Santos e a RTP

Se a RTP é uma estação de televisão do Estado, e se Nuno Santos foi tramado pela RTP porque prestou declarações a um órgão do Estado (o parlamento), imaginem agora o que aconteceria se a RTP fosse já uma estação de televisão privada: Nuno Santos chegaria ao parlamento com uma estória “delineada” pela administração da empresa.

procura-se passos coelho web

Sábado, 10 Novembro 2012

O que é liberdade?

A liberdade é muito difícil de definir, se é que pode ter uma definição abrangente.

Normalmente, quando se critica as ditaduras ou os sistemas totalitários, refere-se à “liberdade política” segundo o conceito de Hannah Arendt. Porém, este conceito de liberdade (de Hannah Arendt) é redutor, e por isso vamos ver, em primeiro lugar, qual é a noção de liberdade segundo S. Tomás de Aquino.
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Terça-feira, 6 Setembro 2011

O totalitarismo gay


«Percebi, entretanto, que uma comunidade gay tinha feito circular o texto entre os seus membros, com o pedido expresso de enviarem ao autor um email ofensivo. E no Facebook circulava um abaixo-assinado incitando a um boicote activo ao SOL e ao seu director, que tinha cerca de 1.000 adesões.»

via Logos: Uma polícia do pensamento? – por José António Saraiva.

Vale a pena a leitura.

Domingo, 26 Junho 2011

O absurdo do politicamente correcto

Aconteceu recentemente no Reino Unido: um muçulmano moderado foi condenado em tribunal por crime de “discurso de ódio”, quando disse publicamente que o Islão considera o acto homossexual contrário à ética.

Porém, e num processo judiciário paralelo, um activista e militante gayzista foi condenado pelo mesmo tribunal por ter criticado publicamente o Islão — isto é, pelo mesmo crime de “discurso de ódio”!

O absurdo da situação é o de que ambos os réus disseram publicamente a mesma coisa: que o Islão condena o comportamento gay! E foram os dois de cana!

Sobre a crise económica e a liberdade

«Não estamos dispostos a trocar a nossa liberdade por um prato de lentilhas — ou sequer por uma mais elevada produtividade e maior riqueza, por uma maior segurança económica, se é que isto se pode obter à custa da liberdade.»

— Karl Popper

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