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Sábado, 19 Novembro 2016

Ensinando o Pai-Nosso ao Padre jesuíta Gonçalo Portocarrero de Almada

 

“I protest against the power of mad minorities to treat the majority as if it were another minority. But still more do I protest against the conduct of the majority if it surrenders its representative right so easily”. → G. K. Chesterton


“Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa!” [Mateus, 18, 1-8]


Depois destas duas citações, vou citar o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada:

“O que é, ou não, natural tem muito que se lhe diga. Sem entrar no fundo da questão, pode-se dizer que é natural o que se observa na generalidade das pessoas e que, por isso, se atribui à natureza humana. Ora, no mundo inteiro, cerca de 97% da humanidade sente-se atraída pelo sexo oposto: pode-se dizer portanto que, em termos sociológicos, essa é a tendência mais natural, sem que o seu contrário seja anormal. Neste sentido, o celibato, que contraria uma inclinação generalizada, não é tão natural quanto o casamento, sem que por isso seja nenhuma anormalidade. Ser superdotado também não é natural, embora seja, como é óbvio, excelente”.

Ou seja, para o Padre, “há tendências mais naturais do que outras”. Naturalmente que se ele comparar o ser humano com o peixe-palhaço, chegará à conclusão de que a ideologia de género é natural.

Por outro lado, o Padre compara a “não-naturalidade” do celibato — que é um esforço que contraria o desejo de um fim próximo, em função do desejo de um fim último: ou seja, o celibato é uma virtude —, por um lado, com a “não-naturalidade da homossexualidade”, por outro lado — como se a homossexualidade fosse também uma “virtude não-natural”.


Mais adiante, o Padre escreve:

“A propósito, esclareça-se que a Igreja não reprova a tendência homossexual, nem muito menos as pessoas – algumas, por certo, católicas – que, por vezes contra a sua vontade e com grande sofrimento, se reconhecem nessa situação. O que a Igreja reprova são os comportamentos contrários ao que, segundo a Bíblia, entende ser o recto uso da sexualidade humana, sejam esses actos praticados por um homem ou uma mulher, uma pessoa solteira ou casada, com tendência homossexual ou heterossexual”.

Isto seria o mesmo que o Padre dissesse: a igreja não reprova a tendência psicopata do assassino em potência: o que a Igreja Católica reprova é o acto do homicídio”. Obviamente é falso. O Padre cai na casuística que os jesuítas inventaram e que o papa Chico utiliza de forma adestrada na destruição da doutrina católica.

A verdade, o que o Padre jesuíta Gonçalo Portocarrero de Almada escamoteia, é a seguinte: a Igreja Católica condena, em graus e termos diferentes e como é lógico, a tendência homossexual e o acto homossexual.

É falso dizer que “a Igreja não reprova a tendência homossexual”, porque isso seria afirmar que a Igreja Católica aprova o conatus gay, o que teria como consequência a impossibilidade lógica de condenar o próprio acto homossexual.

Quinta-feira, 17 Novembro 2016

¿O João César das Neves disse que o papa Chico não é marxista?!

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:19 pm
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La última del Papa Francisco: "Las empresas no deben existir para ganar dinero"

papa-che- webSi la semana pasada el Papa Francisco comparaba el cristianismo con el comunismo ignorando el genocidio que acometió este régimen durante décadas, este jueves, el pontífice argentino carga contra los empresarios del mundo.

Aunque los comentarios con tintes anticapitalistas de Bergoglio son muy habituales en sus discursos, esta vez, el Papa no ha tenido pelos en la lengua al reunirse con las Asociaciones de Empresarios Católicos (UNIAPAC).

En su discurso, el pontífice argentino les recordó que considera que "el dinero es el estiércol del diablo" y sostuvo que las empresas "no deben existir para ganar dinero", sino "para servir".

Añadió que "todas las actividades humanas, también la empresarial, pueden ser un ejercicio de la misericordia" y reflexionó sobre "tres riesgos" que la actividad empresarial asume con frecuencia: "El riesgo de usar bien el dinero, el riesgo de la honestidad y el riesgo de la fraternidad".

En esta línea, Francisco aseguró que "la corrupción está generada por la adoración del dinero y vuelve al corrupto, prisionero de esa misma adoración". Para el Papa, "la corrupción es un fraude a la democracia y abre las puertas a otros males terribles como la droga, la prostitución y la trata de personas, la esclavitud, el comercio de órganos, el tráfico de armas, etcétera".

Jorge Bergoglio consideró que "una de las condiciones necesarias para el progreso social es la ausencia de corrupción" y dijo que favorecer esta, por "activa o pasiva, es ya comenzar a adorar al dios dinero". En ese contexto criticó el sistema de acceso al crédito que es "más accesible y más barato para quien posee más recursos, y más caro y difícil para quien tiene menos".

Sexta-feira, 4 Novembro 2016

O Pedro Arroja devia dedicar-se à economia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:42 pm
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Um dia destes hei-de escrever aqui sobre as façanhas dos Papas da Renascença (século XV) que deram razões a Lutero — a ver se o Pedro Arroja se dedica à economia e deixa filosofia e a História em paz. O Pedro Arroja escreve:

“Portugal, nos últimos anos, pela via do socialismo e da dominância da Alemanha na União Europeia, tem vindo a importar o luteranismo, com todas as suas consequências. Foi o luteranismo que deu origem à ideologia socialista (pela mão, em primeiro lugar, do filósofo alemão Immanuel Kant), a qual é, na realidade, um luteranismo laico, um luteranismo sem "Deus". (Kant era um luterano convicto, um luterano pietista)”.

O luteranismo legitimou (teologicamente) a taxa de juro bancária e a usura (contra uma grande parte da Igreja Católica, que não via a usura bancária com bons olhos), e vem o Pedro Arroja dizer que foi “o luteranismo que deu origem à ideologia socialista”.

E mais: Kant foi um liberal, tanto na economia como nos costumes:

“Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo — tal o do pai para com os seus filhos, quer dizer, um governo paternal —, onde, por consequência, os sujeitos, tais filhos menores, incapazes de decidir acerca do que lhes é verdadeiramente útil ou nocivo, são obrigados a comportar-se de um modo unicamente passivo, a fim de esperar, apenas do juízo do chefe do Estado, a maneira como devem ser felizes, e unicamente da sua bondade que ele o queira igualmente — um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber.”

→ Kant, “Teoria e Prática” (1793)

Kant critica aqui o Camaralismo ou Wohlfahrtsstaat (o “Estado Providência”) que foi um fenómeno alemão e também austríaco (também da Baviera e da Áustria católicas) que teve a ver com a dinâmica política de unificação da Alemanha que conduziu ao aparecimento de Bismarck. Ou seja, o Wohlfahrtsstaat não tem nada a ver com o luteranismo.

Quinta-feira, 3 Novembro 2016

Lutero afastou-se dos Mistérios Cristãos

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 5:59 pm
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Podemos ver nas epístolas de S. Paulo — por exemplo, 1 Tess 5, 23 — uma referência à iniciação mística da Antiga Aliança (Antigo Testamento) através dos conceitos de corpo (sôma) e de alma (psychê).

Mas S. Paulo (na esteira das instruções deixadas por Jesus Cristo) e os apóstolos acrescentaram, a estes dois conceitos, os conceitos de Nous (mente superior) e pneûma (espírito), ou seja, S. Paulo traduziu em linguagem corrente (tanto quanto possível) os Mistérios Cristãos, mais elevados do que os anteriores Mistérios, e análogos para ambos os sexos e para todas as castas e raças — o intelecto superior (Nous) e o espírito (pneûma) são idênticos tanto para o homem como para a mulher, embora os respectivos corpos (sôma) seja polarmente diferentes, assim como as respectivas almas (psychê).

Por isso é que, nos mistérios antigos (anteriores aos Mistérios Cristãos, sejam pagãos ou judaicos), as iniciações eram diferenciadas de acordo com os sexos, as funções, as castas; porque implicavam apenas o sôma e a psychê — ao passo que a iniciação dos Mistérios Cristãos, que envolve o Nous e o pneûma (para além do sôma e da psychê) não exclui ninguém que deseje preparar-se para a receber.

Porém, segundo S. Paulo, a iniciação nos Mistérios Cristãos difere da gnose, por um lado, e do hermetismo, por outro lado, porque se baseia no conceito de “Graça”. Lutero afastou-se dos Mistérios Cristãos quando separou a fé, por um lado, da acção humana, por outro lado; mas Lutero não chegou ao ponto absurdo da predestinação calvinista que surgiu depois (esta sim!, de total orientação gnóstica).


A ideia segundo a qual Lutero foi o “fundador da gnose” (que o Pedro Arroja cita) é patética. E a ideia de que “a maçonaria foi buscar a sua filosofia a Espinoza e a Locke”, é um simplismo.

Dos movimentos protestantes, alguns tiveram forte influência gnóstica (por exemplo, o Calvinismo, que deu origem, mais tarde, aos puritanos iconoclastas ingleses e holandeses), mas já não podemos dizer o mesmo do luteranismo.

A maçonaria (em geral) sofre influência do hermetismo (e não do gnosticismo) que, à semelhança da ortodoxia católica, admite que a razão humana pode, de certo modo, alcançar Deus.

O Deus hermético é mais pessoal e menos abstracto do que o Deus gnóstico (que se distingue do demiurgo gnóstico): o Deus hermético (o “Grande Arquitecto” da maçonaria) “é o Pai de todas as coisas, criou o ser humano à sua própria semelhança e amou-o como seu próprio filho” (Poimandres, C.H. I,1).

Não significa isto que algumas correntes maçónicas — por exemplo, as lojas maçónicas irregulares, como o GOL (Grande Oriente Lusitano) — tivessem optado pela “religião natural” que esteve na base do deísmo que alimentou a revolução francesa e a americana. Mas a esmagadora maioria das correntes maçónicas baseia-se no hermetismo, e não no gnosticismo. Mas os mistérios maçónicos ou herméticos (iniciação maçonica) são uma regressão espiritual em relação aos Mistérios Cristãos.

Sábado, 15 Outubro 2016

Lutero pode ser canonizado pelo papa Chico

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 5:17 pm
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No dia 13 de Outubro passado (dia de aniversário das aparições de Fátima), o papa Chiquinho inaugurou uma estátua de Lutero no Vaticano. Já se fala que o Chico vai canonizar Lutero para insultar os iconoclastas protestantes.

lutero-e-o chico

Os Evangélicos Pentecostais Carismáticos, e a Inquisição católica

 

“A Igreja Católica nasceu oferecendo mártires, a igreja protestante NASCEU MATANDO.”

Comentário feito hoje pelo filósofo esotérico Olavo de Carvalho, numa tentativa de posar de católico e criar intrigas entre católicos e evangélicos e minar o movimento pró-família.

Na época dos primeiros mártires, não existia uma Igreja Católica, que só foi iniciada oficialmente com esse nome depois do período dos mártires. O resto é fantasia forçada.

Na verdade, se Olavo conhecesse a Igreja Evangélica do jeito que ele conhece ocultismo e bruxaria islâmica, ele saberia que a Igreja Evangélica NASCEU SOB INCRÍVEIS AMEAÇAS DE MORTE. Quem não lê, não sabe.

A INQUISIÇÃO FOI APENAS UMA DESSAS AMEAÇAS, QUE TAMBÉM ATINGIA FORTEMENTE OS JUDEUS.

Se o Olavo está tão depressivo e descontente com a Igreja Evangélica, POR QUE ELE ESCOLHEU VIVER NOS ESTADOS UNIDOS, O MAIOR PAÍS EVANGÉLICO DO MUNDO, POSANDO DE CATÓLICO?”

Júlio Severo


1/ Confunde-se aqui o “evangelismo”, por um lado, e o “protestantismo”, por outro lado, como sendo a mesma coisa.

Os grupos evangélicos, Pentecostais e carismáticos (a que pertence o autor do comentário), são apenas seitas muito recentes derivadas do protestantismo. Nos Estados Unidos, a maioria é protestante de várias seitas (luteranos puros, anglicanos ou episcopais, metodistas, etc.), mas essa maioria não é a dos grupos Evangélicos Pentecostais e Carismáticos.

2/ Olavo de Carvalho referiu-se ao protestantismo do século XVI (luteranismo, e um pouco mais tarde, o Calvinismo).

Morreu mais gente inocente durante a guerra civil inglesa causada pelos calvinistas ingleses (Cromwell) no século XVII, do que todas as vítimas da Inquisição católica em toda a Europa e em toda a Idade Média.

Porém, o que os católicos franceses fizeram aos Huguenotes (e isto não teve nada a ver com a Inquisição, mas com a política do rei Luís XIV) também não foi bonito.

evangelicos

3/ a ideia segundo a qual “a igreja evangélica foi perseguida pela Inquisição” é um sofisma.

Os membros destes movimentos evangélicos Pentecostais e carismáticos (por exemplo, do Júlio Severo) nascidos nos Estados Unidos depois do século XIX, são milenaristas no sentido da escatologia do “dia do juízo final” — o que os diferencia dos luteranos primevos —; alguns destes grupos defendem a ideia de que o mundo irá experimentar um período de sete anos de miséria e tribulação, mas que os seus fiéis serão poupados. Isto nada tem a ver com o luteranismo puro, com o anglicanismo nas suas diversas manifestações tradicionais (episcopalismo, metodismo, por exemplo).

É falso que uma seita (evangélicos Pentecostais e carismáticos) que nasceu no século XIX nos Estados Unidos tenha sido perseguida pela Inquisição que já não existia no século XIX.

4/ a ideia segundo a qual “na época dos primeiros mártires, não existia uma Igreja Católica”, é análoga à ideia segundo a qual “o Brasil não existia antes dos primeiros exploradores europeus”.

É claro que o “Brasil”, enquanto território, já existia: só que não tinha esse nome (chamavam-lhe Terra de Vera Cruz): é uma questão de semântica. O Júlio Severo agarra-se à semântica para negar verdades de facto.

A primeira igreja universal cristã foi fundada em Roma, e teve em S. Pedro o primeiro papa (Bispo de Roma). Essa igreja fundada em Roma foi mais tarde chamada de “católica” (Igreja Católica Apostólica Romana). Esta é uma verdade de facto que ninguém inteligente deve negar.

Domingo, 9 Outubro 2016

O Anselmo Borges tenta conciliar o Islamismo com o Estado de Direito democrático

 

tintoretto
Os atropelos à separação entre a Igreja Católica e o Estado aconteceram na Europa também por interesse da classe política laica; mas a Igreja Católica nunca aceitou de ânimo leve ser instrumentalizada pela classe política, ao contrário do que aconteceu com o protestantismo luterano que se transformou em um mero instrumento político da acção do Estado.

Em um verbete posterior, abordarei (se Deus quiser) a dialéctica entre o catolicismo e a liberdade política.


“Não tenho dúvidas: milhões e milhões de muçulmanos fizeram e fazem uma experiência religiosa autêntica com o Deus Clemente e Compassivo, como diz o Alcorão, e a maior parte são pessoas que querem a paz”.

Anselmo Borges

É evidente que o Alá do Alcorão não é aquilo que o Anselmo Borges diz. Basta que se leia o Alcorão para que se verifique a inverdade do Anselmo Borges. Além disso, eu também não tenho dúvidas de que milhões e milhões de alemães — senão mesmo a maioria deles — não queriam eliminar milhões de judeus nos campos de concentração, mas a ideologia está acima das boas intenções (não sei se me faço entender).

Confrontado com a oposição entre a política, por um lado, e a verdade, por outro lado, o Anselmo Borges resolveu tentar conciliar as duas coisas — por exemplo, quando diz que “historicamente o Islão tenha conhecido etapas de maior tolerância do que a demonstrada pelas sociedades cristãs da altura (por exemplo, na época medieval)”; o que é falso, porque a “tolerância islâmica”, quando existiu por exemplo na Alta Idade Média, dependeu sempre do pagamento da Jizya (o imposto dos cafres ou infiéis): ora, se isto é tolerância religiosa, “vou ali e já volto”.

Se tens que pagar um imposto por não seres muçulmano, ¿que merda de “tolerância” é essa?

Continua o Anselmo Borges :

“É preciso reconhecer que centenas de milhões de muçulmanos à volta do mundo "querem que o Islão desempenhe um papel importante na vida pública". Pode-se gostar ou não, mas, se realmente o Islão vai desempenhar nas próximas décadas um papel central na política, também no Ocidente, "então o objectivo não deveria ser empurrá-lo para fora ou excluir as pessoas, mas encontrar maneiras de adaptá-lo num processo legal, pacífico e democrático". Tarefa urgente e ingente, sobretudo num Ocidente que não é só laico, mas laicista e, para lá de secularizado, secularista, materialista”.

Na sua absurda tentativa de conciliar a política com a verdade, o Anselmo Borges mente — porque não há qualquer possibilidade de adaptar o Islamismo ao princípio de um Estado democrático de Direito, porque o Islão tem o seu próprio princípio de Direito que é a Sharia. Só é possível que a comunidade islâmica em um país ocidental obedeça à lei do Estado laico se for uma pequena minoria: a partir do momento em que a percentagem de muçulmanos ultrapasse os 10% do total da população de um país europeu, acontece o que se chama a singularidade islâmica.


1/ Aquilo que é hoje apanágio da chamada “extrema-direita”, ou seja, a limitação de imigração islâmica, terá que passar a fazer parte dos partidos do chamado “centro político” — uma vez que a esquerda radical, como por exemplo o Bloco de Esquerda e uma parte do Partido Socialista praticam uma política de terra queimada que se vira contra o Estado de Direito democrático.

2/ Por outro lado, e ao contrário do que defendem os partidos radicais laicistas ditos da “extrema-direita” (como por exemplo, a Front National de Marine Le Pen, ou o partido do holandês Geert Wilders), o Cristianismo deve ser privilegiado na sociedade europeia, e até promovido pelo Estado nas escolas primárias.

Sábado, 8 Outubro 2016

O papa Francisco, o mentiroso

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 9:24 pm
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Na sua Epístola aos gálatas, S. Paulo confirma que a Lei Mosaica é obsoleta, e que o que nos justifica não são as obras prescritas pela Lei, mas a fé em Cristo. Mas a lei mosaica a que S. Paulo faz referência não abarca a parte ética dos 10 mandamentos: pelo contrário, a lei mosaica que S. Paulo faz referência é a mesma que o opôs a Cefas no célebre “incidente de Antioquia” (gálatas 2, 11 – 21) que tem a ver com costumes (cultura antropológica) dos judeus e não com os aspectos éticos da religião judaica.


O papa Chico defendeu a ideia segundo a qual o respeito pela lei (lei moral, presumo eu) afasta os Espírito Santo dos católicos.

“Christians can fall prey to the enchantments of ideology that adhere to rigid requirements yet ignore and sadden the Holy Spirit, Pope Francis said.

While following doctrine is important, those who focus solely on its strict observance can “reduce the Spirit and the Son to a law,” the pope said Oct. 6 during an early morning Mass in the chapel of the Domus Sanctae Marthae”.

Pope Francis says rigid ideology makes the Holy Spirit sad

O papa aldrabão confunde propositadamente a lei dos costumes (a circuncisão judaica, por exemplo, que opôs S. Paulo a Cefas), por um lado, com a lei moral cujos valores são intemporais (por exemplo, “não matarás”), por outro lado. Os valores da ética — que define a moral — são racionalmente fundamentados, são intemporais (não podem estar na moda que passa, como defende o papa mentiroso), e não podem ser confundidos com os costumes — com a idiossincrasia da lei — de uma determinada época.

E já que o papa aldrabão fala de S. Paulo, poderia fazer referência a Romanos 1, 26-27: “passiones ignominiae , usum contra naturam et turpitudinem operantes” — em vez de ser cúmplice do demónio.

Domingo, 2 Outubro 2016

O Frei Bento Domingues e o Padre Pio de Pietrelcina

 

Quem ler o que o Frei Bento Domingues escreve, e o que escreveu o Padre Pio de Pietrelcina, encontramos muitas discordâncias fundamentais entre os dois, acerca da religião.

“O dia especialmente consagrado a Deus tem de coincidir com o acontecimento da libertação, da alegria, da felicidade do ser humano. Deus não pode ser louvado à custa da humanidade. O Sábado é para o ser humano, não é o ser humano para o sábado. Deus quer misericórdia. Não se alimenta de sacrifícios humanos”.

A verdadeira religião é crítica

Padre-PioA forma como o Frei Bento Domingues apresenta o sacrifício humano perante Deus, é diabólica. O Frei Bento Domingues apresenta o deus comum dos católicos como uma espécie de leviatão bíblico que devora os seres humanos através do sacrifício, e depois diz que esse leviatão não é o Deus de Jesus Cristo.

E o Frei Bento Domingues faz referência ao livro do Anselmo Borges, pessoa que defendeu a legalização do aborto em Portugal (Les bons esprits se rencontrent…) — o aborto, que é o sacrifício supremo e involuntário do ser humano que alimenta o altar luciferino do dinheiro que ambos dizem combater. Como escreveu o poeta brasileiro Mário Quintana: “O aborto não é, como dizem, simplesmente um assassinato. É um roubo… Nem pode haver roubo maior. Porque, ao malogrado nascituro, rouba-se-lhe este mundo, o céu, as estrelas, o universo, tudo. O aborto é o roubo infinito”.

Se alguém perguntar ao Frei Bento Domingues ¿o que é “a felicidade do ser humano”? a que ele se refere no seu textículo, ele não terá certamente resposta objectiva — a não ser que se trate de um imbecil. E eu suspeito que o Frei Bento Domingues é um imbecil a quem os me®dia portugueses imbecilizados têm dado uma atenção muito especial.

Os católicos actuais estão em uma encruzilhada: ou seguem os conselhos dos Freis Bentos Domingues e dos Anselmos Borges deste mundo, ou escolhem seguir, por exemplo, os conselhos do Padre Pio de Pietrelcina. O princípio, aqui, é o do terceiro excluído.

Sábado, 17 Setembro 2016

A evolução em dois mundos

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:05 pm
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Ao ler este texto do Anselmo Borges, pensei que talvez as reformas que a Igreja Católica necessite sejam menos as defendidas por ele e pelo papa Chico, e mais as da doutrina do Cristianismo primordial defendidas, por exemplo, pela patrística; e mencionada pelo próprio Jesus Cristo.


Saiu Jesus com seus discípulos para as aldeias de Cesareia de Filipe; e no caminho perguntou-lhes:
“Quem dizem os homens que sou eu?”

Eles responderam: “Uns dizem: João Baptista; outros: Elias; e outros: Um dos profetas.”

Ele lhes perguntou: “Mas vós, quem dizeis que sou eu?” Respondeu-lhe Pedro: “Tu és o Cristo”.

→ Marcos 8:27-29


Nos Estados Unidos já se estuda e investiga há décadas este problema a nível científico e universitário; mas a Igreja Católica continua agarrada à imanência materialista do papa chiquérrimo.

Se entendermos “evolução” como o processo através do qual o Absoluto se apresenta na dimensão do espaço e do tempo → então a afirmação de que o espírito, a alma e a razão são produtos da evolução não representa um problema para a metafísica. Porém, se a evolução for entendida em termos materialistas – leia-se, segundo a teoria da origem das espécies de Darwin, ou segundo o neodarwinismo da segunda metade do século XX — , então a realidade da autoconsciência e do acesso ao domínio das verdades intemporais arrebenta o quadro evolucionário.

Quinta-feira, 15 Setembro 2016

O Frei Bento Domingues pretende transformar o catolicismo em uma espécie de filosofia New Age de auto-ajuda

 

O Frei Bento Domingues escreveu o seguinte:

“Repetiram-me, todo este Verão, que a Missa precisa de uma reforma profunda. Algumas queixas eram bem identificadas: três leituras e um salmo muito longe do nosso tempo, remetendo-nos sempre para um passado, que já não nos diz nada; as chamadas orações eucarísticas são pouco variadas e parecem existir apenas para enquadrar a chamada consagração do pão e do vinho, a matéria da comunhão, e um enigmático pedido de Jesus, fazei isto em memória de Mim”.

QUE FAZER DA MISSA? Frei Bento Domingues, O.P.

Seria mais fixe, talvez, a leitura de trechos dos livros de Harry Potter; e em vez dos salmos, uma canção da Madonna ou um Heavy Metal.


auto-ajudaO problema do Frei Bento Domingues é o de que perdeu o sentido da diferença entre tempo profano e tempo sagrado (no que diz respeito ao Cristianismo; não podemos dizer que o Frei Bento Domingues seja, de facto, cristão), e que o tempo sagrado implica uma “suspensão do tempo”, por assim dizer — e isto acontece em todas as culturas religiosas.

Por isso torna-se penoso comentar os textos do Frei Bento Domingues: são textos escritos para agradar a pessoas que pensam a religião (em geral) em termos de uma filosofia de auto-ajuda.

Sábado, 10 Setembro 2016

Roger Scruton está errado

 

“A Idade Moderna, com a sua crescente alienação do mundo, conduziu a uma situação em que o homem, onde quer que vá, apenas se encontra a si mesmo. Todos os processos da Terra e do Universo revelaram-se a si mesmos como feitos-pelo-homem ou como potencialmente feitos-pelo-homem.

Depois de terem devorado, por assim dizer, a sólida objectividade do dado, esses processos [científicos e históricos] acabaram por esvaziar de sentido o processo global único (que originalmente fôra concebido para conferir sentido ao particular), comportando-se, digamos, como um eterno espaço-tempo onde aqueles [os processos] podem evoluir sem conflitos nem tentativas de exclusão mútua. Foi isto o que aconteceu com o nosso conceito de História, tal como com o nosso conceito de Natureza.

Nesta situação de radical alienação do mundo, a Natureza e a História são de todo inconcebíveis. Esta dupla perda do mundo — a perda da Natureza e a perda do artifício humano no seu sentido mais lato, que inclui toda a História — deixou atrás de si uma sociedade de homens que, privados de um mundo comum que os relacionaria e separaria ao mesmo tempo, vivem ora num desesperado e solitário isolamento, ora comprimidos numa massa.

De facto, uma sociedade de massas não é mais do que o tipo de organização que se estabelece automaticamente entre os seres humanos quando estes ainda têm relações que os unem, mas perderam já o mundo que outrora era comum a todos eles”.

Hannah Arendt (“Entre o Passado e o Futuro”, página 103)


Roger Scruton é de opinião de que a herança cultural intelectual vai salvar o Ocidente da decadência, mesmo quando a religião cristã já não exista na cultura antropológica. É também contra este tipo de conservadores (como Roger Scruton) que se ergue a Direita Alternativa (AltRigt).

Num dos seus livros, Eric Voegelin dizia que Heródoto não compreendeu Homero; bastaram 300 anos para que Homero se tornasse incompreensível ao historiador grego; lá se foi a herança cultural pela pia abaixo.

No meu tempo de liceu, estudei “Os Lusíadas”, de Luiz de Camões, no 5º ano; hoje, “Os Lusíadas” foram eliminados do ensino secundário. E, com o novo Acordo Ortográfico, torna-se mais difícil aos alunos compreender Camões. Lá se foi a herança cultural pela pia abaixo.

A perda da religião cristã na cultura antropológica europeia levará a uma de duas hipóteses: ou à arbitrariedade do Poder político (laicismo radical e totalitário), ou ao Islão.

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