perspectivas

Sábado, 30 Janeiro 2016

Anselmo Borges e o enigma de Deus

 

Anselmo Borges escreve o seguinte:

“É possível que Deus exista, mas também pode não existir. Ninguém pode dizer que sabe que Deus existe, mas também ninguém pode dizer que sabe que Deus não existe. Ninguém sabe se na morte encontramos a vida na sua plenitude em Deus ou se, pelo contrário, para cada pessoa tudo acaba na morte. Este é o grande enigma da vida de cada homem, de cada mulher”.

Anselmo Borges poderia ter escrito: “Este é o grande enigma da vida de cada ser humano”, englobando o homem e a mulher em uma mesma categoria. Mas o politicamente correcto exige que o homem e a mulher pertençam a espécies diferentes. Noutros tempos, dizíamos “Minhas senhoras e meus senhores!” por uma questão de boa educação; hoje, dizemo-lo por obrigação politicamente correcta.


Anselmo Borges erra quando confunde “enigma”, por um lado, e “mistério”, por outro lado.

Aliás, esse erro foi decalcado do livro do jesuíta a que se refere o Anselmo Borges no artigo. Quando estudei a História de Portugal no liceu, pensei que a expulsão dos jesuítas por parte do Marquês de Pombal tivesse sido um exagero; hoje tenho dúvidas se não teria justificação racional. Não é acaso que o papa-açorda Francisco é jesuíta.

Um enigma tem solução, por princípio; um mistério é insolúvel, à luz da razão humana.

O problema do homem moderno é o de que não aceita, por princípio, de que há coisas que não compreende (no sentido do racional determinístico) e nem nunca compreenderá: a ideia segundo a qual possam haver realidades ou fenómenos racionalmente inacessíveis ao ser humano é um sacrilégio modernista e cientificista.

Perante o Ser de Deus (e não a “existência” de Deus, porque Deus não “existe” da mesma forma que o Anselmo Borges), o ser humano debate-se com um mistério, e não com um enigma. Por isso é que a Igreja Católica tradicional fala do “mistério da fé”; talvez a Igreja Católica do papa-açorda Francisco, cientificista e secularista, passe a falar no “enigma da fé”.


A julgar pelo texto de Anselmo Borges, Deus é uma espécie de velho com barbas brancas que vive acima das nuvens, na companhia de S. Pedro que é o manda-chuva. Por isso é que, segundo o Anselmo Borges e o jesuíta autor do livro, “ou Deus existe, ou não existe”. “O ser de Deus não pode ser compreendido como a existência de um existente ao lado ou acima de outros existentes. Se Deus fosse um existente, estaria submetido às categorias da finidade, sobretudo ao espaço e ao tempo” (Paul Tillich).

“O espiritual é fundamental para mim; vou mesmo ao ponto de afirmar que não existe matéria, mas apenas espírito. (…) Aquilo que constitui o fundamento da realidade não é a matéria, mas um campo que, no entanto, não é material, representando, contudo, uma espécie de potencialidade. Um potencial que possui a capacidade de se materializar”. Quem escreveu isto não foi o abade da minha paróquia: foi Hans-Peter Dürr 1.

A ciência actual não pode ser materialista; ou não é ciência. Mas a verdade é que o naturalismo continua a ser o esteio da ciência que impõe uma cultura materialista.


Finalmente, Anselmo Borges confunde “dogma religioso” com “dogma cientificista” — colocando os dois tipos de dogma no mesmo plano ou nível.

É certo que o cientificismo naturalista é uma espécie de religião, mas trata-se de um monismo, imanente e materialista; é uma espécie de religião que apenas se foca em uma pequena parte da Realidade.

A Bíblia é um livro com que os primeiros cristãos transmitiram as suas experiências com Deus sob a forma de imagens, mitos e metáforas. As imagens dizem mais do que as palavras, porque conseguem superar frequentemente a contradição entre o individual e o universal. Por exemplo, a arte: a arte começa onde a linguagem acaba. A religião utiliza a arte das imagens para criar símbolos intersubjectivos que formam a comunidade dos crentes.

Para que estas experiências, e as respectivas imagens (símbolos) que as representam, possam fundar uma comunidade, aquelas são formuladas em dogmas. No sentido religioso propriamente dito — mas não no sentido cientificista ou naturalista —, um dogma é uma afirmação sobre a Realidade que está para além daquilo que é alcançável através da linguagem. O dogma religioso é a tradução do modus ponens da experiência secular religiosa dos cristãos: é uma espécie de “ajuda racional”.

Ou seja, o dogma religioso é um dogma positivo; o dogma cientificista é um dogma negativo (a negação do Ser). Colocar os dois tipos de dogma no mesmo plano de análise, é uma estupidez.


Nota
1. “Gott, der Mensch und die Wissenschaft”, 1997

Terça-feira, 19 Janeiro 2016

Quem não segue as ideias do papa-açorda Francisco é “idólatra e rebelde”

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 10:14 am
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O papa-açorda Francisco afirmou, em uma homilia realizada ontem de manhã na capela da Casa de Santa Marta, que os católicos que se mantêm fiéis à tradição da Igreja Católica são “obstinados, idólatras e rebeldes”, e são “culpados de adivinhação”.

O papa-açorda Francisco comparou os católicos que seguem as directrizes de João Paulo II e de Bento XVI, com o povo judeu dirigido por Saúl que sacrificava animais a Deus; por outro lado, o papa-açorda Francisco comparou-se a si mesmo com Jesus Cristo, na medida em que se serviu das palavras de Jesus Cristo para justificar o insulto feito aos católicos praticantes em geral.

O principal e formidável inimigo dos católicos é o próprio papa-açorda Francisco, em nome daquilo a que ele considera ser “o progresso”, que inclui a tolerância moral em relação à sodomia, ao aborto, ao "casamento" gay, ao sincretismo religioso maçónico que coloca em causa não só o catolicismo mas também o Cristianismo em geral, etc..

POPE-PROGRESS

Sábado, 16 Janeiro 2016

O Anselmo Borges e a revolução na Igreja Católica

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:20 am
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1/ No Cristianismo primordial, os bispos eram eleitos pelo povo cristão. Ainda no tempo de Santo Agostinho, os bispos eram eleitos. Mas a eleição dos bispos só era possível porque os cristãos constituíam uma minúscula minoria da população do império romano.

À medida que o Cristianismo se espalhava entre a população do império, incluindo, na nova fé, culturas heterogéneas em uma mesma comunidade, começaram a acontecer problemas com a eleição do Bispo. Ficou célebre o episódio da eleição do Bispo de Milão e a sua posterior deposição por um movimento popular sanguinário de cristãos lombardos (provenientes da Lombardia); e depois, o mesmo Bispo, em vez de ser eleito novamente, foi nomeado por uma comissão dita “representativa dos cristãos” e permaneceu no cargo até à sua morte natural.

Em todo o império, e à medida em que o Cristianismo ganhava mais e mais fiéis, as eleições dos bispos foram sendo substituídas por nomeações por parte do clero local, e sem interferência directa (embora indirecta) da comunidade cristã (do povo cristão); e a principal razão era a de que as comunidades cristãs do império romano eram culturalmente heterogéneas, e portanto não se entendiam quanto à eleição do Bispo. Por exemplo, em Milão, a comunidade cristã lombarda da cidade queria um Bispo lombardo; já a comunidade cristã lígure da cidade queria um Bispo proveniente da Liguria. E por aí afora.

Com o Concílio de Niceia, a eleição dos bispos foi definitivamente abolida.


O Anselmo Borges propõe aqui a eleição da hierarquia da Igreja Católica por parte de mais de mil milhões de católicos.

Quem conhece minimamente a história da Igreja Católica, não se deixa enganar pelo Anselmo Borges. A democracia representativa (e a participativa) só é possível a nível da nação (ver o que significa nação). Vemos, por exemplo, a dificuldade da democracia espanhola, com os seus movimentos nacionalistas locais — exactamente porque a Espanha não é uma nação, mas antes é um conglomerado de nações. Se houve qualquer coisa de positivo na Revolução Francesa foi a demonstração da identificação entre democracia e nação.

Mas dentro de uma mesma nação, a democracia é conflituosa, faz com que os nacionais se virem uns contra os outros — como aconteceu em Milão com a eleição do Bispo, no tempo de Santo Agostinho. E se extrapolarmos o princípio democrático, na eleição da hierarquia da Igreja Católica, para mil milhões de católicos de várias culturas e espalhados por todo o mundo, facilmente nos damos conta de que a utopia de Anselmo Borges é loucura.

2/ o Anselmo Borges diz que, para se ter uma noção ética correcta da vida sexual, é preciso que quem faz juízos de valor acerca da vida sexual não seja celibatário.

Esta posição faz lembrar a de Lobo Antunes:

“Eu me pergunto se um homem que nunca fodeu pode ser um bom escritor.” → António Lobo Antunes

O Rerum Natura escreveu aqui um bom artigo sobre o assunto; e eu também escrevi aqui qualquer coisa. Não consta que Fernando Pessoa, por exemplo, tivesse fodido; portanto, no critério de Lobo Antunes na estética (e o de Anselmo Borges na ética), Fernando Pessoa não pode ser um bom escritor. A ideia segundo a qual é absolutamente necessário ter determinadas experiências de vida prática para se obter uma sensibilidade estética apurada, é um sofisma. E o mesmo se aplica à ética.

3/ o Anselmo Borges propõe o fim da imposição do celibato aos sacerdotes católicos. Aqui, vou parafrasear Nicolás Gómez Dávila:

“A crescente dificuldade de recrutamento de padres deve embaraçar a humanidade, e não preocupar a Igreja Católica”. → Nicolás Gómez Dávila

A solução apropriada para uma humanidade embaraçada consigo mesma, é a promoção de diáconos (que podem ser casados ou casadas) em determinadas funções da Igreja, mantendo-se o celibato dos sacerdotes.

4/ o Anselmo Borges propõe que as mulheres sejam ordenadas sacerdotisas da Igreja Católica, e propõe mesmo que uma mulher seja “eleita Papisa”. Quer voltar ao tempo da papisa Joana.

A experiência recente da Igreja Anglicana, que efectuou reformas que incluem a nomeação de “Bispas” (mulheres casadas, heterossexuais ou lésbicas), veio demonstrar que Anselmo Borges está errado. Hoje, e depois das reformas, a Igreja Anglicana tem menos de 1 milhão de fiéis em um pais como mais de 70 milhões de almas. A reforma anglicana foi um fiasco. Esta diminuição do número de fiéis inclui as mulheres britânicas que se desligaram da Igreja Anglicana — e não só de homens, como é óbvio: foram as próprias mulheres que se afastaram da Igreja Anglicana, depois das reformas que pretendiam identificar as mulheres com os homens no seio de uma comunidade cristã.

5/ o Anselmo Borges pretende a eliminação dos mitos judaico-cristãos existentes no seio da Igreja Católica, por exemplo, erradicando a noção de “pecado original”.

O Anselmo Borges confunde mito, por um lado, com mentira ou falsidade, por outro lado. Para o Anselmo Borges, mito é sinónimo de mentira. A verdade, porém, é a de que o mito não pode entrar pura e simplesmente na alternativa verdadeiro / falso. Apesar de imaginário ou ideal, o mito não pode ser reduzido à ilusão, ao erro, à mentira. O Anselmo Borges tem obrigação de saber isto, mas faz de conta que não sabe, para enganar o povo católico.

O que Anselmo Borges defende, através da erradicação da noção de “pecado original”, é a eliminação, no ser humano, do sentimento culpa — o que é uma impossibilidade objectiva. Sem sentimento de culpa (originário ou não), um ser humano é um robô. Ora, um robô não tem dignidade. Alegadamente em nome da dignificação do ser humano, Anselmo Borges defende a redução do ser humano a uma espécie de robô.

O que o Anselmo Borges defende, em suma, é uma Igreja Católica prometaica, em que o ser humano ocupa o vértice superior da pirâmide dos valores. Anselmo Borges está, para a Igreja Católica, como o Bloco de Esquerda está para a nossa sociedade: ambos são muito perigosos, porque aproveitam-se do espírito do tempo para convencer as pessoas de que não existem valores eternos.

Quarta-feira, 13 Janeiro 2016

Cátaros, albigenses e valdenses eram seitas gnósticas

 

O problema da narrativa histórica é o de que depende da interpretação dos factos, e não dos factos em si mesmos; ou melhor dizendo, os factos documentados apenas servem para fundamentar uma qualquer interpretação deles. Os historiadores contam uma história que não tem necessariamente uma relação causal e, sobretudo, não vai à essência dos factos.

Temos aqui uma narrativa histórica acerca dos cátaros, albigenses e valdenses; os factos citados (datas, eventos, nomes de pessoas) correspondem, grosso modo, à verdade histórica. Mas o erro da narrativa está na essência: parte-se do princípio (na narrativa) de que as seitas da Antiguidade Tardia que deram origem aos cátaros, albigenses e valdenses, eram cristãs — o que é absolutamente falso.

O problema dos historiadores em geral é o de não terem estudado suficientemente filosofia. Afirmar que as seitas gnósticas da Antiguidade Tardia eram cristãs, é um erro de palmatória.

(more…)

Sábado, 9 Janeiro 2016

Os sofismas do Anselmo Borges acerca do “futuro de Deus”

 

“Nos últimos séculos, a fé cristã teve falta de inteligência, e a inteligência cristã teve falta de fé”. (Nicolás Gómez Dávila)


Sofisma nº 1

“há o perigo de esquecer que, contra o que frequentemente se pensa, antes do século XIV, a Europa, segundo, G. Duby, não apresentava senão "as aparências de uma cristandade. O cristianismo não era plenamente vivido senão por raras elites”. ( Anselmo Borges)

Em primeiro lugar, passa a ideia segundo a qual, depois do século XIV, o Cristianismo passou a ser melhor vivido do que era antes; em segundo lugar, passa a ideia segundo a qual terá havido na História períodos em que o Cristianismo foi vivido plenamente não só por raras elites.

O que o Anselmo Borges escamoteia é a cultura de raiz cristã, que é marca de uma civilização, e que está para além da forma subjectiva de “como” o Cristianismo foi ou é vivido. Por exemplo, antes do século XIV, S. Bernardo, que era presumivelmente parte dessa rara elite, defendia a casuística que é uma forma pouco cristã e mais judaica de conceber Deus.

Dizer que “o cristianismo não era plenamente vivido senão por raras elites” requer que se defina, em primeiro lugar, o que é “viver plenamente o Cristianismo”, e para além da sua influência na cultura antropológica.


“A evolução do dogma cristão é menos evidente que a evolução da teologia cristã. Nós, católicos, com muito pouca teologia acreditamos hoje na mesma coisa que converteu o primeiro escravo em Éfeso ou em Corinto”. (Nicolás Gómez Dávila)


Sofisma nº 2

“Lutero também escreveu: "Temo que haja mais idolatria agora do que em qualquer outra época." Daí que Delumeau acentue a importância da actualização, também para se não cair em idealizações e dogmatismos. Por vezes, é preciso "desaprender", não idealizar o passado”. ( Anselmo Borges)

Quando o Anselmo Borges confunde dogma, por um lado, e teologia, por outro lado, incorre num sofisma. Através da evolução da teologia, Anselmo Borges defende a “desaprendizagem” do dogma por intermédio daquilo a que ele chama de “actualização”. Assim como os modernos dizem que “a lógica evolui”, assim o Anselmo Borges diz que o dogma evolui.

Sofisma nº 3

Qual é o grande mal do cristianismo? A sua ligação ao poder. "Pelas suas consequências, uma das mais trágicas falsas vias para as Igrejas cristãs foi, depois do fim das perseguições, a ligação entre o poder imperial romano e a hierarquia eclesiástica, simbolizada e fortificada pela coroação de Carlos Magno pelo Papa." (idem)

É impossível que uma religião — qualquer que seja — não tenha uma ligação ao Poder. Negar que o Cristianismo possa ter uma ligação ao Poder é negar a própria Natureza Humana. O que é importante é racionalizar a ligação da religião ao Poder, como aconteceu na Europa ocidental em que a Igreja Católica e o Poder se separaram, e ao contrário do que aconteceu na Igreja Ortodoxa e com o luteranismo.

Sofisma nº 4

Dever-se-á perguntar: como foi possível o movimento iniciado por Jesus ter hoje um Vaticano?! Seja como for, digo eu, a história é o que é e o que se impõe é uma revolução, para modos democráticos de governo eclesial, para a simplicidade, a transparência, o serviço. Cardeais e bispos não são "príncipes" nem podem viver como "faraós", diz Francisco. E as nunciaturas só poderão justificar-se enquanto serviços humildes de pontes para o diálogo e a paz mundiais. (ibidem)

Exactamente porque a Igreja Católica se separou do Poder, serviu durante séculos, de contra-poder. É exactamente este papel de contra-poder que é exercido pelo papa-açorda Francisco, mas que ele critica. Ou seja, ele exerce esse contra-poder e, simultaneamente, critica esse contra-poder — o que nos dá um vislumbre da irracionalidade do papa-açorda.

Quando Jesus Cristo disse “tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha igreja” (Mateus, 16, 18), Jesus quis dizer que a Igreja Católica teria uma hierarquia — porque qualquer edificação tem uma estrutura, e dentro da estrutura, as partes não são todas iguais. Ademais, o Anselmo Borges generaliza (falácia da generalização): a maioria dos cardeais e bispos não vivem como faraós: quando toma uma pequena parte pelo todo, o Anselmo Borges (assim como o papa-açorda Francisco) pretende condenar o todo.

Ao querer tornar a Igreja Católica inumana (no sentido de eliminar dela a Natureza Humana), o papa-açorda Francisco e os seus apaniguados (como o Anselmo Borges) pretendem destruir a Igreja Católica. É isso que essa gente pretende, em nome da criação de uma Igreja Católica perfeita, feita por homens perfeitos e por santos que ainda não morreram mas que (alegadamente) já fazem milagres.

O Anselmo Borges e o governo mundial

Filed under: Política — O. Braga @ 8:39 am
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Num governo mundial, não há refugiados políticos — a não ser que os dissidentes políticos se exilem em Marte. É este governo mundial que é defendido pelo Anselmo Borges através da invocação da autoridade de outrem.

Depois há, no texto do Anselmo Borges, a ideia muito politicamente correcta segundo a qual é o medo em relação ao outro que “é causa da agressividade”; por isso, há que ser bonzinho, “tirar as calças e dar para ele”.

 

Segunda-feira, 4 Janeiro 2016

O presépio do Vaticano vai ter um transsexual a representar a Virgem Maria

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 5:50 pm
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Na missa de ontem, o papa-açorda Francisco fez questão de que um dos Reis Magos fosse do sexo feminino (via).

burla-parodia-bergoglio

Já se diz por aí que, no próximo Natal, o presépio do Vaticano vai ter um transsexual a representar a Virgem Maria.

Quarta-feira, 4 Fevereiro 2015

Os erros da “não-esquerda” continuam

 

O Bispo de Braga diz que os portugueses têm mais coisas importantes em que pensar em vez de estarem preocupados com a adopção de crianças por pares de invertidos. Ou seja, para o Bispo de Braga é uma questão de prioridade, e não de legitimidade, a discussão da adopção de crianças por pares de invertidos. Este erro já foi cometido  várias vezes pelos “conservadores” e a Esquerda radical ganhou sempre.

Não é uma questão de a adopção de crianças por pares de invertidos ser mais prioritária ou menos prioritária: a questão é que a adopção de crianças por pares de invertidos, para além de ir contra o interesse da criança, é um aberração cultural, mina os fundamentos culturais da família natural — e, por isso, mina o futuro da nossa sociedade —, serve apenas os interesses políticos dos adultos homossexuais, não é um direito natural gay mas antes é um privilégio, pretende tornar igual aquilo que não é nem nunca será igual, atenta contra o princípio de igualdade natural exarado na Constituição, e portanto nem sequer deve ser colocada a questão da adopção de crianças por pares de invertidos. Está fora de questão e ponto final. Por princípio não vamos discutir o absurdo.

Por outro  lado, D. Duarte Pio diz que o referendo sobre a adopção de crianças por pares de invertidos não deve existir e que o assunto deve ser entregue aos “técnicos”. Ora, D. Duarte Pio deve saber que os “técnicos” são maioritariamente da Esquerda radical — a começar pelo Júlio Machado Vaz. Ou seja, D. Duarte Pio parece concordar com a ideia de que se os “técnicos” decidirem — como decidirão certamente — que uma criança deve ser adoptada por dois gays, então a adopção é acertada. Não é preciso referendo.

A questão é a seguinte: ¿é absurdo referendar o absurdo?

Em princípio, é absurdo referendar o absurdo. Não faz sentido um referendo, por exemplo, em que o povo se pronuncie acerca dos direitos dos extraterrestres. Mas se houver uma elite política constituída maioritariamente por psicóticos que acredita que os extraterrestres têm direitos, então não devemos entregar aos “técnicos” controlados por essa elite a decisão sobre os putativos direitos dos extraterrestres. Neste caso impõe-se um referendo, como um mal menor — porque de outra forma, essa elite política psicótica imporia a toda a sociedade uma estimulação contraditória e o povo entraria paulatinamente em dissonância cognitiva.

Tanto o Bispo de Braga como D. Duarte Pio assumem posições politicamente correctas. É lamentável. É assim que o radicalismo psicótico de Esquerda vai ganhando terreno.

Terça-feira, 18 Fevereiro 2014

O Papa Francisco I nega a existência do Estado do Vaticano

Filed under: Tirem-me deste filme — O. Braga @ 1:19 pm
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“O Papa Francisco decidiu continuar as suas viagens com um passaporte argentino, cuja renovação pediu, anunciou esta segunda-feira o Ministério do Interior em Buenos Aires. Os seus antecessores optaram por, depois de eleitos, pedir um passaporte do Vaticano, abdicando do de origem.”

papa passaporte argentino

Repare-se que, na fotografia do passaporte argentino, o cardeal Bergoglio veste-se com a roupa de Papa, e não com a roupa de cardeal argentino.

¿Como é que um chefe-de-estado do Vaticano pode ser de nacionalidade argentina? Resposta: anulando e negando o Estado do Vaticano. Seria a mesma coisa se o nosso presidente da república adoptasse a nacionalidade espanhola.

Mais um tiro no pé do cardeal Bergoglio, a que muitos (impropriamente) chamam de “Papa”.

Segunda-feira, 10 Fevereiro 2014

Petição de apoio à Santa Sé

 

A ONU tem vindo a atacar a Igreja Católica, exigindo que esta aceite o aborto e o ensino da promiscuidade sexual nas escolas. Assine a petição (em português) de apoio à Santa Sé, aqui.

defend Vatican at UN

Domingo, 9 Fevereiro 2014

Santa Josefina Bakhita

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 8:03 am
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santa josefina 3Ontem, 8 de Fevereiro, a Igreja Católica celebrou a memória da Santa Josefina Bakhita. Santa Josefina Bakhita nasceu no Dafur em 1869 — essa região africana tristemente célebre pelo recente genocídio silencioso — e faleceu a 8 de Fevereiro de 1947 em Schio, Vicenza, Itália. O seu corpo mantém-se incorruptível, sepultado sob o altar da igreja do convento canossiano de Schio. Santa Josefina Bakhita foi canonizada pelo Papa João Paulo II em Outubro de 2000.

Confesso que não sabia grande coisa acerca dela até ontem, e passei algum tempo a investigar a vida dela; e que fiquei surpreendido e até emocionado com a história desta “santa morena”. A Igreja Católica tem o condão de emocionar o coração mais empedernido com a realidade de vida dos seus santos, mas esta Santa Josefina é um caso que desafia a metafísica.

Antes de mais, leiam a história da vida de Santa Josefina Bakhita. Em rodapé podem ver várias ligações diferentes para outros tantos sítios com informações acerca desta santa singular da Igreja Católica.

Talvez o único aspecto da doutrina da Igreja Católica em relação à qual tenho dúvidas é a ideia segundo a qual “a alma é criada de raiz no momento da concepção” (a alma não existia antes da concepção do corpo); no fundo, trata-se da versão católica do conceito estóico de “tábua-rasa”.

S. Paulo contraria esta ideia da Igreja Católica através de 1 COR 15, 45 – 49:

“O primeiro homem, tirado da terra, é terrestre; o segundo vem do céu. Tal como era o terrestre, assim são também os terrestres; tal como era o celeste, assim são também os celestes.”

santa josefina 1O que S. Paulo quer dizer é o seguinte: a alma humana pode (pelo menos em alguns casos) existir antes do nascimento do ser humano. A alma ou espírito humanos podem anteceder a sua encarnação no corpo. E só assim se explica a vida dos santos da Igreja Católica, e por maioria de razão, a vida de Santa Josefina Bakhita.

Mesmo o “homem terrestre”, em relação ao qual S. Paulo diz que é “tirado à terra”, tem uma missão qualquer perante Deus. É, pelo menos, uma “missão privada”, por assim dizer, assumida pelo indivíduo em relação a Deus. E depois temos “os homens que vêm do céu”, e cuja missão assumida perante Deus não é apenas do âmbito privado, mas antes assume uma dimensão da comunidade ou mesmo da humanidade.

Os santos não querem ser santos. A última coisa que lhes passa pela cabeça é serem santos. O facto de serem santos decorre apenas do nosso reconhecimento da sua (deles) santidade. A santidade dos santos é intrínseca, endógena ao seu espírito; a santidade faz parte da natureza dos santos ou daqueles que “vêm do céu”.


santa josefina 2Para além da facticidade existencial, ou seja, daquilo que nos parece ser “pura contingência”, há sempre a possibilidade de que a contingência seja (pelo menos em uma parte dos fenómenos) apenas aparente, e que haja — em alguns aspectos aparentemente contingentes da vida de um ser humano (e principalmente nos santos) — uma “necessidade” divina que, em muitos casos, controla determinados acontecimentos que nos parecem ser contingentes porque não temos uma explicação para eles. Ou seja, em muitos casos de algumas vidas, o destino da pessoa é literalmente “guiado” ao mesmo tempo que lhe é garantido a priori o seu livre-arbítrio. Trata-se de uma “liberdade guiada”, como um pai “guia” a liberdade de um filho, em que a facticidade é transcendida por um desiderato divino específico em relação a uma determinada pessoa.

O problema é que nós, humanos, não conseguimos saber quando a contingência é apenas aparente, ou seja: não temos a capacidade de saber se uma determinada possibilidade de um acontecimento já verificado, foi um efeito apenas de variáveis humanas e/ou da decorrência normal de variáveis quânticas no decurso da progressão do espaço-tempo, ou, se a sequência de eventos sofreu uma (parcial) influência exógena (divina) ao ser humano e à dimensão do espaço-tempo que, de certo modo, “moldou” um curso de uma vida em uma determinada direcção.

Não está aqui em causa a liberdade do indivíduo. O que está em causa é a assunção total da contingência e da facticidade. Pelo menos em alguns casos, a contingência é “manipulada”, por assim dizer; o curso dos acontecimentos é influenciado (por Deus) em uma determinada direcção, deixando-se contudo ao indivíduo que escolha livremente o sentido.


Sábado, 1 Fevereiro 2014

A contradição do Padre jesuíta Vasco Pinto Magalhães sobre a adopção

 

Lemos aqui o seguinte:

«O padre Vasco Pinto Magalhães, da província portuguesa da Companhia de Jesus (jesuítas), afirmou que a discussão sobre adopção e co-adopção por pessoas do mesmo sexto tem de centrar-se nos “direitos da criança”.

(…)

“Adoptar não é um direito da maioria heterossexual que o homossexual reivindique”, precisou.»

Mas, logo a seguir, o padre Vasco Pinto Magalhães diz o seguinte:

«O sacerdote jesuíta sublinha que os Direitos Humanos “não vão a votos e que “os referendos têm o perigo de fazer crer que o legal é, necessariamente, ético”.»

Dos jesuítas não podemos esperar nunca, jamais, qualquer coerência. A coerência jesuíta consiste na incoerência e na ambiguidade, ou seja, um jesuíta incoerente é absolutamente coerente — como podemos verificar pela idiossincrasia do cardeal Bergoglio.

Jesuíta que se preze dá sempre “uma no cravo e outra na ferradura”. Talvez por isso o Marquês de Pombal se incompatibilizou com eles, porque o jesuíta é educado para se mover na ambiguidade e na ambivalência da política. Ora, que eu saiba, Jesus Cristo não pertenceu à elite política.


Das duas, uma: ou a adopção, em geral, é um “direito humano”, e, por isso, um direito dos adultos em geral — ou não é. O padre Vasco Pinto Magalhães não é Deus (pelo menos, que eu saiba), para ter a capacidade de revogar o princípio do terceiro excluído.

Ora, se não existe um “direito” dos adultos à adopção, qualquer reivindicação à adopção por parte de indivíduos adultos pertencentes a um qualquer grupo social ou cultural pode ser sujeita a referendo. Por exemplo, em 2005, os suíços referendaram o “casamento” gay, porque o casamento é uma instituição, e em todas as instituições há aqueles que reúnem as condições para nelas poderem estar, e outros não — nem toda a gente tem o “direito” automático a estar dentro de uma instituição.

A adopção também é uma instituição. Portanto, há aqueles que reúnem as condições para estar dentro desta instituição, e outros não. E são essas condições que devem ser sujeitas a referendo, e não putativos “direitos humanos” que não são para aqui chamados.

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