perspectivas

Sábado, 30 Abril 2016

A sexortação pós-sinodal "A alegria do amor", do papa Chico

 

O papa Pio X avisou-nos que a ambiguidade é uma arma dos relativistas para apresentar as suas doutrinas sem uma ordem clara e identificável, dando a ilusão de que o ambíguo relativista pode ter dúvidas quando, na realidade, sabe bem o que quer.

Como não podia deixar de ser, o Anselmo Borges faz uma ode à sexortação pós-sinodal "A alegria do amor". Começa por dizer que “a pessoa é a verdade”, para daí concluir que “qualquer pessoa é a verdade”; ou seja, infere-se que a pessoa do santo é a verdade, na mesma proporção em que a pessoa do assassino é a verdade. O Anselmo Borges faz lembrar o Marginalismo.

A sexortação pós-sinodal "A alegria do amor" do papa Chico segue dois padrões ideológicos: a casuística jesuíta e a intencionalidade subjectivista de Pedro Abelardo. A ler:

Não vou aqui comentar profusamente a opinião do Anselmo Borges acerca da “profunda alteração do casamento”, porque só isso daria um artigo. O casamento, em si mesmo, não se alterou; o que se alterou foi a cultura, e as culturas não são todas iguais ou equivalentes entre si. O divórcio não é invenção moderna; já existia, por exemplo, entre os romanos do império, e não consta que os romanos fossem modernos e prá-frentex; a redução da chamada “família tradicional” a uma unidade económica é um absurdo, porque toma a parte pelo todo.

Para além de impôr a casuística como norma arbitrária, por um lado, e de adoptar o subjectivismo como padrão de juízo ético (o que é impossível, em termos práticos), por outro lado, o papa Chico repudia as epístolas do verdadeiro S. Paulo, para além de se colocar acima de Jesus Cristo quando Este definiu o casamento (“não separe o homem aquilo que Deus uniu”). O papa Chico considera-se acima do próprio Jesus Cristo, e o Anselmo Borges presta-lhe vassalagem.

O papa Chico é o coveiro da Igreja Católica, com a bênção de Anselmo Borges e quejandos. O Anselmo Borges pode enganá-lo a si, caro leitor; mas não engana toda a gente. O Anselmo Borges não resistiria a cinco minutos de discussão comigo acerca do papa Chico. E ele sabe disso; e por isso é que tenta branquear aquilo que está de tal forma maculado que já não pode ser recuperado.

Domingo, 17 Abril 2016

O papa do sul que odeia o norte

 

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Na sequência da sua visita à ilha de Lesbos na Grécia, o papa Chico escolheu 13 refugiados muçulmanos para acolher no Estado do Vaticano. Tratam-se de três famílias de refugiados sírios.

papa-freak-webHá aqui três comentários que eu quero fazer.

O primeiro: o papa Chico não usa o passaporte do Estado do Vaticano — ao contrário dos seus antecessores. Ele usa o passaporte argentino porque, segundo as suas próprias palavras, a Igreja Católica deve ser descentralizada e o Estado do Vaticano não faz sentido. Vemos aqui o homem ressabiado do hemisfério sul contra a História do mundo do norte. Mas se ele usa o passaporte argentino e se recusa a usar o do Vaticano, ¿por que razão ele utiliza o Estado do Vaticano para acolher refugiados?

Segundo: haveria certamente uma família cristã síria refugiada em Lesbos; o papa Chico poderia ter acolhido no Estado do Vaticano uma família cristã e duas muçulmanas, por exemplo; mas ele decidiu que as três famílias seriam muçulmanas. Vemos aqui, mais uma vez, o ressabiamento do homem do sul em relação à cultura endógena da Europa. Existe uma forte dose de sociopatia no papa Chiquinho.

Terceiro: o papa Chiquinho terá que construir uma mesquita no Estado do Vaticano (¿por que não na Praça de S. Pedro?) para que as famílias muçulmanas acolhidas por ele possam rezar a Alá.

Sábado, 16 Abril 2016

Anselmo Borges, o papa Chico e a quadratura do círculo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:07 pm
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Com a verdade me enganas, Anselmo Borges!

É verdade — como diz o Anselmo Borges referindo-se ao papa Chico — que cada ser humano tem a sua própria consciência que é distinta das dos outros seres humanos.

Porém, todas as manifestações da vida humana individual são precedidas de uma interpretação do mundo, que é uma hipótese de fundo — na maior parte dos casos, não reflectida — sobre o sentido da vida e sobre o valor das coisas que são desejáveis. Sem uma confiança primordial (ou desconfiança) em um determinado sentido da vida, não é possível viver, nem agir — caso se entenda por viver e agir algo mais do que um simples processo biológico.

Esse sentido da vida, qualquer que seja, é um juízo último não expresso (subconsciente ou mesmo inconsciente) sobre a realidade global cósmica e humana que entram na nossa existência quotidiana, determinando — como uma espécie de bússola invisível — a nossa relação com o mundo e connosco próprios. Cada ser humano vive a partir de uma determinada e particular cosmovisão; e esta nunca é um resultado de uma reflexão racional. Os budistas chamam a isso (a essa determinada e particular cosmovisão) de “Kharma”.

Essa cosmovisão, particular a cada ser humano, é sempre o resultado de uma interpretação pré-racional das experiências feitas no mundo: nunca é possível comprová-la em termos experimentais ou científicos. Se alguém vive, mais ou menos consciente, de acordo com a máxima segundo a qual a vida não obedece a nenhum valor superior; ou se concebe o casamento como um acidente da sua vida pessoal; ou se concebe o comportamento homossexual como sendo normal e até recomendável — então, em cada um destes juízos, a Existência é interpretada sempre em relação à sua Totalidade. Quando alguém goza a vida sem quaisquer limitações, também já fez uma interpretação da Existência (não só a existência desse alguém, mas também a de todos!).

As acções do ser humano, enquanto ente individual, reflectem essa interpretação da existência que é pré-racional (Kharma).

O Anselmo Borges escreve (parafraseando o papa Chico):

“É preciso dar "espaço à consciência dos fiéis: somos chamados a formar consciências, não a pretender substituí-las". A Igreja não abandona pastoralmente "os fiéis que simplesmente vivem juntos, que contraíram matrimónio apenas civil ou são divorciados e voltaram a casar". É contra o machismo, exalta o prazer erótico, é a favor do feminismo, entende quem tem tendência homossexual e percebe que há situações em que "a separação é inevitável, podendo até chegar a ser moralmente necessária". "Não há receitas simples." "A Igreja não é uma alfândega", mas "um hospital de campanha", "a misericórdia é a trave-mestra que sustenta a sua vida." "Na Igreja, é necessária uma unidade de doutrina e de práxis, mas isso não impede que subsistam diferentes modos de interpretar alguns aspectos da doutrina ou algumas consequências que derivam dela."

“A Igreja Católica é contra o machismo mas a favor do feminismo” — diz ele (passemos adiante).

A interpretação pré-racional da existência (de que falamos acima) também caracteriza, por exemplo, o psicopata. E se as múltiplas interpretações pré-racionais da existência são equivalentes, ou pelo menos semelhantes, então chegamos à conclusão do Anselmo Borges e do papa Chico: “Na Igreja, é necessária uma unidade de doutrina e de práxis, mas isso não impede que subsistam diferentes modos de interpretar alguns aspectos da doutrina ou algumas consequências que derivam dela."

Entramos já no relativismo ético. A Igreja Católica do papa Chico defende o relativismo como único valor absoluto; pretende transformar o conceito de “interpretação” em uma espécie de círculo quadrado que acomoda todas as interpretações pré-racionais da existência.

Segunda-feira, 11 Abril 2016

É preciso avisar a Ana Lourenço que a RTP não é a SIC

 

Na sequência do documento vergonhoso emitido pelo papa Chico sobre a família, a Ana Lourenço chamou ao estúdio da RTP o Frei Bento Domingues em entrevista exclusiva; ou seja, sem contraditório. Parece que a Ana Lourenço chegou à RTP com os vícios adquiridos na SIC, em que o Bilderberger Pinto Balsemão impõe a lei da rolha em matéria de discussão de costumes e tradição.

Sobre a entrevista exclusiva do Frei Bento Domingues à Ana Lourenço, ler este artigo.

Sexta-feira, 8 Abril 2016

Documento vergonhoso

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 7:39 pm
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Este aqui, assinado pelo papa Chico. Mais de 60 mil palavras ambíguas e sem vergonha. O papa Chico defende a casuística (à boa maneira jesuíta) para o juízo acerca sobre se o adúltero deve participar na comunhão eucarística. Ele não o diz explicitamente, mas é o que podemos inferir do texto.

Vão surgir por aí "católicos fervorosos" a dizer que “a intenção do papa Chico não é essa”. Ignorem-nos.

Nos parágrafos 298 – 302, o papa-açorda Francisco defende a ideia segundo a qual é impossível a uma pessoa ter consciência da culpa dos actos pecaminosos em que participa, isto é, voltamos à casuística dos jesuítas da contra-reforma. Segundo o papa Chico, cabe ao sacerdote, e caso a caso, decidir da culpa do acto pecaminoso.

No parágrafo 186, o papa-açorda redefine escandalosamente o conceito de “consciência do corpo de Cristo”, levando à inversão do significado de “admoestação”. Ou seja, o papa-açorda não nega explicitamente a doutrina da Igreja Católica neste domínio, mas tenta distorcer a doutrina. Uma vergonha!

Quinta-feira, 7 Abril 2016

¿Por que razão a Sociedade S. Pio X divergiu do Concílio do Vaticano II?

Filed under: cultura — O. Braga @ 11:31 am
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O papa Chico recebeu esta semana D. Bernard Fellay, o superior geral da Sociedade S. Pio X. Naturalmente que voltaram a surgir, nos me®dia, os convites do Chico para que a SSPX aceitasse o Concílio do Vaticano II. Afinal, ¿qual é a divergência da SSPX em relação ao Concílio do Vaticano II?

Existem divergências formais ou de conteúdo.

As divergências formais têm a ver com os símbolos (a liturgia); o Concílio do Vaticano II está imbuído de uma visão hegeliana da História que transforma os símbolos religiosos em meros sinais que podem ser mudados a qualquer momento e de forma arbitrária, dependendo do Zeitgeist (a imanência do Concílio do Vaticano II).

A divergência de conteúdo tem a ver com questão da “consciência” no ser humano.

Uma das razões por que eu não gosto de Kierkegaard é a noção dele (kantiana) segundo a qual “a verdade absoluta é sempre uma verdade individual”. O Concílio do Vaticano II levou esta noção ao extremo quando adoptou basicamente todos os preceitos da Nova Teologia, que faz com que o conceito de “verdade” se pulverize e se atomize.

Grosso modo, a noção de “verdade”, segundo o Concílio do Vaticano II, é a seguinte: “Cada indivíduo tem a sua verdade absoluta que é igual à verdade absoluta de qualquer outro”.

É dentro deste espírito do Concílio do Vaticano II que surgem criaturas como o Frei Bento Domingues e o Anselmo Borges, e em última análise, o papa Chico. Dentro desta concepção de “verdade”, o papa Chico estabelece um diálogo dito “ecuménico” com toda a espécie de gente (porque, alegadamente, “a verdade absoluta é de cada um”), recebe amistosamente no Vaticano maçons, pederastas e muçulmanos radicais, critica o capitalismo mas nunca criticou Fidel Castro, etc..

Para a Sociedade S. Pio X, a verdade e o bem são objectivos, e não meramente subjectivos. E na linha de S. Tomás de Aquino, a liberdade do ser humano consiste em escolher (ou não) essa verdade objectiva que implica o bem.

Ou seja, para o Sociedade S. Pio X, o Bem coincide com o Justo; mas para o Concílio do Vaticano II e para o papa Chico, o Justo é universal e o Bem é privado.

Sábado, 2 Abril 2016

Anselmo Borges e o radicalismo islâmico

 

Novo texto do Anselmo Borges, desta vez sobre o “radicalismo islâmico” (passo a redundância).

Algumas considerações minhas: desde logo, Michael Walzer não é propriamente de Esquerda (como afirma Anselmo Borges): ele é aquilo a que se chama em filosofia um “comunitarista” — de “comunitarismo” : como, por exemplo, Charles Taylor, Michael Sandel, Alasdair MacIntyre, que são tudo menos de Esquerda —; uma característica genérica da Esquerda é o internacionalismo, e o “comunitarismo” de Michael Walzer impede-o de entrar na categoria da Esquerda.

Depois, o Anselmo Borges defende a ideia de que o Alcorão deve ser treslido, ou seja, sujeito a uma determinada interpretação que obnubile aquilo que lá está realmente escrito.

islam-evolution-webNo seu livro “A Doença do Islão”, Abdelwahab Meddeb escreveu que o Islamismo foi relativamente pacífico enquanto a população islâmica era analfabeta e, por isso, não podia ler o Alcorão — mas estava à mercê dos humores circunstanciais das elites políticas islâmicas (o califa): eram as elites políticas do califado que determinavam as condições da Jihad.
A partir do momento em que a literacia se propagou no mundo islâmico, tornou-se impossível às elites políticas controlar o radicalismo instituído pelo próprio Alcorão. Quem adopta o Alcorão como fonte doutrinária não pode ser outra coisa senão um radical político e religioso — porque o Islamismo não é propriamente uma religião como as outras, mas antes é um princípio de ordem política.

A seguir, Anselmo Borges defende a laicidade do Estado no mundo islâmico. Esta tese é engraçada, porque foram os “progressistas” da estirpe do Anselmo Borges (Obama incluído) que apoiaram a Primavera Árabe que destruiu o Estado laico no Próximo Oriente, nomeadamente na Síria e no Egipto. Ou seja, provocaram o problema da imigração em massa de muçulmanos para a Europa, e agora assobiam para o lado.

Esta proposta de Anselmo Borges é difícil de se realizar senão em um contexto de um sistema político relativamente autoritarista; a democracia, no mundo islâmico, conduz inexoravelmente à teocracia, porque a Sharia (a lei islâmica) é deduzida directamente do Alcorão — ao contrário do que se passa no Direito Canónico católico, onde a lei canónica é uma construção da tradição e da interpretação da teologia católica ao longo do tempo (por isso é que o papa-açorda Francisco se atreve a desdizer todos os papas anteriores, porque o Direito Canónico é um códice que não se escora directamente no Novo Testamento).

Ou seja: tresler o Alcorão ou defender uma laicidade no mundo islâmico é colocar em causa o Alcorão e, por isso, é colocar em causa o Islamismo. Esta é a realidade, pura e dura, sem a utopia do Anselmo Borges.


Depois, Anselmo Borges falta à verdade, quando escreve:

“A Igreja Católica teve muita dificuldade em aplicar estes pressupostos [da laicidade], que aceitou plenamente apenas no Concílio Vaticano II”.

A tradição da Igreja Católica foi marcada, desde o seu início, pela História da Europa ocidental (império romano do ocidente), e divergiu essencialmente da Igreja Ortodoxa Grega marcada pelo império romano oriental. A ocidente, a influência política da Igreja Católica sempre foi condicionada pelo poder feudal e dos reis e imperadores — ao contrário do que se passou a oriente, onde a Igreja Ortodoxa Grega se aproximou de uma teocracia [em contraponto, a Igreja Ortodoxa Grega desenvolveu um método de legislação teológica diferente do da Igreja Católica, em que as decisões teológicas e dos costumes têm uma maior democraticidade e não dependem exclusivamente da hierarquia clerical como acontece na Igreja Católica: o cidadão grego ortodoxo comum participa (mais ou menos) na construção da sua teologia, o que não acontece na Igreja Católica].

Desde a alta Idade Média que existiram, dentro da Igreja Católica, movimentos que defenderam o poder absoluto do papa (principalmente entre os franciscanos menores). Mas, em reacção a esses movimentos, surgiram muito cedo (também na Idade Média) os adeptos da Razão de Estado que se opunham ao poder absoluto do papa. Criou-se assim uma dialéctica de tensão política que condicionou sempre o poder político do Vaticano na Europa ocidental. Basta ver o que se verificou com o Estado Novo de Salazar: a Igreja Católica foi “arrumada” no seu devido lugar pelo ditador.

O Concílio do Vaticano II foi um evento teológico que teve repercussões políticas, é certo; mas foi, em primeiro lugar, uma concessão à Nova Teologia imanente e de cunho protestante (a aliança da religião com o Estado, em que aquela se submetia a este mas “trabalhavam” no mesmo sentido, ao contrário do que se passava anteriormente, em que a Igreja Católica era uma espécie de contra-poder independente do poder político laico).

Finalmente, o Anselmo Borges escreve:

“Durante 250 anos, o cristianismo foi uma religião pacífica e perseguida. Assim, quando os cristãos olham para os horrores cometidos ao longo da História têm de reconhecê-los e pedir perdão, pois atraiçoaram o fundador”.

S. Paulo escreveu:

“Não torneis a ninguém o mal por mal, procurai fazer o bem aos olhos de todos os homens; se é possível, quando de vós depende, tende paz com todos os homens” (Romanos, 12).

Reparem bem: “se é possível, quando de vós depende”. S. Paulo nunca defendeu que o cristão comum se deveria dirigir pacificamente a quem o queria matar para ser um mártir. Mas o Anselmo Borges parece defender esta ideia. E Jesus Cristo disse:

“A Vós [aos discípulos, mas não necessariamente aos apóstolos] foi-vos dado o Mistério do Reino de Deus [iniciação cristã], mas aos de fora [aos que não são discípulos] tudo lhes é dado em parábolas” — S. Marcos, 4, 11.

Jesus Cristo sabia perfeitamente distinguir entre os que têm acesso ao Mistério do Reino de Deus [iniciação mística cristã], por um lado, e o povo cristão, por outro lado; mas nem por isso Ele desprezou o povo cristão. É esta distinção que o Anselmo Borges parece não compreender, quando compara o catolicismo com o islamismo.

Sexta-feira, 25 Março 2016

A resposta do papa-açorda Francisco a Marcelo Rebelo de Sousa

 

A língua portuguesa deixa de ser língua de trabalho na Cúria Romana. Toma lá, ó Marcelo!,  para não te armares em “católico”.


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O papa-açorda Francisco e o Islamismo

 

O papa-açorda Francisco lavou os pés a um grupo de “refugiados”: cinco católicos, três muçulmanos, três cristãos coptas, e um hindu. Ou seja, transformou o símbolo religioso do Lava-pés Pascal em um sinal político.


Na sequência dos atentados de Bruxelas, os chefes religiosos muçulmanos da Bélgica recusaram recitar o versículo do Alcorão «Al-Fatiha» em homenagem às vítimas inocentes dos atentados — porque as vítimas não eram muçulmanas.


Penso que a Igreja Católica “já era”. Há que encontrar alternativas, e uma delas é, talvez, a Igreja Ortodoxa Russa.

A Igreja Católica transformou-se em um partido político; tornou-se em uma comunidade hipócrita, mundana, politizada, imanente, destituída de simbolismos. Já não existe a possibilidade de uma iniciação cristã, conforme S. Paulo. O papa-açorda Francisco reduziu a Igreja Católica a cinzas.

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Segunda-feira, 21 Março 2016

O Frei Bento Domingues nega os símbolos do Cristianismo, substituindo-os por sinais

 

Quando lemos o que o Frei Bento Domingues escreve, temos que traduzir o texto, ou seja, temos que fazer a hermenêutica (mas não a exegese) do texto, porque ele esconde a sua (dele) intencionalidade nos passos perdidos das palavras.

fbd-2-webO Frei Bento Domingues escreveu este texto em que constata que o mundo está em desordem, para depois concluir que o lava-pés pascal do papa-açorda Francisco a mulheres, a muçulmanos e a refugiados é uma forma de combater a discriminação. Só falta ao papa-açorda Francisco lavar as patas aos ursos polares para assim contribuir para a soteriologia imanente do materialismo ecologista.

A ideia segundo a qual o mundo está em desordem baseia-se no princípio de que o mundo pode ou poderia estar em ordem (o ser humano só conhece a partir de contrários ou opostos). Mas quando os progressistas (como o Frei Bento Domingues) e os me®dia teceram loas à desordem da Primavera Árabe, o Frei Bento Domingues esteve calado — porque a Primavera Árabe era alegadamente uma “desordem boa”. Parece que, para o Frei Bento Domingues, há desordens boas ou más. Mas quando uma alegada “desordem boa” é causa de uma putativa “desordem má”, os progressistas ignoram ostensivamente o nexo causal, e defendem agora uma “ordem boa” em contraponto a uma “ordem má” que é aquela com que não concordam.

O Frei Bento Domingues parece ver o mundo de forma arbitrária, desligada de nexos causais; o bom e o mau são eleitos em função de cada momento (pensamento hegeliano, dialéctico); a História serve para ser desconstruída e para justificar as opções do dia-a-dia.


O Frei Bento Domingues diz implicitamente que Jesus Cristo discriminou as mulheres, e que o papa-açorda Francisco veio ao mundo para corrigir Jesus Cristo. O lava-pés de Jesus aos discípulos é alegadamente uma forma de discriminação sexista, e a missão do papa-açorda Francisco (entre outras) é a de chamar à atenção do povo para a estupidez de Jesus Cristo. O papa-açorda Francisco veio ao mundo para tomar o lugar de Jesus Cristo e fundar uma nova revelação.

O Frei Bento Domingues ignora a diferença entre “discípulos”, por um lado, e “apóstolos” (que podem ser mulheres), por outro lado; e ignora a condição ontológica do homem e da mulher, que são diferentes: não é só uma questão biológica, mas é também uma questão metafísica. Mas a metafísica do Frei Bento Domingues é imanente, e portanto não pode ter em consideração estas nuances esotéricas.

Quando Jesus Cristo escolheu discípulos (homens), não discriminou as mulheres, porque se assim fosse, a própria escolha daqueles (e não de outros) seria uma forma de discriminação — as ideias do Frei Bento Domingues, se levadas às suas últimas consequências, raiam o absurdo —; e porque a diferença entre homem e mulher não é apenas biológica, mas também metafísica (os budistas chamam “Kharma” a esta diferença metafísica, não só entre os dois sexos mas também entre indivíduos). Além disso, a história da Igreja Católica está repleta de apóstolas (mulheres) que assim cumpriram a sua missão na soteriologia transcendente (e não imanente, como a do Frei Bento Domingues).

O Lava-pés tem símbolos, e não sinais. O Frei Bento Domingues (e o papa-açorda Francisco) reduz a cerimónia a um conjunto de sinais. Os símbolos tem uma função esotérica, isto é, não podem ser mudados sem que se mude também aquilo que o símbolo representa (representação). Aos sinais, falta-lhes a participação no conteúdo do representado/simbolizado, porque, em regra, os sinais são escolhidos arbitrariamente (por exemplo, os sinais de trânsito).

A aleatorização da cerimónia do Lava-pés, por parte do papa-açorda Francisco, transforma os símbolos em sinais (escolhidos arbitrariamente), em nome de um conceito de “igualdade” que não pode existir enquanto tal (utopia), porque o sentido de um conceito só é definido por meio da experiência concreta.

Se levarmos o raciocínio do Frei Bento Domingues (e do papa-açorda Francisco) até às últimas consequências, então concluímos que Natureza discriminou o homem em relação à mulher, porque aquele não pode parir — o que é um injustiça imposta por Deus ao homem. A negação dos símbolos cristãos e a sua substituição por sinais conduz ao absurdo.

Sábado, 19 Março 2016

A mentalidade New Age do Anselmo Borges

 

O Anselmo Borges escreve:

Jesus é condenado em primeiro lugar pela religião oficial, cujos sacerdotes viram os seus poderes e privilégios ameaçados. Do pior que há: viver à custa da religião e condenar à humilhação, à submissão e indignidade, à violência, à morte, utilizando o santo nome de Deus”.


Para o Anselmo Borges, clero e religião são incompatíveis — conforme podemos constatar pelas palavras que ele próprio escreveu: Jesus Cristo é condenado pelos sacerdotes. Isto não é apenas uma interpretação minha: decorre da leitura literal do trecho de Anselmo Borges, ou seja, é um facto.

Por definição, “religião” é um conjunto de crenças e de ritos que compreendem um aspecto subjectivo (o sentimento religioso) e um aspecto objectivo (as cerimónias, as instituições, os ritos, e um templo).

Mas, para o Anselmo Borges, religião é apenas o conjunto de crenças e de ritos que compreendem um aspecto subjectivo; o aspecto objectivo da religião é classificado negativamente pelo Anselmo Borges — a não ser que as instituições, as cerimónias e os ritos sirvam apenas para valorizar o aspecto subjectivo da religião. Ou seja, segundo o Anselmo Borges e na esteira do papa-açorda Francisco, o aspecto objectivo da religião deve anular-se (niilismo).

Esta forma de pensar — a de Anselmo Borges — é uma forma de negação da religião.

Enquanto que o Cristianismo parte do princípio de que Jesus Cristo é um exemplo a seguir (dada a excentricidade e excepcionalidade de Jesus Cristo em relação ao humano), a “religião” do Anselmo Borges e do papa-açorda Francisco parte do princípio de que Jesus Cristo é um exemplo a assumir (na medida em que a natureza de Jesus Cristo é vista como humanamente possível, e, por isso, perfeitamente passível de ser emulada pelo ser humano).

Anselmo Borges parte da defesa subjectiva do Cristianismo para a negação objectiva do Cristianismo — tirando partido dos erros humanos:se o clero católico erra, e se o ser humano pode e deve ser perfeito tal como Jesus Cristo foi, então segue-se que o clero não faz sentido, e o aspecto objectivo da religião deve ser eliminado”.

Quarta-feira, 16 Março 2016

O Miguel Esteves Cardoso e o puritanismo do Frei Bento Domingues

 

O Miguel Esteves Cardoso escreve aqui um comentário a este texto do Frei Bento Domingues em que, invariavelmente, este se dedica a tecer loas ao papa-açorda Francisco. Parece que o Frei Bento Domingues tem necessidade de justificar todo e qualquer acto do papa-açorda Francisco; é uma espécie de “culto do chefe” que é próprio das ideologias políticas. Não há uma só crónica do Frei Bento Domingues que não se preocupe com o culto do chefe.

O culto do chefe leva à justificação do fariseu que critica os fariseus. Estamos em presença do fariseu-mor. O fariseu-mor (ao contrário de Jesus Cristo) utiliza a falácia da mediocridade: em nome da misericórdia, nivela por baixo. A igualdade ontológica dos seres humanos é definida por critérios chãos que, por sua vez, justificam um certo relativismo ético.


Em relação à mulher adúltera, Jesus Cristo disse-lhe: “Vai em paz e não voltes a pecar”. Mas para o Frei Bento Domingues, é o “vai em paz” que conta; o “não voltes a pecar” é sempre “condicionado pela sua vida, pela sua psicologia e pela sua situação”.

O “não voltes a pecar” não interessa muito ao Frei Bento Domingues e ao papa-açorda Francisco, porque é uma forma de repressão farisaica. A verdade é que Jesus Cristo fez um juízo de valor: o “não voltes a pecar” é uma forma de censura.

A verdade insofismável é que Jesus Cristo criticou a mulher adúltera! Para o Frei Bento Domingues e para o papa-açorda Francisco, Jesus Cristo deveria ter dito à mulher adúltera apenas e somente: “Vai em paz” — porque, alegadamente, “ninguém é obrigado a fazer coisas impossíveis”.


As pessoas, em geral, — como o Miguel Esteves Cardoso — não se dão conta de que o anti-farisaísmo do Frei Bento Domingues e do papa-açorda Francisco é uma forma de puritanismo.

O puritano parte da premissa tradicional e óbvia segundo a qual o ser humano é imperfeito; a partir daqui, o puritano acredita que a salvação é individualista e subjectivista, no sentido em que não depende da relação do indivíduo com a comunidade (da Igreja) ou com a família natural, mas antes depende exclusivamente do sujeito enquanto tal (o que não acontece no catolicismo tradicional). O puritano subjectiviza a salvação. Trata-se de uma soteriologia subjectivista.

A rígida obediência a certos padrões morais é necessária ao puritano; mas esses padrões morais dizem respeito apenas ao indivíduo enquanto sujeito e independente da comunidade religiosa (a Igreja).

No papa-açorda Francisco, há uma rígida obediência a determinados padrões morais que concedem privilégios especiais ao puritano. E um desses privilégios é a legitimização do anti-farisaísmo enquanto fim em si mesmo, e não como um meio para atingir um fim (como fez Jesus Cristo). O anti-farisaísmo dos puritanos é uma forma de farisaísmo. O puritano, enquanto indivíduo, julga-se a si próprio como “o eleito por Deus”, em contraponto aos fariseus e escribas que são diabolizados. O papa-açorda Francisco é uma espécie actualizada de Quaker.

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