perspectivas

Domingo, 7 Fevereiro 2016

O desconstrucionismo evangélico do Frei Bento Domingues

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 2:16 pm
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O Frei Bento Domingues pega em um trecho do Evangelho de S. Lucas (4,16 a 4,29), elimina a maior parte do texto e reinterpreta o restante (o que ele citou) a seu bel-prazer.

O problema não está na interpretação, entendida em si mesma, que pode ser discutida; o problema é o recorte “à medida” do texto, para que sirva um propósito ideológico distinto daquele que está plasmado no texto original.

O texto completo (de 16 a 29) retrata a psicologia da rejeição, que existe e existiu em todas as épocas desde que o ser humano apareceu à face da Terra, e que é confirmada pela experiência: “ninguém é profeta na sua terra”.

O conceito de “transformação da realidade”, utilizado pelo Frei Bento Domingues no texto dele, supõe o conceito de “fé metastática”, que é a crença segundo a qual é possível mudar a natureza fundamental da realidade. Ao contrário do que defende Frei Bento Domingues, Jesus Cristo nunca defendeu a crença em uma repentina transfiguração da estrutura da realidade e na subsequente emergência de uma ordem paradisíaca no planeta Terra. “O meu reino não é deste mundo”, disse Jesus Cristo; mas o Frei Bento Domingues teima em transformar o mundo, no reino Dele (a imanentização do éschatos)

É certo que o Cristianismo operou uma diferenciação cultural, em relação ao status quo anterior.

Mas essa diferenciação cultural não se baseou em uma “transformação da realidade” — como diz o Frei Bento Domingues —, mas antes baseou-se na afirmação da realidade, em um reconhecimento da existência de uma determinada realidade concreta. Ao contrário do que acontece com a interpretação feita pelo Frei Bento Domingues, a mensagem de Jesus Cristo não era utópica, mas antes era (e é) baseada no concreto, na realidade tal qual ela se nos apresenta: por isso é que Ele resgatou o papel da mulher na sociedade, por exemplo.

Não obstante ter resgatado a mulher, Jesus Cristo não considerou que os papéis do homem e da mulher fossem intermutáveis, dentro e fora da Igreja ou da religião — como defende utopicamente o Frei Bento Domingues —, exactamente porque o desígnio de Jesus Cristo não era utópico: Ele tinha a noção perfeita da realidade em que o ser humano está inserido.

Sábado, 6 Fevereiro 2016

O deus do Anselmo Borges não é o Deus de Jesus Cristo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 3:18 pm
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« Segundo o modelo cosmológico padrão, vivemos num universo que se produziu no big bang e terminará numa morte energética futura: "um universo que nasce a partir de um "fundo" desconhecido no qual será reabsorvido".»

Sabemos, por inferência, que o universo teve um princípio; mas é abusivo dizer — como diz o Anselmo Borges ou qualquer outra pessoa — que o universo vai ter este ou aquele fim. A ciência é uma muleta para a filosofia, mas não podemos misturar ciência e filosofia, como faz o Anselmo Borges.

Do ponto de vista macroscópico — que é o ponto em que nos encontramos, na nossa realidade — não é possível conhecer o futuro. Mesmo as leis da física que conhecemos são revogáveis, por exemplo, face à singularidade.

Parece que o Anselmo Borges parte do princípio da filosofia gnóstica indiana do YUGA das elites secularizadas a partir do hinduísmo, que aliás influenciou Nietzsche na sua teoria do Eterno Retorno.

Um ciclo cósmico completo, um mahâyuga, compreende doze mil anos e termina com uma “dissolução” (pralaya) que se repete de uma maneira mais radical (mahâpralaya, a Grande Dissolução) no fim do milésimo ciclo. Assim, o esquema exemplar da “criação ― destruição ― criação” reproduz-se até ao infinito.

A Causa Primeira (Deus) já não é acessível ao Homem não-religioso através dos ritmos cósmicos.

A significação religiosa da repetição dos “gestos” cósmicos é esquecida; e a partir daqui, a repetição da natureza esvaziada do seu conteúdo religioso conduz necessariamente a uma visão pessimista da existência. Para o Homem não-religioso, o Tempo cíclico torna-se insuportavelmente terrível na medida em que se revela como um círculo rodando indefinidamente sobre si mesmo, repetindo-se até ao infinito.


« O ateísmo seria outra conjectura metafísica, também filosófica: no pressuposto das teorias especulativas de multiversos ou múltiplos universos e de supercordas, essa meta-realidade apresentar-se-ia como "uma realidade impessoal na qual se produziria de modo cego o nosso universo".»

O que o Anselmo Borges diz é que a teoria do Multiverso pode justificar racionalmente a ausência de uma Causa Primeira (Deus). A afirmação de Anselmo Borges não é crítica: é corroborativa. Portanto, segundo esse argumento, existirá um número infinito de Multiversos que justifica alegadamente a ausência de uma Causa Primeira (Deus) : é uma regressão infinita da existência e do Ser, em um mundo que o Anselmo Borges reconhece ser finito. Eu admito que um ateu ignaro coloque a hipótese desta tese; mas vinda de um professor universitário de filosofia ou teologia, acho muito estranha.


“Por isso falei de coisas que não entendia, de maravilhas que me ultrapassam” (Job, 42,2)

A imagem que o Anselmo Borges traça de Deus é a do “Deus absconditus” — o Deus oculto — que se mantém em silêncio:

“Teísmo e ateísmo são confrontados com o silêncio de Deus. Este silêncio manifesta-se num duplo plano: no plano cósmico, porque Deus não se revela de modo evidente enquanto criador do universo. O outro é o silêncio de Deus "perante o drama da história, devido ao sofrimento humano pessoal e colectivo e ao mal natural cego e à perversidade humana".”

Ou seja, o Deus de Anselmo Borges não é o Deus de Jesus Cristo. Por isso, é abusivo que ele relacione o Deus silencioso, por um lado, com o Deus cristão, por outro lado. É evidente que o Anselmo Borges volta ao problema da Teodiceia para justificar a irracionalidade ateísta; neste sentido, recordemos as palavras do filósofo Eric Voegelin:

« Quando o coração é sensível e o espírito contundente, basta lançar um olhar sobre o mundo para ver a miséria da criatura e pressentir as vias da redenção; se são insensíveis e embotados, serão necessárias perturbações maciças para desencadear sensações fracas.

É assim que um príncipe mimado se apercebeu pela primeira vez de um mendigo, de um doente e de um morto ― e tornou-se assim em Buda; em contrapartida, um escritor contemporâneo vive a experiência de montanhas de cadáveres e do horroroso aniquilamento de milhares de indivíduos nas conturbações do pós-guerra na Rússia ― e conclui que o mundo não está em ordem e tira daí uma série de romances muito comedidos.

Um, vê no sofrimento a essência do ser e procura uma libertação no fundamento do mundo; o outro, vê-a como uma situação de infelicidade à qual se pode, e deve, remediar activamente. Tal alma sentir-se-á mais fortemente interpelada pela imperfeição do mundo, enquanto a outra sê-lo-á pelo esplendor da criação.

Um, só vive o além como verdadeiro se ele se apresentar com brilho e com grande barulho, com a violência e o pavor de um poder superior sob a forma de uma pessoa soberana e de uma organização; para o outro, o rosto e os gestos de cada homem são transparentes e deixam transparecer nele a solidão de Deus. »

Terça-feira, 2 Fevereiro 2016

Como surgiu o capitalismo

Filed under: filosofia — O. Braga @ 4:30 pm
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Eu acredito na tese de Max Weber — “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, 1905 — segundo a qual foi o ascetismo intra-mundano dos empresários calvinistas (cristãos) que (também) está na origem do capitalismo.

“¿Por que é que os interesses capitalistas na China ou na Índia não conduziram ao desenvolvimento científico, artístico, político, económico para via de racionalização que é característica do Ocidente?” → Max Weber

Há quem diga que “os calvinistas não eram católicos” e que “o catolicismo proibia a taxa de juro”. É falso!

Por exemplo, o prémio de seguro de risco foi “inventado” pelos frades menores franciscanos no século XIII (os “Fratelli”), e os templários utilizavam taxas de juro na suas transacções financeiras na Europa do mesmo século. A proibição da taxa de juro era apenas uma corrente ideológica da Igreja Católica, que não era unânime.

Os primeiros empresários capitalistas — segundo Max Weber — não procuravam o lucro desenfreado e cego por especuladores e aventureiros, mas antes procuravam o exercício honesto e constante de uma profissão: tratava-se de uma acumulação de riqueza destituída de qualquer interesse pelos prazeres que poderia proporcionar.

Por outro lado, segundo o Calvinismo, Deus decidiu, em virtude de decretos insondáveis e irrevogáveis, que “certos homens estão predestinados à vida eterna e outros destinados à morte eterna” (Confissão de Westminster, de 1647), o que causava uma angústia entre os calvinistas: “¿Será que eu serei eleito para a vida eterna?”

Nunca certo da sua eleição, o calvinista buscava os sinais dela aqui no mundo, nos frutos do trabalho, sem descanso nem alegria, trabalhava para a glória de Deus e, sobretudo, para mitigar a sua angústia. Os primeiros capitalistas eram frugais e quase ascetas, sem qualquer propensão para o luxo que a riqueza proporciona; a riqueza acumulada era apenas um sinal de bênção divina.

Foi assim que o capitalismo nasceu — segundo Max Weber — porque “se um tal travão ao consumo se alia à procura desenfreada do ganho, o resultado prático é evidente: o capital forma-se pela poupança forçada e ascética”.

A partir do momento da sua instituição, o sistema capitalista passou a obedecer às suas próprias leis — a partir do século XIX deixou de necessitar da religião que o fundou: dilui-se gradualmente no utilitarismo profano, e o fervor do capitalista religioso originário cede lugar ao homem absorvido pelo trabalho, esse calculador isolado que não conhece nem reconhece outra religião senão a do dinheiro.

O que, de início, era uma escolha — os actos de trabalhar e calcular — transformou-se em um destino: a perda da liberdade. “O puritano (calvinista) queria ser um homem trabalhador, e nós somos forçados a sê-lo”.

Não podemos separar a origem do capitalismo, por um lado, do Cristianismo, por outro lado. E quando separamos, não temos capitalismo propriamente dito, mas antes temos o neoliberalismo que se iniciou com a preponderância ideológica do Marginalismo de finais do século XIX.

Segunda-feira, 25 Janeiro 2016

¿O Cristianismo é contra a auto-defesa?

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 1:01 pm
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Se a acção de vida de Jesus Cristo fosse seguida estritamente (à letra) por todos os homens, não haveria descendência humana; a humanidade acabava, porque Jesus Cristo não teve filhos, e não consta que os seus apóstolos próximos tivessem tido prole. Quem fizer uma leitura literal do Novo Testamento chega à conclusão de que Jesus Cristo pretendia acabar com a humanidade — o que é um absurdo: ¿como é que Alguém que pretendia a paz entre os homens pudesse querer que a humanidade tivesse um fim imediato?!

O problema do homem moderno é o de que perdeu a noção de religião transcendental, e depois surgem dislates deste tipo.

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Quarta-feira, 13 Janeiro 2016

Cátaros, albigenses e valdenses eram seitas gnósticas

 

O problema da narrativa histórica é o de que depende da interpretação dos factos, e não dos factos em si mesmos; ou melhor dizendo, os factos documentados apenas servem para fundamentar uma qualquer interpretação deles. Os historiadores contam uma história que não tem necessariamente uma relação causal e, sobretudo, não vai à essência dos factos.

Temos aqui uma narrativa histórica acerca dos cátaros, albigenses e valdenses; os factos citados (datas, eventos, nomes de pessoas) correspondem, grosso modo, à verdade histórica. Mas o erro da narrativa está na essência: parte-se do princípio (na narrativa) de que as seitas da Antiguidade Tardia que deram origem aos cátaros, albigenses e valdenses, eram cristãs — o que é absolutamente falso.

O problema dos historiadores em geral é o de não terem estudado suficientemente filosofia. Afirmar que as seitas gnósticas da Antiguidade Tardia eram cristãs, é um erro de palmatória.

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Quarta-feira, 30 Dezembro 2015

O Cristianismo não é a “religião do livro”

 

O Frei Bento Domingues faz aqui uma confusão (propositada), como se todos os livros do Antigo Testamento tivessem sido escritos pela mesma pessoa e na mesma época. Ele vê no Antigo Testamento uma lógica sequencial histórica — o que é próprio do Historicismo. Mas a verdade é que, por exemplo, o livro do Génesis não tem nada a ver com o do Deuteronómio, ou seja, não existe uma relação lógica directa entre os dois livros.

Naturalmente que esta confusão é propositada. A prova disso foi o aproveitamento (ignorante) de Francisco Louçã do texto de Frei Bento Domingues. Les bons esprits se rencontrent…

Francisco Louçã, tirando partido da confusão propositada de Frei Bento Domingues, parte da premissa segundo a qual o Antigo Testamento é o livro fundamental dos cristãos. Frei Bento Domingues sabe que não é, e por isso é que ele fala em Iaveísmo, e não em Cristianismo.

Estas “confusões” fazem parte da estratégia ideológica que tem como objectivo nivelar todas as religiões, medindo-as pela mesma bitola. A pergunta que Francisco Louçã e Frei Bento Domingues implicitamente fazem é a seguinte:

“Se o Antigo Testamento também apela ao assassínio, ¿como é que os católicos se distinguem dos muçulmanos?”

A pergunta invoca uma falácia do espantalho.

É que há aqui um detalhe que ambos escamoteiam (um de propósito, e outro por ignorância) : o Antigo Testamento não é o livro fundamental do Cristianismo. Aliás, o Cristianismo não é a “religião do livro”: é a “religião da palavra”.

A “religião do livro” é o Islamismo (Alcorão). E o Judaísmo é a “religião da lei” (Deuteronómio). O Cristianismo é a “religião da palavra” (“No Princípio, era o Verbo” — Evangelho de S. João, 1).

Domingo, 20 Dezembro 2015

A religião completa e acabada

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 1:37 pm
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Não existe uma “religião completa”, ou uma “religião total”, porque a capacidade do ser humano de perceber ou compreender a Realidade é incompleta. Por isso, o Cristianismo, ou melhor, o catolicismo não é uma religião completa. Mas existem religiões que integram em si mesmas conceitos mais ricos e mais complexos do que em outras religiões; por isso é falso que se diga que todas as religiões são equivalentes, e muito mais falso é que se diga que são todas semelhantes.

Embora nenhuma religião seja completa ou total, o catolicismo integra em si mesmo a maior complexidade conceptual entre todas as religiões.

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Sexta-feira, 4 Dezembro 2015

O papa-açorda Francisco e a estupidez do fundamentalismo

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 10:09 am
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O papa-açorda Francisco afirma, no vídeo abaixo, que “os católicos fundamentalistas devem ser combatidos”. E depois diz que “os católicos fundamentalistas são os que acreditam deter a verdade absoluta e ofendem os outros com a calúnia, com a difamação”.

 


O termo “fundamentalismo” vem de “fundamento” que, por sua vez, vem do latim fundamentum, de fundus, “fundo”, fundare, “fundar”.

Definição de “fundamento”:

“Fundamento” é conjunto de elementos essenciais que servem de base a uma concepção, uma doutrina, uma teoria.

“Fundar” o que se afirma é produzir a sua justificação de ser. A investigação e o estabelecimento dos fundamentos estão no centro da filosofia e da ciência.

Tanto no discurso filosófico, como na ética, como no Direito, como na arte — esforça-se sempre por oferecer (apoiado em preceitos) sistemas de valores ou teorias explicativas que garantam uma legitimidade e/ou a verdade. Valores diferentes remetem para escolhas diferentes; e são os valores que são o fundamento dessas escolhas.


Agora, a pergunta: ¿todas as religiões têm os mesmos fundamentos? Resposta: não!

Os fundamentos do Cristianismo não são os mesmos, idênticos ou mesmo semelhantes aos fundamentos do Islamismo ou do Judaísmo, por exemplo.

Os fundamentos do Cristianismo encontram-se nos quatro Evangelhos sinópticos de Jesus Cristo; os fundamentos do Islamismo encontram-se no Alcorão; os fundamentos do Judaísmo caution-francis-speaks-400encontram-se na Torah. Portanto, é absolutamente claro que as diversas religiões não têm fundamentos iguais.

O primeiro fundamentalista cristão foi Jesus Cristo; o primeiro fundamentalista islâmico foi Maomé; e quiçá o primeiro fundamentalista judaico foi Abraão.

Portanto, basta comparar a vida de Jesus Cristo com a de Maomé, por exemplo, para vermos a diferença entre os fundamentalismos cristão e islâmico. São fundamentalismos diferentes porque se baseiam em valores (em fundamentos) diferentes. Por exemplo, S. Francisco de Assis foi um fundamentalista cristão; e não consta que S. Francisco de Assis andasse a matar pessoas.

A generalização negativa do termo “fundamentalismo”, feita pelo papa-açorda Francisco, revela a sua (dele) estupidez. Este “papa” é estúpido; tem uma capacidade cognitiva muito limitada. E, na medida em que a sua (dele) generalização é estúpida, o ataque aos cristãos ditos “fundamentalistas” é um ataque ao próprio espírito de Jesus Cristo.

Quando o papa-açorda Francisco diz que os “cristãos fundamentalistas” (com uma conotação pejorativa) são os que “ofendem os outros com a calúnia, com a difamação”, ele nada mais faz do que dar o exemplo da calúnia e da difamação de que acusa os outros católicos.

Em suma, não devemos confundir fundamentalismo, por um lado, e fanatismo, por outro lado.

A violência é um dos fundamentos do Islamismo, porque é recomendada pelo Alcorão.

A violência não é um dos fundamentos do Cristianismo, porque é combatida pelos Evangelhos de Jesus Cristo. Um cristão fundamentalista não pode ser violento — a não ser em defesa própria quando ameaçado fisicamente.

Sábado, 28 Novembro 2015

O “paganismo nacionalista” do PNR (Partido Nacional Renovador)

Filed under: Portugal — O. Braga @ 11:24 am
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Escreve-se aqui o seguinte:

“O Cristianismo perdeu a “magia” que em tempos teve e na Europa depara-se hoje com um sério problema. É que o mais do que evidente ressurgimento dos nacionalismos e identitarismos na Europa faz um apelo directo às raízes da tradição europeia e isto em termos religiosos constitui um grave problema para os cristãos, pois as raízes religiosas da Europa nunca foram nem o Judaísmo, nem o Cristianismo, mas sim o Paganismo politeísta que no caso europeu se divide em inúmeras “famílias” de cultos pagãos, cada qual com a sua identidade e tradições próprias”.

Vamos analisar este trecho.

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Domingo, 22 Novembro 2015

Anselmo Borges e a violência das religiões

 

Outro texto controverso do Anselmo Borges: coloca as religiões todas no mesmo saco, como faz, aliás, o ateísta Richard Dawkins. Anselmo Borges generaliza propositadamente; há uma intenção em colocar as religiões todas no mesmo saco.

Aliás, José Pacheco Pereira, no último programa Quadratura do Círculo também comparou a Jihad islâmica com a “primeira cruzada” cristã como exemplo de “fanatismo suicida”; de facto, ele enganou-se, porque não se tratou da primeira cruzada, mas de uma outra posterior conhecida como a “cruzada dos pobres” e que teve a sua origem não no Papa, mas no Sacro Império Romano-Germânico (actual Alemanha).

Tanto Anselmo Borges como José Pacheco Pereira misturam a “brutal história criminosa das religiões” (para utilizar uma expressão de Anselmo Borges), por um lado, com a génese criminosa de algumas religiões, por outro lado. Tanto um como o outro são intelectualmente desonestos.

No Cristianismo, a eventual “brutal história criminosa das religiões” não é incentivada e propagandeada nos Evangelhos, que são os textos do fundamento da religião cristã. Mesmo nas cartas apostólicas de S. Paulo não encontramos qualquer apelo à violência física de tipo jihadista ou de qualquer tipo. De forma semelhante, nos textos búdicos, não encontramos qualquer apelo à violência física.

Já no Alcorão, que é o texto fundamental do Islão, os apelos à violência física e ao assassínio são constantes e sistemáticos — fazem parte da lógica interna do Islamismo.

Ou seja, não podemos confundir aquilo que os homens fazem de uma religião ao longo da História, por um lado, com aquilo que faz parte intrínseca dessa religião e que está na sua génese, por outro lado. Não devemos confundir o rei Nabucodonosor com Nabonocudosor.

Ora, é esta confusão que é feita por Anselmo Borges e José Pacheco Pereira em nome do politicamente correcto, e por isso é que são intelectualmente desonestos.

Anselmo Borges procura identificar a “imposição da verdade através da persuasão” (a religião da palavra, que é o Cristianismo), por um lado, com a imposição da verdade através da violência (a religião do livro, que é o Islamismo), por outro lado. Ele mistura estes dois planos e fá-lo de propósito.

Quando cada um de nós afirma qualquer coisa, está sempre a tentar impôr uma nossa verdade aos outros. Sempre, quer queiramos ou não.

Por exemplo, quando eu digo que “amanhã vai chover”, estou a tentar impôr uma verdade a quem me ouve. Mas essa imposição de uma verdade (que pode ser doxa  ou episteme ) é normalmente feita através da persuasão. A minha opinião meteorológica (doxológica ou epistemológica) pretende transmitir uma verdade, mesmo que quem me ouça não a considere como sendo verdade.

Naturalmente que Anselmo Borges não podia deixar de falar na Inquisição. Lembro aqui a afirmação do historiador francês Pierre Chaunu: « A revolução francesa matou mais gente em apenas um mês e em nome do ateísmo, do que a Inquisição em nome de Deus durante toda a Idade Média e em toda a Europa. »

No entanto, a Revolução Francesa foi feita em nome da igualdade, fraternidade e da puta-que-os-pariu. A lengalenga da Inquisição não serve para branquear o “progresso hegeliano da História” defendido por Anselmo Borges ou por José Pacheco Pereira.

Quarta-feira, 23 Setembro 2015

O Júlio Machado Vaz e o Anselmo Borges a discutir o sexo dos anjos

Filed under: cultura — O. Braga @ 9:58 am
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kabalaA árvore da Kabala representa, do lado esquerdo, a severidade: Binah (inteligência), Gueburah (justiça) e Hod (verdade); é o lado masculino. O lado direito da árvore representa a tolerância: Hochmah (amor), Hesed (graça) e Netzah (beleza); é o lado feminino. Mas Kether (a vontade), no topo da árvore, está equidistante dos dois lados da árvore.

Todos os seres humanos, sejam homens ou mulheres, têm qualquer coisa dos dois lados da árvore, sendo que, em juízo universal, sejam mais influenciados por um dos lados, dependendo do sexo.

Podemos perguntar: ¿e se Kether fosse feminino? Resposta: não é; mas também não é masculino.

A minha referência à Kabala é meramente simbólica; não sou um cabalista. É simbólica porque se trata de um conhecimento com muitos milhares de anos que reflecte a Realidade à luz da condição humana.


O Pai-Nosso em aramaico (que era a língua de Jesus) falava em “Pai-Mãe”:

Pai-Mãe, respiração da Vida, Fonte do som, Acção sem palavras, Criador do Cosmos!
Faça a sua Luz brilhar dentro de nós, entre nós e fora de nós para que possamos torná-la útil.
Ajude-nos a seguir o nosso caminho, respirando apenas o sentimento que emana do Senhor.
O nosso EU, no mesmo passo, possa estar com o Seu, para que caminhemos como Reis e Rainhas com todas as outras criaturas.
Que o Seu e o nosso desejo, sejam um só, em toda a Luz, assim como em todas as formas, em toda existência individual, assim como em todas as comunidades.
Faça-nos sentir a alma da Terra dentro de nós, pois, assim, sentiremos a Sabedoria que existe em tudo.
Não permita que a superficialidade e a aparência das coisas do mundo nos iludam.
E liberte-nos de tudo aquilo que impede o nosso crescimento.
Não nos deixe ser tomados pelo esquecimento de que o Senhor é o Poder e a Glória do mundo, a Canção que se renova de tempos em tempos e que a tudo embeleza.
Possa o Seu amor ser o solo onde crescem as nossas acções.
(Amen) Que assim seja.”

Dizer que Deus é um “homem velho de barbas brancas que vive no céu” é a estória adoptada pelo Júlio Machado Vaz e pelo Anselmo Borges nesta conferência:

“Lisboa, 22 set 2015 (Ecclesia) – A escritora Lídia Jorge e o psiquiatra Júlio Machado Vaz participam no debate, dia 15 de outubro, no Porto, sobre «E se Deus fosse mãe?».”

julio machado vaz webÉ claro que se convencionou que Deus é masculino (O Deus). Mas perguntar: “¿e se Deus fosse mãe?”, é tentar convencionar que Deus é feminino, ou seja, é pretender adoptar outra convenção. Ora, toda a convenção opõe-se à Natureza (todas, e não apenas aquelas que são politicamente incorrectas). E toda a convenção pressupõe linguagem, e por isso pressupõe a sociedade.

A razão principal por que Deus passou a ter, com o Cristianismo, uma representação masculina na linguagem, está ligada ao repúdio do Cristianismo em relação ao paganismo que tinha muitas deusas e sacerdotisas. Esse repúdio católico, em relação ao paganismo e às suas deusas e sacerdotisas, mantém-se até hoje. É esta a razão por que Deus é convencionalmente masculino: tem a ver com uma diferenciação na cultura antropológica, e não com o sexo dos anjos.

É tão absurdo dizer que “Deus é homem” como dizer que “Deus é mulher”.

O Júlio Machado Vaz, à medida que vai envelhecendo, vai tentando conciliar o marxismo cultural do partido Livre com umas incipientes investidas na teologia cristã. O Júlio Machado Vaz pode conciliar o que quiser, mas que não venha alardear a sua estupidez na praça pública — e ainda por cima com o apoio da Agência Ecclesia!

Quarta-feira, 16 Setembro 2015

A irresponsabilidade de Vítor Constâncio e de António Costa em relação à imigração massiva

 

Vítor Constâncio e António Costa defendem a ideia segundo a qual a imigração massiva resolve os problemas de défice demográfico na Europa. Ambos podem ter razão, ou não.

Quem não concorda com a política de islamização da Europa, é “nazi” ou de “extrema-direita”.

A experiência em países do norte da Europa e nos Estados Unidos já demonstrou que a imigração não resolve problemas económicos. O impacto da imigração na economia é muito pequeno. Perante os factos, a esquerda maçónica virou-se para o problema demográfico para justificar a imigração em massa.

Vamos então analisar os putativos “benefícios” da imigração na taxa de natalidade da Europa.

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