perspectivas

Terça-feira, 21 Junho 2016

O nominalismo do papa Chico

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:35 am
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O papa Chiquinho disse recentemente duas coisas: 1/ que a maioria dos casamentos católicos são inválidos; 2/ que conhece casos de união-de-facto que, estes sim!, são realmente “casamentos”.

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O Chico segue a tradição dos jesuítas que inventaram a “casuística”. A casuística defende a ideia de que não existem regras, nem excepções — senão quando nos dá jeito que existam. Para o Chiquinho, não existe o juízo universal (o que é também uma característica do politicamente correcto). E o Chico serve-se da casuística para malhar nos católicos. O papa Chiquitito adora bater nos católicos.

Em vez de combater uma determinada cultura politicamente correcta, o Chico combate as pessoas. O alvo dele não é a ideologia da moda: são as pessoas — o que é uma forma de camuflar a ideologia.


papa-freak-webO nominalismo é a teoria segundo a qual “nada há de universal no mundo para além das denominações, porque as coisas nomeadas são todas individuais e singulares”. O Nominalismo nega a existência dos géneros e das espécies que, alegadamente, não existiriam senão em nome.

Por exemplo, segundo o nominalismo (se levarmos o conceito até às suas últimas consequências), não existe a categoria de “ser humano”: em vez disso, existe apenas o Manuel, o José, o Roberto, etc.. O conceito de “ser humano” é apenas uma etiqueta (segundo os nominalistas), graças à qual podemos representar a classe de indivíduos; as ideias gerais (representadas por categorias) não têm um objecto real: são apenas abstracções obtidas por intermédio da linguagem. Ou seja, o nominalismo defende a ideia segundo a qual as coisas ou objectos da experiência não têm realidade intrínseca fora da linguagem que as descreve.

Mas os nominalistas não fazem a seguinte pergunta: se o Manuel e o Joaquim são diferentes, ¿qual é a razão das semelhanças entre os dois?

Partindo do princípio evidente de que o Manuel e o Joaquim são semelhantes (embora não sejam idênticos), a razão das semelhanças entre os dois deve ser, com certeza, objectiva. Ou seja, a razão das semelhanças entre o Manuel e o Joaquim não é uma “abstracção”, no sentido de “inexistente” ou “irreal”.

O nominalismo do papa Chico é uma forma de materialismo.


Na Idade Média, a cerimónia do casamento dito “católico” realizava-se fora da igreja.

As igrejas, em geral, tinham uma porta lateral e secundária, onde, no limiar da porta, o Padre coordenava as cerimónias de casamento: os nubentes, familiares e convidados permaneciam fora da igreja. Só depois dos votos, da troca de alianças e do aperto de mão (os noivos medievais não davam beijo na boca: apertavam as mãos, por um lado, e por outro lado davam apenas o “beijo da paz” na face), então entravam todos para a igreja para a celebração da missa. Ou seja, separava-se o profano, por um lado, do sagrado, por outro lado: a Igreja Católica da Idade Média considerava a cerimónia do casamento um acto profano e secular.

Na Idade Média não era necessária a presença de um Padre para o casamento, que se caracterizava como um acto social e secular. A cerimónia do casamento poderia ser efectuada sem a presença do Padre, por exemplo, em um notário; e se o casamento fosse completado por relações sexuais, criava, segundo os cânones católicos e prática existentes, um casamento legal e sagrado. Colocado no limiar da porta da igreja, o Padre não estava a celebrar ou a administrar um sacramento, mas antes a verificar a adequada conduta de uma operação social que tinha muito mais de profano do que de sagrado. O sacramento do casamento católico seria administrado mais tarde, durante a missa, em que estavam presentes os noivos, famílias, e convidados.

A situação mudou por causa dos alegados “casamentos clandestinos” que punham em causa as heranças. O mundo secular e político pressionou a Igreja Católica no sentido da mudança de postura em relação ao casamento.

Na Idade Média era relativamente normal que um casal procurasse um Padre para se casarem de forma “clandestina” — ou seja, sem conhecimento das respectivas famílias. O Padre casava-os, desde que ambos fossem mentalmente idóneos e tivessem atingido a puberdade. Mas, muitas vezes, as respectivas famílias tinham outros planos, e tinham já casamentos arranjados com filhos ou filhas de famílias ricas.

Ou seja, a Igreja Católica ia muitas vezes, sem querer, contra interesses materiais privados das heranças: segundo a doutrina mantida pelos teólogos do século XII, bastava uma troca de consentimentos e de palavras adequadas entre duas pessoas fisicamente capazes e frente a um sacerdote, em qualquer circunstância e de qualquer forma, se verificasse um casamento sacramentado. Isto significava que o casamento — segundo a Igreja Católica medieval — era possível sem a participação dos pais ou sem uma série de rituais sociais e profanos.

Perante a pressão do Poder político sobre a Igreja Católica no sentido de mudar a sua doutrina acerca do casamento, os jesuítas aproveitaram a oportunidade para controlar totalmente a instituição casamento. O cardeal Morone (um apoiante dos jesuítas) surgiu com a ideia segundo a qual a Igreja Católica deveria aceitar a invalidação dos casamentos “clandestinos”, mas alterando a definição de “clandestinidade”. Os jesuítas são inteligentes, mas de uma inteligência perversa.

No futuro (a partir de meados do século XVI), todos os casamentos deveriam ser administrados pela Igreja Católica, perante o pároco e as testemunhas. Acabaram os casamentos “clandestinos” que pusessem em causa as heranças; e os nubentes eram exortados — mas não obrigados — a adiar as relações sexuais para depois da bênção do casamento durante a missa nupcial. Acabaram as cerimónias de casamento à porta da igreja. Ao afastar a doutrina da lei canónica, segundo a qual um contrato matrimonial seguido de copula carnis constituía um casamento cristão (ignorando o vasto conjunto de ritos sociais profanos), o casamento deixou de ser um processo social que a Igreja Católica garantia, para passar a ser um processo eclesiástico que a Igreja Católica administrava — conforme o Ritual Romano de 1612, que deslocou o rito cumprido a porta da igreja para o altar, e que passou a dar pouca atenção às tradições da Europa católica.

Ou seja, o papa Chico, aparentemente, tem razão. Mas só aparentemente. Para que um casamento seja cristão, não necessita de um Padre, nem que seja realizado dentro de uma igreja. Mas ele não tem razão quando se esquece que, mesmo que um casamento se realize à porta da igreja, só será cristão quando os casados adoptem um projecto de vida que passa pela fé cristã.

Sábado, 30 Abril 2016

A sexortação pós-sinodal "A alegria do amor", do papa Chico

 

O papa Pio X avisou-nos que a ambiguidade é uma arma dos relativistas para apresentar as suas doutrinas sem uma ordem clara e identificável, dando a ilusão de que o ambíguo relativista pode ter dúvidas quando, na realidade, sabe bem o que quer.

Como não podia deixar de ser, o Anselmo Borges faz uma ode à sexortação pós-sinodal "A alegria do amor". Começa por dizer que “a pessoa é a verdade”, para daí concluir que “qualquer pessoa é a verdade”; ou seja, infere-se que a pessoa do santo é a verdade, na mesma proporção em que a pessoa do assassino é a verdade. O Anselmo Borges faz lembrar o Marginalismo.

A sexortação pós-sinodal "A alegria do amor" do papa Chico segue dois padrões ideológicos: a casuística jesuíta e a intencionalidade subjectivista de Pedro Abelardo. A ler:

Não vou aqui comentar profusamente a opinião do Anselmo Borges acerca da “profunda alteração do casamento”, porque só isso daria um artigo. O casamento, em si mesmo, não se alterou; o que se alterou foi a cultura, e as culturas não são todas iguais ou equivalentes entre si. O divórcio não é invenção moderna; já existia, por exemplo, entre os romanos do império, e não consta que os romanos fossem modernos e prá-frentex; a redução da chamada “família tradicional” a uma unidade económica é um absurdo, porque toma a parte pelo todo.

Para além de impôr a casuística como norma arbitrária, por um lado, e de adoptar o subjectivismo como padrão de juízo ético (o que é impossível, em termos práticos), por outro lado, o papa Chico repudia as epístolas do verdadeiro S. Paulo, para além de se colocar acima de Jesus Cristo quando Este definiu o casamento (“não separe o homem aquilo que Deus uniu”). O papa Chico considera-se acima do próprio Jesus Cristo, e o Anselmo Borges presta-lhe vassalagem.

O papa Chico é o coveiro da Igreja Católica, com a bênção de Anselmo Borges e quejandos. O Anselmo Borges pode enganá-lo a si, caro leitor; mas não engana toda a gente. O Anselmo Borges não resistiria a cinco minutos de discussão comigo acerca do papa Chico. E ele sabe disso; e por isso é que tenta branquear aquilo que está de tal forma maculado que já não pode ser recuperado.

Sexta-feira, 16 Outubro 2015

O delírio gay vai ter que acabar; é uma questão de tempo

 

Maria é casada e mãe de dois filhos, mas o facto de ser lésbica torna a sua família diferente aos olhos da legislação europeia, retira direitos aos seus filhos e impede a família de circular livremente pela Europa.

“A realidade é contada por Maria von Känel, presidente da Rede de Associações Europeias de Famílias LGBT (NELFA, na sigla em inglês), que está em Portugal, juntamente com a mulher e os dois filhos, para participar no quarto encontro europeu de famílias arco-íris, ou seja, famílias onde há, pelo menos, uma pessoa Lésbica, Gay, Bissexual ou Transgénero (LGBT)”.

Famílias LGBT querem reconhecimento e liberdade de circulação na Europa

Como podemos verificar no texto, Maria é “casada” com uma mulher e, alegadamente, com ela teve dois filhos.

Qualquer pessoa sabe que uma mulher não pode ter filhos com outra mulher; mas os me®dia alimentam e promovem, na cultura antropológica, o delírio da segunda realidade da Ideologia de Género.

O que o cidadão vulgar questiona é a razão por que os me®dia afirmam a ideia segundo a qual “é possível a uma mulher fazer filhos com outra mulher”, ou “um homem fazer filhos com outro homem”.

E a resposta é simples: o que se pretende é destruir o casamento e a família natural que foi o esteio da civilização europeia. O retorno à barbárie é a melhor forma de controlar o indivíduo.

Domingo, 11 Outubro 2015

O Anselmo Borges e a Samaritana de Sicar

 

« Disse-lhe a mulher: “Senhor, dá-me dessa água, para eu não ter sede, nem ter de vir cá tirá-la”. Respondeu-lhe Jesus: “Vai, chama o teu marido e volta cá.” A mulher retorquiu-lhe: “Eu não tenho marido.”

Declarou-lhe Jesus: “Disseste bem: ‘não tenho marido’, pois já tiveste cinco e o que tens agora não é teu marido. Nisto falaste verdade. »

→ S. João, 4, 15 – 18

Qualquer pessoa com dois dedos de testa (que parece não ser o caso de Anselmo Borges) verifica que Jesus Cristo criticou — embora de forma benévola — a samaritana de Sicar. Não é possível outra interpretação das palavras de Jesus. Ademais, temos Marcos 10, 3 – 9:

« Jesus perguntou (aos fariseus): “ ¿O que vos ordenou Moisés (acerca do divórcio)?”. (Os fariseus) disseram: “Moisés mandou escrever um documento de repúdio e divorciar-se dela (da esposa)”. Jesus retorquiu:

“Devido à dureza do vosso coração é que ele vos deixou esse preceito. Mas, desde o princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher, e serão os dois um só. Portanto, já não são dois, mas um só. Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem. »

À luz dos Evangelhos, o divórcio é impossível: “o que Deus uniu não o separe o homem”.

Pode haver divórcio no Código Civil, mas na Igreja Católica não existe divórcio salvo em casos excepcionais previstos no Direito Canónico. Por isso é que a Igreja Católica recomenda que os nubentes pensem bem no que estão a fazer antes de se casarem pela Igreja: se ponderam a possibilidade futura de divórcio, deixem a Igreja Católica em paz e casem-se pelo civil.

O papa-açorda Francisco e seus sequazes (como é o caso, por exemplo, de Anselmo Borges ou de Frei Bento Domingues) não podem alterar discricionariamente o Direito Canónico, introduzindo o “divórcio católico” — como se a Igreja Católica fosse uma coutada do anticristo.

Não podem dizer que os textos supracitados dos Evangelhos não existem; ou não devem fazer de conta que não existem. Não devem dizer que “os tempos mudaram e que os Evangelhos de Jesus Cristo deixaram de ser válidos”; ou podem dizê-lo, mas não o façam em nome da Igreja Católica e do Cristianismo em geral. Desamparem-nos a loja!

Domingo, 13 Setembro 2015

O jornal Observador, a Ideologia de Género, a afirmação da noção quântica de “família” ou “a família matemática”

 

O jornal Observador diz que não é de Esquerda; mas faz a apologia da Ideologia de Género. A ideia de uma certa “direita” neoliberal é a de “recuperar” o ideário de Esquerda de forma a esvaziar sua (desta) agenda política — nem que seja defendendo que o absurdo tem lógica.

Este texto no Observador, que defende a Ideologia de Género, baseia-se em uma só proposição fundamental:

« Isabel socorre-se de vários estudos e defende que “o que importa numa família é a relação entre os membros, e não a constituição da mesma. É a relação e não o formato da família que proporciona bem-estar”. »

Todo o resto do relambório é uma narrativa de uma ideologia política que nada tem de lógica nem de ciência. Portanto, vamo-nos concentrar nessa proposição.

foi cesarianaSegundo a proposição supracitada, uma família pode ser tudo o que se quiser em função da relação entre os membros — uma vez que a constituição (a forma, ou a estrutura) da família não importa. É isto que está lá escrito. Bom… se uma família pode ser tudo o que se possa imaginar, então a família passa a ser nada, porque deixa de existir uma noção prática e concreta de “família”. É isto que o jornal Observador defende: não deve existir, pelo menos em teoria, uma definição de “família”.

Há nessa proposição uma contradição: por um lado, “é a relação que importa”, e não a estrutura (a forma interna da família); mas, por outro lado, a dita proposição baseia-se na noção de “estrutura”, segundo as ditas “ciências sociais”, que consiste em uma totalidade organizada que não se reduz à soma das suas partes, mas definindo-se, pelo contrário, pelas relações de independência e de solidariedade do conjunto dos elementos que a constituem.

Ou seja, a proposição supracitada afirma que “a estrutura da família não importa”, mas baseando-se, nessa afirmação, na noção de “estrutura” das ditas “ciências sociais”. Estamos perante uma redundância, ou melhor, estamos perante uma tautologia.

Esta contradição é muito difícil de ser apreendida pelo cidadão normal. Ou seja, a Ideologia de Género aproveita-se da ignorância geral do cidadão, e por isso é que é perigosa. Penso mesmo que a propaganda da Ideologia de Género deveria ser proibida por lei.

¿O que é uma “relação”?

No sentido comum, “relação” é qualquer laço que una um termo ou um objecto a outro. Um sistema de relações entre elementos quaisquer e permutáveis – por exemplo, um jogo de cartas – é uma “estrutura”.

As ciências formais (por exemplo, a matemática) consideram o sistema lógico das relações independentemente dos elementos que associam. Na matemática, por exemplo, a axiomatização consiste na abstracção do sentido dos termos para considerar apenas as relações.

O modelo da relação é uma categoria do acidente (Aristóteles) que coloca duas noções em determinada relação. Por outro lado, as coisas (ou os termos) existem independentemente das relações (Bertrand Russell e empirismo).

Na física quântica, não existem objectos, mas apenas relações entre objectos.

Quando se afirma que “o que importa numa família é a relação entre os membros, e não a constituição da mesma. É a relação e não o formato da família que proporciona bem-estar” — para além da negação tautológica segundo a qual “uma estrutura não é uma estrutura” — , o que se está a afirmar é as relações dentro de uma família são relações quânticas.

Segundo o jornal Observador, a família baseia-se em um modelo matemático segundo o qual as relações existem independentemente dos elementos que associam. A axiomatização do sentido de “família” consiste na abstracção do sentido dos termos que a compõem para considerar apenas as relações.

Hoje, o conceito de “família” — segundo o Observador e a Ideologia de Género — é um conceito quântico e matemático. É uma abstracção, e por isso não pode ser sequer um conceito, porque a noção científica de “conceito” só faz sentido por meio de uma experiência concreta. Em ciência, os conceitos não têm sentido no absoluto; a sua definição é apenas operacional.

Portanto, segundo o jornal Observador e a Ideologia de Género, não existe sequer um conceito de “família”; e, se não existe um conceito de “família”, também não existe uma noção de “família”. A família passa a ser tudo e nada ao mesmo tempo.

Ora, é este absurdo que é publicado no jornal Observador em nome do “pluralismo”. Talvez tenha chegado o tempo de voltarmos à censura da imprensa.

Sexta-feira, 7 Agosto 2015

Isto é moderno e progressista

 

« “During that first ovulation period, the guys would stop by and after every attempt, we’d have a cup of tea while Daantje sat on the couch with her legs up in the air.

Thankfully, it only took two months for her to get pregnant, because I remember thinking, Imagine if we have to do this for a full year: all those jars of semen and basters and all that,” elaborates Dewi. »

These Five People Are About to Have a Baby Together

familia-do-putedoO que não é novo neste conceito de “família” é a mulher enquanto puta

Terça-feira, 28 Julho 2015

Os magistrados do politicamente correcto, e a estatização da sociedade

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 10:02 am
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Está aqui um texto do Alberto Gonçalves (ex “Homem a Dias”) que reflecte o aumento dos poderes dos juízes. Os juízes já começam a decidir sobre detalhes íntimos da nossa vida privada. Parece que a tendência é a de que o cidadão só terá vida privada quando estiver a dormir. Mas o cidadão também é culpado quando não respeita a sua própria privacidade: temos, portanto, uma pescadinha de rabo na boca que alimenta a estatização do cidadão, nomeadamente através dos juízes que desempenham o papel dos magistrados na República de Platão.

Platão divide a sociedade em três classes: povo, militares e magistrados. Só estes últimos detêm o poder político e são em número muitíssimo inferior ao das outras classes. Os magistrados são escolhidos a dedo pelo Legislador (o Rei-filósofo). Platão está certo de que os magistrados seguirão sempre as intenções do Legislador (o que é um absurdo), e considera que os magistrados são uma classe à parte (como eram os membros do Partido Comunista na URSS). Parece ser esse o papel dos juízes que se prepara para a nossa sociedade.

“ (…) custa perceber a recente decisão dos tribunais de Setúbal e Évora, que proibiram um casal de exibir a filha nas ‘redes sociais’ (…)

A segunda razão [do tribunal] é um primor: ‘os filhos não são coisas ou objectos pertencentes aos pais e de que estes podem dispor a seu belo sic prazer’.”

A coisificação das crianças tende a ser um direito monopolista do Estado patrocinado pelos magistrados que, alegadamente, seguem as instruções do Legislador. “Alegadamente”, dizemos nós – porque na realidade os magistrados tendem a actuar em roda livre. Os magistrados acusam os pais de coisificação das crianças, justificando assim que passe a ser o Estado a deter o exclusivo da coisificação das crianças.

Para que esta estratégia de estatização da sociedade tenha sucesso, o Legislador e os magistrados têm, em primeiro lugar, de classificar toda e qualquer dissidência politicamente incorrecta (em geral e em abstracto) como sendo doença mental. A seguir, os magistrados decidirão que os malucos dissidentes (politicamente incorrectos) devem ser interditados e internados em hospitais psiquiátricos. Será nesta altura que o Júlio Machado Vaz (ou quejando) assumirá as funções de Ministro da Sanidade Mental.

Por exemplo: ¿não gostas da ideia do “casamento” gay e manifestas a tua opinião em público? Então, por decisão do magistrado, tens que ser internado, porque certamente estás maluco.


Na República de Platão, por exemplo, mães e amas só podem contar às crianças histórias autorizadas pelos magistrados que, alegadamente, seguem as instruções do Legislador; também não podem ser contadas histórias em que as pessoas politicamente incorrectas são felizes e em que as politicamente correctas são infelizes — porque o efeito moral entre os espíritos tenros pode ser desastroso. Impõe-se também uma austera alimentação das crianças: a politicamente correcta, se possível vegetariana; peixe e carne só assados, sem molhos nem doçuras; diz Platão que as crianças que seguem este regime não precisam de médico.

No fulcro da estatização das crianças está a abolição (em termos práticos) do casamento — tal como previra Platão na sua utopia: “Estas mulheres serão, sem excepção, esposas comuns, e ninguém terá mulher sua”.

Todas as crianças devem ser separadas dos pais ao nascer ou em tenra idade, e ter-se-á todo o cuidado em que os pais não as conheçam, nem elas aos pais. Crianças deformadas são eutanasiadas (já está acontecer hoje na Holanda e na Bélgica). Os filhos de uma união não sancionada pelo Estado são considerados ilegítimos. Nos casamentos controlados pelo Estado, as pessoas não têm direito a opinião: têm que pensar segundo o seu dever para com o Estado e não segundo aquelas emoções vulgares como, por exemplo, o afecto maternal — isto já é defendido hoje pela deputada socialista Isabel Moreira: procura-se diminuir as emoções privadas, removendo obstáculos ao domínio do espírito público estatal e concordar-se com a ausência da propriedade privada (não veremos, por exemplo, o José Pacheco Pereira a discordar disto).

Como ninguém sabe quem sãos os pais, pode-se chamar “pai” a quem quiser e que tenha idade conveniente, e o mesmo quanto à “mãe”, “irmão” e “irmã”.



A coisa política vai por este caminho. O actual aumento do poder dos juízes (dos actuais magistrados da República de Platão) deve-se essencialmente a uma concepção determinista do ser humano fundamentada pela ideia (errada!), e que está na moda, de que as ciências sociais são ciências exactas. Não existindo (alegadamente) livre-arbítrio no ser humano, aumenta o poder discricionário dos juízes (que são os únicos que têm livre-arbítrio!). Do que estamos aqui a falar é de liberdade, e do Estado que no-la quer tirar.

Sexta-feira, 10 Julho 2015

O gayzismo e o casamento

 

“O espírito diz abertamente que, nos últimos tempos, alguns hão-de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas diabólicas, seduzidos pela hipocrisia de mentirosos, cuja consciência foi marcada com ferro em brasa.

Proibirão o casamento e o uso de alimentos que Deus criou para serem consumidos em acção de graças pelos que têm fé e conhecem a verdade.”

— 1 Timóteo 4, 1-4

Sexta-feira, 26 Junho 2015

“O passado foi ilegalizado”

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 9:17 pm
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Homosexual “marriage” is political exploitation and a brilliant means of social control, fostering endless cultural division — division that has only just begun — and psychological bondage. It is libido dominandi at its finest.

Better yet, don’t feel anger at all. Pray for your children and for your country, from which you will now be forced to detach yourself. Have confidence in God as we head toward more, previously unimaginable chaos.

Everything, our entire system of family law, will be redefined. The past is now for all intents and purposes illegal. But marriage has not changed at all. No interpretation of our Constitution, no judge, no individual can change it.”

Homosexual “Marriage” Enforced by Judicial Fiat

O fim do mito da democracia

 

Hoje assinala-se o fim do mito da democracia. A par com a Inglaterra, os Estados Unidos fundaram a sua Constituição em Locke e tornaram-se símbolos da democracia no mundo; mas o que acontece hoje é que Locke foi substituído por Rousseau em ambos os países.

Durante os últimos anos, vários Estados federais americanos realizaram referendos que definiam o casamento entre um homem e uma mulher. Hoje, apenas cinco pessoas — 5 juízes do Supremo Tribunal dos Estados Unidos — anularam todos esses referendos estatais, e alegadamente em nome da “democracia”.

¿Isto é democracia? Qualquer pessoa com dois dedos de testa sabe que não é.

Aquelas pessoas que reclamam a superioridade moral e política dos Estados Unidos face à Rússia perderam hoje qualquer tipo de argumento racional para sustentar essa tese. O mito da democracia anglo-saxónica acaba de morrer. A partir de agora  “vale tudo” e “salve-se quem puder”.

Quinta-feira, 25 Junho 2015

O parlamento da Áustria rejeitou o "casamento" gay

 

O parlamento austríaco rejeitou o “casamento” gay com 110 votos contra e 26 a favor.

Em primeiro lugar, verificamos que ainda há na Europa políticos com os tomates no sítio — o que não se passa em Portugal, onde os políticos são em geral “destomatados”.

Em segundo lugar, o exemplo da Áustria revela que o “casamento” gay não é “inevitável” ou/e “imparável”, como dizem o esquerdalho e os políticos “destomatados” da “direita”.

Domingo, 31 Maio 2015

O Ludwig Krippahl e o dogma religioso dos “gays que nascem assim”

 

G. K. Chesterton escreveu, e com razão, que “quando a perversão se transforma em convenção, surge a ilusão da familiaridade” 1.
Com o “casamento” gay, dá a sensação, para alguns, de que tomar no cu é familiar.

foi cesarianaDesde logo, a eterna ladainha que mistura a cor da pele com o buraco onde se mete o pénis. O que admira é que ainda haja gente estúpida que tenha em conta esse argumento. Ou seja, o “homem de ciência” Ludwig Krippahl, ao fazer essa comparação, acredita que “o gay já nasceu assim”, embora ciência diga que não há provas científicas de que “o gay nasceu assim”. Misturar o comportamento sexual gay com a cor da pele nos negros é um insulto aos negros: é a pior forma concebível de racismo.

Se “é consensual que a relação entre duas pessoas que constroem uma vida em conjunto deve ter reconhecimento legal”, ¿por que razão dois irmãos, independentemente dos sexos, não se podem casar? E claro que o “casamento” gay não é consensual nem nunca será; apenas nos parece ilusoriamente familiar porque a perversão dos costumes se tornou convencional.

Acontece que os cidadãos irlandeses — como os portugueses — não querem guerra com o politicamente correcto; baixaram os braços. Acham que baixando os braços conseguem um pouco de paz, face à agressividade verbal e física do movimento político gayzista e da classe política em geral. Porém, cedo verificarão que a “paz gay” não chegou nem chegará. A guerra gay é uma guerra radical que tem como objectivo destruir o “triângulo de truísmos que é o pai, mãe e filho” (G. K. Chesterton), o que significa a destruição da nossa civilização.

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