perspectivas

Quarta-feira, 1 Junho 2016

O Bem Soberano e a virtude moral

 

Eu vou comentar um outro textículo do Luís Laparoto, porque ele próprio colocou a ligação, à laia de comentário, do meu mural do FaceBook; ou eu apagava o comentário, ou comento. Vou comentar.

“Debater um tema aparentemente tão exaurido quanto o da "adopção gay" parece inútil, não fosse o mesmo remeter para uma divisão profunda, bipolar, que fractura a Ética e explica, em parte, a celeuma existente entre "conservadores" e "libertários".”

A adopção de crianças por pares de invertidos tem pouco a ver com “libertarismo”; tem sobretudo a ver com o chamado “marxismo cultural” da Escola de Frankfurt. O que pode acontecer — e muitas vezes acontece — é que os verdadeiros libertários sejam os idiotas úteis, assim como os anarquistas russos do princípio do século XX foram os idiotas úteis de Lenine.

A adopção de crianças por pares de invertidos não é só apenas uma questão de ética: é também uma questão cultural (cultura antropológica).

“O dogma que cria a renitência relativamente à adopção homo-parental é o mesmo que demoniza, patologiza, a homossexualidade: ele é "psicanalítico", não é partilhado por toda a ciência "psicológica" (ou mesmo por parte da psicanálise contemporânea), e prolonga um tipo de moral paternalista, que coloca o fulcro ético na imagem do homem/pai e "diaboliza" o feminino, assim como o que este representa. Sabemos que a psicanálise contrapôs a grande parte da repressão devida e criada pela moral conservadora, muito associada ao ideal platónico-cristão, mas também é vero que o mesmo método cimentou a visão do equilíbrio bi-parental centrado particularmente na representação masculina enquanto gerador de saúde mental e da plena diferenciação do filho.”

foi cesarianaA psicanálise não faz parte da ciência, porque não é falsificável (Karl Popper); é estranho que o Laparoto, que, segundo parece, estudou medicina, não saiba que não pode invocar a psicanálise em contexto científico. Portanto, caro leitor, quando você ouvir um douto qualquer invocar a autoridade de direito científica da psicanálise, mande-o à merda! (e pode dizer que vai da minha parte).

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Segunda-feira, 22 Fevereiro 2016

A Isabel Moreira e a preocupação com o Estado

 

foi cesarianaA Isabel Moreira sabe bem que a lei é a melhor forma de exercer a tirania; e a tirania é o poder de uma minoria sobre a maioria. Por isso é que ela se preocupa tanto com a lei e com o Estado que a impõe.

Ela sabe que a “celebração” que ela invoca é minoritária, e por isso é que a adopção de crianças por pares de invertidos não foi referendada. E retira deste facto a necessidade de o Estado impôr coercivamente a toda a sociedade — sobretudo aos “prevaricadores”, que são maioritários — ou o silêncio dos medrosos ou a anuência dos emasculados.

O texto da Isabel Moreira é um manifesto totalitário, embora em nome da “igualdade”; ou seja, é uma contradição em termos. “O esquerdista modifica as definições, para nos persuadir que transformou as coisas.” — Nicolás Gómez Dávila

E é em nome dessa “igualdade” auto-contraditória que ela compara a raça e a dita “orientação sexual”: ou seja, segundo ela, um negro existe na mesma condição de um gay — negros que são casados, têm família natural e filhos, são comparados com pessoas que optam por um estilo de vida sexualmente promíscuo e niilista.

A Isabel Moreira insulta os negros com a mesma desfaçatez com que pretende impôr à maioria a ideia de que a igualdade é sinónimo de medo imposto pela força bruta do Estado; ela  modifica as noções do senso-comum para nos persuadir (à maioria) que as coisas são transformadas.

Sexta-feira, 29 Janeiro 2016

¿Por que é que a Isabel Moreira se preocupa tanto com o veto de Cavaco Silva?

 

isabel-moreira-bw-nomeSe os vetos de Cavaco Silva em relação à lei da adopção de crianças por pares de invertidos e à lei da promoção cultural do aborto, irão ser anulados brevemente na assembleia da república, Isabel Moreira deveria estar em paz e sossego e com a consciência tranquila. Mas não está. Isabel Moreira anda preocupada com Cavaco Silva.

A razão dessa preocupação é a seguinte: Cavaco Silva resistiu. O pensamento único e politicamente correcto não admite resistência.

Mas não só: Isabel Moreira sabe essas leis são passíveis de revogação, por parte da sociedade, em qualquer momento futuro. Ninguém conhece o futuro, e a Isabel Moreira também não (esta proposição é propositada).

A partir do momento em que a Isabel Moreira — e a Esquerda, em geral, mas não só a Esquerda — concebe a política apenas como um meio para atingir determinados fins, ela perdeu legitimidade política e abriga-se só na legalidade — porque a política é uma forma de associação que é um fim em si mesma, baseada na legitimidade.

Como escreveu Rousseau, “um direito digno desse nome não pode ser um direito que caduca quando a força bruta do Estado acaba”. É isto que preocupa a Isabel Moreira; e justifica-se a preocupação dela.

Terça-feira, 5 Janeiro 2016

A epigenética e a adopção de crianças por pares de invertidos

Filed under: Política — O. Braga @ 12:07 pm
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Se adopção de crianças é hoje concebida em termos exclusivamente utilitaristas e behaviouristas — o que é verdade! —, então segue-se que a epigenética (a ciência) irá certamente aconselhar que não seja permitida a adopção por pares de homossexuais.

“Um dos primeiros cientistas a sugerir que os hábitos de vida e o ambiente social em que uma pessoa está inserida poderiam modular o funcionamento de seus genes foi Moshe Szyf, professor de Farmacologia e Terapêutica da Universidade McGill, no Canadá.

Szyf também foi pioneiro ao afirmar que essa programação do genoma – que ocorre por meio de processos bioquímicos baptizados de mecanismos epigenéticos – seria um processo fisiológico, uma espécie de resposta adaptativa ao ambiente que começa ainda na vida uterina”.

Pioneiro da epigenética fala sobre relação entre ambiente e genoma

Obviamente que a ciência não determina a ética; mas não pode deixar de ser tida em consideração pelos eticistas. Ignorar a ciência é loucura.

Quinta-feira, 3 Dezembro 2015

O Nelson Nunes acerca de Pedro Arroja

Filed under: Política — O. Braga @ 11:05 am
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O Pedro Arroja incomoda; senão, vejamos este texto no jornal Púbico assinado por um tal Nelson Nunes que quase ninguém conhece.

O primeiro argumento contra Pedro Arroja é uma falácia conhecida como Argumentum Ad Novitatem: alegadamente, o Pedro Arroja “cheira a mofo”, é antigo; e por isso não tem razão.

Obviamente que, neste vídeo, Pedro Arroja associa ideologicamente “Deus” com “Natureza”.

foi cesarianaMas o Nelson Nunes não foi capaz de detectar a associação ideológica. O que incomoda o Nunes e quejandos é o facto de a mensagem de Pedro Arroja ser de uma grande eficácia em relação à cultura antropológica portuguesa. Pedro Arroja “descomplicou” alguns conceitos complexos em uma linguagem acessível ao comum dos portugueses; e isso incomoda o Nunes.

Depois, o Nunes adopta uma outra falácia: o ad Hominem. “O Arroja é estúpido”, e por isso não tem razão. “¿E por que razão o Arroja é estúpido? Porque associou a Natureza, por um lado, e Deus, por outro lado”.

Por estes dias, invocar a Natureza para tentar compreender o ser humano, é uma estupidez. Dizer que a Natureza nos fez homens ou mulheres, é próprio de um estúpido. E mais: segundo o Nunes, os fundamentos da Natureza são alteráveis:

 

“Arroja é apenas um exemplo num mar de gente que tem civilização a mais sobre os ombros. Há quem lhes chame preconceituosos, mas é mais que isso. Este tipo de pessoas está encurralado numa imensidão de regras que, a seu ver, é totalmente inalterável.

Ideias de ontem que, crêem, se aplicam ao agora. Esquecem-se, ou nunca lhes explicaram, que a tradição cultural que se traz atrás quando se nasce é feita de toneladas de ideias fabricadas e inventadas, mastigadas e regurgitadas, que de um momento para o outro podem tornar-se obsoletas. E, no fim de contas, acaba-se a ir à televisão dizer que a mamã não sabe fazer pilinhas, que deus nosso senhor é que conhece a receita fálica”.

Ou seja, os fundamentos da natureza humana podem alegadamente tornar-se “obsoletos” por obra e graça de gente como o Nunes, utilizando a força bruta do Estado. Isto tresanda a União Soviética. Alegadamente, “é o Estado, através da imposição da lei, que define a natureza humana”. E quem não concorda com isto, é estúpido; obviamente.

Domingo, 29 Novembro 2015

Francisco Mendes da Silva, Ana Rita Bessa e Teresa Caeiro

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 8:40 am
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“Os deputados do CDS-PP Francisco Mendes da Silva, Ana Rita Bessa e Teresa Caeiro defenderam que os casais homossexuais têm a mesma capacidade para adoptar crianças, questionando, contudo, se existe na sociedade um ambiente favorável.”

Estes deputados do CDS defendem adopção por “casais” gay

Em nenhuma sociedade existe um “ambiente favorável” à adopção de crianças por pares de invertidos, a não ser através da imposição da força bruta do Estado, como acontece, por exemplo, nos países nórdicos. Ora, um direito imposto à custa da força bruta do Estado não é um direito propriamente dito.

Nos países nórdicos não existe um “ambiente favorável” à adopção de crianças por pares de invertidos; o que existe é um medo difuso na sociedade de se pronunciar contra ela, e um silêncio generalizado em relação a qualquer juízo de valor sobre o assunto. A ideia segundo a qual “nos países nórdicos existe um ambiente favorável à adopção de crianças por pares de invertidos” é um mito que só cabe na cabeça de mentecaptos. Dantes tínhamos a URSS como “o sol do mundo”; hoje temos os países nórdicos.


“O deputado centrista [Francisco Mendes da Silva], que foi um dos parlamentares que deixaram na sexta-feira a Assembleia da República devido ao regresso dos antigos membros do governo ao hemiciclo, sublinha, contudo, que o “interesse central é o superior interesse da criança” e “é este que deve ser, sempre, o guia supremo do legislador”, e a partir desse guia persistem “dúvidas profundas” que não conseguiu ainda ultrapassar e que se prendem sobretudo com a maturidade da sociedade”.

Existe aqui uma ideia (que é incompreensível em um deputado do CDS/PP) segundo a qual uma “sociedade madura” tem a característica de se negar a si própria — a não ser que o deputado raciocine na mesma linha de Jean-Edern Hallier: “As civilizações apenas são mortais porque se tornam clarividentes. Logo que se põem a reflectir sobre si próprias, estoiram…”

A “maturidade da sociedade” é um conceito abstracto ou subjectivo, a não ser que seja sinónimo de “decadência”.

Se “maturidade da sociedade” não se identifica com “racionalidade” (que é diferente de “racionalismo”), entramos no campo do surreal ou do puro subjectivismo ético, político e jurídico que é característica de uma certa Esquerda psicótica.


“Existe ou não na sociedade portuguesa, já, um sentimento geral que a aproxima dos princípios dos projectos em discussão? Devem os riscos de um hipotético ambiente geral desfavorável sobrepor-se aos benefícios eventualmente decorrentes da mudança na lei?”, são algumas das questões colocadas por Francisco Mendes da Silva.

O “sentimento geral que a aproxima dos princípios dos projectos” significa o “progresso da opinião pública”, sendo que o “progresso da sociedade” é considerado uma lei da natureza. E esse “progresso da sociedade” passa pela dessensibilização ou anestesia ética e cultural da sociedade em nome de um império da emoção (o sentimento) sobre a razão. A ética passa a ser resultado de puro sentimento, subjectivo como é óbvio.

foi cesarianaA ideia é a de que, por intermédio do sentimento (emoção), podemos (o povo) aceitar as ideias e os comportamentos mais abstrusos: é a ideia do “sentimento” como chave da fundamentação da ética.

O movimento feminista esganiçado ― por exemplo na voz de Germaine Greer ou da “filósofa” Herlinde Pauer-Studer ― defende a posição segundo a qual a fundamentação da ética tem sido, ao longo da História, demasiado racional. Segundo essas feministas desconstrutivistas e esganiçadas, a ética tem sido unilateralmente analisada, e essa unilateralidade teria surgido devido à exclusão da experiência feminina. Elas defendem a ideia da inclusão das virtudes características da mulher esganiçada na análise da ética, como a intuição, a compaixão, do cuidado ou do sentimental. Schopenhauer e Levinas inserem-se no mesmo espírito da fundamentação ética (e jurídica) no sentimento, e não na razão.

Em suma, as feministas esganiçadas e desconstrutivistas, Schopenhauer e Levinas (entre outros), e os idiotas úteis como o Francisco Mendes da Silva, renunciam a uma fundamentação racional da ética. Para elas e eles, os valores surgem espontaneamente da profundidade dos sentimentos e da empatia funcional.

O problema que se coloca nesta concepção “sentimental” da ética é que ela é permeável à total arbitrariedade, porque os seres humanos não têm todos os mesmos sentimentos. Existem criaturas humanas que nem sequer são capazes de sentimentos empáticos, e contudo, a ética e a lei terão que existir para eles também.


Cabe ao Estado assegurar o superior interesse da criança. ”

Há aqui um erro crasso de análise do Chico; talvez um erro propositado. Não cabe ao Estado assegurar o superior interesse da criança: cabe à sociedade essa função. O Estado é apenas um instrumento da prossecução dos fins da sociedade, e não é a sociedade (a nação) que é um instrumento da prossecução dos fins do Estado.

O Estado é um meio, e não um fim em si mesmo. Quando o Estado é visto como um fim em si mesmo — como aconteceu na URSS e acontece hoje nos países nórdicos que é o actual “sol do mundo socialista” — entramos em um ambiente social que foi caracterizado pelo romance “O Rinoceronte”, de Ionesco: enquanto vários rinocerontes circulam livremente pela cidade, um representante da ideologia política oficial e politicamente correcta vem responder às angústias dos cidadãos através de palavras-mestras e slogans.

É evidente que Francisco Mendes da Silva, Ana Rita Bessa, Teresa Caeiro, Adolfo Mesquita Nunes, e até eventualmente Paulo Portas, deveriam sair do CDS/PP. Ou então retirem o conceito de “democracia-cristã” dos estatutos do partido; enquanto este conceito lá estiver, não podem haver divergências em assuntos tão fundamentais como o da adopção de crianças por pares de invertidos. Neste aspecto o Partido Social Democrata é mais coerente, e por isso é que não voto nele.

Domingo, 22 Novembro 2015

Adolfo Mesquita Nunes e a adopção de crianças por pares de invertidos

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 10:38 pm
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Adolfo Mesquita Nunes, que como sabemos lamentavelmente pertence ao CDS/PP e é amigo de Paulo Portas, tece aqui (ver ficheiro PDF) uma série de argumentos a favor da adopção de crianças por pares de invertidos. Vamos analisá-los no essencial.

foi cesariana1/ Em primeiro lugar, Adolfo Mesquita Nunes parte do princípio de que dois invertidos podem ser “casados”, na medida em que se refere a eles os dois como um “casal”. Não é porque a lei decide que dois gays são “casados” que eles passam de facto a ser casados — assim como se a lei definir, por exemplo, que um ser humano se pode casar com um animal, os dois seres passam automaticamente a ser “casados”.

Na tradição portuguesa sempre se referiu a um “casal de animais” — por exemplo, de gatos ou de burros — como constituído por um macho e uma fêmea. Temos um casal de gatos quando os dois animais são de sexos diferentes, e um par de gatos quando são do mesmo sexo. Dizer que dois gays são um “casal” é um abuso de linguagem.

O “casamento” gay pode ser legal, mas não é legítimo, porque o casamento (ver definição) é uma instituição (ver definição) e não um mero contrato. Adolfo Mesquita Nunes vê no casamento um simples contrato (mero objecto da justiça comutativa) e, por isso, estaria melhor fora do CDS/PP — ou então teremos que organizar um partido alternativo, que é o que provavelmente vai acontecer no futuro, porque enquanto lá estiver Paulo Portas não desaparecem Adolfo Mesquita Nunes e quejandos.

Ao longo da História verificámos que sempre existiram “legalidades ilegítimas”. Como escreveu Rousseau, e bem!, “um direito digno desse nome não pode ser um direito que caduca quando a força bruta do Estado acaba”. Quando acaba a força bruta do Estado que legalizou o “casamento” gay (a questão dos limites da força bruta do Estado), o direito ao “casamento” gay caduca naturalmente, em função do próprio Direito Natural. Ou então a sociedade entra em colapso.

Em suma, o Adolfo Mesquita Nunes parte de um sofisma para fundamentar todo o seu (dele) raciocínio. E como ele fundamentou o seu raciocínio em um falso princípio, toda a sua  tese está errada (Aristóteles).

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Sexta-feira, 20 Novembro 2015

‘Somos governados por gays, lésbicas e gatunos’

 

Semanário SOL   ÚLTIMA HORA

O melhor comentário:

Semanário SOL  comentario

A Esquerda é mais inteligente do que a Direita

 

No discurso ético, político e jurídico, não devemos apresentar a nossa oposição a uma determinada ideia “útil” apresentando uma alternativa “útil”.

Ou, por outras palavras: não devemos apresentar uma alternativa utilitarista a uma ideia utilitarista — como se faz aqui. Não devemos apagar o fogo com gasolina. Vejamos este panfleto:

adohomo-utilitarista-web

Esta forma utilitarista de apresentar alternativas a ideias utilitaristas pode ser ilustrada da seguinte forma:

“Em Portugal não se justifica o aborto, porque existe uma distribuição quase gratuita de preservativos e de contraceptivos”.

A verdade é que o aborto não se justifica por si mesmo, independentemente da “distribuição quase gratuita de preservativos e de contraceptivos”.


Não podemos criar uma relação de nexo causal utilitarista entre o aborto, por um lado, e os preservativos e contraceptivos, por outro lado — até porque esse nexo não existe de facto. Estamos a falar de coisas diferentes; o aborto não é a mesma coisa que o onanismo sexual, por exemplo. E não podemos dizer que “o aborto não se justifica porque existe a possibilidade do onanismo sexual” — porque estaríamos a justificar a negação de uma acção utilitarista através de uma outra acção utilitarista.

A Direita que temos está embrutecida, porque se deixou vencer pelo utilitarismo, que é a expressão do positivismo na ética. Nem tudo o que é útil é bom; e quem não sabe ver a diferença entre aquilo que é útil, por um lado, e aquilo que é bom e/ou belo, por outro lado, é um utilitarista.

Pelo seu lado, a Esquerda é utilitarista quando lhe convém, porque tira partido da contradição endógena do utilitarismo entre uma proposição positiva (que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista), por um lado, e por outro lado, uma proposição normativa (que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do “maior número”).

Por exemplo, a Esquerda é utilitarista nas matérias de costumes, porque lhe interessa destruir a tradição e a cultura antropológica. Mas já não é utilitarista, por exemplo, em matéria de economia: a posição da Esquerda em relação à privatização da TAP, por exemplo, é uma posição não-utilitarista.

A oposição à adopção de crianças por pares de invertidos deve ser justificada em si mesma, e não recorrendo a paliativos utilitaristas alternativos.

A Direita deve ter valores que não se submetam ao “útil”.

Terça-feira, 27 Outubro 2015

A diferença entre a Esquerda e a Direita é a liberdade responsável

 

O Partido Socialista espanhol anunciou que se ganhar as eleições em Dezembro, vai proibir as aulas de religião e moral, mesmo nos estabelecimentos de ensino privados. Obviamente que o Partido Socialista espanhol tem o apoio de toda a Esquerda radical espanhola (Podemos & Cia.).

É provável que, com a deriva radical esquerdista do Partido Socialista de António Costa, um governo de Esquerda em Portugal venha também proibir as aulas de religião e moral no ensino privado. A diferença entre a Esquerda e a Direita é sobretudo a liberdade responsável.

Outra diferença entre a Esquerda e a Direita é a de que as leis de Esquerda são consideradas irrevogáveis pela Direita. Dou um exemplo:

a lei do aborto foi revista e reformulada pela coligação Partido Social Democrata / CDS/PP. A radical socialista Isabel Moreira anuncia a anulação da reforma da lei. Seria previsível que um próximo governo maioritário de Direita voltasse a introduzir a reforma anulada pelos radicais; mas provavelmente isso não acontecerá, porque a Direita move-se menos por convicções e valores do que pelo cálculo. Muitos dos votos da coligação de Direita são de pessoas de outras áreas políticas que não concordam com a lei do aborto esquerdista.


barriga-de-aluguerOutra lei radical anunciada é a adopção de crianças por pares de invertidos, que terá como consequência a normalização do estatuto de filho-de-puta (na medida em que a herança genealógica é intencionalmente coarctada, na lei, como princípio válido) , que até agora era uma condição excepcional na lei. Até agora, a adopção de crianças sem pai e/ou mãe era exclusiva de casais (naturais, obviamente: mulher e homem) que assumiam, de forma simbólica na educação da criança adoptada, o papel e função de ambos os sexos.

A adopção de crianças por pares de invertidos introduz na lei a validade do “grau zero” da árvore genealógica da criança — ao contrário do que acontece com a adopção de crianças por casais, em que a ausência de uma árvore genealógica é vista pela lei como um mal a remediar através da adopção. Com a adopção de crianças por pares de invertidos, esse mal é validado por lei.

Em termos de princípio da lei, a adopção de crianças por pares de invertidos colide com a obrigatoriedade de assunção da paternidade por parte do homem. Qualquer bom advogado poderá pegar na lei da adopção de crianças por pares de invertidos e, com ela, refutar a lei que obriga ao homem assumir a paternidade de uma criança — porque o espírito da lei é contraditório.


Outra lei radical é a procriação medicamente assistida para toda a gente. Até agora, a procriação medicamente assistida é exclusiva para pessoas casadas (ver definição de casamento). A procriação medicamente assistida para toda a gente vai incentivar o negócio das “barriga de aluguer” que sacrifica e explora as mulheres mais pobres, para além de transformar a criança em um objecto que se compra e vende. É este o desiderato de radicais sinistros como a Isabel Moreira.


Em Espanha, prepara-se a fundação de um novo partido de Direita, alternativo ao P.P. espanhol e ideologicamente semelhante ao UKIP (United Kingdom Independent Party) britânico. Em toda a Europa surge uma nova Direita que tende a substituir paulatinamente uma “direita” submetida aos radicais de Esquerda (como é o caso do Partido Social Democrata português). É possível que um partido dessa nova Direita surja em Portugal, depois de aparecer em Espanha. Será uma Direita do não-compromisso com os radicais esquerdistas, uma Direita que defenderá a irreversibilidade absoluta das suas propostas.

Quarta-feira, 23 Setembro 2015

O tráfico de crianças, a adopção de crianças por pares de invertidos e o “progresso da opinião pública”

 

O Partido Social Democrata e o CDS/PP são de esquerda; ou melhor dizendo: o Partido Social Democrata e o CDS/PP obedecem à Esquerda em matéria de costumes e de cultura antropológica . Isto significa que ou não existe Direita, ou a Direita está condenada à extinção.

O Partido Social Democrata e o CDS/PP aprovaram uma lei da adopção de crianças por pares de invertidos “leve”:

Ser filho de duas mães ou de dois pais é legalmente impossível em Portugal, mas a partir do próximo mês esta interdição será aligeirada. Os casais homossexuais vão ter o direito de partilhar as responsabilidades parentais, podendo qualquer um dos elementos do casal tomar decisões importantes sobre a vida da criança. Juristas afirmam que a lei é uma experimentação social do legislador, a quem faltou coragem para permitir a co-adopção.

Escrito a partir das propostas dos socialistas e da coligação PSD-CDS, o novo diploma, publicado no dia 7, permite que casais do mesmo sexo assumam as responsabilidades parentais quando a criança só tem uma filiação. Por outras palavras, quando foi adoptada por um progenitor (pai ou mãe), quando só tem mãe porque nasceu por procriação medicamente assistida com recurso a banco de esperma – realizada no estrangeiro porque em Portugal esta técnica é exclusiva a uniões heterossexuais – ou quando um homem recorre a uma barriga de aluguer no estrangeiro, prática proibida em Portugal”.

foi cesarianaRepare-se na narrativa dos me®dia: “ser filho de duas mães ou de dois pais é legalmente impossível em Portugal” — como se fosse possível realmente ser filho de dois pais ou de duas mães, legalmente ou não. Estamos no domínio da linguagem orwelliana; e o Partido Social Democrata e o CDS/PP aprovam. Estou seriamente a ponderar votar no PNR.

Um par de gays vai à Tailândia, por exemplo, e aluga a barriga de uma mulher. E o Partido Social Democrata e o CDS/PP aprovam o tráfico de crianças, porque depois de a criança nascida concedem um prémio ao par de gays: a “co-adopção suave”. O Partido Social Democrata e o CDS/PP não legalizam as “barrigas de aluguer”, mas aceitam que o alugueres das barrigas sejam feitos no estrangeiro. Isto é uma hipocrisia que pede meças ao Bloco de Esquerda.

Naturalmente que para conceder a “co-adopção suave” por pares de invertidos, o Partido Social Democrata e o CDS/PP tinham que afastar a influência dos avós (biológicos, obviamente) em relação à criança. A estratégia subjacente ao Partido Social Democrata e ao CDS/PP é a do sapo em água morna:

“Vários estudos biológicos demonstram que um sapo colocado num recipiente com a mesma água de sua lagoa, fica estático durante todo o tempo em que aquecemos a água, mesmo que ela ferva. O sapo não reage ao gradual aumento de temperatura (mudanças de ambiente) e morre quando a água ferve. Inchado e feliz”.

Domingo, 13 Setembro 2015

O jornal Observador, a Ideologia de Género, a afirmação da noção quântica de “família” ou “a família matemática”

 

O jornal Observador diz que não é de Esquerda; mas faz a apologia da Ideologia de Género. A ideia de uma certa “direita” neoliberal é a de “recuperar” o ideário de Esquerda de forma a esvaziar sua (desta) agenda política — nem que seja defendendo que o absurdo tem lógica.

Este texto no Observador, que defende a Ideologia de Género, baseia-se em uma só proposição fundamental:

« Isabel socorre-se de vários estudos e defende que “o que importa numa família é a relação entre os membros, e não a constituição da mesma. É a relação e não o formato da família que proporciona bem-estar”. »

Todo o resto do relambório é uma narrativa de uma ideologia política que nada tem de lógica nem de ciência. Portanto, vamo-nos concentrar nessa proposição.

foi cesarianaSegundo a proposição supracitada, uma família pode ser tudo o que se quiser em função da relação entre os membros — uma vez que a constituição (a forma, ou a estrutura) da família não importa. É isto que está lá escrito. Bom… se uma família pode ser tudo o que se possa imaginar, então a família passa a ser nada, porque deixa de existir uma noção prática e concreta de “família”. É isto que o jornal Observador defende: não deve existir, pelo menos em teoria, uma definição de “família”.

Há nessa proposição uma contradição: por um lado, “é a relação que importa”, e não a estrutura (a forma interna da família); mas, por outro lado, a dita proposição baseia-se na noção de “estrutura”, segundo as ditas “ciências sociais”, que consiste em uma totalidade organizada que não se reduz à soma das suas partes, mas definindo-se, pelo contrário, pelas relações de independência e de solidariedade do conjunto dos elementos que a constituem.

Ou seja, a proposição supracitada afirma que “a estrutura da família não importa”, mas baseando-se, nessa afirmação, na noção de “estrutura” das ditas “ciências sociais”. Estamos perante uma redundância, ou melhor, estamos perante uma tautologia.

Esta contradição é muito difícil de ser apreendida pelo cidadão normal. Ou seja, a Ideologia de Género aproveita-se da ignorância geral do cidadão, e por isso é que é perigosa. Penso mesmo que a propaganda da Ideologia de Género deveria ser proibida por lei.

¿O que é uma “relação”?

No sentido comum, “relação” é qualquer laço que una um termo ou um objecto a outro. Um sistema de relações entre elementos quaisquer e permutáveis – por exemplo, um jogo de cartas – é uma “estrutura”.

As ciências formais (por exemplo, a matemática) consideram o sistema lógico das relações independentemente dos elementos que associam. Na matemática, por exemplo, a axiomatização consiste na abstracção do sentido dos termos para considerar apenas as relações.

O modelo da relação é uma categoria do acidente (Aristóteles) que coloca duas noções em determinada relação. Por outro lado, as coisas (ou os termos) existem independentemente das relações (Bertrand Russell e empirismo).

Na física quântica, não existem objectos, mas apenas relações entre objectos.

Quando se afirma que “o que importa numa família é a relação entre os membros, e não a constituição da mesma. É a relação e não o formato da família que proporciona bem-estar” — para além da negação tautológica segundo a qual “uma estrutura não é uma estrutura” — , o que se está a afirmar é as relações dentro de uma família são relações quânticas.

Segundo o jornal Observador, a família baseia-se em um modelo matemático segundo o qual as relações existem independentemente dos elementos que associam. A axiomatização do sentido de “família” consiste na abstracção do sentido dos termos que a compõem para considerar apenas as relações.

Hoje, o conceito de “família” — segundo o Observador e a Ideologia de Género — é um conceito quântico e matemático. É uma abstracção, e por isso não pode ser sequer um conceito, porque a noção científica de “conceito” só faz sentido por meio de uma experiência concreta. Em ciência, os conceitos não têm sentido no absoluto; a sua definição é apenas operacional.

Portanto, segundo o jornal Observador e a Ideologia de Género, não existe sequer um conceito de “família”; e, se não existe um conceito de “família”, também não existe uma noção de “família”. A família passa a ser tudo e nada ao mesmo tempo.

Ora, é este absurdo que é publicado no jornal Observador em nome do “pluralismo”. Talvez tenha chegado o tempo de voltarmos à censura da imprensa.

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