perspectivas

Quinta-feira, 26 Março 2015

O ableísmo homossexual

 

A melhor definição de “ableism” pode ser encontrada aqui:

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“Ableism” é a ideia de que palavras comuns, usadas todos os dias, devem ser consideradas ofensivas em relação a certas pessoas com determinadas incapacidades e/ou anomalias.

Por exemplo:

Dizer “maluco” é “ableism”, e é ofensivo em relação a pessoas malucas.

Dizer “mudo” é “ableism”, e é ofensivo em relação a pessoas mudas.

Dizer “caminhar” é “ableism”, e é ofensivo a pessoas em cadeiras de rodas.

Dizer “invertido” é “ableism”, e é ofensivo para os gays”.

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“Ableism” não é exactamente a mesma coisa que “capacitismo”, pelo menos no sentido dado aqui. O ableism não se aplica somente a pessoas com incapacidades físicas: também se aplica a qualquer tipo de característica, seja psicológica ou física, que afaste um determinado indivíduo da normalidade (qualquer que seja) constatada por uma curva de gauss. Se Albert Einstein vivesse hoje, poderia eventualmente acusar a sociedade de “ableism” por “tornar invisíveis” as pessoas com uma inteligência superior à média.

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À falta de melhor, e dado que “capacitismo” não é a mesma coisa que “ableism”, vamos importar o neologismo “ableísmo”.

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O ableísmo impõe a ideia segundo a qual a sociedade é sempre culpada pela situação do indivíduo que, em qualquer aspecto da sua identidade (ou falta dela), se afaste da normalidade necessariamente imposta pela curva de gauss. O ableísmo pretende impôr à sociedade a ideia de que não existe qualquer tipo de normalidade, que o indivíduo é incategorizável, não existem categorias que classifiquem o ser humano, e portanto o pensamento racional e a ciência são também formas de ableísmo.

Por outro lado, o ableísmo projecta para a sociedade a culpa do comportamento pouco saudável de um indivíduo. Por exemplo, se um gay tem um cancro anal ou apanhou a SIDA, sente-se pouco à vontade em falar do seu problema e, por isso, ele diz que a sociedade o tornou invisível e que é vítima de ableísmo. A culpa é sempre da sociedade e nunca da putativa vítima de ableísmo.

Como é normal num blogue politicamente correcto como é o Jugular, os homossexuais são, alegadamente, “tornados invisíveis pela sociedade”, o que (alegadamente) constitui uma forma de ableísmo em relação aos homossexuais.

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O que torna o ableísmo insuportável é que inibe qualquer discurso: qualquer palavra proferida pode ser tida subjectivamente como uma forma de ableísmo. A vítima de ableísmo vive, como é óbvio, da sua subjectividade, e por isso qualquer interpretação subjectiva do homossexual pode ser uma forma de ableísmo. Ou seja, o próprio ableísmo impõe as barreiras ao discurso e à comunicação de que se queixa que não existem.

Por exemplo, se um médico se dirige a um homossexual de uma forma que este considere subjectivamente “paternalista”, o gay queixa-se de ableísmo. Ou se o médico diz ao gay que não convém ter muitos parceiros sexuais, automaticamente isso é interpretado como uma forma de ableísmo. No limite, não há nada que se possa dizer a um gay que não possa ser interpretado por ele como ableísmo.

Tornando o discurso impossível através da subjectivização das posições do homossexual, o movimento político gayzista consegue aquilo que pretende: a supremacia real da condição homossexual em relação ao comum dos mortais.

Sob a forma de vitimização ableísta, o comportamento gay (qualquer que seja) passa a ser inatacável, por um lado, e por outro lado a sociedade é sempre responsável pelas consequências objectivas de tal comportamento.

É evidente que não se procura a “igualdade”: em vez disso, procura-se uma superioridade ontológica do homossexual, na medida em que qualquer discurso ou debate são coarctados à partida, e é a subjectividade do homossexual que dita as regras do jogo. Não se procura a aceitação do homossexual: procura-se a sua celebração cultural como casta superior.

Terça-feira, 24 Março 2015

O paradoxo liberal da autonomia

Filed under: ética,Política — O. Braga @ 5:34 pm
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Charles Taylor apresenta-nos o paradoxo da diferença entre a autonomia formal e a autonomia real.

A autonomia formal é a dos liberais que separaram o conceito de Bem, por um lado, do de Justiça, por outro (os herdeiros de Kant) — o grupo dos liberais pode ir, por exemplo, do Insurgente ao Jugular, cada um à sua maneira. A única preocupação os liberais é a coexistência da quasi-infinitude de noções de Bem, negando, portanto, qualquer possibilidade de legitimidade de um reconhecimento público universal dos valores. Os liberais dizem:

“Cada um tem a sua ética” (atomização da sociedade em nome da autonomia).

Para os liberais, o domínio da Justiça é alegadamente “universal”, mas já o domínio do Bem é particular e privado (Habermas, por exemplo, ou Hayek: vai dar ao mesmo); mas dizem os liberais que o seu conceito universal do “justo” é “neutro” em relação às concepções de Bem e aos estilos de vida que o exprimem (“neutralidade ético-simbólica”). Por exemplo, quando ouvimos os liberais dizer:

“O “casamento” gay ou a adopção de crianças por pares de invertidos não interfere com a minha vida privada. Problema deles!”

Por outro lado, os liberais entendem o “universal” (na Justiça) como uma simples forma ou processo de determinação da norma prática — ou seja, os paradigmas axiológicos e teleológicos da ética e do político são substituídos pelo paradigma jurídico (pelo processo de promulgação de leis do Direito Positivo).

Porém, (contra os liberais) o conceito liberal de “universal” (na Justiça) não é realmente neutro. Trata-se de uma falácia liberal. Por exemplo, a interpretação liberal dos direitos do homem abstrai o ser humano de qualquer determinação histórica: a construção de qualquer concepção acerca do “justo” insere-se sempre em um contexto de uma tradição prática específica que é portadora de critérios racionalizados de um ponto de vista prático. A razão prática é histórica. E o universal liberal não é neutro porque obedece a uma tradição liberal individualista que, como qualquer tradição prática, possui os seus próprios parâmetros de justificação racional.

O universalismo liberal é uma tradição, e por isso não pode ser neutro.

Os liberais, ao separarem o problema da justa coexistência (Justiça), por um lado, das questões relativas ao sentido da vida (o Bem) através do processualismo liberal (processo de promulgação do Direito Positivo), esquecem-se que o exercício da autonomia do indivíduo supõe a aquisição de mediações culturais específicas assim como instrumentos práticos de reflexão que permitam escolher a orientação mais apropriada para vida do indivíduo. Por outras palavras, a autonomia do indivíduo implica a intersubjectividade cultural e o pensamento crítico em relação a qualquer questão do sentido da vida.

O paradoxo liberal da autonomia é o de que, na ausência da intersubjectividade cultural e do pensamento crítico, os indivíduos caem na heteronomia que os liberais julgavam poder evitar: sob pressão dos preconceitos das modas, das imagens me®diáticas ou das ideologias paradigmáticas de cada época, os indivíduos podem efectuar escolhas que não sabem justificar com argumentos, e por isso não são verdadeiramente livres.

Ora, a aquisição da intersubjectividade cultural e do pensamento crítico não depende simplesmente da responsabilidade privada “de cada um” defendida pelos liberais através do formalismo do Direito Positivo: ela depende também e sobretudo da responsabilidade de todos, porque é determinada igualmente por condições sociais, económicas e educativas que traduzem escolhas sociais.

Segunda-feira, 23 Março 2015

Marine Le Pen, o Insurgente e o Jugular

 

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Começo por dizer que, se eu fosse francês, não votaria na Front Nationale de Marine Le Pen,  a não ser por voto de protesto contra o sistema político; por várias razões, e fundamentalmente porque a Front Nationale é tão radicalmente laicista quanto o Partido Socialista francês.

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Eu vou mais pelo secularismo, por exemplo, de um UKIP (United Kingdom Independent Party); vou mais por aqui, mas vou mais longe: em minha opinião, a Igreja Católica deveria fazer parte do protocolo de Estado, e portanto, fui contra a posição do Partido Social Democrata que há anos se aliou à  Esquerda e à  maçonaria para revogar a tradição portuguesa da presença da Igreja Católica nos protocolos de Estado que vigorava desde a fundação de nacionalidade.

Segundo o critério do Insurgente, o UKIP, sendo um partido nacionalista e que defende até a saída do Reino Unido da União Europeia, é um partido socialista.

(more…)

Catarina Martins, o Bloco de Esquerda e as “medidas de natalidade”

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 7:00 am
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Lemos aqui um artigo que nos fala de Singapura e como este pequeno país está em extinção por ter a mais pequena taxa de natalidade do mundo. Durante as décadas de 1960 e 1970, o governo de Singapura lançou campanhas de infertilização das suas mulheres e de aborto gratuito; porém, na década de 1980 tentou inverter, sem sucesso, a situação de natalidade negativa quando se verificou que o país caminhava a passos largos para a extinção. E esse insucesso tem a ver com os valores que foram inculcados na cultura antropológica dos habitantes de Singapura.

Singapura, tal qual a conhecemos hoje, tem certamente os seus dias contados. catarina-martins-neanderthal-web

O Bloco de Esquerda (na companhia do Partido Comunista) foi o paladino-mor da defesa do aborto gratuito e pago pelo Estado — portanto, aborto para toda a gente, a nossas expensas, através dos nossos impostos. Foi também o grande defensor da proliferação, através dos Centros de Saúde, de todo o tipo de anti-conceptivos a baixo custo e subsidiados pelo Estado, através do famigerado “planeamento familiar”.

O resultado está à  vista: Portugal, tal como  Singapura, está em extinção.

Agora, tal como a criminosa que pensa que não deixou impressões digitais no local do crime, a Catarina Martins e o Bloco de Esquerda vêm propôr “medidas para aumentar a natalidade”. Depois de terem contribuído decisivamente para a destruição da cultura antropológica portuguesa tradicional e da família natural, o Bloco de Esquerda vem agora fazer de conta de que não teve nada a ver com a criação do problema.

Quando a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, em um discurso recente dirigido a jovens universitários, lhes disse (mais ou menos isto):

“vocês são jovens: multiplicai-vos: não estejam à  espera do melhor momento para terem filhos, porque esse melhor momento, ideal, nunca chegará”,

ela traduziu em palavras o bom-senso que pode garantir o futuro do nosso país. Não sei se ainda se vai a tempo de evitar o desastre, porque a cultura antropológica portuguesa foi já formatada por uma ideologia niilista de que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista são os principais responsáveis — mas também o Partido Socialista de gentalha como a Isabel Moreira, e mesmo do Partido Social Democrata de feminazistas como a deputada Teresa Leal Coelho ou a ministra da justiça Paula Teixeira da Cruz.

Tal como o problema demográfico português se apresenta hoje — ou a nação, a cultura e a língua portuguesas históricas se extinguem, e o país é ocupado por gente de outras paragens, ou então este processo de extinção da nação portuguesa só pode ser revertido através da suspensão do liberalismo político e da repressão violenta do movimento revolucionário em geral. Não há terceiro excluído.

Domingo, 22 Março 2015

O novo feudalismo invertido

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 5:28 pm
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Ao ler este artigo da Helena Matos, convém que o leitor não confunda “comunitarismo” e “multiculturalismo” — porque a palavra “comunidade” é invocada em um contexto de multiculturalismo. Em política, as palavras são muito importantes. Aliás, Marine Le Pen também utiliza o termo “comunitarismo” em vez de “multiculturalismo”.

O termo “comunitarismo” designa originalmente um grupo informal — uma corrente filosófica, e não propriamente uma doutrina — de autores de língua inglesa, por exemplo, Alasdair MacIntyre (católico), Michael Sandel (judeu religioso praticante), Charles Taylor (católico), e mesmo Michael Walzer em menor grau, que tomam parte, desde a década de 1970, num debate acerca da filosofia moral e política. Os comunitaristas defendem, contra os liberais, uma concepção da ética que assume a questão do sentido da vida que a prática histórica dos indivíduos e das comunidades pressupõe. A “comunidade” é vista aqui como a sociedade em geral. Ou seja, comunidade ≈ sociedade. Eu próprio identifico-me com os comunitaristas, por um lado, e com o neo-realismo tomista, por outro  lado (a minha forma de pensar pode ser resumida nestes dois planos).


A descrição que a Helena Matos faz das “comunidades multiculturalistas” (talvez este termo seja mais adequado), sendo real, é assustadora. O que estamos a assistir é a um incremento do potencial totalitarista na política a coberto da divisão da sociedade em castas, sendo que umas castas assumem maior importância real do que outras. E depois temos a casta dos novos párias, que é constituída por homens brancos heterossexuais e de cultura cristã.

O que se pretende (da parte dos progressistas) é o estabelecimento de um feudalismo invertido (e, por isso, totalitário), em que os grupos sociais ou comunidades multiculturalistas — os novos grémios ou guildas do novo feudalismo multiculturalista — são vistos pelas elites progressistas como “iguais” em um organograma oficial mas que não é real, porque há sempre umas comunidades mais iguais do que outras — ao passo que, no feudalismo propriamente dito, os grémios ou guildas obedeciam a uma hierarquia social bem definida (não existia igualdade de classes, mas havia liberdade de discussão interna nos grupos, grémios, guildas de pessoas do mesmo ofício ou da mesma classe social).

Trata-se aqui de uma analogia entre o feudalismo propriamente dito e o novo, evidentemente, para que se perceba como os progressistas pretendem dividir a sociedade em castas para poderem impôr um novo tipo de totalitarismo (marxismo cultural: Escola de Frankfurt → Marcuse → Habermas).

Não sei onde isto nos vai levar, mas tudo indica que os progressistas totalitaristas estão a ganhar a guerra instilando o medo e o pânico moral, e tirando partido da espiral de silêncio que se instala na sociedade. A maioria silenciosa anda aterrorizada e cala-se; e por isso é que faz falta a coragem da denúncia.

Sábado, 21 Março 2015

Ou se é liberal ou não

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 6:33 am
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Quando os liberais (de Direita) da nossa praça são confrontados com a Lista Fiscal VIP, entram em dissonância cognitiva — como acontece com a Helena Matos.

Os liberais fundamentam o seu conceito de “igualdade” na igualdade perante a lei que se opõe aos privilégios — o que não significa que todos tenham o mesmo Poder ou as mesmas características, mas significa que todos têm uma dignidade igual.

Ora, raciocinando como um liberal, diria eu que, por exemplo, o primeiro-ministro tem uma dignidade igual ao Zé da Esquina. Por isso, o primeiro-ministro tem o mesmo direito do Zé da Esquina a não ver a sua vida privada — neste caso, fiscal — vasculhada e divulgada na praça pública. E é em nome dessa putativa igualdade na dignidade que a Helena Matos defende a ideia de que deveria haver uma Lista Fiscal VIP, para assegurar que o primeiro-ministro tenha os mesmos direitos que o Zé da Esquina tem.

Ora, aqui é que está o sofisma da Helena Matos: é que o Zé da Esquina não tem qualquer garantia ao direito de não ter a sua vida fiscal vasculhada; a diferença é que o vasculho não sai publicado nos jornais — e portanto ela mistura aqui dois planos diferentes do problema: o vasculho propriamente dito, de que ninguém está livre neste país, por um lado, e a publicação do vasculho que atinge as figuras públicas. Mas não é porque o Zé da Esquina não é figura pública que o vasculho se torna justificado.

O vasculho da vida fiscal privada do Zé da Esquina traduz-se, por exemplo, no acesso a ficheiros do fisco por parte de entidades privadas — que não pertencem ao Estado — na cobrança de dívidas, devidas ou indevidas; e como o acesso aos tribunais é caro, o vasculho fiscal da vida do pobre Zé da Esquina traduz-se numa cobrança coerciva, com ou sem razão; ou então o vasculho fiscal generalizado permite que uma entidade privada possa obter informações acerca da vida fiscal privada de um candidato a seu empregado: o que é preciso é ter alguém amigo na repartição de Finanças para fornecer a informação.

Ou seja, a filosofia política liberal não deveria permitir que existisse qualquer tipo de vasculho; ou então, toda a gente tem o direito a ser vasculhada. Mas não é isto que a Helena Matos defende.

Numa sociedade sem uma tradição democrática forte; em que ainda existem fortes resquícios estalinistas na política; em que a maçonaria se transformou em uma associação de malfeitores que mina a política e que sustenta, em grande parte, o tráfico de influências; em que os me®dia que temos fomentam, no povo, todos os dias, uma cultura da coscuvilhice e da inveja — nesta sociedade não há liberalismo político que aguente. Ou então, a ser-se coerentemente liberal, mesmo na merda da sociedade que temos, há que correr o risco de não admitir qualquer Lista Fiscal VIP.

Quinta-feira, 19 Março 2015

Dolce & Gabanna é mesmo bom ! O Elton John que o diga.

 

Depois de Elton John ter apelado ao boicote dos produtos Dolce & Gabanna, foi visto Terça-feira com compras de produtos Dolce & Gabanna. Esta gente não é coerente nem com os seus próprios princípios — sabem que não estão bem com as suas consciências.

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¿ Salazar estaria na Lista Fiscal VIP?

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 6:26 pm
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“Demagogia é o vocábulo que os democratas empregam quando a democracia os assusta.”

— Nicolás Gómez Dávila


Se Salazar estivesse hoje no Poder, ¿haveria uma Lista Fiscal VIP para membros da classe política?

Duvido que houvesse. Poderia talvez existir uma Lista Fiscal VIP para os banqueiros, mas nunca Salazar permitiria que existisse uma Lista Fiscal VIP para deputados, presidente da república, funcionários públicos, ou outros membros da classe política.

“Conta-se que filho do presidente da república Francisco Higino Craveiro Lopes, Nuno Craveiro Lopes e sua mulher, então grávida, se encontravam entre os passageiros do comboio da linha do Estoril que descarrilou devido à derrocada da barreira junto ao farol de Caxias, em 1952. Embora não tenham ficado feridos, no meio da confusão entre mortos e feridos a esposa ter-se-á sentido mal. Não sendo possível arranjar transporte no local, o filho telefonou ao Presidente, no sentido de lhe enviar um carro da Presidência para os levar a casa. Francisco Higino, depois de se certificar de que se encontravam bem, retorquiu que não podia dar ordem para enviarem o carro pois estes eram exclusivamente para serviço oficial; que procurassem um táxi para o efeito. E seu filho assim fez: foram andando a pé em direcção a Lisboa e um pouco adiante conseguiram apanhar um táxi.

Como norma, nas viagens e visitas, não eram oferecidos objectos de valor, conforme o desejo do Presidente que era transmitido previamente às entidades pelos elementos do protocolo. Apenas aceitava flores, medalhas comemorativas e diplomas honoríficos. Livros, só oferecidos pelos autores. Isto devia-se ao facto de que durante a inauguração das Feiras do Livro, era usual nos governos anteriores enviar uma camioneta que os livreiros faziam carregar com livros, facto que o Presidente achava despropositado. Do mesmo modo, nas visitas ao Ultramar, fez saber que não aceitava diamantes, metais de valor, peles, marfim, e coisas semelhantes. Até um boi que lhe foi oferecido pelo Rei do Congo, que não podia recusar por motivos de protocolo, foi abatido e comido pelo seu povo, com grande satisfação.”1

A Lista Fiscal VIP é um fenómeno democrático que é, em si mesmo, anti-democrático. Por isso é que os democratas dizem que Salazar era “faxista”.


Nota
1. Fonte

Verdadeirismo

Filed under: A vida custa,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 12:42 pm
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Proponho “verdadeirismo” em lugar de “verdadeiridade”, porque o conceito inglês de TRUTHINESS está subjacente ao irracionalismo que voltou a estar na moda e que está ligado a certas ideologias políticas. “Verdadeirismo” é um “ismo” e tem uma conotação política clara.

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O Estado americano de Oklahoma baniu o casamento entre ateus

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 10:30 am
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Há um anocasamento gay, o Estado de Oklahoma realizou um referendo popular acerca do “casamento” gay que deu uma maioria absoluta ao “Não”; mas o Supremo Tribunal de Justiça federal considerou que o referendo não é válido — o judicialismo totalitário que substitui a democracia.

Agora a guerra está instalada. Uma nova lei promulgada pelo Estado do Oklahoma em 10 de Março passado, define que o Estado deixa de passar certidões de casamento, passando estas a ser passadas pelas diversas confissões religiosas. Ou seja, os ateus não podem casar no Estado de Oklahoma.

O argumento principal do Estado de Oklahoma é o de o casamento é anterior ao Estado. Antes de haver Estado já havia casamento em um contexto religioso, e o Estado apenas reconhece o casamento que decorre da Lei Natural. E a partir do momento em que o Estado pretende perverter a Lei Natural que subjaz ao casamento, então já não faz sentido que o Estado se intrometa no casamento. Os funcionários do Estado apenas irão confirmar certificados de casamento previamente passados pelos clérigos das diversas confissões religiões.

Este tipo de reacção à intromissão excessiva do Estado na sociedade será cada vez mais comum.

Segunda-feira, 16 Março 2015

A cultura actual que elimina o feio

 

Platão escreveu na “República” que “dado que o belo se opõe ao feio, são duas coisas diferentes. (…) E isto é igualmente verdadeiro para o justo e para o injusto, para o bem e para o mal, e para todas as Formas”.

A concepção platónica das Formas — ou das Ideias — já não se aplica na nossa sociedade; ou pelo menos tende a desaparecer. A oposição entre o belo e o feio (estética) e entre o bem e o mal (ética) tende a esbater-se em nome da absolutização do subjectivo. Por exemplo, a arte moderna começou alegadamente como um movimento de protesto contra o filistinismo burguês; mas o corolário da arte moderna é o de que, hoje, a arte não conhece o feio: “é tudo uma questão de gosto”, dizem-nos, “não há o feio nem o belo: há apenas gostos diferentes”. 

O mesmo critério de esbatimento da oposição das Formas aplica-se hoje à  ética (a ética e a estética andam de mãos dadas) e à  justiça (a justiça depende da ética). O ser humano orienta-se na vida pela oposição de conceitos (grande/pequeno, bom/mau, belo/feio, justo/injusto, etc.), e quando esta oposição entre conceitos se esbate, a sociedade tende a regredir a um estado de selvajaria.

O grau do estado de selvajaria de uma sociedade não depende do desenvolvimento tecnológico; o Estado nazi é a demonstração evidente de que uma sociedade pode regredir a um estado de selvajaria alimentando-se de uma tecnologia de ponta. Uma sociedade em regressão para um estado de selvajaria também pode ter muito investimento em dinheiro e meios na ciência positivista que se caracteriza exactamente pela erradicação das Formas platónicas: quando a ciência substitui a ética e os seus valores, o ser humano passa a ser um “selvagem actual”.

dolce gabannaOs homossexuais Domenico Dolce e Stefano Gabanna criticaram as “barrigas de aluguer” e a tecnologia de inseminação artificial.

Há nestas duas pessoas a ideia do belo e do feio, da justiça e da injustiça, do bom e do mau — para além da ciência e da tecnologia, e mesmo apesar da condição homossexual. Não é porque uma pessoa é homossexual que tem que abdicar de uma visão realista do mundo e da vida, que tem que deixar de pensar na ética e na estética, que tem que deixar de conceber os valores como existentes independentemente de nós e que não podem ser deduzidos de uma qualquer utilidade.

Por exemplo, eu não sou rico, mas aceito perfeitamente que existam ricos, porque o realismo e o conhecimento da Natureza Humana diz-me que sempre houve e haverá ricos. Não tenho inveja dos ricos (sinceramente!) nem qualquer ressentimento em relação a eles. O que eu não posso conceber, em nome a oposição entre o justo e o injusto, é que os ricos retirem direitos naturais aos pobres, como está a acontecer hoje em larga escala, criando uma situação política e social a que Hegel chamou de Notrecht (direito de necessidade).

No mundo das Ideias de Platão, um rico também pode ter a noção da oposição entre o belo e o feio, o bem e o mal, o justo e o injusto — porque a desigualdade injusta não se cura com igualdade, mas com desigualdade justa (Nicolás Gómez Dávila). A desigualdade justa tem em conta a equidade, e não a igualdade, porque é impossível sermos todos iguais.

Quando se pretende tornar igual aquilo que não é realmente possível que seja igual, perdemos a noção da oposição dos valores das Ideias de Platão que orientam a sociedade e o indivíduo; caímos em uma nova espécie de selvajaria nazi, em que o ser humano, enquanto pessoa, é desvalorizado em nome da absolutização do subjectivo, seja este individual ou colectivo.

Domingo, 15 Março 2015

O Novo Puritanismo politicamente correcto

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 4:21 pm

 

A Helena Matos escreveu aqui um artigo que aborda o Novo Puritanismo.

O Novo Puritanismo já não tem nada a ver com a inibição sexual e com o combate ao despudor da cultura judaico-cristã: antes é agora o da depuração da linguagem até ao ponto em que seja impossível qualquer discurso que não seja o Diktat das elites políticas.

Trata-se de uma mistura da rígida rectidão moral antiga (mas invertida), por um lado, e por outro  lado de uma espécie de medo de contaminação por via da linguagem: o Novo Puritanismo impõe sistematicamente uma dissonância cognitiva no povo, ao ponto do cidadão, sentado na sanita, não saber “se há-de cagar ou se há-de dar corda ao relógio”.

A Helena Matos fala em “frenesim”. De facto existe no Novo Puritanismo um estado de ansiedade constante das elites políticas que incute na sociedade, através da propaganda dos me®dia, um pânico moral em relação ao qual ninguém está imune ao contágio.

O politicamente correcto é uma doutrina puritana promovida por uma minoria ilógica e desfasada da realidade (psicótica), e radicalmente propagandeada pelos me®dia sem escrúpulos, que defende o princípio segundo o qual é perfeitamente possível agarrar um cagalhão pela sua parte mais limpa. O Novo Puritanismo é farisaico e aspira a um perfeccionismo utópico e, por isso, está condenado a um frenesim e a uma ansiedade perpétuas.

O Novo Puritanismo é essencialmente de Esquerda — embora existam novos puritanos que se dizem de Direita mas que não tem a noção do que realmente são — e representa a persistência de duas tendências que os esquerdistas herdaram dos puritanos que surgiram da Reforma.

A primeira herança é a tendência para proibir em nome de uma “elevação moral” (a superioridade moral da Esquerda), embora segundo novos critérios morais invertidos. Thomas B. Macaulay escreveu o seguinte no século XIX: “os puritanos detestavam os combates de ursos, não porque esses jogos causassem sofrimento aos ursos, mas porque davam prazer aos espectadores”.

Os novos puritanos já não se preocupam com o prazer sexual que tanto ocupava os velhos puritanos calvinistas: antes, preocupam-se agora com qualquer prazer do povo que não seja o sexual, porque o sexo (e a igualdade) passou a ser o fulcro ideológico a partir do qual irradia o Novo Puritanismo (inversão revolucionária da moral).

A segunda herança dos velhos puritanos é a exigência absoluta de uma pureza e sanidade assépticas em tudo quanto mexe, o que leva a que se conceba que possa existir uma parte limpa no cagalhão — porque a ideia de que o cagalhão possa ser totalmente sujo é insuportável para o Novo Puritanismo: tem que haver uma forma qualquer de transformar um cagalhão em algo assepticamente limpo!

Os sete pecados mortais do Novo Puritanismo são: racismo, sexismo, classismo (pertença a uma classe social), homofobia, nativismo (pertença a uma nação histórica), islamofobia, e xenofobia.

Qualquer pessoa que cometa um destes pecados mortais está condenado ao inferno na Terra. Ao contrário da misericórdia cristã que perdoa os pecados, o Novo Puritanismo não perdoa quem comete os novos pecados: o pecador é executado na praça pública.

No Novo Puritanismo — na sequência do gnosticismo da Antiguidade Tardia —, os crentes adquirem um senso de auto-valorização moral superior na medida em que se classificam a si mesmos como “os eleitos” (os novos Pneumáticos), e isto independentemente de quaisquer obras que façam ou deixem de fazer. São eleitos “porque sim”. E para validar o seu estatuto de eleição, os novos puritanos sentem-se compelidos a abusar dos “pecadores” até que estes reconheçam a culpa dos seus pecados mortais.

“O politicamente correcto é propaganda comunista em pequena escala. Nos meus estudos acerca das sociedades comunistas, cheguei à  conclusão que o propósito da propaganda comunista não era o de persuadir ou convencer, nem sequer informar, mas era o de humilhar; e, por isso, quanto menos ela (a propaganda) corresponder à  realidade, melhor serve o seu propósito de humilhar.

Quando uma pessoa é obrigada  permanecer em silêncio quando lhe dizem as mentiras mais óbvias e evidentes, ou ainda pior quando ela própria é obrigada a repetir as mentiras que lhe dizem, ela perde, de uma vez por todas, o seu senso de probidade.

O assentimento de uma pessoa em relação a mentiras óbvias significa cooperar com o mal e, em pequeno grau, essa pessoa personifica o próprio mal. A sua capacidade de resistir a qualquer situação fica, por isso, corrompida, e mesmo destruída. Uma sociedade de mentirosos emasculados é fácil de controlar. Penso que se analisarem o politicamente correcto, este tem o mesmo efeito e propósito.”

→ Theodore Dalrymple

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