perspectivas

Segunda-feira, 25 Abril 2016

Portugal está a “cubanizar-se”, e António Costa é o responsável

 

“O marido de Maria José Morgado, o fiscalista Saldanha Sanches (outro ex-radical do MRPP) defendeu que as associações de bombeiros voluntários deveriam ser extintas, sendo — segundo ele — substituídas por bombeiros profissionais pagos e dependentes do Estado, o que ele defendeu foi a ideia de que o associativismo (que é o fundamento das comunidades da sociedade civil) deveria ser preterido — através de uma desculpa economicista que contradiz a essência da mundividência de esquerda — em favor do reforço do Poder do Estado.

Esta sanha contra as comunidades da sociedade civil vem directamente de Rousseau que influenciou Karl Marx”.

escrito neste blogue em 9 de Maio de 2010


Este domingo, durante um encontro sugestivamente intitulado “Inconformação 2016”, Catarina Martins proclamou que o trabalho voluntário “é uma treta”. Mais: acrescentou que “se é trabalho, tem que ter contrato”, pelo que só pode existir “quando houver pleno emprego”.

Um dia destes acordamos nas mãos do Bloco


Ontem ouvi a Catarina Martins a falar na rádio — acerca dos sem-abrigo do Porto — como se estivesse presente no governo do Partido Socialista de António Costa. o-monhe-das-cobras-web

Eu passei pela “transformação marxista” em Moçambique depois da independência deste país, ainda era eu um adolescente, e já vi esse filme. É um filme de terror; e fiquei vacinado para toda a vida. Só quem viveu o ambiente da revolução marxista pode ter a noção do terror que se entranha nos espíritos em geral: vivemos uma espécie de “sufocação social”, em um medo generalizado perante uma total prepotência e discricionariedade do Poder (que não se compara, nem de perto nem de longe, com a censura salazarista). É uma sensação inesquecível. O que o Bloco de Esquerda defende é uma nova e actualizada versão da revolução marxista, em que eles se sentam na cadeira do Poder.


“Não há partido mais infantil do que o BE. O BE tem tudo o que é típico de uma criança malcriada, mimada, irritante e preguiçosa. Estão a ver aqueles miúdos a quem dizemos "olá" e eles começam a gritar ou aos insultos? É assim o BE. No mundo dos adultos chama-se a isto irreverência; no das crianças, má–criação. Outra particularidade infantil do BE é o mimo. As criancinhas mimadas são sempre levadas a sério, mesmo que não tenham idade para apanhar um autocarro. Qualquer coisa que digam, por mais parva que seja, dá notícia. Ora, isto faz que não tenham necessidade de deixar de dizer coisas parvas – como insultar o voluntariado – tornando-se preguiçosas e viciadas em atenção.”

A criancinha malcriada

Porém, o grande responsável do que está a acontecer em Portugal não é a Catarina Martins, mas é o António Costa e o seu Partido Socialista que se radicalizou. É o Partido Socialista que terá que prestar contas ao país. os-malandros-web

Quinta-feira, 21 Abril 2016

Os políticos liberais não se dão conta de que estão a enterrar a liberdade

Filed under: Política — O. Braga @ 7:28 pm
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“Hoje o Parlamento pode vir a legalizar a gestação de substituição em Portugal. Mas à excepção da Rádio Renascença o assunto passa incógnito. Essa conformada desatenção é o melhor sinal do fatalismo resignado com que se reage perante as mais destravadas propostas dos radicais”.

Helena Matos

Quando os “direitos” se transformam em uma forma de fazer política, os direitos perdem o seu sentido e significado, na medida em que os direitos passam a depender exclusivamente do legislador humano. O fundamento metajurídico do Direito desaparece da Constituição e das normas.

A falácia positivista assume falsamente que um direito pode emanar da vontade do legislador humano. Mas se o legislador humano é fonte de direitos, então segue-se esses direitos não comprometem nem abarcam o legislador — a causa dos direitos (o legislador) não se confunde com o efeito desses direitos (os cidadãos); e por isso, esses direitos não obrigam o legislador.

Portanto, do que se trata, na prática e por parte da esquerda e do politicamente correcto em geral, não é a concessão de direitos, mas a concessão de privilégios que podem ser retirados pelo legislador positivista a qualquer momento. Basta que se instale em Portugal, por exemplo, uma ditadura de Esquerda para todos esses privilégios concedidos possam ser revogados (ver o exemplo de Cuba).

Quando os direitos de uns entram em conflito com os direitos de outros (por exemplo, no direito ao aborto, por um lado, e no direito do nascituro à vida, por outro lado), o Poder político do legislador (ou do juiz, em representação do legislador) aumenta, e aumenta também a discricionariedade desse Poder totalitarizante.

Para se alcançar a “igualdade de direitos”, os direitos naturais e genuínos terão que ser destruídos — os direitos verdadeiros, naturais e invioláveis, passam a ter o mesmo estatuto de privilégios ou de direitos contingentes, para que todos os direitos possam competir em um mesmo nível (nivelamento positivista dos direitos que transforma o legislador humano em um deus).

¿Será que a merda dos políticos de “Direita Liberal” que temos estão a perceber a estratégia da Esquerda? ¿Ou será que os políticos de “Direita” pensam que podem meter o liberalismo na gaveta, e que se podem aproveitar da estratégia da Esquerda?

“Fazer melhor” não é “fazer pior”

 

No Blasfémias há duas pessoas que vale a pena ler: a Helena Matos e o Vítor Cunha; o resto é “cumbersa para boi dormir” e para compor o ramalhete.

Vemos aqui um “poste” do Ruizinho (que parece que militou na Esquerda radical na juventude) acerca de Passos Coelho. Eu estou à vontade para falar de Passos Coelho porque fui crítico dele quando foi primeiro-ministro; mas hoje aprovo a estratégia do PPD/PSD que não decorre apenas de Passos Coelho mas de todo o partido. Por outras palavras: eu, que votei CDS/PP nas eleições de 2009, hoje votaria PPD/PSD (o mal menor: a “direita” portuguesa chegou a um tal ponto que Passos Coelho é o mal menor).

“Ora, se é certo que Pedro Passos Coelho, por ter sido o primeiro-ministro do governo que geriu a falência do país, está numa posição extraordinariamente difícil para poder explicar por que não fez mais do que o que pode (e deixaram) fazer, a verdade também é que não conquistará um único voto sem demonstrar às pessoas que poderá fazer melhor do que está a ser feito pelo actual governo”.

¿O que é “fazer melhor”? ¿Será que “fazer melhor” é o Estado gastar aquilo que não pode gastar? os-malandros-web

Se “fazer melhor” é estrangular a economia (como está a acontecer agora); se “fazer melhor” é aumentar o poder do Estado na sociedade; se “fazer melhor” é obedecer caninamente às engenharias sociais do Bloco de Esquerda (Rui Rio e José Eduardo Martins); se “fazer melhor” é ser politicamente correcto e respeitar o marxismo cultural; se “fazer melhor” é confraternizar amenamente com o Bloco de Esquerda (José Eduardo Martins); se “fazer melhor” é prometer aquilo que não se pode cumprir; se “fazer melhor” é apenas a caça ao voto — então é impossível que alguém faça melhor do que o António Costa, porque o original é sempre preferível a fotocópias. Neste sentido, “fazer melhor” é colocar em risco a democracia.

os amigos

Temos que saber o que significa “fazer melhor”, porque se “fazer melhor” é fazer pior, mais vale estar quieto à espera que “as tetas caiam”.

Terça-feira, 19 Abril 2016

Vêm aí os turcos! Apertem os cintos!

Filed under: Política — O. Braga @ 3:42 pm
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“Le Parlement européen a voté par 375 voix contre 133 l’initiative du président chypriote Nicos Anastasiades, qui a demandé à la présidence néerlandaise de l’Union d’ajouter le turc aux 24 langues officielles de l’UE, dans l’espoir de faciliter les efforts en faveur de la réunification de l’île.”

Le turc est devenu une « langue officielle de l’UE »

mulher-turca

Segunda-feira, 18 Abril 2016

O discurso da Raquel Varela: “ou eles ou nós” é o princípio do terceiro excluído

Filed under: Política — O. Braga @ 1:02 pm
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A Raquel Varela coloca aqui o problema da oposição em relação à Esquerda: ou eles ou nós: e eles têm que desaparecer. Ela aplica à política o princípio lógico do Terceiro Excluído: Uma coisa é ou não é, P V~P; não há uma terceira possibilidade.

A corrupção generalizada no Brasil, que o P.T não só não mitigou como até fomentou, não é problema para a Raquel Varela. Para ela, o que importa é a oposição em relação à Esquerda; a superioridade moral da Esquerda está acima de questiúnculas menores relacionados com a corrupção: a Esquerda tem toda a legitimidade moral para ser corrupta.

O discurso da Raquel Varela é delirante: por exemplo, por um lado, defende o Estado Social; mas, por outro lado, critica o Estado Assistencial — como se a lógica de ambos fosse diferenciada. Não há um fio condutor no raciocínio da criatura, misturando alhos com bugalhos em uma logomaquia indizível. O conceito de Raquel Varela de “família nova, de afectos”, é extraordinário!, como se existisse uma família velha, sem afectos que é “a dos pobres que não querem ter uma família diferente”.

Que horrível cheiro a povo!, Raquel Varela!

Perante essa posição de Raquel Varela do eles ou nós, não temos outra alternativa senão alinhar com ela: ficamos à espera do dia do ajuste de contas, em que gente como Raquel Varela é erradicada como se fazem às ervas daninhas.

Domingo, 17 Abril 2016

O que existe hoje não é democracia

Filed under: Política — O. Braga @ 8:02 pm
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“Não creio no sufrágio universal, porque o voto individual não tem em conta a diferenciação humana. Não creio na igualdade, mas na hierarquia. Os homens, na minha opinião, devem ser iguais perante a lei, mas considero perigoso atribuir a todos os mesmos direitos políticos.”

António de Oliveira Salazar, entrevista ao jornal «Le Figaro», Setembro de 1958.

O problema desta proposição de Salazar é o seguinte: ¿quem deve governar? Esta pergunta foi feita por Platão. ¿Quem estabelece o critério da desigualdade dos direitos políticos?

A democracia tem a vantagem de as mudanças políticas se operarem sem derramamento de sangue. Por outro lado, a igualdade natural não significa que as pessoas sejam idênticas, ou seja, a igualdade natural (Direito Natural) não é impedimento da hierarquia.

Não devemos confundir democracia com o que existe hoje. Vejamos o que escreve o reaccionário Alain de Benoist:

“A democracia mudou. Foi no início um meio para o povo participar na vida pública elegendo representantes. Em vez disso, a democracia tornou-se em um meio para que os representantes adquirissem legitimidade popular para o exercício do Poder. O povo já não governa através de representantes: são os representantes que se governam a si própios. ¿Quem representa o quê? A noção de ‘representação’ está em crise”.

Alain de Benoist, The Problem of Democracy

Com António Costa e a geringonça, estamos perante um pré-PREC

Filed under: Política — O. Braga @ 11:41 am
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Quando Paulo Portas e Assunção Cristas afirmaram que o voto útil já não faz sentido depois da geringonça, expressaram talvez um desejo mas não uma constatação de facto. Mesmo que a Esquerda fosse, toda ela, moderada, o voto útil fará sempre sentido. A votação anormal no BE nada mais é do que voto útil.

“(…) o que está em causa é uma tentativa de fazer desaparecer uma das instituições mais antigas de ensino na Europa [o Colégio Militar] com uma longa tradição de serviço ao País”.

Ex-alunos do Colégio Militar são sempre gente com outra postura perante o dever e a sociedade

os-malandros-web
O que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista pretendem não é impôr a agenda LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros] no Colégio Militar; a agenda LGBT é um meio, e não um fim em si mesmo. Os gueis não passam de um instrumento político. Como escreve Luís Campos e Cunha, trata-se de mais uma (porque já existiram outras) “tentativa de fazer desaparecer uma das instituições mais antigas de ensino na Europa [o Colégio Militar] com uma longa tradição de serviço ao País”.

O ataque ao Colégio Militar por parte da Esquerda não é inédito. E este novo ataque ao Colégio Militar, e à própria instituição militar em geral, só é possível devido à geringonça no Poder que configura uma situação de pré-PREC: há que garantir que a tropa ande submissa e canina: não há nada pior, para o reviralho, do que uma tropa patriota.

Para o cidadão comum, é muito difícil perceber isto. Não entende que, para a Esquerda, os fins justificam todos os meios: vale tudo, até arrancar olhos. Têm uma visão estritamente maniqueísta do mundo e da História; a dialéctica hegeliana e marxista impõe a necessidade constante de se criarem inimigos internos e externos; o mundo é concebido como um perene campo de batalha política que destrói as sociedades — como ficou demonstrado bastamente durante o curto século XX.

O que me espanta é que gente dita “inteligente” (como o José Pacheco Pereira) tenha criticado Passos Coelho e agora apoie a geringonça. Se a crítica a Passos Coelho estava para além da ideologia [porque não estava em causa a austeridade em si mesma, mas a forma de austeridade], o apoio à geringonça é ideologia pura.

Ao contrário do catolicismo, o comunismo não tem doutrina. Enganam-se os que supõem que ele a tem. O catolicismo é um sistema dogmático perfeitamente definido e compreensível, quer teologicamente, quer sociologicamente. O comunismo não é um sistema: é um dogmatismo sem sistema — o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolução. Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o é tudo quanto dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de nós.

O comunismo não é uma doutrina porque é uma anti-doutrina, ou uma contra-doutrina. Tudo quanto o Homem tem conquistado, até hoje, de espiritualidade moral e mental — isto é, de civilização e de cultura — tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem.

Fernando Pessoa, “Ideias Filosóficas”

Quinta-feira, 14 Abril 2016

A Esquerda e a espiral do silêncio

 

A Helena Matos chama aqui a atenção para a actual distorção da democracia:

“As barrigas de aluguer têm ido no tropel das chamadas causas fracturantes relacionadas com os direitos dos homossexuais. E a partir do momento em que tal acontece não se discute mais nada porque se fica logo sob o espectro de se ser considerado reaccionário, atrasado e tudo o mais que as pessoas bonitas, com muitos likes, não são. O resultado dessa anomia da sociedade perante essa milícia dita progressista é que os assuntos já nem se discutem. É fatal como o destino que se o BE e a ala jacobina do PS colocam um assunto na agenda ele vai inundar os noticiários. Caso contrário não há assunto”.

Ainda vamos a tempo

O termo “espiral do silêncio” foi cunhado pela filósofa política alemã Elisabeth Noelle-Neumann para explicar a razão pela qual as pessoas tendem a permanecer silenciosas quando têm a sensação — muitas vezes falsa! — de que as suas opiniões e mundividências estão em minoria. O modelo do conceito de "espiral do silêncio" baseia-se em três premissas:

  • As pessoas têm uma intuição ou um sexto-sentido que lhes permite saber qual a tendência da opinião pública, mesmo sem ter acesso a sondagens;
  • As pessoas têm medo de serem isoladas socialmente ou ostracizadas, e sabem qual o tipo de comportamento que poderá contribuir para esse isolamento social;
  • As pessoas apresentam reticências ou até medo em expressar as suas opiniões minoritárias, por terem receio de sofrer o isolamento da sociedade ou do círculo social próximo.

shut-upQuanto mais uma pessoa acredita que a sua opinião sobre um determinado assunto está mais próxima da opinião pública julgada maioritária, maior probabilidade existe que essa pessoa expresse a sua opinião em público. Então, e se a opinião pública entretanto mudar, essa pessoa reconhecerá que a sua opinião não coincide já com a opinião da maioria, e por isso terá menos vontade de a expressar publicamente. E à medida em que a distância entre a opinião dessa pessoa e a opinião pública aumenta, aumenta a probabilidade de essa pessoa se calar e de se auto-censurar.

Os meios de comunicação social são um factor essencial de estabelecimento da “espiral do silêncio”, na medida em que formatam a opinião pública. Perante uma opinião pública formatada, as pessoas que não concordam com a mundividência politicamente correcta, emanada da comunicação social, entram em “espiral do silêncio” — muitas vezes constituindo uma “maioria silenciosa”. Mas neste momento acontece um fenómeno especial: os próprios meios de comunicação social e os jornalistas são vítimas da espiral do silêncio.

Aconteceu uma situação semelhante à actual nas famosas manifestações da “maioria silenciosa” em Lisboa e no Porto, durante o PREC [Processo Revolucionário em Curso]. O activismo político de uma pequeníssima minoria de radicais comunistas e jacobinos era de tal modo eficaz — em termos dos me®dia — que a esmagadora maioria do povo entrou em espiral de silêncio, e foi preciso que a sociedade civil se organizasse para que as pessoas do povo se sentissem desinibidas e a manifestarem publicamente a sua discordância em relação aos radicais de Esquerda.

Terça-feira, 12 Abril 2016

A geringonça e o “amigo” do Costa, o Lamerda Cachado

Filed under: Política — O. Braga @ 9:15 pm
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Sábado, 9 Abril 2016

O Anselmo Borges e o Islamismo secularista

Filed under: Política — O. Braga @ 12:06 pm
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O Anselmo Borges escreve aqui um artigo sobre a diferença entre laicismo, por um lado, e laicidade, por outro lado. Em vez de “laicidade”, eu prefiro usar o termo de origem inglesa “secularismo” (para evitar confusões etimológicas).

Portanto, temos a antinomia entre laicismo e secularismo.

O texto do Anselmo Borges é consensual, até por mim. “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é Deus”, afirmou Jesus Cristo. O Estado não tem que se meter na religião, nem a religião deve governar o Estado. Estou de acordo com o Anselmo Borges.

Porém, “neutralidade do Estado em relação às religiões” — supostamente como o oposto de “teocracia” — é um sofisma; porque as religiões não podem ser ignoradas pelo Estado em função da sua representatividade social e cultural. Ou seja, o Estado não deve tratar de forma igual a Igreja Católica com, digamos, 3 milhões de fiéis, e o Islamismo com 10 mil seguidores. Ora é esta falsa “neutralidade do Estado” que é praticada pelos governos da democracia, em nome do secularismo.

Por outro lado, e ao contrário do que parece pensar o Anselmo Borges que cita “o prestigiado filósofo muçulmano” Abdennour Bidar, o Islamismo não é uma religião como outra qualquer religião universal, por exemplo, o Budismo, Hinduísmo ou o catolicismo. O Islamismo é uma religião política, assim como o marxismo é uma religião política: a diferença é que a primeira é dualista (no sentido metafísico), e a segunda monista (no mesmo sentido).

O Islamismo é um princípio de ordem política.

Isto significa o seguinte: converter o Islamismo ao secularismo é colocar em causa os princípios do próprio Islamismo. É fazer com que o Islamismo se negue a si próprio. É colocar em causa o próprio Alcorão. É uma impossibilidade objectiva.

Sexta-feira, 8 Abril 2016

A França acaba de penalizar os homens que procuram prostitutas

Filed under: Política — O. Braga @ 12:24 pm
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A França acaba de penalizar os homens que procuram prostitutas, aplicando-lhes multas de 1500 Euros, ao mesmo tempo que descriminaliza a actividade da prostituta. O seja, a Esquerda francesa que aprovou a lei, segue os exemplos da Suécia e da Noruega.

O problema da prostituição é muito difícil do ponto de vista ético. Em minha opinião, é mais difícil do que os problemas do aborto ou da eutanásia. E é difícil porque a prostituição está ligada às naturezas fundamentais e diferentes do homem e da mulher, naquilo que é do domínio do puro instinto.

pronstituta-vintageÉ certo que o ser humano deve ser um fim em si mesmo, e não um meio para um qualquer fim (aqui concordo com Kant que apenas foi buscar ao Cristianismo a noção de imperativo categórico). Por isso, a prostituição não é defensável do ponto de vista ético. A minha dúvida é que seja possível erradicar a prostituição por via da norma jurídica — porque a única forma de contrariar o império do dinheiro é fortalecendo a lei da honra, e isto não vai lá com leis que caducam quando a força bruta do Estado acaba.

Mas se a nova esquerda puritana quisesse ser coerente, teria que penalizar o homem que procura a prostituta mas também a prostituta, embora, admita eu, que em graus diferentes. Penalizar apenas o homem revela o enviesamento esquerdista contra o sexo masculino — sendo que o problema ético da prostituição diz respeito aos dois sexos.

A menorização moral da mulher conduz a um beco sem saída.

Esta lei francesa apenas vai conduzir a uma maior clandestinidade da prostituição, em que apenas uma classe rica de homens terá acesso às prostitutas; irá conduzir a uma prostituição exclusiva para as elites económicas e financeiras. E por isso é uma lei hipócrita, como são hipócritas a maioria das leis de Esquerda na área da moral e dos costumes.

Penso que não será possível, nunca, erradicar a prostituição; mas é possível minimizar o seu impacto na sociedade, através de uma melhor educação ética e cívica que passa inexoravelmente pelo fim da neutralidade do Estado em relação à religião.

Quarta-feira, 6 Abril 2016

O Twitter político em Espanha

Filed under: Política — O. Braga @ 2:13 pm
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A política portuguesa, comparada com a espanhola, é pudica e puritana; ou é uma política politicamente correcta, bem comportada à maneira lisboeta. Em Espanha, a política é feita à moda do norte de Portugal, em que o vernáculo linguístico é normalmente usado, por exemplo:

“Maruja Torres se ha sumado a la furibunda reacción de la extrema izquierda por las declaraciones de Félix de Azúa sobre Ada Colau -"debería estar sirviendo en un puesto de pescado".

O escritor espanhol Félix de Azúa (de direita) referiu-se a Alda Colau (extrema-esquerda) dizendo que esta “deveria ser servida como uma posta de pescada”. Em relação à declaração de Félix de Azúa, a escritora Maruja Torres (extrema-esquerda) afirmou que "con la alergia que tiene Félix de Azúa al pescado, nunca se habrá comido un buen coño" (com a alergia que o Félix de Azúa tem ao peixe, nunca terá comido uma boa cona).

Poderá o leitor dizer que este tipo de troca de galhardetes em vernáculo traduz a radicalização da política espanhola. Mas em Portugal essa radicalização também existe: a diferença está nas culturas dos dois povos: os espanhóis são mais violentos do que os portugueses.

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