perspectivas

Sábado, 21 Maio 2016

Os políticos nunca dizem o que pensam porque não sabem o que querem

Filed under: Política — O. Braga @ 7:05 am
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Manuel Alegre calou José Brandão Ferreira, e Marcelo Rebelo de Sousa condecora o traidor à pátria

Filed under: Política — O. Braga @ 6:18 am
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Há tantas coisas sobre as quais gostaria de escrever, mas o tempo e a paciência (cada vez mais escassos) não ajudam. Mas esta notícia não podia passar aqui incógnita:

“Absolvido em primeira instância, Brandão Ferreira terá de ressarcir o histórico socialista pelas críticas que lhe teceu em vários artigos. Decisão suscita críticas por limitar a liberdade de opinião”.

Tribunal da Relação condena ex-militar que acusou Manuel Alegre de traição à pátria

Mas, em um artigo publicado em 3 de Março de 2015, o Ten. Cor. Piloto Aviador (reformado) José Brandão Ferreira escreveu o seguinte:

“No passado dia 26 de Fevereiro de 2015, o Tribunal da Relação de Lisboa, exarou o acórdão relativo aos recursos interpostos pelo cidadão Manuel Alegre – que exerce actualmente as funções de Conselheiro de Estado – e o M.P., relativamente à decisão do Tribunal de 1ª Instância, que absolvia o arguido João J. Brandão Ferreira do imputado crime de difamação.

O Douto Tribunal, no seu acórdão, decidiu não dar provimento aos referidos recursos e confirmar a sentença anterior”.

RELAÇÃO ABSOLVE BRANDÃO FERREIRA VS MANUEL ALEGRE

As duas notícias são aparentemente contraditórias, a não ser que existam dois tribunais da Relação independentes entre si, ou que a maçonaria conseguisse com que o tribunal da Relação desse o dito pelo não-dito.

De qualquer modo, o traidor à pátria Manuel Alegre parece ter conseguido calar factos detractores insofismáveis, e o emplastro de Lisboa vai condecorá-lo com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago de Espada:

“O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou esta sexta-feira que vai condecorar o histórico socialista Manuel Alegre com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago de Espada, um “ato de justiça” a uma “voz de liberdade e consciência nacional”.

PR vai condecorar Manuel Alegre com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago de Espada

emplastro de lisboa webClaro que não se trata de uma coincidência o facto de as duas noticias coincidirem: mal o tenente coronel José Brandão Ferreira foi condenado pela Relação, o emplastro de Lisboa sai a terreiro anunciando a condecoração.

Agora, depois de ter subvertido o tribunal da Relação, a maçonaria terá que manipular o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, para onde José Brandão Ferreira recorreu em relação ao acórdão do tribunal da Relação de Lisboa.

Enunciar factos comprovados e demonstrados não é difamação. “Difamar” é propalar notícias negativas falsas sobre alguém. Dizer que um traidor à pátria (devidamente documentado) é um traidor à pátria, é dizer a verdade, e por isso não pode ser difamação.

Sexta-feira, 20 Maio 2016

O João Lobo Antunes e a eutanásia

Filed under: Política — O. Braga @ 9:59 am
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“A Igreja pronuncia-se de um modo vigoroso a defender princípios que são, na sua perspectiva, basilares e inegociáveis, nas questões do fim e do princípio da vida, esses são os grandes pólos. Entre um e outro há um enorme intervalo, o intervalo da vida. Há mundos morais locais, nos cuidados intensivos, numa urgência, e portanto algoritmos éticos rígidos não servem. Trazer a dicotomia de crentes e não crentes e tratá-la com displicência, chamando aos primeiros "confessionais", é uma forma de extremar o diálogo em posições inconciliáveis e impedir qualquer procura conjunta de soluções. Se a eutanásia é tomada apenas como a afirmação de um direito, é evidente que esse direito mais tarde ou mais cedo vai ser consagrado na lei. Isso é uma inevitabilidade”.

Porquê?

“Porque aparece quase como um direito simétrico do direito à vida. Isto vai implicar uma mudança substantiva na natureza da profissão médica. Andamos há séculos a defender que não é legítima no exercício profissional”.

"O direito à eutanásia será consagrado na lei. É uma inevitabilidade" (João Lobo Antunes)


Vamos tentar sintetizar a logomaquia propositada de João Lobo Antunes. Vamos começar pela seguinte proposição:

“Há mundos morais locais, nos cuidados intensivos, numa urgência, e portanto algoritmos éticos rígidos não servem”.

Temos que saber, em primeiro lugar, o que significa “mundos morais locais”, e depois o que significa “algoritmos éticos rígidos”. Sem as noções destes dois conceitos, não podemos dizer o que o João Lobo Antunes diz sem dizer quase nada — que é o que ele tenta fazer.

“Moral” pode ser concebida em dois sentidos principais:

  • Tudo o que deriva da ordem dos sentimentos e dos costumes. Refere-se à definição de estados psicológicos e subjectivos, na linha do Romantismo que nos chegou do século XVIII (Rousseau e comandita).

É neste sentido que o João Lobo Antunes valoriza os “mundos morais locais” — mas essa moral não define os valores da ética: a ética está para a moral, assim como o musicólogo está para a música.

  • Juízos derivados da ordem dos valores designados “constituintes éticos” — em que a filosofia propõe ao Homem um conjunto e um modelo de reflexão, onde a sua vida (e não apenas o seu pensamento) se pode empenhar — e onde se reflecte o livre-arbítrio que nos dá o sentido da vida.

O que o João Lobo Antunes quer dizer — na sua qualidade de cientista que acredita que existe uma Verdade em ciência, em parte já descoberta e outra parte ainda por descobrir — é que a moral é irracional e que os valores da ética são subjectivos (que não existe objectividade e concreção nos valores). É isto que o João Lobo Antunes quer dizer com “mundos morais locais”.

Ou seja, para o João Lobo Antunes, a moral é uma construção social e cultural, e por isso não é intuitiva no ser humano (por exemplo, para o João Lobo Antunes, o homem não mata porque pode ser assassinado também: a moral resume-se ao utilitarismo e ao interesse dos genes egoístas).

E sendo que a moral é uma construção social e cultural (uma construção não-intuitiva dos costumes através do processo histórico aleatório), ficam assim legitimadas as “morais locais, nos cuidados intensivos, numa urgência”, ou em qualquer outra parte. A atomização da moral baseia-se no indivíduo, em que qualquer um tem a sua moral tão legitimada quanto a moral de outro qualquer. Em moral não há qualquer “verdade absoluta” (passo a redundância), tudo depende do ponto de vista, e por isso todas as opções morais estão abertas à discussão. Em moral só há uma verdade absoluta: a que não há uma verdade absoluta (já não é nada mau!).


Os “algoritmos éticos rígidos” são os valores éticos entendidos em si mesmos, tal qual defendidos pela Igreja Católica (realismo ético) que o João Lobo Antunes critica. Para o João Lobo Antunes, o valor da justiça só faz sentido em relação a uma qualquer utilidade, porque o valor da justiça não existe por si mesmo e independentemente do que é útil. Para ele, a justiça só tem significado no sentido daquilo que é útil para o indivíduo enquanto átomo social, porque os valores da ética não existem senão em função da utilidade que podem ter.

E como aquilo que é “útil” varia de indivíduo para indivíduo, conclui o João Lobo Antunes que temos que combater os “algoritmos éticos rígidos” da Igreja Católica que dão uma realidade própria e independente aos valores da ética — porque aquilo que tem uma realidade própria e independente, possui a rigidez própria e característica do princípio da identidade (A = A).


“Trazer a dicotomia de crentes e não crentes e tratá-la com displicência, chamando aos primeiros "confessionais", é uma forma de extremar o diálogo em posições inconciliáveis e impedir qualquer procura conjunta de soluções”.

Se, por um lado, o João Lobo Antunes acredita que a moral é irracional e que os valores da ética são subjectivos, por outro lado o João Lobo Antunes acredita que é possível uma solução racional e global para a aplicação social da eutanásia — o que é uma contradição em termos. Ou a moral é irracional (e ponto final!), ou então é possível uma solução racional global e científica para um problema ético e/ou moral. Para mim é muito difícil compreender como uma pessoa com a estaleca intelectual do João Lobo Antunes (pelo menos, parece tê-la) incorre em uma contradição destas.

É certo que a moral não pertence ao domínio da ciência positivista — mas então não metam a ciência na definição de critérios morais que regulem actos éticos fundamentais como os do aborto ou da eutanásia.

A ideia de responsabilidade moral reside na experiência subjectiva, enquanto que a ciência só concebe acções determinadas pelas leis da natureza, e não concebe autonomia, nem sujeito, nem consciência e nem responsabilidade. A noção de “responsabilidade” é não-científica. A ética e a moral pertencem ao domínio da metafísica que se caracteriza pela falta de “bases objectivas” — aqui entendidas no sentido naturalista [naturalismo ≡ cientificismo metodológico].

Ou o João Lobo Antunes admite a metafísica, e neste caso pode falar de ética, ou adopta a posição positivista da ciência. A ideia da possibilidade da “cientificação” da ética no sentido da sua aplicabilidade social também foi tentada pelos nazis e pelo estalinismo. E deu no que deu.


“Se a eutanásia é tomada apenas como a afirmação de um direito, é evidente que esse direito mais tarde ou mais cedo vai ser consagrado na lei. Isso é uma inevitabilidade.

Porquê?

Porque aparece quase como um direito simétrico do direito à vida”.

Temos aqui o conceito de “simetria do direito” — não apenas no sentido de “direito negativo”, mas no sentido do “direito a não ser” em simetria ao “direito a ser”. Tradicionalmente, na cultura europeia, o “direito a ser” tem tido um valor positivo, valor esse que é traduzido em normas éticas ou/e jurídicas. Por exemplo, a lei actual diz que aquele que tenta o suicídio não pode “deixar de ser”, e por isso deve ser impedido de se suicidar e ser tratado compulsivamente (se necessário) em psiquiatria. Ora, parece que a lei da doença mental vai ter que mudar.

O conceito de “simetria do direito” retira, ao direito individual e ao Direito, qualquer positividade normalizável, tratando-os, em vez disso, como o resultado de um qualquer acto gratuito do indivíduo, desprovido de qualquer racionalidade: o direito individual aproxima-se da noção de “capricho”. A pulverização do direito fará com que o Código Civil e o Código Penal não caibam numa biblioteca.

No Estado moderno, existem apenas dois partidos: os cidadãos e a burocracia.” — Nicolás Gómez Dávila

Quarta-feira, 18 Maio 2016

O Rui Ramos e a liberdade comercial

 

Entre o Fernando Rosas e o Rui Ramos, traçamos a mediana da contemporaneidade portuguesa. Ambos fazem parte do problema da actualidade.

O Rui Ramos confunde aqui a liberdade comercial, por um lado, com dumping, por outro lado. A minha experiência com o comércio com a China demonstrou-me a existência de dumping  apoiado pelo Estado chinês. Mas, para o Rui Ramos, o dumping  faz parte da globalização: em liberdade, vale tudo, até arrancar olhos.

O comércio com a China não é livre — ao contrário do que o Rui Ramos defende. Quando o Estado chinês subsidia as exportações, o comércio deixa de ser livre. Ou seja, por muito que custe ao Rui Ramos, o Donald Trump tem razão.

Também é extraordinário que o Rui Ramos tente justificar a imigração desenfreada com o argumento de “uma sociedade a envelhecer”: aqui, entre o Rosas e o Ramos não há qualquer diferença.

Não vou escalpelizar o texto todo do Rui Ramos, porque não há espaço nem tempo. Apenas digo que o Rui Ramos repugna-me tanto quanto me repugna o Fernando Rosas: ambos são radicais nas suas mundividências respectivas, e chamam “radicais” aos que têm qualquer senso crítico em relação à realidade.

Como eu vejo o Donald Trump

Filed under: Política — O. Braga @ 10:09 am
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“O inimigo do meu inimigo, meu amigo é.” (ditado popular português)


Um recado para a Esquerda e para o lóbi LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros]

 

“Um direito digno desse nome não caduca quando a força bruta do Estado acaba.” — Rousseau


Com a intenção de celebrar “o primeiro dia nacional contra a homofobia e a transfobia”, esta terça-feira de manhã “a bandeira arco-íris” foi hasteada nos Paços do Concelho da Câmara de Lisboa. Poucas horas depois, por razões que o presidente do município diz desconhecer, a bandeira foi, no entanto, retirada.

O estranho caso da “bandeira arco-íris” desaparecida da Câmara de Lisboa

Terça-feira, 10 Maio 2016

A Esquerda platónica e a dessexualização da sociedade

 

Segundo escreveu Plutarco no “Licurgo”, as mulheres de Esparta não viviam socialmente separadas dos homens, como acontecia com as mulheres respeitáveis em qualquer outra cidade da Grécia. As raparigas tinham o mesmo treino físico dos rapazes, e uns e outras faziam ginástica nus e em conjunto. Pretendia-se (segundo Plutarco) que as raparigas fortalecessem o corpo na corrida, na luta, no arremesso do dardo, etc., para que tivessem filhos robustos; e embora se apresentassem nuas durante o exercício conjunto com os rapazes, não havia nisso desonestidade nem entrega: tudo era jogo e actividade lúdica, (alegadamente) sem qualquer impulso lascivo.

O que Plutarco quis dizer é que a mulher espartana era preparada para uma procriação que garantisse uma prole robusta e saudável, garantindo-se assim o sucesso na guerra. Porém, e como escreveu Aristóteles já depois da queda de Esparta, a família natural (1 homem + 1 mulher = filhos) não era um factor importante na sociedade espartana; o casamento era apenas instrumental. Por exemplo, uma mulher casada mas sem filhos era obrigada pelo Estado espartano a procurar outro homem (que não o marido) para ver se teria maior êxito do que o marido em gerar cidadãos. As leis de Esparta privilegiavam a procriação, tendo em vista a guerra. Segundo Aristóteles, o pai espartano de três filhos estava isento de serviço militar, e o pai de quatro filhos estava isento de todos os encargos do Estado.

Em Esparta existia um sistema “totalitário” (devemos adaptar este conceito ao século VII a.C.) que orientava a sociedade para a guerra através do incentivo à procriação e à pureza da raça. Porém, a família natural, como unidade básica da sociedade, era apenas um instrumento, e não valorizada em si mesma. Em Esparta, a diferença entre sexos era esbatida (atenuada) tendo em vista a procriação eugénica. Aristóteles escreveu que 2/5 das terras de Esparta eram propriedade de mulheres; e daí a grande redução do número de cidadãos, que seriam dez mil no tempo do Licurgo, mas quando os tebanos derrotaram Esparta, o número de cidadãos espartanos não ultrapassava o milhar.

Ou seja: se, por um lado, a igualdade da mulher espartana em relação ao homem, tinha como objectivo a procriação eugénica, por outro lado, o acesso da mulher à propriedade reduziu a procriação porque se perverteu a família natural através da anarquia do matriarcado que desresponsabiliza o homem. O grande Licurgo enganou-se.


Baseando-se no mito de Esparta, Platão escreveu a sua utopia na “República”. A família natural também é abolida: os amigos — diz Platão — devem ter tudo em comum, incluindo mulheres e filhos. As raparigas deverão ter uma educação igual à dos rapazes, incluindo a arte da guerra. As mulheres serão em tudo iguais aos homens: “a mesma educação que faz um bom magistrado terá igual efeito em uma mulher”. O casamento segue o padrão mítico de Esparta: os noivos e noivas serão (aparentemente) juntos à sorte (aleatoriamente), mas a verdade é que os governantes da cidade decidirão quem casa com quem, segundo princípios eugénicos.

Todas as crianças devem ser separadas dos pais ao nascer, e ter-se-á todo o cuidado em que os pais as não conheçam, e nem elas aos pais (deixaria de existir uma árvore genealógica das crianças, tal como acontece parcialmente hoje já, com a adopção de crianças por pares de invertidos). Crianças deformadas e filhos de pais inferiores eram eutanasiadas ou abortadas. Nos casamentos feitos pelo Estado, as pessoas não têm opinião: têm de pensar segundo o seu dever para com o Estado e não segundo as emoções vulgares que os poetas malditos (segundo Platão, que não gostava dos poetas) costumam celebrar.

Na utopia de Platão, como não se sabe quem são os pais, pode-se chamar “pai” a quem quiser que tenha uma idade conveniente — e o mesmo quanto a “mãe”, “irmão” e “irmã”. E não há casamento entre “pai” e “filha”, ou “mãe” e “filho”; em geral mas não absolutamente, devem evitar-se os casamentos de “irmão” e “irmã”. No fundo, Platão proibia todos os casamentos, excepto os de “irmão-irmã”, que considera excepção rara.

O que Platão pretendia — seguindo o modelo de Esparta — era a diminuição das emoções privadas (tal como defende hoje a socialista Isabel Moreira), removendo os obstáculos ao domínio do espírito público (domínio do Estado) e incentivando a ausência da propriedade privada.


Hoje, o politicamente correcto parece adoptar o mito de Esparta e os princípios da utopia de Platão embora de forma enviesada.

Essa nova utopia é a da esquerda pós-modernista que se manifesta em Portugal no Bloco de Esquerda e no Partido Socialista (que o Partido Comunista parece querer imitar), e que se traduz na guerra cultural e jurídica contra a família natural. E, nesta nova utopia, são da maior importância os direitos LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros] e a ideologia de género. Tal como em Esparta e na utopia de Platão, o combate contra a família natural é concebido como um meio de absolutização do Estado e tendo em vista a eliminação da propriedade privada.

O movimento político LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros] e a ideologia de género pretende a abolição legal dos sexos — como podemos verificar na actual guerra politicamente correcta contra a distinção entre os WC masculino e feminino. Ou seja, pretende-se a dessexualização da sociedade, em que deixam de existir legalmente o masculino e o feminino. E, a partir do momento em que a humanidade é dessexualizada por via da Lei, acabamos em uma sociedade desumanizada na qual não existe uma mãe legal, ou um pai legal, ou irmãos e irmãs legais sem a autorização do Estado (tal como na utopia de Platão). Por exemplo, hoje já vemos que, em vez de pai e mãe, os documentos de registo das crianças têm “progenitor A” e “progenitor B”: os termos “pai” e “mãe” estão a ser juridicamente eliminados. Nessa sociedade defendida pela Esquerda, as relações humanas mais íntimas sofrem um duro golpe: a família natural é abolida por lei e de facto.

Uma sociedade dessexualizada defendida pela Esquerda (e pela maçonaria mais radical e jacobina) é, em última instância, uma sociedade totalitária porque erradica da Lei e da cultura as mais básicas relações humanas, e principalmente a ligação entre a mãe e filho.

Domingo, 8 Maio 2016

Quando os liberais se transformam em burocratas de Esquerda

 

Se as organizações conservadoras (ou liberais) imitam a Esquerda na procura e na recepção do dinheiro dos contribuintes, tornar-se-ão como a Esquerda também noutros modos: orientar-se-ão para servir interesses e valores dos políticos e dos burocratas, e não os valores e interesses dos liberalismos político e económico.

Tenho assistido ao espectáculo de liberais defendendo o financiamento do Estado às escolas privadas. Por exemplo, o João Távora escreveu o seguinte: “O monopólio do ensino público pelo Estado tem como objectivo último o controlo da república sobre a educação dos portugueses”.

Mas não é verdade! Por exemplo, Portugal é o único país da Europa que permite o Ensino Doméstico (Home Schooling). Temos um enquadramento legal muito liberal no que diz respeito ao Ensino. O que se passa, na realidade, é que a carga de impostos é de tal forma pesada que os portugueses têm que se sujeitar à mediocridade do Ensino público que têm.

Portanto, o que liberais e conservadores têm que fazer é lutar contra a carga de impostos que asfixia os portugueses e que só serve os interesses políticos da Esquerda. É essa a guerra — e não pedir financiamentos ao Estado para sustentar instituições privadas.

¿Por que é o Conraria critica os liberais?

Filed under: Política — O. Braga @ 12:52 pm
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“Liberalismo” é um termo vago que actualmente caracteriza realidades diferentes ou misturadas. Por isso convém distinguir entre liberalismo político, saído da filosofia dos “direitos naturais” (jusnaturalismo) exposta por John Locke (principalmente na sua primeira fase), por um lado, e o liberalismo económico, por outro lado.

O primeiro — o liberalismo político — é a forma abstracta e racional de um individualismo moderado, proposto por Locke e ligado à oposição a qualquer tipo de absolutismo ou totalitarismo, e tem a sua expressão no “Espírito das Leis” de Montesquieu (1748) com a teoria da separação de poderes. O liberalismo político de Locke faz do sujeito individual um ser dotado de direitos inalienáveis (propriedade, liberdade, etc.) e a fonte e o centro das relações sociais.

Este liberalismo político de Locke foi criticado por Rousseau que insistiu que a liberdade civil é impossível sem igualdade económica (igualdade social). Locke esteve na origem do liberalismo, e Rousseau (através do conceito de "Vontade Geral") esteve na origem do jacobinismo.

O liberalismo económico teve origem nos economistas ingleses e franceses do século XVII, também eles influenciados por Locke, e mais tarde sistematizado por Adam Smith.

A este liberalismo económico chamamos de “liberalismo clássico”: é um princípio associado ao liberalismo político, e segundo o qual as leis do mercado devem continuar a ser livres, pois são naturais (por exemplo, a lei da oferta e da procura), e dependem delas mesmas o equilíbrio entre a produção, a distribuição e o consumo (conforme Adam Smith: “Não é da benevolência do talhante, do cervejeiro ou do padeiro que nós esperamos o nosso jantar, mas do cuidado que eles têm com o seu próprio interesse” — “Riqueza das Nações”).

Em Adam Smith existia o sentido do dever social (v. “Teoria do Direito”); o mundo das regras (tradicionais) e das leis era, para Adam Smith, o verdadeiro significante do mundo afectivo ligado ao fundamento da economia: as paixões humanas naturais. Ao contrário do que defendeu Kant (“A Paz Perpétua”), Adam Smith era céptico acerca da possibilidade de o comércio (por si só) abolir a guerra entre as nações (“Riqueza das Nações”), porque aquele que, na sociedade liberal, não tivesse outra coisa senão as suas mãos para trabalhar, não poderia viver a obrigação do “sobre-trabalho sem lucro” senão contrapondo-lhe a violência.

Adam Smith tinha preocupações sociais, nomeadamente mediante o seu conceito de “simpatia”.

Como podemos verificar, o liberalismo (tanto político ou económico) escorava-se no jusnaturalismo (Lei Natural). O liberalismo clássico limita o conceito de “igualdade” à igualdade dos direitos naturais: não se trata de igualdade social que supõe que o Estado intervém para “corrigir” o jogo livre da sociedade civil, o que é interpretado pelo liberalismo como sendo funesto para a liberdade.

É neste sentido que me considero um liberal.

Em contraponto, a Esquerda confunde “igualdade”, por um lado, e “identidade” (as pessoas são idênticas umas às outras), por outro lado.


Mas aquilo a que hoje se chama “liberalismo” não é liberalismo no sentido clássico, uma vez que o Direito Natural é negado por muitos ditos “liberais”. Ao novo e actual conceito de liberalismo, chamamos de “neoliberalismo”.

“’Demasiado capitalismo’ não significa a existência de muitos capitalistas, mas antes significa a existência de poucos capitalistas” — G. K. Chesterton

A linha que separa o liberalismo clássico do neoliberalismo (actual) é muito ténue e difícil de identificar. Contudo, algumas características do neoliberalismo são:

  • Preponderância de um Marginalismo radical, com uma supremacia avassaladora do subjectivismo em total detrimento do bem-comum;
  • Tendência para defender a sinificação de zonas do globo (por exemplo, União Europeia);
  • Desprezo pelo Direito Natural (tal como acontece com a esquerda radical);
  • A negação do Estado-Nação (tal como acontece com a esquerda internacionalista), e submissão do poder político nacional ao poder financeiro internacional;
  • Submissão do Estado de Direito às leis do mercado: para o neoliberalismo, o Estado de Direito não se justifica em si mesmo: só se justifica o Estado de Direito para que as leis de mercado na sociedade se imponham de forma ilimitada, em que tudo é passível de vender e de comprar (incluindo a dignidade humana). Para o neoliberalismo, o Estado de Direito é um simples meio, e não um fim em si mesmo.
  • Império do positivismo no Direito (tal como acontece com a esquerda radical): o Direito é (segundo o neoliberalismo) totalmente arbitrário e independente de fundamentos metajurídicos (por exemplo, as tradições de uma sociedade). Neste sentido, e tal como acontece com a esquerda, o neoliberalismo segue o princípio da "Vontade Geral" de Rousseau, e já não o liberalismo de Locke.

Portanto, verificamos que existem pontos em comum entre a esquerda e o neoliberalismo. Por isso é que o Conraria critica os liberais clássicos (os herdeiros de Adam Smith) que defendem a primazia do Direito Natural e o fundamento metajurídico das leis.

Uma mão lava a outra

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 10:39 am

 

conraria

Segunda-feira, 25 Abril 2016

Portugal está a “cubanizar-se”, e António Costa é o responsável

 

“O marido de Maria José Morgado, o fiscalista Saldanha Sanches (outro ex-radical do MRPP) defendeu que as associações de bombeiros voluntários deveriam ser extintas, sendo — segundo ele — substituídas por bombeiros profissionais pagos e dependentes do Estado, o que ele defendeu foi a ideia de que o associativismo (que é o fundamento das comunidades da sociedade civil) deveria ser preterido — através de uma desculpa economicista que contradiz a essência da mundividência de esquerda — em favor do reforço do Poder do Estado.

Esta sanha contra as comunidades da sociedade civil vem directamente de Rousseau que influenciou Karl Marx”.

escrito neste blogue em 9 de Maio de 2010


Este domingo, durante um encontro sugestivamente intitulado “Inconformação 2016”, Catarina Martins proclamou que o trabalho voluntário “é uma treta”. Mais: acrescentou que “se é trabalho, tem que ter contrato”, pelo que só pode existir “quando houver pleno emprego”.

Um dia destes acordamos nas mãos do Bloco


Ontem ouvi a Catarina Martins a falar na rádio — acerca dos sem-abrigo do Porto — como se estivesse presente no governo do Partido Socialista de António Costa. o-monhe-das-cobras-web

Eu passei pela “transformação marxista” em Moçambique depois da independência deste país, ainda era eu um adolescente, e já vi esse filme. É um filme de terror; e fiquei vacinado para toda a vida. Só quem viveu o ambiente da revolução marxista pode ter a noção do terror que se entranha nos espíritos em geral: vivemos uma espécie de “sufocação social”, em um medo generalizado perante uma total prepotência e discricionariedade do Poder (que não se compara, nem de perto nem de longe, com a censura salazarista). É uma sensação inesquecível. O que o Bloco de Esquerda defende é uma nova e actualizada versão da revolução marxista, em que eles se sentam na cadeira do Poder.


“Não há partido mais infantil do que o BE. O BE tem tudo o que é típico de uma criança malcriada, mimada, irritante e preguiçosa. Estão a ver aqueles miúdos a quem dizemos "olá" e eles começam a gritar ou aos insultos? É assim o BE. No mundo dos adultos chama-se a isto irreverência; no das crianças, má–criação. Outra particularidade infantil do BE é o mimo. As criancinhas mimadas são sempre levadas a sério, mesmo que não tenham idade para apanhar um autocarro. Qualquer coisa que digam, por mais parva que seja, dá notícia. Ora, isto faz que não tenham necessidade de deixar de dizer coisas parvas – como insultar o voluntariado – tornando-se preguiçosas e viciadas em atenção.”

A criancinha malcriada

Porém, o grande responsável do que está a acontecer em Portugal não é a Catarina Martins, mas é o António Costa e o seu Partido Socialista que se radicalizou. É o Partido Socialista que terá que prestar contas ao país. os-malandros-web

Quinta-feira, 21 Abril 2016

Os políticos liberais não se dão conta de que estão a enterrar a liberdade

Filed under: Política — O. Braga @ 7:28 pm
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“Hoje o Parlamento pode vir a legalizar a gestação de substituição em Portugal. Mas à excepção da Rádio Renascença o assunto passa incógnito. Essa conformada desatenção é o melhor sinal do fatalismo resignado com que se reage perante as mais destravadas propostas dos radicais”.

Helena Matos

Quando os “direitos” se transformam em uma forma de fazer política, os direitos perdem o seu sentido e significado, na medida em que os direitos passam a depender exclusivamente do legislador humano. O fundamento metajurídico do Direito desaparece da Constituição e das normas.

A falácia positivista assume falsamente que um direito pode emanar da vontade do legislador humano. Mas se o legislador humano é fonte de direitos, então segue-se esses direitos não comprometem nem abarcam o legislador — a causa dos direitos (o legislador) não se confunde com o efeito desses direitos (os cidadãos); e por isso, esses direitos não obrigam o legislador.

Portanto, do que se trata, na prática e por parte da esquerda e do politicamente correcto em geral, não é a concessão de direitos, mas a concessão de privilégios que podem ser retirados pelo legislador positivista a qualquer momento. Basta que se instale em Portugal, por exemplo, uma ditadura de Esquerda para todos esses privilégios concedidos possam ser revogados (ver o exemplo de Cuba).

Quando os direitos de uns entram em conflito com os direitos de outros (por exemplo, no direito ao aborto, por um lado, e no direito do nascituro à vida, por outro lado), o Poder político do legislador (ou do juiz, em representação do legislador) aumenta, e aumenta também a discricionariedade desse Poder totalitarizante.

Para se alcançar a “igualdade de direitos”, os direitos naturais e genuínos terão que ser destruídos — os direitos verdadeiros, naturais e invioláveis, passam a ter o mesmo estatuto de privilégios ou de direitos contingentes, para que todos os direitos possam competir em um mesmo nível (nivelamento positivista dos direitos que transforma o legislador humano em um deus).

¿Será que a merda dos políticos de “Direita Liberal” que temos estão a perceber a estratégia da Esquerda? ¿Ou será que os políticos de “Direita” pensam que podem meter o liberalismo na gaveta, e que se podem aproveitar da estratégia da Esquerda?

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