perspectivas

Sábado, 26 Janeiro 2019

¿O que é o “liberalismo”?

Filed under: Decadência do Ocidente,Esta gente vota — O. Braga @ 6:37 pm
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“Liberalismo” é um termo vago que actualmente caracteriza realidades diferentes ou misturadas.

Convém (de certa forma) distinguir entre liberalismo político, saído da filosofia dos “direitos naturais” (jusnaturalismo ) exposta por John Locke (principalmente na sua primeira fase ideológica), por um lado, e o liberalismo económico, por outro lado.

O primeiro — o liberalismo político — é a forma abstracta e racional de um individualismo moderado, proposto por Locke e ligado à oposição a qualquer tipo de absolutismo ou totalitarismo, e tem a sua expressão no “Espírito das Leis” de Montesquieu (1748) com a teoria da separação de poderes. O liberalismo político de Locke faz do sujeito individual um ser dotado de direitos inalienáveis (propriedade, liberdade, etc.) e a fonte e o centro das relações sociais.

Este liberalismo político de Locke foi criticado por Rousseau que insistiu que a liberdade civil é impossível sem igualdade económica (igualdade social).

Locke esteve na origem do liberalismo e Rousseau (através do conceito de "Vontade Geral") esteve na origem do jacobinismo.


O liberalismo económico teve origem nos economistas britânicos e franceses do século XVII, também eles influenciados por Locke, e mais tarde sistematizado por Adam Smith e pela chamada Escola Escocesa.

A este liberalismo económico chamamos de “liberalismo clássico”: é um princípio associado ao liberalismo político, e segundo o qual as leis do mercado devem continuar a ser livres, pois são naturais (por exemplo, a lei da oferta e da procura), e dependem delas mesmas o equilíbrio entre a produção, a distribuição e o consumo (conforme Adam Smith: “Não é da benevolência do talhante, do cervejeiro ou do padeiro que nós esperamos o nosso jantar, mas do cuidado que eles têm com o seu próprio interesse” — “Riqueza das Nações”).

Em Adam Smith existia o sentido do dever (v. “Teoria do Direito”); o mundo das regras (tradicionais) e das leis era, para Adam Smith, o verdadeiro significante do mundo afectivo ligado ao fundamento da economia: as paixões humanas naturais. Ao contrário do que defendeu Kant (“A Paz Perpétua”), Adam Smith era céptico acerca da possibilidade de o comércio (por si só) abolir a guerra entre as nações (“Riqueza das Nações”), porque aquele que, na sociedade liberal, não tivesse outra coisa senão as suas mãos para trabalhar, não poderia viver a obrigação do “sobre-trabalho sem lucro” senão contrapondo-lhe a violência.

Adam Smith tinha preocupações sociais, nomeadamente mediante o seu conceito de “simpatia”.

Como podemos verificar, o liberalismo (tanto político ou económico) escorava-se no jusnaturalismo (Lei Natural). O liberalismo clássico limita o conceito de “igualdade” à igualdade dos direitos naturais: não se trata de igualdade social que supõe que o Estado intervém para “corrigir” o jogo livre da sociedade civil, o que é interpretado pelo liberalismo como sendo funesto para a liberdade.


Mas aquilo a que hoje se chama “liberalismo” não é liberalismo no sentido clássico, uma vez que o Direito Natural é negado pela maioria dos actuais “liberais”. Existe nestes liberais actuais uma forte preponderância para um Marginalismo radical que implica uma supremacia avassaladora do subjectivismo individualista, em total detrimento do bem-comum.

É no sentido do “liberal” actual que Olavo de Carvalho faz a sua crítica, na medida em que o chamado “liberalismo” actual (que advém de uma corruptela ideológica de Von Mises) acaba por ser “um momento do processo revolucionário que, por meio do capitalismo, acaba dissolvendo no mercado a herança da civilização judaico-cristã e o Estado de direito”.

Através do império do positivismo absoluto no Direito (tal como acontece com a Esquerda radical), resulta que o Direito é (segundo o actual “liberalismo”) totalmente arbitrário e independente de quaisquer fundamentos metajurídicos (por exemplo, as tradições de uma sociedade, ou do jusnaturalismo).
Neste sentido, e tal como acontece com a Esquerda, o “liberalismo” actual segue o princípio da "Vontade Geral" de Rousseau, e já não o liberalismo político de Locke.

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Sexta-feira, 25 Março 2016

O papa-açorda Francisco e o Islamismo

 

O papa-açorda Francisco lavou os pés a um grupo de “refugiados”: cinco católicos, três muçulmanos, três cristãos coptas, e um hindu. Ou seja, transformou o símbolo religioso do Lava-pés Pascal em um sinal político.


Na sequência dos atentados de Bruxelas, os chefes religiosos muçulmanos da Bélgica recusaram recitar o versículo do Alcorão «Al-Fatiha» em homenagem às vítimas inocentes dos atentados — porque as vítimas não eram muçulmanas.


Penso que a Igreja Católica “já era”. Há que encontrar alternativas, e uma delas é, talvez, a Igreja Ortodoxa Russa.

A Igreja Católica transformou-se em um partido político; tornou-se em uma comunidade hipócrita, mundana, politizada, imanente, destituída de simbolismos. Já não existe a possibilidade de uma iniciação cristã, conforme S. Paulo. O papa-açorda Francisco reduziu a Igreja Católica a cinzas.

papa-sozinho

Domingo, 24 Janeiro 2016

O Islão afia as garras na Alemanha

 

Lembram-se do Grupo Baader-Meinhof?

É verosímil que apareça na Europa e na Alemanha um grupo armado e clandestino de sinal contrário, ou seja, não só anti-esquerda como anti-islâmico — e isto porque as instituições políticas europeias, comandadas pelo politicamente correcto que impera nos Estados Unidos de Obama, se afastaram dos anseios dos povos europeus.

É provável que esse grupo armado e clandestino anti-esquerda e contra o politicamente correcto tenha o apoio tácito (indirecto) da Rússia de Putin.


“Germany needs to ban alcohol if it wants to prevent further sexual violence and to help North African migrants integrate into society, a Muslim pressure group has claimed.

Commenting on the Cologne sex-attack controversy, MuslimStern, which has 20,000 followers on Facebook, said its mission was to ‘highlight the way the media was using the incidents to promote racism against minorities’.

The group complained that the female victims had brought the unwanted attention to themselves by dressing in a manner that North African men were not accustomed to”.

Germans must ban ALCOHOL if they want to prevent further sex attacks and help North Africans integrate, says Muslim group

Um movimento político islâmico defende publicamente a ideia segundo a qual a única forma de evitar a violência islâmica na Alemanha é fazer com que os alemães sigam as regras do Islão.

Dada a indiferença da classe política europeia (maçónica) perante o que se está a passar, não me admira nada que comecem a surgir atentados organizados contra mesquitas e bairros islâmicos.

A cultura antropológica ocidental está inferiorizada

 

Vemos aqui em baixo duas fotografias: a primeira, a de uma paragem de transportes públicos na Rússia; e a segunda a de uma paragem em um país anglo-saxónico. Obviamente que ambas as imagens reflectem excepções: nem todas as paragens de “bus” são assim nesses países; mas as fotografias dão uma ideia das abissais diferenças culturais existentes entre o Ocidente, por um lado, e a Rússia, por outro lado.

paragem-na-russia-web

paragem-no ocidente-web

Racionalmente, é impossível defender a superioridade cultural do Ocidente. É esta uma das razões por que o Islão avança pela Europa adentro: o Ocidente perdeu autoridade moral.

Os Estados Unidos estão na frente do movimento de decadência ocidental. Por isso é que surgiu o fenómeno de Donald Trump, que é uma tentativa desesperada (e quase patética) de travar (sem sair do sistema político existente) o que parece ser inevitável: o desabar da cultura antropológica que sustenta o sistema político. A propriedade privada e as convicções religiosas começam a ser colocadas em causa nos Estados Unidos através do judicialismo que substitui a política:

13.000 dollars d’amende pour un couple de fermiers américains qui refuse d’accueillir un « mariage » homosexuel

Os Estados Unidos de Obama e comandita representam hoje a frente de Esquerda internacional.

Sexta-feira, 7 Agosto 2015

Isto é moderno e progressista

 

« “During that first ovulation period, the guys would stop by and after every attempt, we’d have a cup of tea while Daantje sat on the couch with her legs up in the air.

Thankfully, it only took two months for her to get pregnant, because I remember thinking, Imagine if we have to do this for a full year: all those jars of semen and basters and all that,” elaborates Dewi. »

These Five People Are About to Have a Baby Together

familia-do-putedoO que não é novo neste conceito de “família” é a mulher enquanto puta

Quarta-feira, 14 Janeiro 2015

O que é preciso saber do Islão

 

As pessoas que comentam nos me®dia a tragédia do Charlie Hebdo deveriam ler o Alcorão antes de dizer asneiras. Mas para além daquilo que está explícito e escarrapachado no Alcorão, há outras características do Islão que são mais difíceis de detectar pelo leitor incipiente.

1/ o dogma fundamental do Islão é a palavra incriada (não criada pelo Homem)

As palavras exaradas no Alcorão foram (segundo o Islão) ditadas directamente por Deus; e, alegadamente, existe mesmo um exemplar do Alcorão no Céu. E por isso Alá é o juiz supremo que legitima que mais de 200 versículos do Alcorão incitem directamente à violência e ao assassínio.

No Cristianismo, passa-se uma coisa muito diferente: os Evangelhos são assumidamente escritos por homens — os apóstolos — baseando-se nas palavras ouvidas de Jesus Cristo — assim como Platão escreveu o que ouviu de Sócrates.

No Islão, sem uma hermenêutica da Revelação chega-se invariavelmente ao terrorismo.

A liberdade, segundo o Islão, não é uma realidade moral: antes é uma submissão total e inegociável à palavra ditada directamente por Alá, o Alcorão. Se não houver inteligência no Islão, a fé conduz inexoravelmente à  morte e ao assassínio.

2/ o profeta Maomé deve ser imitado

maomeA imitação dos actos do profeta são a condição do muçulmano. Este deve seguir, durante toda a sua vida, os actos do profeta revelados na Sunna que contém os Hadith (os gestos e os actos do profeta). E na medida em que o próprio profeta degola os prisioneiros, queima edifícios e cidades, degola os incréus — esses actos do profeta são considerados “santos”.

3/ a escatologia muçulmana

A escatologia muçulmana existe, em parte, em função da escatologia cristã. O Islão tem a certeza do futuro, o que o assemelha à mente revolucionária: o Islão tem a certeza de que o mundo inteiro se vai tornar muçulmano antes do fim-dos-tempos, por um lado, e por outro  lado que a Sharia (a lei islâmica que substitui o Estado de Direito) será instaurada em todo o mundo antes da segunda vinda de Jesus Cristo — o que confundirá os incréus cristãos.

A instauração da Sharia transformou-se em uma prioridade, a Jihad (a guerra santa) em um dever em função da escatologia islâmica e do fim da História. O mártir que se fez explodir para seguir o exemplo do profeta terá um paraíso erótico à  sua espera — o desejo de matar e de se suicidar é motivado por uma pulsão sexual.

A única boa maneira de lidar com o Islão é confiná-lo aos países de origem. Não estamos perante acidentes da História ou de meras interpretações do Alcorão, mas antes estamos perante o fundamento do Islão.

Quinta-feira, 14 Agosto 2014

A mesquita de Lisboa deve ser encerrada e o Islão proibido em Portugal

Filed under: Decadência do Ocidente,Democracia em perigo — O. Braga @ 7:41 am
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O governo de Angola foi sábio quando proibiu a construção de mesquitas no seu território e baniu o Islão. O Islão não é uma religião propriamente dita: antes, é um princípio político de ordem totalitária e um culto satânico. Para que o leitor entenda o que se pretende aqui dizer, veja este vídeo — e depois volte aqui.singularidade islamica


Há quem diga que “aquilo que o que o vídeo mostra é obra de radicais”, e que “o Islão não é aquilo”. Esta ideia é absolutamente falsa! Os muçulmanos de Lisboa estão hoje “calmos” porque são poucos! Aquilo que o vídeo mostra não acontece hoje em Lisboa porque não estão reunidas as condições objectivas, sociais, políticas e culturais, para que aconteça.

O Islão rege-se segundo a noção de “singularidade”: quando a percentagem da população muçulmana atinge um determinado valor em relação à população total (entre 10 a 15% da população total) , inicia-se um processo de singularidade islâmica: abre-se uma espécie de “buraco negro” político, social e cultural que vai destruindo paulatinamente tudo à sua volta.

Na singularidade islâmica, as leis do Estado de Direito deixam de ser aplicáveis. E quanto mais aumenta a população islâmica, mais aumenta a aproximação da sociedade do ponto de singularidade.

Se a população muçulmana de Lisboa fosse hoje de 15% do total, começaríamos a assistir a fenómenos deste tipo: bombas, assassinatos, etc. E quanto mais aumentasse a população muçulmana em Lisboa, mais se manifestaria o fenómeno da singularidade islâmica.

Como medida profiláctica, o Islão deveria ser proibido em Portugal.

Domingo, 13 Julho 2014

Hotéis portugueses proíbem o alojamento de famílias com filhos

 

A Helena Matos chama aqui à atenção da nova moda: hotéis que proíbem a hospedagem de famílias com crianças (mas os animais de estimação não estão proibidos). Em um país com uma depressão demográfica inédita, é incrível como podem existir hotéis que proíbem o alojamento das famílias.

hotel no children allowed web

O Diário de Notícias escreve:

“A lei mudou e não é taxativa sobre a interdição de crianças nos hotéis e restaurantes. Polémica reacendeu-se com debate na blogosfera.”

Quinta-feira, 10 Abril 2014

Quem consentiu o "casamento" gay que agora limpe as mãos à parede

 

Quando o Direito se funda no facto — ou seja, quando o Direito Positivo é fundado por tudo aquilo que existe na sociedade, e as leis são feitas para acomodar, no ordenamento jurídico, todos os fenómenos sociais que existam ou venham a existir —, então acontece que todas as aberrações culturais, estéticas, éticas e comportamentais tendem a ser normalizadas por intermédio das normas legais (passo a redundância intencional). E é assim que a existência de qualquer facto social passa a ser o fundamento de um qualquer novo “direito”.

Faço aqui referência a este texto do jornalista Henrique Monteiro, a que respondeu uma tal Inês Rolo (à procura de protagonismo social) aqui.

politicamente-correcto-grc3a1fico-webDesde já convém dizer que o Henrique Monteiro deveria ter sublinhado, no seu texto, que se o comportamento tradicional é (segundo o radicalismo progressivista actual) uma “construção social artificial”, então também o comportamento não-tradicional é uma “construção social artificial”. A lógica subjacente ao agir humano não difere em função de ser “tradicional”, ou não.

O que difere a Inês Rolo, por um lado, do Henrique Monteiro, por outro lado, é o conceito de “civilização”, ou seja, a importância do superego em controlar a miscelânea caótica do ID (segundo a linguagem de Freud) no sentido de formatar socialmente o ego individual que lhe permita integrar numa cultura e numa sociedade. Para a Inês Rolo, a civilização é a ausência de civilização; é a liberdade irracional do ID manifestando-se no comportamento social, e tentando impôr a toda a sociedade essa irracionalidade da liberdade do ID sem freio — porque a normalização de um comportamento é sempre uma forma de tentar estender esse comportamento a toda a sociedade: não se trata (da parte da Inês Rolo e quejandas) de uma afirmação de uma opção de um estilo de vida, mas antes de uma tentativa de universalização desse estilo de vida, dessa cultura e dessa mundividência.

Basear as normas éticas e/ou jurídicas nos factos, é uma falácia de apelo à natureza. Por exemplo, não é pelo facto de a esmagadora maioria dos homens ter barba que eles devem deixar crescer barba. Os homens podem deixar crescer a barba, se quiserem, desde que isso não interfira com a sua higiene pessoal e com a vida prática. De modo análogo, a promiscuidade sexual pode ser um factor de perigo grave de saúde pública — como já está basta- e cientificamente documentado. A normalização da promiscuidade sexual não é defensável, nem ética- nem juridicamente: não é porque existem pessoas sexualmente promíscuas que o Direito Positivo se deve ocupar de normalizar a promiscuidade sexual. Se (nos casos que se justifiquem em função do bem-comum) os factos podem eventualmente influenciar o Direito, o Direito não se funda em factos.

O facto de existirem prostitutas não significa que a prostituição seja transformada, através da sua normalização pelo Direito Positivo, em uma profissão como qualquer outra, com contrato de trabalho, pagamento de IVA e facturas e recibos, e dedução no IRS. E, no entanto, a prostituição é conhecida pela “profissão mais antiga do mundo”. Portanto, fica claro que o facto não funda o Direito.

Por fim, o problema da nossa sociedade é que se perdeu a noção de juízo universal.  

O facto de uma mulher (neste caso concreto, a Inês Rolo) não querer ser como as “outras” — em um assomo assoberbado de um narcisismo que, sendo normal nas mulheres, assume neste caso as raias de uma psicose —, não significa que as “outras” não sejam normais. Pelo contrário, a julgar pela racionalidade da curva de Gauss na análise comportamental das mulheres, a normalidade não está com a Inês Rolo. Portanto, a Inês Rolo que extravase o seu narcisismo mórbido nos intervalos das cambalhotas poliamóricas, entre a confusão de narizes, com aqueles e elas que, como ela, colocam o instinto acima da racionalidade.

Quinta-feira, 27 Março 2014

A Arte Moderna

Filed under: cultura,Decadência do Ocidente — O. Braga @ 12:54 pm
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«Millie Brown está nas bocas do mundo depois de ter vomitado em cima de Lady Gaga, durante um espectáculo da cantora. Acidente? Não. A artista transformou o vómito numa arte, ao beber copos de leite com corantes de várias cores, e regurgitando-os para cima de uma tela.

A primeira vez que o fez foi num palco em Berlim e tinha apenas 17 anos: “Queria usar o meu corpo para criar arte.”, recorda a londrina de 27 anos, numa entrevista ao jornal inglês The Guardian. “Queria mesmo que viesse ‘de dentro’, queria criar algo bonito que fosse puro e incontrolável”.»

Vomitar pode ser arte?


arte moderna web

Respigado aqui.

Sábado, 1 Março 2014

Um povo que elege Obama como presidente, não merece consideração

 

Obama pretendeu alterar unilateralmente a Declaração Universal dos Direitos Humanos: em vez de “família natural”, Obama queria que a Declaração Universal dos Direitos Humanos se referisse a “família de acordo com as preferências individuais”, ou seja, segundo Obama, família é o que cada um quiser.

É neste contexto que as críticas de Aleksandr Dugin aos Estados Unidos se tornam pertinentes. Os Estados Unidos de Obama são muitíssimo mais perigosos para o mundo do que a Rússia de Putin. Por detrás da aparente tolerância de Obama esta uma agenda política sinistra e diabólica que faz com que as ideias de Aleksandr Dugin pareçam angelicais.

Sexta-feira, 17 Janeiro 2014

O Direito actual já não é utilitarista: passou a defender a “pura felicidade” anti-utilitarista de Georges Bataille

 

A Esquerda ainda não conseguiu retirar ao povo a noção de “família”. Mas está a tentar. Tentar convencer o povo de que a família não existe — porque, alegadamente, dizem eles, “existem muitos e muitos tipos de família”, e portanto, “não faz sentido em falar de família propriamente dita” — é tentar que a atomização da sociedade se efective, finalmente, mediante um corte radical com os fundamentos da natureza humana. O que a Esquerda está a fazer, em termos antropológicos, é monstruoso, para além de transformar o Direito Positivo na sua própria negação. E isto não pode correr bem, no futuro.

O positivismo do Direito, por sua própria natureza, é utilitarista: “a maior felicidade para o maior número”. Ou seja, o conceito positivista da “maior felicidade para o maior número” tinha ainda, contido em si mesmo, a ideia da “lei abstracta e geral” que herdou do Direito Natural. “Tinha”, digo eu, porque já não tem, porque o Direito deixou de ser positivista.


A felicidade é hoje entendida pelas elites políticas — umas, conscientemente, outras inconscientemente — mais ou menos segundo Georges Bataille: é a apoteose do sem-sentido que Bataille acreditava que iria necessariamente acontecer no momento do Saber Absoluto do homem. A felicidade do Direito actual é a transgressão do “limite do possível” de Georges Bataille:

“O limite do possível supõe riso, êxtase, abordagem aterrorizada da morte, supõe erro, náusea, confusão incessante do possível e do impossível, e, a concluir, fragmentado, todavia, pouco a pouco, lentamente desejado, o estado de súplica, consumir-se no desespero”. “É a alegria do suplício, a arte de transformar a angústia em delícia, que eleva a colher a própria morte tal como uma criança adormece”. É a felicidade que torna o homem semelhante ao animal feliz, “ser no mundo como a água que flui no seio das águas”. 1

A felicidade pertence a quem decide imediatamente e arrisca tudo sem se questionar sobre o que irá acontecer — a nova felicidade batailleana do Direito actual é a negação de qualquer consequencialismo. “O sujeito — tédio de si mesmo, necessidade de ir até ao limite — é a busca do êxtase, é verdade, mas nunca tem a vontade do seu êxtase. Há um desacordo irredutível entre o sujeito que procura o êxtase e o próprio êxtase”. A felicidade é o menosprezo de si mesmo, a aliança entre o sem-sentido de todas as coisas com o arrebatamento do abandono ao não-saber. O “não-saber” é o fulcro do novo conceito de felicidade que impregna o Direito que deixou de ser positivo.

O Direito batailleano actual é formalmente kelseniano (como não poderia deixar de ser), mas sem a democracia — porque “a felicidade não tem objecto”. A democracia não se pode interpor entre o Direito e esta nova concepção de felicidade, porque a democracia é, ela própria, a expressão do utilitarismo liberal.

A política, que esta nova felicidade exige, é revolucionária na medida em que exige o impossível quando pretende derrubar as barreiras que pretendem reter os homens nos limites definidos pela utilidade e pelo trabalho. A felicidade batailleana é mortífera, na medida em que exige que se ultrapassem quaisquer limites sem pensar nas consequências da acção. Para Georges Bataille, a felicidade está para além da moral (identificação com Nietzsche). O novo Direito, para além de ser batailleano, é nietzscheano. A nova felicidade, que o Direito actual adopta, exige a experiência da transgressão sistemática e sem limites dos interditos que definem a vida social.

Nota
1. [“A Experiência Interior”]

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