perspectivas

Terça-feira, 24 Fevereiro 2015

Os gnósticos modernos

 

A Gnose foi um movimento religioso da Antiguidade Tardia que teve as suas raízes em uma visão dualista (dualismo ontológico, e não propriamente um dualismo cartesiano) proveniente do Oriente [por exemplo, do Parsismo e do Maniqueísmo], e de acordo com a qual existe uma contradição entre o espírito e a matéria, bem e mal, luz e trevas. Os primeiros textos gnósticos datam do século II d.C.; as suas origens são obscuras; mas, provavelmente, a Gnose desenvolveu-se, no império romano, paralelamente ao Cristianismo e como uma grandeza religiosa independente.

(texto longo, com 1900 palavras)

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Segunda-feira, 23 Fevereiro 2015

Ser um Mozart ou um Beethoven

Filed under: cultura — O. Braga @ 9:27 am
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Diz a Inês Teotónio Pereira, corroborando o CR7,  que “competir connosco próprios é a estratégia certa”. Foi o que fez Beethoven.

partitura-BeethovenSe analisarmos as pautas musicais originais de Beethoven, vemos ali muita rasura, muita emenda, muita “competição com ele próprio”.

Mas isso não aconteceu com Mozart: com este último, a música fluía para a pauta musical original com raras emendas, como se a partitura estivesse já escrita na cabeça dele e apenas fosse necessário passá-la para o papel.

Ser um Mozart ou um Beethoven aplica-se a indivíduos, mas não a povos.

Não há “povos Mozart” ou “povos Beethoven”: há “indivíduos Mozart” (em todas as áreas da actividade humana, e não só na música ou no futebol), “indivíduos Beethoven”, e outros indivíduos que não são nem uma coisa nem outra.

O que pode haver é uma cultura antropológica que incentiva os indivíduos de um povo a serem “Beethoven” quando não nascem “Mozart” — porque ser Mozart é um dom, uma dádiva que a Natureza, o Destino e as Estrelas concedem ao indivíduo.

Ninguém é Mozart porque quer: nasce-se Mozart. Mas se é verdade que Beethoven não nasceu Mozart, podemos eventualmente ser Beethoven se “competirmos connosco próprios”; mas nunca seremos Mozart só porque queremos ser.

Sábado, 14 Fevereiro 2015

50 Shades of Grey e a pornografia feminina

Filed under: cultura — O. Braga @ 11:32 am
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A pornografia feminina tem que ter romance (uma narrativa e trama românticas). 50 Shades of Grey tem romance.

Portanto, se entendermos que a mulher — tal como o homem — também tem direito à pornografia, então diremos que o filme nada tem de mal. O único problema é o de saber se a pornografia é boa ou má, mas isso já não tem a ver directamente com o filme.

¿Será a pornografia sinal de “progresso cultural”?

Se a sua resposta a esta pergunta é “sim”, então para si o filme é bom. Apenas cito o seguinte:

“Promover o abuso como liberdade sexual é a maior das mentiras. Julgam as mulheres que são modernas, descomplexadas e receptivas quando na realidade estão a entrar no perigoso jogo da manipulação masculina. Isto não é moderno, é tão retrógrado que até dói.”

Quarta-feira, 11 Fevereiro 2015

A guerra ainda não acabou, e trava-se a Ocidente e não na Rússia

Filed under: cultura,Europa,Política — O. Braga @ 6:57 pm
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You can be a Christian, or you can be successful.” (para teres sucesso na vida, não podes ser cristão)

Um relato de um indivíduo que se deslocou a Budapeste, capital da Hungria. A certa altura, o guia turístico parou em frente à  catedral de São Estêvão e explicou aos turistas como foi que o regime comunista lidava com os cristãos:

“Na Hungria comunista você podia ser cristão; podia rezar em casa, com a sua família. Podia mesmo ser baptizado numa igreja e ir à  missa. Porém, você tinha que escolher: ou ter sucesso na vida, ou ser cristão.”

Ora, acontece que o mesmo método comunista está a ser seguido hoje em quase todos os países do Ocidente pelo marxismo cultural“para teres sucesso na vida, não podes ser cristão” — seja na área do Direito, seja na área da medicina, seja na da política, etc..

Por exemplo, quando o Direito Positivo elimina a objecção de consciência dos médicos em relação ao aborto, temos um perfeito exemplo de como o marxismo cultural entrou pelo Direito adentro e influencia directamente a carreira profissional dos médicos. Ou seja: “para seres um médico de sucesso, não podes ser cristão”.

Quando eu vejo gente importante da direita brandindo o espantalho da “Rússia comunista do século XXI”, fico espantado: a Rússia tem hoje o triplo dos bilionários do Brasil. ¿Como é que um país — a Rússia — com mais de 130 bilionários, é comunista?!

Em contraponto, essa mesma gente importante faz vista grossa em relação ao que se passa a ocidente, e diz mesmo que “o marxismo cultural não existe e é estória para boi dormir”.

A luta contra o comunismo continua, mas não é na Rússia!: é nos Estados Unidos de Obama, é na Inglaterra do “conservador” David Cameron, é na França do François Hollande, é na Espanha do partido Podemos, é na Grécia do Syriza, é nos países nórdicos da ideologia de género, é na Bélgica e na Holanda da eutanásia para crianças, enfim, é no Portugal do politicamente correcto e da subserviência canina à  União Europeia.

Quando você ouvir alguém dizer que “é preciso combater o KGB comunista”, mande-o à  bardamerda!. O KGB, embora com outro nome, existe de facto, mas para proteger os interesses nacionais da Rússia, assim como, por exemplo, a Agência Brasileira de Inteligência existe para proteger os interesses do Brasil.

Terça-feira, 10 Fevereiro 2015

A utopia revolucionária da imanência do paraíso na Terra

 

Temos aqui um texto de Eugénio de Andrade. O Júlio Machado Vaz, que cita o texto do Eugénio de Andrade, identifica-se obviamente com ele.

É sempre problemático quando os poetas filosofam, porque a poesia é filosofia desprovida de lógica. O texto é uma crítica à modernidade, mas trata-se de uma crítica que se baseia na utopia do Romantismo que se seguiu ao Iluminismo — utopia essa que ainda hoje persiste — e que concebia a possibilidade da alteração da natureza humana tendo em vista a construção de um paraíso na terra: a imanentização laica do Escathos que caracteriza a mente revolucionária (resquícios culturais de um certo Cristianismo milenarista). As engenharias sociais (“casamento” gay, adopção de crianças por pares de invertidos, ideologia de género, igualitarismo politicamente correcto, a negação das diferenças, etc.) que verificamos actualmente nada mais são do que a persistência na utopia que torna imanente o paraíso na Terra.

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Sábado, 7 Fevereiro 2015

A desorientação das opiniões políticas

Filed under: cultura,Política — O. Braga @ 6:49 pm

 

« When the episteme is ruined, men do not stop talking about politics; but they now must express themselves in the mode of doxa. » — Eric Voegelin

O que mais vemos por aí são comentários e “análises” políticas: são narrativas, estórias que se contam ao sabor da pura opinião — a doxa (opinião sentenciosa, decisória) opõe-se ao episteme (conhecimento  crítico e científico), à  noésis (pensamento racional, em sentido geral) e ao logos enquanto razão e discurso filosófico. A doxa (a opinião) indica uma crença particular em uma qualquer filosofia em oposição à  “verdade absoluta” (aletheia).

Quarta-feira, 4 Fevereiro 2015

O valor da Mulher Doméstica Que Pensa

Filed under: cultura — O. Braga @ 12:44 pm
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Laura Wood album vintageLaura Wood escreve em um blogue: The Thinking Housewife (“a mulher doméstica que pensa”). Ela sabe que aquilo que escreve tem valor, embora lhe dê trabalho e lhe custe dinheiro sustentar o blogue. Ela poderia simplesmente reduzir custos da sua família e fechar o blogue, e dedicar o seu tempo livre a fazer outras coisas.

Por isso,  Laura Wood lançou uma campanha de donativos dos leitores no valor de dez mil dólares. Nem mais nem menos. Neste momento faltam 274 dólares para se chegar aos 10.000, que é o valor que Laura Wood estimou que o seu trabalho e custos no blogue valem neste momento.

Não se trata de mercantilismo: trata-se de reconhecimento do valor.

Reconhecer o valor não significa que esse valor possa ser comprado e vendido discricionariamente no mercado. Reconhecer o valor  implica demonstrá-lo com actos práticos, e não apenas com meras intenções ou encómios verbalizados. Reconhecer o valor é, em si mesmo, um valor.

Naturalmente que os donativos ajudam a pagar as despesas de manutenção do sítio, mas os donativos são apenas  uma consequência do reconhecimento do valor. Os donativos são um meio, e não um fim em si mesmos. O que importa é o valor, e os donativos acabam por ser apenas uma das formas de reconhecimento do valor.

O que Laura Wood fez só pode acontecer nos Estados Unidos, e em mais nenhum país do mundo ocidental. Paradoxalmente, nos Estados Unidos ainda existe o sentido de “comunidade”.

Sexta-feira, 16 Janeiro 2015

O Partido Socialista quer destruir Portugal

 

O Partido Socialista considera que a situação de um homem que viva com outro homem, ou a situação de uma mulher que viva com outra mulher, é igual à de uma mulher que viva com um homem. E é baseado neste conceito de “igualdade” que o Partido Socialista defende a adopção plena de crianças por pares de homossexuais e, surpreendentemente, “no superior interesse das crianças”.

Se uma relação entre dois ou duas homossexuais é igual a uma relação entre uma mulher e um homem, então segue-se que o Partido Socialista tem razão. ¿Mas será que é igual?

foi cesarianaMas se essas relações não são iguais, na realidade, então o que o Partido Socialista tem que fazer é convencer o povo português de que aquilo que não é, de facto e na realidade, igual, passa a ser igual mediante decreto-lei. E é isso que o Partido Socialista está a fazer.

Em termos sociais e culturais (já nem falo na economia e nas finanças!), a política do Partido Socialista é suicida do ponto de vista dos interesses do país e da nação. Portugal, um país economicamente débil, não vai resistir durante muito tempo a um ataque cultural desta dimensão à coesão social que tem o seu fundamento na família nuclear.

O Partido Socialista está a atacar a família natural que é o fundamento de qualquer sociedade.

Num país economicamente pobre como é o nosso, a extensão da procriação medicamente  assistida a toda a gente e sem restrições, por uma questão de mimetismo cultural vai criar um aumento exponencial de mães solteiras que terão que contar com o apoio do Estado para poderem fazer face às despesas com a educação dos seus filhos. Ou seja, o que o Partido Socialista está a fazer é criar as condições para uma ainda maior intervenção do Estado na sociedade.

fascista familiarA adopção plena — sublinho: plena — de crianças por pares de homossexuais abre a porta ao comércio de crianças através das “barriga de aluguer”: é a nova escravatura, que será o próximo passo a propôr pelo Partido Socialista.

Os portugueses devem ter em mente que o Partido Socialista começou pelo “casamento” gay em 2010, passou depois à  defesa da “co-adopção gay” em 2012, e agora, passados apenas alguns meses, já defende a adopção plena de crianças por pares de homossexuais e a procriação medicamente  assistida para todo o bicho careta. Por isso não há nenhuma razão para pensarmos que o Partido Socialista não irá brevemente defender o tráfico de crianças mediante as “barriga de aluguer”.

Do ponto de vista ético, toda a gente sabe que uma relação entre dois homossexuais não é igual a uma relação entre um homem e uma mulher:“está na cara”!; é uma evidência, não é preciso fazer prova. Portanto, não podemos tratar de forma igual situações que não são iguais. E se as situações não são iguais, não podemos afirmar que as consequências para a educação das crianças (mediante a adopção) são iguais — ou semelhantes — nos dois casos.

Terça-feira, 13 Janeiro 2015

Não há nada melhor do que combater os radicalismos!

Filed under: cultura,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 7:05 pm
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notícias que nos surpreendem pelo absurdo e pela irracionalidade:

O senado de Nova Iorque não aprova a lei que permitiria que os bebés intra-uterinos fossem injectados no coração com veneno.

Imaginem agora uma notícia do ano 2025:

O senado de Nova Iorque não aprova a lei que permitiria que as pessoas acusadas de homofobia fossem esquartejadas na praça pública e os seus restos mortais atirados aos cães.

Sentimos a irracionalidade do alívio: afinal, nem tudo é mau: pode-se abortar à vontade mas sem injecção de veneno no coração da criança! Que bom! Também os homófobos não serão esquartejados, para alívio das nossas consciências, mas serão apenas enforcados em praça pública e os seus restos mortais entregues a aves de rapina. Always look on the bright side of life!

Em política, não há nada melhor do que “combater os radicalismos”!

esquartejamento

Segunda-feira, 5 Janeiro 2015

Os dois anti-tradicionalismos da modernidade

 

A modernidade (que inclui a actualidade) é constituída por dois tipos de anti-tradicionalismo: aquele que pretende reificar o passado no presente, e aquele que vê na mudança a reificação do futuro no presente.

budapesteNo primeiro caso temos os radicais islâmicos da I.S.I.S., ou novo califado; e, no segundo caso temos o politicamente correcto ocidental que, em nome da “igualdade”, ataca a essência do ser humano através da proliferação da homossexualidade e da Ideologia de Género, e com repercussões na base fundamental da sociedade que é a família.

Tanto o primeiro como o segundo anti-tradicionalismos não têm em consideração as qualidades intemporais do ser humano que não se restringem a uma época, a circunstâncias particulares ou a um qualquer estilo de vida. Mas a verdade é que, assim como não é possível “apagar” o passado, também não é possível retornar a ele.

Estes dois anti-tradicionalismos recusam o presente. O primeiro anti-tradicionalismo procura construir o futuro tentando trazer o passado de volta ao presente (o que é impossível!), e o segundo anti-tradicionalismo procura construir o futuro fazendo tábua rasa do passado.

O tradicionalismo, propriamente dito, aceita o presente como continuidade histórica, mas baseia-se na essência intemporal e transcendente do ser humano, nos conceitos de pátria, família e identidade.  Este tradicionalismo praticamente já não existe a Ocidente, mas poderá ser encontrado em países europeus mais a leste que, tendo sofrido a opressão do comunismo durante décadas, conseguem hoje reconciliar o passado e o presente, e com eles construir o futuro.

Segunda-feira, 29 Dezembro 2014

A revolução sexual e a libertação da mulher

 

Este anúncio publicitário abaixo reflecte fielmente o corolário da “revolução sexual” e da “libertação” da mulher no século XXI: um grupo de homens viola uma mulher. A “revolução sexual” é sinónimo de cultura da barbárie e a “libertação da mulher” é exactamente o seu oposto.

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Não adianta às feministas berrar, porque estava escrito nas estrelas que o corolário seria este: o conceito de “libertação da mulher” foi essencialmente criado por homens e seguido por mulheres estúpidas criteriosamente colocadas na ribalta cultural e social pelo intelectualismo masculino do século XX.  Por exemplo, a alegada independência ideológica de Simone de Beauvoir em relação a Jean-Paul Sartre é puro sofisma: na essência, ela pensou como ele queria que ela pensasse.

O meu desprezo pelo feminismo é essencialmente o desprezo pela burrice que não é só apanágio da mulher mas também dos homens.

Domingo, 7 Dezembro 2014

A origem da família, da propriedade e do Estado – Engels (parte 2)

 

Os dois trechos seguintes marcam o essencial do livro de Engels “A origem da família, da propriedade e do Estado”.

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