perspectivas

Sábado, 11 Agosto 2018

Em Roma, sê romano!

 

Eu estou de acordo com o princípio segundo o qual deve ser proibido, por lei positiva, o uso do Niqab e da Burka em locais públicos, mas não pelas mesmas razões descritas aqui. Ou seja, podemos ter uma concordância em relação à forma, mas não no conteúdo.

A principal e mais importante razão por que a Burka ou o Niqab devem ser proibidos em locais públicos, é a preocupação da Lei com a segurança — é um problema de segurança pública. Ponto final.

Imaginemos que eu entrava embuçado em um Banco; mesmo que não tivesse a intenção de roubar, eu iria certamente parar à esquadra policial mais próxima para ser identificado.

As considerações de índole religiosa são subjectivas; o que é objectivo, na lei anti-burka, é a segurança pública.

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londres-burkas-300webOutro problema são as diferenças culturais que possam existir. Podemos não gostar da cultura dos outros, mas esta diferenciação pessoal pode não se relacionar com qualquer questão de segurança pública. Por exemplo, o Hijab muçulmano não coloca qualquer problema de segurança pública, e portanto não há nenhuma razão objectiva para ser proibido, pela lei positiva, o seu uso na via pública.

De resto, os argumentos colocados aqui são sofríveis, também porque faz comparações absurdas. Por exemplo, ao contrário do que é dito, qualquer pessoa tem o direito de escolher não ter férias, desde que o patrão concorde com isso. Ninguém pode ser obrigado por lei a não trabalhar.
Quem quiser trabalhar no dia de Natal, por exemplo, não deve ter nenhuma lei positiva que o proíba. Uma coisa são as leis não escritas (a tradição); outra coisa, bem diferente, é a lei positiva; mas, a não ser em casos muito excepcionais, a lei positiva não deve substituir a tradição.

Ora, é tradição não trabalhar no dia de Natal; e é uma tradição não trabalhar ao Domingo — e quem trabalha ao Domingo é (geralmente) ou deve ser remunerado de forma especial. Mas não deve existir uma lei positiva que proíba que se trabalhe ao fim-de-semana, como sugere o Ludwig Krippahl. E não deve ser proibido por lei positiva que uma pessoa “trabalhe sem descanso”, se ela quiser; o que pode e deve acontecer é que essa pessoa seja avisada dos inconvenientes do seu estilo de vida — assim como quem fuma deve ser avisado dos inconvenientes de fumar, mas não deve ser proibido, por lei, de fumar. Um médico pode proibir (proibição moral) um cidadão de fumar; mas o governo não pode proibir, por lei positiva, que um cidadão fume.

Em suma, o Ludwig Krippahl confunde um problema de segurança pública, por um lado, com um problema de diferenciação de tradições na cultura antropológica, por outro lado.


Contudo, é verdade que a principal tarefa da cultura (Claude Lévi-Strauss) é a de garantir a existência da coesão social, e portanto, a de substituir o “acaso” na organização da sociedade (estruturalismo). O grande inimigo da sociedade é o “acaso” (a imprevisibilidade) que, embora não possa ser totalmente debelado (Merleau-Ponty), exige a função da cultura antropológica, que é a de reduzir ao mínimo possível a influência do “acaso” na organização da sociedade.

E por isso é que, dentro do possível, as leis devem seguir os paradigmas maioritários da cultura antropológica (da tradição), salvo em casos excepcionais e racionalmente fundamentados. E por isso é que “em Roma, sê romano”.

O problema da imigração islâmica é o de que muito dificilmente é assimilável a outras culturas — porque o Islamismo não é uma religião normal: em vez disso, é uma religião política.

O muçulmano, salvo raras excepções, não se integra na cultura nos países de destino da emigração: prefere viver em guetos e zonas de exclusão comunitárias — mas aqui o problema não é o da Burka ou do Niqab: o problema é o do tipo de imigração que a Europa está a tolerar.

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Terça-feira, 5 Junho 2018

A miopia presentista dos “intelectuais secularistas”

 

Temos aqui um texto curto de um tal Padre Fernando Calado Rodrigues (ver em ficheiro PDF, para memória futura), e pode ser lido num ápice. 1

Temos ali (no referido texto) um exemplo de uma “análise” presentista da realidade. Um dos enormes problemas do nosso tempo é o de que tanto queremos prever o futuro que nos esquecemos dos exemplos do passado. Existe de facto um corte epistemológico com o passado, e o surpreendente é que os sacerdotes, que supostamente têm uma formação em filosofia e em teologia, não escapam à vulgaridade que o espírito do nosso tempo nos impõe.

A ideia do Padre segundo a qual a Igreja Católica “habituou-se a coroar reis e imperadores e a impor as suas leis às sociedades” é análoga à ideia abstrusa de que “a galinha surgiu antes do ovo”, porque

1/ foi um político (o imperador Constantino) que impôs o Cristianismo a todo o império romano; a cristianização do império romano foi, antes de mais nada, um imperativo político.

2/ as relações entre a Igreja Católica e o poder político, na Europa Ocidental (as relações da Igreja Ortodoxa com o Estado foram diferentes), sempre foram marcadas por uma dissensão constante. A ideia de que “a Igreja Católica impôs as suas leis às sociedades europeias”, escamoteia o facto de os reis (o poder político) andarem constantemente “à porra e à massa” com os papas. O Cristianismo foi usado pelos políticos europeus para impôr às respectivas populações uma certa ordem política. A ideia simplista de que “foi a Igreja Católica que impôs as suas leis às sociedades” só pode vir de um radical jacobino.


“O mundo moderno parece invencível; como os dinossauros desaparecidos.”Nicolás Gómez Dávila 


A seguir, o Padre fala em “secularização” da mesma forma que os bolcheviques falavam de “revolução”: como um estádio político evolutivo, produto de uma dialéctica evolucionária da qual surgiu o secularismo soviético — que já se extinguiu. Aliás, durou menos de um século. E voltamos ao presentismo do Padre: o homem não enxerga grande coisa a dois palmos do nariz (dele).

A actual classe dita “intelectual” é míope.

Não se dão conta de que o “secularismo” é hoje uma religião política; não deixa de ser uma forma de religião. O problema é o de saber se essa forma de religião imanente  e monista  (o secularismo), entendida em si mesma e quando despreza a Lei Natural, poderá fundamentar a realidade social e cultural durante muito tempo — porque há aqui, desde logo, um problema demográfico: os secularistas, seguidores de religiões política imanentes, em geral, não se reproduzem ao mesmo ritmo dos seguidores de religiões transcendentais.

Portanto, por uma questão de ordem natural das coisas, o “secularismo” entendido como religião política, tende a desaparecer — e não o contrário disto, como diz o Padre. Aliás, já verificamos isso em alguns países europeus (Bélgica, Suécia), onde a população islâmica será maioritária dentro de duas ou três décadas.

Finalmente, está propalada a ideia de que a legalização da eutanásia não interfere minimamente com a liberdade implícita na cultura antropológica — por exemplo, quando o Padre escreve o seguinte:

“De qualquer forma, mesmo que seja lícito fazê-lo, os católicos não serão obrigados a pedir a eutanásia. Também os médicos católicos não serão obrigados a fazê-la.”

Há dias, o Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos teve que vir a terreiro defender os direitos de um padeiro cristão que se recusou a cozinhar um bolo para um "casamento" gay. Mas quando o "casamento" gay foi proposto à sociedade, disseram-nos que “a nossa liberdade não seria minimamente afectada com os casamentos dos gays”. A realidade diz-nos isso que não é verdade.

O que o Padre escamoteia — ou por ignorância, ou por estupidez, ou por malevolência — é que o próprio conceito de “católico” estará em causa a partir do momento em que a lei comum (o Direito Positivo) passe a ser anticatólica, como já vai acontecendo. Em uma sociedade em que a lei não é apenas “não-católica”, mas é sobretudo “anticatólica”, os católicos entram em espiral do silêncio e deixam de existir social- e culturalmente enquanto católicos — a não ser que se entre por uma resistência clandestina que envolverá um certo grau de violência articulada internacionalmente.

Ou seja: o que estamos a assistir na União Europeia do pós-cristianismo é a uma “sovietização” mas sem uma União Soviética.

Os maomedanos encarregar-se-ão de contradizer os jacobinos instalados nos corredores do Poder e no Vaticano.


Nota
1. Se o artigo 13 passar no paralamento europeu, terei provavelmente que pagar uma taxa por mencionar aqui a ligação para aquele artigo.

Sexta-feira, 25 Maio 2018

A dialéctica do Anselmo Borges (ou “A Estratégia dos Dois Carrinhos”)

 

O Anselmo Borges faz lembrar um ministro de um governo do Partido Socialista que, quando houve uma Manif de protesto à porta do seu ministério, veio para a rua e juntou-se aos manifestantes. E quando acabou a Manif contra a sua própria política, voltou para o ministério.


A contemporaneidade é caracterizada por uma determinada esquizofrenia política, de que podemos constatar também no Anselmo Borges que, por um lado, defende ideias da esquerda hegeliana (de que faz parte o Habermas), estendendo-as mesmo ao âmago do Cristianismo; mas, por outro lado, critica as consequências (políticas e culturais) das ideias da Esquerda hegeliana na nossa sociedade.

Eu não sou nada “Habermas”; sou mais “Karl Popper”  (e mais ainda sou “Alasdair MacIntyre” e “Charles Taylor”). E, como se sabe, os dois nunca se deram bem.

Para quem não está familiarizado com a esquizofrenia política do Anselmo Borges:

Jürgen Habermas foi assistente (universitário) de Adorno, e é o continuador da Teoria Crítica da Escola de Francoforte (marxismo cultural).
A Teoria Crítica coloca em causa, por exemplo, o Iluminismo (a Teoria Crítica é uma teoria anti-científica, e por isso é que Habermas “andou de candeias às avessas” com Karl Popper), tem a sua raiz nas doutrinas de Adorno, de Horkheimer, assim como na actividade de Habermas no Instituto de Investigação Social da Universidade de Francoforte.

Por isso é que o Anselmo Borges cita o Jürgen Habermas: fazem parte da mesma equipa que corrói a sociedade e a cultura europeias.


A crítica que o Jürgen Habermas faz às redes sociais (crítica essa com que o Anselmo Borges parece concordar, através do seu — dele — texto) é apenas a continuação ideológica do livro de Habermas “Técnica e Ciência como Ideologia”, publicado em 1963, e que nada mais é do que uma actualização ideológica da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt : Habermas critica, critica, critica, tal qual uma picareta falante, mas a solução que apresenta é um igualitarismo politicamente correcto (marxismo cultural. Não se trata da defesa de “igualdade de oportunidades”: trata-se da defesa de  uma “igualdade dos sucessos”).

Jürgen Habermas defendeu a chamada “ética discursiva” (marxismo cultural ) que levou a sociedade ao descalabro cultural actual. E o Anselmo Borges critica o descalabro cultural actual e, simultaneamente, faz a apologética de Jürgen Habermas. É aqui que reside a esquizofrenia ideológica do Anselmo Borges. A “ética discursiva”, de Habermas, implica uma “moral de negociação provisória”, em que os valores da ética são sistematicamente colocados em causa e implica uma incerteza permanente das normas morais. É isto que o Anselmo Borges defende quando faz a apologia do Habermas.


“Sem a educação, encontramo-nos no horrível e mortal perigo de levar a sério as pessoas educadas.”
— G. K. Chesterton (“The Illustrated London News”).

ANSELMO-BORGES-HOPE-WEBHá dias, vi na televisão o Miguel Sousa Tavares a criticar as redes sociais (FaceBook, Twitter, etc.), fazendo alarde orgulhoso do facto de não ter conta aberta no FaceBook ou em qualquer outra rede social. A posição do Anselmo Borges insere-se na mesma linha ideológica da do Miguel Sousa Tavares. Trata-se de gente que está a perder o poder fáctico, e isso incomoda-a. De resto, não existem hoje mais analfabetos do que os que existiam em 1963, ano em que Habermas publicou o livro supracitado.

O que incomoda o Anselmo Borges e o Miguel Sousa Tavares — entre outros mentecaptos dotados de um alvará de inteligência — é que os cidadãos actuais, em geral, já não confiam nas “elites” como acontecia não vai ainda muito tempo. Ou, parafraseando Chesterton, já não levamos a sério as “elites” ditas “educadas”. O Anselmo Borges e o Miguel Sousa Tavares defendem a existência de uma classe de uma espécie de “gnósticos” — “classe” que se distingue do conceito de “escol”, de Fernando Pessoa (o escol não quer dizer uma classe, mas antes é uma série de indivíduos). E por isso é que ambos criticam o “achismo” do povão (que horrível cheiro a povo!).

A verdade é que — e aqui concordo com Karl Popper —, ao longo da História, os povos estiveram mais vezes certos (com a razão) do que as elites. Ou seja, historicamente as elites erraram mais vezes do que a opinião emanada das massas populares.

Maioritariamente, e por instinto ou por intuição, o povo português não concorda com a legalização da eutanásia; e, implicitamente, também não concorda que o “modelo discursivo” de Jürgen Habermas (que o Anselmo Borges tanto aprecia) sirva para que o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda legalizem a eutanásia.

Por isto é que não se percebe por que razão o Anselmo Borges defende a “ética discursiva” de Jürgen Habermas ao mesmo tempo que se coloca contra a eutanásia defendida pelos seus (do Anselmo Borges) próprios correligionários ideológicos.

Sexta-feira, 11 Maio 2018

A hipocrisia puritana do Júlio Machado Vaz

 

Hoje ouvi na rádio pública (Antena 1, rádio do Estado) o Júlio Machado Vaz insurgir-se contra as touradas e, de uma forma implícita, a defender a proibição das touradas — argumentando, por exemplo, que “a tourada não é uma tradição em Portugal porque, de um total de 308 concelhos, apenas em 40 se realizam espectáculos de tourada” (este argumento é o mais estúpido que alguém poderia conceber: como se uma tradição pudesse ser considerada como tal independentemente da cultura antropológica; como se fosse necessário que a maioria dos concelhos de Portugal tivesse praças-de-touros para que a tourada fosse considerada tradição em Portugal.

julio machado vaz webO Júlio Machado Vaz, que hoje ouvi defender publicamente (implicitamente) a proibição das touradas em nome do alegado “sofrimento do touro”, é o mesmo Júlio Machado Vaz que fez campanha a favor da legalização do aborto gratuito pago pelo Estado (ou seja, abortos pagos por todos os portugueses).

Quando se trata do sofrimento de um ser em que já bate um coração, o Júlio Machado Vaz “chuta para canto”, porque entra em dissonância cognitiva, por um lado; e por outro lado porque ele adopta uma agenda política tenebrosa que pretende substituir uma série de tabus tradicionais e seculares por outros tabus anti-naturais.

Neste caso, o Júlio Machado Vaz (e a Esquerda em geral) pretende substituir um tabu tradicional, que eticamente impede o aborto, por um novo tabu que proíbe a tourada (eliminando o tabu do aborto da cultura antropológica). O Júlio Machado Vaz sabe que uma cultura sem tabus é um círculo quadrado; e por isso sabe que é imprescindível substituir os tabus tradicionais por outros tabus que permitam (ou que facilitem) o assalto totalitário ao Poder.

Este fenómeno político e cultural, de que é exemplo o Júlio Machado Vaz, ganhou um nome nos Estados Unidos : Virtue signalling”. Traduzindo em português: “Sinalização de Virtudes”. No fundo, trata-se de um tipo de puritanismo hipócrita que, na esteira cultural da Reforma protestante, se caracteriza por uma “guerra” contra a tradição.

Os esquerdistas actuais são os herdeiros culturais de Lutero e/ou Calvino. “Nietzsche, o grego; Karl Marx, o cristão protestante” (Albert Camus).

« Os puritanos detestavam os combates de ursos, não porque esses jogos causassem sofrimento aos ursos, mas porque davam prazer aos espectadores. »Thomas B. Macaulay 

Esse puritanismo hipócrita, de Sinalização de Virtudes e anti-tradicionalista que esteve sempre presente na cultura europeia cristã através do gnosticismo anti-cristão, evoluiu para o gnosticismo puritano moderno.

Ernest Sternberg, professor da universidade de Bufallo, Estados Unidos, escreveu um ensaio sobre as novas tendências da Esquerda a nível global que crescem actualmente sobre os escombros do marxismo-leninismo. O ensaio tem o título genérico de “Purifying the World: What the New Radical Ideology Stands For”“Purificando o Mundo: O que pretende a nova ideologia radical”.

Ernest Sternberg chama ao novo tipo de esquerdismo (renascido do marxismo cultural) que desponta e se organiza a nível internacional, de “Purificacionismo” (trata-se de uma religião monista !). O nome dado por Ernest Sternberg (Purificacionismo) está intimamente ligado ao movimento puritano inglês dos princípios da idade moderna, que Eric Voegelin descreve com uma minúcia surpreendente na sua obra “A Nova Ciência da Política”.

Sábado, 5 Maio 2018

A hipocrisia do movimento ‘feminista’ #metoo

 

Não sou que o digo: são mulheres intelectuais (coisa rara, aliás).

Desde logo uma conferência no Hillsdale College (Michigan, EUA) conduzida por Heather Mac Donald. Podem ver aqui a conferência toda, e em baixo um extracto da dita.

 

Vemos aqui uma intervenção pública da inglesa Melanie Philips acerca do mesmo assunto. E a professora universitária canadiana Janice Fiamengo faz a crítica do movimento #metoo e até do feminismo. E isto para não falar na crítica da feminista (de segunda geração) Germaine Greer ao movimento #metoo.

Mas, em Portugal, vemos mulheres estúpidas — por exemplo, uma tal Ana Sousa Dias — que escrevem nos me®dia e fazem a apologia do #metoo.

Sexta-feira, 4 Maio 2018

“Melting pot” não é a mesma coisa que “multiculturalismo”

Filed under: cultura,cultura antropológica,multiculturalismo — O. Braga @ 2:31 pm

 

Temos aqui um texto que começa por uma falsidade, ou um princípio errado:

« Durante muito tempo os EUA foram conhecidos como um Melting Pot, querendo com isso dizer-se que havia lugar para todos viessem donde viessem, que todos eram bem recebidos e que a pouco e pouco as diferenças culturais se iriam esbatendo a favor da “nova realidade cultural” ».

A ideia — autêntico delírio interpretativo que desconstrói a História — segundo a qual “existe um histórico de acolhimento de todos os imigrantes nos Estados Unidos”, é falsa.

Embora todas as crianças que viajassem sozinhas, vindas da Europa, fossem acolhidas em Nova Iorque e posteriormente institucionalizadas, já o mesmo não se passava com todos os adultos que viajassem sem família: uma grande percentagem de adultos viu a sua entrada barrada pelos Estados Unidos durante o século XIX e a primeira metade do século XX. Muita gente teve que voltar para trás.

Portanto, é falsa ideia de que “havia lugar para todos viessem donde viessem”; mas faz parte da actual narrativa política que está na moda. E esta narrativa politicamente correcta não faz a distinção entre o conceito clássico de “migração”, por um lado, e a “migração massiva” actual, por outro lado. Durante os séculos 19 e 20, os imigrantes chegavam aos Estados Unidos a “conta-gotas”, por assim dizer — até porque não havia grande imigração vinda do México, entre outras razões porque a guerra com o este país (século XIX) ainda estava fresca na memória e na cultura dos americanos no início do século XX.

Portanto, durante o século XIX e até à primeira metade do século XX, a imigração vinda do México era mínima, e a maior parte dos imigrantes entrava por via marítima em Nova Iorque, em pequenas quantidades de cada vez, vinda (principalmente) da Europa. imigrantes-us-web


Também a definição de ‘multiculturalismo’ (naquele texto) é abstrusa: “teoria que advoga a necessidade de assegurar representação no espaço público – universidades, meios de comunicação, política – aos diversos grupos culturais”. Em termos práticos, não é isto que o multiculturalismo faz (a ‘representação’).

O Multiculturalismo é a preservação de diferentes culturas antropológicas, ou de diferentes identidades culturais, em uma sociedade unificada por intermédio do Estado.

Esta é a correcta definição de ‘multiculturalismo’.

Não se pode, por isso, falar de uma "nação multiculturalista”, mas antes de um “Estado multiculturalista”. O conceito de "nação multiculturalista" é contraditório em termos (um oxímoro).


Para que os Estados Unidos pudessem continuar a ser uma nação, houve sempre uma cultura dominante que moldava as culturas imigrantes (desde logo a questão da língua inglesa), independentemente da imigração (e por isso é que os Estados Unidos são um ‘melting pot’, e não um multiculturalismo). Ora, é essa cultura dominante dos Estados Unidos que está hoje a ser colocada em causa pelo marxismo cultural — como, aliás, se pode constatar com a leitura daquele texto.


A autora daquele texto confunde (propositadamente) ‘multiculturalismo’, por um lado, e ‘melting pot’, por outro lado. Em verdade, tradicionalmente, o melting pot significa ‘assimilação cultural por parte da cultura dominante’:

“Historically, it is often used to describe the assimilation of immigrants to the United States”.

Ora, no multiculturalismo, nenhuma das culturas antropológicas em presença sacrifica a sua existência em função de uma cultura dominante, e por isso não existe uma assimilação cultural em relação a uma cultura dominante. Portanto, é um erro dizer-se que “multiculturalismo é a mesma coisa que melting pot”, como se tenta dizer aquele texto.

Um dos erros da autora daquele texto consiste em conceber a possibilidade (atenção!: metáfora adiante!) de uma pequena aldeia onde se falem várias línguas muito diferentes entre si; ou seja, uma impossibilidade objectiva.
Karl Popper dá o exemplo da proficuidade cultural do império austro-húngaro, mas a verdade é que a cultura dominante daquele império falava alemão e tinha uma ética cristã — e ainda hoje, na Hungria, o alemão é uma segunda língua popular.

Por outro lado, o conceito ético de ‘universalismo moderado’ (expresso naquele texto) é um absurdo.

Para além da impossibilidade de se falarem diferentes línguas em uma pequena aldeia (metáfora, outra vez!), também é impossível a coexistência de diferentes códigos morais em uma pequena povoação.

Os valores da ética (em uma determinada sociedade) têm necessariamente que ser: 1/ universais, 2/ racionalmente fundamentados, 3/ intemporais, e 4/ facilmente reconhecidos (pelo povo) nas suas características principais.

Qualquer truncamento deste conjunto de quatro princípios não traduz qualquer tipo de universalidade dos valores da ética. Não existe tal coisa como “universalismo moderado”: ou existe universalismo, ou não — assim como não existe, por exemplo, “Islamismo moderado”: existe Islamismo, e ponto final.

Quarta-feira, 2 Maio 2018

O pequeno Alfie e o novo totalitarismo

 

goya- saturn-devouring-one-of-his-children-webQuem ler este artigo do Juan Manuel de Prada pensará que eu o copiei quando escrevi estoutro; mas a verdade é que eu escrevi o meu em uma data anterior.

« El asesinato del niño Alfie Evans ha servido para que, desde algunos ámbitos, se haya señalado la crueldad ensañada de una nueva forma de totalitarismo, que no tiene empacho en decidir sobre nuestra vida y nuestra muerte. Pero este enfoque nos parece erróneo, pues se acaba identificando el moderno Leviatán con formas de totalitarismo antañón, como el comunismo, que no tenían empacho en destruir vidas para llevar a cabo sus designios. Lo cierto es que el moderno Leviatán es mucho más maligno que aquellos totalitarismos antañones; pues, como nos recuerda el Evangelio, no debemos temer a quienes matan solamente el cuerpo, sino a quienes matan el cuerpo y el alma. »

Juan Manuel de Prada diz, com verdade, que o moderno leviatão destruiu já o poder paternal (o que é o mesmo que dizer “destruição do poder da família natural”), e que o assassinato do pequeno Alfie traduz a demonstração de um poder total sobre o cidadão por parte do novo Estado totalitário que se vai construindo na Europa sobre os escombros dos antigos totalitarismos do século XX.

“O leviatão moderno fez em fanicos o poder paternal mediante a anatematização do patriarcado e da conversão das escolas em corruptórios oficiais”.

É disto que fala, por exemplo, a deputada socialista Isabel Moreira quando diz que “o Direito deve ser anti-natural” (ver PDF): trata-se da construção de um novo totalitarismo que tende a separar total- e arbitrariamente a Natureza, por um lado, do Direito, por outro lado — e que pretende que se dê a um Estado plenipotenciário o poder de vida e de morte sobre os cidadãos.

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Sábado, 10 Março 2018

O feminismo e a destruição do masculino na cultura antropológica

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A tentativa de destruição simbólica do masculino na cultura antropológica — concertada pelo marxismo cultural, e perpetrada pelo feminismo aliado ao homossexualismo.

Sábado, 3 Março 2018

A Suécia dos esquerdistas e das feministas

Quarta-feira, 28 Fevereiro 2018

Podes tirar o negro da selva; mas nunca tiras a selva do negro

Filed under: África,África do Sul,cultura,cultura antropológica,Racismo — O. Braga @ 8:30 pm

 

Imagine o leitor o seguinte cenário:

Dado que a população não-branca de Portugal é (suponhamos!) de 2% do total da população do país, as empresas e o Estado não podem ultrapassar os 2% de empregados não-brancos. Trata-se de uma quota máxima estabelecida por lei para os negros e outras raças.

Este cenário é praticamente impossível na Europa — pelo menos, para já —; mas já se aplica na República da África do Sul.

Dado que a população europeia (branca) da África do Sul é de 8% do total, as empresas e o Estado só podem contratar (por lei) 8% de brancos.

Portanto, caro leitor, trata-se de racismo puro e duro, dos negros contra os brancos. O racismo negro é perfeitamente permitido pelo politicamente correcto (ou marxismo cultural). (more…)

Domingo, 18 Fevereiro 2018

A “música ligeira” está praticamente morta

Filed under: arte,cultura,cultura antropológica,música — O. Braga @ 5:12 pm

 

james-last-webDesde muito pequeno que me habituaram a ouvir a chamada “música ligeira”, que era uma espécie de versões de música ritmada instrumental e orquestrada de temas clássicos ou/e modernos, desde a música clássica até à chamada “música POP”.

Por exemplo, o meu pai comprou muitos discos do maestro francês Paul Mauriat que é um exemplo de um maestro de “música ligeira”, e eu habituei-me a ouvi-lo em casa e na rádio. Mauriat morreu em 2006.

Outro maestro muito divulgado e conhecido de “música ligeira” foi o americano Ray Conniff; morreu em 2002. De repente veio-me à memória o maestro francês de “música ligeira” Franck Pourcel; fui ver à Wikipédia: morreu em 2000.

Talvez o precursor da “música ligeira” e o mais antigo terá sido o maestro americano Percy Faith: faleceu em 1976. Billy Vaughn, outro maestro e compositor americano de música ligeira, faleceu em 1991. Finalmente, o maestro alemão de “música ligeira” James Last, nascido em Bremen (Alemanha) e residindo na Florida (Estados Unidos), deixou-nos em 2015.

Salvo esteja eu errado, o único espécimen ainda vivo da “música ligeira” é o pianista e maestro francês Richard Clayderman. Já não há mais ninguém.

A crise ou mesmo o desaparecimento da “música ligeira” reflecte a crise da música contemporânea que deixou de ter criatividade e não tem qualquer qualidade harmónica, por um lado, e por outro lado traduz a falta de educação dos nossos jovens no que respeita à chamada “música clássica” — porque a “música ligeira”, de certa forma, faz a simbiose (por assim dizer) entre a música clássica e a música contemporânea.

Quinta-feira, 25 Janeiro 2018

A CNN faz a apologia dos cornudos

Filed under: CNN,cultura,cultura antropológica,Esquerda,esquerdalho — O. Braga @ 10:58 am

 

Para a Esquerda, ser cornudo é muito fixe — a julgar pela opinião do canal de televisão progressista CNN.

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Ou seja, se já és cornudo, torna-te militante do Partido Socialista ou do Bloco de Esquerda; e se ainda não és cornudo, inscreve-te num desses partidos para teres a honra de um par de cornos.

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