perspectivas

Terça-feira, 4 Julho 2017

Nem homofobia nem merdofobia

 

Um estudo recente realizado com 120 homens heterossexuais revelou que a sua (deles) reacção fisiológica em relação à visão de dois gays a beijarem-se era o mesmo que a visão de vermes, ou da visão de fezes frescas.

Quando confrontados com a imagem de vermes, ou de fezes, verificou-se em todos eles um aumento de um enzima salivar chamado de Alpha-amylase, o que acontece quando sentimos nojo ou forte repulsa em relação a qualquer coisa, ou situação.

Ou seja, a imagem de dois gays a beijarem-se provocou (nos 120 homens) a mesma reacção fisiológica de uma imagem de merda.

O que mais surpreendeu os investigadores (pagos por organizações homossexualistas) foi que, mesmo os homens mais “tolerantes” em relação ao homossexualismo, reagiram fisiologicamente da mesma maneira, ou seja, com um aumento do enzima salivar Alpha-amylase — o que refuta definitivamente o conceito de “homofobia” ou de “pânico de defesa em relação a gay”:

“The finding provides more evidence that the so-called “gay panic” defense — the assertion that a person’s sexual orientation can “trigger” a crime against them — is bunk. The defense was used by the two men who beat, tortured and murdered gay student Matthew Shepard in 1998”.

Straight men’s physiological stress response to seeing two men kissing is the same as seeing maggots

 

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O nojo — a reacção fisiológica do aumento do enzima Alpha-amylase na saliva, e não só a reacção psicológica dita “merdofóbica” — que qualquer pessoa normal sente face à visão de um monte de merda, não é “merdofobia” ou “pânico de defesa em relação à merda”: tem a ver com o condicionalismo estético dos nossos sentidos.

O estudo coloca a hipótese segundo a qual, o facto de as pessoas, em geral, não gostarem da visão de um monte de merda é uma questão cultural. Ou seja, segundo o estudo, é possível que as pessoas sejam convencidas a gostar de ver e cheirar merda:

“Why do people low in prejudice still show an increased physiological response? We can’t say definitively, however, it could be that society has socialized the notion of same-sex sexuality and affection as being ‘disgusting’ or immoral so strongly, for so long, that merely witnessing it causes a slight physiological stress response. It would be interesting for future research to examine whether this physiological effect is more likely to be found in cultures that still evidence high levels of prejudice compared to those who have made more progress towards normalizing same-sex affection and sexuality.”

Ou seja, segundo o estudo, a repulsa que geralmente sentimos em relação a um monte de merda fresquinha é devida à socialização, ao longo de séculos, da noção de que a merda é coisa feia e repulsiva — o que significa que a repulsa em relação à merda é uma construção social.

Sendo que a repulsa em relação à merda é uma construção social, conclui o estudo que é possível convencer as pessoas de que ir à merda é esteticamente válido, e de que é possível que maioria da população passe a gostar de chafurdar na merda.

Algumas culturas são melhores do que outras

Filed under: cultura,cultura antropológica — O. Braga @ 12:06 pm

 

Quarta-feira, 10 Maio 2017

A razão por que a China tem um futuro, e a França nem sequer tem passado

 

« Il n’y a pas de culture française. Il y a une culture en France. Elle est diverse. »

Telle est la dernière sortie d’Emmanuel Macron, lors de son meeting dominical, tenu dans la capitale des Gaules. Le personnage étant ce qu’il est, nul doute que cette saillie puisse s’annoncer comme la première d’une longue série. En marche, qu’il est, le Macron…

Pour Macron, la culture française n’existe pas !


« Macau "tem um passado muito especial" e que é preciso "dar a conhecer aos estudantes a história e cultura chinesa, ou seja, o docente, tem que dar a conhecer o patriotismo aos estudantes", considerou.

"Temos de cultivar o amor à pátria, porque o amor à pátria não é só um ‘slogan’, tem de ser implementado", disse. »

"Número três" da China defende reforço da educação patriótica em Macau


A liderança chinesa defende o conceito de “pátria”; o presidente eleito de França renega o conceito de “pátria”.

A França do Macron não tem um futuro civilizado: reserva-se-lhe a barbárie em nome da “diversidade”.

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Quinta-feira, 30 Março 2017

A candura dos 90 anos do professor Adriano Moreira; ou, nós somos a actual contra-cultura

 

A própria União Europeia reconhece que são esperados 30 milhões de imigrantes africanos nos próximos 10 anos (já não falando dos imigrantes do Oriente Médio), e o professor Adriano Moreira escreve o seguinte:

imigrantes-policia-web“Como os conflitos armados desempenham uma causa motora do que acontece, transformar o Mediterrâneo num cemitério, e a região num tumulto, a pergunta para tal desordem, em face da tão complexa pirâmide de organismos internacionais que possuímos vinculados a servir a paz, sobressaindo o Conselho de Segurança, é a de saber quem realmente governa o mundo, não na vertente de proclamar valores, mas na capacidade de alimentar a desordem armada.

Os sintomas visíveis vão no sentido de que não são apenas os Estados e as suas organizações regionalizadas. O enfraquecimento da solidez interna da União, cada dia mais visível enquanto os debates partidários para as eleições que se aproximam comprovam a erosão do espírito dos fundadores, também a solidariedade atlântica não mostra a firmeza do passado, parecendo inspirar-se na crença de que Deus colocou o Atlântico a separar a América dos contágios europeus. É uma atitude monetarista tão longe do pensamento de Roosevelt como os divisionistas dos países da União estão das inspirações dos fundadores.

Dos que esqueceram as responsabilidades pelas duas Guerras Mundiais, esquecimento bem lembrado para evitar qualquer repetição. O ambiente suscita a questão de saber quem governa a desordem em crescimento, aceitando que não é possível negar a evidência, pelos efeitos, de que nem todo o poder pertence a centros políticos identificados e reconhecidos. A inidentidade alastra, tão premente quanto a desordem se instala”.


O professor Moreira parece não saber quem governa o mundo, ou, ¿quem governa a desordem em crescimento?

Quando o parlamento europeu coloca a hipótese de importação de 30 milhões de africanos nos próximos 10 anos, ficamos a saber, desde logo, quem “governa a desordem europeia em crescimento”: é a própria União Europeia. Qualquer entidade política idónea não colocaria sequer a hipótese de importação de carne para canhão em quantidades babilónicas.

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Estamos a ser governados por gente que perdeu o contacto com a realidade.

Convém que se diga ao professor Adriano Moreira que a filha dele (Isabel Moreira) já não pertence à contra-cultura.

Hoje, a contra-cultura somos nós, os que nos opomos a ela e à Esquerda em geral, e a uma certa “Direita” muito direitinha e a gosto do professor — aquela direitinha que não incomoda muito a filha de V. Exª.

A contra-cultura somos nós, os que nos dedicamos diariamente a minar a cultura do politicamente correcto e o marxismo cultural — utilizando os métodos de Saúl Alinsky, mas no sentido contrário.

Combatemos a cultura do globalismo caótico defendido pela ONU que o professor Adriano Moreira tanto estima. Aos 90 anos, o professor faz parte da cultura vigente e acomodada (tal como a filha dele), convencida da vitória final já conquistada e do fim da História; e nós, fazemos parte da contra-cultura que está a desconstruir a ficção presentista do politicamente correcto.

Sábado, 25 Março 2017

O efeito do feminismo na cultura europeia

São os nossos políticos que nos dão o exemplo da emasculação da nossa sociedade: uma sociedade composta por eunucos ou panascas é muito mais fácil de controlar.

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Sábado, 11 Março 2017

Involução

Filed under: A vida custa,cultura,cultura antropológica — O. Braga @ 11:47 am

 

A Helena Matos pergunta se Darwin tinha razão.

evolution-gay-web

Quinta-feira, 15 Dezembro 2016

O “eunuco espiritual”, segundo Eric Voegelin

 

Na sua obra “História das Ideias Políticas”, Eric Voegelin explica-nos aquilo que ele chama de “eunucoidismo espiritual”. Vou tentar traduzir aqui esse conceito, segundo Eric Voegelin. Os trechos a itálico reflectem a terminologia do próprio Eric Voegelin.

Com o positivismo, a ciência adquiriu a característica de um pathos (do grego, “paixão”) de autonomia e auto-confiança (ou pathos cientificista), que deriva da verificação da causalidade empírica dos fenómenos. Se uma determinada relação causal fenoménica é constatada pela ciência, esta adquire essa auto-confiança que não existe naturalmente na condição existencial do ser humano.

A condição existencial, natural e normal do ser humano, é a da incerteza; em contraponto, a condição normal da ciência positivista é da “certeza” em função da verificação  empírica  da causalidade de parte dos fenómenos , e de uma auto-confiança que essa “certeza” lhe dá ― pelo menos é assim que a “verdade” da ciência é interpretada pelo eunuco espiritual.

Contudo, o que a ciência e o método positivista não fazem é a pesquisa sobre as “causas primeiras”, ou seja, aquelas causas em relação às quais não existem verificações empíricas de causalidade; essa pesquisa pertence exclusivamente à filosofia. Por exemplo, quando dizemos que “a soma dos ângulos internos de um triângulo é sempre de 180 graus”, a ciência apenas se limita a constatar o axioma (ou a intuição) tal qual ele se nos apresenta (“axioma” “a causa primeira”), sem poder explicar por que é que o axioma existe (a ciência não pode explicar a causa do axioma).

O axioma é assim, por que é ― existe porque existe, e sem qualquer outra explicação de índole causal.

Sem poder explicar as causas primeiras, a ciência transfere a sua precária auto-confiança ― que lhe advém da verificação empírica da causalidade de uma parte dos fenómenos ― para a dimensão existencial do Homem. Assim, o Homem substitui a sua natural e normal condição de incerteza existencial pela “certeza” que alegadamente a ciência lhe traz. Trata-se de uma crença. Através das “certezas” da ciência, o Homem passa a acreditar que a sua existência deixou a incerteza primordial e natural, e passou ela própria (existência decorrente da vida humana) a fazer parte das “certezas” e das “verdades” da ciência.

Esta é a origem do novo ateísmo de Richard Dawkins e do eunucoidismo espiritual do Homem moderno.

eric_voegelinOs eunucos espirituais pensam que, na medida em que a ciência parte de um princípio metodológico acerca das “certezas” já por si adquiridas ― por exemplo, da lei da gravidade ―, esse princípio metodológico científico (a causalidade empírica) pode ser aplicado, de igual modo, no âmbito dos problemas da existência individual e colectiva humanas. A verdade é que muitos cientistas pensam desta mesma maneira, o que faz com que o eunucoidismo espiritual não seja uma característica de uma determinada classe social, mas antes é uma força social.

Esse pathos cientificista assumiu-se como uma força social que atravessa todas as classes sociais, penetrou nas instituições educacionais da sociedade, e não pode ser quebrada facilmente ― se é que pode ser quebrada. O problema já não é, portanto, uma questão de simples ignorância. Se a crença em uma auto-suficiente ordem da existência realizada através da ciência se entrincheirou na sociedade, essa crença transforma-se numa força que evita e nega o cultivo da substância humana e corrói ainda mais os elementos sobreviventes da tradição cultural.

Em consequência do pathos cientificista, a preocupação com a ciência e a posse do conhecimento científico transformaram-se num processo de legitimar a ignorância no que respeita a todos os problemas que jazem para além da ciência dos fenómenos. Assim, em paralelo com as descobertas da ciência, aumenta a ignorância das massas em relação aos problemas da existência humana.

O pathos cientificista traduz-se em um desastre civilizacional, porque na realidade, o conhecimento sobre o ordenamento da existência não pode ser adquirido através da aquisição do conhecimento no sentido fenomenológico ― antes, a compreensão do ordenamento da existência exige uma formação da personalidade através de um processo de educação através das instituições que se criem (ou que já existam) para o efeito.

Os portadores activos do pathos cientificista serão homens deficientes no que respeita aos dons da substância espiritual humana, e a penetração na sociedade do pathos cientificista cria um ambiente que favorece o sucesso social do eunuco espiritual.

Assim, o avanço da ciência e o crescimento do factor racional-utilitarista são acompanhados por uma re-estratificação da sociedade que não pode já ser expressa em termos de classes sociais. Esta re-estratificação da sociedade através do pathos cientificista gera os seus próprios mecanismos de valoração, de prestígio e de sucesso social que alcandora o eunuco espiritual ao estatuto de paradigma cultural.

« Sem o efeito de prestígio do cientificismo, os grandes escândalos intelectuais que decorrem de fenómenos de sucesso social como o positivismo, o evolucionismo darwinista, ou o marxismo, seriam impensáveis. »

― Eric Voegelin

Domingo, 11 Dezembro 2016

A Esquerda aliou-se à Direita para legalizar a poligamia

Na Austrália, como acontece também em Portugal, uma mãe solteira recebe mais do Estado, por cada filho que tenha, do que se fosse casada. Portanto, compensa ser mãe solteira; e parece que o Estado incentiva a ausência do pai.

É sabido que, em alguns países de maioria islâmica, é normal que os muçulmanos pratiquem a poliginia; e existe uma substancial imigração muçulmana na Austrália. A SS (Segurança Social) australiana, no sentido de pagar menos por cada criança nascida de mãe muçulmana, assumiu tacitamente a legalização da poligamia para que assim poder pagar menos por cada criança de uma família muçulmana polígama.

“CENTRELINK is ignoring Islamic polygamy, paying spousal benefits to Muslim families with multiple wives in an effort to save taxpayers’ money.

The welfare agency has revealed it refuses to collect data on polygamous marriages under Islamic law, despite the fact some families are claiming to be living in a domestic relationship with more than one woman when claiming welfare”.

Centrelink ‘legalises’ multiple Muslim wives

foto-em-familiaVemos que, na origem da “legalização forçada” da poliginia,  estão três aspectos eruptivos da cultura ocidental:

1/ a ideia de esquerda marxista segundo a qual se deve beneficiar a mãe solteira em relação à mãe casada (Engels e o matriarcado);

2/ a ideia de direita liberal segundo a qual a poupança das despesas do Estado justifica qualquer atropelo à lei, ao senso-comum, ao bom senso e à cultura antropológica ocidental;

3/ a ideia da esquerda marxista cultural e da direita liberal segundo a qual os apoios do Estado às crianças são dadas a indivíduos, e não a famílias.

Portanto, para pagar menos à mulher por cada filho, a SS (Segurança Social) australiana reconhece tacitamente a legalidade da poliginia. Isto significa que várias mulheres vivendo sob o mesmo tecto maritalmente com um só e mesmo homem, todas elas recebem os subsídios “legais” do Estado como se fossem legalmente casadas com ele.

O problema está no ênfase dado pelo Estado ocidental ao indivíduo, desprezando a noção de família natural cristã que pressupõe uma igualdade no Direito Natural entre homem e mulher, por um lado, e por outro lado que a noção de família pressupõe o casamento segundo a civilização ocidental.

Sexta-feira, 26 Agosto 2016

Há sempre o risco de ser um “fassista”, contra ou a favor do burkini

Filed under: cultura — O. Braga @ 1:49 pm
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Antes de lerem este “post” do João Távora acerca do burkini, peço que leiam estoutro meu sobre o mesmo assunto; mas leiam-no devagar, cogitando cada conceito — por exemplo, o conceito de “religião” que, segundo o João Távora (erradamente), não tem nada a ver com as antigas viúvas aldeãs portuguesas vestidas de negro e com lenço na cabeça.

O conceito de “religião” é assim reduzido a uma espécie de ideologia que contenha em si uma qualquer ideia de transcendência “sobrenatural” que a ciência não controla; e neste sentido, não passaria pela cabeça do João Távora considerar o materialismo dialéctico e/ou histórico como uma religião (embora o materialismo dialéctico não faça parte da ciência porque não é falsificável). E é também por isso que muitos “intelectuais” da treta consideram o Budismo como uma filosofia, e não como uma religião, alegadamente porque (dizem eles) se trata de um monismo imanente (imanência).


Foi Eric Voegelin que cunhou o termo “religião política” que caracterizou, por exemplo, os jacobinos, o romantismo do Positivismo, o marxismo, etc.. Até o ateísmo é uma espécie de religião desprovida de ritos comunitários, mas que inclui um conjunto comum de crenças que compreendem um aspecto subjectivo (o sentimento religioso da crença racionalista ou romântico-positivista). O empirismo e o puritanismo são duas faces da mesma moeda (o que justifica o puritanismo dos republicanos de 1910).

No fim da década de 1970, cheguei a ver homens e mulheres fisicamente separados (mulheres à direita, homens à esquerda na igreja), nas missas católicas em uma aldeia de Trás-os-Montes. Era o costume, dizia o povo; “que não tinha nada a ver com o Padre”. Portanto, é impossível separar os costumes, a moral, a ética, a estética, a metafísica, e portanto, a religião (ou “religiosidade” como soe moderno e prá-frentex dizer-se), da cultura.

burqui

O problema do burkini vestido por uma mulher islâmica (sublinho: islâmica) é o seu símbolo — é aquilo que o burkini simboliza através da cultura islâmica. Esse símbolo tem uma representação que é repugnante e que nunca existiu — nos mesmos moldes — na cultura europeia desde a Antiguidade Tardia.

Neste caldo de culturas em França, há duas possibilidades:

  • ou o burkini não é proibido, e as raparigas de raiz familiar islâmica passam a ser publicamente coagidas pela cultura islâmica a considerarem-se a si mesmas ontologicamente inferiores (de acordo com a ideologia política islâmica);
  • ou então o burkini é proibido e o laicismo transforma-se em uma religião de Estado em França, à maneira da ex-URSS.

Há uma terceira possibilidade, que não digo agora, porque não me apetece ser apodado de “fassista”.

Segunda-feira, 22 Agosto 2016

O burkini até poderia entrar na moda

Filed under: cultura — O. Braga @ 12:10 pm
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O poeta André Gide dizia que “o importante não são as coisas, mas a forma como olhamos as coisas”. E quando pensamos que os costumes (a moral) nada tem a ver com qualquer religião, é porque a sua relação com a religião é negativa.

Vemos aqui em baixo duas imagens: o burkini, e o fato de banho típico da década de 1920.

burkini-1920

O problema é o de que o burkini tem uma conotação religiosa, e aparentemente o fato feminino de 1920 não tem essa conotação; mas tinha. Todo e qualquer costume tem uma conotação religiosa, seja esta negativa em relação a uma religião predominante ou histórica, seja positiva em relação a uma forma religiosa emergente (que pode ser uma religião do não compromisso religioso, uma metafísica negativa).

Conforme escreveu Fernando Pessoa, “só as raças vestidas dão valor à beleza do corpo”.

Portanto, o que realmente incomoda não é a indumentária do burkini: é, em vez disso, o anacronismo do Islão que considera a mulher ontologicamente inferior.

E o problema é que eu não tenho a certeza de que andar de monoquini numa praia é mais civilizado do que andar de burkini. Não tenho a certeza de que o nudismo é sinal de “civilização”. Não fosse o anacronismo do Islão, o burkini até poderia “virar” moda.

Quinta-feira, 28 Julho 2016

Kant e a beleza

Filed under: cultura — O. Braga @ 11:46 am
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“Silvana Lima é a melhor surfista do Brasil e foi duas vezes vice-campeã do mundo. Apesar disso, como não é “bonitinha”, não consegue patrocínios.

A sexualização feminina é muito comum. Enfatiza-se atributos que estimulam a atracção sexual no sexo oposto e usa-se esses atributos para avaliar as mulheres. As mini-saias das jogadoras de ténis, as poses sugestivas das raparigas nos anúncios e a atenção dispensada à roupa da ministra ilustram esta prática que muitos dizem ser machista. Ironicamente, o machismo está no diagnóstico”.

Ludwig Krippahl

Kant define o “belo” como “o que agrada universalmente, sem conceito (“Crítica do Juízo”, §9); e, por isso, distingue a beleza livre (por exemplo, a beleza de uma flor), que não pressupõe nenhum conceito, e a beleza aderente (por exemplo, a de uma mulher ou de um edifício) que pressupõe o conceito daquilo que a coisa deve ser. A beleza aderente não é um juízo de gosto propriamente dito, porque supõe o conceito daquele gosto que deve ser válido: é, em vez disso, um conceito de gosto construído por critérios intelectuais (me®dia, elite intelectual e as elites em geral, etc.).

Por isso, Kant diz que “a beleza é a forma da finalidade de um objecto, na medida em que é nele (no objecto) percebida (a beleza) sem a representação de uma finalidade”.

Ou seja, a beleza não se identifica necessariamente com o útil (a finalidade), embora o útil esteja já incluído na beleza em situação valorativa subalterna. Toda a gente (ou quase toda a gente) está de acordo sobre a validade do juízo aderente ou juízo intelectual acerca da beleza, mas o juízo do gosto ou beleza livre não tem necessidade do juízo intelectual. O senso comum acerca da beleza é apenas uma norma ideal que depende da cultura intelectual de cada época: em uma época de cultura intelectual miserável, como é a nossa, o senso comum acerca da beleza também é miserável.


Há que distinguir entre a intuição da beleza, por um lado, e o instinto sexual (masculino, por exemplo), por outro lado.

Intuição (que é uma forma de inteligência) e instinto não são a mesma coisa. O Ludwig Krippahl confunde as duas coisas. A intuição do belo não pressupõe a sua finalidade e utilidade; mas o instinto sexual não pressupõe outra coisa; a intuição do belo não pode ser manipulada pelas elites: ou é clara na consciência do Homem, ou está obnubilada pela cultura intelectual através do belo aderente do “deve ser assim e não de outra forma”.

O Ludwig Krippahl diz que a Silvana Lima “apesar de ser campeã (ou por causa disso), é sexualmente menos atraente do que uma rapariga bonitinha que não faça nada de jeito”.

Mas o juízo de beleza a que se refere o Ludwig Krippahl é o da beleza aderente, e não a da beleza livre; ele refere-se a um padrão de beleza “que deve ser”, fabricada pelas elites intelectuais do nosso tempo. A beleza aderente é determinada pela cultura antropológica imposta, pela propaganda persuasiva dos me®dia, pelas elites em relação às massas.

silvana-lima

Podemos ver na Silvana Lima a beleza livre (uma beleza exótica, até!) de que nos fala Kant. É a simetria e a harmonia das formas que define a beleza, e não os elementos e detalhes secundários do corpo. É evidente que a atracção sexual (o instinto) é, em grande parte, determinada pela beleza aderente (a da cultura antropológica imposta pelas elites) que é aquela que “deve ser válida”; mas qualquer pessoa com intuição mínima sabe imediatamente que a Silvana Lima é bela.

Quinta-feira, 21 Julho 2016

O João César das Neves não percebeu tudo; ou faz de conta

Filed under: cultura — O. Braga @ 9:48 pm
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O João César das Neves escreveu:

“¿Por que razão então a Europa e os Estados Unidos são vistos como inimigos figadais [do terrorismo islâmico]?

O motivo é cultural, não político ou militar. O maior inimigo dos fundamentalistas islâmicos não é o governo norte-americano, mas o seu cinema; não são os EUA ou a União Europeia que os atingem, mas o laicismo ocidental, o seu consumismo, promiscuidade, liberdade de expressão e hábitos religiosos, familiares, de vestuário, alimentação e tantos outros. Esses são os adversários que eles abominam, precisamente por serem tão atraentes. O Ocidente é execrado porque se insinua de forma imparável na vida e costumes das populações muçulmanas, algo que esses extremistas consideram inaceitável. E reagem da única forma que sabem, gerando o terror.”

Nas décadas de 1930, 1940, 1950 e 1960, muitos países islâmicos tentaram separar o Islão e o Estado — por exemplo, o Egipto, a Jordânia, a Síria, o Líbano, a Pérsia (hoje Irão), Argélia, Marrocos, Tunísia, Turquia, entre outros. Naquele tempo (e não vai há muito), a cultura ocidental era vista com bons olhos pelo mundo islâmico, e muitos países islâmicos adoptaram uma tentativa de secularização (e não “laicização”, como diz o João César das Neves) da sociedade nos seus países.

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Com o chamado pós-modernismo (principalmente a partir de Maio de 1968), a cultura intelectual ocidental mudou, e com ela foi mudando a cultura antropológica (por Trickle-down Effect), mas para bem pior. Em nome de uma pretensa “liberdade”, o Ocidente entrou pelo libertinismo adentro. Mas este libertinismo não é isento de uma determinada ordem social que é negativa: tenta apenas e só destruir a ordem social anterior. Hoje já não podemos falar propriamente de uma “civilização ocidental”.

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O divórcio entre as culturas islâmica e ocidental também ocorreu com a Rússia do Cristianismo Ortodoxo; e países como a Hungria, a Polónia, Eslovénia, Sérvia e os países bálticos (e até o Japão), mantêm sérias reservas em relação à actual cultura antropológica da maioria dos países ocidentais.

O fenómeno de recusa da influência actual cultura antropológica ocidental não é apenas uma característica dos países islâmicos.

Por detrás da propagação da actual cultura antropológica decadente — através me®dia controlados pelo poder do dinheiro — está a plutocracia internacional em um certo encontro de vontades com uma certa Esquerda dita “marxista cultural” (Bloco de Esquerda, alas esquerdas do Partido Socialista e do Partido Social Democrata).

O “choque de civilizações” entre o Islão e o Ocidente, no sentido estritamente cultural, é relativamente  recente.

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As sociedades europeias mudam agora rapidamente para matriarcados desestruturados, e sustentados pelo Estado, negando o patriarcado moderado anterior à “revolução sexual” do pós-modernismo — patriarcado moderado esse que os muçulmanos tinham adoptado como uma via plausível para escapar ao patriarcado radical estipulado pelo Alcorão.

A sociedade europeia caminha rapidamente para o predomínio de um matriarcado alimentado por um Estado plenipotenciário; os atributos tradicionais da masculinidade são não só negados, mas mesmo condenados à exclusão cultural — o que torna as sociedades mais fracas e totalmente dependentes do Estado.

A cultura islâmica poderia ter entrado por uma espécie de “Iluminismo”; mas a decadência ética e moral da cultura antropológica ocidental fez com que o Islão mais retrógrado e bárbaro encontrasse argumentos para predominar na maioria dos países islâmicos.

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