perspectivas

Sábado, 16 Maio 2015

O feminismo sofisticado é o mais perigoso

Filed under: cultura,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 8:11 am
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Depois de ver este vídeo acima, o leitor em geral tenderá a ser tomado pela emoção transmitida pelo tipo de encenação teatral típica do feminino. Mas aqui não estamos a falar de qualquer mulher: trata-se da juíza americana Lynn Toler a passar um bigode a um réu — ou seja, trata-se de uma mulher que ascendeu a um cargo que seria impensável a uma mulher assumir há apenas trinta anos.

Não se trata aqui de um feminismo explícito e “hard core” do tipo jugular, que é muito mais fácil de combater porque não se esconde por detrás de conceitos culturais que são hoje considerados «démodés»; o feminismo de mulheres como o da juíza Toler é mais sofisticado, porque exige do homem actual aquilo que ele era em uma época em que a mãe dela cozinhava em casa para a prole. Os dois tipos de feminismo — o do jugular e o da juíza Toler — obedecem contudo ao mesmo princípio de ordem cronológica que podemos ver na imagem aqui em baixo.

feminismo

Convém dizer, acerca da encenação histriónica de superioridade moral feminista da juíza Toler, o seguinte:

(more…)

Sábado, 9 Maio 2015

“A mãe é igual ao pai!”

Filed under: cultura — O. Braga @ 11:42 am
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Women-in-Soviet-PropagandaVivemos em uma sociedade a defende a ideia segundo a qual “a diversidade é essencial à felicidade”, mas impede de facto a diversidade.

Não se trata de um apanágio da direita ou da esquerda, mas de ambas: a esquerda, por uma questão de utopia, e a direita, por uma questão pragmática. Se juntarmos o pragmatismo económico da direita à utopia da esquerda obtemos um contra-senso.

As condições políticas da actualidade — com a esquerda e a direita que temos — favorecem o individualismo exacerbado; mas são instáveis. Instabilidade e individualismo ligam-se hoje, como aconteceu também na Grécia antiga e no Renascimento. Como sempre aconteceu na História, não é possível ter “sol na eira e chuva no nabal”. É necessário um sistema social estável, mas até hoje todos eles foram, até certo ponto, obstáculo à expressão do mérito individual.

¿Até que ponto podemos suportar o assassínio e a anarquia como os do Renascimento?

¿Como podemos suportar o actual holocausto do aborto em nome de uma alegada “autonomia da mulher”, e como podemos suportar a instabilidade anárquica que mina o futuro da nossa sociedade?

Não se encontrou a solução para este problema, e penso que nunca se encontrará. Temos que optar por uma coisa ou por outra.

mulher-dinheiro

Neste contexto, acho que este texto do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada é auto-contraditório, ou no mínimo ambíguo. Ou pelo menos não pretende enfrentar “de caras” o politicamente correcto. O Padre parece optimista, enquanto sou céptico em relação à “evolução da natureza humana”.

Concordo com a ideia de que uma verdadeira dona-de-casa — vulgarmente conhecida por “mulher doméstica” — só o pode ser hoje plenamente se for instruída e culta e, por isso, estar consciente da sua importância. Quando uma pessoa se cultiva, deixa de obedecer facilmente aos mimetismos culturais, e a mulher não é excepção. Mas o que temos hoje não é instrução nem educação: é lobotomia cultural patrocinada tanto pela esquerda marxista como pela direita neoliberal, cada uma à sua maneira.

Sábado, 2 Maio 2015

Júlio Machado Vaz e o machismo no Porto Canal

 

Ontem passei pelo Porto Canal e vi, mais uma vez, o curandeiro Júlio Machado Vaz a zurzir na religião revelada. Desta vez dizia que a culpa do machismo é do Génesis e da história de Adão e Eva.

julio machado vaz webOu seja, para Júlio Machado Vaz, a alegoria de Adão e Eva não é um efeito da realidade, mas antes é uma causa dela. Fica por explicar o machismo entre os índios americanos, por exemplo, que diziam que os homens cobardes eram parecidos a squaws; ou o machismo dos indianos, tanto hindus como budistas; o machismo dos incas, astecas, maias, dos índios da Amazónia, dos zulos da África do Sul, dos berberes antes do Islão, o machismo de Confúcio, o machismo do xintoísmo, etc..

Gente como Júlio Machado Vaz — que inclui, por exemplo, os naturalistas do Rerum Natura — tem duas características principais: primeira, fala muitas vezes do que não sabe e “arrota” amiúde “postas de pescada”. Segunda, tem um pensamento mágico característico das épocas anteriores às religiões reveladas; os nexos causais da Natureza são como “mágicos”, surgem sem uma razão suficiente e valem apenas por si.

E como o mundo se reduz a uma espécie de “magia moderna” sustentada por uma qualquer teoria sancionada pelo paradigma do Zeitgeist, a realidade tende a ser subjectivizada (tal como acontecia no neolítico). Através da subjectivização da realidade, esta é compartimentada, e a parte considerada como sendo o todo; e só assim se compreende que Júlio Machado Vaz defenda a ideia de que a culpa do machismo é do Génesis.

Se o Porto Canal colocar um contraditório com Júlio Machado Vaz, verificará que ele foge a sete pés. Quando quiserem acabar com o programa, sugiram o contraditório: Júlio Machado Vaz vai logo para casa fazer croché.

Sexta-feira, 1 Maio 2015

O arquétipo mental do Ricardo Araújo Pereira

 

“Quando falamos em abolição da tauromaquia todos sabemos que a mesma está nas mãos dos políticos. Políticos esses que são na sua grande maioria corruptos e tal como se vendem ao grande capital, também se vendem à máfia tauromáquica, máfia esta que tem muito poder porque grande parte de ministros e de deputados têm ligações ou pertencem a famílias tauromáquicas. Os tentáculos são mais que muitos e a única solução passa ou por mudar quem nos governa através de eleições ou por uma revolução”.

Os Bastardos da Nação

Aquele texto delirante traduz o “pensamento” — ¿será que ele pensa? — do Ricardo Araújo Pereira. Tudo se resume a uma frase de Hitler que essa gentalha adoptou: “Alles muss Anders sein!”.

Os novos puritanos, como o Ricardo Araújo Pereira, não condenam a tourada por causa do touro, mas antes porque dá prazer aos espectadores, e assume que esse prazer pelo espectáculo está ligado a um determinado tipo de cultura antropológica que é preciso banir em nome da construção do “Homem Novo”.

Naturalmente que neste contexto, “a tourada está ligada ao grande capital”. Quando a tourada à moda portuguesa surgiu em finais do século XVII, alegadamente “já existia o grande capital”. É assim que estas mentes anquilosadas “pensam”.

O Ricardo Araújo Pereira não tem culpa: quem é culpado é quem lhe dá a atenção que ele não merece.

A revolução do Ricardo Araújo Pereira e de quejandos passa pela mudança de tabus: por exemplo, a tourada terá que ser considerada tabu, mas levar no cu ou abortar à fartazana deixam de ser tabus e passam a ser vitórias da humanidade: é o Homem Novo que desponta triunfante no Fim da História!

Sexta-feira, 24 Abril 2015

A decadência da democracia

Filed under: cultura,Política — O. Braga @ 5:46 am
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Um candidato socialista espanhol às próximas eleições aparece nu nas redes sociais e em painéis de rua (outdoors), apenas com uma rosa a tapar as partes pudibundas.

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“Este miércoles han aparecido colgados por las calles del pueblo carteles con una fotografía de Luis Alberto totalmente desnudo y con sólo una rosa roja tapándole los genitales. El candidato aparece señalando con el dedo al frente y sobreimpresionado puede leerse el siguiente lema: “Soy mejor que tú y lo sabes”. Además, ha publicado otra versión del cartel en el que aparece de espaldas (de nuevo una rosa le tapa el trasero) y señala su espalda donde se puede leer: “No cuentas en Suiza, ni en Andorra, ni tarjeta black, ni me tocó la Lotería de Navidad del feriante”.”

Não tarda nada vamos ver nas ruas das cidades portuguesas painéis com uma versão estática do “Bearback Mountain”, com o Sampaio da Névoa a montar o Monhé das Cobras.

Nuno Markl e Ricardo Araújo Pereira: dois pacóvios anormais armados em espertalhões

dois-pacovios

Comunicado da ProToiro:

“Nuno Markl e Ricardo Araújo Pereira surgiram num vídeo ( http://bit.ly/video_Markl_RAP ) da ANIMAL fazendo afirmações demagógicas que promovem falsidades e preconceitos contra a cultura taurina e os milhões de aficionados portugueses.

A Rádio Comercial surge nesta campanha pelo que pedimos que entrem no Facebook da Rádio Comercial em https://www.facebook.com/RadioComercial e deixem o vosso protesto, respeitoso, sobre a presença irresponsável desta marca na campanha e porque vão deixar de ouvir a Comercial.

picassoA primeira mentira tem que ver com o facto de que os “supostos” apoios milionários, que estes grupos anti-taurinos, falam não passarem de uma completa invenção. O próprio Ministério da Agricultura respondeu ao Bloco de Esquerda, no parlamento português, afirmando categoricamente que “Não existe qualquer apoio que seja atribuído aos touros de lide”, tal como o IAFP, organismo responsável pela atribuição de apoios agrícolas, confirmou não existir qualquer programa de apoio à tauromaquia.

A Tauromaquia movimenta milhões de portugueses anualmente e é tutelada pela cultura e, ao contrário do teatro, da música ou do cinema, não recebe um cêntimo do estado central. É a actividade cultural que mais retorno dá às autarquias e a única que se auto-sustenta. Além disso, esta é uma actividade cultural que cria riqueza, emprego e lucro para o estado, através dos impostos directos e indirectos que gera.

Segunda, toda presença de menores na prática do toureio é feita dentro dos preceitos da lei. Além do mais, as touradas são parte integrante do património da cultura portuguesa, sendo assim consideradas também pelo Estado português. Logo, cabe ao Estado a obrigação de promover o acesso de todos os cidadãos à cultura, tal como não pode deixar de suceder com as corridas de toiros. Razão pela qual os menores têm todo o direito de aceder à cultura taurina, cabendo ao pais a decisão de que espectáculos culturais frequentam os seus filhos.

Entretanto esta Federação vai pedir esclarecimentos à Media Capital, empresa detentora da Rádio Comercial, sobre o envolvimento desta marca nesta campanha lamentável. Enviem o vosso protesto para sec.administracao@mediacapital.pt e aitavares@mediacapital.pt.

A ProToiro, Federação Portuguesa de Tauromaquia, lamenta que duas figuras públicas venham de uma forma tão leviana, demagógica e irresponsável, promover preconceitos taurofóbicos sobre os milhões de portugueses que vivem e amam livremente a sua cultura.

PROTOIRO
Federação Portuguesa de Tauromaquia”

Quinta-feira, 23 Abril 2015

Ainda sobre as esguichadelas das mamas lactantes: a civilização regrediu a olhos vistos

Filed under: cultura — O. Braga @ 8:56 pm
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A minha avó era professora primária ainda antes do Estado Novo (e a minha bisavó foi professora primária ainda no tempo da monarquia) e ouvi contar que as suas (delas) empregadas domésticas com filhos bebés faziam pausas (pagas!) no trabalho para os amamentar —  e tudo isto era considerado natural e normal: ninguém reclamava um desconto pela pausa da trabalhadora.

Hoje falamos em “progresso” do tempo actual, mas há muitas coisas em que houve um real retrocesso, nomeadamente nas relações entre as pessoas e na importância excessiva e mesquinha que hoje se dá ao dinheiro.

A amálgama da Helena Matos

Filed under: cultura — O. Braga @ 6:01 pm
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Hoje está na moda, em França, utilizar na política o substantivo “amálgama”: sempre que o governo socialista francês mistura coisas que não são misturáveis (e fá-lo muitas vezes), a oposição fala em “amálgama”.

É também o caso da Helena Matos: faz aqui uma amálgama quando compara, por exemplo, uma rectoscopia, por um lado, e uma “aspersão láctea mamilar” — “amálgama” porque a gravidez não é uma doença e a amamentação não é uma patologia.

Parece que a Helena Matos considera a gravidez uma doença e a amamentação uma patologia que deve ser verificada pelo Estado para justificar uma falta ao trabalho.

Para ela parece ser igual que um indivíduo vá fazer uma rectoscopia para verificação de um cancro na próstata que justifique um estado de incapacidade para o trabalho, ou que uma mãe faça esguichar as tetas em frente a um médico para provar que ela está a amamentar e que merece uma hora de folga por dia (ou coisa que o valha). Para ela parece ser tudo uma questão de doença.

Esta amálgama é confrangedora e está em contradição com as medidas de apoio à natalidade do governo de Passos Coelho: por um lado dizem que apoiam a natalidade, mas por outro  lado metem as mamas das mães de fora para provarem que estão a amamentar.

Decidam-se! Ou a amamentação é, por princípio, um direito que carrega em si mesmo um delito em potência (jus gentium), a vigiar pela ASAE ou por organizações afins do Estado; ou é por princípio uma virtude e um direito natural (jus naturale).

Terça-feira, 14 Abril 2015

O culto é a raiz de tudo

Filed under: ética,cultura,filosofia,Política — O. Braga @ 9:49 am
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“Ora, este é um dos pontos em que discordo da perspectiva de Rodrigo Constantino. Diz ele que devemos separar o autor, o criador, das opiniões políticas.

Que o actor pode ser um bom actor mas as suas opiniões desprezíveis. Certo, por sinal já pensei assim, hoje não. Não considero a possibilidade da separação entre as coisas, na medida em que vejo a pessoa como uma totalidade e como pertencente, para mais, a uma comunidade.

Não existe um indivíduo em parcelas, uma para a política, outra para o palco, outra para o dia-a-dia, etc. Tudo faz parte do todo. É também essa totalidade que tem de ser desmontada. E que não é, muitas vezes (para não dizer todas), pelos escritores liberais.”

Desconstruir a Esquerda caviar

Eu não sei quem é o Rodrigo Constantino (sou péssimo a fixar nomes), mas a julgar pelo trecho supracitado, também não concordo com ele.

Antes de mais temos que saber o que é um “bom actor”. Na arte (estética), como na ética, é difícil encontrar uma objectividade, e portanto um “bom actor” pode ser bom para o Constantino e não ser bom para mim.

É verdade que a neve é branca, mas já não é tanto verdade que “o actor é bom”. Temos que saber o que significa “bom”, e G E Moore ajuda-nos com a falácia naturalista.

Um indivíduo com icterícia veria a neve amarela, e para ele não faria sentido que se lhe dissesse que “a neve não é amarela” — a não ser que ele reconheça que tem icterícia. Uma pessoa pode padecer de uma “icterícia cultural” inconsciente e ver o mundo todo amarelo e convencer-se de que o vê de forma correcta. O “actor amarelo” do Constantino pode não ser o actor com cores normais.

A política expressa a cultura, e a cultura expressa o culto. O culto é a raiz de tudo. E o “actor amarelo” do Constantino — ou seja quem for — não deixa de se expressar segundo o seu culto. Ora, é o culto que pode estar objectivamente errado porque não tem em consideração o Absoluto. Um culto de uma pequena parte da realidade é um culto errado. Um culto de uma parte da realidade é doxa (opinião); um culto do Absoluto é episteme (sabedoria e conhecimento).

Uma coisa é o “actor amarelo” do Constantino que ama as coisas estéticas particulares que são belas, e por isso ele tem opinião; outra coisa, diferente, é amar a “beleza em si” que pertence ao Absoluto e que revela a objectividade da sabedoria e até do conhecimento (Platão).

É impossível separar o homem do seu culto. E é o seu culto que faz a sua cultura que, por sua vez, se reflecte nas suas opções políticas, estéticas e éticas.

Sábado, 11 Abril 2015

A civilização colide com o impulso

 

“Mãe, acabas de ferir os meus sentimentos!” ― frase pronunciada por um rapaz de 10 anos quando a mãe lhe pediu o favor de apagar o televisor e ir para a cama. Também uma psicóloga, recentemente, dava um conselho aos jovens num artigo de um jornal: «Se notas que sentes algo especial, não tenhas medo, liberta-te de tabus, corre para os seus braços e entrega-te totalmente. Só assim a tua vida será sincera e sem hipocrisias».

Reparem no pormenor: «sentir algo especial» é suficiente para justificar qualquer comportamento. E a sinceridade já não tem nenhuma relação com a verdade. Ser sincero, segundo a psicóloga, é sentir algo especial e não reprimir esse sentimento.

Educar os sentimentos

A civilização é sobretudo racionalidade, e esta é penosa.

Para o ser humano que fica mais civilizado apenas por um proceder obrigatório ou compulsivo, mais do que pelo sentir a racionalidade 1  da civilização, para ele a racionalidade é uma pena, e a virtude é um fardo quase insuportável ou até mesmo uma escravidão. Isto leva a reacções no pensar, no sentir e no agir, como podemos ver no conselho politicamente correcto da psicóloga supracitada.

O homem civilizado distingue-se do selvagem pela capacidade de previsão, ou em aquilo a que os gregos antigos chamavam de Fronèsis (prudência): o civilizado aceita penas actuais por causa de benefícios futuros, ainda que esses benefícios possam estar distantes no tempo. Por exemplo, nenhum animal ou nenhum selvagem trabalharia na Primavera para ter alimento no Inverno.

A Fronèsis começa apenas quando o ser humano faz alguma coisa a que o impulso (ou instinto) não o obriga a fazer, porque a razão lhe diz que disso tirará proveito em data futura. A civilização colide com o impulso — não só através da Fronèsis que é colisão auto-inflingida, mas também através da lei, dos costumes e da religião.

Em geral, a Direita conservadora é civilizada, e a Esquerda é selvagem. A Esquerda representa a decadência da civilização, a selvajaria, porque coloca sistematicamente os impulsos e instintos acima da prudência.

Nota
1. Não confundir com “racionalismo”.

Segunda-feira, 6 Abril 2015

Theodore Dalrymple fala do caso do co-piloto Lubitz da GermanWings

 

O conhecido psiquiatra Theodore Dalrymple diz, acerca do co-piloto da GermanWings que despenhou o avião matando 150 pessoas (ele incluído), que o problema deste não tinha qualquer tratamento psiquiátrico possível porque se tratava de um problema de carácter.

Theodore Dalrymple corrobora a minha opinião expressa aqui anteriormente: grande parte — senão a maioria — dos problemas ditos “psiquiátricos” que afligem a sociedade ocidental são realmente problemas sociológicos, ou dito de outra maneira, problemas culturais (doenças da cultura antropológica).

É impossível que os psiquiatras, em geral, não saibam disto. Sabem, mas escondem para alimentar o negócio e o lóbi político da psiquiatria.

“It seems to me likely (though I could not swear to it in a court of law) that Lubitz’s problem was one of character rather than of illness, and therefore unsusceptible to so-called treatment. Indeed, the very notion of such treatment might have been an obstacle to his self-amelioration, in so far as it would have given him the impression that he was ill and it was therefore up to others to cure him. When they failed to do so, which was inevitable, he felt absolved of responsibility for his own state.”

A “psiquiatrização” — o determinismo pseudo-científico psiquiátrico — da nossa sociedade faz com que psicopatas de origem congénita, hereditária ou epigenética, se sintam livres de fazer o que seja, alegando que “a ciência não os conseguiu curar”.

Psicopatas sempre os houve: a diferença é que hoje eles andam em roda livre porque não existe qualquer censura cultural (censura da cultura antropológica, estigmatização dos comportamentos, e os preconceitos necessários são diabolizados pela classe política), por um lado, e por outro lado porque o cientismo psiquiátrico tende a inibir o indivíduo de qualquer responsabilidade moral. Aliás, a moral já não existe: hoje diz-se que “cada um tem a sua moral”; ora, os valores da moral, ou são universais, ou não existem de facto.

“He was by all accounts a narcissistic type; and, as with many another, his enthusiasm for fitness wasn’t for fitness for any end other than a purely self-regarding one”.

O narcisismo sempre existiu nos seres humanos, mas a sua expressão generalizada, incontrolada, exacerbada e sem censura é um fenómeno contemporâneo. A atomização da sociedade, que as elites políticas impõem hoje, gera fenómenos de narcisismo radical. Para os narcisistas, a condição de anonimato é insuportável.

“Moreover, he is reported to have had a severe chagrin d’amour – or rather, I suspect, a crise de jalousie – not long before he crashed the aircraft. He was also said to have been a man of swiftly-changing mood, as the jealous often are: one minute domineering to the point of violence, the next apologetic and dove-like in their promises of reform. Such jealous men do not love the object of their supposed affections, but rather themselves: they need a lover as a prop to their own conception of themselves”.

Para além do problema de carácter, que é congénito ou hereditário, há um problema da formação da personalidade que é cultural. A formação da personalidade tem a ver com a educação, e mormente com a educação moral. Uma boa formação da personalidade pode mitigar traços de mau carácter.

O relativismo moral imposto pelas elites políticas à sociedade pulverizou qualquer conceito de moral — sendo que o sentido de um conceito só é definido por meio de uma experiência concreta. Os conceitos não têm sentido no absoluto; a sua definição é apenas operacional. O relativismo moral transformou a ética e a moral em fenómenos abstractos a que nem sequer podemos chamar de “conceitos”.

“As for cultural influences, I cannot help but think that our culture is propitious to the promotion of narcissism of the type that I suspect that Lubitz suffered from – or made others suffer from. Such narcissism is not new, for where human frailty is concerned there is nothing new under the sun: it is the frequency of the respective frailty rather than its novelty that is at issue”.

Uma boa formação — leia-se, uma boa educação que inclui a educação moral e o desenvolvimento da sensibilidade social — pode levar a uma alteração parcial das características congénitas, epigenéticas ou hereditárias do mau carácter. Antigamente tínhamos as aulas de religião e moral obrigatórias e universais: hoje temos o exemplo social da ética libertina da classe política e das elites em geral.

Domingo, 5 Abril 2015

Existe uma diferença fundamental

Filed under: cultura — O. Braga @ 6:13 pm
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“A assistência a um debate sobre o Alqueva organizado pela Caritas de Beja ficou perplexa por ouvir o bispo da Diocese, D. Vitalino Dantas (originário do Minho), defender políticas sociais semelhantes às do PCP – segundo li no Público.”

Bispo de Beja com políticas sociais do PCP

O cristão diz: “O que é meu, é teu.” O comunista diz: “O que é teu, é meu.”

É esta a real diferença.

O cristão dá porque quer dar; o comunista tira porque quer tirar. Uma coisa é dar, e outra coisa é tirar. Não podemos confundir os dois verbos.


Mas consigo concordar com um facto: o capitalismo perdeu as suas raízes na cultura antropológica.

Dou um exemplo do jornal Púbico: o capitalista Belmiro de Azevedo, em vez de sustentar um pasquim infestado de esquerdistas e com prejuízo financeiro, poderia utilizar esse dinheiro para obras de caridade. Teria prejuízo de qualquer maneira, mas ao menos seria útil à sociedade.

Não é demais recordar que o capitalismo teve a sua origem no Cristianismo calvinista. Foi essa cultura que se perdeu. Com o Calvinismo, “o trabalho tornou-se em um dever sagrado, e o êxito nos negócios uma prova evidente do favor de Deus e, segundo os conceitos do Antigo Testamento, um sinal da Sua predilecção. Pela ética calvinista se modelou o espírito da nascente burguesia capitalista: o espírito activo, continuamente dirigido para o êxito.” 1

O capitalismo primordial calvinista não fazia do dinheiro um fim em si mesmo: o dinheiro era apenas um meio para se atingir um fim último: merecer a escolha de Deus através do trabalho árduo. O neoliberalismo, pelo contrário, transformou o dinheiro em um fim em si mesmo, e entregou Deus nas mãos do clero esquerdista actual.

Nota
1. “História da Filosofia” de Nicola Abbagnano, volume V, § 370

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