perspectivas

Terça-feira, 14 Abril 2015

O culto é a raiz de tudo

Filed under: ética,cultura,filosofia,Política — O. Braga @ 9:49 am
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“Ora, este é um dos pontos em que discordo da perspectiva de Rodrigo Constantino. Diz ele que devemos separar o autor, o criador, das opiniões políticas.

Que o actor pode ser um bom actor mas as suas opiniões desprezíveis. Certo, por sinal já pensei assim, hoje não. Não considero a possibilidade da separação entre as coisas, na medida em que vejo a pessoa como uma totalidade e como pertencente, para mais, a uma comunidade.

Não existe um indivíduo em parcelas, uma para a política, outra para o palco, outra para o dia-a-dia, etc. Tudo faz parte do todo. É também essa totalidade que tem de ser desmontada. E que não é, muitas vezes (para não dizer todas), pelos escritores liberais.”

Desconstruir a Esquerda caviar

Eu não sei quem é o Rodrigo Constantino (sou péssimo a fixar nomes), mas a julgar pelo trecho supracitado, também não concordo com ele.

Antes de mais temos que saber o que é um “bom actor”. Na arte (estética), como na ética, é difícil encontrar uma objectividade, e portanto um “bom actor” pode ser bom para o Constantino e não ser bom para mim.

É verdade que a neve é branca, mas já não é tanto verdade que “o actor é bom”. Temos que saber o que significa “bom”, e G E Moore ajuda-nos com a falácia naturalista.

Um indivíduo com icterícia veria a neve amarela, e para ele não faria sentido que se lhe dissesse que “a neve não é amarela” — a não ser que ele reconheça que tem icterícia. Uma pessoa pode padecer de uma “icterícia cultural” inconsciente e ver o mundo todo amarelo e convencer-se de que o vê de forma correcta. O “actor amarelo” do Constantino pode não ser o actor com cores normais.

A política expressa a cultura, e a cultura expressa o culto. O culto é a raiz de tudo. E o “actor amarelo” do Constantino — ou seja quem for — não deixa de se expressar segundo o seu culto. Ora, é o culto que pode estar objectivamente errado porque não tem em consideração o Absoluto. Um culto de uma pequena parte da realidade é um culto errado. Um culto de uma parte da realidade é doxa (opinião); um culto do Absoluto é episteme (sabedoria e conhecimento).

Uma coisa é o “actor amarelo” do Constantino que ama as coisas estéticas particulares que são belas, e por isso ele tem opinião; outra coisa, diferente, é amar a “beleza em si” que pertence ao Absoluto e que revela a objectividade da sabedoria e até do conhecimento (Platão).

É impossível separar o homem do seu culto. E é o seu culto que faz a sua cultura que, por sua vez, se reflecte nas suas opções políticas, estéticas e éticas.

Sábado, 11 Abril 2015

A civilização colide com o impulso

 

“Mãe, acabas de ferir os meus sentimentos!” ― frase pronunciada por um rapaz de 10 anos quando a mãe lhe pediu o favor de apagar o televisor e ir para a cama. Também uma psicóloga, recentemente, dava um conselho aos jovens num artigo de um jornal: «Se notas que sentes algo especial, não tenhas medo, liberta-te de tabus, corre para os seus braços e entrega-te totalmente. Só assim a tua vida será sincera e sem hipocrisias».

Reparem no pormenor: «sentir algo especial» é suficiente para justificar qualquer comportamento. E a sinceridade já não tem nenhuma relação com a verdade. Ser sincero, segundo a psicóloga, é sentir algo especial e não reprimir esse sentimento.

Educar os sentimentos

A civilização é sobretudo racionalidade, e esta é penosa.

Para o ser humano que fica mais civilizado apenas por um proceder obrigatório ou compulsivo, mais do que pelo sentir a racionalidade 1  da civilização, para ele a racionalidade é uma pena, e a virtude é um fardo quase insuportável ou até mesmo uma escravidão. Isto leva a reacções no pensar, no sentir e no agir, como podemos ver no conselho politicamente correcto da psicóloga supracitada.

O homem civilizado distingue-se do selvagem pela capacidade de previsão, ou em aquilo a que os gregos antigos chamavam de Fronèsis (prudência): o civilizado aceita penas actuais por causa de benefícios futuros, ainda que esses benefícios possam estar distantes no tempo. Por exemplo, nenhum animal ou nenhum selvagem trabalharia na Primavera para ter alimento no Inverno.

A Fronèsis começa apenas quando o ser humano faz alguma coisa a que o impulso (ou instinto) não o obriga a fazer, porque a razão lhe diz que disso tirará proveito em data futura. A civilização colide com o impulso — não só através da Fronèsis que é colisão auto-inflingida, mas também através da lei, dos costumes e da religião.

Em geral, a Direita conservadora é civilizada, e a Esquerda é selvagem. A Esquerda representa a decadência da civilização, a selvajaria, porque coloca sistematicamente os impulsos e instintos acima da prudência.

Nota
1. Não confundir com “racionalismo”.

Segunda-feira, 6 Abril 2015

Theodore Dalrymple fala do caso do co-piloto Lubitz da GermanWings

 

O conhecido psiquiatra Theodore Dalrymple diz, acerca do co-piloto da GermanWings que despenhou o avião matando 150 pessoas (ele incluído), que o problema deste não tinha qualquer tratamento psiquiátrico possível porque se tratava de um problema de carácter.

Theodore Dalrymple corrobora a minha opinião expressa aqui anteriormente: grande parte — senão a maioria — dos problemas ditos “psiquiátricos” que afligem a sociedade ocidental são realmente problemas sociológicos, ou dito de outra maneira, problemas culturais (doenças da cultura antropológica).

É impossível que os psiquiatras, em geral, não saibam disto. Sabem, mas escondem para alimentar o negócio e o lóbi político da psiquiatria.

“It seems to me likely (though I could not swear to it in a court of law) that Lubitz’s problem was one of character rather than of illness, and therefore unsusceptible to so-called treatment. Indeed, the very notion of such treatment might have been an obstacle to his self-amelioration, in so far as it would have given him the impression that he was ill and it was therefore up to others to cure him. When they failed to do so, which was inevitable, he felt absolved of responsibility for his own state.”

A “psiquiatrização” — o determinismo pseudo-científico psiquiátrico — da nossa sociedade faz com que psicopatas de origem congénita, hereditária ou epigenética, se sintam livres de fazer o que seja, alegando que “a ciência não os conseguiu curar”.

Psicopatas sempre os houve: a diferença é que hoje eles andam em roda livre porque não existe qualquer censura cultural (censura da cultura antropológica, estigmatização dos comportamentos, e os preconceitos necessários são diabolizados pela classe política), por um lado, e por outro lado porque o cientismo psiquiátrico tende a inibir o indivíduo de qualquer responsabilidade moral. Aliás, a moral já não existe: hoje diz-se que “cada um tem a sua moral”; ora, os valores da moral, ou são universais, ou não existem de facto.

“He was by all accounts a narcissistic type; and, as with many another, his enthusiasm for fitness wasn’t for fitness for any end other than a purely self-regarding one”.

O narcisismo sempre existiu nos seres humanos, mas a sua expressão generalizada, incontrolada, exacerbada e sem censura é um fenómeno contemporâneo. A atomização da sociedade, que as elites políticas impõem hoje, gera fenómenos de narcisismo radical. Para os narcisistas, a condição de anonimato é insuportável.

“Moreover, he is reported to have had a severe chagrin d’amour – or rather, I suspect, a crise de jalousie – not long before he crashed the aircraft. He was also said to have been a man of swiftly-changing mood, as the jealous often are: one minute domineering to the point of violence, the next apologetic and dove-like in their promises of reform. Such jealous men do not love the object of their supposed affections, but rather themselves: they need a lover as a prop to their own conception of themselves”.

Para além do problema de carácter, que é congénito ou hereditário, há um problema da formação da personalidade que é cultural. A formação da personalidade tem a ver com a educação, e mormente com a educação moral. Uma boa formação da personalidade pode mitigar traços de mau carácter.

O relativismo moral imposto pelas elites políticas à sociedade pulverizou qualquer conceito de moral — sendo que o sentido de um conceito só é definido por meio de uma experiência concreta. Os conceitos não têm sentido no absoluto; a sua definição é apenas operacional. O relativismo moral transformou a ética e a moral em fenómenos abstractos a que nem sequer podemos chamar de “conceitos”.

“As for cultural influences, I cannot help but think that our culture is propitious to the promotion of narcissism of the type that I suspect that Lubitz suffered from – or made others suffer from. Such narcissism is not new, for where human frailty is concerned there is nothing new under the sun: it is the frequency of the respective frailty rather than its novelty that is at issue”.

Uma boa formação — leia-se, uma boa educação que inclui a educação moral e o desenvolvimento da sensibilidade social — pode levar a uma alteração parcial das características congénitas, epigenéticas ou hereditárias do mau carácter. Antigamente tínhamos as aulas de religião e moral obrigatórias e universais: hoje temos o exemplo social da ética libertina da classe política e das elites em geral.

Domingo, 5 Abril 2015

Existe uma diferença fundamental

Filed under: cultura — O. Braga @ 6:13 pm
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“A assistência a um debate sobre o Alqueva organizado pela Caritas de Beja ficou perplexa por ouvir o bispo da Diocese, D. Vitalino Dantas (originário do Minho), defender políticas sociais semelhantes às do PCP – segundo li no Público.”

Bispo de Beja com políticas sociais do PCP

O cristão diz: “O que é meu, é teu.” O comunista diz: “O que é teu, é meu.”

É esta a real diferença.

O cristão dá porque quer dar; o comunista tira porque quer tirar. Uma coisa é dar, e outra coisa é tirar. Não podemos confundir os dois verbos.


Mas consigo concordar com um facto: o capitalismo perdeu as suas raízes na cultura antropológica.

Dou um exemplo do jornal Púbico: o capitalista Belmiro de Azevedo, em vez de sustentar um pasquim infestado de esquerdistas e com prejuízo financeiro, poderia utilizar esse dinheiro para obras de caridade. Teria prejuízo de qualquer maneira, mas ao menos seria útil à sociedade.

Não é demais recordar que o capitalismo teve a sua origem no Cristianismo calvinista. Foi essa cultura que se perdeu. Com o Calvinismo, “o trabalho tornou-se em um dever sagrado, e o êxito nos negócios uma prova evidente do favor de Deus e, segundo os conceitos do Antigo Testamento, um sinal da Sua predilecção. Pela ética calvinista se modelou o espírito da nascente burguesia capitalista: o espírito activo, continuamente dirigido para o êxito.” 1

O capitalismo primordial calvinista não fazia do dinheiro um fim em si mesmo: o dinheiro era apenas um meio para se atingir um fim último: merecer a escolha de Deus através do trabalho árduo. O neoliberalismo, pelo contrário, transformou o dinheiro em um fim em si mesmo, e entregou Deus nas mãos do clero esquerdista actual.

Nota
1. “História da Filosofia” de Nicola Abbagnano, volume V, § 370

Segunda-feira, 30 Março 2015

A evolução dos actores franceses

Filed under: cultura,politicamente correcto — O. Braga @ 10:36 am
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lino-ventura

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Pierre Niney
(respigado no Twitter)

Sexta-feira, 27 Março 2015

O “suicídio colectivo” dos pilotos comerciais e o cientismo

Filed under: ética,cultura — O. Braga @ 6:56 am
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A Maria João Marques escreve aqui sobre os “perigos psicológicos”, sobre as “doenças psicológicas” que, entre outros casos, na última década têm levado ao “suicídio colectivo” de pilotos de aviões comerciais. Repito: na última década — porque tal nunca tinha acontecido desde o Dakota e o Super Constellation da década de 1950 até aos super jumbos de 2000.

super-constellation-tap-webMas a Maria João Marques não se questiona sobre a razão por que não existiram “suicídios colectivos” de pilotos durante 50 anos, e de repente e nos últimos 15 anos, aconteceram “uma data deles”. Prefere arrumar o problema nas gavetas da psicologia e da psiquiatria: “a ciência resolve todos os problemas da humanidade”.

Não é preciso ser psicólogo ou psiquiatra, ou licenciado em outra merda qualquer, para perceber que estamos perante um fenómeno cultural inédito. É uma coisa nova.

E devemos perguntar: se, durante 50 anos de aviação comercial, não foi precisa a psicologia e a psiquiatria para evitar “suicídios colectivos” de pilotos, então ¿por que razão presume a Maria João Marques que as ciências humanas e/ou sociais irão evitá-los no futuro?  

Se durante 50 anos nunca nenhum piloto sentiu a necessidade de se suicidar e levar consigo, para a morte, os passageiros, ¿por que razão este fenómeno passou a acontecer nos últimos 15 anos?

Esta é a pergunta que deveria ser respondida, e não tentando evitar a resposta incómoda — como faz a Maria João Marques — invocando a psicologia e a psiquiatria. Se alguma ciência humana pode ser chamada a estudar o fenómeno, é a sociologia, e não a psiquiatria ou a psicologia.

É certo que, até certo ponto, a psiquiatria pode detectar um psicopata, mas nem sempre. Estamos aqui no campo dos valores, no campo da ética que enforma uma determinada cultura antropológica, e por isso não há ciências humanas que valham para evitar mais “suicídios colectivos” de pilotos no futuro — a não ser que a liberdade do cidadão em geral vá sendo restringida em crescendo até ao advento de uma sociedade orwelliana: é assim que os liberais cientificistas se tornam totalitários (como eu compreendo o Carlos Abreu Amorim, que renegou o liberalismo!).

Por último: a Maria João Marques mistura o stress pós-traumático decorrente de uma situação de guerra de maior ou menor intensidade (soldados e polícias) com a situação do piloto comercial. Por aqui se vê a dificuldade que eu tive em analisar ideologicamente o verbete dela.

(imagem daqui).

Quinta-feira, 26 Março 2015

A Maria João Marques e “as barrigas e peitos de aluguer”

 

Pela minha experiência, parece-me que as pessoas nascidas depois de 1970 apresentam fortes tendências para a sociopatia (não confundir com psicopatia). Por exemplo, é normal no Twitter aparecerem anuências a imagens deste tipo:

gerações-de-urano

¿O que está errado nesta imagem? Uma pessoa nascida depois de 1970 (as “gerações de Urano”), regra geral, não saberá dizer. E dirá mesmo que concorda com a mensagem subliminar ou explícita da imagem. Se o leitor detectar alguma coisa de errada na imagem (do ponto de vista ético), deixe um comentário; se não, não se preocupe porque faz parte das “gerações de Urano”.


“Mas, em boa verdade, uma gravidez resultante de um preservativo que se rompeu num caso de uma noite também não é romântica. E um casal com problemas de fertilidade que se dedica mês após mês ao método tradicional de concepção de crianças acaba usando mais teimosia e voluntarismo do que desejo ou romantismo. Mais: o casamento por amor é uma realidade com pouco mais de um século e sempre houve numerosos filhos fora do casamento; não vale a pena exigirmos agora purismos às concepções que quantas vezes ocorreram distantes do ideal.”

Maria João Marques

Uma noite de amor em que o preservativo se rompe ¿deixa de ser uma noite romântica? E uma possível gravidez que advenha dessa noite romântica ¿já não é romântica porque o preservativo se rompeu?

A sociopatia da Maria João Marques e das gerações de Urano impedem qualquer análise objectiva que não seja a libertação da uniformidade a todo o custo, mesmo à custa do mais abstruso irracionalismo. O irracionalismo voltou a estar na moda. Nas gerações de Urano, os processos de separação em relação à sociedade e de individualização face ao colectivo implicam uma necessidade de marginalização que é erradamente tomada como “originalidade”.

E tal como na imagem acima, faz-se uma comparação entre coisas que não são comparáveis: os filhos fora do casamento, no neolítico como no século XXI, são feitos entre duas pessoas de sexos diferentes que se amaram, em princípio, em uma qualquer noite de amor, mesmo à custa do preço da infidelidade conjugal. Comparar o mal ético da infidelidade conjugal, que é amor apesar de tudo, por um lado, com o mal ético da inseminação in vitro ou com uma barriga que é alugada como se aluga um automóvel — só pode vir de uma mente sociopata das gerações de Urano.

O ableísmo homossexual

 

A melhor definição de “ableism” pode ser encontrada aqui:

«

“Ableism” é a ideia de que palavras comuns, usadas todos os dias, devem ser consideradas ofensivas em relação a certas pessoas com determinadas incapacidades e/ou anomalias.

Por exemplo:

Dizer “maluco” é “ableism”, e é ofensivo em relação a pessoas malucas.

Dizer “mudo” é “ableism”, e é ofensivo em relação a pessoas mudas.

Dizer “caminhar” é “ableism”, e é ofensivo a pessoas em cadeiras de rodas.

Dizer “invertido” é “ableism”, e é ofensivo para os gays”.

»


“Ableism” não é exactamente a mesma coisa que “capacitismo”, pelo menos no sentido dado aqui. O ableism não se aplica somente a pessoas com incapacidades físicas: também se aplica a qualquer tipo de característica, seja psicológica ou física, que afaste um determinado indivíduo da normalidade (qualquer que seja) constatada por uma curva de gauss. Se Albert Einstein vivesse hoje, poderia eventualmente acusar a sociedade de “ableism” por “tornar invisíveis” as pessoas com uma inteligência superior à média.

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À falta de melhor, e dado que “capacitismo” não é a mesma coisa que “ableism”, vamos importar o neologismo “ableísmo”.

ableism-web

O ableísmo impõe a ideia segundo a qual a sociedade é sempre culpada pela situação do indivíduo que, em qualquer aspecto da sua identidade (ou falta dela), se afaste da normalidade necessariamente imposta pela curva de gauss. O ableísmo pretende impôr à sociedade a ideia de que não existe qualquer tipo de normalidade, que o indivíduo é incategorizável, não existem categorias que classifiquem o ser humano, e portanto o pensamento racional e a ciência são também formas de ableísmo.

Por outro lado, o ableísmo projecta para a sociedade a culpa do comportamento pouco saudável de um indivíduo. Por exemplo, se um gay tem um cancro anal ou apanhou a SIDA, sente-se pouco à vontade em falar do seu problema e, por isso, ele diz que a sociedade o tornou invisível e que é vítima de ableísmo. A culpa é sempre da sociedade e nunca da putativa vítima de ableísmo.

Como é normal num blogue politicamente correcto como é o Jugular, os homossexuais são, alegadamente, “tornados invisíveis pela sociedade”, o que (alegadamente) constitui uma forma de ableísmo em relação aos homossexuais.

ableism2

O que torna o ableísmo insuportável é que inibe qualquer discurso: qualquer palavra proferida pode ser tida subjectivamente como uma forma de ableísmo. A vítima de ableísmo vive, como é óbvio, da sua subjectividade, e por isso qualquer interpretação subjectiva do homossexual pode ser uma forma de ableísmo. Ou seja, o próprio ableísmo impõe as barreiras ao discurso e à comunicação de que se queixa que não existem.

Por exemplo, se um médico se dirige a um homossexual de uma forma que este considere subjectivamente “paternalista”, o gay queixa-se de ableísmo. Ou se o médico diz ao gay que não convém ter muitos parceiros sexuais, automaticamente isso é interpretado como uma forma de ableísmo. No limite, não há nada que se possa dizer a um gay que não possa ser interpretado por ele como ableísmo.

Tornando o discurso impossível através da subjectivização das posições do homossexual, o movimento político gayzista consegue aquilo que pretende: a supremacia real da condição homossexual em relação ao comum dos mortais.

Sob a forma de vitimização ableísta, o comportamento gay (qualquer que seja) passa a ser inatacável, por um lado, e por outro lado a sociedade é sempre responsável pelas consequências objectivas de tal comportamento.

É evidente que não se procura a “igualdade”: em vez disso, procura-se uma superioridade ontológica do homossexual, na medida em que qualquer discurso ou debate são coarctados à partida, e é a subjectividade do homossexual que dita as regras do jogo. Não se procura a aceitação do homossexual: procura-se a sua celebração cultural como casta superior.

Domingo, 22 Março 2015

Cara Inês Teotónio Pereira : não compreendo essa coisa do “pai moderno”

 

“Aos pais de hoje pede-se que vão à escola às festas dos filhos, que mudem as fraldas dos bebés, que lavem a loiça, que saibam escolher as roupas das filhas e que cozinhem o jantar. Os pais de hoje têm de partilhar funções que dantes eram da exclusividade das mães. O mundo mudou e nessa mudança é obrigatório que os pais também mudem.”

Inês Teotónio Pereira

Eu fui um patriarca na família que não deixou de mudar os cueiros à prole; um patriarca é isso mesmo!

No princípio da década de 1980 fui pai pela primeira vez. Quando estava em casa, fazia questão de ser eu a mudar-lhe as fraldas e a dar-lhe o banho diário — logo desde os primeiros dias de vida. De vez em quando também cozinhava, mas já não era de lavar a louça. A limpeza da casa era feita a meias. O meu filho mais velho só adormecia deitado em cima da minha barriga; e ali ficava eu (acordado, claro!) até ele adormecer e depois ia deitá-lo na cama dele.

Em finais da década nasceu o meu segundo filho, e o ritual repetiu-se: o banho diário dele era tarefa minha salvo raras excepções (sempre ao fim do dia, quando chegava do trabalho), e sempre que estava em casa também lhe trocava as fraldas; lembro-me bem dos produtos de limpeza e lencinhos próprios comprados na farmácia e utilizados na higiene da mudança da fralda, e da preocupação com a limpeza especial das pequenas rugas do bebé para evitar a inflamação da pele.

David 23 de Julho de 1982


A minha preocupação com os filhos nunca me inibiu de ser macho — ou seja, era eu quem mandava e quem tinha a última palavra em casa, para o bem e o para o mal. Portanto, essa coisa do “pai moderno” é treta: há, como sempre houve e apesar da cultura antropológica predominante em cada época, pais com bom-senso e pais sem ele.

Pelo contrário, o “pai moderno” é hoje — em juízo universal — aquele que faz os filhos, pede o divórcio unilateral e na hora para não ter que os aturar, deixa a mulher sozinha com os filhos nos braços, e não paga a educação dos filhos alegando que não tem dinheiro — e tudo isto em nome de leis que defendem o feminismo e a autonomia da mulher. Esta é a verdadeira “mudança” de que a Inês Teotónio Pereira não fala: a mudança que irresponsabiliza o homem (e a mulher, noutros aspectos) em nome da “luta contra a família patriarcal”.

Eu fui um patriarca na família que não deixou de mudar os cueiros à prole; um bom patriarca é isso mesmo!

Quarta-feira, 11 Março 2015

A merda da cultura politicamente correcta

Filed under: A vida custa,cultura,politicamente correcto — O. Braga @ 8:43 am

 

Estudos “científicos” chegaram à  conclusão que um homem que não seja sexista trata a mulher como se fosse um homem.

Por exemplo: ¿você é atencioso e dá o lugar sentado a uma mulher no metro? Então você é um porco sexista! Você é rude com as mulheres? Então você também é um porco sexista!

De qualquer modo, você é sempre sexista por ser homem. Se você é delicado e atencioso com as mulheres, ou é gay ou é sexista; e para não ser sexista é preferível ser gay. E se você é bruto com as mulheres, também é sexista. Morto por ter cão e morto por não ter.

sexista

Segunda-feira, 2 Março 2015

O indivíduo socialmente atomizado é o novo elemento revolucionário

 

Na década de 1970, algumas autarquias controladas pela Esquerda exibiam gratuitamente filmes soviéticos às populações. Depois da queda do muro, os filmes soviéticos grátis acabaram. Mas surpreendeu-me a notícia de que a Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, lá no cu de judas, exibiu recente- e gratuitamente o filme “As 50 Sombras de Grey” ao povo da autarquia — como se se tratasse de um filme pedagógico indispensável ao progresso cultural do povo…!

Depois da queda do muro, a renovada religião política de Esquerda — em conluio com uma certa direita libertária — transformou a mulher em uma espécie de hierodula, ou, em termos que toda a gente entenda, em uma prostituta sacrificial. E tudo isto em um momento em que a patética ministra da igualdade, Teresa Morais (¿será que ela foi ver o filme “As 50 Sombras de Grey”?), lança uma campanha nos me®dia contra a violência entre namorados. Há aqui qualquer coisa de profundamente contraditório, mas essa contradição é propositada; não se trata apenas de mera estupidez, mas também de uma ideologia que sustenta uma nova religião política.

A nova religião política que a Esquerda maçónica indrominou depois da queda do muro — e na sequência  das ideias marxistas culturais de Marcuse ou de Wilhem Reich — tem um dos fulcros na perversão do acto sexual. Isto não tem nada de novo: já os primeiros profetas de Yahweh, ainda antes do exílio, tinham denunciado os sacrifícios sexuais das virgens hierodulas ao deus Baal (a erotização da dominação e da subordinação, como acontece hoje n’ “As 50 Sombras de Grey” ), e foi por isso que o Judaísmo caiu no extremo oposto de um rigor moral radical no que respeita à  sexualidade. 

A Esquerda (e os libertários de direita, que segundo Lenine são os “idiotas úteis”) dizem que a perversão sexual deve ser vista no âmbito da “escolha individual”. Da mesma forma, dizem que o aborto, por exemplo, também deve ser visto em um âmbito de “escolha individual” — como se a “escolha individual”  pudesse ser inserida em um contexto de vácuo ético, político, social e cultural.

O conceito de “autonomia pessoal” passou a ser sinónimo absoluto de “liberdade negativa”1. O indivíduo socialmente atomizado é o novo elemento revolucionário. E é este novo conceito enviesado de “autonomia pessoal” que irá inexoravelmente colocar em causa – na nossa sociedade — a liberdade propriamente dita.


Nota
1. A liberdade negativa é aquela que consiste em não ser impedido de agir — a de não ser impedido por outrem naquilo que desejamos fazer, ou a liberdade de se exprimir sem censura.

Em contraponto, a liberdade positiva é a liberdade do cidadão-legislador, segundo o princípio de autonomia de Kant, que consiste em tomar parte nas decisões políticas e públicas, e de co-exercer a autoridade em geral

Terça-feira, 24 Fevereiro 2015

Os gnósticos modernos

 

A Gnose foi um movimento religioso da Antiguidade Tardia que teve as suas raízes em uma visão dualista (dualismo ontológico, e não propriamente um dualismo cartesiano) proveniente do Oriente [por exemplo, do Parsismo e do Maniqueísmo], e de acordo com a qual existe uma contradição entre o espírito e a matéria, bem e mal, luz e trevas. Os primeiros textos gnósticos datam do século II d.C.; as suas origens são obscuras; mas, provavelmente, a Gnose desenvolveu-se, no império romano, paralelamente ao Cristianismo e como uma grandeza religiosa independente.

(texto longo, com 1900 palavras)

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