perspectivas

Terça-feira, 28 Julho 2015

¿Lembram-se da estória do canalizador polaco? Agora temos a do picheleiro sírio

Filed under: Europa,Política — O. Braga @ 7:57 am
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Manif contra a imigração na Polónia (ver vídeo). Pimenta no cu dos outros é chupa-chupa.

Segunda-feira, 27 Julho 2015

Para o José Pacheco Pereira, o Fim da História é (também) a União Europeia e o Euro

 

« O que é a “realidade” para a qual “não há alternativa”?

Em primeiro lugar, é o que há, o que existe, e a ideia de que o “que existe tem muita força” e legitima-se por existir. Neste pensamento do TINA existe uma espécie de congelamento da história, ? o que se compreende visto que chegou ao “fim”, ? no actual momento europeu, visto que é uma doutrina essencialmente europeia. Não é global, nem americana, nem dos BRICs, nem asiática, vem da Europa e fixa-se na Europa. Mais: fixa-se no estado de coisas europeu dos últimos anos, nem sequer uma década, desde a crise financeira (real) seguida da crise das dívidas soberanas (politicamente gerada). »

→ José Pacheco Pereira: A direita radical encontrou o “fim da história” e chama-lhe “realidade”

O José Pacheco Pereira opõe o seu (dele) Fim da História, por um lado, ao Fim da História neoliberal (segundo o “santo” Fukuyama), por outro  lado: são dois tipos diferentes de Fim da História. O que há em comum entre o Fim da História de José Pacheco Pereira e o dos neoliberais, é a necessidade da União Europeia e do Euro.

« When the episteme is ruined, men do not stop talking about politics; but they now must express themselves in the mode of doxa. » — Eric Voegelin


José Pacheco Pereira defendeu, na recente crise grega, que a União Europeia e o BCE [Banco Central Europeu] deveriam proceder de um determinado modo; e os neoliberais defenderam que as instituições deveriam proceder de modo diverso. São dois Fim da História que se opõem. Ou seja, o José Pacheco Pereira critica o determinismo histórico dos neoliberais opondo-lhe o seu (dele) próprio determinismo histórico: a União Europeia e o Euro fazem parte do seu (dele) Fim da História. Aliás, é sabido que o José Pacheco Pereira tem um arquétipo mental hegeliano, na esteira das opções políticas e ideológicas que o marcaram na juventude.

O José Pacheco Pereira é um federalista europeu, mas um federalista de tipo gramsciano: a União Europeia Federal (para ele) deverá ser construída a longo prazo através de uma democracia de base por intermédio de um “progresso da opinião pública” (leia-se, lenta lobotomia cultural, à boa maneira hegeliana de “progresso como uma lei da Natureza”). Em contraponto, os neoliberais e os socialistas (Partido Socialista) são também federalistas europeus, mas defendem que o federalismo deve ser uma espécie de leviatão que se impõe do cimo social e político, para baixo, para as massas anónimas e anódinas. O que difere, na posição de José Pacheco Pereira em relação à dos socialistas  e neoliberais em relação à União Europeia e ao Euro, é a forma, mas não o conteúdo: é a forma de se fazer as coisas, isto é, a forma de se atingir o federalismo europeu.

O que repugna ao José Pacheco Pereira é o conceito de Fim da História neoliberal, ou seja, a “realidade neoliberal”; e opõe-lhe os seu próprios conceitos de “realidade” e de Fim da História que apenas diferem do primeiro na sua forma: o conteúdo (o federalismo europeu) mantém-se comum aos dois tipos diferentes de “realidade”. Aqui, o José Pacheco Pereira está mais próximo do Bloco de Esquerda e do Livre do que do Partido Socialista (que também aceitou e ratificou o famigerado Tratado Orçamental).

O José Pacheco Pereira faz parte do actual “double blind” da política portuguesa, que apenas é “furado” — paradoxalmente! — pelo Partido Comunista que também tem o seu próprio Fim da História segundo Karl Marx.


Quando eu aqui critiquei o governo grego do Varoufucker e  do Tripas — e inclui nessa crítica a “puta da realidade” da União Europeia e do Euro que os gregos não aceitam —, essa minha crítica foi uma crítica ao determinismo histórico, ou seja, foi uma apologia à liberdade que passa sempre por povos que recusam a decadência e a subserviência canina em troca de um prato de lentilhas, e com elites corajosas e esclarecidas. Não existe um Eidos da História (Hegel estava errado!)  — pelo menos que seja perceptível pelo ser humano: os homens fazem a História que os faz; a História faz os homens que a fazem; os homens fazem a sua história sem a fazer.

Segunda-feira, 20 Julho 2015

“É preciso mais Europa”

Filed under: Europa — O. Braga @ 5:35 am
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Na década de 1980, quando a URSS estava já em desagregação interna, os líderes daquele  país diziam que “é preciso mais socialismo”. Hoje são os líderes da União Europeia que dizem que “é preciso mais Europa”.

mais-europa

Sexta-feira, 3 Julho 2015

O problema da Grécia não é a dívida

Filed under: Europa — O. Braga @ 8:51 am
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Os comentadores dos me®dia (principalmente os do esquerdalho) têm dito que o principal problema da Grécia é a dívida. Nada mais falso! Tomara que o problema grego fosse a dívida.

¿Como explicamos que o Japão, por exemplo, que tem uma notação de “AA-” na Standard & Poors e uma notação “A” na Fitch, tenha, apesar disso, uma dívida pública de 237% do PIB?

O Japão é um exemplo de que a ligação entre a dívida, por um lado, e o crédito (e a credibilidade), por outro lado, é apenas indirecta. Ou seja, não se segue necessariamente que um país com uma grande dívida esteja em uma situação de dificuldade tal que lhe tolha o desenvolvimento. Naturalmente que é melhor não deixar crescer a dívida acima de um determinada percentagem do PIB; mas não é a dívida o principal problema da Grécia.

Os problemas da Grécia são o défice orçamental e a capacidade da economia grega para pagar. Quando não temos capacidade de pagar porque não produzimos o suficiente, normalmente dizemos que “o problema está na dívida”.

O problema grego é muitíssimo mais grave do que muita gente pensa.

Quinta-feira, 2 Julho 2015

Agora, em Espanha, é tudo considerado “terrorismo”

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:16 am
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Você peidou na via pública? Tenha cuidado, porque em Espanha pode ser acusado de terrorismo.

Por exemplo, organizar protestos políticos em Espanha através das redes sociais passa a ser delito de terrorismo:

« Gestionar protestas online y en redes sociales será un delito castigado con penas de terrorismo. Según el artículo 30 de la Ley de Seguridad Ciudadana “se considerarán organizadores o promotores [de las protestas] quienes por publicaciones o declaraciones de convocatoria de las mismas, por las manifestaciones orales o escritas que en ellas se difundan […], pueda determinarse razonablemente que son directores de aquellas”. »

Ley Mordaza: Las 5 Cosas Que No Podrás Hacer En Internet

Por exemplo, o conceito de “alterar gravemente a paz pública” também é considerado terrorismo. ¿Mas o que significa “gravemente”? A lei não diz. Depende da vontade circunstancial da elite política (depende da vontade geral).

E para os que pensam que o governo espanhol é de esquerda, convém lembrar que alegadamente se trata de um governo da direita “liberal”.

Sábado, 27 Junho 2015

A postura Syrízica do José Pacheco Pereira

Filed under: Europa — O. Braga @ 8:31 pm
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Quando Passos Coelho fala da “herança socialista”, José Pacheco Pereira faz ouvidos de mercador; mas a “herança do Syriza” já desculpa toda a ineficácia e o amadorismo da governança radical grega.

pereira-apcheco-marx-web-600-2 (1)Sinceramente, penso que o José Pacheco Pereira está a mais no Partido Social Democrata, e deveria ter a coragem de o assumir entregando o cartão do partido. Pelo menos seria coerente. Aliás, penso que  posição do José Pacheco Pereira em relação ao Partido Social Democrata é uma posição Syrízica: “se querem que eu saia do Partido Social Democrata, terão que me expulsar, para que eu possa atirar a culpa para cima de outros”. 

Temos o Frei Bento Domingues na Igreja Católica portuguesa e o José Pacheco Pereira no Partido Social Democrata.

O me espanta é que gente como o José Pacheco Pereira, alegadamente com muita experiência política, se revolte em relação ao que acontece no caso grego — porque o que se está a passar era obviamente previsível. Esta gente construiu uma utopia europeia, e quando a realidade não bate certo com o sonho, desancam na realidade! A culpa não é do sonho!: a culpa é da grande puta da realidade!

“A ideia de que a Grécia não é um Estado ou que é um “país falhado” é um absurdo.”

José Pacheco Pereira

Nunca ouvi ninguém dizer que “a Grécia é um Estado falhado”. No seu desespero, o José Pacheco Pereira recorre à falácia do espantalho.

O que devemos fazer é constatar o óbvio, reconhecer a evidência, aquilo que não necessita de demonstração: por exemplo, o contributo da indústria grega (sector secundário) para o PIB está abaixo de 15%; ora, um país com estas características nunca deveria ter entrado no Euro estruturado da forma que está. Portugal, obviamente, não está muito melhor que a Grécia: a contribuição da indústria portuguesa para o PIB é de cerca de 22%; mas, mesmo assim, existe uma grande diferença: Portugal tem a Espanha ao lado; a Grécia não tem vizinhos no Euro. 

Se para Portugal é muito difícil manter-se no Euro (nas actuais condições do Euro), para a Grécia é praticamente impossível. Isto não é “querer mal à Grécia”: em vez disso, é constatar factos.

Ora, são os factos frios, ou sejam, a puta da realidade, que o José Pacheco Pereira não aceita! Que a negação da realidade seja uma característica dos lunáticos radicais de Esquerda, já eu estaria avisado; mas que um militante do Partido Social Democrata, que apoiou Cavaco Silva, venha negar a realidade, já me surpreende.

O radical José Pacheco Pereira deveria aprender com Lenine: “Os factos são teimosos”.

sirizicos

O futuro da Grécia

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:58 am
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Quinta-feira, 25 Junho 2015

Depois de Edite Estrela, temos a Liliana Rodrigues

 

Depois de o parlamento europeu ter rejeitado o “relatório Estrela”, o Partido Socialista conseguiu fazer aprovar o “relatório Rodrigues”.

liliana-rodriguesO “relatório Rodrigues”, da autoria da deputada socialista Liliana Rodrigues, pode ser resumido em três pontos:

  • Imposição de uma suposta “igualdade dos sexos” por via política administrativa, através de uma lobotomia das crianças e imposição de um pensamento único e politicamente correcto nos professores.
  • Imposição da ideologia de género no ensino, a nível dos manuais escolares. Censura política da cultura (a introdução de uma polícia política do pensamento), nomeadamente a censura dos chamados “estereótipos” e “elementos sexistas na linguagem” (penso eu que se trata da eliminação do género feminino e do masculino na gramática), a proibição de publicação de contos infantis como por exemplo a Branca de Neve e os Sete Anões, censura geral a nível da música, filmes, literatura — alegadamente no sentido de “mudar atitudes”, e anular os comportamentos naturais e típicos dos rapazes e das raparigas.
  • Lobotomia dos professores. Incluir, na formação de professores, estratégias que coloquem em causa a própria identidade e valores dos professores.

LeonorLeonor Tamayo, presidente da instituição “Profissionais para a Ética”, mãe de nove filhos, declarou que o “relatório Rodrigues” viola o direito dos pais das crianças a serem os primeiros educadores dos seus filhos. O “relatório Rodrigues” é orwelliano.

Além disso, segundo Leonor Tamayo, o “relatório Rodrigues” foi adoptado pelo parlamento europeu sem qualquer base jurídica legal, e em total contradição com os Tratados europeus e internacionais, anulando totalmente o princípio da subsidiariedade da União Europeia, contrariando a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção Europeia dos Direitos do Homem, e indo contra o Pacto Internacional relativo aos direitos civis e políticos.

Segundo Leonor Tamayo, o “relatório Rodrigues” viola as liberdades de pensamento e de expressão e intromete-se na vida privada das pessoas, para além de violar o direito dos pais a serem os primeiros educadores das suas crianças. O “relatório Rodrigues” defende uma espécie de república de Platão.

“Não permitiremos que doutrinem as nossas crianças com a ideologia de género. Os pais são os primeiros educadores e este direito é reconhecido a nível das nações e a nível internacional. No “relatório Rodrigues” e nas suas recomendações, os valores das famílias numerosas e os modelos educativos, como a educação diferenciada, não têm qualquer lugar no sistema educativo”.

— Leonor Tamayo

Começamos todos a compreender por que razão a Esquerda defende a integração europeia: a União Europeia é vista pela Esquerda como uma forma de impôr, à revelia dos povos, uma ditadura orwelliana a nível europeu.

¿Quem organizou os “direitos dos gays” na União Europeia?

 

O irlandês Michael O’Flaherty estudou filosofia e teologia no Vaticano, e foi ordenado Padre católico em 1980.
Não se sabe se ele já tomava no cu antes de ser Padre ou se passou a tomar no cu em função do sacerdócio na Igreja Católica do Vaticano II. O que é certo é que, a partir de 1992, resolveu passar a tomar no cu às claras e deixou de ser padre.

Em 2006, o ex-padre Michael O’Flaherty organizou um campeonato de cu aberto em um hotel da cidade indonésia de Yogyakarta, e aproveitou o ensejo para escrever ele próprio aquilo que a se chamam hoje os “Princípios de Yogyakarta”. Foi ele o mentor da falácia dos “direitos dos gays”, que funciona assim:

1/

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”

Declaração Universal dos Direitos Humanos, artigo 1.

Foi a partir deste artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que O’Flaherty estabeleceu a falácia dos “direitos dos gays”.

O que o artigo defende é perfeitamente consensual; ninguém tem dúvidas da sua validade. Este artigo aplica-se a toda a gente, incluindo, por exemplo, a pedófilos, violadores sexuais, consumidores de heroína, neonazis, terroristas da Al-Qaeda, fanchonos, políticos portugueses, Mário Soares, etc..

2/

“Os gays têm direitos humanos” → “os direitos dos gays são direitos humanos”

michaeloflahertyA partir do artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o teólogo O’Flaherty extrapolou falaciosamente para os “direitos dos gays”: partindo da proposição segundo a qual “os gays têm direitos humanos”, os “Princípios de Yogyakarta” do ex-padre O’Flaherty pervertem este princípio e estabelecem que “os direitos dos gays são direitos humanos”.

O raciocínio é non sequitur. Seria a mesma coisa se confundíssemos o rei “Nabucodonosor” com “Nabonocudosor”; ou se confundíssemos “as obras de arte do mestre Picasso” com “as picas d’aço do mestre de obras”.

A verdade é que gente com parafilias e outras anomalias sexuais não têm direitos diferentes, nem mais direitos, do que o comum dos mortais. O artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos foi assim subvertido e pervertido pelo fanchono O’Flaherty, negando precisamente a universalidade dos direitos humanos que o artigo 1 pretendia afirmar.

O ex-padre gay Michael O’Flaherty é apontado pela Comissão Europeia como o próximo director da Agência Europeia para os Direitos Fundamentais (European Union Agency for Fundamental Rights).

Domingo, 21 Junho 2015

Algumas cidades inglesas já são governadas pela lei islâmica

Filed under: Europa — O. Braga @ 3:53 pm
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O Islão rege-se segundo a noção de “singularidade”: quando a percentagem da população muçulmana atinge um determinado valor em relação à população total (entre 10 a 15% da população total) , inicia-se um processo de singularidade islâmica: abre-se uma espécie de “buraco negro” político, social e cultural que vai destruindo paulatinamente tudo à sua volta.

Na singularidade islâmica, as leis do Estado de Direito deixam de ser aplicáveis. E quanto mais aumenta a população islâmica, mais aumenta a aproximação da sociedade do ponto de singularidade.

Se a população muçulmana de Lisboa fosse hoje de 15% do total, começaríamos a assistir a fenómenos deste tipo: bombas, assassinatos, etc. E quanto mais aumentasse a população muçulmana em Lisboa, mais se manifestaria o fenómeno da singularidade islâmica.

No vídeo abaixo vemos a atitude da população islâmica da cidade inglesa de Luton.

 

Quinta-feira, 18 Junho 2015

A enorme dívida da Grécia impõe uma saída do Euro.

Filed under: Europa — O. Braga @ 3:15 am
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Em 26 de Janeiro p.p. escrevi que “o Syriza quer que a Grécia saia do Euro, embora sob determinadas condições”. Parece que sou candidato a bruxo.

As exigências dos credores não compensam, porque a dívida da Grécia é de tal modo alta que obedecer aos credores é literalmente liquidar o país. Por outro lado, os países europeus credores da dívida da Grécia ficarão a arder com 310 mil milhões de Euros.

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Portanto, provavelmente compensa uma falência (default) da Grécia à moda da Islândia, seguida de uma nacionalização mais ou menos parcial da Banca. Logo a seguir será criado um “Banco Mau” onde ficarão os activos tóxicos (incluindo a dívida de 310 mil milhões de euros), e a circulação de capital para o exterior será estritamente controlada pelo novo Banco Central soberano.

A princípio haverá restrições de levantamento de dinheiro nas caixas de Multibanco, e existirão duas moedas em circulação: o Euro e o novo dracma; mas rapidamente o Euro será retirado de circulação e ficará apenas o novo dracma. Naturalmente que, nesta primeira fase, os Bancos gregos vão ao charco.

Mas depois do primeiro ano de confusão grega, com o novo dracma a Grécia vai passar a crescer a uma taxa impensável na zona Euro e em Portugal.

Sexta-feira, 5 Junho 2015

O argumento ad Terrorem da saída da Grécia do Euro

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:31 pm
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O semanário “O Diabo” invoca aqui argumentos ad Terrorem para a possível saída da Grécia do Euro. O “clube do Euro” parece ser uma espécie de clube gay: toda a gente pode entrar, mas ninguém consegue sair.

Os argumentos ad Terrorem vão ao encontro do conceito neoliberal de “fim da história”, de Francis Fukuyama (que copiou o conceito de “fim da história” de Karl Marx): quem sair do Euro enfrenta o fim do mundo… !

Eu não sei como vive o cidadão grego médio, e portanto convém não especular. Normalmente, no que diz respeito à política, devemos falar daquilo que sabemos por experiência própria. Naturalmente que, à falta de experiência, temos que acreditar minimamente em alguma informação de terceiros:

  • a economia grega caiu 10% em 2 anos (2012 e 2013); a economia portuguesa caiu 5% no mesmo período. Isto significa que o PIB per capita grego era muito maior do que o português no início da crise das dívidas soberanas. Ou seja, os portugueses, antes da crise global, viviam mais de acordo com as suas possibilidades quando comparados com os gregos;
  • o peso da indústria na economia portuguesa é de 22,4%; o peso da indústria na economia grega é de 15,9%. por exemplo, na Itália é de 23,9%; na Alemanha é de 30,8%. O peso da indústria na economia grega é muito baixo para um país da zona Euro.
  • a taxa de poupança na Grécia é de 14,5%; em Portugal é de 16,3%; na Itália é de 18,6%; na Alemanha é de 23,9%.

Estes são apenas alguns dados que nos indicam claramente que não só a entrada da Grécia no Euro foi um erro, como a saída apoiada e sustentada do Euro será necessária. A permanência da Grécia no Euro é uma impossibilidade objectiva; e com a saída apoiada e sustentada da Grécia do Euro, e depois de uma desvalorização do dracma na ordem dos 50% em relação ao Euro, a sua economia começará a crescer a mais de 3% por ano.

A alternativa à saída da Grécia do Euro será um país em que os capitais gregos “fogem” para os países do norte, por um lado, e por outro  lado o PIB per capita grego tende a deteriorar-se até aos níveis do da Roménia. A Grécia não tem futuro dentro do Euro; e a situação de Portugal também é duvidosa, embora beneficie da dinâmica da economia espanhola (os gregos não têm um vizinho como Espanha dentro da zona Euro).

A manutenção da Grécia dentro do Euro será uma lenta agonia para aquele país. Com as taxas de crescimento médias da zona Euro de 0,5% (ou coisa que o valha), a Grécia nunca mais se levanta do chão se permanecer no Euro, nem nunca poderá pagar as suas dívidas. Admira que o semanário “O Diabo” não veja isto e siga o centrão político eurófilo.

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