perspectivas

Terça-feira, 22 Setembro 2020

A existência de pessoas de raça branca personifica o próprio “Mal”

Filed under: imigração,Inglaterra,marxismo cultural — O. Braga @ 6:53 pm
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A maioria da população de Londres (e de Birmingham!) já não é inglesa — a maioria já é composta pelos chamados “britânicos” imigrantes, mas que não são ingleses autóctones.

Weißen Vernichtung  web

Porém, os globalistas (apoiados pela extrema-esquerda marxista!) ainda não estão satisfeitos: querem estender o processo político de Vernichtung do povo autóctone, a todo o território inglês.

A grande inimiga do globalismo Neocon e do internacionalismo da extrema-esquerda, é a existência das culturas autóctones da Europa. Os brancos serão erradicados da Terra e a sua cultura de origem cristã será destruída — como preconizou o comunista Gramsci, com a bênção de George Soros.

Sábado, 19 Setembro 2020

O chamado “crime-de-ódio” é uma contribuição política para a transformação paulatina da União Europeia em uma espécie de “China” (sinificação)

gay-police-webNa Suécia, uma jornalista vai a tribunal por ter publicado na sua página da Internet um artigo de outra pessoa que questionava a probidade profissional dos muçulmanos proprietários de farmácias.

Em resumo: 1/ uma grande percentagem dos proprietários de farmácias na Suécia é constituída por muçulmanos; 2/ os muçulmanos, por princípio, obedecem à lei da Sharia que dá prioridade aos outros muçulmanos no fornecimento de medicamentos em caso de escassez no mercado; 3/ portanto, a pergunta é pertinente: em caso de escassez de medicamentos, ¿será que os proprietários muçulmanos das farmácias irão dar prioridade de fornecimento a outros muçulmanos?

Ora, a referida jornalista apenas publicou um artigo (que não era da autoria dela) que colocou em questão o problema da fidelidade dos muitos farmacêuticos muçulmanos em relação à lei da Sharia. E apenas por ter publicado esse artigo, foi acusada de “crime-de-ódio” e sujeita agora a dois anos de prisão.


É neste contexto de criminalização da opinião e restrição neomarxista da liberdade de expressão na União Europeia que se situa a escolha de Ursula von der Leyen para líder da União Europeia — eu assumo o meu enorme preconceito em relação às mulheres na política: a Margaret Thatcher foi uma excepção à regra, mas ainda assim foi uma defensora acérrima do aborto.

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A Ursula von der Leyen vem agora com uma putativa campanha contra os “crimes-de-ódio”, à moda da Suécia. Mas ela própria não sabe bem o que é um “crime-de-ódio”, nem interessa saber: o conceito de “crime-de-ódio” é apenas um pretexto para impôr condicionalismos culturais e tiques totalitários aos povos da Europa.

Temos que assumir, de uma vez por todas, que o “socialismo de rosto humano” acabou

Filed under: Esquerda,marxismo,marxismo cultural — O. Braga @ 4:29 pm

MARXISMO-ESCOLAS-webEste artigo do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada é um exemplo do discurso educadinho e politicamente correcto que putativamente se opõe à “extrema-esquerda”, mas que, no fundo, faz o jogo político desta. É um discurso timorato, que acaba por dar alguma razão ao maoísta Pacheco que acusa a Igreja Católica de estar por detrás das reclamações do pai Artur de Famalicão.

Dizem-se muitas asneiras sobre o ensino no tempo de Salazar e Caetano. Por exemplo, quando o Padre compara a disciplina liceal de Organização Política e Administrativa da Nação, por um lado, com a actual disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, por outro lado, “esquece-se” que a disciplina Organização Política e Administrativa da Nação não era nuclear (não era obrigatória, mas antes era optativa): muita gente optava por ela porque era uma disciplina fácil (tínhamos que fazer, obrigatoriamente, o total de seis disciplinas do 7º ano dos liceus; eu fiz essa disciplina).

Qualquer tentativa de modificar a actual disciplina de Cidadania e Desenvolvimento — como defende o Padre — é “chover no molhado”, porque a referida disciplina foi construída pela Esquerda para não ser modificável, de modo algum.

Este tipo de discurso conciliatório e sacerdotal da Não-esquerda é música para os ouvidos radicais como os do ideólogo jacobino Pacheco.

A Não-esquerda tem que começar a perceber que não é possível qualquer tipo de compromisso com a actual Esquerda — que inclui o Partido Socialista de António Costa.

O Partido Socialista de Mário Soares já não existe. O “socialismo de rosto humano” acabou.

Sexta-feira, 18 Setembro 2020

Bárbara Reis, uma criatura burrinha todos os dias (Graças a Deus!)

Uma criatura que dá pelo nome de Bárbara Reis escreveu o seguinte no jornal Púbico (a propósito da oposição à obrigatoriedade das aulas de “Cidadania e Desenvolvimento”):

“A objecção de consciência refere-se a acções, não a ideias. Implica agir, fazer uma coisa”.


Antes de mais, vamos saber o que significa “ideias” (quando começamos a definir, o esquerdalho começa a fugir).

A ideia é aquilo através do qual o pensamento se relaciona com o real (Espinoza).


Embora eu não goste de Espinoza, é impossível recusar esta definição (dele) sob pena de sermos ainda mais burrinhos do que a Bárbara Reis.

Para a Bárbara Reis (como para todos os marxistas!), o ser humano é livre porque age; a Bárbara Reis aproxima-se ontologicamente da realidade dos animais irracionais, categoria a que ela pertence por mérito próprio.

Para nós, outros que discordamos dela, o ser humano age porque é livre: a liberdade é anterior à acção, por um lado, e por outro lado a acção livre depende das ideias que temos.

Ora, para sermos livres temos que nos distinguir dos animais irracionais (de tipo “Bárbara Reis”) e temos que ter ideias.
As ideias são a condição da acção livre (utilizando uma linguagem kantiana).

Sendo que a ideia é “aquilo através do qual o pensamento se relaciona com o real”, não é possível qualquer tipo de acção livre — repito! Livre! — sem as ideias que a condicione.

Por isso é que é perfeitamente legítimo — por exemplo e imaginando aqui o absurdo — a objecção de consciência em relação a aulas que ensinem às crianças as putativas “virtudes do holocausto nazi”.

A objecção de consciência em relação às ideias dos nazis é a condição da prevenção da repetição histórica da acção hedionda que matou milhões de pessoas inocentes.


E por isto tudo é que a Bárbara Reis é uma criatura burrinha todos os dias (Graças a Deus!).

O pós-modernismo como evolução do marxismo

Filed under: marxismo,marxismo cultural,Pós-modernismo — O. Braga @ 3:41 pm

Quando1 a “construção da realidade” do “marxismo científico” falhou2, os marxistas optaram pela desconstrução da Realidade (pós-modernismo: Derrida, Foucault, Bloco de Esquerda, etc.)


Notas
1. Na esteira da influência cultural Iluminista.
2. porque essa construção marxista foi baseada em uma
ideologia e não na ciência, como o demonstrou Karl Popper através do princípio da falsificabilidade.

Segunda-feira, 14 Setembro 2020

Em terra de cegos, quem tem um olho é Pacheco Pereira

O António Balbino Caldeira resume aqui (definição  / noção ) o conceito de “Pós-modernismo”: ideologia marxista pós-moderna do politicamente correcto”.


Todos os ideólogos do pós-modernismo — a começar por Derrida e acabando em Foucault — eram marxistas assumidos (embora desiludidos com a experiência soviética). Todos. Mas, no entanto, o José Pacheco Pereira diz que “o marxismo cultural não existe”.

Podemos resumir (grosso modo) a substância ideológica do pós-modernismo em três factores essenciais (segundo o marxista Derrida):

  • não há Verdade (no universo = negação da ciência);
  • não há Sentido (na vida = negação da metafísica);
  • não há Certezas (= negação de uma ética universal).

Ora, a utopia negativa (ou marxismo cultural) foi a base ideológica que fundamentou o pós-modernismo — ou seja, o marxismo cultural (ou Escola de Frankfurt) está epistemológica- e inexoravelmente ligado ao pós-modernismo.

Quando o marxista José Pacheco Pereira diz que “o marxismo cultural não existe”, ou é burro, ou convém-lhe afirmar que “o diabo não existe”. A afirmação da inexistência do diabo é muito conveniente… para o próprio diabo.

De qualquer modo, parece-me evidente que, em terra de cegos, quem tem um olho é Pacheco Pereira.

JPP-ZAROLHO

Domingo, 13 Setembro 2020

É preciso isolar este estupor magistral do sistema judiciário

Filed under: ideologia de género,marxismo cultural — O. Braga @ 6:59 pm
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Sempre me causou um certo incómodo moral que Salazar tivesse negado a Aristides Sousa Mendes a possibilidade de subsistência material — independentemente das eventuais razões que Salazar tivesse contra o referido diplomata. Em um país normal e civilizado, o referido diplomata seria demitido por crime de desobediência, mas a sua devida reforma de aposentadoria não lhe seria negada pelo Estado.

Ou seja, a forma como Salazar lidou com o problema “Aristides Sousa Mendes” retirou-lhe a razão que aquele poderia (eventualmente) ter tido. Por vezes, temos a razão na nossa mão; mas devido a um acto irracional, perdemo-la. (more…)

Domingo, 6 Setembro 2020

É preciso retirar o Bloco de Esquerda do círculo do Poder, nem que seja à custa de violência extrema

“A criança é o corolário significativo do pai e da mãe, e o facto de se tratar de uma criança humana traduz o significado ancestral dos laços humanos que ligam o pai e a mãe. Quanto mais humana, e por isso menos bestial, for a criança, mais esses laços ancestrais são duradouros e adequados à ordem da natureza.

Por isso, não é um progresso na cultura e na ciência a tendência para enfraquecer esse vínculo primordial, mas antes o progresso deve ir logicamente no sentido de fortalecê-lo… Este triângulo de truísmos constituído pelo pai, pela mãe e pela criança, não pode ser destruído; só podem ser destruídas aquelas civilizações que não o respeitam.

→ G. K. Chesterton


Não há argumentação racional que possa ser utilizada contra a “irracionalidade” do Bloco de Esquerda, que controla o governo de António Costa — como é óbvio: o problema do “irracional” é o de que não é racional. Por exemplo, a argumentação racional de Tiago Abreu contra a eliminação, por parte do Estado bloquista, do estatuto cultural de “pai” e de “mãe”:

« Em vez de “pai”, o Estado Português decidiu por bem chamar-me “Primeiro Progenitor”. À mãe, já devem ter adivinhado, chamaram-lhe “Segundo Progenitor”. Mas ¿como pode uma criança nascer de dois progenitores em que um deles não seja o pai e outro a mãe? Se a ideia era a não discriminação de filhos adoptados, ou não gerados pelos pais, ¿não seria então muito mais sensato dar-se o nome de “pai” e “mãe”, seguindo o adágio popular de “pai é quem cria”?

Porque “progenitor” é precisamente aquele que gera, que procria e nos casos em que tal assim não foi, a neutralidade do nome “pais” seria muito mais adequada (e historicamente mais correcta).

Além disso, ¿a quem cabe por direito o lugar de “Primeiro Progenitor”? ¿Como se define a ordem hierárquica? Com “mãe” e “pai”, problemas desta natureza jamais se poriam. Não sei se a vontade dos pais entra na equação – suspeito que não –, mas se me perguntassem, eu gostava mesmo de ser pai. Primeiro ou Segundo (ou que número seja) Progenitor é muito deprimente.»

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O Tiago Abreu demonstrou, no trecho, a irracionalidade e a auto-contradição da eliminação, por parte do Estado, do estatutos naturais de “pai” e de “mãe”.

Porém, a brutalidade do marxismo cultural (que o patético José Pacheco Pereira diz que “não existe”), protagonizada pelo Bloco de Esquerda, não ficará certamente por aqui: há que destruir qualquer tipo de ligação entre o ser humano e a Natureza — porque a coerência ontológica entre o Homem e a Natureza é, em primeiro lugar, uma salvaguarda contra a discricionariedade tirânica e absoluta dos novos gnósticos (os novos puritanos); e, por outro lado, a ligação entre o Homem e a Natureza é um Ersatz (um substitutivo simbólico) da ligação entre o ser humano e Deus — o que, para os novos gnósticos, é uma nova heresia.

Como escreveu a Isabel Moreira (um submarino do Bloco de Esquerda no interior do Partido Socialista) : “Antinatural, felizmente !”. O mesmo soe dizer-se: “Anti-Deus, felizmente!”. Os novos gnósticos / puritanos negam a existência de qualquer entidade superior a eles, seja essa entidade a Natureza ou Deus — porque os novos gnósticos / puritanos assumem-se a si próprios como uma espécie de deuses (os modernos Pneumáticos) que vêem na própria Natureza um desafio ao seu Poder absoluto.

Talvez não fosse má ideia a reedição do livro “A Tentação Totalitária”, de Jean-François Revel. Chegamos a um ponto em que as “elites” confundem propositadamente “libertarismo” (à moda de Stuart Mill), por um lado, com “totalitarismo” (à moda de Lenine).


“O bolchevismo e o grande capital são parecidos; ambos são sustentados pela ideia segundo a qual tudo se torna mais fácil e simples depois que se elimina a liberdade; e o inimigo irreconciliável de ambos é aquilo a que se convencionou chamar de ‘pequenas e médias empresas’ [no original: ‘Small Business’]”.

→ G. K. Chesterton

O argumento, estúpido (digno de um José Pacheco Pereira, entre outras abéculas da nossa praça providas de um alvará de inteligência), segundo o qual “o que se está a passar não tem nada a ver com marxismo cultural, mas antes é o desenvolvimento actualizado do pensamento (ideológico) libertário de Stuart Mill”, é fácil de desmontar:

quando, por exemplo, jovens estudantes universitários actuais confessam (à boca pequena) que têm medo de opinar — não porque temam pelas suas vidas, mas porque temem pelas suas carreiras profissionais —, estamos muito longe do libertarismo de Mill: esta realidade da espiral do silêncio atemorizadora, imposta pelos agentes políticos do marxismo cultural, está muito longe do pensamento libertário de Stuart Mill.

A “irracionalidade” bloquista, referida acima e denunciada pelo Tiago Abreu, é uma marca do novo totalitarismo sancionado pelos novos gnósticos (ou os “novos filhos-de-puta”): somos todos obrigados, mediante a força bruta do Estado, a subscrever uma doutrina e uma realidade política que sabemos, à partida, serem absurdas: ao aceitar (implicitamente) a mentira imposta pela ideologia, a probidade do cidadão é automaticamente destruída.

A eliminação do estatuto cultural de “mãe” e de “pai”, por parte do Bloco de Esquerda, tem menos a ver com os interesses da minoria guei, do que com a intenção de destruir a honestidade intrínseca do cidadão comum: um cidadão desonesto, desprovido de princípios morais, é mais fácil de controlar por um Estado manobrado pelos novos filhos-de-puta.

Sexta-feira, 4 Setembro 2020

A Esquerda brasileira vence pelo cansaço, e com a sua estupidez

É a segunda vez que esquerdistas brasileiros vêm aqui ao blogue afirmar que “quem está em cima no mapa, sempre se achará superior”, pensando que assim criticam os portugueses.

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Hoje, outra abécula brasileira veio defender a mesma tese segundo a qual “quem está em cima no mapa, sempre se achará superior”:

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Ora, se for necessário inverter o mapa-múndi para que os brasileiros se sintam felizes e reconciliados com eles próprios, então que o façam; Ninguém impede o Brasil de inverter o mundo! (more…)

Quarta-feira, 19 Agosto 2020

O patético Rui Rio deveria meter a viola no saco

Rui Rio é um político que defende abertamente a liberalização da eutanásia; e vem agora a terreiro criticar quem defende a restrição do aborto.

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Os liberais, por um lado, e a Esquerda marxista cultural, por outro lado (les bons esprits se rencontrent… ), adoptam — em matéria de ética, moral e costumes — sistematicamente a estratégia política de “negação do universal” ou a afirmação de um nominalismo radical, em uma primeira fase da guerra cultural; porém, em uma segunda fase da guerra aberta contra a cultura cristã, os liberais e os marxistas passam a generalizar aquilo que era anteriormente — alegadamente — um caso particular “não generalizável”.

Primeiro isolam (tratam um caso como sendo “uma excepção”); e depois generalizam.

Por exemplo: o caso do aborto, naquela criança brasileira de 10 anos, será sempre um ponto de partida da estratégia política para a legalização geral do aborto no Brasil : os liberais e os marxistas partem de um caso particular (por mais defensável que seja aquele aborto, em termos éticos), para depois generalizar esse caso e sujeitar a prática do aborto a um critério universal de puro gosto pessoal.

Os liberais e os marxistas misturam (em pura e flagrante contradição), na sua estratégia política e em proporções infinitamente variáveis, uma axiomática do interesse pessoal, por um lado, e uma axiomática sacrificialista colectiva, por outro lado: a primeira, isola o indivíduo do contexto geral (nominalismo radical), e a segunda é, alegadamente, uma apologia do altruísmo no sentido da universalização de uma determinada acção (neste caso, o aborto).

Por isso (e só por isso) é que eu compreendo a atitude dos conservadores brasileiros. A guerra cultural, levada a cabo pela aliança entre liberais e marxistas, é eminentemente irracional; e perante a irracionalidade, é inútil utilizarmos a Razão.

Sexta-feira, 7 Agosto 2020

O Sérgio Barreto Costa (da Silva Papaeira) e a Introdução Geral acerca do marxismo cultural

Filed under: José Pacheco Pereira,marxismo cultural — O. Braga @ 9:45 pm

OSérgio Barreto Costa (da Silva Papaeira) escreve uma introdução geral em duas partes acerca da existência, ou não, do marxismo cultural. A introdução geral dele tem um duplo objectivo — aliás exarado logo no início do texto: o primeiro, o de sublinhar a opinião (dele) de que Nuno Melo é um normalíssimo político; e o segundo objectivo, o de se superiorizar a José Pacheco Pereira e a António Guerreiro que ele próprio considera serem “os mais importantes intelectuais públicos do país”.

António Sérgio escreveu um ensaio que foi publicado em 1952 (Cartas de Problemática, nº 4) que fala da tendência típica dos portugueses universitários (de tipo Sérgio Barreto Costa) para o discurso redondo e para as “introduções gerais”:

“Liga-se a este culto da sabichice estreme o portuguesíssimo apego às introduções gerais. Sempre que um típico intelectual lusitano tem por mira instruir-nos sobre determinado assunto — embrenha-nos na selva de uma introdução genérica, histórico-filosófico-preparatória, cheia de cipoiais onde se nos enreda o espírito e onde nunca se avista a estrada recta e livre.

Depois, quando já nos achamos cerca da orla da floresta, principiando-se a enxergar o bom caminho e o objectivo — pronto!, acaba-se o fôlego ao nosso autor e a nós próprios, exactamente no instante em que se ia abordar o tema.”

Caros amigos: não nos interessa saber se o Nuno Melo é um “normalíssimo político”, ou não; o que nos interessa é saber — de uma forma sucinta e sem introduções gerais — se ele tem razão, ou não. E Nuno Melo tem razão.

Comentar a Introdução Geral do Silva Papaeira seria incorrer no erro de laborar em uma nova Introdução Geral, desta feita de minha lavra; mas sempre podemos fazer uma ou outra crítica circunstancial, por exemplo, quando o Papaias confunde “cultura intelectual”, por um lado, e “cultura antropológica”, por outro lado; e essa confusão é levada a cabo através de uma sorite1:

«Assim sendo, e uma vez que, para Marx, “a classe que é a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, a sua força intelectual dominante”, é completamente impossível que a supremacia cultural esteja, neste momento, nas mãos da esquerda.»

Basta lermos os editoriais de praticamente todos os jornais portugueses para sabermos qual é a “força intelectual dominante” em Portugal. Só um burro não vê.

É claro que o José Pacheco Pereira é (aparentemente) um burro que se julga experto; o rei vai nu. Não seria necessário escrever uma Introdução Geral rebuscada para constatar um facto tão notório.

Em termos estritamente epistemológicos (deixemos de lado as interpretações subjectivistas), o Sérgio Barreto Costatem razão, isto é, constrói a História de forma correcta — por exemplo, quando fala em Lukacs e em Gramsci.

É claro que o Pacheco não leu Gramsci; ou se leu, entrou em dissonância cognitiva e em estado de negação.

Mas o Papaeira “esqueceu-se” de falar dos desenvolvimentos ideológicos a partir de Lukacs e de Gramsci: a Utopia Negativa (a Escola de Frankfurt, a Teoria Crítica, e o posterior desenvolvimento ideológico marcuseano), e o neo-estruturalismo ou Pós-modernismo.

O marxismo cultural não se restringe a Lukacs e a Gramsci. 


Notas
1. uma Sorite é um sofisma que consiste em acumular proposições que podem ser verdadeiras, mas cuja conclusão é ilegítima por falta de ligação entre as proposições. Por exemplo: “Sou o homem mais belo do mundo. Com efeito, Paris é a cidade mais bela do mundo, o meu colégio é o mais belo de Paris, o meu quarto é o mais belo do colégio; sou o homem mais belo do meu quarto. Por isso, sou o homem mais belo do mundo”. → Cyrano de Bergerac

2. “da Silva Papaeira”: ¿por que razão os “intelectuais” portugueses utilizam sempre três nomes?

Segunda-feira, 3 Agosto 2020

A normalização do normal

A cidade americana de Somerville estendeu aos grupos “poliamorosos” os direitos civis concedidos pelo Estado às pessoas unidas pelo matrimónio — por exemplo, os direitos decorrentes da Segurança Social e da assistência médica, assim como o direito dos membros dos grupos “poliamorosos” a visitar os seus “cônjuges” nos hospitais.

Rapidamente o "casamento" poliamoroso será legalizado no Estado de Massachusetts.

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Em um verbete anterior, esbocei a diferença de propósitos entre o marxismo cultural do Bloco de Esquerda — mas também do Livre, do PAN, e mesmo da ala radical do Partido Socialista de que faz parte o António Costa —, por um lado, e o liberalismo de Stuart Mill — do IL (Iniciativa Liberal) e de um certo PSD de Rui Rio —, por outro lado. Chamei à atenção para o facto de, não obstante os métodos de acção política serem semelhantes, os fins a alcançar (num e noutro caso) são díspares, senão mesmo opostos.

Segundo Fernando Pessoa, os liberais são “aqueles que cuja teoria do progresso inculca a ideia de que ele se faz por uma lenta alteração da sociedade, não tanto nem somente dentro de moldes em que essa vida social se encontra vasada”. (…) “Para o liberal, os moldes (culturais) alargam-se mas a sua forma fica”.

O problema (que Fernando Pessoa não terá visto) é o facto de o “progresso” não obedecer a uma qualquer lei da natureza, por um lado; e por outro lado, o facto de só existir progresso na ciência; e mesmo na ciência, o progresso é estabelecido em função de determinados pontos de referência assinalados epistemologicamente “a posteriori” — como escreveu o reaccionário Nicolás Gómez Dávila: “duvidar do progresso é o único progresso”.


Depois da normalização legal da eutanásia, a legalização e a normalização do “casamento” poliamoroso será uma das prioridades do Bloco de Esquerda e do IL (Iniciativa Liberal) e com ajuda preciosa dos me®dia — embora por razões diferentes. O problema é que o IL (Iniciativa Liberal) não se dá conta de que está a fazer o jogo político destrutivo e totalitário do Bloco de Esquerda.

Quando foi da normalização legal do "casamento" gay, os políticos (do Bloco de Esquerda ao PSD, e mesmo no CDS de Paulo Portas) disseram-nos que “a homossexualidade era coisa normal”, não obstante apenas cerca de 2% da população ser homossexual. O termo “normal” passou a ter uma dimensão abstrusa, produto de um nominalismo radical que infesta a cultura das “elites” políticas actuais.

Quando dizemos que o comportamento característico especifica- e exclusivamente de apenas 2% da população “é normal”, estamos a adoptar uma concepção acientífica da realidade social e cultural.


Precisamos de contrariar esta elite política; e para isso necessitamos de um partido político burkeano forte (burkeano, de Edmund Burke):

  • um partido político que defenda a coesão social e os interesses da maioria (mesmo que o católico bonzinho Seara Duque não concorde) e dos seus costumes;
  • um partido político que se oponha sistematicamente à humilhação do povo por parte da elite política (como esta faz constantemente, por exemplo, quando diz que “o povo português é racista”. A humilhação do povo tem o propósito de o submeter e controlar);
  • um partido que defenda os pressupostos morais básicos e as normas fundamentais que caracterizam a vida boa comunitária;
  • um partido que defenda o respeito pela autoridade, a começar pelos pais e extensível aos idosos em geral;
  • um partido que dê valor à família e apoie políticas de nascimento de crianças;
  • um partido que reconheça as nossas dívidas históricas em relação aos mortos, heróis nacionais incluídos.

Esse é o partido da normalização do normal.

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