perspectivas

Sábado, 5 Outubro 2019

O libertarismo não é uma alternativa viável à ditadura do politicamente correcto

O Alberto Gonçalves escreve o seguinte:

“A ideia [a dos novos puritanos, politicamente correctos actuais] é estabelecer um quadro das regras que devem regimentar a humanidade, e de seguida catar exemplos de violação das regras. Por fim, convém punir os prevaricadores”.


“O liberalismo prega o direito do indivíduo à sua auto-degradação, sempre que a sua auto-degradação não estorve a auto-degradação do vizinho”Nicolás Gómez Dávila 

Quando o Alberto Gonçalves faz a crítica de um determinado “quadro politicamente correcto das regras que devem regimentar a humanidade”, o que ele pretende estabelecer é um determinado quadro alternativo de regras que devem regimentar a humanidade que seja deferente do “quadro das regras politicamente correctas que devem regimentar a humanidade” — porque se alguém afirma algo ou faz uma crítica, está convencido que a sua afirmação ou crítica estão correctas e que todos devem corroborar essa opinião.

Convém dizer que — em todas épocas, ao longo da História — sempre existiu uma qualquer cultura “politicamente correcta” (a cultura preponderante em uma determinada época histórica, que tem sempre um “quadro de regras”); o problema consiste no facto de essa cultura politicamente correcta entrar (ou não) em confronto radical com a Natureza Humana e, consequentemente, com aquilo a que os medievais (por exemplo, S. Tomás de Aquino) e os iluministas (por exemplo, Wolff) chamaram de “jusnaturalismo”.

A negação (mais ou menos radical) da Metafísica não deixa de ser uma forma de metafísica.

Por exemplo: quando a ideóloga socialista e feminista Isabel Moreira escreveu que “o Direito deve ser, felizmente, antinatural”, revela o epítome da evolução cultural e histórica do liberalismo (por favor ler o livro “¿Porque Está a Falhar o Liberalismo?”, para melhor se compreender a evolução da decadência do liberalismo contemporâneo).

A negação da importância da influência da Natureza e do Cosmos, na organização humana, é uma característica dos gnósticos [ou “puritanos”] de todas as épocas.

Em resumo: a crítica racional ao politicamente correcto actual não se pode escorar no libertarismo (por exemplo, o libertarismo do Alberto Gonçalves), porque o libertarismo é uma das causas da decadência actual do liberalismo.

“A mentalidade liberal nunca entende que os horrores que a espantam são o lado avesso das falácias que ela admira”.Nicolás Gómez Dávila 

A alternativa viável ao conjunto de regras (jurídicas, éticas, morais) do politicamente correcto actual — que nega a importância da influência da Natureza e do Cosmos na organização social  — é um outro conjunto de regras (jurídicas, éticas, morais) que tenham em devida conta a importância da Natureza e do Cosmos na Natureza Humana (por exemplo, através do jusnaturalismo e conceito jurídico aristotélico de equidade).

A crítica ao politicamente correcto actual, que não lhe aponte uma alternativa viável, é uma nova edição da Teoria Crítica.

Anúncios

Terça-feira, 24 Setembro 2019

Os liberais, e a culpa da “extrema-direita”

quixote-webMiguel de Cervantes escreveu a obra-prima literária “D. Quixote”, cujo personagem homónimo combatia contra moinhos de vento; hoje vemos os ditos “liberais” a alinhar com a Esquerda radical no “combate às alterações climáticas” — como se nunca, jamais, em tempo algum, se tivessem verificado “alterações climáticas”; quem os ouvir, pode até acreditar que as “alterações climáticas” são um fenómeno físico pós-moderno.

O “liberal” escreve:

“O que há para fazer sobre o combate às alterações climáticas e pela mitigação dos seus efeitos não passa, como não pode passar, pelo fim da liberdade”.

O “liberal” acredita que “o clima muda”; o “liberal” é genial! — porque, alegadamente, podemos deduzir da tese do “liberal” que o clima nunca mudou ao longo de mais de um milhar de milhões de anos!

E, perante a mudança que acontece naturalmente no clima, a Esquerda e os “liberais” (passo a redundância) chegaram à conclusão de que é necessário combater essa mudança (e os burros são, alegadamente, os da “extrema-direita”).

Mesmo que seja cientificamente verificável que o Aquecimento Global Antropogénico existe de facto, as estimativas económicas dizem-nos que (o Aquecimento Global) poderá custar entre 0,2% a 2% do PIB global até 2100 se nada se fizer para o “combater”;

por outro lado, qualquer tipo de “combate” ao Aquecimento Global poderá custar mais de 20% do PIB global até 2100 — portanto, mais vale estar quieto e “deixar correr o marfim”.

Porém, o que é assinalável é que os ditos “liberais” alinhem com a Esquerda radical na treta do «combate às "alterações climáticas"». E depois, “a culpa é da extrema-direita”.


Imagem daqui

aquecimento-do-guterres-e-do-marcelo-web

Quarta-feira, 31 Julho 2019

A hipocrisia das palhinhas de plástico dos restaurantes de hambúrgueres McDonalds

mcdonalds-palhinhasHá muito tempo que não eu não entrava num restaurante McDonalds; hoje entrei e pedi um hambúrguer e uma cola zero.

Quando me sentei para comer, verifiquei que o copo (de plástico) com a coca-cola, não trazia a necessária palhinha (de plástico).

Fui ao balcão pedir a palhinha, e disseram-me que o McDonalds já não fornece a palhinha aos clientes (porque a palhinha pode furar um olho a uma tartaruga marinha). Mas, diz-me a funcionária, que eu posso ir buscar uma palhinha “ali ao lado do micro-ondas”.

Ou seja, o McDonalds não fornece palhinhas de plástico (porque a palhinha pode furar o olho-do-cu de uma marmota), mas podemos ir buscar a palhinha (que o McDonalds não fornece) “ali ao lado do micro-ondas”.

Em suma: por um lado, o McDonalds não fornece palhinhas; mas, por outro lado, o McDonalds fornece palhinhas.

Note-se que a cadeia de fast-food McDonalds simboliza o píncaro do sistema capitalista. Ora, é esta hipocrisia “ecologista”, oriunda da Esquerda mais radical, que é adoptada religiosamente pelos herdeiros do capitalismo americano.

Quinta-feira, 18 Julho 2019

Com “liberais” como o Pedro Picoito, ¿para que precisamos da Catarina Martins?!

Filed under: Esta gente vota,liberalismo,politicamente correcto — O. Braga @ 12:00 pm

Durante as décadas de 1960 e 1970, o cidadão português (emigrante) era conhecido genericamente na Europa do norte por “ladrão de bicicletas” (principalmente na Holanda, Bélgica e França).

ladrao-de-bicicleta-webHoje, já ninguém na Europa utiliza este epíteto em relação ao português imigrante — não só porque a cultura do português médio mudou (hoje, o tuga já não rouba bicicletas), mas também porque o tuga médio já não anda de bicicleta (prefere o automóvel).

¿O epíteto de “ladrão de bicicletas”, quando aplicado ao tuga naquelas duas décadas, tinha alguma razão de ser? Claro que sim! Quando saía uma notícia no jornal sobre um roubo de uma bicicleta, em grande parte dos casos vinha-se a descobrir que o ladrão era um imigrante português.

Se o Pedro Picoito fosse um adulto durante aquelas duas décadas, escreveria certamente o seguinte:

« Trata-se de um argumento falacioso e pouco liberal. É a generalização sobre os imigrantes portugueses, que a leva a cair na velha armadilha ideológica do determinismo. Dizer que os “portugueses são ladrões de bicicletas” não é apenas uma caricatura de mau gosto. É condenar à suspeita todos os portugueses que procuram integrar-se na sociedade da Europa do norte, apesar dos obstáculos que enfrentam, apesar dos preconceitos de que são alvo. É negar a individualidade a um número vasto de pessoas em nome da sua origem étnica ou cultural. É, em suma, desprezar a meritocracia e a igualdade. »

Porém, a verdade é que uma grande parte dos casos de roubos de bicicletas (por exemplo, na Bélgica) era (naquela época, e a julgar pelas notícias dos jornais) empiricamente (experiência) associado a imigrantes portugueses.

Ora, é esta verdade empírica acerca dos factos sociológicos e culturais (que são sempre circunstanciais e circunscritos a um determinado Zeitgeist) que o politicamente correcto (ou Pedro Picoito, o que vai dar no mesmo) pretende esconder ou escamotear.

O facto (verificado) de terem existido muitos Tugas “ladrões de bicicletas”, na Bélgica e nas décadas de 1960 e 1970, não significa necessariamente que tenha existido, em relação aos Tugas, “a velha armadilha ideológica do determinismo”. O que existiu, na Bélgica (por exemplo), foi a estigmatização do comportamento de roubo de bicicletas, e que por causa do alto nível de incidências calhou maioritariamente aos Tugas que roubavam bicicletas.

Ora, parece que tanto o Bloco de Esquerda como o Pedro Picoito não concordam com a estigmatização de um determinado comportamento socialmente indesejável ditado por uma qualquer cultura antropológica.

Neste aspecto (no politicamente correcto), o Pedro Picoito e a Catarina Martins estão de acordo. É neste sentido que se diz por aí que  “os liberais portugueses são a ‘Direitinha’ educadinha” (andam a “toque de caixa” da Esquerda radical).


Ler o texto do Pedro Picoito (também em PDF aqui).


Uma das características do discurso do Pedro Picoito (e do politicamente correcto, e da Esquerda em geral) é a perda na noção cultural de “juízo universal ”.

Até há pouco tempo, a noção de “juízo universal” pertencia ao senso comum.

Por exemplo quando eu digo hoje que os homens correm mais rápido do que as mulheres”, aparece sempre um Pedro Picoito qualquer a dizer que “você está errado, porque eu conheço uma mulher que corre mais rápido do que homens!”.

Hoje, o nominalismo radical instalou-se na cultura da “elite”, e de tal forma que o juízo universal deixou de pertencer ao senso comum. Hoje, a “elite” tende a ser a-científica.

Estamos perante a estupidificação da cultura (o “imbecil colectivo”) realizada em nome de um certo elitismo cultural e intelectual.

Portanto, o argumento do Pedro Picoito da “velha armadilha ideológica do determinismo”, é falacioso; não cola.

O “determinismo” só existe (no caso da estigmatização de um comportamento indesejável) enquanto um determinado comportamento associado empiricamente a uma certa cultura é prevalecente e/ou notório: mas trata-se de um “determinismo provisório”, e portanto, não é um “determinismo” propriamente dito.

Podemos verificar, através do texto do Pedro Picoito, como existe um continuum consensual entre a mentalidade e mundividência do referido “liberal”, por um lado, e a mentalidade e a mundividência da Catarina Martins ou do Francisco Louçã, por outro lado.

Com “liberais” destes, ¿para que precisamos da Catarina Martins?!

Sexta-feira, 12 Julho 2019

Não devemos confundir “indivíduo” e “pessoa moral”

Filed under: Cuidado que esta gente tem opinião!,liberalismo — O. Braga @ 10:49 pm

Já não bastava o espírito anticientífico que ilumina a actual Esquerda, e vem agora alguém que se diz da Direita tentar eliminar as categorias da Realidade e, (tal como faz o Bloco de Esquerda), reduzindo toda a Realidade a um nominalismo radical.

liberalismoÉ esta “direitinha” que alimenta o progresso da Esquerda.

A ideia estúpida, dita “liberal”, segundo a qual “a acção individual é totalmente independente do colectivo” (nominalismo radical) conduziu-nos (não só, mas também) ao actual estertor do liberalismo político.

A defesa — feita pelo Bloco de Esquerda e afins — da anomia e do isolamento do indivíduo face ao Estado (o nominalismo aplicado à política: ver "Vontade Geral" de Rousseau) é corroborado por “liberais” que tratam de enterrar o liberalismo político com o mesmo afã com que o fazem os inimigos da liberdade. Só que estes ditos “liberais” são os idiotas úteis do processo político totalitarizante.

Muita merda se tem dito e escrito acerca do “liberalismo” — incluindo a Fátima Bonifácio, que também contribuiu bastamente para a escatologia —, e uma das merdas é a confusão que se faz aqui entre o conceito de “super-estruturas” de Karl Marx, por um lado, e, por outro lado, as diferentes categorias sociais marcadas pelas diferenças culturais e étnicas, que são reais e que condicionam fundamentalmente a acção dos indivíduos.

Tal como fazem os radicais de esquerda, os ditos “liberais” escamoteiam os factos que caracterizam a realidade social, e em nome de uma ideologia.


O que é preciso dizer aos ditos “liberais” é que não devemos confundir “indivíduo”, por um lado, e “pessoa moral”, por outro lado. Só um burro ou uma avantesma do Bloco de Esquerda faz essa confusão.

Enquanto a noção de “individualidade” remete, em primeiro lugar, para a unidade fisiológica ou biológica — já o princípio da “pessoa moral” é a identidade consciente e voluntária; e quando se fala de um determinado “indivíduo”, colocamos o acento tónico nas particularidades ou nas diferenças que o distinguem de qualquer outro — mas as pessoas morais, pelo contrário, são fundamentalmente parecidas pela Razão, pelo Ser e pela faculdade de comunicar.

Sexta-feira, 3 Maio 2019

A “pessoa”, como princípio de diferenciação cultural que caracteriza a singularidade da Europa (1)

 

A Cristina Miranda diz aqui aquilo que eu já resumi (neste espaço) da seguinte forma: a diferença entre o Bloco de Esquerda, por um lado, e os liberais portugueses, por outro lado, reduz-se à (concepção da) economia. Em tudo o resto são semelhantes, são compagnons de route do movimento revolucionário que conduzirá inevitavelmente a um novo tipo de totalitarismo.

« [os liberais portugueses] são uma espécie de “bloco de esquerda” nas liberdades individuais e no progressismo, mas liberais “não-socialistas” na economia.»

Lamento mas a Direita nunca governou em Portugal


A redução da realidade inteira à economia é uma característica própria de indigentes intelectuais, ou então de marxistas (o que vai dar no mesmo).

O “dilema” dos liberais portugueses é o de que não é possível (em termos práticos) defender o liberalismo na economia ao mesmo tempo que se defende uma cada vez maior (e multifacetada) intervenção do Estado na sociedade (ou seja, defender o liberalismo económico e, simultaneamente, defender a negação crescente e progressiva do liberalismo político).

Os liberais portugueses vivem em uma situação política de contradição insanável. Os liberais portugueses caíram numa armadilha ideológica que os conduzirá inexoravelmente à sua (deles) morte política.

E a armadilha ideológica colocada pela Nova Esquerda (a que se seguiu à queda do muro) consiste na ideia segundo a qual “é preciso cada vez mais intervenção do Estado na sociedade para assim defender uma cada vez maior afirmação da liberdade do indivíduo”. Mas os liberais portugueses não vêem a contradição do propósito da Esquerda.

Uma crescente e cada vez maior intervenção do Estado na sociedade não pode obviamente conduzir a uma maior liberdade individual, mas antes conduz à anomia e ao isolamento do indivíduo face a um Estado plenipotenciário  — ou seja, conduz ao prelúdio de um novo tipo de totalitarismo que tem como desígnio o fascismo chinês.

Não é por acaso que o fascismo chinês é o modelo político defendido pelas elites mundialistas para as diferentes regiões do planeta, e a União Europeia é uma clara tentativa impôr na Europa um fascismo político à imagem da China (sinificação).

A discussão deste assunto é prolixa: os liberais portugueses, salvo excepções, têm um baixo Coeficiente de Inteligência. Discutir com eles é “chover no molhado”.

Sexta-feira, 15 Fevereiro 2019

Os bolcheviques (a Esquerda) e os mencheviques (a “Direita”) actuais

Filed under: liberalismo,liberdade — O. Braga @ 8:00 pm

 

A “escravidão” é um estado existencial/ontológico; a “escravatura” é um estado político/social.

“Viver na escravidão” pode não ser a mesma coisa que “viver na escravatura”. Pode-se viver, por exemplo, na “escravidão dos vícios” (a submissão aos vícios), ou, em termos poéticos, na “escravidão do amor” (a submissão em relação ao ente amado).

Porém, os brasileiros chamam à escravatura, “escravidão” — como podemos verificar neste texto.


Contudo, o mais incómodo do referido texto é a “crítica” que faz ao conservadorismo (através da critica a Edmund Burke) — não que o conservadorismo não seja passível de qualquer crítica: não se trata disso; o problema é que a crítica em referência no texto não faz sentido (não tem lógica).

A referida crítica ao conservadorismo é escorada em uma análise de uma obra de ficção literária. O autor do texto recorre a um romance ficcional para propôr uma crítica ao conservadorismo — o que é um completo absurdo.

Aliás, este é o método tradicional da Esquerda: recorrer à narrativa ficcional, muito carregada emocionalmente (o apelo sistémico à emoção), para fazer valer os seus pontos de vista; por isso é que os “liberais” actuais fazem parte da Esquerda: estes também são “progressistas”, no sentido em que também concebem o “progresso” como uma lei da Natureza.


Vivemos em um mundo em que o confronto político entre mencheviques e bolcheviques se globalizou: a Esquerda (os bolcheviques actuais) e a dita “Direita” (os mencheviques actuais) são duas facções do mesmo partido global.
E quem não faz parte (quem não identifica com esse) desse partido dos bolcheviques e mencheviques coevos, não pode ser “progressista”.

Os bolcheviques (a Esquerda) e os mencheviques (a “Direita”) actuais, partem do princípio errado segundo o qual “existiu um progresso real e positivo nas sociedades ocidentais desde o Iluminismo até aos nossos dias” — quando, na realidade, o único “progresso” que existe realmente é o que se verifica nas Ciências da Natureza, e mesmo este progresso científico não está isento de erros, de avanços e recuos.

A liberdade a que o “liberal” actual aspira, não é a de um homem livre, mas antes é a liberdade de um escravo em dia de feira. A verdade é que a dignidade do ser humano não está na sua (pretensa e alegada) liberdade, mas antes está no tipo de restrições livremente aceites pela sua vontade.

Os mencheviques e bolcheviques de hoje justificam o alegado “progresso social moderno” retrófobo (falácia ad Novitatem) varrendo a miséria moral que defendem para baixo do tapete da ética política que sustentam — por exemplo, quando criticam a escravatura dos séculos passados, ao mesmo tempo que defendem a liberdade de matar um ser humano (aborto) chamando-lhe um “conjunto de células”.

O problema histórico da escravatura é demasiado complexo para ser abordado à luz da emoção. A escravatura é tão antiga quanto a prostituição. Ainda hoje existem escravos que o “liberalismo progressista” não conseguiu eliminar (por exemplo, nos territórios libertados pelas revoluções da chamada “Primavera Árabe” progressista). As sociedades actuais diferenciam-se meramente no estatuto dos seus escravos e no nome que lhes dão. É tudo uma questão de semântica.

Sexta-feira, 18 Janeiro 2019

Nicolás Gómez Dávila e o liberalismo

Filed under: A vida custa,liberalismo,liberdade — O. Braga @ 4:49 pm
Tags:

 

ngd-liberal-quatro-web

Quinta-feira, 1 Novembro 2018

A censura me®diática levada a cabo pelos “liberais” portugueses

 

Há dias, alguém colocou um artigo meu à discussão em um grupo de “liberais” portugueses no FaceBook, e levei com um chorrilho de asneiras e argumentos ad Hominem. Naturalmente que os burrinhos eram maioritariamente frequentadores do blogue Blasfémias.

alianca liberal web

A relação entre os “liberais” portugueses e a Esquerda é uma relação de dependência. Vivem uns em função dos outros; não podem viver uns sem os outros.

protestantism-secularism-communism-webE quando alguém se atreve a não depender ideológica- e emocionalmente de uns e doutros, os “liberais” portugueses actuam em uma lógica corporativista que faz lembrar a Esquerda marxista mais ortodoxa e dogmática.

É neste contexto que surge este artigo de uma luminária “liberal” da nossa praça que dá pelo nome de David Dinis, e um consequente comentário por parte de um indivíduo que dá pelo nome de Henrique Pereira dos Santos.

Devo reconhecer o seguinte: os ditos “liberais” portugueses seguem à risca a agenda política marxista — ou seja, os “liberais” portugueses não passam de um instrumento político do processo revolucionário em curso.

É claro que — ao contrário do que a luminária parece implicar — “normalizar” e “racionalizar” não são a mesma coisa, nem fazem parte de um mesmo processo analítico necessário.

Podemos racionalizar algo que não é passível de normalização (exactamente porque procedemos previamente a um escrutínio da razão). Neste aspecto estou de acordo com o Henrique Pereira dos Santos: não cabe aos gnósticos iluminados da nossa praça (ou seja, à aliança política tácita entre os marxistas e os “liberais”) decidir o que a populaça deve ou não ler, ou deve ou não saber.

A actual ditadura do “regime da rolha” resulta da aliança tácita (não declarada) entre “liberais” e marxistas.

Segunda-feira, 17 Setembro 2018

Steve Bannon dá um KO à jornalista chefe do jornal The Economist

 

Quinta-feira, 26 Julho 2018

Ser liberal, hoje, é ser anti-liberal

Filed under: liberalismo,Nancy Fraser,Nuno Melo,Passos Coelho — O. Braga @ 7:03 am

 

O Nuno Melo pode ser comparado a José Pedro Aguiar-Branco : um homem que me pareceu ter boas ideias, mas que soçobrou pragmaticamente às pressões do sistema político vigente. Aguiar-Branco também tinha uma carreira política promissora em um PSD que nada tinha a ver com o actual de Rui Rio; mas o pragmatismo político prevaleceu talvez sobre as suas próprias ideias.

“O político nunca diz aquilo em que acredita, mas antes diz aquilo que julga ser eficaz.” — Nicolás Gómez Dávila

kapo-webAguiar-Branco parecia ser uma excepção à regra; mas, para não dizer aquilo em que acredita, ele remeteu-se ao silêncio de um governo caninamente subserviente a Angela Merkel.

O grande erro de Passos Coelho não foi o de instaurar uma política de austeridade (que era e ainda é necessária): o erro dele foi o de se apanascar em relação a Angela Merkel, e, com essa sua posição de amouco político, ou de Kapo de um Konzentrationslager, Passos Coelho representou o apanascamento da nação portuguesa. Ora, isto nunca lhe perdoo. Passos Coelho chegou ao ponto de menosprezar os portugueses reais (porque para ele, os portugueses pareciam ser uma entidade abstracta) em nome do apanascamento à ideologia imposta pela desequilibrada Angela Merkel.

A política de austeridade não implica necessariamente o apanascamento político.

A actual situação política no Ocidente é muito complexa, e por isso é absolutamente necessária uma simplificação das ideias, ou seja, é preciso ideologia. Infelizmente, isto já não vai com abstracções de intelectuais de urinol.

“Os portugueses sempre adoraram o concreto: entendem o abstracto, mas procuram traduzi-lo imediatamente em concreto.” — Agostinho da Silva

A complexidade da situação política ocidental pode ser resumida da seguinte forma: o conceito de Nancy Fraser de “Neoliberalismo Progressista” (de que falei aqui) é pertinente, faz todo o sentido.

Ou seja, verificamos que quase tudo o que a Esquerda radical (passo a redundância) defende (com excepção das premissas económicas), é imediatamente adoptado pelo chamado “liberalismo”.

É assim que uma certa “Direita” dita “liberal” (por exemplo, a de Rui Rio), que se manifesta muito na SIC do Bilderberger Pinto Balsemão, faz a apologia do partido Democrático dos Estados Unidos e apaparica sistematicamente o Obama e a Hillary Clinton, contra Donald Trump.

A diferença entre Rui Rio e a Catarina Martins é a de que o primeiro não acredita que a economia possa ser exclusivamente baseada em um capitalismo de Estado.

É apenas a economia que os separa. Em tudo o resto, embora não sejam idênticos, os dois são indiscerníveis. Por exemplo, na política cultural, não conseguimos distinguir Rui Rio de Catarina Martins.

A situação política portuguesa — e Ocidental — seria histriónica, se não fosse grave.

É neste contexto da indiscernibilidade cultural entre a Esquerda radical e os liberais, que surge o fenómeno político do chamado “populismo”, de Donald Trump, do Brexit, de Nigel Farage, de Geert Wilders, de Marine Le Pen, de Viktor Órban, da Polónia e da república Checa, de Matteo Salvini, etc.. Nancy Fraser tem razão neste aspecto.

A indiscernibilidade política entre a Esquerda radical e o liberalismo, manifesta-se, por exemplo, na política de fronteiras: é assim que (por exemplo) Angela Merkel ou Hillary Clinton, ou o bilionário liberal George Soros (e os neocons e liberais em geral), “concordam” com a Esquerda radical trotskista em relação a uma política permissiva de imigração.

Ser irracional é hoje uma condição política essencial. Ser irracional voltou a estar na moda. Quem não se mostra irracional não vinga no actual cenário político Ocidental.

O chamado “populismo” vem exactamente introduzir uma certa racionalidade no debate político — e por isso é que é imediatamente rechaçado, tanto pela Esquerda radical como pelos liberais. Se virmos, por exemplo, o canal de televisão da SICn, diremos que se trata de uma extensão me®diática do Bloco de Esquerda; aliás, toda a me®dia está tomada pela Esquerda, e com a bênção dos liberais. Neste contexto, a seguinte proposição de Nuno Melo foi considerada “fassista”:

“O espaço europeu pode ser um destino de acolhimento para outros povos, mas estes devem respeitar as nossas leis, valores e costumes, de forma a não nos sentirmos sequestrados na nossa casa”.

Por exemplo, a liberal Angela Merkel não subscreveria esta proposição de Nuno Melo; a liberal Hillary Clinton diria, a propósito, que Nuno Melo é um herege — porque, como diz Nancy Fraser, o liberalismo entrou em competição com a Esquerda radical no sentido do controlo da política cultural. Ou seja, o liberalismo deixou de ser racional.

Hoje, ser liberal é não ter a mínima ideia da sociedade que se pretende construir; é emular a Esquerda nas políticas culturais, minando assim a estrutura metafísica, ética, cultural, política e económica da sociedade. Ser liberal, hoje, é imitar a sociopatia da Esquerda. Ser liberal, hoje, é ser anti-liberal.

Terça-feira, 17 Julho 2018

“Transição demográfica” — o novo slogan que une os Liberais à Esquerda radical

O Ricardo Paes Mamede (mais um psicopata com os três nomes…!, que estão na moda ) pode perceber muito de economia, mas duvido que perceba grande coisa de História; pelo menos a história que não esteja ao serviço de uma qualquer ideologia.

O Mamede escreveu um texto com o título “¿Queremos mesmo pagar às pessoas para se reproduzirem?”. Eu guardei o texto em ficheiro PDF para memória futura.

No referido texto, o Mamede escreveu o seguinte:

“Há quem pareça acreditar que a existência do país e da sua identidade ficam em perigo se a população diminuir no longo prazo. Quem valoriza a identidade nacional deveria lembrar-se que grande parte da história de Portugal se fez com níveis populacionais muito inferiores aos actuais – e que foi sempre marcada por grandes doses de miscigenação, alimentadas por vagas de pessoas oriundas do exterior”.

O conteúdo ideológico desta citação é falso; o que o Mamede diz é falso. Portugal nunca foi uma espécie de Brasil. Portugal nunca teve “grandes doses de miscigenação”, nem teve “vagas de pessoas oriundas do exterior”. O Mamede mente. Basta termos estudado História no ensinos secundário para sabermos que o Mamede é um mentiroso. Portugal sempre foi um país de emigração, e não de imigração.

IMMIGRANTS-webO referido texto é (em várias partes) auto-contraditório, por exemplo, quando defende a ideia segundo a qual “a imigração é uma via mais adequada do que o aumento da natalidade para enfrentar o desafio da transição demográfica, na medida em que permite arrecadar receitas de impostos e contribuições sociais no curto prazo”, por um lado; e por outro lado quando o Mamede escreve que

“deveríamos preocupar-nos com o que mais conta (e que pesa menos no Orçamento do Estado): estabilidade no emprego, horários de trabalho que permitam aos adultos acompanhar as crianças e os jovens a seu cargo, partilha das tarefas domésticas entre homens e mulheres, um serviço público de ensino pré-escolar desde a primeira infância. Se pensarmos bem, estas são medidas que têm que ver com igualdade de oportunidades, com igualdade de género e com qualificação da população. A natalidade é aqui uma questão de segunda ordem”.

Por um lado, o Mamede diz que a imigração em massa — naturalmente de países de África e de países de cultura islâmica — resolve melhor o problema da “Transição Demográfica”; mas por outro lado fala na necessidade de igualdade entre os sexos. Estamos todos mesmo ver os maomedanos imigrantes (e os africanos também) a obedecer aos critérios de igualdade do Mamede…

O conceito de “Transição Demográfica” não é apenas próprio 1/ da Esquerda utilitarista (Bloco de Esquerda e Partido Socialista): é também 2/ um conceito oriundo do globalismo americano traduzido pelos neocons americanos (desde o tempo do ex-trotskista James Burnham); 3/ pelo actual partido democrático dos Estados Unidos (de Hillary Clinton e de Obama) e da actual deriva “progressista” deste partido, e 4/ de uma charneira política de plutocratas de que George Soros é umas das figuras centrais.

obama-gained-office

Uma certa “Direita” está de acordo com uma determinada Esquerda sobre a necessidade de uma política malthusiana aplicável apenas e só no Ocidente (Europa, Estados Unidos e Canadá).

A primeira vez que ouvi falar de “Transição Demográfica” foi da boca de Pinto Balsemão (o “Chico dos Porsches” e do grupo de Bilderberg) em um programa na TV SICn, no princípio da década passada, em que ele afirmou que “se Portugal tivesse metade da população actual, não teria tantos problemas” (sic). Esta frase bem poderia ter sido dita pelo esquerdista malthusiano Ricardo Paes Mamede ou pela bloquista Catarina Martins: Les bons esprits se rencontrent…


 

Outra contradição do Mamede consiste em afirmar que

“quem quiser ter filhos – biológicos ou adoptados – tê-los-á por iniciativa própria. O Estado não precisa de interferir nas escolhas íntimas de cada um”,

por um lado; e por outro lado, o Mamede defende a ideia de que o Estado deve garantir o aborto grátis em hospitais públicos, e que os Centros de Saúde do Estado devem garantir uma distribuição grátis de contraceptivos pela população. Ou seja, para o Mamede, o Estado deve ser neutro apenas no que diz respeito ao fomento da procriação da população autóctone da nação portuguesa. A “neutralidade” do Estado do Mamede não é neutra.

refugee-germany

Gente como o Ricardo Paes Mamede não pode ser levada a sério pela nossa sociedade e pelo nosso escol. Aliás, se levássemos a sério o que o Mamede defende, teríamos que o eliminar fisicamente, para que ele pudesse ser coerente com as suas (dele) próprias ideias… seguindo a lógica do Mamede: não sei por que razão teríamos que dar o direito à vida a pessoas (como ele) que defendem que a vida dos outros deve ser eliminada de raiz. Quid Pro Quo.

O texto de Mamede é “ideológico”, isto é, tem muito pouco a ver com a realidade — por exemplo, quando ele defende que a imigração em massa resolve melhor o problema da baixa natalidade. Esta ideia do Mamede é absolutamente falsa, e essa falsidade é corroborada pelos factos constatados no terreno na Alemanha, por exemplo. O Mamede é perigoso, porque é um mentiroso compulsivo, um psicopata.


Segundo Hannah Arendt, todo o pensamento ideológico (as ideologias políticas) contém três elementos de natureza totalitária:

1/ a pretensão de explicar tudo;

2/ dentro desta pretensão, está a capacidade de se afastar de toda a experiência;

3/ a capacidade de construir raciocínios lógicos e coerentes que permitem crer em uma realidade fictícia a partir dos resultados esperados por via desses raciocínios — e não a partir da experiência.


Pelo menos ¾ dos imigrantes recentemente chegados à Alemanha não trabalham (vivem “à pala” do Estado), e não se espera grande evolução nesta matéria nas próximas décadas, porque estamos a falar de gente que mal sabe ler e escrever a língua do país de origem (e muito menos a língua alemã!).

Portanto, a ideia do Mamede segundo a qual sai mais caro barato ao Estado importar imigrantes desqualificados em massa, do que investir na prole autóctone, é de uma filha-da-putice daquelas que se ouvem apenas uma vez em toda a vida.


Eu consigo estar de acordo com o Mamede no que diz respeito à ideia de que o dinheiro do Estado não resolve o problema da baixa natalidade — porque, antes de mais nada, a baixa natalidade revela um grave problema cultural que o dinheiro do Estado não conseguirá resolver. Não é deitando dinheiro do Estado para cima do problema da natalidade que ele se resolve, como que por milagre. Não há dinheiro que resolva o problema intrínseco de uma sociedade niilista — a sociedade niilista que bestas como o Mamede fomentam e incentivam, sem deixarem impressões digitais.

Chegará o tempo do ajuste de contas; não perdem pela demora.

Página seguinte »

Create a free website or blog at WordPress.com.

%d bloggers like this: