perspectivas

Segunda-feira, 2 Março 2020

A vida humana, enquanto fenómeno biológico, não pode estar sujeita a interpretações filosóficas por parte dos médicos

Filed under: eutanásia,Peter Singer,utilitarismo — O. Braga @ 4:31 pm

Temos aqui um texto no Observador assinado por uma menina de seu nome Mar Mateus da Costa — se ela fosse estrábica, seria Marissol: teria um olho no Mar e o outro no Sol; mas o estrabismo da Mar é ideológico: através da ambiguidade e da ambivalência no que diz respeito à eutanásia, a Mar acaba por ceder à permissividade em relação ao irracional. Ela não é Marissol de nome, mas é uma Marissol mental.

Tem-se feito tudo para se justificar a irracionalidade da eutanásia patrocinada e perpetrada pelo Estado, ao mesmo tempo que se iliba o Estado de responsabilidades nos cuidados paliativos.

Há um trecho do texto da Marissol que salta à vista:

«A Constituição atesta a inviolabilidade da vida humana, pelo que a Assembleia da República, ao aprovar os projectos-de-lei dos demais partidos, separou claramente o conceito de vida humana do conceito de meramente estar vivo. Se aceitarmos esta separação, somos também forçados a aceitá-la na formulação de Genebra. Quer então isto dizer, por hipótese, que se um médico não se declarar objector de consciência, não estará a violar o juramento que fez no início de carreira. Naturalmente, caso se declare o problema não se aplica.»

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Sexta-feira, 14 Fevereiro 2020

O Domingos Faria, o sofista

Filed under: Domingos Faria,eutanásia,utilitarismo — O. Braga @ 10:07 pm

pass-auf-ao-burro-webO Domingos Faria agarra-se a dois autores de tradição cultural britânica, e tira deles a ilação segundo a qual “quer se seja consequencialista quer se seja deontológico, não parece haver bons obstáculos morais para a eutanásia”.

E depois ele cita o “teólogo” Hans Küng para dizer que até mesmo o Cristianismo pode defender a legalização eutanásia — só lhe falta dizer que o Anselmo Borges, que defendeu a legalização do aborto, também é “teólogo”; e que, por isso, também é possível ao Cristianismo defender o aborto.

Ver o texto dele aqui.


A filosofia é entendida pelo Domingos Faria como os sofistas a entendiam no tempo de Sócrates: a filosofia é reduzida à capacidade de retórica, e não existe uma verdade objectiva intrínseca à Realidade.

utilitarismo-web

Ademais, o Domingos Faria (tal como a Isabel Moreira, por exemplo) acredita que é possível que a lei portuguesa da eutanásia seja melhor do a que lei belga, holandesa, ou canadiana — talvez porque ele pense que os legisladores portugueses pertençam a uma casta superior.

Porém, e mesmo que a lei “perfeita” da eutanásia não seja cumprida num ou noutro caso, serão esses casos os danos colaterais característicos do utilitarismo que o Domingos Faria defende.

E quem não pertença ao “maior número”, que se foda!


«HOY, el anciano es tan inútil como el animal viejo. Donde no hay alma que los años tal vez ennoblezcan, sólo queda un cuerpo fatalmente envilecido.» — Nicolás Gómez Dávila

Quinta-feira, 6 Fevereiro 2020

O Partido Comunista é o único partido da Esquerda que (ainda) não é utilitarista

Filed under: Esquerda,esquerdopatia,eutanásia,utilitarismo — O. Braga @ 8:48 am

«Lucas Pires argumenta que a “eutanásia é uma visão utilitária da vida” e esquerda “devia ser contra”, tal como é contra o consumismo noutras áreas.»

“Eutanásia é uma visão utilitária da vida” e esquerda “devia ser contra”


O Jacinto Lucas Pires está equivocado: nem toda a Esquerda tem uma “visão utilitária da vida”.

O único partido da Esquerda que (ainda) não é utilitarista é o Partido Comunista; aliás, na esteira do próprio Karl Marx, que dizia que “o utilitarismo é moral de merceeiro inglês”.

O próprio Álvaro Cunhal (o ex-Secretário-geral do Partido Comunista), no seu livro “O Aborto – Causas e Soluções”, confessa que hesitou muito — e reflectiu ainda mais — antes de defender a legalização do aborto, precisamente por causa do carácter utilitarista da lei do aborto (e, por isso, não consentâneo com a pureza da doutrina marxista).


Toda a doutrina utilitarista encontra-se condicionada por duas proposições antitéticas ou contraditórias entre si:

bentham

  • uma proposição positiva (axiomática de interesse próprio), que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista — por exemplo, Rui Rio do PSD ou José Pacheco Pereira; “libertários” de Esquerda que mais não são do que prosélitos do marxismo cultural, como Rui Tavares; a maioria da elite do Partido Socialista; e grande parte dos militantes do Partido Social Democrata;
  • e uma proposição normativa (axiomática sacrificialista), que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do "maior número" — por exemplo, Catarina Martins do Bloco de Esquerda, alguns quadros do Partido Comunista (excluindo Jerónimo de Sousa);

Todo o utilitarismo mistura, em proporções infinitamente variáveis e dependente apenas da discricionariedade política das elites, uma axiomática do interesse e uma axiomática sacrificialista, que é simultaneamente um encantamento pelo egoísmo e uma apologia do altruísmo, e tentativa de reconciliar um ponto de vista ferozmente individualista e uma vertente colectivista, globalizada e holista.

Bloco de Esquerda, Partido Socialista, e PSD actual são partidos que perfilham o princípio ético de Bentham — o da maior felicidade para o maior número possível”: mas quem não faz parte do “maior número” … está f*d*d*!

Quarta-feira, 25 Dezembro 2019

A legalização da eutanásia, e a “destruição criativa” da sociedade

Filed under: Esquerda,esquerdalho,esquerdopatia,eutanásia,utilitarismo — O. Braga @ 4:15 pm

A Ana Sofia de Carvalho faz aqui um “diagnóstico” correcto acerca da posição putativamente “libertária” da Esquerda em matéria da legalização da eutanásia (que inclui o PSD de Rui Rio), mas depois ela aplica-lhe o “tratamento analítico” errado.

“Volto uma vez mais ao tema da eutanásia. Confesso que ao ler a exposição de motivos dos projectos de lei apresentados pelo BE, PS e PAN me fez revisitar uma corrente filosófica, denominada de libertária, que teve como principal autor um filósofo de Harvard, Robert Nozick.”

A crítica feita, por diversos filósofos, ao “libertarismo” de Nozick, é devastadora!

Desde logo, a crítica do filósofo Michael Sandel, que demonstra que o erro dos libertários é o de “adoptarem uma concepção voluntarista do sujeito” — isto é, adoptam a ideia segundo a qual o sujeito preexiste (existe anterior- e separadamente) aos fins que ele próprio elege. Em bom rigor, é impossível que o sujeito tenha um tal desapego de si mesmo a respeito dos fins, e por isso torna-se necessária a admissão de que a própria identidade (do sujeito) é constituída por aqueles fins.

Sandel defende a ideia segundo a qual a questão de saber se o Estado deve recusar intervir no tema do aborto depende da verdade ou falsidade da doutrina moral que concebe o aborto como um assassínio — e apenas se as teses substantivas da Igreja Católica sobre este assunto se revelarem falsas se terá o direito de exigir do Estado que permaneça neutro nesta matéria.

Ou seja, em matéria do aborto, o Estado actual não é neutro! E o mesmo se aplica à lei da eutanásia. Defender a ideia de neutralidade do Estado em matéria do aborto ou da eutanásia, é um sofisma.


eutanasia-velhariasA crítica do filósofo MacIntyre à chamada “escolha soberana” do indivíduo, em relação a uma escolha com a qual não estaria previamente comprometido, é a de que o sujeito (o indivíduo) é, em primeiro lugar, um agente (uma pessoa que age), e, nesta qualidade de agente, deve dar um sentido inteligível às suas acções. Ora, esse sentido inteligível não pode resultar de um acto isolado, mas, pelo contrário, deve ser encontrado numa sequência de actos, para que possa adquirir um mínimo de inteligibilidade. Essa “sequência de actos” é parte da identidade do individuo.

Qualquer interpretação de uma “acção deliberada” do sujeito necessita de ser contextualizada para adquirir sentido — e esse contexto não é objecto de escolha por parte do agente, mas antes é imposto ao agente. Esse contexto é constituído, em primeiro lugar, por um conjunto de práticas para as quais não estabelecemos (nós próprios, enquanto indivíduos isolados) as respectivas regras (por exemplo, através da herança histórica, ou da tradição).

Portanto, antes de a Ana Sofia de Carvalho criticar as posições contraditórias da Esquerda utilitarista (Bloco de Esquerda, PAN, Partido Socialista, PSD), deveria (em primeiro lugar) criticar a própria posição libertária de Nozick que se apoia numa concepção voluntarista do sujeito.

Ou seja, o Estado não é neutro, e esta Esquerda utilitarista sabe muito bem disso!

É suposto, segundo a Esquerda, que a legalização da eutanásia — assim como aconteceu com a legalização do aborto — deva ser financiada e imposta coercivamente pelo Estado em nome de uma putativa (e inexistente, em termos práticos) “liberdade do indivíduo a escolher”.

A legalização da eutanásia — assim como a legalização do aborto — serve fins políticos inconfessáveis e sinistros; e é sustentada por dois tipos de agentes políticos: os ignorantes — como é o caso de Rui Rio ou dos dirigentes do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) — ou os que defendem a “destruição criativa da sociedade”, como é o caso da liderança do Bloco de Esquerda.

Quarta-feira, 13 Novembro 2019

A palhaçada da eutanásia

Filed under: eutanásia,marxismo cultural,utilitarismo — O. Braga @ 8:53 pm

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Quarta-feira, 6 Novembro 2019

A lógica política do Bloco de Esquerda (e dos “liberais”) apela à legalização do infanticídio

adelaide-matou-filho-webO principal argumento do Bloco de Esquerda (e também dos “liberais”) para justificar a legalização do aborto foi o de que “há mulheres que abortam em vãos de escada”; e, portanto, na medida em que “há mulheres que abortam ilegalmente”“há que legalizar o aborto” — diziam eles.

A lógica política e jurídica dos “liberais” e da Esquerda é a de que “os factos ditam a feitura do Direito” — ou seja, as elites actuais reduzem a norma ao facto, e por uma razão simples: com a imposição do secularismo radical e extremista na cultura política, já não existe um fundamento metajurídico para o Direito (já não se sabe o que funda o Direito).

Seguindo a mesma lógica (e sendo coerentes), os “liberais” e a Esquerda terão que defender a legalização do infanticídio — porque “há mulheres que matam os seus bebés”.

Desde logo (e segundo a lógica dos “liberais” e da Esquerda), as mulheres que matam os seus filhos não devem ser presas pela polícia — a descriminalização do infanticídio é o primeiro passo para a sua legalização.

A seguir, o corolário lógico da actual postura política utilitarista é a de legalizar o infanticídio, porque “há mulheres que matam os seus bebés”: os factos ditam as normas.

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Domingo, 24 Junho 2018

O nominalismo radical e anticientífico do Telmo Três Nomes

Filed under: David Hume,utilitarismo — O. Braga @ 12:44 pm
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Outra das características comuns entre o Telmo Três Nomes (e os seus correligionários), por um lado, e a Catarina Martins e o Bloco de Esquerda, por outro lado, é um nominalismo radical.

Esse nominalismo radical é herança de David Hume que influenciou decisivamente Adam Smith, em primeiro lugar, e influenciou também (mais tarde) os utilitaristas todos até John Stuart Mill, que foi um “utilitarista anti-utilitarista”. O próprio Hayek baseia o fundamento da sua mundividência em David Hume, embora entrando em contradição quando adopta o optimismo de Kant.

A redução da realidade social ao indivíduo (enquanto tal, isolado da sociedade) é um fenómeno paranóico, e um exercício de egologia que se traduz bem na ideia de David Hume segundo a qual “não seria irracional que um homem preferisse a destruição do mundo, a sofrer uma esfoladela no seu dedo” (sic).

É esta irracionalidade “passional” de David Hume, travestida na maior “racionalidade possível”, que nos chega hoje através de dois movimentos ideológicos (que, de certa forma, negam a ciência ou o Iluminismo): por um lado, o marxismo cultural de Herbert Marcuse, Adorno, e Habermas até John Rawls (que tem, em Portugal, protagonistas como Catarina Martins e um certo Bloco de Esquerda); e por outro lado um certo PSD com os actuais seguidores de Ayn Rand e os posteriores libertários até Nozick — toda essa gente foi buscar a David Hume o nominalismo radical.


O Nominalismo é a teoria segundo a qual “nada há de universal no mundo para além das denominações, porque as coisas nomeadas são todas individuais e singulares”.

O Nominalismo nega a existência dos géneros e das espécies que, alegadamente, não existiriam senão em nome: os nomes apenas são etiquetas, graças às quais podemos representar as classes de indivíduos; as ideias gerais não têm um objecto geral: são abstracções obtidas por intermédio da linguagem.

Ou seja, o nominalismo defende a ideia segundo a qual as coisas ou objectos da experiência não têm realidade intrínseca fora da linguagem que as descreve.

O nominalismo radical é o fundamento do individualismo exacerbado — na “Não-Esquerda” do PSD , e da política identitária marxista cultural (que se baseia na hierarquização social de grupos de indivíduos consoante o conceito arbitrário de “dominação”) — no Bloco de Esquerda.


nominalismo-webÉ evidente que quem exporta (mercadorias) são indivíduos e empresas; mas não podemos retirar os indivíduos e as empresas do contexto social, cultural, demográfico, político, etc., em que vivem. E se são os indivíduos e as empresas que exportam, é também uma sociedade inteira — com todas as suas idiossincrasias culturais e políticas — que exporta.

Os indivíduos e as empresas não podem fugir às limitações e aos condicionalismos impostos pela sociedade em que estão inseridos, ou seja, impostos pela nação.

O tipo de raciocínio nominalista radical — (sublinho: RADICAL, porque uma pequena e razoável dose de nominalismo é sempre saudável porque é realista), que caracteriza um certo Bloco de Esquerda e uma parte do Partido Socialista, por um lado, e por outro lado (de um modo diferente) um certo PSD dito “libertário” — é anticientífico, porque a ciência não faz outra coisa senão criar leis universais a partir de factos individuais e experimentais.

Em termos de ciências sociais, por exemplo, não é possível separar uma empresa, por um lado, do contexto político em que ela está inserida; ou não é possível separar o indivíduo do contexto cultural e social em que coexiste.

Quinta-feira, 31 Maio 2018

O Rui Rio identifica-se com a Esquerda utilitarista (herdeira de Bentham, o primeiro socialista)

Filed under: Esquerda,esquerdalho,eutanásia,PSD,Rui Rio,utilitarismo — O. Braga @ 12:20 pm

 

Não está aqui em causa a consciência de cada pessoa; o que está em causa é a afinidade política dos seis deputados do Partido Social Democrata que votaram a favor da eutanásia, a saber: Paula Teixeira da Cruz, Teresa Leal Coelho, Adão Silva, Cristóvão Norte, Margarida B. Lopes e Duarte Marques — e não falando nos três deputados do Partido Social Democrata que não votaram contra (abstiveram-se): Pedro Pinto, Berta Cabral e Bruno Vitorino. esquerda-psd

Por esse país fora, há muitos militantes e simpatizantes do Partido Social Democrata que não se revêem na mundividência de Rui Rio, como é o caso, por exemplo, do deputado municipal do PSD e militante da concelhia de Guimarães, José Couceiro da Costa — porque o que está em causa é a mundividência da pessoa inserida em um determinado movimento político.

Não é possível, em coerência, por exemplo, que uma pessoa seja militante do PSD e tenha uma mundividência que se identifique com a que é predominante no Bloco de Esquerda. Ora, a mundividência não se reduz apenas à concepção que se tenha da economia, porque a economia é uma consequência da mundividência. Reduzir a mundividência à economia é inverter o nexo causal da realidade; é como que se dissesse que a causa da existência da perna é o acto de andar; ou que temos olhos porque vemos.

O Bloco de Esquerda tem escrito nos seus estatutos que é um partido “anti-capitalista” (sic); mas trata-se de um anti-capitalismo utilitarista, na linha ideológica de Bentham, de Lukacs e de Marcuse; e o Partido Socialista não o diz claramente, mas é implicitamente um partido anti-capitalista. ¿Onde fica aqui o PSD de Rui Rio?

O Partido Comunista votou contra a legalização da eutanásia por duas razões principais: a primeira, liga-se com a mundividência herdada de Karl Marx, que dizia que “o utilitarismo é moral de merceeiro inglês” (sic). A ser coerente, um marxista não pode ser utilitarista. Em segundo lugar, porque a demografia eleitoral do Partido Comunista impele-o a não apoiar a eutanásia.

Mas ¿e o PSD de Rui Rio?

A mundividência é fundada em valores e convicções. E ¿o que são os “valores”? Os utilitaristas dizem que “os valores não existem por si mesmos”, e os realistas dizem que “os valores existem por si mesmos”: esta diferença de concepção dos “valores” também define a diferença de mundividências.

O valor é a qualidade das coisas, das personagens, das condutas, da acção, cuja conformidade em relação a uma norma — ou a sua proximidade em relação a um ideal — a tornam particularmente dignas de estima.

Para uma pessoa que não perfilhe o utilitarismo, por exemplo, a beleza de uma pintura tem um valor em si mesma, ou a justiça tem um valor em si mesma e não depende de uma qualquer utilidade. Tal como existe o axioma segundo o qual “o círculo tem um centro”, assim também existe sempre e é sempre verdadeiro, numa dimensão espiritual ― independentemente de o ser humano o reconhecer ou não ―, o valor da honestidade ou o da justiça (por exemplo); estes valores existem igualmente numa dimensão do “ideal”, independentemente do seu reconhecimento ou da sua aplicação moral.

Para Rui Rio, o conceito de “valor” reduz-se à economia, ao preço das coisas — como escreveu Óscar Wilde: “O cínico é aquele que conhece o preço de tudo e o valor de nada”. O utilitarista é necessariamente um cínico, no sentido dado por Óscar Wilde. Rui Rio não se dá conta de que, a montante da economia está a política, a cultura, a ética e a metafísica (e mesmo a eventual negação da metafísica é, ainda assim, uma forma de metafísica).

Se considerarmos as personalidades de Teresa Leal Coelho ou Paula Teixeira da Cruz, por exemplo, verificamos que as duas personagens se encaixam perfeitamente no ideário do Partido Socialista.

Se ambas pertencessem aos quadros do Partido Socialista, não admiraria a ninguém. Mas o Rui Rio afirma claramente que é a favor do capitalismo; ou, pelo menos, é o que se pensa dele, na opinião pública. Mas ¿será que o Rui Rio defende uma sociedade em que o capitalismo é o sistema económico desejado? Não me parece.

Para defendermos o capitalismo (ou seja, o liberalismo económico da escola escocesa de economia que teve o seu principal intérprete em Adam Smith) temos de saber qual foi a sua origem sociológica e cultural, e como evoluiu ao longo dos séculos. O capitalismo não pode ser a sua própria negação ideológica fundamental — que é o que defende o Rui Rio, talvez por pura ignorância. Não basta ser licenciado em economia para se saber automaticamente dos fundamentos (culturais, sociais, históricos) das teorias económicas.

JPP-ZAROLHO

Quando Rui Rio diz que “a eutanásia é uma questão de liberdade”, ou está a fazer de todos nós burros, ou é ele próprio um indivíduo naturalmente privado de liberdade devido a deficiência cognitiva congénita — o Adolfo Mesquita Nunes demonstrou, num artigo publicado algures, que a identificação da “eutanásia” com a “liberdade” é um sofisma para enganar os tolos, ou para os estúpidos se enganarem a si próprios.

O problema do Rui Rio é a sua mundividência; ele tem uma mundividência que se identifica com a Esquerda, e por isso é que o José Pacheco Pereira o defende tanto. O que não se admite é que o Rui Rio se identifique com a Esquerda (tal como acontece com o José Pacheco Pereira) e engane os militantes do PSD dizendo que ele próprio não é de Esquerda.

Sábado, 3 Fevereiro 2018

O José Manuel Pureza e a nova versão do PREC [Processo Revolucionário em Curso]

Filed under: ética,Bloco de Esquerda,Esquerda,esquerdalho,eutanásia,utilitarismo — O. Braga @ 10:27 pm

“Nem a eloquência revolucionária, nem as cartas de amor, podem ser lidas por terceiros sem hilaridade.”

— Nicolás Gómez Dávila


Se lermos este texto do José Manuel Pureza, o conteúdo ideológico parece-nos uma espécie de “amanhãs que cantam” aplicados à ética e à cultura. A argumentação do Pureza sobre a legalização da eutanásia é histriónica; e por isso não é a argumentação que interessa analisar agora, mas antes interessa especificar a atitude do Pureza face à Realidade.

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Sexta-feira, 2 Fevereiro 2018

No Canadá do radical Trudeau, acabou o estatuto médico de objecção de consciência

 

Depois da legalização da eutanásia no Canadá, os médicos objectores de consciência ou são despedidos, ou são despromovidos na sua carreira profissional.

É esta a “liberdade de decisão e de consciência” que os actuais defensores da legalização da eutanásia em Portugal — que incluem os cabrões Rui Rio e/ou José Pacheco Pereira, do Partido Social Democrata — defendem para os médicos e enfermeiros.

É uma questão de tempo e veremos o inenarrável José Pacheco Pereira defender na televisão a ideia segundo a qual “os médicos objectores de consciência devem mudar de profissão, por exemplo, passar a trolhas ou picheleiros”.

eutanasia-cadeiras

Sexta-feira, 15 Dezembro 2017

A esmagadora maioria dos doentes terminais em cuidados paliativos não sofre com dores

 

Um estudo científico constatou que mais de 85% dos doentes terminais em cuidados paliativos não sofre com quaisquer dores (ler artigo). Dos restantes 15%, uma grande parte não sofre com dores que não sejam suportáveis.

O problema é o de que apenas uma pequena parte da população tem acesso aos cuidados paliativos.


eutanasia-velhariasÉ neste contexto que a “elite” política (a ruling class)   pretende legalizar a eutanásia, como uma estratégia economicista para evitar gastos futuros do Estado com os cuidados paliativos. Senão, vejamos o resumo de um “debate” sobre a eutanásia realizado no hospital Padre Américo, em Penafiel, em que participou o Anselmo Borges.

« Confrontado com a ideia de se a melhoria na qualidade dos cuidados paliativos poderia alterar esta realidade, Miguel Ricou foi peremptório: “Nunca vamos ter excelentes cuidados paliativos para toda a gente. Dizer que só vamos aceitar a eutanásia quando tivermos cuidados paliativos de qualidade é dizer que nunca a vamos aceitar”. »

Ora aqui está! O argumento (absurdo) da cavalgadura é o seguinte:

  1. nunca haverá cuidados paliativos universais;
  2. por isso, mais vale universalizar a eutanásia.

A premissa do Ricou está errada, e portanto o resto do raciocínio também está errado. Os cuidados paliativos universais dependem de decisões políticas, assim como a legalização da eutanásia universal é uma decisão política.

Colocada entre dois caminhos, — ou os cuidados paliativos universais, ou optar por forçar as pessoas a optar pelo suicídio, — a “elite” política (em geral) prefere matar as pessoas, porque sai mais barato ao Estado. O argumento político da “liberdade do indivíduo” é pura retórica.

O que temos que fazer urgentemente é mudar a “elite” política, nem que seja à custa de um golpe-de-estado.

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Ficheiro PDF do estudo científico // Ficheiro PDF da notícia do “debate”

Sábado, 25 Novembro 2017

Se isto é democracia, então acabe-se com ela !

Filed under: Democracia,marxismo,marxismo cultural,utilitarismo — O. Braga @ 5:53 pm

 

“I protest against the power of mad minorities to treat the majority as if it were another minority. But still more do I protest against the conduct of the majority if it surrenders its representative right so easily”.

→ G. K. Chesterton


O conceito de “democracia” está a ser utilizado pelas elites (marxistas culturais aliados aos globalistas da laia de George Soros) para enganar os respectivos povos; senão vejamos um caso que serve de exemplo para a grande fraude democrática.

Sandwich é uma pequena vila inglesa com cerca de 5 mil habitantes. Uma das igrejas da vila, dedicada a S. Pedro, existe desde (pelo menos) o século XII, e desde o século XVIII que tem um relógio que acciona o sino que marca o tempo a cada 15 minutos.

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Desses 5 mil habitantes da vila, houve um só (1) habitante que se queixou às autoridades locais acerca do toque do sino. Em consequência da queixa de uma (1) só pessoa (entre cinco mil), as autoridades locais mandaram desligar o sino da igreja.

Há mais de trezentos anos que o sino da igreja marca as horas na vila de Sandwich— até que um neurótico pós-moderno, provavelmente um burocrata espiritualmente embrutecido e ateu, se sentiu incomodado com o toque do sino.

Entretanto, os habitantes da vila uniram-se em um manifesto que reuniu 85% da população no sentido de que a ordem de desligar o sino fosse anulada. Ou seja, mais de 3.500 pessoas da vila assinaram uma petição contra os interesses de uma (1) só pessoa, e o resultado foi que essa maioria foi ignorada pelas autoridades; e o sino continuou desligado por causa de uma (1) só pessoa.


¿O que é que leva a que a opinião de uma só pessoa possa ter maior valor político do que a opinião de (pelo menos) 3.500 pessoas?

Resposta: no Ocidente, a democracia tem vindo a ser minada por dentro do próprio sistema político, e sem que os criminosos (neomarxistas aliados aos globalistas) deixem impressões digitais. E é essa elite, que mina a democracia, que diaboliza a eleição de Donald Trump.

A ideia segundo a qual a opinião de uma só pessoa pode ter mais valor político mais do que a opinião de milhares pessoas, é uma ideia da Esquerda marxista cultural que se afirmou paulatinamente a partir da queda do muro de Berlim. Essa ideia escora-se no princípio marxista cultural do direito de protecção das minorias”, no fundo, contra os interesses das maiorias.

Obviamente que este princípio marxista cultural da “protecção das minorias” serve de pretexto para minar o princípio democrático da prevalência do interesse da maioria da população.

Temos verificado que os países ocidentais, em geral, têm vindo a sacrificar os interesses da maioria em favor dos interesses de pequenos grupos minoritários: é assim que a nova Esquerda tem vindo a minar a democracia a partir de dentro do sistema.

A nova Esquerda (marxista cultural) — uma avantesma que saiu dos escombros da derrocada do comunismo — leva assim o utilitarismo até às suas consequências mais radicais, chegando ao ponto de, em nome do princípio utilitarista da “maior felicidade para o maior número”, sacrificar os interesses da esmagadora maioria da população para salvaguardar o interesse de uma só pessoa — porque o que está em causa, para as elites marxistas culturais que já governam a Europa, não é o “direito” dessa pessoa (ou daquele pequeno grupo): mas antes é o de saber se esse putativo “direito” dessa pessoa pode contribuir para minar e destruir a ordem cultural da sociedade.

Por outro lado, através da radicalização do utilitarismo, as elites marxistas culturais pretendem impôr à população o princípio da anulação da democracia em função das suas interpretações arbitrárias e discricionárias acerca do que consistem “os direitos das minorias”.

Os “direitos das minorias” são hoje aqueles que as elites marxistas culturais (aliadas aos globalistas) quiserem que sejam. E a maioria do povo não tem voto na matéria.

Se isto é “democracia”, então acabemos com ela, e depressa!

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