perspectivas

Quinta-feira, 12 Maio 2016

A crítica ao anti-utilitarismo de John Rawls

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 10:19 am
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Este verbete do Aires de Almeida faz a crítica ao anti-utilitarismo de John Rawls.

A melhor crítica que podemos fazer ao utilitarismo é a de que é condicionado por duas proposições antitéticas ou contraditórias entre si:

  • uma proposição positiva, que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista;
  • e uma proposição normativa, que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do "maior número".

Todo o utilitarismo mistura, em proporções infinitamente variáveis e dependente apenas da discricionariedade política das elites da sociedade, uma axiomática do interesse e uma axiomática sacrificialista, que é simultaneamente um encantamento pelo egoísmo (individualismo) e uma apologia do altruísmo, e tentativa de reconciliar um ponto de vista ferozmente individualista e uma vertente globalizada e holista.

Ou seja, a melhor crítica ao utilitarismo é reduzi-lo ao absurdo, por um lado, e por outro lado sublinhar a importância do sacrifício voluntário, consciente e racional do interesse próprio que só a religião transcendental (até certo ponto) pode conseguir.

Sábado, 13 Abril 2013

John Rawls e o véu da ignorância

Não devemos ter medo das palavras e de chamar os bois pelos nomes. E mesmo que 99,9% das pessoas esteja contra nós, o que nos deve preocupar principalmente é saber se a nossa posição contém o mínimo possível de contradições — porque é impossível que o ser humano esteja isento de contradições. Não significa isso que tenhamos (a) razão, mas antes que estejamos menos errados ou mais consentâneos com a verdade.

Há duas formas diferentes de ver a Justiça Distributiva: ou através da abordagem contratualista e exclusivamente processual do Direito (versão igualitarista do liberalismo, liberalismo clássico ou libertarismo ou utilitarismo), por um lado, e por outro lado mediante a visão dos chamados “comunitaristas” (por exemplo, Charles Taylor, Michael Sandel, Alasdair MacIntyre, Michael Walzer, etc.). Desta vez não vou falar nos comunitaristas.

John Rawls faz parte da corrente ideológica do chamado “liberalismo igualitarista”, que de “liberalismo” tem já muito pouco. John Rawls só é liberal nos costumes (ética), o que tem correspondência em Portugal com a ala mais à esquerda do Partido Socialista, e com o Bloco de Esquerda. Se não podemos, com segurança, dizer que Rawls é marxista no sentido clássico do termo, já podemos dizer que as suas (dele) ideias identificam-se perfeitamente com o marxismo cultural conforme Marcuse.

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Um exemplo do actual enviesamento ideológico dito católico

«El primer momento del diálogo político ha de ocuparse de la igualdad de derechos entre todos los ciudadanos. Sería el ámbito constitucional. Como afirma J. Rawls, “cada persona posee una inviolabilidad fundada en la justicia que incluso el bienestar de la sociedad como un todo no puede atropellar (…). Los derechos asegurados por la justicia no están sujetos a regateos políticos ni al cálculo de intereses sociales”. Como puede verse, afirmaciones todas anti-utilitaristas.»


Quando vejo católicos citar John Rawls, fico com os cabelos em pé. O argumento utilizado é sempre o do anti-utilitarismo, como se esse valesse por si só. Os marxistas também são, pelo menos em tese e tal como John Rawls, anti-utilitaristas. E infelizmente também vejo sapientes “católicos”, alguns cardeais e até Papas, a dar loas em surdina ao alegado anti-utilitarismo do marxismo.

A Igreja Católica não tem necessariamente que se submeter ao Estado.

John Rawls já foi bastamente refutado devido às suas próprias contradições. O conceito de “véu de ignorância” de Rawls já foi desconstruído e racionalmente refutado de uma forma até impiedosa, e num dos próximos verbetes irei abordar expressamente John Rawls. Considero mesmo uma vergonha que uma pessoa dita “católica” mencione John Rawls de forma apologética. E só um católico ignorante, ou um católico malévolo, invoca benevolentemente Rousseau para justificar as suas teses alegadamente “católicas”.

Ser anti-utilitarista, em teoria, não chega. É preciso que a teoria anti-utilitarista se verifique na prática. E a teoria de John Rawls, para além de ser utópica e até delirante (como demonstrarei, mais tarde), traduz-se, na prática política, na mais feroz forma de utilitarismo: o laicismo radical (que é diferente do secularismo saudável). John Rawls defende claramente a privatização da religião, ou seja, o banimento de quaisquer símbolos religiosos da praça pública; John Rawls defende que a religião deve ser restringida à casa (ao lar) do crente, e que inclusivamente deve ser proibido o proselitismo religioso. O texto publicado no blogue Logos é extenso, e refutá-lo daria um outro texto muito extenso. Mas não é por ser extenso que deixa de ser propositadamente incoerente, confuso, gongórico, e até vergonhoso.

Sábado, 10 Julho 2010

Sobre a época de crise

Filed under: cultura,filosofia — O. Braga @ 6:10 pm
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Ortega y Gasset identifica as “épocas de crise” com a inautenticidade do Homem. Em tempos de crise, o Homem — entendido individual e subjectivamente — deixa de ser autêntico, isto é, deixa de ser aquilo que ele é na sua essência e em coerência.
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