perspectivas

Terça-feira, 4 Fevereiro 2020

A tentativa de normalização da política identitária e multiculturalista no Direito português

Uma professora de Direito, de seu nome Ana Paula Dourado, escreveu o seguinte (ler em ficheiro PDF):

“… o estrangeiro (isto é, o imigrante) pode reagir às adversidades do país de destino (neste caso, Portugal) com perda de auto-estima, isolamento, incapacidade de submissão às regras da cultura dominante, sem ter consciência dos motivos que o levam a cometer crimes.”


Em primeiro lugar, penso que os professores de Direito deveriam dedicar-se ao Direito, e deixar a ética para os filósofos.

Depois, o tipo de raciocínio da dita senhora é típico da extrema-esquerda identitária (marxismo cultural pós-modernista) — e por aqui vemos como as universidades portuguesas estão já ideologicamente “minadas”.


Os crimes praticados pelos imigrantes são vistos (pela dita senhora) como produtos de um determinismo sócio-cultural — como terá sido o caso daquele assassino que “não tinha consciência dos motivos que o levam a cometer o crime”, e que diz ao juiz: “A culpa não é minha, senhor juiz! A culpa é dos meus genes!”.

Uma das características da extrema-esquerda identitária (característica herdada do romantismo do século XVIII, e que se prolongou com as utopias do século XIX e XX), é a de que o erro humano individual não é geralmente considerado como sendo do foro psicológico, mas antes é atribuído a um qualquer padrão de valores (ou seja, a “culpa” é do “meio-ambiente” e/ou da “cultura dominante”).

Esta atribuição da responsabilidade dos actos do indivíduo ao “padrão de valores vigente” torna praticamente o prevaricador moralmente inimputável — embora ele possa ser condenado pela justiça, o criminoso imigrante tem geralmente penas atenuadas, como foram os casos dos dois últimos radicais islâmicos que esfaquearam transeuntes em Londres: eles tinham estado presos, mas foram libertados a meio da pena de prisão. E depois voltaram a matar gente.

Note-se que, na região de Londres onde 12% da população é muçulmana, a população das prisões londrinas é constituída por 30% de muçulmanos. E isto tem a ver com a cultura antropológica de origem dos imigrantes (seja da primeira ou das seguintes gerações de imigração), e não com o “meio-ambiente” ou com o “padrão de valores” da “cultura dominante”.

O que esteve subjacente a essa “cultura de perdão” da justiça britânica em relação aos referidos assassinos imigrantes islamitas foi exactamente o tipo de raciocínio (que esconde um racismo paternalista que é um “anti-racismo progressista”) que caracteriza a senhora referida em epígrafe. Aliás, a tese jurídica dela é decalcada da prática do Direito britânico actual.

Por exemplo, o conceito — radical, romântico e de extrema-esquerda — de “crime-de-ódio”, que ela refere no texto: em Inglaterra, por exemplo, se alguém ameaça (apenas verbalmente) outrem de morte, apanha 5 meses de prisão; mas se o ameaçado de morte for guei, então pode passar a ser um “crime-de-ódio” com pena de prisão até 6 anos. De 5 meses a 6 anos é diferença de ameaçar verbalmente de morte um guei.

Todo o texto da referida senhora professora de Direito é um apelo à aplicação em Portugal das políticas inglesas (e do norte da Europa, falhadas) em relação aos imigrantes. A dita senhora nada mais faz do que defender um decalque da ideologia politicamente correcta e multiculturalista que subjaz à relação da justiça inglesa com os criminosos imigrantes.

Segunda-feira, 9 Setembro 2019

O primeiro dia de escola, em França

Filed under: Europa,França,multiculturalismo,União Europeia — O. Braga @ 3:38 pm

Sexta-feira, 4 Maio 2018

“Melting pot” não é a mesma coisa que “multiculturalismo”

Filed under: cultura,cultura antropológica,multiculturalismo — O. Braga @ 2:31 pm

 

Temos aqui um texto que começa por uma falsidade, ou um princípio errado:

« Durante muito tempo os EUA foram conhecidos como um Melting Pot, querendo com isso dizer-se que havia lugar para todos viessem donde viessem, que todos eram bem recebidos e que a pouco e pouco as diferenças culturais se iriam esbatendo a favor da “nova realidade cultural” ».

A ideia — autêntico delírio interpretativo que desconstrói a História — segundo a qual “existe um histórico de acolhimento de todos os imigrantes nos Estados Unidos”, é falsa.

Embora todas as crianças que viajassem sozinhas, vindas da Europa, fossem acolhidas em Nova Iorque e posteriormente institucionalizadas, já o mesmo não se passava com todos os adultos que viajassem sem família: uma grande percentagem de adultos viu a sua entrada barrada pelos Estados Unidos durante o século XIX e a primeira metade do século XX. Muita gente teve que voltar para trás.

Portanto, é falsa ideia de que “havia lugar para todos viessem donde viessem”; mas faz parte da actual narrativa política que está na moda. E esta narrativa politicamente correcta não faz a distinção entre o conceito clássico de “migração”, por um lado, e a “migração massiva” actual, por outro lado. Durante os séculos 19 e 20, os imigrantes chegavam aos Estados Unidos a “conta-gotas”, por assim dizer — até porque não havia grande imigração vinda do México, entre outras razões porque a guerra com o este país (século XIX) ainda estava fresca na memória e na cultura dos americanos no início do século XX.

Portanto, durante o século XIX e até à primeira metade do século XX, a imigração vinda do México era mínima, e a maior parte dos imigrantes entrava por via marítima em Nova Iorque, em pequenas quantidades de cada vez, vinda (principalmente) da Europa. imigrantes-us-web


Também a definição de ‘multiculturalismo’ (naquele texto) é abstrusa: “teoria que advoga a necessidade de assegurar representação no espaço público – universidades, meios de comunicação, política – aos diversos grupos culturais”. Em termos práticos, não é isto que o multiculturalismo faz (a ‘representação’).

O Multiculturalismo é a preservação de diferentes culturas antropológicas, ou de diferentes identidades culturais, em uma sociedade unificada por intermédio do Estado.

Esta é a correcta definição de ‘multiculturalismo’.

Não se pode, por isso, falar de uma "nação multiculturalista”, mas antes de um “Estado multiculturalista”. O conceito de "nação multiculturalista" é contraditório em termos (um oxímoro).


Para que os Estados Unidos pudessem continuar a ser uma nação, houve sempre uma cultura dominante que moldava as culturas imigrantes (desde logo a questão da língua inglesa), independentemente da imigração (e por isso é que os Estados Unidos são um ‘melting pot’, e não um multiculturalismo). Ora, é essa cultura dominante dos Estados Unidos que está hoje a ser colocada em causa pelo marxismo cultural — como, aliás, se pode constatar com a leitura daquele texto.


A autora daquele texto confunde (propositadamente) ‘multiculturalismo’, por um lado, e ‘melting pot’, por outro lado. Em verdade, tradicionalmente, o melting pot significa ‘assimilação cultural por parte da cultura dominante’:

“Historically, it is often used to describe the assimilation of immigrants to the United States”.

Ora, no multiculturalismo, nenhuma das culturas antropológicas em presença sacrifica a sua existência em função de uma cultura dominante, e por isso não existe uma assimilação cultural em relação a uma cultura dominante. Portanto, é um erro dizer-se que “multiculturalismo é a mesma coisa que melting pot”, como se tenta dizer aquele texto.

Um dos erros da autora daquele texto consiste em conceber a possibilidade (atenção!: metáfora adiante!) de uma pequena aldeia onde se falem várias línguas muito diferentes entre si; ou seja, uma impossibilidade objectiva.
Karl Popper dá o exemplo da proficuidade cultural do império austro-húngaro, mas a verdade é que a cultura dominante daquele império falava alemão e tinha uma ética cristã — e ainda hoje, na Hungria, o alemão é uma segunda língua popular.

Por outro lado, o conceito ético de ‘universalismo moderado’ (expresso naquele texto) é um absurdo.

Para além da impossibilidade de se falarem diferentes línguas em uma pequena aldeia (metáfora, outra vez!), também é impossível a coexistência de diferentes códigos morais em uma pequena povoação.

Os valores da ética (em uma determinada sociedade) têm necessariamente que ser: 1/ universais, 2/ racionalmente fundamentados, 3/ intemporais, e 4/ facilmente reconhecidos (pelo povo) nas suas características principais.

Qualquer truncamento deste conjunto de quatro princípios não traduz qualquer tipo de universalidade dos valores da ética. Não existe tal coisa como “universalismo moderado”: ou existe universalismo, ou não — assim como não existe, por exemplo, “Islamismo moderado”: existe Islamismo, e ponto final.

Sexta-feira, 18 Agosto 2017

Multiculturalismo

Filed under: multiculturalismo — O. Braga @ 10:19 am

 

Birmingham, Reino Unido, 2017

Birmingham-web

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