perspectivas

Sábado, 18 Janeiro 2020

O partido Chega de André Ventura já entrou em decadência

Filed under: CHEGA,Esquerda,esquerdalho,esquerdopatia — O. Braga @ 3:48 pm

Tal como aconteceu com a "Direitinha" que é o PSD de Rui Rio e o CDS de Assunção Cristas, o CHEGA do André Ventura já assimilou e interiorizou a campanha de pânico moral imposta pela Esquerda; e, por isso, o partido CHEGA entrou já em decadência.

Para que o partido CHEGA pudesse crescer substancialmente, teria que passar (para o povo) a ideia de que não é permeável às invectivas ideológicas da Esquerda.

A razão por que o PSD de Rui Rio e, principalmente o CDS de Assunção Cristas, diminuíram drasticamente o seu apoio popular, foi a ideia — aceite pelo povo — segundo a qual estes dois partidos “obedecem” ideologicamente à Esquerda (excepto na economia).

A tentativa de André Ventura em colocar o CHEGA ao “centro” — como se o “centro” não fosse uma posição relativa! — vai desmobilizar o partido. Requiescat in pace!

Quinta-feira, 16 Janeiro 2020

O inferno ético idealizado pela Esquerda

Filed under: aborto,Esquerda,esquerdalho,esquerdopatia — O. Braga @ 5:41 pm

“Mais repulsivo que o futuro que os progressistas involuntariamente preparam, é o futuro com que sonham.”

Nicolás Gómez Dávila 


we live in hell web


Imagem daqui

Domingo, 12 Janeiro 2020

O pânico moral da nova Inquisição esquerdista

politicamente correcto gráfico webO António Balbino Caldeira (ABC) é o exemplo do pânico moral imposto pela Esquerda: a reacção à censura de opiniãoqualquer que seja o tipo de opinião, desde que não coincida com os cânones do politicamente correcto do esquerdalho — é de pânico: tal como a vítima da velha Inquisição, o ABC jura a pés juntos que “não é racista”.

Uma das consequências do pânico moral que a Esquerda instituiu é a de que o cidadão tem que provar a sua inocência: é a chamadainversão do ónus da prova”; não são os censores que têm que provar a culpa do acusado: é o próprio acusado que tem que provar que é inocente (neste caso, que não é “racista”) 1.

Foi o que fez o António Balbino Caldeira com esta lengalenga, em que ele jura “que não é racista” — tal como a súplica do condenado à fogueira ou à forca, no tempo em que os acusados tinham que provar que estavam inocentes.

Mas não lhe adianta muito: o novo tribunal do santo ofício, coordenado pelos plutocratas globalistas em aliança tácita com os caciques locais radicais de Esquerda, já lhe colou o rótulo. Perante a acusação que o incrimina automaticamente, só resta ao ABC enfiar a carapuça e sair de cena, entrar no anonimato. De nada lhe adianta chorar baba e ranho e de pedir perdão pelo pecado que não cometeu.

O que há de mais pérfido no governo dito “democrático” de Esquerda, é que consegue ser pior do que uma ditadura: é um regime de Silêncio que se verga a uma pretensa “Tolerância” Tirana.

Adenda: aconselho a leitura deste artigo da Helena Matos no Observador (ver aqui em PDF).


Nota
1. A plataforma mais livre, do ponto de vista da liberdade de expressão, é o Twitter.

Porém, convém dizer que quem cesura o ABC no FaceBook (como já me censuraram também; não tarda muito e o ABC será apodado de “Radical de Extrema-direita) é português: embora com o patrocínio do FaceBook nos Estados Unidos, os censores do FaceBook em Portugal são portugueses. São militantes políticos esquerdistas que actuam no Facebook.

Sábado, 28 Dezembro 2019

O enorme problema que é a actual Esquerda

Filed under: Esquerda,esquerdalho,esquerdopatia — O. Braga @ 4:43 pm

Vemos, no vídeo abaixo, um esquerdista americano que pretende ser eleito pelo Estado do Maine. A retórica da Esquerda actual é racista — anti-semita (por exemplo, com Corbyn ou com Alexandria Ocasio-Cortez) e anti-europeia:

“Se a taxa de suicídio aumentou entre os homens brancos, esse facto é muito bom!”.


Quarta-feira, 25 Dezembro 2019

A legalização da eutanásia, e a “destruição criativa” da sociedade

Filed under: Esquerda,esquerdalho,esquerdopatia,eutanásia,utilitarismo — O. Braga @ 4:15 pm

A Ana Sofia de Carvalho faz aqui um “diagnóstico” correcto acerca da posição putativamente “libertária” da Esquerda em matéria da legalização da eutanásia (que inclui o PSD de Rui Rio), mas depois ela aplica-lhe o “tratamento analítico” errado.

“Volto uma vez mais ao tema da eutanásia. Confesso que ao ler a exposição de motivos dos projectos de lei apresentados pelo BE, PS e PAN me fez revisitar uma corrente filosófica, denominada de libertária, que teve como principal autor um filósofo de Harvard, Robert Nozick.”

A crítica feita, por diversos filósofos, ao “libertarismo” de Nozick, é devastadora!

Desde logo, a crítica do filósofo Michael Sandel, que demonstra que o erro dos libertários é o de “adoptarem uma concepção voluntarista do sujeito” — isto é, adoptam a ideia segundo a qual o sujeito preexiste (existe anterior- e separadamente) aos fins que ele próprio elege. Em bom rigor, é impossível que o sujeito tenha um tal desapego de si mesmo a respeito dos fins, e por isso torna-se necessária a admissão de que a própria identidade (do sujeito) é constituída por aqueles fins.

Sandel defende a ideia segundo a qual a questão de saber se o Estado deve recusar intervir no tema do aborto depende da verdade ou falsidade da doutrina moral que concebe o aborto como um assassínio — e apenas se as teses substantivas da Igreja Católica sobre este assunto se revelarem falsas se terá o direito de exigir do Estado que permaneça neutro nesta matéria.

Ou seja, em matéria do aborto, o Estado actual não é neutro! E o mesmo se aplica à lei da eutanásia. Defender a ideia de neutralidade do Estado em matéria do aborto ou da eutanásia, é um sofisma.


eutanasia-velhariasA crítica do filósofo MacIntyre à chamada “escolha soberana” do indivíduo, em relação a uma escolha com a qual não estaria previamente comprometido, é a de que o sujeito (o indivíduo) é, em primeiro lugar, um agente (uma pessoa que age), e, nesta qualidade de agente, deve dar um sentido inteligível às suas acções. Ora, esse sentido inteligível não pode resultar de um acto isolado, mas, pelo contrário, deve ser encontrado numa sequência de actos, para que possa adquirir um mínimo de inteligibilidade. Essa “sequência de actos” é parte da identidade do individuo.

Qualquer interpretação de uma “acção deliberada” do sujeito necessita de ser contextualizada para adquirir sentido — e esse contexto não é objecto de escolha por parte do agente, mas antes é imposto ao agente. Esse contexto é constituído, em primeiro lugar, por um conjunto de práticas para as quais não estabelecemos (nós próprios, enquanto indivíduos isolados) as respectivas regras (por exemplo, através da herança histórica, ou da tradição).

Portanto, antes de a Ana Sofia de Carvalho criticar as posições contraditórias da Esquerda utilitarista (Bloco de Esquerda, PAN, Partido Socialista, PSD), deveria (em primeiro lugar) criticar a própria posição libertária de Nozick que se apoia numa concepção voluntarista do sujeito.

Ou seja, o Estado não é neutro, e esta Esquerda utilitarista sabe muito bem disso!

É suposto, segundo a Esquerda, que a legalização da eutanásia — assim como aconteceu com a legalização do aborto — deva ser financiada e imposta coercivamente pelo Estado em nome de uma putativa (e inexistente, em termos práticos) “liberdade do indivíduo a escolher”.

A legalização da eutanásia — assim como a legalização do aborto — serve fins políticos inconfessáveis e sinistros; e é sustentada por dois tipos de agentes políticos: os ignorantes — como é o caso de Rui Rio ou dos dirigentes do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) — ou os que defendem a “destruição criativa da sociedade”, como é o caso da liderança do Bloco de Esquerda.

Segunda-feira, 16 Dezembro 2019

Aquilo a que chamamos “democracia” já não faz sentido.

Hoje já não existe diferença assinalável entre aquilo a que se convencionou chamar de “Esquerda moderada”, por um lado, e “Esquerda Radical”, por outro lado.

O conceito de “Esquerda Radical” já não faz sentido, uma vez toda a Esquerda se radicalizou (no sentido de “jacobinização” da política). Basta vermos o que se passa hoje com a Esquerda do partido Democrático nos Estados Unidos, ou com a Esquerda britânica sob os auspícios de Corbyn.

Dizer que existe hoje uma “Esquerda moderada” é equivalente a dizer que existe hoje um “Islamismo moderado”. É um oxímoro.

JPP-ZAROLHOExistem excepções individuais na Esquerda — que são apenas excepções aparentes.

Por exemplo, o José Pacheco Pereira, ou o Daniel Oliveira: são indivíduos de esquerda que fazem (circunstancialmente) a crítica em relação à Esquerda, nos casos em que a acção política do esquerdalho é de tal forma histriónica e absurda que há a necessidade de alguém vir a terreiro tentar “salvar a honra do convento” esquerdista. Estes indivíduos (entre outros) fazem parte da categoria dos “esquerdistas espertalhões”.

Por exemplo: a crítica dos “esquerdistas espertalhões” a Joacine "Vai-te Katar" Moreira e ao partido LIVRE, ou a crítica ao desavergonhado Ferro "Estou-me Cagando" Rodrigues.

Trata-se, da parte dos espertalhões, de uma estratégia política de controle de danos: perante o radicalismo histriónico evidente da actual Esquerda, os ditos espertalhões definem a orientação política da camada exterior da cebola do totalitarismo de veludo vigente (segundo o conceito de Hannah Arendt) .

É neste contexto que o presidente da assembleia da república, o Ferro "Estou-me Cagando" Rodrigues, não só censura o discurso de um deputado legitimamente eleito, como ameaça publicamente tirar-lhe a palavra de forma arbitrária.

Aquilo a que chamamos “democracia” já não faz sentido.

Quinta-feira, 12 Dezembro 2019

O Partido Socialista desavergonhado

Filed under: Esquerda,esquerdalho,esquerdopatia,Partido Socialista — O. Braga @ 7:14 pm
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O socialista Ferro Rodrigues ficou muito sentido com a palavra “vergonha”.


ps-vergonha-web

H/T

Sábado, 9 Novembro 2019

Viva a Tourada ! (e bardamerda para o chamado “progresso” puritano!)

Filed under: Esquerda,esquerdalho,esquerdopatia,touradas — O. Braga @ 3:29 pm

« Os puritanos detestavam os combates de ursos, não porque esses jogos causassem sofrimento aos ursos, mas porque davam prazer aos espectadores. »Thomas B. Macaulay 


A tradição pode ser definida como um conjunto das ideias, crenças, instituições e costumes de qualquer colectividade — conjunto esse que não provém de uma codificação escrita ou do Direito Positivo.

Mesmo que fosse verdade — como se escreve aqui — que a maioria da população de Lisboa se manifestasse contra uma determinada tradição inócua (ou seja, uma tradição que não afecte involuntariamente a integridade física do ser humano que nela participe), ainda assim não se justifica a sua proibição política puritana e unilateral.

Quando as forças políticas (a Esquerda) que defendem a proibição das touradas, passarem a defender a proibição do aborto, por exemplo — poderemos eventualmente então estar em início de uma cumbersa profícua e racional.

Entretanto não contem comigo para colaborar com uma das maiores hipocrisias políticas de que há memória em Portugal, que consiste em tentar substituir — na cultura antropológica — um tabu cultural (o tabu do aborto, por exemplo) por outro tabu cultural (o tabu das touradas). Tudo isto se resume a uma tentativa de manipular a cultura antropológica no sentido de desenraizar o ser humano da sua própria natureza — na medida em que uma cultura sem tabus é um círculo quadrado.

Não é racionalmente sustentável que a tradição do “tabu do aborto” tenha sido repelido pela actual classe política, por um lado, e por outro lado essa mesma classe política queira impôr um novo tabu que proíba a manifestação pública da tradição da tourada.

picasso e touros-web

O “argumento democrático” (ou seja, o argumento da “maioria dos lisboetas é contra”, como se Portugal se resumisse a Lisboa!) não é válido.

“A estatística é a ferramenta de quem renuncia a compreender para poder manipular.”Nicolás Gómez Dávila 

vasco graça moura e a tourada webPossivelmente, a maioria dos lisboetas pensa que a carne que consome é fabricada no talho, e talvez essa maioria nunca tenha visto uma horta onde se plantem cebolas ou batatas. O desenraizamento (do lisboeta vulgar) em relação à Natureza não pode ser justificação válida para se proibir uma tradição directamente ligada à actividade e cultura rurais.

As forças políticas (a Esquerda) que actualmente defendem a legalização e normalização da eutanásia, por exemplo, são as mesmas forças políticas que defendem a proibição e ilegalização das touradas — ou seja, o velho tabu da eutanásia é eliminado (na cultura antropológica) em favor da implementação do novo tabu da tourada. É a “substituição cultural” do desenraizamento em relação à Natureza, em pleno “progresso”.

O argumento utilitarista (“o dinheiro que a tourada não rende”) não pode ser justificação racional para se proibir uma tradição. Qualquer pessoa com dois dedos de testa vê isso.

“Duvidar do progresso é o único progresso” — Nicolás Gómez Dávila

Depois vem o “argumento do progresso” — como se o “progresso” fosse uma lei da Natureza. Só um burro defende esta ideia. Basta uma geração de lisboetas desenraizados (ideologicamente radicalizados, e alienados em relação à realidade) para deitar qualquer “progresso” (social ou mesmo científico) pela pia abaixo.

Em bom rigor, só existe progresso na ciência.

Em todas as outras áreas da actividade humana, o conceito de “progresso” deve ser abordado com muitas reservas; e mesmo na ciência, o progresso é estabelecido em função de determinados pontos de referência assinalados epistemologicamente à posteriori.

Por exemplo, eu não considero que a legalização e a banalização cultural do aborto ou/e da eutanásia seja um sinal de “progresso”; em vez disso, penso que se trata de mais um contributo para o triunfo da barbárie na nossa sociedade.

Uma geração de bárbaros (ou de desequilibrados mentais) tomou conta da nossa política. E é esta mesma geração de bárbaros de Lisboa que é maioritariamente contra as touradas.

Bardamerda para o “progresso!”.

Quarta-feira, 6 Novembro 2019

A lógica política do Bloco de Esquerda (e dos “liberais”) apela à legalização do infanticídio

adelaide-matou-filho-webO principal argumento do Bloco de Esquerda (e também dos “liberais”) para justificar a legalização do aborto foi o de que “há mulheres que abortam em vãos de escada”; e, portanto, na medida em que “há mulheres que abortam ilegalmente”“há que legalizar o aborto” — diziam eles.

A lógica política e jurídica dos “liberais” e da Esquerda é a de que “os factos ditam a feitura do Direito” — ou seja, as elites actuais reduzem a norma ao facto, e por uma razão simples: com a imposição do secularismo radical e extremista na cultura política, já não existe um fundamento metajurídico para o Direito (já não se sabe o que funda o Direito).

Seguindo a mesma lógica (e sendo coerentes), os “liberais” e a Esquerda terão que defender a legalização do infanticídio — porque “há mulheres que matam os seus bebés”.

Desde logo (e segundo a lógica dos “liberais” e da Esquerda), as mulheres que matam os seus filhos não devem ser presas pela polícia — a descriminalização do infanticídio é o primeiro passo para a sua legalização.

A seguir, o corolário lógico da actual postura política utilitarista é a de legalizar o infanticídio, porque “há mulheres que matam os seus bebés”: os factos ditam as normas.

legalizar-infanticidio-web

Terça-feira, 15 Outubro 2019

Os esquerdistas são doentes mentais

Os esquerdistas — sob os auspícios da ONU e com o apoio dos globalistas — andam a ensinar as crianças, nas escolas, que tomar no cu faz bem à saúde; e autoriza a “mudança de sexo” das crianças sem a autorização dos pais…

Mas as touradas é só para maiores de 18 anos!

Touradas para maiores de 18 anos

Segunda-feira, 16 Setembro 2019

A Esquerda actual, em resumo

Filed under: A vida custa,Esquerda,esquerdalho,esquerdopatia,Esta gente vota — O. Braga @ 9:11 pm

Segunda-feira, 2 Setembro 2019

O conceito de “despotismo do absurdo”, e a Estimulação Contraditória

A Helena Matos escreve aqui:

« Não por acaso tudo neste nosso corpo se tornou pretexto para aplicação de uma moldura ideológica: o corpo tem sexo mas ao sexo há que aplicar a grelha do género. Se do sexo passarmos para a cor da nossa pele entramos no despotismo do absurdo: oficialmente combate-se o racismo mas simultaneamente racializa-se de forma obscena a sociedade.

Veja-se a candidata por Lisboa do partido Livre que transforma a sua candidatura numa questão de cor de pele, declarando esta coisa que seria patética não fosse um exercício de má fé: “Os eleitores vão decidir se desejam uma mulher negra no Parlamento”…»


estimulo-contraditorio-web

O “despotismo do absurdo” é o mesmo que Estimulação Contraditória:

« O psicólogo russo Ivan Pavlov ( 1849 – 1936 ) demonstrou que a estimulação contraditória é a maneira mais rápida e eficiente de quebrar as defesas psicológicas de um indivíduo (ou de um punhado deles), reduzindo-o a um estado de credulidade devota no qual ele aceitará como naturais e certos os comandos mais absurdos, as opiniões mais incongruentes.

estimulacao-contraditoria-webIsso funciona de maneira quase infalível, mesmo que os estímulos sejam de ordem puramente cognitiva e sem grande alarde emocional (frases contraditórias ditas numa sequência camuflada, de modo a criar uma confusão subconsciente). Mas é claro que funciona muito mais se o sujeito for submetido ao impacto de emoções contraditórias fortes o bastante para criar rapidamente um estado de desconforto psicológico intolerável.

Esse mesmo desconforto serve de camuflagem, pois a vítima não tem tempo de averiguar que a contradição vem da fonte, e não do seu próprio interior, de modo que ao estado de aflição vêm somar-se a culpa e a vergonha. A reacção automática que se segue é a busca desesperada de um novo padrão de equilíbrio, isto é, de um sentimento mais abrangente que pareça comportar em si, numa síntese dialéctica, as duas emoções inicialmente vivenciadas como contraditórias, e que ao mesmo tempo possa aliviar o sentimento de vergonha que o indivíduo sente perante a fonte estimuladora, que a esta altura ele toma como seu observador crítico e seu juiz.

Se o leitor examinar com certa atenção o discurso esquerdista, verá que ele procura inspirar no público, ao mesmo tempo, o medo e a compaixão.

Esta dupla de sentimentos não é contraditória em si, quando cada um deles se coloca num plano distinto, como acontece na tragédia grega, onde os espectadores sentem compaixão pelo herói e medo da engrenagem cósmica que o oprime. Mas, se o objecto de temor e de compaixão é o mesmo, você simplesmente não sabe como reagir e entra num estado de “dissonância cognitiva” (termo do psicólogo Leon Festinger), a um passo da atonia mental que predispõe à subserviência passiva.

Digo medo e compaixão, mas nunca se trata de emoções simples e unívocas, e sim de duas tramas emocionais complexas que prendem a vítima ao mesmo tempo, tornando-a incapaz de expressar verbalmente a situação e sufocando-a numa atmosfera turva de confusão e impotência.

Na política revolucionária, a estimulação contraditória toma a forma de ataques terroristas destinados a intimidar a população, acompanhados, simultaneamente, de intensas campanhas de sensibilização que mostram os sofrimentos dos revolucionários e da população pobre que eles nominalmente representam. As destruições de fazendas pelo MST são um exemplo nítido: a classe atacada fica paralisada entre dois blocos de sentimentos contraditórios – de um lado, o medo, a raiva, o impulso de reagir, de fugir ou de buscar protecção; de outro, a compaixão extorquida, a culpa, o impulso de pedir perdão ao agressor. »

→ Olavo de Carvalho, inEngenharia da confusão

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