perspectivas

Sábado, 4 Fevereiro 2017

Como as mulheres destroem nações e civilizações

 

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Quinta-feira, 22 Dezembro 2016

Ele está (orgulhosamente) enganado

 

O grande problema da escola pública (além da igualdade do acesso ao conhecimento e à cultura) não são os crucifixos na sala ou o debate sobre criacionismo. Tem a ver com a forma como as ideologias dominantes se apropriam dos programas de História, Português, Filosofia ou Educação Sexual, por exemplo.

Num interessante debate que ouvi na rádio, um dos intervenientes defendia que a escola «esclarecesse» alunos do 5º ano sobre temas como o aborto, a contracepção ou as «alter-sexualidades». Outro dos participantes protestou: há famílias que não concordam com a abordagem desses temas por crianças com 10 ou 11 anos. «Pena. Vá para um colégio privado» – até porque, lembrou, os professores têm uma certa autonomia.

Ou seja, os novos donos da ideologia do ME ensinam uma nova religião – e quem não está contente, que se mude. O “entrismo” na política já deu lugar ao seu pensamento único. Não para esclarecer, mas para formar segundo o seu catecismo, independentemente da vontade das famílias. Este é o debate que interessa fazer sobre a escola pública. O resto são negócios.”

Francisco José Viegas

Este personagem foi o mesmo que, há alguns anos e em um arremedo de ultraliberalismo hayekiano, escreveu no seu (dele) blogue que “não estava disposto a pagar impostos para sustentar os filhos das famílias numerosas portuguesas”. Hoje, e a julgar pelo António Costa, o Francisco José Viegas vai pagar impostos para sustentar as famílias poligâmicas muçulmanas imigrantes que vêem no seu (dele) liberalismo o inimigo a abater.

Os crucifixos são símbolos; a estaurofobia do Estado é a recusa de um determinado símbolo.

O ser humano não pode viver sem símbolos e sem tabus. Uma cultura antropológica sem símbolos e sem tabus é um círculo quadrado. Mas os liberais de “direita” — como é o caso do Viegas — pensam que podem reduzir o símbolo ao critério do indivíduo, retirando-o da sua dimensão comunitária. E “os burros são os outros”.

O que a Esquerda está a tentar fazer é substituir uma determinada simbologia por outra; e esta outra simbologia estaurofóbica defende os símbolos do aborto e da paneleiragem porque “não está para pagar impostos para sustentar os filhos das famílias numerosas portuguesas”. Não sei por que razão o Viegas discorda da Esquerda.

Sábado, 22 Outubro 2016

O Anselmo Borges e a imanentização do éschatos

 

Convidar o Anselmo Borges para falar de “utopia” é a mesma coisa que convidar um obeso para falar de culinária, ou um convidar um “junkie” a falar sobre o consumo de drogas.

“As utopias têm duas funções fundamentais : por um lado, são crítica da situação presente e, por outro, impulso para transformá-lo, olhando para um futuro outro, numa sociedade livre e justa, de bem-estar para todos. Parte-se do princípio de que o ser humano é constitutivamente utópico, porque é um ser desejante e esperante, que aspira à felicidade. Por outro lado, se a utopia não há-de cair no mero escapismo, na ilusão ou no wishful thinking, é necessário estudar as possibilidades de transformação da realidade. A utopia é constituinte do ser humano, porque ele deseja mais e melhor, a perfeição, e, por outro, há condições objectivas na realidade para a concretização do desejo. É toda a dinâmica entre "o que é" de facto e o que "pode e deve ser".”

Anselmo Borges


“Não há alvorecer mais desolado do que o amanhecer de uma utopia. A cidade imaginada pelo utopista é sempre de mau gosto, a começar pela do Livro do Apocalipse. Em todo o utopista dorme um sargento da polícia: as decisões utópicas e despóticas do Estado moderno são finalmente tomadas por um burocrata anónimo, subalterno, pusilâmine, e provavelmente cornudo.”

→ Nicolás Gómez Dávila


A utopia, inimiga da civilização

O conceito de “religião” não existia no mundo antigo. A religião fazia de tal modo parte da cultura que não passava pela cabeça de ninguém inventar um termo para a designar. O termo “religião” só surgiu na época do império de Roma com os estóicos de “segunda geração”. Por exemplo, entre os judeus depois do Exílio, não existia, na cultura, o conceito de “deus” no sentido grego, romano e cristão: Javé era indefinível.

Uma coisa semelhante passou-se com o conceito de “civilização”. Não passava pela cabeça dos descobridores e navegadores portugueses, por exemplo, que a sua acção teria em vista a defesa da civilização — o que levou a que Nicolás Gómez Dávila escrevesse o seguinte: “A civilização parece uma invenção de uma espécie desaparecida.”

Os povos civilizadores não viam a civilização como algo exterior a si mesmos, como um conceito separado da sua cultura antropológica. A civilização é algo que se faz, mas quem a faz não a define nem se preocupa em defini-la. Ou como dizia Jean-Edern Hallier: “As civilizações apenas são mortais porque se tornam clarividentes. Logo que se põem a reflectir sobre si próprias, estoiram…”

Esta “reflexão das civilizações sobre si próprias” é o reconhecimento de que a civilização existe como um conceito exterior à cultura antropológica, como algo que não pertence intrinsecamente à cultura e cuja definição tem que ser encontrada fora dela — seja através da utopia imanente (a grande inimiga de qualquer civilização propriamente dita), seja através da negação do próprio conceito de civilização (negação que se iniciou na Europa com Montaigne e, mais tarde completada por Rousseau).

O conceito de “civilização” passou a ser, na modernidade, um ideal, uma utopia, algo desfasado da realidade concreta e objectiva, algo que alegadamente não poderia naturalmente pertencer a uma determinada cultura (Lévi-Strauss).

A partir do momento em que o conceito de “civilização” foi exteriormente concebido (foi definido utopicamente) em relação à cultura, a civilização acabou de facto, ou entrou em decadência. Quando uma cultura que se diz “civilizada” se torna indefesa em relação a ataques exógenos e em nome de uma utopia, de facto, de civilizada não tem quase nada. Por paradoxal que seja, são mais veículo de civilização as sociedades islâmicas ditas bárbaras do que a Europa pós-cristã.

Depois da guerra no Iraque e no Afeganistão, qualquer país europeu e em nome da “civilização”, recusa-se a intervir com militarmente com “botas no terreno” em qualquer conflito no mundo. Temos o exemplo do combate ao Estado Islâmico por parte da Europa e dos Estados Unidos de Obama: enviam aviões, mas não tropas no terreno. Entretanto, o massacre radical islâmico continua e constrói-se assim uma outra civilização que há-de dominar a Europa.

Sábado, 11 Abril 2015

A civilização colide com o impulso

 

“Mãe, acabas de ferir os meus sentimentos!” ― frase pronunciada por um rapaz de 10 anos quando a mãe lhe pediu o favor de apagar o televisor e ir para a cama. Também uma psicóloga, recentemente, dava um conselho aos jovens num artigo de um jornal: «Se notas que sentes algo especial, não tenhas medo, liberta-te de tabus, corre para os seus braços e entrega-te totalmente. Só assim a tua vida será sincera e sem hipocrisias».

Reparem no pormenor: «sentir algo especial» é suficiente para justificar qualquer comportamento. E a sinceridade já não tem nenhuma relação com a verdade. Ser sincero, segundo a psicóloga, é sentir algo especial e não reprimir esse sentimento.

Educar os sentimentos

A civilização é sobretudo racionalidade, e esta é penosa.

Para o ser humano que fica mais civilizado apenas por um proceder obrigatório ou compulsivo, mais do que pelo sentir a racionalidade 1  da civilização, para ele a racionalidade é uma pena, e a virtude é um fardo quase insuportável ou até mesmo uma escravidão. Isto leva a reacções no pensar, no sentir e no agir, como podemos ver no conselho politicamente correcto da psicóloga supracitada.

O homem civilizado distingue-se do selvagem pela capacidade de previsão, ou em aquilo a que os gregos antigos chamavam de Fronèsis (prudência): o civilizado aceita penas actuais por causa de benefícios futuros, ainda que esses benefícios possam estar distantes no tempo. Por exemplo, nenhum animal ou nenhum selvagem trabalharia na Primavera para ter alimento no Inverno.

A Fronèsis começa apenas quando o ser humano faz alguma coisa a que o impulso (ou instinto) não o obriga a fazer, porque a razão lhe diz que disso tirará proveito em data futura. A civilização colide com o impulso — não só através da Fronèsis que é colisão auto-inflingida, mas também através da lei, dos costumes e da religião.

Em geral, a Direita conservadora é civilizada, e a Esquerda é selvagem. A Esquerda representa a decadência da civilização, a selvajaria, porque coloca sistematicamente os impulsos e instintos acima da prudência.

Nota
1. Não confundir com “racionalismo”.

Sábado, 4 Abril 2015

A utopia, inimiga da civilização

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:44 am
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O conceito de “religião” não existia no mundo antigo. A religião fazia de tal modo parte da cultura que não passava pela cabeça de ninguém inventar um termo para a designar. O termo “religião” só surgiu na época do império de Roma com os estóicos de “segunda geração”. Por exemplo, entre os judeus depois do Exílio, não existia, na cultura, o conceito de “deus” no sentido grego, romano e cristão: Javé era indefinível.

diogo-cao-webUma coisa semelhante passou-se com o conceito de “civilização”. Não passava pela cabeça dos descobridores e navegadores portugueses, por exemplo, que a sua acção teria em vista a “defesa da civilização” — o que levou a que Nicolás Gómez Dávila escrevesse o seguinte: “A civilização parece uma invenção de uma espécie desaparecida.”

Os povos civilizadores não viam a civilização como algo exterior a si mesmos, como um conceito separado da sua cultura antropológica. A civilização é algo que se faz, mas quem a faz não a define nem se preocupa em defini-la. Ou como dizia Jean-Edern Hallier: “As civilizações apenas são mortais porque se tornam clarividentes. Logo que se põem a reflectir sobre si próprias, estoiram…”

Esta “reflexão das civilizações sobre si próprias” é o reconhecimento de que a civilização existe hoje como um conceito exterior à cultura antropológica, como algo que não pertence intrinsecamente à  cultura e cuja definição tem que ser encontrada fora dela — seja através da utopia imanente (a grande inimiga de qualquer civilização propriamente dita), seja através da negação do próprio conceito de civilização (negação que se iniciou na Europa com Montaigne e, mais tarde completada por Rousseau).

O conceito de “civilização” passou a ser, na modernidade, um ideal, uma utopia, algo desfasado da realidade concreta e objectiva, algo que alegadamente não poderia naturalmente pertencer a uma determinada cultura (Lévi-Strauss).

A partir do momento em que o conceito de “civilização” foi exteriormente concebido (foi definido  utopicamente) em relação à cultura, a civilização acabou de facto, ou entrou em decadência. Quando uma cultura que se diz “civilizada” se torna indefesa em relação a ataques exógenos e em nome de uma utopia, de facto, de civilizada não tem quase nada. Por paradoxal que seja, são mais veículo de civilização as sociedades islâmicas ditas bárbaras do que a Europa pós-cristã.

Depois da guerra no Iraque e no Afeganistão, qualquer país europeu e em nome da “civilização”, recusa-se a intervir militarmente com “botas no terreno” em qualquer conflito no mundo. Temos o exemplo do combate ao Estado Islâmico por parte da Europa e dos Estados Unidos de Obama: enviam aviões, mas não tropas no terreno. Entretanto, o massacre radical islâmico continua e constrói-se assim uma nova civilização que há-de dominar a Europa.

Quinta-feira, 8 Maio 2014

As religiões políticas modernas são ctónicas

Filed under: cultura,religiões políticas — O. Braga @ 4:34 pm
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Alguém comentou aqui:

Segundo T. S. Eliot:

“A primeira afirmação importante é que nenhuma cultura apareceu ou se desenvolveu a não ser em conjunto com uma religião; segundo o ponto de vista do observador,a cultura parecerá ser o produto da religião; ou a religião, o produto da cultura. […] Digo apenas que, até onde vão minhas observações, é improvável que haja uma civilização de alto nível onde estejam ausentes tais condições.”


1/ Saber quem surgiu primeiro, se a religião se a cultura, é como procurar saber se a galinha nasceu primeiro que o ovo. O Homem é o único ser que tem cultura, e não existe cultura sem religião.

2/ o marxismo é uma forma de religião, como demonstrou Eric Voegelin. E o Aquecimentismo é outra forma de religião — ambas são religiões ctónicas e imanentes, tal como as religiões do neolítico eram ctónicas e imanentes.

As grandes civilizações surgiram quando o Homem começou a olhar para o Céu, procurando a transcendência, deixando de olhar para a Terra e para a imanência. Quando o Homem começou a olhar o Céu, as divindades terrestres e imanentes foram sendo abandonadas, e foi então que surgiram as grandes civilizações no Egipto, na Babilónia, ou entre os Maias e Aztecas.

3/ o marxismo (e o aquecimentismo) são formas de religião que se caracterizam por uma espécie de retorno moderno ao neolítico inferior (porque no neolítico superior começaram a surgir as civilizações que “olhavam o Céu”) — embora a História não se repita de forma exacta, há certos padrões históricos que se podem repetir.

Estas duas formas de religião (o marxismo e o aquecimentismo) são ctónicas, isto é, viradas para a Terra e em detrimento do Céu (em detrimento do Cosmos, do universo): nas religiões políticas modernas, o Céu, ou é colocado em segundo plano, ou é mesmo esquecido.

Segunda-feira, 16 Julho 2012

O Relativismo Activo do “Livro do Desassossego”

«O meu hábito vital de descrença em tudo, especialmente no instintivo, e a minha atitude natural de insinceridade, são a negação de obstáculos em que eu faço isto constantemente.

No fundo, o que acontece é que eu faço dos outros o meu sonho, dobrando-me às opiniões deles para, expandindo-as pelo meu raciocínio e a minha intuição, as tornar minhas e (eu, não tendo opinião, posso ter a deles, como quaisquer outras) para as dobrar a meu gosto e fazer das suas personalidades coisas aparentadas com os meus sonhos.

De tal modo anteponho o sonho à vida que consigo, no trato verbal (outro não tenho), continuar sonhando, e persistir, através das opiniões alheias e dos sentimentos dos outros, na linha fluída da vida individualmente amorfa.

Cada outro é um canal ou uma calha por onde a água do mar só corre a gosto deles, marcado, com as cintilações da água ao sol, o curso turvo da sua orientação mais realmente do que a secura deles o poderia fazer.

Parecendo, às vezes, à minha análise rápida parasitar os outros, na realidade o que acontece é que os obrigo a ser parasitas da minha posterior emoção. Hábito de viver as cascas das suas individualidades. Decalco as suas passadas em argila do meu espírito e assim mais do que eles, tomando-as para dentro da minha consciência, eu tenho dado os seus passos e andando no seu caminho».

— “Livro do Desassossego”, de Bernardo Soares [aka, Fernando Pessoa]

Quando lemos o “Livro do Desassossego” devemos fazê-lo analiticamente, de outra forma correndo o risco de entrarmos em depressão psíquica. Das duas uma: ou não compreendemos minimamente o que está lá escrito — o que é óptimo para uma mente sadia —, ou compreendendo alguma coisa teremos sempre que manter um espírito crítico e impessoal, semelhante ao do médico que analisa cientificamente uma metástase.
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Sexta-feira, 21 Janeiro 2011

A nova barbárie política e o Novo Totalitarismo

Um blogue que deve ser seguido quase como uma obrigação, é o blogue das Famílias Portuguesas. Nele, aconselho a leitura de um artigo com título “O Inimputável”.

«A família transmite princípios, valores e directrizes morais que os defensores da modernidade abominam. Com efeito, é através da família que é imprimida na mente e no coração dos jovens uma ideia insubstituível e estruturante: a estabilidade.»

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Segunda-feira, 5 Julho 2010

A revolução tranquila e o condenado moderno

Quando em princípios dos anos 30 do século passado, Ortega Y Gasset deixou os Estados Unidos para regressar à Europa, foi-lhe perguntada a razão da sua mudança, ao que ele respondeu que “Europa es el único continente que tiene un contenido” — em castelhano, “continente” e “contenido” têm a mesma raiz — ou seja, a “Europa é o único continente que tem um conteúdo”. Muito sinceramente, hoje tenho muitas dúvidas sobre se Ortega Y Gasset teria tido a mesma opinião, depois de todo o processo cultural que a Europa sofreu a partir do início da II Guerra Mundial.
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Sábado, 22 Maio 2010

A sociedade europeia em progresso para o paleolítico inferior

A condição do ser humano diferenciou-se da dos outros animais através de uma série de concepções religiosas e prática de determinados ritos. E de tal forma, que se um ateu moderno quisesse ser inteiramente consequente com as suas ideias, não iria a funerais dos outros e nem aos da sua própria família, porque o rito fúnebre tem claramente uma origem religiosa.

O ser humano genérico começou por ser vegetariano (Homo Rudolfensis, Homo Habilis) e não repartia o trabalho entre os sexos.
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Quinta-feira, 13 Maio 2010

Agostinho da Silva, a Europa e Portugal

« A Comunidade económica Europeia encontra-se, continuamente, em desacordo consigo própria pois trata-se de pequenas nações provincianas a tratarem agregar-se numa Nação grande.

Nós [os portugueses] que fizemos o Brasil, sabemos o que isso é há muito tempo, há centenas de anos. Além do mais, a CEE não é Europa, como se costuma erradamente dizer, mas apenas o departamento económico da Europa. Qualquer departamento económico deve ser, sempre, secundário porque o que devemos ter é uma Europa cultural onde a economia seja sustento mas nunca o objectivo. »

— Agostinho da Silva – Novembro de 1994, “Conversas com Agostinho da Silva”, de Victor Mendanha

Agostinho da Silva era um optimista acerca da construção da Europa das Nações, embora não fosse um federalista; ele não apoiava a ideia de uma Federação Europeia. No mesmo livro dizia ele que “vamos ser médicos e enfermeiros da Europa ou não seremos nada”. Desde logo, Agostinho parte de um princípio de que a Europa está doente, o que é uma grande verdade; mas depois coloca Portugal entre o tudo ou o nada. Talvez se Agostinho da Silva vivesse hoje dissesse que este “nada” teria que ser o “tudo”, porque o estado comatoso da Europa indicia claramente a sua morte civilizacional. Esta Europa precisa de morfina e não já de penicilina.

« Do português há a esperar tudo e haver um povo no Mundo do qual tudo há a esperar parece-me ser uma coisa extraordinária. Pegando num tema de moda, nós diríamos que o extraordinário de Fernando Pessoa não foi ele ter feito poesia sendo Álvaro de Campos ou sendo Caeiro ou, ainda, outros sujeitos bem diferentes. O extraordinário de Fernando Pessoa foi o facto de se tratar de um indivíduo imprevisível.

Gostaria muito que o Povo português se especializasse no imprevisível. »

— Ibidem


A especialização do português no imprevisível passa pela intuição acerca de uma Europa que entrou já em processo de auto-destruição. Existem alguns paralelismos entre a actual situação europeia e a situação dos séculos que se seguiram ao saque de Roma pelos Godos em 410, até ao fim do primeiro milénio.
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Quinta-feira, 14 Janeiro 2010

A ideia de “progresso” e a do “presente autoritarista”

O Iluminismo introduziu na Europa dois novos mitos: o mito da Razão e o mito da Natureza. Ambos os mitos desviaram-se da axiologia universal cósmica, que pressupunha a fonte da ordem, na cosmogonia, ou seja, no mito da criação do universo. Ao mesmo tempo que o Iluminismo introduziu esses dois novos mitos, tentou através deles eliminar da cultura, o mito cosmogónico que situava o Homem na sua dimensão cosmogónica e espiritual.
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