perspectivas

Sexta-feira, 6 Março 2015

A Espanha está f*did*!

 

Aquilo que me chateia no “pensamento único” é que o Estado se meta, através dele, na minha vida privada; se o pensamento único não tiver nada a ver com a força bruta do Estado, então não me preocupa grande coisa.

Se toda a gente pensar da mesma maneira mas que não se coloque o Estado a vasculhar a minha casa, por mim podem pensar como quiserem.

tu-quoqueEm Espanha, os socialistas dizem que os neoliberais seguem um “pensamento único”, e estes dizem o mesmo daqueles. A verdade é que os neoliberais aproveitam-se do socialismo para aumentar impostos; e os socialistas aproveitam-se do neoliberalismo para ir reforçando o poder do Estado com o aumento dos impostos. A diferença é que uns chupam o povo de uma maneira, e os outros “xuxam” no povo de outra maneira. O que há de comum entre eles é que ambos defendem — na prática e por razões diferentes — aumento de impostos.

Portanto, o “pensamento único” é o aumento de impostos — seja para pagar a dívida pública rapidamente porque os Bancos alemães andam aflitos (os neoliberais) e não podem esperar, seja porque “a dívida pública não é para pagar” (os socialistas) e o “necessário aumento de impostos” serve para reforçar o poder absoluto do Estado.

Enquanto não se quebrar este “pensamento único” comum a neoliberais e socialistas, não saímos da cepa torta; ou então saímos do Euro. Neoliberais e socialistas fazem parte do problema, e não da solução.

Razão tinha o Salazar: quando chegou ao Poder (na década de 1920) só ia pagando os juros da dívida pública: o pagamento da dívida propriamente dita ficou congelado até meados da década de 1950. Mas hoje a Alemanha não facilita pagamentos, não obstante tenha tido condições muito favoráveis para o pagamento da sua dívida contraída com a II Guerra Mundial. “Pimenta no cu dos outros é chupa-chupa”.

“Liberalismo económico” com brutal aumento de impostos, para pagar a dívida pública aos Bancos alemães em uma década, é abuso de poder.

Quarta-feira, 18 Fevereiro 2015

A Raquel Varela e o horário de trabalho de 21 horas semanais

Filed under: economia,Europa — O. Braga @ 1:21 pm
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Eu não sou libertário e por isso estou à  vontade para dizer que o programa televisivo “Barca do Inferno” deveria ser enviado para o diabo que o carregue. Não podemos viver em uma sociedade em que o mais sórdido é permitido, em que a razão é violentada por uma classe académica com “direitos de Estado” adquiridos. Mesmo os canais de televisão privados não têm o direito de ter programas que defendam o absurdo, ou que convidem pessoas a defender publicamente o absurdo.

A Raquel Varela mistura no mesmo saco três fenómenos distintos: 1/ a concentração excessiva de capital que acontece hoje (como aconteceu no século XIX); 2/ as horas semanais de trabalho; 3/ o desemprego.

1/ a concentração excessiva de capital é uma realidade, mas está ligada ao fenómeno político da desnacionalização. Que eu saiba, a Raquel Varela — à  semelhança do Bloco de Esquerda — defende a permanência de Portugal no Euro.

2/ as horas de trabalho devem estar ligadas a uma ética de recompensa por quem mais se esforça e se preocupa com o trabalho.

Reparem bem como a Raquel Varela defende 21 horas de trabalho semanais sem redução de salário. É isto que deveria ser proibido de passar na televisão do Estado, nem que se tivesse de demitir a administração da RTP.

Para a Raquel Varela, a produtividade é uma coisa mágica que não depende do contexto político, cultural e social em que uma sociedade está inserida.

3/ a Raquel Varela não quer a saída de Portugal do Euro, e portanto defende a desnacionalização de Portugal (Trotskismo). Mas, ao mesmo tempo, pensa que a economia portuguesa poderá crescer, estando dentro do Euro, 2 a 3% por ano para permitir a absorção do desemprego — o que é uma impossibilidade objectiva.

Só saindo do Euro, Portugal poderá ter taxas de crescimento iguais ou superiores a 2% ao ano. Portanto, quem defender o Euro terá que defender necessariamente um desemprego alto. Claro que, no primeiro ano da saída do Euro, instala-se uma situação económica caótica em Portugal; mas passada primeira fase de choque económico, a economia passa a crescer tanto ou mais do que cresceu na década de 1990.

Portanto, há que escolher: ou o Euro e desemprego alto; ou fora do Euro e absorção de desemprego.


Adenda:

A economia é uma ciência social. Estar fora ou dentro do Euro têm vantagens e desvantagens, segundo a ciência económica.

Mas a opção de estar dentro ou fora do Euro é uma opção ética que não é determinada pela ciência económica: a ciência, qualquer que seja, não determina e não define a ética. Essa opção ética, qualquer que seja, está a montante da política, ou seja, influencia a política.

Isto significa que quem utiliza a ciência económica para defender a permanência de Portugal no Euro escamoteia ou esconde uma opção ética: a de que é preferível um desemprego alto a um desemprego baixo. Cada um defende a ética em que se vê reflectido.

Sábado, 24 Janeiro 2015

O "Quantitative Easing" do BCE [Banco Central Europeu]

Filed under: economia,Europa — O. Braga @ 10:10 am
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Deflação” não é a mesma que “desinflação” que é estabilização de preços. Quando o preço do petróleo baixa, por exemplo, não há deflação mas sim desinflação.

Mesmo que venha a existir deflação, isso não significa que não haja crescimento económico: depende da flexibilidade dos agentes económicos (o “desenrascanço”).

A decisão do BCE [Banco Central Europeu]  de proceder ao um “Quantitative Easing” nas vésperas das eleições na Grécia em que o Syriza parece ganhar, não acontece por acaso; e não tem nada ver com a deflação na União Europeia. E por não ter nada a ver com a deflação é que a Esquerda e o António Costa, que sempre desejaram um “Quantitative Easing”, agora parece que não gostaram da ideia.

O “Quantitative Easing” é um prémio de Angela Merkel para os alunos bem comportados da União Europeia, em contraste com uma Grécia indisciplinada.

A Grécia fica a um canto da sala de aula, com as orelhas de burro na cabeça, e Passos Coelho pode alardear a sua menção honrosa no recreio. A União Europeia de Angela Merkel mata dois coelhos com uma cajadada só: isola a Grécia e evita um contágio ainda maior do fenómeno Syriza nos países do sul da Europa.

O “Quantitative Easing” do BCE [Banco Central Europeu]  foi menos um acto económico do que político. Não é apenas política monetária: é sobretudo política politiqueira  pura e dura.

Sexta-feira, 23 Janeiro 2015

¿O Distributismo é utopia?

Filed under: economia,Política,Portugal — O. Braga @ 8:31 am
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“Quem duvida… que o poder que um multimilionário — que pode ser meu vizinho ou talvez meu patrão — tem sobre mim é muito menor do que o que detém o mais pequeno funcionário [do Estado], que transporta consigo o poder do Estado, e de cuja discrição depende se e como me é permitido viver e trabalhar?”

Hayek, “The Road to Serfdom” (tradução minha)

Os recentes acontecimentos, desde a crise financeira de 2008, às dívidas soberanas, até à queda estrondosa do grupo BES, demonstram que Hayek não tinha razão: o poder de um multimilionário em relação à  minha vida é pelo menos tão grande como o do Estado.

Dar poder ao Estado para controlar o multimilionário é reforçar o poder do Estado; deixar o multimilionário actuar em roda livre é aumentar o seu poder discricionário sobre a minha vida, que não se reduz ao presente mas também a um futuro próximo. Eu não quero que o Estado e/ou o multimilionário condicionem a minha liberdade e a minha vida de uma forma para além do razoável e tolerável.

O poder discricionário do multimilionário sobre a minha vida baseia-se em uma visão de desmoralização daquilo que é útil à  sociedade: essa corrente ideológica teve a sua origem no Marginalismo do século XIX: tudo aquilo que é útil à  sociedade passou a estar desligado de qualquer corrente moral. Ou melhor: a moral subjacente àquilo que é útil passou a ser o que cada um quiser, e o limite do acto gratuito decorrente da desmoralização do útil é a lei positivista que pode ser mudada a bel-prazer dos poderes instituídos.

O poder discricionário do Estado sobre a minha vida começou com o despotismo iluminado do absolutismo monárquico do século XVIII que teve origem nas teorias da Razão de Estado dos séculos XVI, XVII e XVIII; evoluiu para o marxismo, por um lado, e para a alienação do corporativismo medieval — as guildas —  que foi o fascismo, por outro  lado.

Tanto o marxismo como o fascismo foram consequências directas do conceito abstracto de “Vontade Geral” de Rousseau.

Desde o século XIX que vivemos em um sistema económico maniqueísta e em double blind: ou o Marginalismo — que é defendido por Hayek e que deixa o multimilionário em roda livre — ou o marxismo suave que reforça o poder do Estado e estabelece salários mínimos que são defendidos por sindicatos — que é defendido por Habermas ou por John Rawls.

Nós não precisamos nem de salários mínimos,  nem de multimilionários que desmoralizam o útil e transformam, muitas vezes, a acção económica e financeira em actos gratuitos (Bill Gates, George Soros, Rockefeller, Rothschild, etc.) que têm impacto directo nas nossas vidas. A dependência do trabalhador em relação ao salário mínimo interessa tanto ao multimilionário como aos sindicatos (mais ou menos) marxistas.

Queremos que a maioria das pessoas tenham acesso à  propriedade privada, ou seja, que sejam patrões de si mesmos, e que o seu rendimento seja o produto do seu trabalho.

O poder discricionário do multimilionário e o poder burocrático do Estado fazem parte do problema, e não de qualquer solução. A contradição entre os dois é aparente: precisam um do outro para poderem sobreviver.

Sexta-feira, 16 Janeiro 2015

À atenção de Paulo Portas

Filed under: economia,Europa — O. Braga @ 9:30 am
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“O Banco Central Suíço decidiu cancelar o câmbio mínimo entre Franco – Euro. Um euro vale agora 1.0062 francos suíços.

Significa que os trabalhadores dos Consulados e Professores do Ensino Português na Suíça perderão cerca 300 francos no salário deste mês. Acredito que é necessária uma revisão das tabelas salariais ou uma medida extraordinária compensatória.”

Funcionários Públicos a trabalhar na Suíça sofrem com queda do euro

Quinta-feira, 11 Dezembro 2014

A Alemanha quer ver o seu ouro, mas os americanos não estão pelos ajustes

Filed under: economia — O. Braga @ 10:26 am

 

Lembro-me de que no início da década de 1980, estava eu a tratar de assuntos meus no Banco e entrou um paisano serôdio que se dirigiu ao balcão, ao meu lado, e disse ao funcionário: “Quero ver o meu dinheiro!”.

O funcionário foi e veio já com um papel na mão que deu ao senhor: “Aqui está o seu extracto de conta”. “Não, não!” — retorquiu o paisano — “quero ver o meu dinheiro com estes olhos que a terra há-de comer!”. O funcionário do Banco e eu ficámos atónitos!

Lá foi o empregado buscar o dinheiro em notas de Escudo (saudades!) e colocou-as em cima do balcão para gáudio do paisano que se entreteve longamente a contá-las. Depois entregou o dinheiro ao funcionário, agradeceu e saiu.

Naquela altura pensei que a atitude do paisano seria estúpida. Hoje já não tenho a certeza. A Alemanha quer ver repatriadas as 1.500 toneladas do seu ouro que tinha depositado na Fed Reserve americana, mas os americanos recusam-se a devolver o ouro que não é deles.

Terça-feira, 11 Novembro 2014

Passos Coelho e a economia do “amanhã veremos”

Filed under: economia — O. Braga @ 1:02 pm

 

Anda toda a gente a adiar investimentos, sejam pequenos ou grandes. As pessoas sabem que têm que investir, mas não têm a certeza se está na hora de investir. Para já vão tendo o dinheiro no Banco, mesmo a taxas de juro baixas. É a economia do “amanhã veremos”.

Porém, a crise na Banca faz com que se instale uma certa intranquilidade: por um lado, é o “amanhã veremos”; mas, por outro lado, a falência do BES espalhou uma desconfiança no sistema bancário. As pessoas já não sabem onde colocar o dinheiro.

É preciso uma outra política que dê mais tranquilidade à economia.

Sábado, 13 Setembro 2014

Com défice zero, podemos não pagar ao Papa

Filed under: economia,Europa,Portugal — O. Braga @ 11:12 am
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O professor Adriano Moreira afirmou que o primeiro rei de Portugal não pagou ao Papa. E foi verdade: é que, naquele tempo, o défice público era zero porcento.

merkel papaCom défice zero, exigido pelos credores — e mal por mal — pagamos se quisermos e o que quisermos. Com défice zero imposto coercivamente pelo exterior, não podemos pedir dinheiro emprestado, mas também não se percebe por que razão — em uma situação de défice zero imposto pelo directório da União Europeia — se pede emprestado para pagar juros da dívida. O défice zero pode ser um mal porque a “torneira” do crédito é fechada e passamos a viver de acordo com as nossas possibilidades; mas, por outro lado, pode ser um bem na medida em que não pagamos ao Papa.

Além disso, o défice zero é a condição sine qua non para a saída de Portugal do Euro: a bem ou a mal.

Em resumo: o défice zero reduz a nossa dependência em relação aos credores, por um lado, e por outro lado é um incentivo para que Portugal saia do Euro. Parece é que é isto que a União Europeia de Angela Merkel pretende de Portugal.


Naturalmente que os neoliberais não gostaram que D. Afonso Henriques não pagasse ao Papa.

Os neoliberais não querem apenas défice zero: querem superávite orçamental, para que não só não peçamos dinheiro emprestado, mas também para pagarmos ao Papa; e não só: querem que os portugueses continuem a pagar balúrdios em portagens de auto-estrada para trabalhar no seu país e para que continuem a existir rendas fixas superiores a 12% para os detentores das PPP (Parcerias Público-privadas) nas rodovias; querem reduzir as despesas do Estado com a saúde e a educação, mas apoiam os monopólios dos Mellos na área da saúde; e querem que o Estado deixe de apoiar o ensino público para subsidiar e pagar o ensino privado com o dinheiro dos impostos dos portugueses.

Querem o monopólio das EDP’s chinesas e da GALP na área das energias, querem privatizar a água, os rios e os mares, querem tirar a TAP aos portugueses, mas querem a manutenção de Portugal no Euro — sempre com défice zero ou superávite, para se poder pagar ao Papa.

Domingo, 20 Julho 2014

O caminho de Portugal a curto prazo: realizar o Estado de Direito

Filed under: economia,Portugal — O. Braga @ 10:31 am

 

Os impostos altos vieram para ficar por causa do serviço de pagamento da dívida nacional; a alternativa aos impostos altos, é a de Portugal voltar à miséria do século XIX (por exemplo, com a eliminação de qualquer garantia de posto de trabalho e eliminação de qualquer indemnização por despedimento, para além da redução dos salários reais para o nível de Marrocos), para que Passos Coelho possa fazer um pagamento acelerado da dívida. Portanto, nos impostos, pouco há a fazer, a não ser que a União Europeia adopte uma espécie de mutualização da dívida (o que é altamente duvidoso).

Em resultado do pagamento do serviço da dívida, o sistema financeiro português (os Bancos) tornou-se demasiado dependente do BCE [Banco Central Europeu], o que é um factor muito negativo para a nossa economia — como se pode ver na actual crise do BES.

O que se pode fazer, e ainda não foi feito desde o 25 de Abril de 1974, é transformar Portugal em um Estado de Direito.

Esta é a tarefa gigantesca que os portugueses têm hoje pela frente. Fazer de Portugal um Estado de Direito significa um combate radical à corrupção a todos os níveis da sociedade — o que poderá implicar, por vezes e aqui e ali, uma espécie de “caça às bruxas”. Isto significa a necessidade de uma reforma radical do código de processo penal que permita uma justiça mais célere. Estamos a falar do fim do garantismo judicial privilegiado das elites.

Outro dos problemas principais de Portugal é o de conciliar um necessário alto nível de impostos (para pagar a dívida) e um combate à corrupção (estabilizar o Estado de Direito), por um lado, com uma simplificação radical no licenciamento de novas empresas, por outro  lado. Mas esta simplificação, burocrática e/ou fiscal, terá que ser levada a cabo rapidamente (não pode esperar dois anos) — porque de outra maneira não sairemos da cepa torta.

Sexta-feira, 28 Março 2014

A sinificação de Portugal

 

«Substituir cortes “temporários” por cortes permanentes é um gigantesco passo na transformação da pobreza conjuntural (que é aquela que os defensores do governo apresentam como um efeito colateral do “ajustamento”) por uma pobreza estrutural (o corolário da tese do “vivemos acima das nossas posses”, logo temos que regressar ao lugar virtuoso da nossa pobreza original).

O tempo é o grande construtor dessa pobreza estrutural, cada dia que passa, é um novo plano de austeridade. Transformar os cortes em permanentes remete para uma ideia sobre os portugueses, a sociedade e o estado, que vai muito para além de um “estado de emergência” gerado pela bancarrota de há dois anos.

Para além disso, permanente, ou seja para sempre, mostra a vontade de “empacotar” num armário recôndito, num gueto, ou num caixão, com o menor custo e o mais depressa possível, a geração presente que “não presta”, não é competitiva e esperar pelo desabrochar de uma nova geração empreendedora, inovadora, não-piegas, que despreza os direitos (dos outros), e que está à espera desta “justiça geracional”, com uma pequena ajuda dos que mandam.»

José Pacheco Pereira

liderança e igualdade web

Nota
1. Sinificação é a transformação social e económica de uma sociedade, de uma nação ou de um grupo de nações segundo o modelo burocrático e fascista chinês, em que coexiste o capitalismo privado de monopólio, por um lado, e por outro lado a coordenação da economia por parte de políticos e burocratas.

Quarta-feira, 26 Março 2014

O Banco de Portugal diz que a economia tende a melhorar

Filed under: A vida custa,economia,Esta gente vota,Política,Portugal — O. Braga @ 4:39 pm

 

banco de portugal e as eleições

Até às eleições, a situação da economia portuguesa tende a melhorar.

No dia anterior às eleições, é provável que o Banco de Portugal venha anunciar a previsão de 10% de crescimento económico para 2014, 55,89 % de crescimento para 2015, e 178,50 % de crescimento económico para 2016. Mas só até às eleições: depois, “o mundo mudou”.

Já agora: ¿para que serve o Banco de Portugal com Portugal dentro do Euro?

Domingo, 9 Março 2014

Cavaco Silva: “quem vier atrás que apague as luzes e feche a porta”

Filed under: economia,Portugal — O. Braga @ 1:07 pm
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«O Presidente da República aponta o relançamento da economia como uma das questões prioritárias do pós-‘troika’ e diz ser essencial corrigir as “injustiças acumuladas” na distribuição de sacrifícios durante o período do programa de ajustamento.

“A disciplina orçamental e a supervisão da política económica por parte das instituições europeias irão ser uma constante da vida política portuguesa no período pós-‘troika’. No entanto, tal não significa – antes pelo contrário – que a economia não possa crescer e que não melhorem as condições de vida dos Portugueses”, diz o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, no prefácio dos “Roteiros VIII”, divulgados esta noite no ‘site’ da Presidência da República.»

Em português correcto: se, com o Entroikamento vamos viver na merda e ainda perdemos a democracia real, então mais vale viver na merda sem o Entroikamento e com a democracia real. Viver na merda, por viver na merda, que seja com alguma dignidade.

Com uma taxa de juro de financiamento da dívida na casa dos 5%, para que fosse possível pagar a dívida e os juros acumulados, seria necessário que a macro-economia portuguesa crescesse, no mínimo, na ordem dos 3% por ano. Ora, estando Portugal na zona Euro, esta taxa de crescimento é impossível.

Uma “solução” para o problema o crescimento da economia, que é defendida pela Troika, é cilindrar os salários em Portugal, na esperança que Portugal possa competir, em uma lógica de salários baixos, com a Roménia, por exemplo, ou com Marrocos, ou com a Bulgária, etc.. Mas tanto a Roménia como Marrocos estão fora do Euro. Ou seja, o que a Troika pretende é que Portugal, estando no Euro e não podendo ter uma política monetária, entre em competição com economias de baixos salários que não estão no Euro e que, por isso, podem ter uma política monetária. Nestas condições (dentro do Euro), é claro que Portugal não tem a mínima hipótese de competir com essas economias. Nenhuma. E Cavaco Silva sabe disso. Vamos chamar a esta solução da Troika de “Entroikamento”.

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