perspectivas

Sexta-feira, 28 Março 2014

A sinificação de Portugal

 

«Substituir cortes “temporários” por cortes permanentes é um gigantesco passo na transformação da pobreza conjuntural (que é aquela que os defensores do governo apresentam como um efeito colateral do “ajustamento”) por uma pobreza estrutural (o corolário da tese do “vivemos acima das nossas posses”, logo temos que regressar ao lugar virtuoso da nossa pobreza original).

O tempo é o grande construtor dessa pobreza estrutural, cada dia que passa, é um novo plano de austeridade. Transformar os cortes em permanentes remete para uma ideia sobre os portugueses, a sociedade e o estado, que vai muito para além de um “estado de emergência” gerado pela bancarrota de há dois anos.

Para além disso, permanente, ou seja para sempre, mostra a vontade de “empacotar” num armário recôndito, num gueto, ou num caixão, com o menor custo e o mais depressa possível, a geração presente que “não presta”, não é competitiva e esperar pelo desabrochar de uma nova geração empreendedora, inovadora, não-piegas, que despreza os direitos (dos outros), e que está à espera desta “justiça geracional”, com uma pequena ajuda dos que mandam.»

José Pacheco Pereira

liderança e igualdade web

Nota
1. Sinificação é a transformação social e económica de uma sociedade, de uma nação ou de um grupo de nações segundo o modelo burocrático e fascista chinês, em que coexiste o capitalismo privado de monopólio, por um lado, e por outro lado a coordenação da economia por parte de políticos e burocratas.

Quarta-feira, 26 Março 2014

O Banco de Portugal diz que a economia tende a melhorar

Filed under: A vida custa,economia,Esta gente vota,Política,Portugal — orlando braga @ 4:39 pm

 

banco de portugal e as eleições

Até às eleições, a situação da economia portuguesa tende a melhorar.

No dia anterior às eleições, é provável que o Banco de Portugal venha anunciar a previsão de 10% de crescimento económico para 2014, 55,89 % de crescimento para 2015, e 178,50 % de crescimento económico para 2016. Mas só até às eleições: depois, “o mundo mudou”.

Já agora: ¿para que serve o Banco de Portugal com Portugal dentro do Euro?

Domingo, 9 Março 2014

Cavaco Silva: “quem vier atrás que apague as luzes e feche a porta”

Filed under: economia,Portugal — orlando braga @ 1:07 pm
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«O Presidente da República aponta o relançamento da economia como uma das questões prioritárias do pós-’troika’ e diz ser essencial corrigir as “injustiças acumuladas” na distribuição de sacrifícios durante o período do programa de ajustamento.

“A disciplina orçamental e a supervisão da política económica por parte das instituições europeias irão ser uma constante da vida política portuguesa no período pós-’troika’. No entanto, tal não significa – antes pelo contrário – que a economia não possa crescer e que não melhorem as condições de vida dos Portugueses”, diz o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, no prefácio dos “Roteiros VIII”, divulgados esta noite no ‘site’ da Presidência da República.»

Em português correcto: se, com o Entroikamento vamos viver na merda e ainda perdemos a democracia real, então mais vale viver na merda sem o Entroikamento e com a democracia real. Viver na merda, por viver na merda, que seja com alguma dignidade.

Com uma taxa de juro de financiamento da dívida na casa dos 5%, para que fosse possível pagar a dívida e os juros acumulados, seria necessário que a macro-economia portuguesa crescesse, no mínimo, na ordem dos 3% por ano. Ora, estando Portugal na zona Euro, esta taxa de crescimento é impossível.

Uma “solução” para o problema o crescimento da economia, que é defendida pela Troika, é cilindrar os salários em Portugal, na esperança que Portugal possa competir, em uma lógica de salários baixos, com a Roménia, por exemplo, ou com Marrocos, ou com a Bulgária, etc.. Mas tanto a Roménia como Marrocos estão fora do Euro. Ou seja, o que a Troika pretende é que Portugal, estando no Euro e não podendo ter uma política monetária, entre em competição com economias de baixos salários que não estão no Euro e que, por isso, podem ter uma política monetária. Nestas condições (dentro do Euro), é claro que Portugal não tem a mínima hipótese de competir com essas economias. Nenhuma. E Cavaco Silva sabe disso. Vamos chamar a esta solução da Troika de “Entroikamento”.

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Sábado, 22 Fevereiro 2014

O neoliberalismo libertário (tal como o existencialismo de Ayn Rand) foge com o rabo à seringa

 

Quando Ayn Rand procurou dar um nome à sua teoria filosófica, deu-lhe o nome de Objectivismo porque, segundo ela, o termo Existencialismo — que ela preferiria para rotular a sua teoria — já estava tomado e ocupado. Ou seja, Ayn Rand procurava uma originalidade absoluta.

O neoliberalismo libertário de Hayek despreza os princípios do liberalismo clássico e privilegia absolutamente as comissões e bónus provenientes dos negócios.

O que Ayn Rand talvez desconhecesse ou não quis saber, é que o termo Existencialismo é multifacetado. Por exemplo, existe o Existencialismo cristão que vai de Dostoievski e Kierkegaard a Paul Tillich, passando por Karl Jaspers; existe o Existencialismo ateu de Merleau-Ponty ou Jean-Paul Sartre; e existe um Existencialismo pagão de Heidegger ou Gadamer. Portanto, quando falamos de Existencialismo, entendido como uma categoria de mundividência, temos que saber qual a sub-categoria que a caracteriza, para além da especificidade do pensamento individual do autor.

Ou seja, em vez de Objectivismo, Ayn Rand poderia perfeitamente ter optado pelo termo “Existencialismo libertário”, que estaria de facto mais de acordo com as características da sua teoria.

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Domingo, 16 Fevereiro 2014

José Monir Nasser e o neoliberalismo

 

1/ Soube deste vídeo patrocinado pelo MSM através deste comentário neste outro verbete de que aconselho a leitura. Nesse vídeo, um tal José Monir Nasser diz que “o neoliberalismo é uma espécie de disfarce que o socialismo usa para fazer de conta de que ele não existe mais” (sic). Estamos aqui perante uma inversão revolucionária dos termos da realidade e perante um maniqueísmo político que é característica do movimento revolucionário em geral.

O Neoliberalismo é uma ideologia que coloca a absolutização do subjectivismo ao serviço da economia política.

A proposição: “o neoliberalismo é uma espécie de disfarce que o socialismo usa para fazer de conta de que ele não existe mais”, assemelha-se às definições estalinistas do inimigo externo (recusa total de uma auto-crítica efectiva); o próprio Karl Marx inventou um termo: o de “mistificação”, que mais tarde foi usado e abusado por Lenine e Estaline, e ainda hoje os movimentos comunistas utilizam essa palavra-chave.

Portanto, para o actual libertarismo económico ou neoliberalismo, “o neoliberalismo não existe de facto e é uma mistificação socialista”. A estratégia política de propaganda neoliberal é semelhante à marxista/leninista/estalinista.

2/ qualquer ideologia política tem que partir de uma determinada visão do mundo; e essa visão ou concepção do mundo (mundividência) contém em si mesma valores próprios que enformam uma determinada ética; e esses valores éticos acabam por determinar a forma como a economia e a política são, por sua vez, concebidas.

Por exemplo, as ideias de Karl Marx — a que convencionamos chamar de “marxismo” para resumi-las, sintetizá-las e torná-las inteligíveis no discurso corrente — partem de uma mundividência materialista (materialismo dialéctico), ou seja, os valores (éticos) subsumidos pela teoria económica de Karl Marx têm na sua base uma ética cujos valores negam a realidade da consciência senão como um epifenómeno da matéria. Vemos, portanto, que não é possível separar o marxismo da sua mundividência materialista — ou seja, não é possível separar uma qualquer ideologia ou religião política de determinados valores que enformam a sua mundividência e/ou a sua ética.

3/ vamos resumir: uma qualquer ideologia política, com consequência na economia e na cultura, parte sempre de determinados valores que definem uma mundividência e uma ética. A origem de uma qualquer ideologia política é sempre filosófica (a ética faz parte da filosofia).

4/ chegados aqui, vamos perguntar: ¿será que o neoliberalismo é “uma espécie de disfarce que o socialismo usa para fazer de conta de que ele não existe mais”?

Em primeiro lugar, repare-se que o José Monir Nasser falou (no vídeo) em von Mises, mas não falou de Hayek. E também não falou na escola escocesa do liberalismo de finais século XVIII e princípios do século XIX, o que também é sintoma de uma tentativa de esconder a realidade e de enganar os crédulos.


Pergunta:

¿Qual foi a mundividência — os valores que definem a sua ética — de que partiu Hayek para chegar à sua teoria de economia política?

Resposta:

Hayek baseou a sua mundividência e os seus valores (ética) no cepticismo moral de David Hume e no subjectivismo ético absoluto do Marginalismo.

Basta ler Hayek para constatar aquilo que é uma evidência dos seus fundamentos: David Hume + Marginalismo. O próprio Hayek cita essas duas fontes da sua teoria económica que se transformou em doutrina, e que o José Monir Nasser (e outros que tais) transformou em dogma.


Portanto, já encontramos a mundividência de base daquilo a que convencionamos chamar de “neoliberalismo”: é Hayek, e não von Mises. Aliás, Hayek e von Mises divergiram muito entre si (e estiveram de relações pessoais cortadas), porque as suas mundividências (as suas éticas e os seus valores) eram muito diferentes.

O Neoliberalismo é uma ideologia que coloca a absolutização do subjectivismo ao serviço da economia política. (ver link).

5/ o José Monir Nasser pode enganar os estúpidos, mas não deve fazê-lo.

Sábado, 8 Fevereiro 2014

Um estudo económico revela que a Holanda estaria muito melhor se não pertencesse à União Europeia

Filed under: economia,Europa — orlando braga @ 8:24 pm
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O político holandês Geert Wilders mandou fazer um estudo económico acerca de uma possível saída da Holanda da União Europeia, e esse estudo revelou que a eventual saída desse país da União Europeia significaria um aumento do PIB holandês de 10 a 13%, e que cada família holandesa seria beneficiada em cerca de 10.000 Euros.

O estudo, publicado na Quinta-feira, 6 de Fevereiro passado, pela empresa de consultadoria Capital Economics — e que os me®dia portugueses abafaram, como é hábito, e costume da sub-informação me®diática portuguesa —, diz que que Holanda teria um proveito entre 1 bilião (trilião americano) e 1,5 biliões de Euros em um horizonte temporal até 2035, se esse país abandonasse a União Europeia em 2015.

Ler a notícia aqui.

Quinta-feira, 6 Fevereiro 2014

Estou bastante dividido entre dois tipos de ladroagem

Filed under: bovinotecnia,economia,Europa — orlando braga @ 2:00 pm
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Um tal Jorge Bateira, que por sinal é um ladrão de bicicletas, lançou uma diatribe à bovinotécnica Helena Matos. Estou dividido, nesta polémica. Por um lado, concordo com a seguinte proposição do salteador de velocípedes:

“Porém, tenho de lhe lembrar que foi o baixo crescimento da economia portuguesa desde que aderimos ao euro, agravado pela actual política de austeridade, que produziu um nível de desemprego que tornará insustentável a segurança social. Apesar de não ter lugar no seu discurso, afinal é a moeda única, com tudo o que implica, que está a comprometer o futuro dos nossos jovens. Não são os seus pais e avós, nem o nosso modesto Estado social.”

Só não vê quem não quer ver:

PIB e defice no Euro

Mas, por outro lado, o ladrão de veículos de duas rodas escreve o seguinte:

“Depois, o que diz sobre o Estado, a demografia e a segurança social é pura ideologia. A Helena Matos diz que o Estado tomou conta das pessoas e as desresponsabilizou. Pois eu digo-lhe que um Estado social forte, administrado em função do interesse público, é um Estado que garante a provisão de serviços sociais de qualidade e protege os cidadãos de diversos riscos sociais. Liberta-os da insegurança económica, do receio de não terem recursos para enfrentar esses riscos.”

¿O que é “interesse público”? Alguém, por favor, que me defina “interesse público”, para que saibamos exactamente do que estamos a falar. E ¿desde quando é defensável que a “função do Estado” seja a de tratar os cidadãos como se de mentecaptos se tratassem?

Nem o ladrão de bicicletas, nem a bovinotécnica Helena Matos, têm razão — porque partem da mesma base de raciocínio: a economia. Quando a realidade social é reduzida à economia, deixamos de saber quem é ladrão e quem não é.

Domingo, 19 Janeiro 2014

A situação política na Grécia é de explosão iminente

Filed under: A vida custa,economia,Europa — orlando braga @ 5:22 pm
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A situação política e económica na Grécia é de explosão iminente. É mais do que provável — é quase uma certeza — de que a Grécia não vai pagar os 325 mil milhões de Euros que a Troika emprestou ao longo de três programas de resgate; e é quase certo que cada português vai ter que pagar 20.000 Euros para que os gregos não paguem nada.

O partido SYRIZA (tipo Bloco de Esquerda, em Portugal) é já o partido maioritário na Grécia. E este partido assegura que os 325 mil milhões emprestados pela Troika vão pela pia abaixo.

A situação política é a seguinte: o PASOK (Partido Socialista) está nos 3% das intenções de votos e tende a desaparecer do parlamento. O partido da Nova Democracia de Samaras está nos 16%, e o partido radical SYRIZA está nos 25%. O partido dito de “extrema direita”, Amanhecer Dourado, está nos 11%. O Partido Comunista está nos 5%; e 13% dos eleitores estão indecisos.

Portugal pediu à Troika apenas 78 mil milhões de Euros, ao passo que a Grécia já pediu à dita 325 mil milhões de Euros. E, no final de contas, cada português ainda vai pagar 20 mil Euros por causa da dívida grega que não vai ser paga, apesar dos grandes sacrifícios que os portugueses já estão a fazer. Ou seja, o crime compensa, e os burros somos nós. Somos entroikados pela Troika e pela Grécia.

Quarta-feira, 6 Novembro 2013

O populismo negativo de Durão Barroso

 

durrao barroso e o TC

Existe uma certa lógica política que se baseia na seguinte ideia: se uma sondagem de opinião, provavelmente manipulada pelos me®dia, demonstrar que a maioria do povo é contra a Constituição, então segue-se que o Tribunal Constitucional deve fazer vista grossa em relação às medidas inconstitucionais do governo do Pernalonga, e anular de facto o texto constitucional.

É neste contexto ideológico que se interpreta a pressão política do burocrata europeísta Durão Barroso sobre o Tribunal Constitucional. Eu sou a favor dos referendos, mas o que Durão Barroso defende aqui não é um referendo: é, em vez disso, a manipulação da opinião pública.

Eu sou de opinião que se deveria referendar a Constituição; ou melhor: deveria fazer-se um plebiscito sobre uma eventual nova versão da Constituição. Mas não é isso que está implícito nas declarações do burocrata Durão Barroso: o que ele pretende é um golpe-de-estado constitucional a reboque de uma putativa tendência da opinião pública disciplinada através de uma argumentação ad Baculum. Estamos em presença de um populismo negativo.

Quinta-feira, 12 Setembro 2013

Foi só garganta

Filed under: economia — orlando braga @ 10:32 am
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«Há cerca de dois anos, no final de Novembro, a empresa que assessorava a comunicação da CTG prometeu “instalar [uma] fábrica de turbinas eólicas em Portugal até ao Verão de 2013” que, relembra hoje o Jornal de Negócios, teria um volume anual de exportações superior a 500 milhões de euros, produzindo 800 turbinas por ano.

Acontece que o Verão de 2013 está quase a terminar e, segundo soube o Jornal de Negócios, a promessa caiu por terra devido ao excesso de capacidade de fabrico de turbinas eólicas, e isto apesar de ser uma das contrapartidas que a CTG incluiu na proposta escrita de compra de 21,35% da EDP.»

Empresas Fábrica prometida pela China Three Gorges cai por terra

Temos em Portugal um monopólio privado na área da produção de energia e da sua distribuição, já que o mercado ibérico de energia só funciona (e mal) para as grandes empresas. E sejamos claros: entre um monopólio privado e um monopólio do Estado, prefiro o último.

Quinta-feira, 5 Setembro 2013

A Banca anda a brincar com assuntos sérios

Filed under: economia,Portugal — orlando braga @ 9:01 am
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Leio a notícia de que as taxas de juro para o financiamento das PME (pequenas e médias empresas) aumentaram em Portugal durante o Verão, ao passo que as taxas de juro cobradas pelos Bancos em Espanha e Itália, às PME desses países, baixaram.

A justificação da Banca portuguesa – que funciona em cartel – é a de que “em Portugal houve crise política em Julho”, o que quer significar que em Espanha e em Itália não houve crise política.

Ora, em Espanha, a crise política é contínua com a ameaça independentista permanente das nacionalidades; e mais, as autonomias nacionais de Espanha – Catalunha, Galiza, País Basco, Andaluzia, etc. – não só não cortam nas despesas públicas, como no caso da Catalunha ainda as aumentaram. O défice público espanhol está longe de estar controlado e é muito maior (em % do PIB) do que o português.

Em Itália, a ameaça de crise política é uma tradição. O actual governo italiano está preso por um fio, ao contrário do que se passa em Portugal, onde existe uma maioria parlamentar muito confortável.

Portanto, a desculpa da “crise política” para os Bancos aumentarem as taxas de juro às PME portuguesas, não faz sentido. Em Portugal, a Banca cospe no prato que há-de comer; ou então, já consideram um país inteiro como massa falida – e neste caso, o Estado português terá a palavra final sobre a existência de alguns Bancos no nosso país.

Quinta-feira, 29 Agosto 2013

Passos Coelho, o bom aluno

Passos Coelho informa discretamente o FMI (Fundo Monetário Internacional) de que, na opinião dele, é preciso baixar os salários em Portugal. A seguir, o FMI emite um comunicado público em que diz que é preciso baixar os salários em Portugal, incluindo o salário mínimo. E depois, Passos Coelho diz que não tem nada a ver com esse comunicado do FMI : apenas segue ordens desse organismo.

Seria de esperar, de um governo normal, que este reagisse ao comunicado do FMI; mas apenas imperou o silêncio, o que demonstra que o comunicado foi encomendado pelo governo do Pernalonga.

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