perspectivas

Sábado, 11 Agosto 2018

Pragmatismo e resistência

 

A Raquel Varela confunde aqui “resignação” e “revolta”, por um lado, com “pragmatismo” (não necessariamente no sentido a doutrina americana) e “resistência”, por outro lado.

Temos a obrigação de substituir a linguagem emocional das mulheres e dos românticos na política, por uma linguagem mais racional. A “resignação” e “revolta” são próprias de românticos adolescentes e/ou de mulheres emocionalmente desequilibradas.

O pragmatismo está relacionado com a eficiência da acção em uma dada situação. O pragmático é prático; mas não tem que ser resignado. Encarar a realidade tal como ela se nos apresenta, e tentar resolver os problemas em função das situações dadas, é uma característica do pragmático — e do resistente, também. A resignação não resolve problemas: pelo contrário, o homem resignado não é pragmático porque entra por uma espiral situacionista negativa, ao passo que o pragmático é um homem positivo.

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A “resistência” está intimamente ligada ao “pragmatismo”. São conceitos “casados”.

Segundo Maine de Biran, “o real é aquilo que resiste” — nota: o real não é aquilo que “se revolta”: antes, é aquilo que “resiste”. Resistência e revolta são conceitos diferentes. O homem resistente é um pragmático; o revoltoso é um romântico… ou (em juízo universal) uma mulher.
Ou melhor dizendo: a resistência que não tenha em conta o pragmatismo, é uma revolta; e uma revolta conduz sempre a um estado de resignação. Ou ainda, como dizia Nicolás Gómez Dávila: “Ninguém se revolta contra a autoridade, mas antes contra aqueles que a usurpam.”

A utopia implica uma revolta, e não uma resistência. Quando se fala da “impotência do mundo”, não é do pensamento que pensamos: antes, é da impotência do pensador que caracteriza a utopia, e que se opõe ao pragmatismo.

Por exemplo, é pragmático pensarmos que a facilidade com que o capitalismo industrial (burguês) constrói e destrói (obedecendo a meros imperativos de rentabilidade), transforma o homem médio em um nómada intelectual, moral e físico. Hoje, aquilo que é permanente, estorva.

Mas aquilo que é permanente também estorva os revolucionários como a Raquel Varela, que também pretendem destruir para construir — não por uma questão de rentabilidade, mas por causa de uma utopia que já matou mais de 100 milhões de pessoas no século XX.

Bem-aventurados sejam os revolucionários que não vivem o futuro da revolução! — porque o revolucionário só descobre o “verdadeiro espírito da revolução” quando está em presença do tribunal revolucionário que o condena. As revoluções têm como única função destruir os sonhos utópicos e românticos que as causam.

Hoje todos sabemos que “transformar o mundo” (como defende a utopia da Raquel Varela) é sinónimo de “burocratizar o ser humano”.

Aliás, o politicamente correcto é uma espécie de burocratização do pensamento. E a burguesia moderna (não confundir com a burguesia das guildas, até finais do século XVIII) nada mais é que a classe revolucionária predominante; e a actividade revolucionária das jovens esganiçadas do Bloco de Esquerda (ou a da Raquel Varela, em tenra idade; ou a do jovem José Pacheco Pereira a correr à frente da polícia nas manifs do Porto), nada mais é do que o rito de passagem entre adolescência e a burguesia.

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Domingo, 5 Agosto 2018

O Figueiredo é maroto

 

Eu já sabia que os me®dia são marotos — quando noticiam (por exemplo) que o “violador exorcista” é sacerdote católico, escamoteando o facto de o referido “senhor Padre” ter sido expulso da Igreja Católica em 1972 (ainda antes do 28 de Abril de Troca-o-passo). Temos uma me®dia que esconde os factos a seu bel-prazer.

O que eu não sabia era que o Figueiredo também é maroto; um maroto grisalho.

Segunda-feira, 23 Julho 2018

O Bloco de Esquerda e o trabalho reprodutivo

 

Chamaram-me à atenção para esta espécie de texto, cujos factos relatados são irremediavelmente falsos. Porém, toda a ideologia tem direito a manipular os factos e a falsear a realidade. E o Bloco de Esquerda não foge à regra.

O que é chocante, no referido textículo, é o conceito de “trabalho reprodutivo”: o termo é de uma crueza inaudita. O Bloco de Esquerda considera como sendo “trabalho” (no sentido económico moderno) o acto de parir e de criar um ser humano. Se isto não fosse sério, seria histriónico. E depois vem o Bloco de Esquerda para a praça pública dizer que defende a natalidade…

O que é espantoso (e nauseabundo) é que o “amor de mãe” (através do conceito de “trabalho reprodutivo”) seja reduzido pelo Bloco de Esquerda a uma “actividade animal”, ao conceito de “trabalho” segundo Karl Marx.

A redução de toda a actividade humana a “trabalho”, é assustadora; é semelhante ao conceito neoliberal de “não há almoços grátis” do “católico” João César das Neves (tão católico que ele é, que até anda caladinho acerca da acção política do papa Chico).

Segundo os modernos (que incluem a Catarina Martins e o João César das Neves), o objectivo do trabalho (que vem do latim “tripalium”, um instrumento de coacção através do qual se prendia o gado) é a transformação da Natureza num sentido útil para o Homem, tendo em vista as suas necessidades. Ou seja, o que não é útil, não é trabalho (e por isso é que “não há almoços grátis”); e, assim sendo, o acto de parir e de criar uma criança passa a ser considerado “útil” pelo Bloco de Esquerda, e é neste contexto que este partido diz “defender a natalidade”.

Porém, assim como há actividades remuneradas às quais é difícil chamar “trabalho”, assim há actividades desinteressadas cuja motivação principal reside no prazer que nos proporcionam. Desta forma, é possível distinguir as actividades socialmente úteis, e chamar de “trabalho” apenas aquelas que estão associadas à produção de bens e serviços necessários à vida; e, que eu saiba, um ser humano não é um “bem e serviço”, nem a sua mãe é uma “parideira industrial”.

A mundividência oficial do Bloco de Esquerda é de tal forma repulsiva que me causa náuseas.

Essa mundividência oficial do Bloco de Esquerda reflecte-se no conceito de “totalitarismo”, segundo Hannah Arendt no seu livro “Entre o Passado e o Futuro” (editora Relógio D’ Água, 2006, páginas 110 a 118).

Segundo a experiência da Hannah Arendt, o sistema totalitário difere do clássico autoritarismo político (por exemplo, o Salazarismo) porque se constrói (analogamente) através do chamado “sistema da cebola”: a liderança e o seu núcleo político encontra-se no centro da “cebola” que tem várias camadas até à superfície táctil.

A acção política da liderança e do núcleo duro do sistema totalitário é iniciada a partir de centro da organização para o exterior, e não a partir de cima para baixo como acontece no autoritarismo que tem uma estrutura piramidal e cujo poder do líder autoritarista é justificado por uma realidade que transcende a própria sociedade (Deus).

As camadas intermédias da “cebola” totalitária consistem em uma extraordinária diversidade de partes legais e clandestinas do movimento totalitário que se entre-cruzam e se intercomunicam ― organizações do partido, membros de um ou de mais partidos com idêntica sensibilidade política, sindicatos e agremiações profissionais, as formações da elite política e a máquina do Estado que inclui organizações policiais e para-policiais, etc., ― que estão relacionadas de tal modo entre si, que cada um desses centros de poder ou dessas organizações formam uma “fachada numa direcção”, e o “centro noutra direcção”.

Isto significa que o papel “do mundo exterior normalíssimo e corriqueiro do dia-a-dia do partido” é desempenhado por uma das faces, o que dá ao Bloco de Esquerda uma aparência pública vulgar e normal, e até relativamente consentânea com a generalidade dos conceitos do senso-comum ― enquanto que noutra face e/ou nas camadas mais inferiores, o radicalismo extremo vai aumentando à medida que se aproxima do centro da “cebola”. Esse radicalismo bloquista pretende a mudança revolucionária da natureza do ser humano por intermédio de engenharias sociais.

É neste contexto que devemos entender o conceito bloquista de “trabalho reprodutivo”.


Segundo a mesma Hannah Arendt, poderíamos também assumir a distinção de Aristóteles entre “teoria” (especulação), “práxis” (acção), e “poiesis” (fabricação, trabalho): nesta perspectiva, o trabalho seria a actividade humana mais próxima da animalidade, da necessidade biológica em virtude da sua finalidade consistir em satisfazer as nossas necessidades; nesta perspectiva, a lei do trabalho é a reprodução indefinida de objectos e dos actos consumados para os reproduzir, a repetição monótona do ciclo produção-consumo. Esta visão do trabalho está bastante próxima da visão de Karl Marx, segundo a qual “o trabalho é o resultado de um projecto consciente e voluntário, dado que a actividade animal é instintiva”.

O que é espantoso (e nauseabundo) é que o “amor de mãe” (através do conceito de “trabalho reprodutivo”) seja reduzido pelo Bloco de Esquerda a uma “actividade animal”, ao conceito de “trabalho” segundo Karl Marx.

Sexta-feira, 20 Julho 2018

Ainda não batemos no fundo…

 

“Estive no Canal Q a debater a interpretação histórica do nazismo. Creio que o racismo não foi a causa mas a consequência, a causa foi a crise de 29 e o temor da revolução por parte quer da URSS quer do SPD”.

Raquel Varela


“A separação entre ciência fundamental e aplicada, ou entre ciências sociais e exactas é fictícia”.

Raquel Varela


1/ a Raquel Varela deverá estudar melhor a Idade Média na Alemanha. Em Portugal e em Espanha, o “problema judeu” não foi um problema de “raça”: foi um problema de conversão ao catolicismo. Na Alemanha medieval, a situação cultural foi totalmente diferente.

2/ toda a gente tem direito a “comes e bebes”; longe de mim querer tirar o tacho à Raquel Varela. Que se refastele à fartazana à mesa do Orçamento de Estado.

Mas se “a História está sujeita a interpretações”, então segue-se que as ciências sociais (por exemplo, a História) não são tão exactas quanto as ciências formais (a matemática), ou mesmo quanto as ciências da natureza.

Ou seja: ao contrário do que a Raquel Varela disse, a separação entre ciências sociais, por um lado, e as ciências exactas, por outro lado, não é fictícia.

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Quarta-feira, 18 Julho 2018

Alexandria Ocasio-Cortez, o futuro brilhante da Esquerda americana

 

“A taxa de desemprego está baixa porque toda a gente tem dois empregos.”

(Alexandria Ocasio-Cortez)

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Segunda-feira, 16 Julho 2018

O gajo é burro

Filed under: blasfémias,Cuidado que esta gente tem opinião! — O. Braga @ 10:55 am

 

Uma coisa é uma “selecção multicultural” ou “multi-étnica”; outra coisa, diferente, é o “multiculturalismo” excluir uma determinada cor de pele. O “multiculturalismo” tem horror ao europeu autóctone.

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As selecções portuguesas de futebol sempre tiveram várias etnias, mas a predominância étnica foi sempre a autóctone portuguesa.

Não faz sentido que uma selecção de futebol da França seja maioritariamente constituída por pretos — por muito que desagrade à burrice do politicamente correcto dito “de Direita”.

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Adenda:

Vemos, aqui na imagem imediatamente abaixo, a equipa principal de râguebi da África do Sul em 1995, ainda com a herança do regime do apartheid (todos os jogadores eram brancos), e considerada a melhor equipa de sempre e que foi campeã do mundo.

(more…)

Domingo, 15 Julho 2018

Quando vejo mulheres destas, questiono-me sobre a diferença de inteligência entre membros dos dois sexos

 

MAFALDA COUTINHO
Este texto é inacreditável (ver ficheiro PDF, para memória futura). Depois de o ler, por uma fracção de segundo pensei que as mulheres têm uma grave deficiência cognitiva.

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O meu problema não é o de deixar de ver as “hot girls” nos jogos transmitidos pela televisão: o meu problema é o de saber o que vem a seguir a isto: ¿irão proibir os homens de olhar para as mulheres na rua?

Fico com pele de galinha e os pêlos eriçados quando se defende, na praça pública (embora no pasquim Púbico), que se deve proibir alguma coisa porque alguém exerce a sua liberdade de uma forma inócua: as “hot girls” são livres de se manifestarem nos estádios, mas as televisões devem censurar as “hot girls”. Ou seja, as feministas tratam as mulheres como sendo irracionais ou com cérebro de galinha, e por isso as feministas defendem a censura da expressão pública das próprias mulheres.

A ideia segundo a qual as “hot girls” são a causa de “assédio” nos estádios, só pode vir de uma mente com uma grave deficiência cognitiva. E, a julgar pelo que foi escrito por aquele supracitado galináceo, em um Mundial que teve muitas centenas de milhares de espectadores nos estádios, houve 30 casos de assédio. TRINTA CASOS.

As abéculas que defendem que as “hot girls” desapareçam das imagens de futebol, são as mesmas que defendem a violência da Ideologia de Género sobre as crianças através da manipulação política do Ensino e da educação.

A ideia segundo a qual se pode conduzir uma sociedade à perfeição e à “igualdade” por intermédio do Direito Positivo, só pode vir de atrasados mentais. As “elites” não aprenderam nada com o sanguinário século XX.

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Quinta-feira, 14 Junho 2018

O Rui Tavares só se preocupa com a morte de pretos; os brancos que se lixem

 

¿Já viram ou ouviram o Rui Tavares (ou alguém da Esquerda) preocupar-se minimamente com o genocídio dos brancos na África do Sul?

Não viram nem verão, porque, para o Rui Tavares, os “cabrões e grunhos” brancos merecem ser assassinados pelos pretos. É assim que o filho-de-puta (não tem outro nome!) do Rui Tavares pensa.

Mas quando um só preto é assassinado por brancos, o Rui Tavares acende uma velinha de aniversário e até constrói umas alminhas no local.

Por isso é que a Esquerda não tem autoridade moral para falar de racismo; e por isso é que eu (como muita gente), que não era racista, já considero uma conversão.

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Segunda-feira, 11 Junho 2018

Só lhes falta o sumiço de Portugal

 

A Esquerda marxista tem vindo a destruir o nosso país com um desvelo extraordinário — como se a extinção da nação portuguesa fosse um desígnio amoroso protagonizado zelosamente por uma classe de luminárias que assume publicamente o controlo da verdade histórica.

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Em contraponto à estupidez da Catarina Martins, aconselho a leitura deste texto da autoria de Hugo Dantas, de que passo aqui um excerto:

“A história da expansão ultramarina de Portugal, como um todo e nas suas partes, tem sido objecto destes múltiplos métodos de ocultar e deformar a verdade histórica. Mais recentemente, aproveitando o ímpeto projectado desde o estrangeiro, a historiografia anti-Portuguesa tem-se empenhado em reduzir a história da Expansão e do Império ao tráfico negreiro, aos abusos praticados sobre os nativos americanos e africanos, às razias e à guerra.

Ainda que quaisquer alegações relacionadas com estes eventos, em si mesmas, sejam verdadeiras, e em muitos casos não o são, a exposição que com eles se constrói da história de Portugal é falsa. Excluídos ficam os decisivos contributos de Portugal para o progresso da Humanidade: a vitória sobre a distância, a fundação de um verdadeiro mercado mundial, a difusão de tecnologia, a revolução alimentar… Em suma, o pioneirismo na globalização, a tomada da posse da Terra pela Humanidade, dos quais todos, hoje, em maior ou menor grau, gozamos os frutos, desconhecidos dos antigos durante milénios”.


O que mais me incomoda, na Esquerda, é a certeza do futuro — como se a História já tivesse sido testada em laboratório e categorizada através de estatísticas: trata-se de uma visão determinista da História e da Realidade, em que não há espaço de liberdade senão para a casta de iluminados que pretende determinar arbitrariamente o nosso destino e o da História. Existe um fanatismo nessa “certeza do futuro”; um fanatismo da mesma índole da dos Maomerdas, por exemplo, que anunciam que “o mundo será islâmico”.

 

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O que move a Esquerda é uma espécie de religião imanente e monista.


Cada um tem direito às suas taras e manias; e a Catarina Martins tem todo o direito de pensar que a História de Portugal é uma merda.

Mas quando a vejo muito próxima do Poder do Estado, através da muleta do execrável monhé António Costa (coadjuvado ideologicamente pelo sinistro José Pacheco Pereira), o caso muda de figura. Por analogia: eu não me importaria que Hitler tivesse existido como um qualquer cidadão alemão: o que me importa é que ele tivesse assumido o Poder do Estado alemão. Portanto, há que afastar o Bloco de Esquerda do Poder a todo o custo.


A estupidez da Catarina Martins revela-se na contradição de quem defende o multiculturalismo e a chamada “diversidade”, por um lado, e por outro lado de quem nega e denuncia as causas dessa “diversidade” e do multiculturalismo.

Seria como se eu fizesse aqui a apologia do valor gastronómico do presunto “Pata Negra”, e simultaneamente fosse contra a morte do porco (salvo seja). Não é logicamente possível que eu defenda as virtudes do sabor do porco ibérico e, ao mesmo tempo, diga que não devíamos ter morto o porco.

Analogamente, a Catarina Martins é estúpida porque o ideário dela (ou o ideal dela) coincide com a própria negação desse ideal — porque se não existisse colonialismo e escravatura, não existiria (por exemplo) o Brasil, pura e simplesmente! E não seria possível a política identitária do Bloco de Esquerda.

Portanto, já vimos que a criatura é estúpida; mas é muito perigosa, exactamente porque não tem quaisquer filtros psíquicos e intelectuais para a estupidez que alardeia. Porém, a Catarina Martins apenas segue a estupidez alheia que está na moda, por exemplo aquela da “filósofa” Nancy Fraser (de que falarei noutra ocasião) ou de políticos como o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau (de que dizem ser um filho-de-puta do Fidel Castro).

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Segunda-feira, 21 Maio 2018

O “género” não é uma “construção social”

 

1/ Quando se diz que “o género é uma construção social”, o que se pretende dizer é que “o género é uma convenção” → sendo que “convenção” = resultado de um acordo explícito ou tácito.

A convenção opõe-se à Natureza. E toda a convenção pressupõe a linguagem, e por isso, pressupõe já a sociedade.

genero-construct-webNo sentido lógico e comum, “género” é o termo que designa uma categoria de realidades ou de ideias que os seus caracteres essenciais comuns autorizam a reagrupar sob a mesma denominação geral (por exemplo, “os géneros masculino e feminino”, na gramática; os “diferentes géneros” literários; etc..).

Porém, o que está implícito neste texto (em que se diz que “o género é uma construção social”) é que “o género é independente do sexo biológico” — o que é um absurdo lógico, porque o género não pode ser simultaneamente dependente e independente do sexo biológico: ou é independente do sexo biológico, ou é dependente deste. É óbvio, e mesmo evidente, que o “género” depende da categoria do sexo biológico.

2/ Em determinadas culturas, os homens podem ser temporariamente considerados “mulheres”, ou determinadas mulheres ser consideradas “homens”.

Mas, nessas sociedades, essa “troca de papéis de géneros” acontece por razões funcionais e de interesse colectivo — ou seja, essa “troca de papéis de géneros” entre os dois sexos é convencionada, por um lado, e por outro esse fenómeno cultural revela que a “troca de papéis de géneros”, entendida em si mesma, significa que o “normal desejável” não são os géneros trocados, mas antes que o que é normal é a coincidência simbólica entre o género e o sexo.

Nessas culturas, a “troca de papéis de géneros” é uma excepção circunstancial que serve exclusivamente o interesse colectivo; nessas culturas, as funções, códigos e estatutos estão em primeiro plano, e o indivíduo apaga-se diante dos sistemas que o clã, a tribo ou a família formam; nessas culturas, as relações entre seres humanos são nitidamente menos individualizadas e menos personalizadas, quando comparadas com a cultura europeia e ocidental.

Na cultura europeia, de raiz cristã, onde a dimensão afectiva e individual é muito importante, a relação de cada um com a sua identidade pessoal tem uma importância enorme. Na cultura ocidental (de origem cristã), ser “homem” ou “mulher” não pode ser produto de uma decisão do grupo social.

Sendo assim:

A ideia do escriba — segundo a qual “o género é uma construção social que emerge das diferenças na forma como mulheres e homens se relacionam” — não se enquadra na cultura europeia e ocidental, porque o que ele diz é que ser “homem” ou “mulher” (no sentido do “género” enquanto convenção, e não do “sexo biológico” naturalmente determinado) é produto de uma decisão do grupo social.

Esta ideia de “troca de papéis de género enquanto convenção social” não se adequa à cultura antropológica ocidental; o que o referido escriba tenta fazer é tirar vantagem do facto de as relações no Ocidente serem individualizadas, e procura as referências que fundamentem a sua (dele) tese baseada em sociedades absolutamente diferentes (agradeçam a Rousseau e a Engels, entre outros), onde a codificação social é predominante e muito restrita.

3/ Em súmula: na cultura antropológica ocidental, em que o indivíduo (enquanto tal) ganha uma importância que não existe em outras culturas, não podemos dizer (como diz o escriba) que “o meu género é construído pelos outros”.

Ademais, a ideia de que “o género não é senão uma construção social” (uma convenção) é anti-científica.

Um estudo publicado em Novembro de 2017 sugere que os comportamentos individuais feminino e/ou masculino não são um mero reflexo de pressões sociais (ou de convenções). Tanto a biologia como a sociedade afectam o comportamento das meninas e meninos.

Quando se categoriza os géneros masculino e feminino de acordo com os respectivos sexos biológicos, fazemos isso em consequência da própria categorização de género (ou de sexo) que a Natureza determina desde tenra idade. Por isso é que, por exemplo, damos o nome de “Maria” a uma menina, e de “Manuel” a um menino: ao distinguir a nomenclatura em função dos dois sexos, nada mais fazemos do que seguir a categorização sexual (ou de género) que a própria Natureza já tinha determinado a priori.

A eutanásia da apedeuta Maria Filomena Mónica

 

“Em política, o que parece, é”; e parece-me que a Maria Filomena Mónica é ignorante. Escreve ela:

« A relutância em se aceitar a eutanásia ou o suicídio assistido provém, em muitos casos, de os objectores estarem a viver num tempo que já não existe: quando avós, pais e filhos viviam debaixo do mesmo tecto, quando não havia ressonâncias magnéticas, quando os doentes jamais eram ouvidos pelos médicos. Agradável ou desagradável, esse mundo acabou. »

Quem ler o que ela escreveu, ficará provavelmente com a ideia de que “a eutanásia é uma coisa do tempo actual” — quando a eutanásia era culturalmente aceite e praticada entre os gregos e os romanos antigos em que “avós, pais e filhos viviam debaixo do mesmo tecto”. O próprio Aristóteles defendeu a legitimidade da prática da eutanásia de crianças nascidas com deficiências físicas. E Sócrates (o grego) teve uma espécie de “suicídio assistido” ajudado pelos seus discípulos — para além de centenas de relatos documentados da aceitação social e cultural da eutanásia na Antiguidade, sendo que o Cristianismo veio introduzir na cultura antropológica europeia uma diferenciação fundamental nesta e noutras práticas culturais (por exemplo, no sacrifício pagão de crianças, e seres humanos em geral).

Ora, o problema de gente da laia da Maria Filomena Mónica é o Cristianismo, que, na opinião dessa gentalha, deve ser estripado da cultura antropológica.

Neste sentido, podemos dizer que a legalização da eutanásia é um retrocesso civilizacional (a não ser que se considere que o Cristianismo foi ele próprio um retrocesso civilizacional, como defenderam Engels e Nietzsche).

Maria Filomena Mónica é um erro de “casting” na cultura portuguesa. Uma pessoa que tenha um mínimo conhecimento de História não deveria invocar a eutanásia para lhe aplicar o argumento ad Novitatem.

Ademais, há que saber o que é uma “vida digna”; estamos aqui a lidar com a subjectividade de uma apedeuta que é detentora de um alvará de inteligência (o rei vai nu!) — em primeiro lugar, porque se existe ontologicamente uma “vida digna” é porque certamente existe (ontologicamente também) uma “vida indigna”, e aqui entramos em uma forma de “fascismo niilista” que está na moda mas que também não é coisa de hoje.

Não existe um consenso sobre a “dignidade” ou “indignidade” da vida humana.

Quando a burrinha invoca o relativismo ético do utilitarismo de Stuart Mill, nega a própria noção de “ética” — porque os valores fundamentais da ética não podem (necessariamente) depender da moda de cada tempo; e as questões relacionadas com a vida e com a morte fazem parte do rol dos valores fundamentais da ética.

Sexta-feira, 11 Maio 2018

A hipocrisia puritana do Júlio Machado Vaz

 

Hoje ouvi na rádio pública (Antena 1, rádio do Estado) o Júlio Machado Vaz insurgir-se contra as touradas e, de uma forma implícita, a defender a proibição das touradas — argumentando, por exemplo, que “a tourada não é uma tradição em Portugal porque, de um total de 308 concelhos, apenas em 40 se realizam espectáculos de tourada” (este argumento é o mais estúpido que alguém poderia conceber: como se uma tradição pudesse ser considerada como tal independentemente da cultura antropológica; como se fosse necessário que a maioria dos concelhos de Portugal tivesse praças-de-touros para que a tourada fosse considerada tradição em Portugal.

julio machado vaz webO Júlio Machado Vaz, que hoje ouvi defender publicamente (implicitamente) a proibição das touradas em nome do alegado “sofrimento do touro”, é o mesmo Júlio Machado Vaz que fez campanha a favor da legalização do aborto gratuito pago pelo Estado (ou seja, abortos pagos por todos os portugueses).

Quando se trata do sofrimento de um ser em que já bate um coração, o Júlio Machado Vaz “chuta para canto”, porque entra em dissonância cognitiva, por um lado; e por outro lado porque ele adopta uma agenda política tenebrosa que pretende substituir uma série de tabus tradicionais e seculares por outros tabus anti-naturais.

Neste caso, o Júlio Machado Vaz (e a Esquerda em geral) pretende substituir um tabu tradicional, que eticamente impede o aborto, por um novo tabu que proíbe a tourada (eliminando o tabu do aborto da cultura antropológica). O Júlio Machado Vaz sabe que uma cultura sem tabus é um círculo quadrado; e por isso sabe que é imprescindível substituir os tabus tradicionais por outros tabus que permitam (ou que facilitem) o assalto totalitário ao Poder.

Este fenómeno político e cultural, de que é exemplo o Júlio Machado Vaz, ganhou um nome nos Estados Unidos : Virtue signalling”. Traduzindo em português: “Sinalização de Virtudes”. No fundo, trata-se de um tipo de puritanismo hipócrita que, na esteira cultural da Reforma protestante, se caracteriza por uma “guerra” contra a tradição.

Os esquerdistas actuais são os herdeiros culturais de Lutero e/ou Calvino. “Nietzsche, o grego; Karl Marx, o cristão protestante” (Albert Camus).

« Os puritanos detestavam os combates de ursos, não porque esses jogos causassem sofrimento aos ursos, mas porque davam prazer aos espectadores. »Thomas B. Macaulay 

Esse puritanismo hipócrita, de Sinalização de Virtudes e anti-tradicionalista que esteve sempre presente na cultura europeia cristã através do gnosticismo anti-cristão, evoluiu para o gnosticismo puritano moderno.

Ernest Sternberg, professor da universidade de Bufallo, Estados Unidos, escreveu um ensaio sobre as novas tendências da Esquerda a nível global que crescem actualmente sobre os escombros do marxismo-leninismo. O ensaio tem o título genérico de “Purifying the World: What the New Radical Ideology Stands For”“Purificando o Mundo: O que pretende a nova ideologia radical”.

Ernest Sternberg chama ao novo tipo de esquerdismo (renascido do marxismo cultural) que desponta e se organiza a nível internacional, de “Purificacionismo” (trata-se de uma religião monista !). O nome dado por Ernest Sternberg (Purificacionismo) está intimamente ligado ao movimento puritano inglês dos princípios da idade moderna, que Eric Voegelin descreve com uma minúcia surpreendente na sua obra “A Nova Ciência da Política”.

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