perspectivas

Sexta-feira, 13 Outubro 2017

A diferença entre Fernando Rosas ou Raquel Varela, por um lado, e Rui Ramos, por outro lado.

Filed under: Fátima,História,Igreja Católica,Raquel Varela,religião — O. Braga @ 3:13 pm

 

Rui Ramos (historiador) escreveu aqui um ensaio notável acerca de Fátima. ¿E, “notável” por quê? Porque se apoiou em factos documentados (passo redundância), por um lado, e por outro lado porque se absteve de interpretações desconstrutivistas que caracterizam “historiadores” como Fernando Rosas e/ou Raquel Varela.

O desconstrutivismo histórico não é o cepticismo salutar do historiador: em vez disso, é a negação ou/e sonegação ou/e deturpação selectiva de alguns factos historicamente documentados — porque são julgados ideologicamente “inconvenientes”. Raquel Varela ou Fernando Rosas, entre outros “historiadores” marxistas, estabelecem a priori as conclusões da investigação histórica; mas um historiador propriamente dito segue os factos históricos independentemente das conclusões a que possa chegar.


Só há um reparo a fazer no ensaio de Rui Ramos: quando ele se refere à Renascença Portuguesa e aos nomes de “Teixeira Pascoaes, Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão, Raul Proença, António Sérgio, Raul Brandão, e, ao princípio, Fernando Pessoa”.

« Nos seus artigos e conferências, Pascoaes, o líder da Renascença, citava, tal como Sardinha, Henri Bergson e William James, para repudiar o “egoísmo materialista”, o “cientismo estreito e superficial”, e saudar o “espírito religioso que ora aparece na Europa”. »

A Renascença Portuguesa pouco ou nada tem a ver (filosófica- e/ou teologicamente) com o catolicismo ou com a Igreja Católica do século XX.

Por exemplo, Leonardo Coimbra só se confessou “católico” pouco tempo antes da sua morte trágica; Bergson foi tentado pelo catolicismo mas não o adoptou. Todos nomes citados ou eram deístas (deísmo), ou eram panteístas (panteísmo, que é um monismo).

A mística teísta (teísmo católico) é incorruptível; mas a mística naturalista (o deísmo, ou “religião natural”) perverte-se em panteísmo, quando a consciência extática identifica o esplendor da Criação, por um lado, com o esplendor do Criador, por outro lado. E a mística personalista (a que é separada da religião) perverte-se em gnosticismo quando a consciência ensimesmada identifica a eviternidade da alma, por um lado, com a eternidade de Deus, por outro lado.

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Quarta-feira, 27 Setembro 2017

A Raquel Varela e a Epistemologia da Justiça Social

 

Não é importante saber se a Raquel Varela tem uma qualquer (auto-proclamada ou não) autoridade de direito; o que importa é saber se ela tem autoridade de facto em um determinado domínio de uma qualquer discussão.

Ela diz que sim; que é uma autoridade de facto em economia e finanças.

¿Como funcionam hoje os cursos de ciências sociais e/ou humanidades?

Hoje, as ciências ditas “sociais” caracterizam-se pela Epistemologia da Justiça Social (por exemplo, com Boaventura Sousa Santos).

Primeiro, estipulam-se as conclusões a que se pretende chegar; essas conclusões devem ser paradigmas de inclusão social, igualdade identitária e económica, diversidade cultural, e bem-estar subjectivo do indivíduo, etc..

Depois de se definirem as conclusões a que devem chegar as investigações científicas, a Epistemologia da Justiça Social faz a análise dos dados (dos factos).

Se os dados estão em linha com as conclusões politicamente correctas definidas a priori, então os estudos e as investigações devem ser publicadas. Mas se a análise dos dados demonstrar que a igualdade económica é praticamente impossível, ou se os “dados forem intolerantes ou/e racistas” — então esses factos ou dados da realidade devem ser escondidos do público e rejeitados.

É assim que “raciocina” a Raquel Varela em termos de “ciência” — a mesma Raquel Varela que escreveu que as ciências sociais são tão exactas como é exacta a matemática.


É no contexto da Epistemologia da Justiça Social que a Raquel Varela escreve o seguinte:

“Parece que eu teria dito que a VW-Auto Europa não produz valor. Não disse, disse que não produz valor para Portugal, mas quero acrescentar algo – a AE é um custo para Portugal. E quando deixar de ser subsidiada ou pagar baixos salários (subsidiados indirectamente também) a empresa fecha portas aqui, semeando uma tragédia no distrito de Setúbal se o Governo não actuar”.

Em primeiro lugar, parece que a Auto-Europa é um “custo para Portugal”; e o corolário lógico da opinião da Raquel Varela é que se deve, desde já, fechar a Auto-Europa. Neste sentido, já percebo a acção destrutiva do Partido Comunista na Auto-Europa.

Em segundo lugar, a Raquel Varela parece pensar (digo “parece”, porque duvido que ela saiba o que significa “pensar”) que a Auto-Europa funciona em regime de Aperfeiçoamento Activo: manda vir todos os componentes do estrangeiro, só faz a montagem dos componentes, e depois exporta o produto acabado. Ou seja, segundo parece ser a opinião da Raquel Varela, só fica em Portugal o valor da mão-de-obra paga aos trabalhadores, e respectivos impostos sobre o trabalho.

Ou seja, segundo o “raciocínio” da Raquel Varela, o Parque Industrial da Auto-Europa também é um “custo para Portugal”, e também é subsidiado pelo Estado, porque provavelmente as empresas do referido Parque não pagam o salário normal francês ou alemão.

Eu sei que a Raquel Varela é boa peça (por enquanto), e por isso dá um certo colorido aos programas de televisão. Talvez seja boa ideia convidá-la para os programas de televisão com a condição de ficar caladinha.

raque-varela-wc-web

Segunda-feira, 4 Setembro 2017

A Raquel Varela e o confronto com os países de Leste da Europa

Filed under: Auto-Europa,Raquel Varela — O. Braga @ 12:43 pm

 

A Raquel Varela conta a estória de um indivíduo que foi engenheiro da Auto-Europa e que se pirou para a Suécia, onde trabalha agora numa empresa chinesa — ¿você sabia que a Volvo agora é uma empresa chinesa? A Volvo chinesa, sediada na Suécia, paga muito melhor aos trabalhadores do que a fábrica da Volkswagen em Portugal; mas o porto do Pireu (Grécia), concessionado a uma outra empresa chinesa, paga pior do que paga a empresa concessionária do porto de Roterdão, por exemplo. Parece que existe um preconceito generalizado em relação a povos de determinados países da Europa…

Esse preconceito existe em relação a Portugal, em grande parte, por causa dos desmandos comunistas do 25 de Abril de 1974, que criaram feridas profundas na cultura portuguesa, por um lado, e por outro lado politizaram as relações de trabalho de tal forma que a entidade patronal é (geralmente) vista (em Portugal) como a própria encarnação do diabo — o que não acontece no norte e leste da Europa, onde não existem Partidos Comunistas estalinistas e apoiantes da Coreia do Norte.

O tal engenheiro (o da estória da Raquel Varela) pirou-se para ir trabalhar para os “chineses suecos”; e agora diz que os camaradas da auto-Europa devem fazer greve.

Eu já trabalhei em algumas multinacionais com fábricas em Portugal (por exemplo, a Ecco’let), e todas elas acabaram por se deslocalizar para outros países depois de Portugal entrar no Euro. O facto de Portugal estar dentro da zona Euro não é necessariamente um factor que favoreça o investimento oriundo de outros países que também pertençam à zona Euro (a Suécia não está no Euro!). Para as empresas alemãs é mais interessante investir na Hungria ou na Polónia, que não pertencem ao Euro, do que em Portugal; no entanto, estes dois países têm um PIB per capita semelhante a Portugal.

Outro exemplo: a República Checa, do defunto Bloco de Leste comunista, não pertence (nem quer pertencer) à zona Euro e tem um PIB per capita muito superior ao português (28 mil US Dollars contra 33 mil US Dollars), e tem uma taxa de desemprego de 5% (Portugal ronda os 10%). A República Checa é muito mais interessante, hoje, para a instalação de uma fábrica da Volkswagen do que Portugal. Ou seja: hoje, qualquer país ex-comunista do Bloco de Leste (fora do Euro) se equipara a Portugal, ou tem mesmo um nível de vida superior ao português; e tem a vantagem de estar mais perto da Alemanha.

E a culpa das desvantagens económicas criadas pela política esquerdista portuguesa — segundo a Raquel Varela e o engenheiro da Volvo chinesa — ¿é da Auto-Europa e do “grande capital”?!

Domingo, 20 Agosto 2017

A estupidez ignorante da Raquel Varela

 

Um dias destes, escrevi um comentário em um artigo do FaceBook que versava sobre as zonas de estacionamento destinadas aos deficientes motores:

“Eu estaciono nessas zonas, e saio do carro a mancar.”

Bem!, o leitor não imagina o chorrilho de insultos a que fui sujeito por gente da Esquerda.

Porém, acontece que a minha piada sobre o “mancar” era abstracta, ou seja, não se dirigia a ninguém em concreto; mesmo assim fui insultado do pior.


A Raquel Varela escreve o seguinte:

“Gosto do humor de João Quadros, mesmo quando não gosto das suas piadas. O que não tem piada alguma é definirmos colectivamente quais os limites do humor. Além disto – e isto é a liberdade de criação de um artista, não é pouco – o alvo da piada de JQ foi o fascismo e não a esposa de Passos Coelho. Quem não entendeu isto tem ou má vontade ou ignorância, a ambas não se deve ceder”.

Uma coisa é dizer uma piada sobre “mancos” (em geral), por exemplo; outra coisa, bem diferente, Ó Raquel!, é dizer uma piada sobre “aquele manco” em particular. Portanto, o limite do humor é o ad Hominem — mas não estejamos à espera que a estúpida criatura entenda isso: é muita “História” naquela cabecinha de alho chocho.

Além de não saber qual o limite do humor (o ad Hominem), a Raquel Varela pretende dizer que qualquer discurso depende da sua interpretação — o que exponencia a estupidez da criatura: diz ela que “o alvo da piada de JQ foi o fascismo e não a esposa de Passos Coelho”; ou seja, nós é que interpretamos mal.


"Interpretar" pode ter basicamente três sentidos:

  • tornar claro, encontrar um sentido escondido, hermenêutica;
  • deformar, desfigurar;
  • abordar uma obra de maneira a exprimir-lhe sentido; exegese.

No caso da Raquel Varela, “interpretar” é “deformar”.

raque-varela-wc-webGadamer defendeu a ideia segundo a qual o acto de compreender comporta três momentos: a apreensão da ideia original (ou compreensão propriamente dita), a interpretação, e a aplicação.

Por exemplo, podemos compreender o conceito de “virtude”, segundo Aristóteles, e conforme a sua ideia original. Depois, interpretarmos (à nossa maneira) esse conceito original, mesmo deturpando-o ou desfigurando-o, de forma "nova" e "diferente", a cada instante e conforme ao espírito de cada época. E finalmente podemos aplicar e adaptar, a cada situação concreta, essa interpretação.

Os três momentos — compreensão, interpretação e aplicação — são indissociáveis porque não pode existir compreensão sem interpretação, na medida em que a significação que podemos deduzir no fim de uma investigação nossa, encontra-se também no princípio da investigação, devendo o investigador antecipar sempre a significação consoante os seus interesses privados e as suas escolhas pessoais.

No entanto, a interpretação de uma ideia não se desliga, total ou parcialmente, da intenção dessa ideia.

Por exemplo, não é legítimo nem racional que se interprete a Bíblia num sentido oposto ou contraditório em relação às ideias originais nela expressas.

Ou seja, quando a interpretação é desprovida de lógica e de bom-senso, é deformação e desfiguração. Para a Raquel Varela, interpretar é deformar o significado original de uma determinada ideia. Por isso é que ela estudou História: para a deformar e desfigurar.

E se fizer uma exegese da piada de João Quadros, chegaremos à conclusão inevitável de que não é eticamente aceitável que se ataque politicamente uma determinada pessoa, por exemplo, através do ataque ad Hominem em relação à sua esposa ou à sua filha ou à sua bisneta (que o diga o Daniel Oliveira).

A Raquel Varela é um símbolo da putrefacção moral e intelectual da Esquerda — porque não podemos esperar do mentecapto João Quadros outra coisa; mas de uma criatura que aparece nos me®dia, esperaríamos pelo menos o silêncio acerca deste assunto.

Domingo, 13 Agosto 2017

Raquel Varela: é o sol na eira e a chuva no nabal

Filed under: Comunismo,marxismo,Raquel Varela — O. Braga @ 12:06 pm

 

“A onda de violência contra os turistas em Espanha, que não subscrevo – não tenho admiração alguma por violência gratuita ou aquela tese da violência entre trabalhadores como sintoma da violência do Estado e outras palermices – tem um fundo muito elementar, o drama não são os turistas (eu sou turista em muitos lugares) mas as rendas da propriedade em busca desesperada de valorização fora da produção – onde cai a taxa de lucro. Estas rendas estão a tornar a cidade para a maioria dos habitantes – de Paris ao Rio – num espaço inabitável para quem esteja lá mais do que 3 dias.”

Raquel Varela


Imaginemos uma renda de 500 Euros mensais para um T2 na zona da Boavista, no Porto.

São 6.000 Euros anuais brutos. Retiremos os 7% mensais da praxe para a imobiliária que tratou de alugar o apartamento: menos 420 Euros anuais = 5.580 Euros. Além disso, a imobiliária cobra uma renda inteira: menos 500 Euros = 5.080 Euros.

Depois temos o IMI : menos 250 Euros anuais = 4.830 Euros.

Depois temos as despesas de condomínio: 600 Euros anuais. Ou seja, 4.830 Euros menos 600 Euros = 4.230 Euros.

Depois temos o IRS: 28 % sobre 4.230 Euros = menos 1184,40 Euros = 3.045,60 Euros.

Ora, 3.045,60 Euros a dividir por 12 meses dá 253,80 Euros mensais — o que até não seria um mau rendimento mensal (livre de impostos) para o senhorio.

Mas o problema é que o apartamento necessita de manutenção : um cilindro que avaria, uma pintura de vez em quando, o vídeo-porteiro que avariou, o sistema de canalização que necessita de ser reparado ou/e renovado, trabalhos de carpinteiro aqui e ali, trabalhos de electricista, etc..

Portanto, o senhorio tem que ter uma reserva no mínimo de 1.000 Euros anuais para obras de manutenção de urgência — ou seja, 85 Euros mensais a menos = dá um rendimento líquido de 168 Euros por mês para um T2 em uma zona nobre da cidade do Porto. É um fraco rendimento para um investimento actual que ronda os 150 mil Euros (o custo de um T2 de boa construção em uma zona central da cidade do Porto).

Investir 150 mil Euros para ter um rendimento mensal líquido de 160 Euros, é negócio de burro. É só fazer as contas. Mas a Raquel Varela diz que “as rendas estão caras”.

Em primeiro lugar, para a Raquel Varela não há um “mercado”; tanto faz uma casa no centro de Lisboa como uma outra na Amadora. A mentalidade e a doutrinação comunista bloqueia a noção de “mercado”.

Em segundo lugar, na mente comunista da Raquel Varela, os impostos não podem baixar: o IMI e os 28% sobre o valor da renda, depois de deduzidas as despesas, é chupa-chupa (no cu do senhorio). Na mentalidade comunista, a única coisa que pode baixar ad infinitum é o rendimento do investidor / senhorio.

Sexta-feira, 10 Março 2017

A Raquel Varela tem uma mentalidade fascista

Filed under: censura,Comunismo,Esquerda,Estado,fascismo,liberdade,Raquel Varela — O. Braga @ 7:51 pm

 

A Raquel Varela pouco se distingue de uma agente comunista da STASI: ela é a favor da censura da opinião.

Talvez ela possa aprender alguma coisa com o Ludwig Krippahl — embora o fascismo seja caracterizado pelo controlo apertado do Estado sobre o cidadão: e ¿não é este controlo estatal sobre tudo o que mexe (a começar pela economia) que o partido “Livre” do Ludwig Krippahl defende?

 


“Ao contrário do catolicismo, o comunismo não tem doutrina. Enganam-se os que supõem que ele a tem. O catolicismo é um sistema dogmático perfeitamente definido e compreensível, quer teologicamente, quer sociologicamente. O comunismo não é um sistema: é um dogmatismo sem sistema — o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolução.

Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o é tudo quanto dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de nós.

O comunismo não é uma doutrina porque é uma anti-doutrina, ou uma contra-doutrina. Tudo quanto o Homem tem conquistado, até hoje, de espiritualidade moral e mental — isto é, de civilização e de cultura — tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem. »

→ Fernando Pessoa, “Ideias Filosóficas”

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