perspectivas

Sexta-feira, 27 Outubro 2017

Desta vez concordo com a Helena Damião

Filed under: economia,educação,liberdade,Rerum Natura — O. Braga @ 11:31 am
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A Helena Damião cita uma tal Catarina Nunes (não conheço) que escreveu o seguinte no semanário Expresso (não comprei, porque já tenho um bom stock de papel higiénico em casa):

"A teoria que valeu ao norte-americano Richard Thaler o Nobel da Economia de 2017 parte da aceitação de que as pessoas são imperfeitas e pouco capazes de, sem orientação, tomarem as melhores decisões. Por isso, precisam de um estímulo subliminar para seguirem na direcção que mais as beneficia. Na prática, trata-se daquilo que (…) define como "paternalismo libertário", suave e não intrusivo, aplicado a políticas públicas e privadas.

Trata-se do nudge (empurrão ou estímulo) que o professor de Economia e Ciência Comportamental da Universidade de Chicago defendeu no livro Nudge: como melhorar as decisões sobre saúde, dinheiro e felicidade. De acordo com a teoria deste economista, as escolhas individuais não são bloqueadas ou restringidas, mas enviesadas para opções que mais beneficiam a própria pessoa e a população em geral (…). Outro dos conceitos desenvolvidos é o de "arquitecto da escolha", ou seja, a pessoa ou entidade responsável pela organização do mecanismo que leva as pessoas a tomar a decisão, encontrando a melhor e mais subtil forma de conduzir a um determinado comportamento."

O que está em causa na teoria da Catarina Nunes é a apologia do behaviourismo. “Paternalismo libertário” é um eufemismo de “estimulação pavloviana”. O behaviourismo concebe o ser humano como uma espécie de máquina, destituída de espírito e de liberdade.


Toda a acção cultural (e portanto, política e económica) que não favoreça a formação crítica do ser humano face à Realidade, é negativa.

A educação é exactamente a formação crítica do ser humano, e só nesta dimensão crítica da educação se pode conceber a liberdade. O ser humano é livre porque analisa, e analisa porque desenvolveu um espírito crítico; e a educação existe para desenvolver na criança esse espírito crítico.

Porém, não nos devemos esquecer de que muito daquilo que se constitui como tradição, é produto de uma experiência histórica — a tradição é, em grande parte, o resultado de uma espécie de modus ponens cultural que dispensa uma análise constante e a cada geração que passa.

Neste sentido, e como defende Hannah Arendt (A Crise da Cultura), a educação das nossas crianças deve ser conservadora e protectora, dando-lhes margem de manobra para que, quando forem adultas, possam ser “revolucionárias” à sua própria maneira.

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Sábado, 28 Janeiro 2017

Quando os “factos alternativos” correspondem à verdade que o politicamente correcto detesta

 

“num programa de televisão, uma conselheira do recém eleito presidente do EUA afirma uma mentira, o jornalista confronta-a com isso mesmo e apresenta factos, ela, muito desenvolta, diz que se baseia em “factos alternativos", ao que o jornalista responde que “factos alternativos, não são factos, são falsidades”… ela nega, ele…”

Helena Damião

¿E qual é a mentira? Não interessa saber. O que interessa à Helena Damião é a narrativa segundo a qual  “uma conselheira do recém eleito presidente do EUA afirma uma mentira”.

Naturalmente que, para a Helena Damião, os jornalistas apresentam sempre factos (os jornalistas não mentem) — isto se os jornalistas forem de esquerda: se forem de direita, os jornalistas apresentam sempre mentiras.

Mas afinal ¿qual era a mentira? A CNN publicou esta imagem da tomada de posse de Donald Trump:

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só que a imagem da CNN foi tomada às 10 horas da manhã, muito antes do discurso de Donald Trump. Mas a Helena Damião diz que a mentira não é da imprensa: é do Donald Trump. Ver mais informação factual e documental, aqui.

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Sexta-feira, 10 Junho 2016

A Helena Damião e a “educação para o empreendedorismo”

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:57 am
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Eu concordo parcialmente com a Helena Damião: o conceito de “educação para o empreendedorismo” é um absurdo, porque a liderança não se aprende na escola: é inata — a não ser que a “educação para o empreendedorismo” seja sinónimo de “educação para gestão de empresas”: um bom gestor de empresas pode não ser um líder natural.

“E deixam uma questão: "não haverá razões para estarmos preocupados com esta socialização precoce para a competição?"”

Porém, o que preocupa a Helena Damião não é o absurdo da “educação para o empreendedorismo” : o que a preocupa é o fomento da competição entre as crianças.

São duas coisas diferentes: o fomento da competição entre as crianças não tem necessariamente a ver com o absurdo do “educação para o empreendedorismo”; mas a Helena Damião mistura as duas coisas.

A Esquerda — de que a Helena Damião faz parte — diz que defende a mobilidade social (os “elevadores sociais”), por um lado, mas, por outro lado, tem horror à competição.

É claro que sem competição não pode existir mobilidade social. Esta contradição da Esquerda não é irracional: tem um propósito: é preciso proteger o Poder as elites de Esquerda em relação a qualquer tipo de concorrência política, e sem que esse proteccionismo seja facilmente detectado pela opinião pública.

Finalmente, sendo que a Helena Damião critica o absurdo da “educação para o empreendedorismo”, nunca a vi criticar a propaganda absurda da Ideologia de Género nas escolas. Ou seja, na educação, há coisas absurdas que são boas (as de Esquerda) e outras que são más.

Quarta-feira, 6 Abril 2016

É preciso explicar à Helena Damião o que significa “endogamia”

 

“Péssima ocasião, pois a noção de "raça", além ser errada sob o ponto de vista científico, denota a persistência da ideia preconceituosa e simplista de que "nós" (neste caso, os Europeus? Os Portugueses?) não somos feitos da mesma matéria que os (muitos) "outros" (os que fogem da guerra e chegam à Europa? A Portugal?) nem comungamos da mesma condição, a condição humana. Também não se trata, nem deve tratar, de discriminação”.

Helena Damião

A endogamia, praticada sistematicamente e ao longo de gerações e séculos, baixa o nível do QI geral da sociedade. Presumo que a Helena Damião sabe o que é o QI; e que também sabe o que significa “endogamia”. O que eu não sei é se a Helena Damião sabe ler em inglês; se ela não souber, por favor alguém que lhe traduza, por exemplo, este texto:

endogamia-islamicaA Danish psychologist warns that 1,400 years of inbreeding, marrying first cousins, may be wreaking havoc on Muslim intelligence, health and sanity.

A large part of inbred Muslims are born from parents who are themselves inbred, which increase the risks of negative mental and physical consequences greatly, says Nicolai Sennels, author of the book Among Criminal Muslims and articles on the psychology of Islam and Muslims, in a Dec. 26 article in 10News.dk.

Combining his own research and several studies, Sennels says the genetic damage of such intermarriage, which is part of Islamic religion and culture since their prophet, Mohammad, allowed it, is causing lower intelligence (IQs), increased physical defects and greater incident of mental illness”.

Muslim Inbreeding May Be Genetic Catastrophe…

Portanto, não se trata de “raça”; trata-se “cultura antropológica” — mesmo dando como cientificamente adquirido que não existem raças. Alguém que explique isto à Helena Damião como se ela fosse muito burra.

Domingo, 6 Março 2016

O discurso sinuoso da Helena Damião

Filed under: filosofia — O. Braga @ 1:35 pm
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“Vejo a ciência e a ética do mesmo lado, em última instância a mesma coisa. Isto se entendermos que toda e qualquer acção científica tem subjacente a noção de verdade, mas também a de responsabilidade.”

Helena Damião.

Presumo que o conceito de “ciência”, utilizado pela Helena Damião neste caso, se refere às ciências da natureza. Neste sentido, a ciência é o conhecimento científico positivo que se apoia nos critérios precisos da verificação, permitindo uma objectividade dos resultados.

A ciência não determina a ética; mas a ética não pode ignorar a ciência.

A ideia de “responsabilidade moral” reside na experiência subjectiva e intersubjectiva, enquanto que a ciência só concebe acções determinadas por leis da natureza, e não concebe autonomia, nem sujeito, nem consciência e nem responsabilidade. A noção de “responsabilidade” é não-científica. A ética e a moral pertencem ao domínio da metafísica que se caracteriza pela falta de “bases objectivas”.

A Helena Damião faz uma confusão entre a acção do cientista, enquanto ser humano, por um lado, e a “acção científica” enquanto trabalho da ciência, por outro lado. A acção do cientista pode ser mais ou menos ética; a acção científica — no sentido do método das ciências da natureza — é eticamente neutra.

Terça-feira, 18 Agosto 2015

Os modernos dizem que “a lógica evolui”

Filed under: ética — O. Braga @ 1:05 pm
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Temos aqui uma citação de um tal “filósofo” Richard Kearney sobre o problema do Mal. No fundo, trata-se de uma versão moderna e invertida da Teodiceia. O que faz o “filósofo”?

Primeiro cita Santo Agostinho, esquecendo-se que Santo Agostinho baseia-se em ideias de Jesus Cristo (S. Mateus 15, 18-20): é o que sai do homem que pode ser mau, e não o que entra nele. “Filósofo” moderno que se preze, não cita Jesus Cristo.

Logo a seguir o “filósofo” perverte o sentido dado por Santo Agostinho às ideias de Jesus Cristo: diz ele (implicitamente): “se o mal vem de dentro do homem, e se há muitos homens, então segue-se que não existe um Mal universal”. O raciocínio é non sequitur. E depois justifica a negação do Mal universal através de S. Tomás de Aquino:

“E existirá uma noção universal de Mal? Não, disse Kearney, mas é preciso explicar este “não”. Para São Tomás de Aquino pode dar-se o caso de as pessoas que cometem o Mal pensarem que estão a fazer Bem. Com base em Espinoza, precisou que isso não decorre da opinião, decorre sim da interpretação: o Mal humano é o que está sujeito a um conflito de interpretação”.

Há aqui uma perversão ou uma distorção das ideias de S. Tomás de Aquino que caracteriza a filosofia moderna. Vejamos o que S. Tomás de Aquino quer dizer:

Se a lei eterna se apresenta ao homem pela voz da consciência, toda a prescrição da consciência humana obriga a vontade (do homem) a conformar-se-lhe. Acontece que as consciências (humanas) não são todas idênticas. Não é, pois, o acto (do homem) em si mesmo, mas antes é a percepção (a interpretação) que a razão do homem dá, que qualifica a sua vontade: se a consciência apresenta esse acto como um mal — ainda que o acto seja um bem — a vontade adere-lhe como um mal.

Até aqui, estamos todos entendidos. Prossigamos o raciocínio de S. Tomás de Aquino que se complica um pouco mais:

Em função do papel da consciência na percepção (interpretação) da razão, diz o Santo que é mister ao homem obedecer sempre à sua consciência, mesmo que errónea (mesmo que a interpretação esteja errada): a vontade que se inclina para um objecto que ele (o homem) percebe como um mal é uma vontade má — ainda que a sua percepção / interpretação seja defeituosa e o objecto seja bom em si mesmo —, porque a vontade desvia-se da consciência: “toda a vontade que se afasta da razão, seja ela recta ou errónea, é sempre má” (Suma Teológica, I-II, 19,5).

Mas, ao contrário do que foi proposto pelo “filósofo” moderno supracitado, S. Tomás de Aquino não sacraliza o arbitrário subjectivo!

O que S. Tomás de Aquino constata é que um acto apenas é moral se se conforma com os ditâmes da consciência. O acto cometido por uma consciência errónea continua a ser mau em si mesmo, e distinto daquele que obrigaria uma consciência informada. E obedecer à consciência nada retira à falta prévia de o homem em causa não ter informado a sua consciência — se apenas podemos obedecer à nossa natureza pessoal, temos o dever de a substituir por uma melhor sempre que possível.

Em suma:

  • um acto é moral apenas e só quando o homem obedece à sua consciência;
  • é melhor obedecer à consciência, mesmo que estejamos errados, do que não lhe obedecer;
  • o facto de se obedecer à consciência não significa que o acto seja bom ou mau: a bondade ou maldade do acto depende da capacidade de informarmos a nossa consciência.

O ensino escolar deve ser um contributo para que as crianças informem as suas consciências o melhor possível.

A ideia segundo a qual “os valores foram inventados pelo homem e evoluem” é tão estúpida que pode ser até acariciada pela Helena Damião. Com jeitinho, a Helena Damião e o “filósofo” moderno dirão que “os números primos foram invenção humana” e a que “a lógica evolui”. Esta gente não tem emenda.

Quinta-feira, 9 Julho 2015

A boa lobotomia e a má lobotomia das crianças

Filed under: Política — O. Braga @ 9:27 am
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A Helena Damião considera que existe uma boa lobotomia e uma má lobotomia das crianças através do sistema educativo:

“Ora, aqui é que está o problema: a confusão (propositada?) entre “educação” (acção de ensino que, de modo explícito, prepara os alunos para exercerem, com liberdade e responsabilidade, o direito de escolher) e “doutrinamento” (acção interesseira de alguém que, de modo dissimulado, conduz os alunos a seguirem opções que, previamente, se determinou que seguissem).

A “condição financeira pessoal”, é, exactamente isso: pessoal. Em sequência, o “querer e necessitar” dizem respeito a cada um, solicitam o livre arbítrio exercido, evidentemente, com base em conhecimento substancial, fundamental que a escola tem obrigação de assegurar.”

“Necessitar” em vez de “querer”

lobotomia-criançaA má lobotomia é aquela que não coincide com as convicções ideológicas da Helena Damião (e do resto da sociedade que com ela partilha uma determinada mundividência), o que significa que a boa lobotomia das crianças (a que ela chama de “doutrinamento”) coincide com as ideias dela.

Quando as crianças são lobotomizadas na escola e de acordo com as convicções ideológicas da Helena Damião, é-lhes dada a liberdade de “querer”; quando isso não acontece,  é-lhes imposto o reino da “necessidade”.

Mas se perguntarem à Helena Damião se os pais e família das crianças devem ter o principal papel na educação, ela afirmará (como já o fez) que “os pais não são donos das crianças” e que compete ao Estado dispôr da lobotomia das crianças.

O problema da Helena Damião é o de saber qual o tipo de lobotomia que o Estado deve exercer sobre as crianças: ¿a boa ou a má? — tendo em conta que a família e os pais devem ser secundarizados naquilo que ela chama de “educação”.

Domingo, 10 Maio 2015

A verdade científica é uma crença, embora de grau superior

Filed under: filosofia — O. Braga @ 11:46 am
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“Crença” remete para o grau mais fraco do assentimento, ou da opinião — por exemplo, “creio que a verdade está na ciência” —, ou para um conhecimento propriamente dito, de origem externa e transformado em hábito — por exemplo, toda a gente “acredita” que a Terra é redonda. Ou seja, a crença pode portanto referir-se a uma “verdade” científica adquirida e que não é colocada em questão.

Não é por que a ciência defende uma determinada posição como sendo “verdadeira” que essa posição deixa de ser uma crença. Quando eu vejo gente como a Helena Damião ou os outros do Rerum Natura escrever coisas destas, fico com os cabelos em pé:

“As crenças são ideias a que nos afeiçoamos e que tomamos por verdades, ainda que não tenham suporte científico ou, mesmo, lógico. Fazem parte de nós, precisamos delas; sem crenças a nossa vida seria pouco interessante… Mas elas têm um lugar, e é nesse lugar que as devemos manter. Se queremos estudar física, antropologia, filosofia ou pedagogia é preciso estarmos muito atentos ao que pensamos e perguntarmos com frequência: será uma crença ou será um dado objectivo?

Em todas as áreas do saber que exigem objectividade, mesmo aquelas que se afirmam robustas, as crenças rodam e, sempre que podem, insinuam-se como certezas (é esta a sua tendência), há que ter uma permanente atenção a isso mesmo.”

A crença da Helena Damião, expressa na citação supracitada, não passa disso mesmo: uma crença. A crença pode referir-se a uma “verdade objectiva” — sendo que “verdade objectiva” é sinónimo de “verdade intersubjectiva”, porque não existe objectividade sem ser corroborada.

As “verdades” constatadas pela ciência são crenças de grau superior, mas não deixam de ser crenças; e são crenças de grau superior apenas na medida em que se baseiem no experimentalismo. Mas mesmo a verdade no experimentalismo — por exemplo, com Roger Bacon — é sustentada pela indução por enumeração simples. Stuart Mill formulou quatro regras de método indutivo, mas essas regras só são úteis se aceitarmos a lei da causalidade 1 ; mas esta lei tem como base a indução por enumeração simples 2 : ou seja, Stuart Mill pouco adiantou em relação ao método indutivo de Bacon.

Filósofos como por exemplo Karl Popper insistiram no “círculo vicioso” da indução evocando, por exemplo, o princípio da regularidade dos fenómenos naturais, que é em si mesmo um princípio geral que, portanto, não pode ter sido estabelecido indutivamente. Karl Popper tira daqui o argumento para recusar à ciência fundar-se na indução.

Portanto, o experimentalismo, por si só, não é suficiente para determinar qualquer “verdade objectiva”, embora a “verdade científica” seja uma crença de grau superior.


Notas
1. “Todo o fenómeno tem uma causa”.

2. Por exemplo, um antropólogo vai a uma aldeia portuguesa verificar quantas mulheres têm “Maria” no seu nome. Maria Isabel, Ana Maria, Maria Antónia, Maria Inês, Paula Maria, Maria Josefina, etc., e ao fim de 100 Marias, o antropólogo, assumindo o método de indução por enumeração simples, resolve encerrar a investigação, embora ainda faltassem investigar cinco mulheres; e uma das cinco que faltavam na investigação chamava-se Ambrósia Joaquina.

Segunda-feira, 13 Abril 2015

A Austrália, as vacinas, e o cientismo da Helena Damião

Filed under: Ciência — O. Braga @ 9:17 pm
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A ciência tem que convencer, persuadir, e não impôr coercivamente. Convencer e persuadir é esclarecer, informar, chamar o povo e explicar as coisas, “tim-tim por tim-tim”.

Tal como Platão na “República”, a Helena Damião está convencida de que um mito pode ser crido pela geração presente pela via da coerção do Estado, e que a imediata e posteriores gerações podem ser “educadas” de tal modo que não tenham dúvida alguma do mito. Miopia perigosa!

Por exemplo, os japoneses foram ensinados, desde meados do século XIX, que o imperador descendia da deusa-sol, e que o Japão foi criado primeiro do que o resto do mundo; e qualquer intelectual japonês que duvidasse de tal dogma (dogma político, e não propriamente religioso) era afastado da vida pública, alegadamente por actividades anti-japonesas. E os resultados deste mito político viram-se na II Guerra Mundial.

O que a Helena Damião não consegue ver é que os mitos “aceites” de forma compulsória e coerciva por parte do Estado, reduzem a inteligência em circulação na sociedade. A única forma adequada de impôr uma crença  — neste caso uma crença da ciência — é através da persuasão. E persuadir não é violentar ou retirar direitos às pessoas.

À ciência não cabe definir a ética e comandar a sociedade (positivismo religioso).

Mentalidades cientificistas como a da Helena Damião, Carlos Fiolhais e o resto da comandita do blogue Rerum Natura, devem ser combatidas sem quartel.

Diz a Helena Damião (revelando a sua mentalidade totalitária em potência) que “as crianças não são dos pais”; mas também não pertencem ao Estado — era só o que faltava!. E não cabe ao Estado transformar a sociedade em uma espécie de sucedâneo contemporâneo da “República” de Platão.

Sábado, 14 Fevereiro 2015

Os problemas estúpidos, por vezes, têm lógica

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 8:50 pm
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A Helena Damião fala aqui de problemas “matemáticos estúpidos”, por exemplo:

“Numa quinzena de turmas dos cursos elementar e médio puseram problemas do género: «Num barco, há 12 ovelhas e 19 cabras. Qual é a idade do capitão?»”

Vejamos o seguinte problema: um agricultor deixou em testamento que metade dos cavalos que tinha fosse para o filho mais velho, um terço dos cavalos para o segundo filho, e um nono para o mais novo. Depois da morte do pai, os filhos resolveram dividir a herança dos 17 cavalos herdados, mas não sabiam como o fazer obedecendo estritamente aos desejos do pai.

Um cigano, vendedor de cavalos de feira, apareceu lá em casa dos três irmãos e fez a seguinte proposta:

“Olhem: eu acrescento o meu cavalo (que não trouxe agora) aos vossos; temos, então, 18 cavalos. Tu, o mais velho, recebes metade, portanto, nove cavalos. Tu, o segundo filho, recebes um terço, isto é, seis cavalos. E tu, o mais novo, tens que receber um nono, ou seja, dois cavalos. Somando tudo isto, chegamos a 17 cavalos e sobra um, isto é, o meu!”

E mal disse isto, o cigano montou num dos cavalos da herança e desapareceu.

Domingo, 21 Setembro 2014

A Helena Damião e a ideia falsa de que “existe neutralidade do Estado”

Filed under: educação — O. Braga @ 5:10 am
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O pior argumento para se ser contra a dita “mercantilização do ensino” é afirmar que o Estado é ideologicamente neutral. Trata-se de um sofisma.

Ou seja, é um mito a ideia segundo a qual “o ensino estatal incute necessariamente mais e melhores valores nas crianças”.

O ensino na Alemanha nazi era uma exclusividade do Estado de Hitler; foi ele que proibiu o Ensino-em-casa ou “Home Schooling” que existia na Alemanha desde o tempo do Sacro-Império. Na ex-URSS, o ensino era monopólio do Estado, e continua a ser em Cuba e na Coreia do Norte. Portanto, os argumentos da Helena Damião a favor da exclusividade do ensino público, não colhem.

Quando se fala em “ensino”, seja privado ou público, temos que saber, em primeiro lugar, quais os valores que são incutidos às crianças: como escreveu Hannah Arendt, o ensino deve ser conservador, porque chegará a hora de os futuros adultos fazerem a sua própria revolução, e não têm que ser agora doutrinados pelas ideias dos revolucionários adultos actuais — pertençam estes ao Estado ou ao sector privado.

Só depois de termos definido os valores que devem orientar o ensino, poderemos dizer se o privado é melhor do que o público, ou vice-versa. O Estado não é necessariamente neutral em termos de valores, nem o sector privado é neutral nos valores que incute nas crianças.

É em função dos valores que norteiam uma instituição que devemos medir a sua qualidade.

Domingo, 25 Maio 2014

A Helena Damião e o crioulo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 5:01 pm
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A Helena Damião acha que o crioulo pode ser instrumento de arte poética. Pode ser; mas na terra dos crioulos. Por exemplo, podemos ver aqui em baixo a canção de Cesária Évora, “Sodade”: pouca gente percebe a letra, mas o som da morna (que tem origem no fado português, diga-se em abono da verdade) cativa mesmo os povos nórdicos…

É politicamente correcto — fica bem! É coisa finíssima!, própria os “tios” e das “tias”— achar que do crioulo se extrai uma “grande poesia”. Por exemplo, não é necessária qualquer métrica na poesia crioula porque esta está acima de qualquer colete de forças formal.

A poesia crioula é coisa do povo (ui!, que fino!); ¿e haverá coisa mais genial do que a poesia popular?

Mal andou o poeta popular português, Aleixo de seu nome, que deu à métrica uma importância inusitada e despicienda. A poesia do Aleixo é igual às outras: o que é genial é o “Ai Se Sesse” do crioulo Zé da Luz.

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