perspectivas

Quinta-feira, 22 Dezembro 2016

Parece que o Paulo Rangel vai emigrar de vez

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 12:26 pm
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“Cheguei à televisão e desanquei-o só pela razão de que em virtude da situação de conflito de interesses em que se encontrava, se pôs e à sua sociedade de advogados no caminho de uma obra que estou a fazer.

Convidei-o para ir lá rebater as minhas afirmações, mas como é um cobarde nem deu sinais. Pois este parolo, teve o desplante de me pôr um processo em tribunal porque eu lhe ofendi a honra – que é uma coisa que eu só sou capaz de ofender a quem a tem – ao mesmo tempo que, com pezinhos de lã, se demitia de director da sociedade de advogados, reconhecendo a verdade das minhas afirmações.”

Pedro Arroja : A Casta

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Sexta-feira, 4 Novembro 2016

O Pedro Arroja devia dedicar-se à economia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:42 pm
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Um dia destes hei-de escrever aqui sobre as façanhas dos Papas da Renascença (século XV) que deram razões a Lutero — a ver se o Pedro Arroja se dedica à economia e deixa filosofia e a História em paz. O Pedro Arroja escreve:

“Portugal, nos últimos anos, pela via do socialismo e da dominância da Alemanha na União Europeia, tem vindo a importar o luteranismo, com todas as suas consequências. Foi o luteranismo que deu origem à ideologia socialista (pela mão, em primeiro lugar, do filósofo alemão Immanuel Kant), a qual é, na realidade, um luteranismo laico, um luteranismo sem "Deus". (Kant era um luterano convicto, um luterano pietista)”.

O luteranismo legitimou (teologicamente) a taxa de juro bancária e a usura (contra uma grande parte da Igreja Católica, que não via a usura bancária com bons olhos), e vem o Pedro Arroja dizer que foi “o luteranismo que deu origem à ideologia socialista”.

E mais: Kant foi um liberal, tanto na economia como nos costumes:

“Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo — tal o do pai para com os seus filhos, quer dizer, um governo paternal —, onde, por consequência, os sujeitos, tais filhos menores, incapazes de decidir acerca do que lhes é verdadeiramente útil ou nocivo, são obrigados a comportar-se de um modo unicamente passivo, a fim de esperar, apenas do juízo do chefe do Estado, a maneira como devem ser felizes, e unicamente da sua bondade que ele o queira igualmente — um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber.”

→ Kant, “Teoria e Prática” (1793)

Kant critica aqui o Camaralismo ou Wohlfahrtsstaat (o “Estado Providência”) que foi um fenómeno alemão e também austríaco (também da Baviera e da Áustria católicas) que teve a ver com a dinâmica política de unificação da Alemanha que conduziu ao aparecimento de Bismarck. Ou seja, o Wohlfahrtsstaat não tem nada a ver com o luteranismo.

Quinta-feira, 22 Setembro 2016

Manuel Maria Carrilho e a sociedade emasculada de Engels

 

O Pedro Arroja põe-se a jeito com algumas teorias abstrusas; por exemplo, a de que a sociedade portuguesa é feminina. Se “a sociedade portuguesa é feminina” (como diz o Pedro Arroja), ¿o que dizer das sociedades alemã e nórdicas, por exemplo?

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isabel-moreira-jc-webO que se está a passar na Europa é um fenómeno cultural marcadamente marxista (gramsciano) que passa pela instrumentalização dos me®dia no sentido da emasculação do homem, e a promoção de uma sociedade matriarcal (matriarcado) tal como aconselhado por Engels.

E, por outro lado, a emasculação do homem é defendida como uma solução para o Aquecimento Global, uma vez que o feminismo defende a ideia de que os flatos dos bebés causam o Aquecimento Global; ou seja: para o feminismo politicamente correcto marxista, quanto mais paneleiros, menos Aquecimento Global.

Nessa sociedade de eunucos e emasculados, por um lado, e de amazonas lésbicas, por outro lado, o homem tem um estatuto social inferior — como podemos inferir da opinião da Isabel Moreira acerca Manuel Maria Carrilho.

Na sociedade de Engels, a mulher tem sempre razão nos seus actos (mesmo quando pratica o infanticídio, por exemplo). E o modelo da sociedade de Engels voltou a estar na moda com merda de gente como o panasca Foucault ou psicopata Peter Singer que é ensinada nas nossas universidades.

Quinta-feira, 7 Julho 2016

O sofisma de Pedro Arroja sobre a democracia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 7:47 pm
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O Pedro Arroja diz que os portugueses não se conciliam com a democracia, e que no Canadá é que é bom porque lá existe democracia:

“Não que nos faltem grandiosas declarações de apego à democracia. Mas, depois, os actos, sobretudo por parte daqueles que fazem as grandiosas declarações, não correspondem ao espírito ou cultura democrática. A diferença está nos detalhes e é uma miríade de detalhes que postos em conjunto produzem este resultado. A cultura dos portugueses é uma cultura monárquica, de soberanos e súbditos.”

O que se passa hoje com Hillary Clinton a fugir dos pingos da chuva da Justiça americana, ¿é democracia? E o Canadá do actual primeiro-ministro canadiano ¿é democracia?

A democracia está em crise em todo o mundo — e não só em Portugal. Se o Pedro Arroja fosse buscar o exemplo democrático da Suíça, já concordaria eu com ele; mas o exemplo do actual Canadá, não lembra ao diabo.

Ademais, o Pedro Arroja estabelece uma falsa dicotomia entre democracia, por um lado, e monarquia, por outro lado — como se uma grande parte das democracias não fossem monarquias (Reino Unido, Dinamarca, Suécia, Noruega, Bélgica, Holanda, Espanha, etc., e o próprio Canadá foi, até há pouco tempo, um território sujeito à monarquia britânica).

Quarta-feira, 20 Abril 2016

¿Tadeu? Tá dado!

 

Um frade dominicano entrou no campo da universidade de Indiana, e alguns alunos ficaram indignados pelo facto de um membro do Ku Klux Klan andar livre no campo. Ou seja, os alunos perderam a noção do que é um frade católico, a ponto de o confundirem com um militante do Ku Klux Klan; mas não perderam a noção do que é um membro do Ku Klux Klan.

Quero dizer o seguinte: com o “progresso”, há muita coisa — na cultura intelectual e/ou antropológica — que se perde. Perde-se, por exemplo, o sentido da alegoria e da metáfora, perde-se a noção de símbolo, e perde-se até o sentido de humor. Se não, vejamos um texto acerca de Pedro Arroja que nos deu um tal Tadeu:

  • Dizer que “as dirigentes do Bloco de Esquerda são esganiçadas” é “machismo homofóbico” (parte-se do princípio de que existe um machismo que não é homofóbico);
  • O uso da metáfora e/ou da alegoria no discurso (sobre a função natural dos homens ou mulheres, ou sobre as diferenças entre sexos) é “parvoíce”.

O Tadeu não tem culpa; perdeu a noção de alegoria ou metáfora, reduz os símbolos a simples sinais de trânsito ou coisa que o valha. E — pasme-se! — critica os que deram atenção a Pedro Arroja escrevendo um arrazoado acerca de Pedro Arroja.

A verdade é que temos uma pseudo-elite política (a ruling class) que controla Lisboa e para quem os factos incomodam. Vivemos em uma cultura política psicótica, em que a realidade é negada; e o Tadeu é um exemplo dessa cultura. Lisboa vive em mundo à parte, divorciado do resto do país; mas o problema é que vem de lá o Poder. O exemplo disto é o facto de o Tadeu considerar o Porto Canal “um canal de televisão mais ou menos secreto”; ou seja, tudo o que não seja de Lisboa é considerado invisível. O sistema político esquerdista que temos já perdeu a vergonha.

Segunda-feira, 4 Abril 2016

A feminização da política conduz ao reforço do poder do Estado

 

O Pedro Arroja escreve aqui um texto sobre a “ascensão das mulheres na política”; e conclui este fenómeno político “é um sinal da degenerescência dos partidos políticos”.

Eu penso que é um sinal de degenerescência dos partidos políticos, mas não exactamente pelas mesmas razões que o Pedro Arroja invocou. E penso que a degenerescência da política também inclui a Angela Merkel, que Pedro Arroja considerou excepção à regra. Talvez a única excepção seja a de Margaret Thatcher. Na área da economia e das finanças (e ao contrário do que aconteceu com Margaret Thatcher), Angela Merkel seguiu estritamente determinadas ordens da elite alemã; não agiu por convicção própria.

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Uma das consequências da feminização da política é a supremacia da emoção sobre a razão. A política sempre foi guiada por uma certa dose de emoção (por exemplo, na retórica), mas sempre dentro dos limites estipulados pela razão.

Tucídides escreveu: “Nós amamos a beleza dentro dos limites do discernimento político, e filosofamos sem o vício bárbaro da efeminação.”

Não é por acaso que a escritora britânica Fay Weldon afirma que as mulheres ganharam a batalha dos sexos — porque, ao contrário do que defendiam os gregos, hoje a filosofia política é feita com “o vicio bárbaro da efeminação”, o que significa uma supremacia descabida da emoção sobre a razão.

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A supremacia da emoção na política é o fundamento da utopia e do irrealismo. A Europa está na actual situação de estagnação a vários níveis porque os homens perderam preponderância na política. As mulheres são tão sectárias quanto os homens; porém, a diferença é a de que as mulheres são sectárias entre si apenas em detalhes, e não na essência das questões. A mulher dá mais atenção aos detalhes do que ao fundamento das questões: por isso, seria perfeitamente normal que a discordância entre Catarina Martins e Assunção Cristas, por exemplo, em um qualquer assunto, se resumisse a uma questão de pormenores e não fosse uma discordância fundamental.

A feminização da política conduz ao absurdo.

Um exemplo da actual tendência para a feminização da política na Europa é um programa emitido pelo canal de televisão alemã ZDF (canal que é pago com os impostos de todos os alemães), em que o apresentador radical de esquerda e efeminado Jan Böhmermann afirma textualmente que “os alemães não pertencem à Alemanha”; os alemães são classificados como “estúpidos nacionalistas autoritaristas”; Böhmermann afirma que “vocês, os alemães, não são o povo: vocês são o passado”, e que “os verdadeiros alemães vão chegando do estrangeiro: já vislumbramos a presença de 10 milhões de novos alemães andando de bicicleta: os verdadeiros alemães andam de bicicleta, e comem Kebab e Muesli”. Segundo Böhmermann, os verdadeiros alemães não comem carne de porco e são vegetarianos.

Mulheres inteligentes, como por exemplo Marion Sigaut, defendem a tese segundo a qual “a libertação da mulher é uma forma de alienação”.

Ademais, a feminização da política exige o reforço do poder do Estado, reforço esse que pode raiar a construção de um Estado totalitário.

A estratégia do radicalismo de Esquerda efeminado é o de, em uma primeira fase, fazer dos direitos humanos uma política em si mesma, atomizando a sociedade, por um lado, e reforçando o poder do Estado, por outro lado; e, em uma segunda fase, quando o Estado for já plenipotenciário, ir retirando os “direitos humanos” concedidos anteriormente e de uma forma arbitrária, tendo como objectivo a consolidação de um Estado totalitário a nível europeu (União Europeia).

Terça-feira, 29 Março 2016

Segundo a “direita nacionalista”, o Pedro Arroja não tem razão porque é um “beato”

 

Leio esta pérola no blogue “O Gládio”:

“A observação de P. Arroja foi cretina e a raiar o insulto, sobejamente foleira, num tom misógino mas sem texto formalmente misógino, mas caso a contenda dê nas vistas, ainda se vem a divulgar mui mediaticamente como o fulano é beato e depois junta-se essa imagem ao escandalozito do cartaz bloquista dos dois pais de JC (que, por ironia das coisas, até é uma ideia de um grupo cristão, dos EUA) e mais heróico-mártir parecerá Arroja aos olhos dos mais ingénuos, facilmente haverá pelas esquinas quem diga o Arroja teve arrojo em dizer e repetir «verdades»…”

Fiquei a saber que os cabeças rapadas não são “misóginos”; os misóginos são os “beatos” que têm mulher, filhos e netos. É esta a “direita nacionalista” que temos — PNR (Partido Nacional Renovador); e também por isso é que Portugal não sai da cepa torta.

Segunda-feira, 28 Março 2016

Apanha-se mais depressa uma aldrabona do que uma coxa

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 10:06 pm
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A ler:

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Sexta-feira, 25 Março 2016

O Bloco de Esquerda, Pedro Arroja, e os tribunais como meio de imposição ideológica

 

Uma das características da Esquerda actual é a monitorização repressiva da comunicação social, no sentido de afastar dos me®dia as pessoas que não sigam os cânones da “ideologia correcta”. A Justiça passou, assim, a ser instrumento da imposição coerciva de um pensamento único e correcto.

“Sobre estas dirigentes do Bloco de Esquerda, Arroja disse que "não queria nenhuma daquelas mulheres, nem dada", entre outras considerações. As declarações foram proferidas a 9 de Novembro de 2015 e provocaram enorme polémica. Mas, em entrevistas posteriores, o comentador viria a repetir o mesmo tom jocoso.

Segundo a procuradora responsável pelo inquérito, Diana Ribeiro Gama, em causa poderá estar a prática do crime de discriminação sexual, previsto no Código Penal, que corresponde a uma pena de prisão que vai dos seis meses a cinco anos”.

"Esganiçadas" levam Arroja a tribunal

Não é preciso ser jurista para perceber que a litigância do Bloco de Esquerda (instrumentalizada pela feminazi Diana Ribeiro Gama) contra o Pedro Arroja, não tem pernas para andar — porque se confunde o particular (um pequeno grupo de mulheres) com o universal (a Mulher, enquanto universal). Por eu dizer que aquela mulher é uma esganiçada”, não se segue que todas as mulheres sejam esganiçadas (non sequitur). Isto é tão básico que até arrepia o facto de que a feminazi Diana Ribeiro Gama não se tenha dado conta.

Chegamos a uma situação caricata em que os actores oficiais da justiça ignoram ostensivamente os princípios lógicos do Direito para assim tornar possível a politização da Justiça.

Um juiz de Direito em condições deveria chamar à atenção da feminazi Diana Ribeiro Gama para o facto de esta estar a gastar recursos do Estado em uma demanda puramente ideológica.


Adenda:

O João Miranda escreve aqui um “poste” com o artigo 240 do Código Penal:

“Difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, religião, sexo, orientação sexual ou identidade de género”.

“Por causa”. Ou seja, o artigo só se aplica em uma situação de juízo universal — mesmo que o objecto da suposta injúria seja uma só pessoa. Por exemplo, se o Pedro Arroja tivesse dito:

Como acontece com todas as mulheres, as do Bloco de Esquerda são esganiçadas e eu não as quereria nem dadas”.

Mas se fosse um guei a afirmar isto, não incorreria em crime de discriminação, por causa da sua “orientação sexual”.

Quarta-feira, 16 Março 2016

O governo da geringonça lisboeta de Esquerda boicotou a “obra do Joãozinho”

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 1:06 pm
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Voltamos ao tempo do PREC [Processo Revolucionário em Curso]. Lisboa não tolera a liberdade.

Terça-feira, 8 Março 2016

O Marsapo Murcho e a efeminização do homem

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 10:12 am
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obama-dog“ANYTIME a man in public shows truly masculine traits, he is instantly demonized and his reputation is viciously attacked”.

“How to Raise a Man”

O Pedro Arroja tem-se referido ao conceito de Marsapo Murcho (direitos de autora para a Zazie), conceito esse que pode ser explicado ao detalhe no vídeo abaixo pelo frade Chad Ripperger.

O Marsapo Murcho significa “efeminação”, que é diferente da “feminilidade” da mulher. A efeminação é a incapacidade do homem de restringir o prazer, para procurar o que é difícil e árduo.

Domingo, 6 Março 2016

Descartes copiou Santo Agostinho, e a cultura dividiu a Europa

“Lutero só se deixa convencer pelas Escrituras e pela razão (plain reason). A experiência está omissa. Descartes vai pegar no argumento da razão para fazer o seu célebre exercício intelectual "Cogito ergo sum", penso, logo existo.”

Pedro Arroja

1/ Na “Cidade de Deus”, Santo Agostinho escreveu o seguinte:

“¿Quem quereria duvidar de que vive, se lembra, compreende, pensa, sabe ou julga? É que, mesmo quando se duvida, compreende-se que se duvida… portanto, se alguém duvida de tudo o resto, não deve ser dúvidas acerca disto. Se não existisse o Eu, não poderia duvidar absolutamente de nada. Por conseguinte, a dúvida prova por si própria a verdade: eu existo se duvido. Porque a dúvida só é possível se eu existo”.

Santo Agostinho antecipou, no século IV, a famosa ideia de Descartes do século XVII: “cogito, ergo sum”. Ou seja, basicamente Descartes copiou Santo Agostinho.

Descartes — assim como Kant — tem sido vítima de algumas acusações infundadas por parte de católicos; porque se queremos acusar Descartes do “cogito”, teremos que acusar, em primeiro lugar, Santo Agostinho.


2/ O protestantismo (Lutero) surgiu por questões políticas (inerentes à organização social e política dentro do Sacro Império Romano-Germânico), e por questões culturais. Das primeiras não vou falar aqui e agora. Sobre as questões culturais, invoco aqui o fenómeno cultural do carnaval.

O termo italiano carnevale deriva do latim dominica carnelevalis ou Domingo da quadragésima, que era uma festa que marcava, para o clero católico, a passagem do regime normal para o regime de penitência, e que significava a abolição da carne ou do peixe. Ou seja, carnevale significava a entrada no período temporal e sagrado da Quaresma, dando origem a outros termos vernaculares como antruejo, introitus, carême-entrant, etc. Não há nada que indique a existência do carnaval antes de 1200 d.C. .

Segundo o pregador alemão Johann Geiler von Kaysersberg, era mais difícil convencer o povo a fazer a abstinência e penitência durante o período de tempo que vai do dominica carnelevalis até à Quaresma, do que meter um cavalo num barco pequeno. Então, a partir de 1500, os ritos de dissolução, conhecidos entre o povo coevo como “carnaval”, passaram a ser particularmente cultivados — embora, já antes do século XVI existissem regiões da Europa onde o clero já teria conseguido, com maior ou menor sucesso, introduzir entre o povo a abstinência e penitência da Quaresma.

Porém, o carnaval não se propagou por toda a Europa católica: por exemplo, no noroeste de França e na província francesa da Bretanha, em Inglaterra, na Holanda (excepto na fronteira com a Bélgica), na Alemanha do norte e na Escandinávia, não existe alguma tradição do carnaval. De modo diferente, o carnaval disseminou-se em regiões como Itália, Espanha, Portugal, a maior parte da França, uma grande parte da Alemanha com fulcro na Baviera, e na Grécia.

A razão desta diferenciação cultural (e aqui chamo à atenção para aquilo que é, erroneamente, considerado como sendo uma diferença entre protestantes e católicos) tem a ver com a história da tradição da penitência nas diversas regiões da Europa, e com a forma como a cultura romana influenciou ou não essa tradição da penitência.

Nas regiões do norte e noroeste da Europa comia-se, na Idade Média, panquecas na Terça-feira Gorda, e não se celebrava o carnaval porque eram regiões onde as taxas (impostos) de penitência eram pacificamente aceites, e onde a confissão e a penitência eram vistos como assuntos privados e pessoais — ao contrário do que acontecia nas regiões da Europa mais influenciadas pela cultura romana, em que o processo litúrgico da penitência pública (e não privada) era uma tradição cultural especifica.

A partir do início do século XIII, o carnaval apareceu nas regiões de maior influência cultural romana, onde a tradição da confissão pública e da penitência foi sendo progressivamente abandonada em favor do avanço de uma maior privacidade e privatização.

Em suma: para além das questões políticas relacionadas com a unificação da Alemanha, por um lado, e com a guerra alemã contra o centralismo de Roma que absorvia recursos financeiros, por outro lado — temos as questões culturais. As tradições dos povos da Europa não eram todas iguais, e por isso o catolicismo não podia ser seguido da mesma forma por todos.

 

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