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Sexta-feira, 21 Agosto 2015

A desinstitucionalização da família interessa simultaneamente à Esquerda e à plutocracia globalista

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 5:28 pm
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As actuais elites mundiais têm a certeza do futuro.

O fundamento dessa certeza do futuro são o fenómeno da globalização, por um lado, e, por outro lado, o potencial da capacidade de repressão brutal por parte dos Estados (em relação aos respectivos povos) controlados por essas elites.

Este binómio (globalização dos me®dia e das finanças  + repressão do Estado) pode ser traduzida através da imagem do polícia bom e do polícia mau: a globalização me®diática, que permite a propaganda em massa (a persuasão das massas utilizando a pseudo-informação e a sub-informação, em um contexto de espiral do silêncio), exerce o papel do polícia bom; a repressão brutal por parte do Estado representa a função do polícia mau.

Por exemplo, a razão por que o regime da Coreia do Norte permanece intocável até hoje, é a de que obedece a uma das premissas da certeza do futuro: a repressão brutal do Estado faz parte da certeza desse futuro. O que se pretende é que a Coreia do Norte se converta à democracia (mantendo contudo a repressão do Estado) para que globalização me®diática (a propaganda cultural) ocupe o lugar que falta no binómio: a persuasão das massas. Um fenómeno idêntico passou-se em Cuba.

Vemos essa certeza do futuro, por parte das elites globalistas, no que aconteceu recentemente na Grécia. O “veneno” do Syriza virou-se contra si mesmo, ou seja, o internacionalismo socialista serve os interesses dos globalistas. Aliás, o globalismo não tem cor ideológica-partidária, porque aquilo que se pretende atingir é independente dos meios parcialmente adoptados por esta ou por aquela corrente ideológica.

A certeza do futuro das elites baseia-se também no facto de, com a globalização política (a sinificação global), não será possível a figura jurídica do refugiado político — a não ser que os dissidentes políticos fujam para Marte ou Júpiter. Verificamos, no caso de Julian Assange, por exemplo, como se torna cada vez mais difícil o estatuto de refugiado político (independentemente de lhe darmos razão ou não). E se um determinado país concede asilo político a um refugiado, terá que pagar a factura das sanções económicas e financeiras acordadas ao mais alto nível (incluindo a ONU) pelas elites globalistas.

A democracia já passou a ser um pró-forma. A democracia é hoje um mero meio de persuasão das massas que garante a “evolução da opinião pública” através da pseudo-informação e da sub-informação pelos me®dia controlados pelas elites. A democracia é hoje uma palavra vazia, sem o sentido herdeiro da Grécia Antiga; nem sequer é uma aristocracia, como na Inglaterra vitoriana. A democracia é hoje uma abstracção, uma recordação vaga de um tempo que passou.

A pergunta que devemos fazer é a seguinte: ¿o que é que une a plutocracia globalista, por um lado, e a Esquerda neomarxista, por outro lado? Resposta: a sinificação do mundo.

À Esquerda caberá o governo de regiões do globo “sinificadas” (o exemplo do fascismo chinês actual) — porque a Direita propriamente dita já não existe senão nos Estados Unidos, e em uma percentagem muito pequena. À plutocracia globalista anglo-saxónica caberá o apoio tácito ou mesmo explícito às pseudo-democracias regionais (aos diversos leviatãs que se apresentam já em formação) controlados por regimes “sinificados” por uma Esquerda neomarxista. A própria União Europeia é um exemplo do processo em curso de sinificação do continente europeu.

A sinificação do mundo — que é um desiderato da plutocracia globalista em geral, e da Esquerda em geral — tem como um dos principais objectivos a redução da população global. A Esquerda e a plutocracia estão de acordo neste ponto — porventura por razões diferentes: eu posso concordar com uma determinada acção política por razões diferentes das do meu vizinho. E a redução da população global passa por alguns pontos:

1/ a desinstitucionalização da família no mundo ocidental, mas não só no Ocidente; ou seja, o ataque cultural e político à família antropológica;

2/ o combate ao Islão e à cultura islâmica;

3/ promover movimentos migratórios internacionais em massa, de modo a dissolver as culturas locais e promover o multiculturalismo que é o estado ideal para a sinificação de um território.

4/ a atomização das sociedades através da eliminação da capacidade crítica colectiva, por um lado, e por outro lado colocando o cidadão isolado face a um Estado plenipotenciário (leviatão).

A desinstitucionalização da família é simultaneamente realizada através da imposição pela força bruta do Estado (por exemplo, o “casamento” gay, a adopção de crianças por pares de invertidos, a procriação medicamente assistida sem critérios e sem limites, as “barriga de aluguer” e o comércio de crianças, a progressiva legalização da pedofilia, etc.), e pela propaganda persuasiva dos me®dia (o polícia mau e o polícia bom). A condição antropológica do ser humano é esmagada pela imposição pela força de uma dissolução moral transversal à sociedade proveniente do próprio Estado, e essa mesma dissolução moral é propagandeada como sendo positiva e moderna pelos me®dia (o polícia mau e o polícia bom).

A desinstitucionalização da família faz parte da certeza do futuro por parte das elites — seja a plutocracia globalista, seja a Esquerda. Essa certeza do futuro em relação à desinstitucionalização da família baseia-se em dois pressupostos:

1/ não existe qualquer possibilidade de retroacção histórica — porque a História está cientificamente controlada. A História passou a ser plenamente determinista e determinada, tal como acontece em qualquer outra ciência como a química ou a física. A impossibilidade de retroacção histórica é garantida pela repressão do Estado através de uma legitimação absoluta do Direito Positivo (por mais arbitrário e discricionário que seja o Direito), por um lado, e pela propaganda massiva através dos me®dia, por outro lado.

2/ as leis não voltam atrás. Qualquer lei promulgada, em qualquer país ou região “sinificada”, que tenha o apoio da Esquerda local e da plutocracia globalista, é definitiva e irrevogável. O Direito Positivo passou a ser uma interpretação do conceito de “evolução darwinista” aplicada à sociedade humana e à cultura antropológica.

É isto que une o Francisco Louçã e o Bill Gates, o Pinto Balsemão e a Catarina Martins, o “papa Francisco” e o Richard Dawkins.

Sábado, 15 Agosto 2015

A criminalização dos maus tratos dos pais e das mães

 

“Governo aprovou a Estratégia para o Idoso, que prevê repressão de todas as formas de violência contra os mais velhos. Com a AR de férias, fica em banho-maria até à próxima legislatura”.

Aprovada criminalização do abandono ou exploração de idosos

Perante a decadência moral da sociedade, o Estado intervém cada vez mais; mas uma maior intervenção do Estado não compreende o problema. Não precisamos de mais leis e decretos. Do que precisamos novamente é de uma cultura moral razoável e segura, em que cada cidadão (ou a maioria deles) esteja disposto a assumir a responsabilidade não só por si próprio, mas também por todos os cidadãos.

Ainda há poucos anos, não passaria pela cabeça de ninguém criminalizar os maus tratos dos idosos, porque se tratavam de casos tão raros que eram apontados a dedo. Ainda existia, naquela altura, o estigma moral que a Esquerda erradicou da nossa cultura. A Esquerda passou a dizer que, em moral, vale quase tudo: é tudo uma questão de opinião e de desejo subjectivo. Os professores passaram a ser desrespeitados e mesmo maltratados nas escolas: o ensino tradicional desmorona-se e a Esquerda rejubila.

A Esquerda avança com o aborto livre e grátis, e com o “casamento” gay — com a anuência asinina de uma “Direita” culturalmente derrotada. As estruturas tradicionais entraram em colapso, sobretudo a família. Uma em cada duas crianças cresce numa família onde não nasceu. Muitas famílias degeneram em comunidades de conveniência composta por utilizadores de aparelhos dependentes de uma tomada eléctrica.

A Esquerda exulta!: vai destruindo a sociedade sem deixar impressões digitais.

Esta lei revela o colapso do regime político actual. E o Partido Social Democrata e o CDS/PP não estão isentos de responsabilidades.

A nossa sociedade ultrapassou o limiar da pobreza em termos éticos, morais, religiosos e ideológicos. Quando se tem que fazer uma lei para criminalizar especificamente os maus tratos das pessoas idosas, a sociedade já não tem combustível moral. Aquilo que fazia parte da cultura e dos costumes (o respeito pela mãe e pelo pai), é agora substituído pelo medo da polícia.

Sexta-feira, 14 Agosto 2015

Os ateus e os calvinistas: um problema idêntico

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 3:37 pm
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Recebi o seguinte comentário de um “cristão” de uma seita herdeira do Calvinismo:

“Animal quadrúpede, o que eu disse foi que o materialismo veio antes do esquerdismo, e estava presente, por exemplo, no atomismo da Índia antiga e em Demócrito; podemos concluir com isso que essa perspectiva está presente em diversas culturas em maior ou menor grau; o materialismo que herdamos do século 21 é herança da Igreja Católica (principalmente pós Renascimento), quando a Igreja deu às costas para Mística Cristã; não tenha o trabalho de publicar o meu comentário, porque não lerei mais seu blog. Boa sorte com suas fantasias.”


“Em verdade, nada sabemos de nada, pois a opinião vem de fora para cada qual. É preciso conhecer o Homem com este critério: que a verdade fica longe dele.” — Demócrito 1


Definição:

Dizemos do “materialismo” que é o conjunto de doutrinas que não admitem outra realidade para além da matéria, sendo o pensamento e o espírito modalidades ou qualidades da matéria.

A palavra “materialismo” é equívoca: é muitas vezes utilizada com intenção polémica e em sentido pejorativo. Por exemplo, algumas seitas cristãs e a seita católica do “papa Francisco” dizem que “os ricos são materialistas apenas porque têm dinheiro”. A riqueza é identificada com o “materialismo”. Jesus Cristo nunca disse que era impossível a um rico entrar no Reino dos Céus: disse apenas que era difícil.

Dizer que Demócrito e/ou os atomistas eram “materialistas”, no sentido moderno, é um abuso, e revela a completa ignorância de quem tirou um cursinho online de filosofia e já julga que sabe tudo.

Os que mais se aproximavam do “materialismo” (no sentido moderno), na Grécia Antiga, foram os epicuristas 2. Quanto muito, podemos dizer que os atomistas (tal como Aristóteles) foram os precursores da ciência e do empirismo científico, o que não significa que tenham sido “materialistas”. Por exemplo, John Locke foi empirista e não consta que fosse materialista — no sentido moderno, “materialismo” identifica-se com “ateísmo”; nem Rousseau foi ateu e/ou materialista; e Voltaire era deísta, o que não é a mesma coisa que “materialista”. Nem mesmo Diderot se pode considerar propriamente materialista, porque defendeu um panteísmo lírico.

Para além dos epicuristas — que não eram propriamente “materialistas” no sentido moderno —, o materialismo propriamente dito surgiu na Idade Moderna. Podemos falar de materialismo em Helvetius, D’Holbach, La Mettrie, (materialismo mecanicista), Comte (Positivismo) David Hume, Bentham e os utilitaristas (Stuart Mill, por exemplo), a Esquerda Hegeliana (Feuerbach, Karl Marx, Engels), Neopositivismo, etc..

O materialismo (no sentido da definição supracitada) é uma característica da mente revolucionária (moderna) e do gnosticismo anti-cósmico (da Antiguidade Tardia com reflexos na modernidade), ou seja, é uma característica daquilo a que se convencionou, depois da Revolução Francesa, chamar de “Esquerda”.

Mente revolucionária = Esquerda.

A ciência não é “materialista”. O que pode acontecer é que uma grande parte dos cientistas sejam materialistas. De modo semelhante, e por analogia, não podemos dizer que a energia nuclear é boa ou má: depende do uso que fazemos dela. A ciência é eticamente neutra e escora-se na metafísica: por isso, é um absurdo dizer que a ciência é “materialista” ou “ateia”.

Eu sou um grande adepto da ciência porque esta procura a verdade — assim como a filosofia e a religião, embora de modos diferentes. A filosofia, a religião e a ciência não se opõem: complementam-se! Uma atitude anti-científica ou anti-religiosa revela uma mente obscurantista.

É tão um obscurantista um ateu como um calvinista fanático.

Por outro lado, a negação da matéria — por exemplo, o Imaterialismo de Berkeley, que é uma forma de Positivismo — ou o repúdio da matéria são características dos cristãos gnósticos modernos, de tipo calvinista nomeadamente.

A verdadeira doutrina católica — que não é a do “papa Francisco”, porque tem uma visão quase panteísta da Natureza — escorada na patrística e em Santo Agostinho, considera a Natureza (ou seja, aquilo a que se convencionou chamar de “matéria”, seja o que for que seja a “matéria” porque nem a ciência sabe bem o que é) uma criação de Deus, e por isso, uma realidade boa e positiva. Apreciar a Natureza (a “matéria”) e dar graças a Deus por ela, é uma característica do bom católico.


Notas
1. citado do Vol. I da História da Filosofia de Nicola Abbagnano, Editorial Presença, 1969, pág. 92
2. Epicuro interpretado por Lucrécio, nota bem!

Quinta-feira, 13 Agosto 2015

A Esquerda, e a ordem da desordem (2)

 

No seguimento do verbete anterior acerca de um artigo do José António Saraiva, temos o fenómeno da proliferação das tatuagens como exemplo da contradição da contemporaneidade marcada pela Esquerda dita “libertária”. A tatuagem é simultaneamente um mimetismo (uma moda) e a negação do mimetismo (a negação da moda). O problema é que, por natureza, uma coisa ou um facto não podem ser e não-ser ao mesmo tempo.

tatooQue a tatuagem é uma moda (um mimetismo), qualquer pessoa pode verificar. A negação do mimetismo radica na especificidade da tatuagem (as características da tatuagem que se querem únicas) com que se pretende marcar o indivíduo como único e irrepetível.

A singularidade do ser humano — da pessoa — é um legado da cultura cristã. Segundo a cultura cristã (e estóica), a pessoa é única e irrepetível. Mas enquanto o Cristianismo esteve fortemente presente na cultura antropológica, não era necessário ao individuo afirmar veemente- e exteriormente a sua singularidade: fazia parte da cultura a assunção cultural, espiritual e interiorizada dessa singularidade; esta estava implícita na cultura antropológica. Não passava pela cabeça de um cidadão, apenas há 30 anos, colocar em causa o princípio da singularidade da sua pessoa à luz dos princípios cristãos.

Paradoxalmente, com a subjectivização jurídica e cultural do “indivíduo” (a sobreposição e o domínio do Direito Positivo em relação à cultura antropológica e à tradição), a singularidade do indivíduo é colocada em causa porque deixou de existir o esteio (a base) cultural da tradição cristã da singularidade da pessoa (do ser humano). Aquilo que estava implícito na cultura antropológica marcada pelo Cristianismo (a singularidade do ser humano), deixou de estar em função do desvanecimento da cultura cristã.

À medida em que a sociedade se atomiza (o indivíduo é transformado em um átomo, desligado do Todo social, por força da arbitrariedade política de Esquerda que determina o Direito Positivo), acentuando o individualismo egocêntrico (porque existe um tipo de individualismo saudável, ligado ao Todo social e marcado exactamente pela cultura cristã), os valores da singularidade da pessoa deixam de ser espirituais e passaram a necessitar de uma afirmação física, exteriorizada e chã. Aquilo que era interior ao indivíduo (a afirmação espiritual e simbólica da singularidade da pessoa) passou a ser-lhe exterior (a necessidade de sinais físicos e exteriores para a afirmação dessa singularidade).

Os símbolos — que são característicos humanos — foram (com a tatuagem, mas não só) substituídos por um tipo de sinalética que é comum ao mundo animal. A tatuagem é menos um símbolo do que um sinal; é um sinal contemporâneo e pós-cristão da afirmação da singularidade da pessoa. Um símbolo não se muda sem que se mude o que ele representa (o seu significado); um sinal pode ser alterado arbitrariamente e mantendo-se o seu significado — e o significado da tatuagem é a afirmação exterior (e não necessariamente interior e espiritual) da singularidade da pessoa que a usa. Neste sentido, a tatuagem é um sinal (como os animais irracionais também têm os seus sinais) e não um símbolo: o símbolo carece de uma experiência espiritual que caracteriza a pessoa.

É neste sentido que a tatuagem é simultaneamente um mimetismo e a negação do mimetismo. É simultaneamente um mimetismo da espécie (da sociedade) e o distanciamento do indivíduo em relação à espécie. Na sociedade cristã também podemos falar de um mimetismo da singularidade humana, mas tratava-se de um mimetismo espiritual e de valores que não necessitava de uma exteriorização urgente e ostensiva.

Quarta-feira, 12 Agosto 2015

A Esquerda, e a “ordem da desordem”

 

A Esquerda vê na desordem uma ordem. Desde já, devemos ter algum cuidado e saber o que significa “ordem” (e dirá o Ludwig Krippahl: “lá vem este gajo com as definições…! que mania!”).

No sentido comum, a “ordem” é a disposição ou arranjo harmonioso e regular das coisas, seres ou ideias. Mas em sociologia política, “ordem” é o conjunto de instituições e de normas que garantem a possibilidade de relações harmoniosas entre membros de uma sociedade — por exemplo, “ordem social”, “ordem pública”.

O problema é o de que “o conjunto de instituições e de regras que garantem a possibilidade de relações harmoniosas entre membros de uma sociedade” não significa a mesma coisa à Esquerda e à Direita — porque, na esteira de Rousseau, a Esquerda considera que não existe “civilização” enquanto forma de “ordem”, mas apenas existem “culturas diferentes”.

Esta posição da Esquerda é contraditória na medida em que a Esquerda defende acerrimamente o conceito de “humanidade”: mas, se se admite (como faz a Esquerda) que não há “várias humanidades” dentro da humanidade, segue-se que é essencial reclamar a unidade da nossa civilização (ou da nossa cultura), não definida como um “particularismo” (como faz a Esquerda), mas antes como condição de todos os seres humanos — da nossa sociedade — de acesso ao universal (como faz a Direita, nomeadamente os filósofos chamados de “comunitaristas”).

O José António Saraiva escreveu um artigo de que cito um parágrafo:

“Até há pouco era consensual, por exemplo, que as pessoas deviam sair à rua lavadas, penteadas e vestidas com roupa limpa e decente. Só os vagabundos não o faziam. Tal não estava escrito em parte nenhuma, mas não passava pela cabeça de ninguém contestar esta evidência. Ora bem: hoje as calças compram-se manchadas e rotas, as camisas usam-se com a fralda de fora, certos penteados tentam imitar os cabelos despenteados. Há uma vontade notória de desafiar as regras.”

As referências estão a desaparecer?

O José António Saraiva tem uma coragem rara em uma figura pública. A coragem dos homens honestos.

(more…)

Segunda-feira, 3 Agosto 2015

Os me®dia, o Partido Socialista, Alexandre Quintanilha, e o "direito à diferença"

 

“Uma transexual, uma cega, dois negros, uma refugiada e um cientista que poderá vir a tornar–se o primeiro ministro assumidamente gay: o I foi conhecer os rostos dos candidatos que poderão quebrar a monotonia no hemiciclo”.

Legislativas. Há lugar para as minorias no parlamento?

Antes de entrar na página do Jornal I, devo informar o leitor de que a referida página tem uma espécie de vírus informático. Mas não só: o vírus também é ideológico. Ademais, escreve-se “transsexual” (ou “trans-sexual”, se quiser), e não “transexual”.

O artigo é assinado pelo jornaleiro José Paiva Capucho, e revela o nível a que chegou o jornalismo em Portugal. Um jornalista deve possuir um espírito crítico; a culpa não é dele: é de quem controla o jornal.

1/ Uma pessoa deve ser escolhida para uma determinada função (neste caso, para deputada) porque tem valor intrínseco e capacidade necessários — e não porque é homossexual, mulher, preto, ou cega.

A lógica da narrativa do jornaleiro é arrepiante. O conceito de “minorias ao poder”, assumido nomeadamente por Alexandre Quintanilha, é sinónimo da reivindicação política do “direito à diferença” que é, em si mesmo, um conceito fascista. Existe um novo fascismo na Esquerda.

“Direito à diferença” não é a mesma coisa que “respeito pela diferença”.

A reivindicação de um “direito à diferença”, para além de ser contraditória e perigosa, é ideologicamente fascizante; ou, pelo menos, é tolerante em relação a uma nova espécie de fascismo. Repare-se nesta proposição do maçon Adelino Maltez (respigada do artigo):

“Somos tolerantes porque as minorias não nos ameaçam”.

O primeiro-ministro inglês Chamberlain diria o mesmo de Hitler: “Somos tolerantes porque os nazis não nos ameaçam”. E depois foi o que se viu. Ressalvadas as devidas proporções: assim como os nazis reivindicavam o “direito à diferença”, existe na actual cultura de Esquerda e maçónica uma reivindicação do “direito à diferença”.

O conceito de “direito à diferença” é contraditório na medida em que os Direitos do Homem têm como fundamento o princípio da igualdade natural de todos os seres humanos. O “direito à diferença” é contra os Direitos do Homem.

É perigoso porque reivindica direitos especiais para o que são consideradas “minorias” — por exemplo, para gays, para cegos, para pretos, e mesmo até para mulheres —, o que conduz a um retrocesso no princípio de igualdade.

O racismo, por exemplo (ou mesmo a misoginia do marialva), surge hoje como uma reacção suscitada por uma cultura de indiferenciação que resulta do igualitarismo politicamente correcto (“todos iguais em valor, independentemente do valor de cada um”) — e não já pela rejeição da diferença, como acontecia eventualmente no passado. Por outras palavras: o racismo já não é hoje a rejeição da diferença, mas antes é uma reacção contra uma cultura de indiferenciação igualitarista politicamente correcta. Isto significa que a Esquerda promove um novo tipo de racismo através do conceito de “direito à diferença”; e esta promoção de um novo tipo de racismo é propositada.

2/ Confundir, por exemplo, a cor da pele, ou a cor dos olhos, por um lado, com uma idiossincrasia (subjectiva), por outro lado, é uma monstruosidade cultural propalada pela Esquerda.

Não existe um gene gay. Quando o Alexandre Quintanilha, que se diz cientista, demonstrar que existe um gene gay, então será possível colocar em uma mesma categoria a existência de um preto e de um gay. A comparação entre um gay e um preto não é só monstruosa: é um verdadeiro atentado à condição humana e ao livre-arbítrio que a caracteriza.

Ninguém nasce gay. Todos os pretos nascem pretos. A negritude é uma característica determinada pela natureza humana: a homossexualidade não é.

Domingo, 19 Julho 2015

A política de “inclusão” da Esquerda

Filed under: politicamente correcto — O. Braga @ 6:49 pm
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O presidente da Câmara Municipal de Nova Iorque, Bill de Biasio, decretou um dia de feriado na cidade pelo fim do Ramadão (Aïd el-Fitr). E na última parada gay de Nova Iorque, lá esteve também presente (ver fotos). O cristianismo é o inimigo a abater.

this is democracy web

No vídeo aqui em baixo vemos como a polícia do rei da Arábia Saudita decapita na via pública uma mulher acusada de adultério. Ela grita que está inocente. Nem na Idade Média isto se passava na Europa.

Os políticos da “inclusão” de Esquerda  deveriam ter o mesmo fim daquela mulher, e desta feita por motivos que não necessitam de prova.

Sexta-feira, 26 Junho 2015

A alegada “normal relação terapêutica”

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 5:00 am
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Uma qualquer forma de perversão da Lógica (da natureza das coisas) causa-me náuseas; admito — que remédio?! — que haja gente que defenda o aborto livre; mas que pretendam subjectivizar o método científico em nome da “ciência”, é insultar-nos a inteligência.

“Na base de qualquer actividade clínica está a relação terapêutica, cujas características ético-deontológicas estão claramente definidas.

A vertente informativa, não directiva e facilitadora da escolha está inerente a qualquer consulta médica desenvolvida com base no modelo biopsicossocial, em particular se o acompanhamento clínico é feito no contexto de uma equipa multidisciplinar e com possibilidades de se desenvolver por etapas – como é, claramente, o caso da interrupção voluntária da gravidez feita por opção da mulher. Nesse contexto, e assumindo que não compete à classe médica determinar as atitudes e regras de qualquer Estado ou comunidade, não posso deixar de sentir como lesivas quaisquer determinações legais que interfiram com o modo como se desenrola a normal relação terapêutica, sobretudo quando se pretende estandardizar o que deve, ou não, ser dito àquela mulher em particular, e como deve ser dito.”

feto-abortado-com-9-semanasNão há, no texto, uma definição de “normal relação terapêutica”, porque se trata de um conceito. É bom que o leitor se dê conta de que existe uma diferença fundamental entre noção, por um lado, e conceito, por outro lado. Uma noção é uma abstracção geral que decorre de uma definição; por exemplo, a definição: “o Homem é um animal bípede, racional, dotado de linguagem e de inteligência”, dá-nos a noção de “Homem”; mas já o conceito de Homem poderia encher os livros de uma biblioteca inteira.

Um caso análogo se passa com o conceito de “homofobia”, porque até hoje nunca vi uma definição (uma noção) de “homofobia”. O politicamente correcto trabalha sempre com conceitos e tem horror mortal às definições.

Um conceito é uma representação mental abstracta e universal que sintetiza as características essenciais de um conjunto ou classe de objectos ou de seres. A sua expressão verbal é o “termo”. Portanto, neste caso concreto, o termo do conceito é “normal relação terapêutica”.

Mas há aqui um problema: é o de que, nas ciências da natureza, o conceito é o produto da abstracção e da generalização a partir de imagens ou de objectos particulares. Esta ideia foi traduzida pelo físico Niels Bohr da seguinte forma:

“O sentido de um conceito só é definido por meio de uma experiência concreta. Nas ciências da natureza, os conceitos não têm sentido no absoluto; a sua definição é apenas operacional.”

Por exemplo, saber se uma partícula elementar é onda ou corpúsculo. Se uma determinada experimentação demonstrar que uma partícula elementar é onda, teremos o conceito de partícula elementar como onda; e se outra específica experimentação demonstrar que uma partícula elementar é corpúsculo, teremos o conceito de partícula elementar como corpúsculo. Para obviar à contradição intrínseca da noção de “partícula elementar”, Niels Bohr criou o conceito de “complementaridade onda/partícula”.

Uma coisa parecida estabeleceu Karl Popper com o princípio da falsificabilidade. Por exemplo, na linguagem filosófica e na do senso-comum, existe o conceito de “Deus” que não pode fazer parte da ciência, porque o termo desse conceito (Deus) não é falsificável. Se eu disser, por exemplo, que “todos os deuses falam grego”, não há maneira de se fazer uma demonstração intersubjectiva — e não meramente subjectiva — do contrário dessa asserção; e, portanto, essa asserção não é falsificável, não fazendo por isso parte da ciência.

Note-se que “demonstração intersubjectiva” é exactamente o mesmo que “demonstração objectiva”.

feto-de-12-semanas-webAquilo que é objectivo em ciência não se restringe à opinião de um médico (por exemplo) em uma situação particular, ou até a um grupo de três ou quatro médicos; o que é objectivo em ciência é aquilo que é aceite — ou deveria ser aceite — pela maioria dos membros comunidade científica, tendo como base a noção de “conceito” segundo Niels Bohr e segundo o principio de falsificabilidade de Karl Popper.

O problema é o de que hoje está na moda afirmar que as ciências sociais e/ou humanas são “ciências exactas”, no sentido em que o método das ciências da natureza (física, química, etc.) se aplica da mesma forma às ciências humanas. É na sequência desta extrapolação absurda do método científico (behaviourismo, por exemplo) para as ciências humanas que surge o conceito de “normal relação terapêutica”.

Em psicologia (por exemplo) não é possível, de uma forma intersubjectiva (ou seja, objectiva) aplicar-se literalmente a noção de “conceito” segundo Niels Bohr, porque no caso da psicologia o objecto da investigação é um ser humano cuja subjectividade é praticamente insondável.

Julgar um ser humano apenas e só pelo comportamento exterior (behaviourismo), e tomar decisões em função deste, é uma doença epistemológica do nosso tempo (cientismo). A forma de pensar da Esquerda cientificista não é eticamente neutra; e mais: é perigosa! Por exemplo, se eu quiser consolar uma criança que chora, não pretendo alterar o comportamento dela, nem impedir que gotas compostas de H2O e NaCl  lhe escorram pela face abaixo: a minha motivação é outra, indemonstrável, não dedutível, mas acima de tudo, humana.

É totalmente errado admitir que a objectividade (intersubjectividade) da ciência está dependente da objectividade do cientista — neste caso, da pretensa objectividade de um médico ou de um psicólogo.

A objectividade da ciência não é uma questão individual dos diversos cientistas, mas antes uma questão extensível a toda a comunidade científica. E a objectividade, em ciência, não é possível da mesma maneira nas Ciências da Natureza e nas Ciências Humanas.


Outro assunto tratado no texto é, alegadamente, “a exigência de sigilo no acto de abortar”. A ideia é a seguinte: mostrar uma ecografia do embrião ou do feto à mulher que pretende abortar, gratuitamente à custa do Estado, e condicionar o acto do aborto a uma assinatura que comprova que ela viu a ecografia, tem duas consequências:

1/ quebra o sigilo do aborto, e, portanto, implica a noção de “culpa”. Veja-se que, para aquela mente aberrante, a culpa vem do exterior, vem do mundo: para aquela avantesma com duas pernas e que se diz psicóloga, a culpa não é uma característica intrínseca do ser humano: não!, a culpa é sempre exógena ao ser humano, a culpa é “culpa da sociedade”. A sociedade é a culpada por alguém sentir culpa.

“Quando alguém me conseguir explicar de que maneira a visualização da imagem ecográfica configura uma informação relevante para a formação da decisão livre, consciente e responsável da mulher que pondera abortar mudarei, de imediato, a minha opinião.”

2/ repare-se na seguinte proposição da minha lavra:

“Quando alguém me conseguir explicar de que maneira a visualização de imagens do holocausto nazi e dos campos de concentração nazis, configuram informação relevante para a formação da decisão livre, consciente, e responsável dos cidadãos face ao fenómeno do nazismo na cultura antropológica, mudarei de imediato a minha opinião no que respeita à exibição pública dessas imagens.”

Quando a ciência é substituída pelo cientismo, e quando a opinião sobre o aborto é culturalmente marcada por gente que nunca pariu nem há-de parir em função de uma idiossincrasia niilista, o que obtemos é a negação da realidade, sobretudo da realidade humana. O que é necessário e urgente é afastar essa gente mentalmente doente dos areópagos da decisão política.

Terça-feira, 23 Junho 2015

Acusamos a classe política e a democracia pela degradação social e cultural em Portugal

 

“Passos, Portas e Costa sabem que o Estado Social tem os dias contados, mas evitam dizê-lo”.

A demografia (também) vai a votos…


“O ministro da Saúde, Paulo Macedo, assumiu hoje que os custos do Serviço Nacional de Saúde vão aumentar e que deve ser discutida a sua forma de financiamento, admitindo que poderá passar por um aumento de impostos”.

Ministro da Saúde: Solução para financiar SNS pode passar por aumento de impostos


“Sector privado realiza 30 por cento dos abortos em Portugal. Interrupção voluntária da gravidez custou ao Estado mais de 11 milhões de euros em 2014. Oito mulheres abortaram mais de dez vezes”.

Estado paga 45 abortos por dia


O problema não é só o do Estado Social. O problema principal é o de que a actual classe política, em geral, está afanosamente a destruir o valor da família nuclear na cultura antropológica.

A sociedade — ou parte dela — tem que se organizar para levar os responsáveis da Esquerda — incluindo os líderes da maçonaria — e seus sucessores ao paredão de fuzilamento.

Antes de existir o Estado Social em Portugal, a família nuclear e tradicional era fortemente valorizada na cultura antropológica. Na ausência de um Estado Social, a família natural supria em grande parte as necessidades de integração social e de sobrevivência do país.

abortoA classe política dita “democrática” investiu no Estado Social ao mesmo tempo que foi desvalorizando a família tradicional na cultura, por exemplo, através do aborto pago pelo Estado, a criação de estereótipos culturais (através dos me®dia) que ostracizam as famílias numerosas, o “casamento” gay, a adopção de crianças por pares de invertidos, a procriação medicamente assistida para todos (transformando a criança em um objecto), as “barriga de aluguer” e o tráfico de crianças que estão na forja no programa político da Esquerda, a ideologia de género, etc..

Sem Estado Social e sem a valorização da família natural na cultura antropológica, Portugal estará entregue, a longo prazo, a uma ditadura.

O que temos que fazer é que essa ditadura não seja de Esquerda e internacional (sinificação de Portugal): temos que começar a trabalhar já na implementação de uma ditadura de Direita e nacional.

A ideia segundo a qual “a União Europeia nos irá ajudar”, é treta. Vimos no caso recente da Grécia que é treta: é uma evidência que é treta. Ou os portugueses olham por si, ou ninguém quer saber. A União Europeia pode desintegrar-se a qualquer momento enquanto o diabo esfrega um olho.

“Olhar pelo país” significa, desde já, julgar a classe política deste regime a que se convencionou chamar de “democrático”. Significa prepararmo-nos para o pior; ter a coragem de erradicar a iniquidade política pelos meios que forem necessários — sejam quais forem (literalmente).

Domingo, 31 Maio 2015

O neoliberalismo apoia a agenda política cultural radical de Esquerda

 

A revista britânica The Spectator  publica um artigo que tenta explicar por que razão os mais ricos do mundo — a plutocracia a que chamamos de “neoliberalismo” — apoia as políticas culturais da Esquerda, e muitas vezes da Esquerda mais radical. Vou tentar fazer aqui um resumo do artigo.

¿Por que razão a maioria das empresas multinacionais, por exemplo, a Google, apoiou o SIM no recente referendo acerca do “casamento” gay na Irlanda? E ¿por que razão os plutocratas, em geral, apoiam as lutas de Esquerda naquilo a se convencionou chamar de “justiça social”?

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Quinta-feira, 7 Maio 2015

Os ecologistas são aliados estratégicos da e apoiados pela plutocracia internacional

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 1:35 pm
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Sábado, 11 Abril 2015

A civilização colide com o impulso

 

“Mãe, acabas de ferir os meus sentimentos!” ― frase pronunciada por um rapaz de 10 anos quando a mãe lhe pediu o favor de apagar o televisor e ir para a cama. Também uma psicóloga, recentemente, dava um conselho aos jovens num artigo de um jornal: «Se notas que sentes algo especial, não tenhas medo, liberta-te de tabus, corre para os seus braços e entrega-te totalmente. Só assim a tua vida será sincera e sem hipocrisias».

Reparem no pormenor: «sentir algo especial» é suficiente para justificar qualquer comportamento. E a sinceridade já não tem nenhuma relação com a verdade. Ser sincero, segundo a psicóloga, é sentir algo especial e não reprimir esse sentimento.

Educar os sentimentos

A civilização é sobretudo racionalidade, e esta é penosa.

Para o ser humano que fica mais civilizado apenas por um proceder obrigatório ou compulsivo, mais do que pelo sentir a racionalidade 1  da civilização, para ele a racionalidade é uma pena, e a virtude é um fardo quase insuportável ou até mesmo uma escravidão. Isto leva a reacções no pensar, no sentir e no agir, como podemos ver no conselho politicamente correcto da psicóloga supracitada.

O homem civilizado distingue-se do selvagem pela capacidade de previsão, ou em aquilo a que os gregos antigos chamavam de Fronèsis (prudência): o civilizado aceita penas actuais por causa de benefícios futuros, ainda que esses benefícios possam estar distantes no tempo. Por exemplo, nenhum animal ou nenhum selvagem trabalharia na Primavera para ter alimento no Inverno.

A Fronèsis começa apenas quando o ser humano faz alguma coisa a que o impulso (ou instinto) não o obriga a fazer, porque a razão lhe diz que disso tirará proveito em data futura. A civilização colide com o impulso — não só através da Fronèsis que é colisão auto-inflingida, mas também através da lei, dos costumes e da religião.

Em geral, a Direita conservadora é civilizada, e a Esquerda é selvagem. A Esquerda representa a decadência da civilização, a selvajaria, porque coloca sistematicamente os impulsos e instintos acima da prudência.

Nota
1. Não confundir com “racionalismo”.

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