perspectivas

Domingo, 19 Julho 2015

A política de “inclusão” da Esquerda

Filed under: politicamente correcto — O. Braga @ 6:49 pm
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O presidente da Câmara Municipal de Nova Iorque, Bill de Biasio, decretou um dia de feriado na cidade pelo fim do Ramadão (Aïd el-Fitr). E na última parada gay de Nova Iorque, lá esteve também presente (ver fotos). O cristianismo é o inimigo a abater.

this is democracy web

No vídeo aqui em baixo vemos como a polícia do rei da Arábia Saudita decapita na via pública uma mulher acusada de adultério. Ela grita que está inocente. Nem na Idade Média isto se passava na Europa.

Os políticos da “inclusão” de Esquerda  deveriam ter o mesmo fim daquela mulher, e desta feita por motivos que não necessitam de prova.

Sexta-feira, 26 Junho 2015

A alegada “normal relação terapêutica”

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 5:00 am
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Uma qualquer forma de perversão da Lógica (da natureza das coisas) causa-me náuseas; admito — que remédio?! — que haja gente que defenda o aborto livre; mas que pretendam subjectivizar o método científico em nome da “ciência”, é insultar-nos a inteligência.

“Na base de qualquer actividade clínica está a relação terapêutica, cujas características ético-deontológicas estão claramente definidas.

A vertente informativa, não directiva e facilitadora da escolha está inerente a qualquer consulta médica desenvolvida com base no modelo biopsicossocial, em particular se o acompanhamento clínico é feito no contexto de uma equipa multidisciplinar e com possibilidades de se desenvolver por etapas – como é, claramente, o caso da interrupção voluntária da gravidez feita por opção da mulher. Nesse contexto, e assumindo que não compete à classe médica determinar as atitudes e regras de qualquer Estado ou comunidade, não posso deixar de sentir como lesivas quaisquer determinações legais que interfiram com o modo como se desenrola a normal relação terapêutica, sobretudo quando se pretende estandardizar o que deve, ou não, ser dito àquela mulher em particular, e como deve ser dito.”

feto-abortado-com-9-semanasNão há, no texto, uma definição de “normal relação terapêutica”, porque se trata de um conceito. É bom que o leitor se dê conta de que existe uma diferença fundamental entre noção, por um lado, e conceito, por outro lado. Uma noção é uma abstracção geral que decorre de uma definição; por exemplo, a definição: “o Homem é um animal bípede, racional, dotado de linguagem e de inteligência”, dá-nos a noção de “Homem”; mas já o conceito de Homem poderia encher os livros de uma biblioteca inteira.

Um caso análogo se passa com o conceito de “homofobia”, porque até hoje nunca vi uma definição (uma noção) de “homofobia”. O politicamente correcto trabalha sempre com conceitos e tem horror mortal às definições.

Um conceito é uma representação mental abstracta e universal que sintetiza as características essenciais de um conjunto ou classe de objectos ou de seres. A sua expressão verbal é o “termo”. Portanto, neste caso concreto, o termo do conceito é “normal relação terapêutica”.

Mas há aqui um problema: é o de que, nas ciências da natureza, o conceito é o produto da abstracção e da generalização a partir de imagens ou de objectos particulares. Esta ideia foi traduzida pelo físico Niels Bohr da seguinte forma:

“O sentido de um conceito só é definido por meio de uma experiência concreta. Nas ciências da natureza, os conceitos não têm sentido no absoluto; a sua definição é apenas operacional.”

Por exemplo, saber se uma partícula elementar é onda ou corpúsculo. Se uma determinada experimentação demonstrar que uma partícula elementar é onda, teremos o conceito de partícula elementar como onda; e se outra específica experimentação demonstrar que uma partícula elementar é corpúsculo, teremos o conceito de partícula elementar como corpúsculo. Para obviar à contradição intrínseca da noção de “partícula elementar”, Niels Bohr criou o conceito de “complementaridade onda/partícula”.

Uma coisa parecida estabeleceu Karl Popper com o princípio da falsificabilidade. Por exemplo, na linguagem filosófica e na do senso-comum, existe o conceito de “Deus” que não pode fazer parte da ciência, porque o termo desse conceito (Deus) não é falsificável. Se eu disser, por exemplo, que “todos os deuses falam grego”, não há maneira de se fazer uma demonstração intersubjectiva — e não meramente subjectiva — do contrário dessa asserção; e, portanto, essa asserção não é falsificável, não fazendo por isso parte da ciência.

Note-se que “demonstração intersubjectiva” é exactamente o mesmo que “demonstração objectiva”.

feto-de-12-semanas-webAquilo que é objectivo em ciência não se restringe à opinião de um médico (por exemplo) em uma situação particular, ou até a um grupo de três ou quatro médicos; o que é objectivo em ciência é aquilo que é aceite — ou deveria ser aceite — pela maioria dos membros comunidade científica, tendo como base a noção de “conceito” segundo Niels Bohr e segundo o principio de falsificabilidade de Karl Popper.

O problema é o de que hoje está na moda afirmar que as ciências sociais e/ou humanas são “ciências exactas”, no sentido em que o método das ciências da natureza (física, química, etc.) se aplica da mesma forma às ciências humanas. É na sequência desta extrapolação absurda do método científico (behaviourismo, por exemplo) para as ciências humanas que surge o conceito de “normal relação terapêutica”.

Em psicologia (por exemplo) não é possível, de uma forma intersubjectiva (ou seja, objectiva) aplicar-se literalmente a noção de “conceito” segundo Niels Bohr, porque no caso da psicologia o objecto da investigação é um ser humano cuja subjectividade é praticamente insondável.

Julgar um ser humano apenas e só pelo comportamento exterior (behaviourismo), e tomar decisões em função deste, é uma doença epistemológica do nosso tempo (cientismo). A forma de pensar da Esquerda cientificista não é eticamente neutra; e mais: é perigosa! Por exemplo, se eu quiser consolar uma criança que chora, não pretendo alterar o comportamento dela, nem impedir que gotas compostas de H2O e NaCl  lhe escorram pela face abaixo: a minha motivação é outra, indemonstrável, não dedutível, mas acima de tudo, humana.

É totalmente errado admitir que a objectividade (intersubjectividade) da ciência está dependente da objectividade do cientista — neste caso, da pretensa objectividade de um médico ou de um psicólogo.

A objectividade da ciência não é uma questão individual dos diversos cientistas, mas antes uma questão extensível a toda a comunidade científica. E a objectividade, em ciência, não é possível da mesma maneira nas Ciências da Natureza e nas Ciências Humanas.


Outro assunto tratado no texto é, alegadamente, “a exigência de sigilo no acto de abortar”. A ideia é a seguinte: mostrar uma ecografia do embrião ou do feto à mulher que pretende abortar, gratuitamente à custa do Estado, e condicionar o acto do aborto a uma assinatura que comprova que ela viu a ecografia, tem duas consequências:

1/ quebra o sigilo do aborto, e, portanto, implica a noção de “culpa”. Veja-se que, para aquela mente aberrante, a culpa vem do exterior, vem do mundo: para aquela avantesma com duas pernas e que se diz psicóloga, a culpa não é uma característica intrínseca do ser humano: não!, a culpa é sempre exógena ao ser humano, a culpa é “culpa da sociedade”. A sociedade é a culpada por alguém sentir culpa.

“Quando alguém me conseguir explicar de que maneira a visualização da imagem ecográfica configura uma informação relevante para a formação da decisão livre, consciente e responsável da mulher que pondera abortar mudarei, de imediato, a minha opinião.”

2/ repare-se na seguinte proposição da minha lavra:

“Quando alguém me conseguir explicar de que maneira a visualização de imagens do holocausto nazi e dos campos de concentração nazis, configuram informação relevante para a formação da decisão livre, consciente, e responsável dos cidadãos face ao fenómeno do nazismo na cultura antropológica, mudarei de imediato a minha opinião no que respeita à exibição pública dessas imagens.”

Quando a ciência é substituída pelo cientismo, e quando a opinião sobre o aborto é culturalmente marcada por gente que nunca pariu nem há-de parir em função de uma idiossincrasia niilista, o que obtemos é a negação da realidade, sobretudo da realidade humana. O que é necessário e urgente é afastar essa gente mentalmente doente dos areópagos da decisão política.

Terça-feira, 23 Junho 2015

Acusamos a classe política e a democracia pela degradação social e cultural em Portugal

 

“Passos, Portas e Costa sabem que o Estado Social tem os dias contados, mas evitam dizê-lo”.

A demografia (também) vai a votos…


“O ministro da Saúde, Paulo Macedo, assumiu hoje que os custos do Serviço Nacional de Saúde vão aumentar e que deve ser discutida a sua forma de financiamento, admitindo que poderá passar por um aumento de impostos”.

Ministro da Saúde: Solução para financiar SNS pode passar por aumento de impostos


“Sector privado realiza 30 por cento dos abortos em Portugal. Interrupção voluntária da gravidez custou ao Estado mais de 11 milhões de euros em 2014. Oito mulheres abortaram mais de dez vezes”.

Estado paga 45 abortos por dia


O problema não é só o do Estado Social. O problema principal é o de que a actual classe política, em geral, está afanosamente a destruir o valor da família nuclear na cultura antropológica.

A sociedade — ou parte dela — tem que se organizar para levar os responsáveis da Esquerda — incluindo os líderes da maçonaria — e seus sucessores ao paredão de fuzilamento.

Antes de existir o Estado Social em Portugal, a família nuclear e tradicional era fortemente valorizada na cultura antropológica. Na ausência de um Estado Social, a família natural supria em grande parte as necessidades de integração social e de sobrevivência do país.

abortoA classe política dita “democrática” investiu no Estado Social ao mesmo tempo que foi desvalorizando a família tradicional na cultura, por exemplo, através do aborto pago pelo Estado, a criação de estereótipos culturais (através dos me®dia) que ostracizam as famílias numerosas, o “casamento” gay, a adopção de crianças por pares de invertidos, a procriação medicamente assistida para todos (transformando a criança em um objecto), as “barriga de aluguer” e o tráfico de crianças que estão na forja no programa político da Esquerda, a ideologia de género, etc..

Sem Estado Social e sem a valorização da família natural na cultura antropológica, Portugal estará entregue, a longo prazo, a uma ditadura.

O que temos que fazer é que essa ditadura não seja de Esquerda e internacional (sinificação de Portugal): temos que começar a trabalhar já na implementação de uma ditadura de Direita e nacional.

A ideia segundo a qual “a União Europeia nos irá ajudar”, é treta. Vimos no caso recente da Grécia que é treta: é uma evidência que é treta. Ou os portugueses olham por si, ou ninguém quer saber. A União Europeia pode desintegrar-se a qualquer momento enquanto o diabo esfrega um olho.

“Olhar pelo país” significa, desde já, julgar a classe política deste regime a que se convencionou chamar de “democrático”. Significa prepararmo-nos para o pior; ter a coragem de erradicar a iniquidade política pelos meios que forem necessários — sejam quais forem (literalmente).

Domingo, 31 Maio 2015

O neoliberalismo apoia a agenda política cultural radical de Esquerda

 

A revista britânica The Spectator  publica um artigo que tenta explicar por que razão os mais ricos do mundo — a plutocracia a que chamamos de “neoliberalismo” — apoia as políticas culturais da Esquerda, e muitas vezes da Esquerda mais radical. Vou tentar fazer aqui um resumo do artigo.

¿Por que razão a maioria das empresas multinacionais, por exemplo, a Google, apoiou o SIM no recente referendo acerca do “casamento” gay na Irlanda? E ¿por que razão os plutocratas, em geral, apoiam as lutas de Esquerda naquilo a se convencionou chamar de “justiça social”?

(more…)

Quinta-feira, 7 Maio 2015

Os ecologistas são aliados estratégicos da e apoiados pela plutocracia internacional

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 1:35 pm
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Sábado, 11 Abril 2015

A civilização colide com o impulso

 

“Mãe, acabas de ferir os meus sentimentos!” ― frase pronunciada por um rapaz de 10 anos quando a mãe lhe pediu o favor de apagar o televisor e ir para a cama. Também uma psicóloga, recentemente, dava um conselho aos jovens num artigo de um jornal: «Se notas que sentes algo especial, não tenhas medo, liberta-te de tabus, corre para os seus braços e entrega-te totalmente. Só assim a tua vida será sincera e sem hipocrisias».

Reparem no pormenor: «sentir algo especial» é suficiente para justificar qualquer comportamento. E a sinceridade já não tem nenhuma relação com a verdade. Ser sincero, segundo a psicóloga, é sentir algo especial e não reprimir esse sentimento.

Educar os sentimentos

A civilização é sobretudo racionalidade, e esta é penosa.

Para o ser humano que fica mais civilizado apenas por um proceder obrigatório ou compulsivo, mais do que pelo sentir a racionalidade 1  da civilização, para ele a racionalidade é uma pena, e a virtude é um fardo quase insuportável ou até mesmo uma escravidão. Isto leva a reacções no pensar, no sentir e no agir, como podemos ver no conselho politicamente correcto da psicóloga supracitada.

O homem civilizado distingue-se do selvagem pela capacidade de previsão, ou em aquilo a que os gregos antigos chamavam de Fronèsis (prudência): o civilizado aceita penas actuais por causa de benefícios futuros, ainda que esses benefícios possam estar distantes no tempo. Por exemplo, nenhum animal ou nenhum selvagem trabalharia na Primavera para ter alimento no Inverno.

A Fronèsis começa apenas quando o ser humano faz alguma coisa a que o impulso (ou instinto) não o obriga a fazer, porque a razão lhe diz que disso tirará proveito em data futura. A civilização colide com o impulso — não só através da Fronèsis que é colisão auto-inflingida, mas também através da lei, dos costumes e da religião.

Em geral, a Direita conservadora é civilizada, e a Esquerda é selvagem. A Esquerda representa a decadência da civilização, a selvajaria, porque coloca sistematicamente os impulsos e instintos acima da prudência.

Nota
1. Não confundir com “racionalismo”.

Domingo, 5 Abril 2015

Integrismo laico

 

A empresa do Metro de Paris proibiu a publicidade de um evento musical (ver em baixo) a favor das vítimas cristãs do Estado Islâmico no Oriente. Trata-se de uma ideologia política radical: o integrismo laico.

integrismo laico

É este tipo de integrismo laico que teremos em Portugal se António Costa for eleito primeiro-ministro, com o apoio de integristas laicos da Esquerda radical e de personagens da Não-esquerda como, por exemplo, José Pacheco Pereira.

A empresa do Metro de Paris diz que proibiu o painel publicitário porque não toma partido em um conflito religioso — como se a população civil cristã do Próximo Oriente tivesse pegado em armas contra o Estado Islâmico, e não se tratasse de um genocídio.

Quinta-feira, 26 Fevereiro 2015

«Não existe um modelo único de família» — diz a deputada comunista Rita Rato

 

O que a deputada comunista diz, é verdade. Mas o que não pode haver é vários modelos de família em uma mesma sociedade. Por exemplo, em uma sociedade islâmica, a poligenia é o modelo oficial e cultural de família sancionada pelo Estado islâmico. Podem existir, nas sociedades islâmicas, casamentos monogâmicos, mas a monogamia é entendida pela doutrina estatal islâmica como a condição da poligenia (um primeiro estádio da poligenia).

evolução gay

O que a deputada do Partido Comunista tem que decidir é qual o modelo de família que o seu (dela) partido defende para a sociedade portuguesa. Engels abordou o problema da família e da propriedade privada, mas estava longe de supôr que, algum dia, um Partido Comunista defendesse o “casamento” gay. Álvaro Cunhal, o histórico dirigente do Partido Comunista, afirmou em uma entrevista na RTP conduzida por Carlos Cruz na década de 1990, que “a homossexualidade é uma coisa muito triste!” (sic).

Portanto, segundo o marxismo, o que estava em causa era o modelo da chamada “família patriarcal”, mas nunca passou pela cabeça de Karl Marx ou de Engels adoptar o “casamento” gay e a adopção de crianças por pares de invertidos. Pelo contrário: Engels criticou duramente o comportamento homossexual!, cuja causa atribuiu à desordem da sociedade causada pela “família patriarcal”. Nunca Engels ou Marx defenderam ou validaram a homossexualidade como comportamento normal ou normalizável.

Se querem discutir e colocar em causa o conceito de  “família patriarcal”, é uma coisa; se querem dizer que é possível coexistirem, em uma sociedade, vários modelos de família (por exemplo, a poligenia, a poliandria, a poliamoria, o “casamento” gay, etc.), é outra coisa que raia o absurdo.

Podemos deduzir que o ataque da Esquerda à “família patriarcal” justifica a defesa da proliferação de modelos de família na sociedade portuguesa. Não se trata aqui de libertarismo, mas de uma política cultural e social de terra queimada. É uma política de “roleta russa”: não se sabe bem no que dará essa política no futuro, mas confia-se que a bala não será disparada imediatamente quando se percutir o gatilho. Mas nunca se sabe o futuro!

A política de Esquerda em relação à  família resume-se a este conceito: “mais vale destruir tudo, do que termos o que temos neste momento; e depois de tudo destruído, logo se verá o que havemos de fazer”.

Terça-feira, 16 Setembro 2014

¿Pretende o Estado criar PPP (Parcerias Público-privadas) na cultura?

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 10:03 am
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Discute-se a se o Estado deve subsidiar a “cultura”.

O ideal seria que existisse um mercado de alta cultura em Portugal, para que o Estado não impusesse taxas a todos os cidadãos para subsidiar a cultura; mas esse mercado não existe de facto; as livrarias, por exemplo, “estão às moscas”; e quando existiram arroubos de mercado livreiro, por exemplo, (no tempo das vacas gordas), eram para comprar os romances rombudos da Margarida Rebelo Pinto.

Portanto, a discussão está inquinada, porque a cultura não está na moda e a moda “virou” cultura. Não existe uma tradição de alta cultura. Se nos baseamos apenas no “mercado da cultura” que existe, esta resume-se às telenovelas da SIC em que há sempre um gay de serviço, e pouco mais.

E a situação tende a piorar: com o Acordo Ortográfico, o valor da língua decresce, passamos a ter uma gama baixa da língua — que dizem eles “ser acessível a toda a gente” — e deixamos de ter acesso à gama alta do mercado da língua que vai paulatinamente desaparecendo. O Acordo Ortográfico significa o filistinismo aplicado à literatura portuguesa e à cultura em geral: Portugal transforma-se num imenso Brasil.

conjunto maria albertinaImpõem-se perguntas: ¿o que é que o Estado pretende subsidiar com o dinheiro dos nossos impostos? O filistinismo cultural? Os romances de gama baixa da Margarida Rebelo Pinto? A música Pimba? As rendas fixas e vitalícias de alto coturno de artistas que já não produzem nada?

Pretende o Estado criar PPP (Parcerias Público-privadas) na cultura?

Eu percebo que o Estado subsidie, por exemplo, a ópera no Teatro de S. Carlos, ou o Teatro de S. João, ou recitais de piano na Gulbenkian ou no CCB — porque é um tipo de cultura de gama alta a que a tradição portuguesa não está vinculada. Educar o povo pode ser subsidiar gente com qualidade.

Para a cultura sem qualidade, existe o mercado sem qualidade do cidadão sem qualidade. Para a cultura sem qualidade existe o baile da aldeia com o Conjunto António Mafra. Pôr o povo a pagar impostos para subsidiar, por exemplo, a canção do Pito da Maria, é transformar o filistinismo em alta cultura. É isto que Passos Coelho e a Esquerda estão a fazer, mas também não poderíamos esperar deles outra coisa.

Terça-feira, 19 Agosto 2014

A psicose do feminismo e da Esquerda

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 10:44 am
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Uma das características da Esquerda é a negação da realidade; mas não é apenas uma simples recusa: a Esquerda odeia a realidade porque o mal existe. A Esquerda quer um mundo perfeito, isento de mal. E enquanto existir mal no mundo, a realidade do mundo é objecto de ódio por parte da Esquerda.

Temos aqui um exemplo concreto do que se pretende dizer. A ideóloga feminista espanhola do partido “Podemos”, Beatriz Gimeno, critica os conselhos do Ministério do Interior espanhol em relação às mulheres em geral, para que se evitem as violações:

“Mude de itinerário de vez em quando; feche as janelas da sua casa; não passeie de noite por ruas solitárias, nem só nem acompanhada; antes de estacionar o seu carro, olhe em seu redor para ver se há pessoas suspeitas.”

Beatriz Gimeno compara estes conselhos do Ministério do Interior espanhol aos conselhos que o dito dá aos alvos de terrorismo:

«Aquel que recomendaba a concejales o políticos vascos que miraran los bajos de su coche antes de subirse al mismo, se parece mucho a este otro: “Antes de subir a su vehículo observe su interior. Podría encontrarse algún intruso agazapado en la parte trasera”.»

Verifica-se que, na Esquerda, tudo é reduzido à política pura e dura, incluindo a ética e a moral (e até a arte!). Enquanto que o terrorismo basco (por exemplo) é um problema político (nacionalismo basco), a violação das mulheres é, em primeiro lugar, um problema ético e moral: nem sequer é um problema cultural que possa ser eliminado, porque sempre existiram violações de mulheres em todas as culturas, e ainda hoje existem. Portanto, a comparação entre o terrorismo e a violação de mulheres é absurda; é comparar alhos com bugalhos.

A Esquerda em geral, e o feminismo em particular, não aceita o facto de — em juízo universal — o homem ser fisicamente mais forte do que a mulher. Esse facto é recusado com repugnância pelo feminismo. A ideia da super-mulher, consubstanciada na canção de 1972 “I’m A Woman” de Helen Reddy continua a construir o mito psicótico esquerdista da “super-mulher invencível” fisicamente em relação ao homem.

A ideia segundo a qual é possível construir um mundo perfeito em que nenhuma mulher será violada se caminhar, a altas horas da madrugada, em uma rua recôndita e solitária de uma grande cidade — não é apenas utopia: é doença mental grave, é psicose aguda. Não é apenas a negação do mundo: é  ódio em relação ao mundo. É a “Grande Recusa” do marxismo cultural da Escola de Frankfurt. Essa gente deveria estar internada em um manicómio, e não estar na política activa.

Adenda:

A forma mais eficaz de reduzir — mas nunca eliminar totalmente, porque isso é impossível — as violações de mulheres é adoptando uma mundividência exactamente oposta à do feminismo e à da Esquerda contemporânea libertária, que têm em comum uma visão ultra-individualista do ser humano, baseada no conceito de “autonomia” desprovida de responsabilidade.

A felicidade (a “vida boa”) do sujeito prático (do cidadão concreto) supõe o reconhecimento social da sua dignidade de cidadão, ou seja, a sua capacidade de manifestar publicamente a sua liberdade. Porém, essa capacidade de manifestação pública de liberdade terá que estar sujeita ao critério de “bem comum” (Direito Natural) que pressupõe uma correlação e concepção positiva [a participação na vida pública] e não negativa da liberdade (ver “liberdade negativa”), e por outro lado pressupõe uma ontologia holista e não atomista — ou seja, uma ontologia que não considera o ser humano como uma realidade primeira que seria inteligível independentemente do domínio social.

Ora, o libertarismo de esquerda e o feminismo, por um lado, e o liberalismo de direita, por outro lado, adoptam uma concepção atomista da sociedade (individualismo exacerbado), como se o ser humano fosse uma realidade primeira inteligível independentemente do domínio social.

Quinta-feira, 24 Julho 2014

O Novo Anti-semitismo da Esquerda

 

“La bonne conscience de gauche, habituellement sûre d’elle-même et dominatrice, regarde avec effarement cet objet idéologique imprévu, le nouvel antisémitisme.”

→ Christian Vanneste: “La Gauche ne reconnaît pas son enfant : le Nouvel Antisémitisme”.

Terça-feira, 17 Junho 2014

A Esquerda começou por ser de Rousseau, passou por Hegel, e agora é de Nietzsche

 

Parece que a Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Fertilidade, uma tal Filomena Gonçalves, comparou um nascituro a um rim. Ou seja, para aquela senhora, um rim tem um estatuto semelhante — para não dizer idêntico — ao de uma criança nascedoura. A questão é a de saber como é possível que uma pessoa que alegadamente ocupa um lugar de Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Fertilidade pode fazer este tipo de comparação.

¿Como é possível comparar ou fazer sequer uma analogia, por exemplo, entre o intestino grosso de uma mulher e um nascituro? Como é possível que a Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Fertilidade não saiba, por exemplo, que o feto tem um ADN diferente do da mãe?!

A resposta a estas perguntas não tem apenas a ver com pura ignorância. Chamar-lhe ignorante é simplificar. Podemos encontrar a resposta a estas perguntas no actual conceito de “cultura antropológica”, adoptado sobretudo pela Esquerda.

Actualmente considera-se que não existe uma “natureza humana”; em vez disso, prevalece uma crença segundo a qual existem apenas fenómenos de aculturação que consistem em um conjunto de processos de adaptação fundamental e quase definitiva do recém-nascido. Ou seja, segundo esta crença, o ser humano pode ser aquilo que se quiser que seja e independentemente da Natureza. É neste contexto de separação do Homem, por um lado, da Natureza, por outro lado, que surge um fenómeno de desvalorização do ser humano — quando se compara, no exemplo supracitado, um rim a um feto.

A Esquerda (o socialismo francês do século XIX, positivista e jacobino) começou por adoptar Rousseau, que separou “civilização” e “progresso”, por um lado, (para Rousseau, a civilização não significava a existência de progresso: pelo contrário, para ele a civilização era sinónimo de barbárie, o que é, evidentemente um exemplo de inversão revolucionária de conceitos); e por outro lado, Rousseau operou uma ruptura radical entre “cultura” e “Natureza”.

Depois, uma outra Esquerda, marxista, adoptou Hegel, que defendeu que uma tal ruptura entre cultura e natureza não existe: em vez disso, o que existe é a “cultura” entendida como um processo histórico no decurso do qual o Homem aprende a dominar a Realidade. Ou seja, segundo Hegel e a Esquerda Hegeliana e o marxismo, a cultura é a realização da natureza humana, e não o abandono desta.

Vemos aqui a oposição entre dois tipos de Esquerda.

No princípio do século XX, Claude Lévi-Strauss e o Estruturalismo reintroduziam na cultura intelectual a concepção de “cultura” da Esquerda positivista e jacobina — em oposição à concepção de “cultura” da esquerda hegeliana ou marxista. Este dois tipos de concepção de “cultura” marcaram a esquerda do século XX e até hoje.

Quem separa radicalmente o ser humano, por um lado, da Natureza, por outro lado, é um jacobino, herdeiro ideológico de Rousseau (e não propriamente de Hegel ou de Karl Marx). Em Engels podemos encontrar alguns laivos de jacobinismo, mas Karl Marx concentrou-se essencialmente no trabalho e na economia. Pelo menos em teoria, Karl Marx não desvalorizou o ser humano e não o desligou da Natureza, aliás na linha de Hegel.

Hoje prevalece na Europa um tipo de Esquerda jacobina herdeira de Rousseau — por exemplo, em França — que impõe as suas ideias à sociedade nomeadamente através da maçonaria que controla as instituições do Poder. Este tipo de Esquerda separa o ser humano, por um lado, da Natureza, por outro lado, e propala a crença segundo a qual não existe uma natureza humana, e que é possível transformar o ser humano naquilo que as elites políticas quiserem, através de engenharias sociais.

É esta desvalorização radical e jacobina do ser humano, que o separa da Natureza através de um conceito arbitrário de “cultura”, que está na origem de uma abstracção do conceito de “ser humano”, e a ponto de se comparar um rim com uma criança nascitura.

Não é ignorância: é ideologia!

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