perspectivas

Quinta-feira, 31 Março 2016

Os Direitos do Homem não são uma Política

Filed under: Política — O. Braga @ 10:14 pm
Tags: ,

“Os Direitos do Homem não são uma Política” [Marcel Gauchet, “Le Débat”, 1980].


A bandeira dos “direitos humanos” parece ser um sintoma da “incapacidade de conceber um futuro diferente para a nossa sociedade” [idem]. Começam a criar-se “direitos humanos” que nunca existiram; inventam-se novos “direitos humanos”, todos os dias. Todos os desejos subjectivos assumem, agora, a forma de “direitos humanos”. Entramos na fase final e decadente do liberalismo, em que o individualismo utilitarista levado ao extremo transforma o simples desejo em “direito humano”.

Invocando sistematicamente direitos, antigos e novos, para assim se romper com o “poder das tradições”, o que os “progressistas” estão a criar é um aumento progressivo da tutela da organização burocrática (como acontece hoje na União Europeia) em que, por um lado, se afirma a singularidade do indivíduo, mas por outro lado, esse indivíduo é concebido de forma abstracta e em um anonimato generalizado (atomização da sociedade).

O reconhecimento social de toda a espécie de direitos (por exemplo, “casamento” gay, adopção de crianças por gays, barrigas de aluguer, crianças a votar por intermédio dos pais, voto para adolescentes de 14 ou 15 anos, pederastia legalizada, etc., e o que mais por aí virá) e liberdades tem como contraponto o retraimento narcísico dos indivíduos e o seu desinteresse pela coisa pública, em que, finalmente, a omnipresente encenação da liberalização dos costumes encobre uma propensão para o mimetismo, um seguidismo, e um conformismo sem precedentes.

Os direitos entendidos como política envolvem a sujeição e a alienação, e conduzindo à atomização da sociedade, conduzem também à negação da própria democracia.

3 comentários »

  1. […] 2/ o José Pacheco Pereira (e uma certa Esquerda) transformam os direitos humanos em uma política em si mesma; mas os direitos humanos não são uma política. […]

    Pingback por Herrare é um direito umano | perspectivas — Domingo, 3 Abril 2016 @ 11:25 am | Responder

  2. […] estratégia do radicalismo de Esquerda efeminado é o de, em uma primeira fase, fazer dos direitos humanos uma política em si mesma, atomizando a sociedade, por um lado, e reforçando o poder do Estado, por outro lado; e, em uma segunda fase, quando o […]

    Pingback por A feminização da política conduz ao reforço do poder do Estado | perspectivas — Segunda-feira, 4 Abril 2016 @ 10:26 am | Responder

  3. […] entendidos em si mesmos como uma política, tende a ser colocada em causa ou questionada. “Os Direitos do Homem não são uma Política” [Marcel Gauchet, “Le Débat”, […]

    Pingback por A “estagnação secular” e a Religião da Humanidade | perspectivas — Terça-feira, 26 Julho 2016 @ 12:40 pm | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.