perspectivas

Domingo, 24 Junho 2018

O nominalismo radical e anticientífico do Telmo Três Nomes

Filed under: David Hume,utilitarismo — O. Braga @ 12:44 pm
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Outra das características comuns entre o Telmo Três Nomes (e os seus correligionários), por um lado, e a Catarina Martins e o Bloco de Esquerda, por outro lado, é um nominalismo radical.

Esse nominalismo radical é herança de David Hume que influenciou decisivamente Adam Smith, em primeiro lugar, e influenciou também (mais tarde) os utilitaristas todos até John Stuart Mill, que foi um “utilitarista anti-utilitarista”. O próprio Hayek baseia o fundamento da sua mundividência em David Hume, embora entrando em contradição quando adopta o optimismo de Kant.

A redução da realidade social ao indivíduo (enquanto tal, isolado da sociedade) é um fenómeno paranóico, e um exercício de egologia que se traduz bem na ideia de David Hume segundo a qual “não seria irracional que um homem preferisse a destruição do mundo, a sofrer uma esfoladela no seu dedo” (sic).

É esta irracionalidade “passional” de David Hume, travestida na maior “racionalidade possível”, que nos chega hoje através de dois movimentos ideológicos (que, de certa forma, negam a ciência ou o Iluminismo): por um lado, o marxismo cultural de Herbert Marcuse, Adorno, e Habermas até John Rawls (que tem, em Portugal, protagonistas como Catarina Martins e um certo Bloco de Esquerda); e por outro lado um certo PSD com os actuais seguidores de Ayn Rand e os posteriores libertários até Nozick — toda essa gente foi buscar a David Hume o nominalismo radical.


O Nominalismo é a teoria segundo a qual “nada há de universal no mundo para além das denominações, porque as coisas nomeadas são todas individuais e singulares”.

O Nominalismo nega a existência dos géneros e das espécies que, alegadamente, não existiriam senão em nome: os nomes apenas são etiquetas, graças às quais podemos representar as classes de indivíduos; as ideias gerais não têm um objecto geral: são abstracções obtidas por intermédio da linguagem.

Ou seja, o nominalismo defende a ideia segundo a qual as coisas ou objectos da experiência não têm realidade intrínseca fora da linguagem que as descreve.

O nominalismo radical é o fundamento do individualismo exacerbado — na “Não-Esquerda” do PSD , e da política identitária marxista cultural (que se baseia na hierarquização social de grupos de indivíduos consoante o conceito arbitrário de “dominação”) — no Bloco de Esquerda.


nominalismo-webÉ evidente que quem exporta (mercadorias) são indivíduos e empresas; mas não podemos retirar os indivíduos e as empresas do contexto social, cultural, demográfico, político, etc., em que vivem. E se são os indivíduos e as empresas que exportam, é também uma sociedade inteira — com todas as suas idiossincrasias culturais e políticas — que exporta.

Os indivíduos e as empresas não podem fugir às limitações e aos condicionalismos impostos pela sociedade em que estão inseridos, ou seja, impostos pela nação.

O tipo de raciocínio nominalista radical — (sublinho: RADICAL, porque uma pequena e razoável dose de nominalismo é sempre saudável porque é realista), que caracteriza um certo Bloco de Esquerda e uma parte do Partido Socialista, por um lado, e por outro lado (de um modo diferente) um certo PSD dito “libertário” — é anticientífico, porque a ciência não faz outra coisa senão criar leis universais a partir de factos individuais e experimentais.

Em termos de ciências sociais, por exemplo, não é possível separar uma empresa, por um lado, do contexto político em que ela está inserida; ou não é possível separar o indivíduo do contexto cultural e social em que coexiste.

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Terça-feira, 19 Junho 2018

O Telmo Três Nomes e a Catarina Martins são duas faces da mesma moeda

 

“O liberalismo resulta desfavorável à liberdade porque ignora as restrições que a liberdade deve impôr a si própria para não se auto-destruir”.Nicolás Gómez Dávila 


Don_Pelayo,_rey_de_Asturias_(Museo_del_Prado)-webHá um indivíduo que escreve no Blasfémias  que dá pelo nome de Telmo Azevedo Fernandes — ¿por que será que os “serial killers”, nos Estados Unidos, usam sempre três nomes?!

Por este texto escrito pelo Telmo Três Nomes, vemos o enorme problema que temos em Portugal — porque se trata de alguém que diz dele próprio que “é liberal” e que “não é de Esquerda”. O problema começa logo quando o Telmo Três Nomes se coloca contra um certo Estado português intrusivo (e muito bem!), mas quando se trata de apoiar a intrusão do leviatão da União Europeia nas nossas vidas, lá temos o Telmo Três Nomes na vanguarda a dizer ámen ao super-estado de Bruxelas.

O “liberal” português (em geral) critica o Estado português, mas adora a ideia de construção do leviatão estatal europeu!

Aquele texto revela o espertalhão que habita no Telmo Três Nomes, por um lado, e por outro lado revela a desorientação que se fundamenta no relativismo axiológico de uma certa mundividência que se diz de si mesma ser “liberal” — mas que de “liberal” tem muito pouco.

O Telmo Três Nomes e a Catarina Martins são duas faces da mesma moeda. Explico por quê.

O Telmo Três Nomes coloca (no referido texto) uma série de perguntas acerca da imigração — por exemplo, “¿com base em que argumento moral se funda a objecção cultural à entrada de imigrantes?”.

Só é possível colocarmos aquelas perguntas se fizermos de conta de que a nossa sociedade (Portugal) não tem passado nem História — e portanto, quem faz aquelas perguntas ignora absolutamente o conceito histórico de nação. Mas simultaneamente, o Telmo Três Nomes (assumindo para si mesmo a ideia do “igualitarismo dos direitos dos imigrantes”) defende implicitamente um tipo de democracia que se deve basear na igualdade de oportunidades. O que o Telmo Três Nomes não sabe nem pode explicar é como é possível haver igualdade de oportunidades e democracia sem a nação — em linguagem kantiana podemos dizer que “a nação é a condição da democracia”.

O Telmo Três Nomes diz-se apologético da democracia, por um lado, mas por outro lado faz de conta de que o conceito de nação não existe.


“O liberalismo prega o direito do indivíduo ao embrutecimento, desde que esse embrutecimento não estorve o embrutecimento do seu vizinho.” — Nicolás Gómez Dávila


Vamos definir “nação” (quando começamos a definir, os espertalhões desatam a tresmontar).

Uma nação é uma comunidade natural em que cada indivíduo se inscreve em função do seu nascimento, da existência de uma História, de uma língua e de uma cultura antropológica comuns.


Vimos a noção de nação; agora vamos alargar a noção mediante uma descrição breve do conceito de nação.

1/ A nação não é a mesma coisa que Estado.

2/ A nação (e, por isso, a nacionalidade) é, por definição e natureza, imposta ao indivíduo por nascimento. Mas o indivíduo pode mudar de nação e de nacionalidade — é livre de adquirir outra nacionalidade que não a original. Neste caso, o indivíduo tem a possibilidade de escolher entre a nação originária e uma outra nação de adopção que raramente deixará de ser adoptiva enquanto prevalecer nele a memória da cultura e a língua da nação de origem.

3/ Portanto, temos dois tipos de nacionalidade: 3.1/ a que decorre da comunidade de origem, e 3.2/ a que pode decorrer de um contrato em relação a determinados princípios fundamentais celebrado com uma determinada comunidade nacional diferente e de emigração.

4/ Um imigrante de segunda geração já nasceu em Portugal, e por isso preenche o primeiro requisito da nacionalidade: o nascimento. E depois, em função da aprendizagem da língua nacional através do ensino escolar, e através do entrosamento em relação à cultura antropológica nacional, acaba por preencher os outros requisitos da nacionalidade.

Repare, caro leitor: depois de definirmos “nação”, as perguntas e dúvidas do Telmo Três Nomes deixam de fazer qualquer sentido.

As dúvidas do Telmo Três Nomes só fazem sentido no universo ideológico da Catarina Martins — em que a História de Portugal é demonizada e/ou obnubilada, por um lado, e escamoteada ou/e esquecida, por outro lado. É nesse mesmo universo psicótico que se move o Telmo Três Nomes.

Quinta-feira, 24 Novembro 2016

Um exemplo chapado do “liberal” português

 

“Donald Trump é certamente o presidente dos EUA eleito com a plataforma de apoio e programa menos liberal (sentido clássico) e mais intervencionista desde Franklin Roosevelt. E não apenas isso. É o mais inexperiente e, (o que é o pior) personagem com personalidade de todo não recomendável para coisa nenhuma. Muito menos para presidir aos EUA. Em suma, um sujeito verdadeiramente perigoso, para todos nós”.


lobotomyPara o típico estúpido liberal português (por exemplo, Pedro Marques Lopes), os impostos têm que ser progressivos. Por isso, quando Donald Trump diz que pretende a mesma taxa de IRS para os mais ricos e para os mais pobres (como acontece na Hungria do faxista Viktor Órban, onde o IRS é de 15% para toda a gente), então segue-se que “ele não é liberal”.

Ser “liberal”, em Portugal, é seguir John Rawls de forma envergonhada ou não assumida.

Quem defende a mesma taxa de IRS para toda a gente é “intervencionista e não é liberal” — diz o estúpido liberal português que, de uma forma ou de outra, se habituou a mamar nas tetas do Estado.

Quando Donald Trump quer cortar na despesa com a NATO, por exemplo; ou cortar na despesa exigida na ONU pelos alucinados do Aquecimento Global antropogénico; e, com esse dinheiro que se poupa, investir em infraestruturas nacionais (estradas, pontes, etc.) — diz o estúpido que “ele não é liberal, mas é intervencionista”: o liberal estúpido português que se preze, acredita no lero-lero aquecimentista da Esquerda radical, por um lado, e, por outro lado, acredita que os Estados Unidos devem andar a plantar guerras em todo o lado (como aconteceu com a Primavera Árabe do Obama e da Hillary Clinton, controlados por George Soros).

Quinta-feira, 21 Abril 2016

“Fazer melhor” não é “fazer pior”

 

No Blasfémias há duas pessoas que vale a pena ler: a Helena Matos e o Vítor Cunha; o resto é “cumbersa para boi dormir” e para compor o ramalhete.

Vemos aqui um “poste” do Ruizinho (que parece que militou na Esquerda radical na juventude) acerca de Passos Coelho. Eu estou à vontade para falar de Passos Coelho porque fui crítico dele quando foi primeiro-ministro; mas hoje aprovo a estratégia do PPD/PSD que não decorre apenas de Passos Coelho mas de todo o partido. Por outras palavras: eu, que votei CDS/PP nas eleições de 2009, hoje votaria PPD/PSD (o mal menor: a “direita” portuguesa chegou a um tal ponto que Passos Coelho é o mal menor).

“Ora, se é certo que Pedro Passos Coelho, por ter sido o primeiro-ministro do governo que geriu a falência do país, está numa posição extraordinariamente difícil para poder explicar por que não fez mais do que o que pode (e deixaram) fazer, a verdade também é que não conquistará um único voto sem demonstrar às pessoas que poderá fazer melhor do que está a ser feito pelo actual governo”.

¿O que é “fazer melhor”? ¿Será que “fazer melhor” é o Estado gastar aquilo que não pode gastar? os-malandros-web

Se “fazer melhor” é estrangular a economia (como está a acontecer agora); se “fazer melhor” é aumentar o poder do Estado na sociedade; se “fazer melhor” é obedecer caninamente às engenharias sociais do Bloco de Esquerda (Rui Rio e José Eduardo Martins); se “fazer melhor” é ser politicamente correcto e respeitar o marxismo cultural; se “fazer melhor” é confraternizar amenamente com o Bloco de Esquerda (José Eduardo Martins); se “fazer melhor” é prometer aquilo que não se pode cumprir; se “fazer melhor” é apenas a caça ao voto — então é impossível que alguém faça melhor do que o António Costa, porque o original é sempre preferível a fotocópias. Neste sentido, “fazer melhor” é colocar em risco a democracia.

os amigos

Temos que saber o que significa “fazer melhor”, porque se “fazer melhor” é fazer pior, mais vale estar quieto à espera que “as tetas caiam”.

Quinta-feira, 14 Abril 2016

O Ruizinho deve pensar que a Suíça é um país em guerra ou subdesenvolvido

 

“De facto, não estando um país em guerra, nem perto de lá estar, como se pode justificar a obrigatoriedade de prestação de serviço militar a um jovem de 18, 19 ou 20 anos, no qual, depois de alguns meses de recruta, os jovens iam perder o seu tempo em trabalho administrativo de caserna? Não pode, nem deve, como o estado português acabou, sensatamente, por reconhecer”.

A esperteza do Ruizinho

¿Como se pode justificar a obrigatoriedade de prestação de serviço militar a um jovem de 18, 19 ou 20 anos, na Suíça?!

SMO-Suiça

Switzerland has mandatory military service (German: Militärdienst; French: service militaire; Italian: servizio militare) in the Swiss Army for all able-bodied male citizens, who are conscripted when they reach the age of majority, though women may volunteer for any position.”

Conscription in Switzerland

É um espertalhão, o Ruizinho. Sabe umas coisas.

Sábado, 14 Novembro 2015

“A culpa do terror em Paris é apenas dos oito terroristas”

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 5:33 pm
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Quando um dos blasfemos escreveu isto, pareceu-me ironia fina. Diz ele, por exemplo, que a culpa dos 140 mortos e outros tantos feridos em Paris de ontem não é da classe política europeia em geral.

Para ele, a culpa é dos oito islamitas a que ele chama de “assassinos”. Ponto final. Gosto desta simplicidade de raciocínio: ajuda-nos a viver mais felizes.

Sexta-feira, 5 Junho 2015

It’s the market, stupid!

Filed under: A vida custa,bovinotecnia — O. Braga @ 5:20 am
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Quando li isto no blogue Blasfémias  pensei que se tratasse de ironia; um blasfemo a falar de moral e de ética no caso “Jorge Jesus” (?).

Quando interessa, o mercado vende e compra tudo, inclusivamente o ser humano; quando não interessa por qualquer razão subjectiva, então o mercado já precisa de ética. Aquilo que é considerado “útil” só o é quando vai de encontro ao nosso interesse próprio.

Por um lado dizem que “o limite do mercado é a lei e só a lei positiva, sem interferências metajurídicas jusnaturalistas”; por outro  lado dizem que “a lei e o Estado não devem imiscuir-se no mercado”; fazem de conta que não sabem que o caso JJ é o reflexo chapado do conceito de “mercado” reduzido ao Direito Positivo.

Domingo, 7 Dezembro 2014

O João Miranda defende uma igualdade cínica

Filed under: bovinotecnia — O. Braga @ 8:41 pm
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O João Miranda tem, em relação à igualdade, uma relação esquizofrénica: normalmente acha que as pessoas não são todas iguais — e eu concordo! —, mas por vezes defende a ideia marxista de igualdade de meios e condições de existência.

“O governo introduziu um quociente familiar para determinação do rendimento colectável no calculo do IRS. Se bem percebi o rendimento de um casal passa a dividir por 2+0.3N em que N é o número de filhos. Num sistema de impostos progressivos, o resultado desta alteração é o aumento de transferências de quem não tem filhos para quem os tem. O que implica um agravamento das perversões causadas pela progressividade.”

mijando no copoOu seja, o governo de Passos Coelho — honra lhe seja feita! — passou a considerar que uma criança, que é um ser humano, vale 30% do valor de um adulto. E o João Miranda acha que é muito, que uma criança inserida no contexto familiar deveria valer zero em matéria de impostos.

Ou seja, o João Miranda considera que quando o governo atribui o valor de 30% de humanidade a uma criança está a conceder um privilégio à sua família — e não um direito.

Para o João Miranda, a igualdade perante a lei exigiria que a criança valesse zero em termos de dedução nos impostos. O conceito de “igualdade liberal” já é, neste caso, inconveniente para o João Miranda — porque a igualdade de direitos, segundo o liberalismo, não significa que todos tenham o mesmo poder ou as mesmas características, mas antes que têm uma dignidade igual. E retirar qualquer valor a uma criança é retirar a dignidade a um ser humano, independentemente de este pode pagar impostos, ou não.

O conceito de “igualdade” do João Miranda parece-me mais do tipo marxista, embora virado do avesso. Há ali um marxista apóstata!. É uma igualdade social ou de condições, uma espécie de igualitarismo marxista enviesado e do reviralho.

Ainda vou ver o João Miranda defender a eutanásia para os outros — porque, para ele, nunca!: pimenta no cu dos outros é chupa-chupa! — em nome da necessidade de limitar as transferências de fundos públicos de uns para outros.

Ou, como dizia o poeta Óscar Wilde: “O cínico é aquele que conhece o preço de tudo, mas não sabe o valor de nada”.

Quarta-feira, 24 Setembro 2014

A Helena Matos precisa de visitar a Suíça ao Domingo

Filed under: bovinotecnia — O. Braga @ 10:04 am
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A Helena Matos precisar de fazer uma visita à Suíça, mas ao fim-de-semana, para apanhar um Domingo. Estou certo de que ela virá de lá mal impressionada com esse país anti-capitalista.

E se ela quiser fazer compras em um super-mercado suíço ao Domingo, vai dar com o nariz na porta; bem fica sem comer o dia inteiro. Ou, em alternativa, vai comer ao McDonalds — aqueles que estão abertos ao Domingo, porque nem todos estão.

Mas isso só acontece num país atrasado e comunista como é a Suíça. No país maravilhoso, liberal, capitalista, desenvolvido e prá-frentex como é Portugal, o Domingo é como outro dia qualquer.

Sábado, 20 Setembro 2014

O João Miranda e a Raquel Varela

Filed under: bovinotecnia — O. Braga @ 8:24 pm
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Perante uma mundividência absurda sobre a realidade, o João Miranda argumenta com cinismo. Face ao absurdo, só o cinismo faz algum sentido. Eu não simpatizo com Karl Marx, mas ele tinha razão quando dizia que pessoas como o João Miranda têm uma “moral de merceeiro”.

Não passa pela cabeça do João Miranda que terá havido outras razões, para além das razões de contabilidade de mercearia, para que escoceses votassem sim ou não à independência da Escócia.

A única diferença entre o João Miranda e, por exemplo, a Raquel Varela, é a concepção que os dois têm do Estado; de resto, são iguaizinhos: reduzem toda a realidade à economia. O João Miranda é uma espécie de “comunista do reviralho”.

Tanto um como a outra vêem a realidade de uma forma determinista (mas em nome da “liberdade” !) — uma vez que (toda) a realidade é determinada absolutamente pela economia. O futuro está determinado; não existe escapatória para os “amanhãs que cantam”, de um lado e doutro. Ambos defendem o fim da História, cada um à sua maneira. O futuro é uma certeza e o passado é uma incerteza; a moral é invertida em nome desse determinismo. O João Miranda e a Raquel Varela fazem parte do mesmo problema, e não são solução para nada.

Sexta-feira, 4 Julho 2014

O João Miranda, a liberdade e a opressão da mulher

 

O João Miranda concebe a sua subjectividade como um facto objectivo e científico; e depois diz que “a objectividade dos outros é subjectiva”.

duas faces da mesma moeda web

Vamos ver o que conseguimos “tirar” deste texto do João Miranda — porque o discurso dele é sinuoso, uma espécie de lengalenga que mistura propositadamente alhos com bugalhos no sentido de parecer original.

Talvez por que o João Miranda não se importaria de ver gajas nuas a andar na rua, também não vê problema em ver gajas tapadas com Burka. Para ele, uma gaja nua na rua é “expressão de liberdade”. Não lhe passa pela cabeça que uma gaja nua na rua seja oprimida: pelo contrário, ela anda nua na rua porque é livre! A liberdade, segundo o João Miranda, tem destas coisas: tanto pode dar para se andar nua como com Burka.

Ou, se interpretarmos o texto do João Miranda de outra maneira: a mulher muçulmana que usa Burka, sendo oprimida, fica entregue à sua sorte no seu ambiente privado e familiar, para gáudio da maioria da população que “fica satisfeita com ela própria” por não ver mulheres com Burka na rua. As mulheres que usam Burka — segundo o João Miranda — “são empurradas para um gueto”.

Nesta segunda interpretação — e em contraposição à primeira que se baseia na “liberdade” — é falta de liberdade (opressão) da mulher que é colocada em equação. Com os textos do João Miranda temos sempre que analisar a “coisa” e o seu contrário.

Se seguirmos o raciocínio do João Miranda, e se o levarmos até às últimas consequências, a proibição da excisão feminina conduz as mulheres muçulmanas para um gueto — para gáudio da maioria da população que “fica satisfeita com ela própria” por saber que não existem mulheres com o clitóris amputado.

Terça-feira, 8 Abril 2014

O P.S.D de Passos Coelho e a versão oficiosa acerca do salário mínimo

 

No tempo da URSS, o Partido Comunista dizia que esse país era o “sol do mundo”. Hoje, o Partido Social Democrata de Passos Coelho diz que a Alemanha de Angela Merkel é a “luz do universo”. Mas este Partido Social Democrata consegue ser mais merkeliano que a própria Angela Merkel — como os comunistas conseguem ser mais marxistas que o próprio Karl Marx: agora que a Alemanha já tem um salário mínimo nacional (de 8,50 Euros / Hora!), a bovinotecnia coelhista sai da lura para defender que não deve haver aumento do salário mínimo nacional. E vejamos os argumentos (o verbete foi apagado pelo seu autor, tamanho era o absurdo).

«Sátão, Aguiar da Beira, Sernancelhe, Fornos de Algodres, Paços de Ferreira, Lousada, Ourique, Góis, Mondim de Basto, Vimioso, Vila de Rei, Felgueiras, Vizela, Celorico da Beira, Boticas, Barrancos, Sousel, Vila Nova de Paiva, Cinfães, Alandroal, Fafe, São Pedro do Sul, Tábua, Vinhais, Marvão, Cabeceiras de Basto, Penamacor, Oleiros, Freixo de Espada à Cinta, Arronches, Sabugal, Ponte de Lima, Pampilhosa da Serra, Castro Daire, Mesão Frio, Almodôvar, Almeida, Sardoal, Alfândega da Fé, Moimenta da Beira, Crato, Meda, Valpaços, Armamar, Paredes de Coura, Alviázere e Santa Marta de Penaguião. São os municípios que, de acordo com números de 2011, têm diferença entre o salário mínimo nacional e a remuneração base média mensal superior a –160.

O Bloco quer um salário mínimo de 545€. Isto corresponde a um aumento superior a 12%. Nos municípios apontados significaria um aumento de desemprego verdadeiramente brutal: o efeito de um aumento de salário mínimo no município de Lisboa não é particularmente relevante para o desemprego mas, em regiões cujos salários médios estão perto do salário mínimo, significa uma destruição cega pelo centralismo socializante-controlador.»

os brioches da bovinotecnicaEste raciocínio tem diversas anormalidades, mas só me vou reter em algumas.

1/ defende a ideia segundo a qual deve existir em Portugal realidades estatutárias de cidadania conforme se vive em Lisboa ou na “província”. Ou seja, “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”. Deve haver um salário mínimo lisboeta e nenhum salário mínimo para a “paisagem”.

2/ defende a ideia segundo a qual uma empresa que não pode ou não quer pagar o salário mínimo deve continuar no mercado a competir com aquelas empresas que o pagam (de Lisboa ou não).

3/ defende a ideia segundo a qual um cidadão que trabalhe pode viver em Portugal com 300 Euros mensais.

4/ defende a ideia segundo a qual é legal pagar menos do que o salário mínimo.

5/ defende a ideia segundo a qual o ideal seria que uma pessoa trabalhasse sem receber qualquer salário, para que o desemprego fosse debelado. O problema da economia portuguesa está nos salários: se os portugueses ganharem menos do que os chineses, a economia salva-se.

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