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Segunda-feira, 13 Março 2017

A estória do sapo que não se dá conta do PREC [Processo Revolucionário em Curso]

Filed under: Bloco de Esquerda,Partido Comunista,Partido Socialista,PREC — O. Braga @ 7:26 pm
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“Aquilo que Portugal está a viver não é um PREC mas sim a destruição do centro.”Helena Matos


Vamos tentar analisar em poucas palavras este texto da Helena Matos.

A História não se repete; mas há padrões históricos que se repetem (os ciclos históricos) → “a velhice do eterno novo”, como escreveu Fernando Pessoa. Em um certo sentido, o “novo é velho”.

Em 1975, o PREC [Processo Revolucionário em Curso] foi uma tentativa de destruição do centro — só que foi uma tentativa apoiada em uma parte das Forças Armadas e no agit-prop de rua à moda do José Pacheco Pereira.


Em primeiro lugar, temos que saber o que significa “centro”. O “centro político” é sempre uma posição relativa, por um lado, e por outro lado é uma posição referencial — é uma referência que não tem uma correspondência exacta na realidade política. O “centro”, em 1975, não é o mesmo “centro” em 2017.


sapo_cozidoOs marxistas (incluindo uma parte do Partido Socialista) aprenderam com o fracasso do PREC [Processo Revolucionário em Curso] de 1975, e com a queda do muro de Berlim.

A haver uma intervenção militar marxista (que ocorreu em 1975, a 11 de Março), esta ocorrerá desta vez em um último estágio do “processo” de tomada do Poder: em vez da intervenção das Forças Armadas “à cabeça” (inicial), a tropa fechará o “processo” político de tomada do Poder totalitário.

O papel da tropa é invertido, em relação a 1975.

Ademais, os métodos de tomada do Poder totalitário são diferentes hoje, em relação a 1975: digamos que os métodos de assalto ao Poder totalitário são hoje menos abrutalhados e mais refinados, com apelos sistemáticos ao sentimentalismo (a tolerância repressiva  do marxismo cultural) e com o apoio incondicional das mulheres, em geral, à causa do politicamente correcto (embora haja excepções de mulheres que confirmam a regra).

Hoje, o perigo do totalitarismo é muito maior, porque em 1975 havia o bloco soviético e os Estados Unidos não queriam Portugal na esfera soviética. Hoje, os Estados Unidos estão se cagando para Portugal: hoje a reacção ao marxismo no Poder tem que ser indígena, e sem grande apoio da CIA e dos “Franks Carlucci”.


O que estamos a viver hoje é um novo tipo de PREC [Processo Revolucionário em Curso]; mas é um PREC da estória do sapo que não se dá conta de que vive no PREC .

Segunda-feira, 6 Março 2017

A sociedade que a actual Esquerda defende e constrói: em nome da liberdade, vai impondo um novo tipo de opressão

 

O vislumbre da sociedade que a Esquerda (que inclui um determinado Partido Social Democrata politicamente correcto e o CDS/PP de Adolfo Mesquita Nunes) está a construir em Portugal (segundo as tendências ideológicas oriundas do exterior) é aterrador. ID-GENERO-WEB

O que se está a construir em Portugal é um novo tipo de totalitarismo racionalmente escorado em um individualismo radical que legitima esse totalitarismo colectivista. Na base dessa construção totalitária está um falso conceito de “autonomia do indivíduo”, em que a autonomia se reduz à liberdade negativa. 1

cuiadados-paliativos-webPor exemplo, a necessidade da eutanásia começa por ser escorada em um individualismo radical justificado pela autonomia do indivíduo reduzida à liberdade negativa; mas quando a eutanásia for uma prática normalizada e forçada pela deserção da solidariedade da família natural, será então um colectivismo de Estado (do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista) que o imporá ao cidadão, já não em nome da sua autonomia individual, mas em nome dos interesses do Estado.

O que está aqui em causa — para os idiotas úteis do Partido Socialista, para o Bloco de Esquerda, para o Partido Comunista, para algumas avantesmas do Partido Social Democrata, e para um punhado de submarinos do CDS/PP (que inclui o Adolfo Mesquita Nunes) — é a família natural.

A Esquerda odeia a família natural, porque esta (alegadamente) perpetua as “relações de dominação” entre os seus membros. Por isso é que a Isabel Moreira diz o seguinte:

“Muita da evolução das nossas condições de vida, da questão étnica a questões do domínio da sexualidade, deve-se, felizmente, a um olhar do jurídico sobre o real, olhar esse enquadrado no que define o Direito: não se vergar às leis da natureza. A cada discussão acerca de um avanço à conta do olhar informado da realidade, há um regresso ao obscurantismo que matou, negou direitos básicos às mulheres e silenciou abusos em nome do tradicional”.

Eu respondi-lhe aqui.

Com incorporação da ideologia de género no nosso ordenamento jurídico, a destruição da família natural será inevitável: se cada um pode escolher o “género” favorito, ter filhos será considerado uma opção pessoal equivalente a fazer criação de cães de raça; será tão respeitável ter um filho como ter um gato.


O sucesso da eutanásia (como instrumento colectivista de aplicação de uma “pena-de-morte economicista”) depende hoje directamente do individualismo radical que gera o fracasso da família natural. O fracasso da família natural (o fracasso dos laços familiares naturais) depende da desnaturação da sexualidade na cultura antropológica que, por sua vez, é essencial ao feminismo e à ideologia de género que depende da negação institucional e política da ciência (da biologia).

burn_flag_burn_webO aborto pago pelo Estado, eutanásia paga pelo Estado, as questões da sexualidade — "casamento" gay, adopção de crianças por pares de invertidos, ideologia de género, feminismo — estão interligados: por um lado, atacam a família natural, isolando o indivíduo face ao Estado (atomização da sociedade); e por outro lado, quando a ideologia de género entra no nosso ordenamento jurídico (como defende a Isabel Moreira, e já está a acontecer), a ciência biológica é negada em nome de uma fé metastática baseada em uma ideologia doentia e niilista, e entramos em um verdadeiro obscurantismo, que não é o falso obscurantismo que a Isabel Moreira denuncia na Natureza2 .

Com incorporação da ideologia de género no nosso ordenamento jurídico (que já está a acontecer devido à escumalha da laia da Isabel Moreira) a destruição da família natural será inevitável: se cada um pode escolher o seu “género” favorito, ter filhos será considerado uma opção pessoal equivalente a fazer criação de cães de raça; será tão respeitável (nessa sociedade idealizada pela da Isabel Moreira) ter um filho como ter um gato.

Naturalmente que, nessa sociedade atomizada — numa primeira fase por um individualismo radical, e numa segunda fase por um colectivismo imperativo estatal — não há lugar para a democracia, porque se defende uma transferência da responsabilidade social e humana, do indivíduo, para o Estado.


Notas

1. A autonomia não é a mesma coisa que individualismo e/ou colectivismo. A autonomia é uma necessidade psicológica fundamental do organismo humano (a Natureza Humana perene), ao passo que o individualismo e o colectivismo são doutrinas socialmente construídas acerca das relações entre o indivíduo e a sociedade, e que consistem em diversos valores e práticas que podem ser mais ou menos interiorizadas.

Portanto, quando falamos em “autonomia”, não a podemos confundir com individualismo e/ou colectivismo.

2. Desde Aristóteles que existe o conceito de equidade; a Isabel Moreira que vá à merda com a sua teoria “obscurantista”.

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