perspectivas

Quinta-feira, 2 Junho 2016

Contra a Sharia islâmica, temos agora uma Sharia do Estado

 

Dois irmãos muçulmanos, filhos de pais imigrantes na Suíça, recusaram-se a cumprimentar, com aperto de mão, as professoras da sua escola, alegando que o Islamismo proibia qualquer contacto físico com gente do sexo oposto. Face a esta atitude, a escola permitiu que os dois muçulmanos deixassem de cumprimentar as professoras.

Mas o governo regional suíço decidiu que a recusa de apertar a mão das professoras é ilegal, e que os pais dos alunos que recusem apertar as mãos das professoras podem ter que pagar multas até 5.000 Euros.

Por isto vemos o efeito que a importação massiva de gente com culturas diferentes e até antagónicas, como é o caso do Islamismo, pode ter em uma sociedade europeia.

¿Por que carga de água o Estado pode obrigar alguém a apertar a mão a uma pessoa?! Está tudo louco?!

A imigração islâmica vai forçar a uma maior intervenção do Estado na sociedade, chegando ao absurdo de o Estado regular comportamentos individuais através de uma espécie de “Sharia estatal”.

Contra a Sharia islâmica, temos agora uma Sharia do Estado. É isto que a Esquerda pretende com a imigração desregrada: o reforço do poder do Estado.

A Europa ainda está a tempo de evitar uma catástrofe civilizacional, restringindo drasticamente a imigração islâmica.

Sábado, 28 Maio 2016

A Elisabete Rodrigues e o Marsapo Murcho

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:03 am
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A Elisabete Rodrigues coloca o estatuto da mulher dentro da falsa dicotomia que decorre dos conceitos, aparentemente antagónicos, de “fada do lar” e de “foda do bar”.

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Recordemos uma frase de Coco Chanel em relação aos modelos da moda de Christian Dior:

“Roupas criadas por um homem que não conhece as mulheres, nunca teve uma mulher, e que deseja ser uma mulher”.

coco-chanel-webOu seja, grande parte da moda “feminina”, depois da década de 1960, foi e é criada por “grandes paneleiros” (os efeminados, aqueles que sonham ser mulheres, imitam as mulheres, e têm o Marsapo Murcho).

Escreve a Elisabete Rodrigues:

“Identifico, no entanto, dois tipos de anúncios em que as mulheres não nos são apresentadas como um pedaço de carne que se esforça por ser objecto de desejo. Publicidade a produtos para bebés e produtos para a casa. Mas se uma mulher veste lantejoulas e exibe um decote até ao umbigo para vender mobiliário, por que não o há-de fazer para vender umas fraldas? Porque, minhas amigas e meus amigos, a mãe e a dona de casa não são passíveis de ser transformadas em objectos de prazer.

Não sei o que é pior, se a excessiva sexualização do corpo feminino, se a completa “dessexualização” da mulher-mãe, mulher-doméstica. Ou bem que as mulheres são representadas como sedutoras natas ou como anjos do lar. A maior parte delas não é uma coisa nem outra, e são essas que compram!”

dignidade-mulher
Mas o importante é a forma como olhamos a mulher
, esteja ela no lar ou no bar. E se tivermos a concepção da mulher que os “grandes paneleiros” têm dela (que é a cultura dominante na moda), então também vemos a “fada do lar” dessexualizada e a sexualização da “foda do bar” que a paneleiragem gostava de ser.

Sábado, 19 Março 2016

A actual ameaça à democracia

Filed under: Política — O. Braga @ 10:42 am
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Em um verbete anterior falamos da diferença entre autonomia do indivíduo, por um lado, e individualismo ou colectivismo, por outro lado.

O princípio da autonomia aplica-se à pessoa enquanto sujeito histórico, com um passado herdado e que vive no presente, e que se baseia no pressuposto de que a realidade é independente da consciência que observa (realismo). Decorre do realismo (que também se utiliza na ciência) do princípio da autonomia, que existem proposições ou mundividências que se aproximam mais a verdade do que outras. Existe não só uma hierarquia de valores éticos, como também uma hierarquia de interpretação dos factos (hierarquia da verdade) que separa as diferentes mundividências que se aproximam mais ou menos da verdade.

O individualismo (direita) ou/e o colectivismo (esquerda) partem do princípio de que a realidade é uma construção cultural e/ou social — ou seja, não existe um realidade objectiva independente da consciência que observa. Neste sentido, não existe qualquer “aproximação à verdade objectiva”, uma vez que a verdade é subjectiva. Grosso modo: cada um tem a sua verdade que vale tanto como a de outra pessoa qualquer — a hierarquia de valores é negada em nome da construção cultural e social dos conceitos que regem a sociedade.

Para o realismo (do princípio de autonomia), existe uma diferença entre factos, por um lado, e interpretação de factos, por outro lado. Para o individualismo e/ou colectivismo, essa diferença ou não existe, ou é precária; os factos são apenas matéria de opinião.

Em uma sociedade em que a maioria da “elite intelectual” (a ruling class) pensa que a realidade é uma construção social, não é possível a democracia: a única realidade que faz sentido é a realidade da força bruta do Estado — seja para “libertar” o indivíduo (libertarismo de direita), seja para impôr um colectivismo (esquerda).

A partir do momento em que a realidade (objectiva) não existe independentemente da minha consciência que observa; que os factos são resultado da minha interpretação; e que a minha verdade é independente de uma verdade exterior a mim — então segue-se que qualquer forma de imposição (incluindo o uso da violência) da minha mundividência aos outros passa ser legitimada.

Quinta-feira, 4 Fevereiro 2016

A hermenêutica académica

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 3:38 pm
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“A totalidade social não tem vida própria acima do que é por ela concatenado, e de que ela própria é constituída.

Ela produz e reproduz-se através dos seus momentos singulares. Tão pouco é de dissociar esse toda da vida, da cooperação e do antagonismo social, tão pouco pode um elemento, qualquer que seja, ser entendido meramente no seu funcionamento, sem o discernimento do todo, que tem a sua própria essência no movimento individual. Sistema e singularidade são recíprocos e só podem ser entendidos na reciprocidade”.

→ Habermas, “Polémica do Positivismo”


Vamos “traduzir” este trecho de Habermas:

A sociedade é constituída por relações sociais. As diferentes relações produzem, de qualquer modo, a sociedade. Entre essas relações encontra-se a cooperação e o antagonismo; e uma vez que a sociedade é constituída por tais relações, não pode ser dissociada delas. O inverso é igualmente válido: nenhuma relação pode ser entendida sem as outras.


Uma característica da academia, em geral, transformada em missão, é a de complicar aquilo que é simples e de dificultar o que é fácil. Vejam, por exemplo, este texto da Helena Damião: foi assim que ela aprendeu, e é assim que ela escreve e ensina.

Domingo, 24 Janeiro 2016

A cultura antropológica ocidental está inferiorizada

 

Vemos aqui em baixo duas fotografias: a primeira, a de uma paragem de transportes públicos na Rússia; e a segunda a de uma paragem em um país anglo-saxónico. Obviamente que ambas as imagens reflectem excepções: nem todas as paragens de “bus” são assim nesses países; mas as fotografias dão uma ideia das abissais diferenças culturais existentes entre o Ocidente, por um lado, e a Rússia, por outro lado.

paragem-na-russia-web

paragem-no ocidente-web

Racionalmente, é impossível defender a superioridade cultural do Ocidente. É esta uma das razões por que o Islão avança pela Europa adentro: o Ocidente perdeu autoridade moral.

Os Estados Unidos estão na frente do movimento de decadência ocidental. Por isso é que surgiu o fenómeno de Donald Trump, que é uma tentativa desesperada (e quase patética) de travar (sem sair do sistema político existente) o que parece ser inevitável: o desabar da cultura antropológica que sustenta o sistema político. A propriedade privada e as convicções religiosas começam a ser colocadas em causa nos Estados Unidos através do judicialismo que substitui a política:

13.000 dollars d’amende pour un couple de fermiers américains qui refuse d’accueillir un « mariage » homosexuel

Os Estados Unidos de Obama e comandita representam hoje a frente de Esquerda internacional.

Quarta-feira, 23 Setembro 2015

O tráfico de crianças, a adopção de crianças por pares de invertidos e o “progresso da opinião pública”

 

O Partido Social Democrata e o CDS/PP são de esquerda; ou melhor dizendo: o Partido Social Democrata e o CDS/PP obedecem à Esquerda em matéria de costumes e de cultura antropológica . Isto significa que ou não existe Direita, ou a Direita está condenada à extinção.

O Partido Social Democrata e o CDS/PP aprovaram uma lei da adopção de crianças por pares de invertidos “leve”:

Ser filho de duas mães ou de dois pais é legalmente impossível em Portugal, mas a partir do próximo mês esta interdição será aligeirada. Os casais homossexuais vão ter o direito de partilhar as responsabilidades parentais, podendo qualquer um dos elementos do casal tomar decisões importantes sobre a vida da criança. Juristas afirmam que a lei é uma experimentação social do legislador, a quem faltou coragem para permitir a co-adopção.

Escrito a partir das propostas dos socialistas e da coligação PSD-CDS, o novo diploma, publicado no dia 7, permite que casais do mesmo sexo assumam as responsabilidades parentais quando a criança só tem uma filiação. Por outras palavras, quando foi adoptada por um progenitor (pai ou mãe), quando só tem mãe porque nasceu por procriação medicamente assistida com recurso a banco de esperma – realizada no estrangeiro porque em Portugal esta técnica é exclusiva a uniões heterossexuais – ou quando um homem recorre a uma barriga de aluguer no estrangeiro, prática proibida em Portugal”.

foi cesarianaRepare-se na narrativa dos me®dia: “ser filho de duas mães ou de dois pais é legalmente impossível em Portugal” — como se fosse possível realmente ser filho de dois pais ou de duas mães, legalmente ou não. Estamos no domínio da linguagem orwelliana; e o Partido Social Democrata e o CDS/PP aprovam. Estou seriamente a ponderar votar no PNR.

Um par de gays vai à Tailândia, por exemplo, e aluga a barriga de uma mulher. E o Partido Social Democrata e o CDS/PP aprovam o tráfico de crianças, porque depois de a criança nascida concedem um prémio ao par de gays: a “co-adopção suave”. O Partido Social Democrata e o CDS/PP não legalizam as “barrigas de aluguer”, mas aceitam que o alugueres das barrigas sejam feitos no estrangeiro. Isto é uma hipocrisia que pede meças ao Bloco de Esquerda.

Naturalmente que para conceder a “co-adopção suave” por pares de invertidos, o Partido Social Democrata e o CDS/PP tinham que afastar a influência dos avós (biológicos, obviamente) em relação à criança. A estratégia subjacente ao Partido Social Democrata e ao CDS/PP é a do sapo em água morna:

“Vários estudos biológicos demonstram que um sapo colocado num recipiente com a mesma água de sua lagoa, fica estático durante todo o tempo em que aquecemos a água, mesmo que ela ferva. O sapo não reage ao gradual aumento de temperatura (mudanças de ambiente) e morre quando a água ferve. Inchado e feliz”.

Terça-feira, 19 Maio 2015

William Patrick Hitler e a Constança

 

williamhitler-webNo período que antecedeu e durante a II Guerra Mundial, quase todos os meios de comunicação social no Ocidente — leia-se, “mundo anglófono” — publicavam notícias amiúde sobre um dos sobrinhos de Adolfo Hitler, de seu nome William Patrick Hitler.

William fez furor naquela época por ter assumido uma posição contra o seu tio, e por ter emigrado para os Estados Unidos onde se alistou no exército americano, embora já no fim da guerra.

Não havia evento social importante nos Estados Unidos a que William Patrick Hitler não fosse convidado, e tinha mesmo acesso às festas na Casa Branca de Roosevelt. O sobrinho de Hitler, para além de ser famoso, vivia principescamente não só à custa das entrevistas e conferências pagas que dava, da publicação de um livro best-seller sobre a sua vida pessoal com Hitler, mas também era pago pela propaganda institucional e política americana contra o regime nazi. William Patrick Hitler era tão conhecido na opinião pública americana daquela época como o é hoje um actor de Hollywood que esteja na moda.

Quando a Guerra Mundial acabou, William Patrick Hitler “varreu-se” não só dos me®dia como da memória da opinião pública.

De um dia para o outro, na sequência das comemorações do fim da guerra nas ruas de Nova Iorque, o sobrinho de Hitler viu-se no quase completo anonimato. Foi como se a sociedade americana em geral operasse uma catarse em relação a determinados factos e notícias populares durante o período de tensão política e social que caracterizaram a II Guerra Mundial. William Patrick Hitler acabou por morrer na miséria e totalmente anónimo em 1987; nunca mais ninguém falou dele, nem sequer para dar a notícia da sua morte.


Se quem escreveu isto tivesse lido alguma coisa de História e de filosofia para além do que se aprende na escola, não o teria escrito. A concepção da figura da “Constança” que alegadamente tira partido da “memória digital” para conseguir um emprego, só revela o desconhecimento da natureza humana próprio de uma juventude prometaica e auto-convencida que usa e abusa da retórica ad Novitatem — de uma juventude com pouca humildade que se recusa a aprender com a experiência dos mais velhos, por exemplo, com os professores.

A “memória digital” que a autora se refere e que pretende ser uma novidade revolucionária e diferente de tudo o que memorizava o passado, é tão ilusória como a memória dos jornais que frequentemente falavam de William Patrick Hitler. Esses jornais existem ainda hoje para quem os quiser consultar, mas a verdade é 99,9% das pessoas nem sabe que eles existem, e apenas são objecto de interesse de historiadores, estudiosos e intelectuais académicos.

Daqui a cinco anos, a memória da Constança sobre o vídeo em que foi protagonista fará parte de uma realidade histórica insignificante porque a memória humana é selectiva, e porque a “memória digital” é apenas uma memória documental como qualquer outra, que pode ou não ter interesse histórico colectivo.

A ideia segundo a qual a História passará debruçar-se sobre a realidade da vida particular de cada um dos milhões de portugueses revela não só a estupidez de um nominalismo radical que infesta a nossa cultura, mas sobretudo revela a concepção absurda e prometaica de que um “gadget” tecnológico pode alterar a estrutura da natureza humana.

Sábado, 2 Maio 2015

Proibir as touradas em Portugal é um acto de violência que merece resposta violenta.

 

Quando um libertário defende a proibição das touradas, apetece-me logo mandá-lo para a prisão — porque partimos do princípio de que um libertário é amigo da liberdade. E mais grave é quando os libertários se apoiam na máxima de Goebbels segundo a qual “uma mentira mil vezes repetida acaba por ser verdade”: toda a gente sabe que o Estado não financia as touradas, mas aquela gentalha pretende aldrabar o povo seguindo à risca o princípio propagandístico nazi da “mentira credibilizada”.

O Ludwig Krippahl é burro todos os dias; mas parece que ele anda pelos meandros académicos, e se a academia estiver infestada por gentinha daquela laia, temos explicada a decadência da alta cultura em Portugal. Vou explicar por que razão o Ludwig Krippahl é burro, para que a invectiva não seja um mero ad Hominem.

“Mas não é a pertença à cultura que torna algo bom. É precisamente o contrário. O que queremos é incluir na nossa cultura aquilo que nos ajude a ser melhores seres humanos, individualmente e colectivamente. É por isso que vamos mudando a nossa cultura. Proibimos o trabalho infantil em favor da escolaridade obrigatória para as crianças. Proibimos a escravatura e consagramos na Constituição liberdades inalienáveis. Proibimos a discriminação e defendemos a igualdade de direitos para pessoas de todas as raças, credos e sexos. Em vez de alegar que a tourada merece um estatuto especial por fazer parte da nossa cultura, os defensores deste espectáculo teriam de demonstrar que a tourada merece fazer parte da nossa cultura. O que não conseguem porque a tourada é uma barbaridade cruel que até repugnaria a maioria dos aficionados se a vítima fosse outro animal qualquer que não aquele a cujo sofrimento o hábito os dessensibilizou.”

Vamos dissecar este cadáver ideológico.

O “progresso” da sociedade é visto (pelo Ludwig Krippahl) como uma lei da natureza. Só um burro como o Ludwig Krippahl poderia conceber o progresso como uma lei da natureza. Só podemos falar de “progresso” na ciência; em tudo o resto é burrice. Basta uma geração de bárbaros, por muito bem intencionados que sejam, para fazer alterar a lógica de qualquer  “progresso”.

Partindo do princípio de que “o progresso é uma lei da natureza”, o burro vulgar da academia tem a tendência em cair na retrofobia: fobia ou aversão a tudo o que seja antigo, clássico, ou tradicional. E para fundamentar a retrofobia, o burro académico compara ou coloca no mesmo nível de análise, por exemplo, a tourada e a escravatura.

Por outro  lado, o estereótipo do burro académico tende a conceber a “sociedade ideal”, pura e asséptica; e esta sociedade pura e asséptica passa alegadamente também pela proibição das touradas. Estamos aqui em uma espécie de sociedade ideal totalitária da “República” de Platão, em nome de uma concepção puritana da sociedade. Acreditam que a tourada é um mal, e que a sociedade portuguesa sem a tourada seria mais perfeita. O que está aqui em causa é a ideia abstrusa de que é possível uma sociedade caminhando progressivamente para a perfeição.

Por exemplo, o Brasil não tem a tradição da tourada, mas tem mais de 50 mil homicídios por ano; na Bélgica e na Holanda não há touradas, mas a eutanásia já deixou de ser voluntária e passou a ser compulsiva; as sociedades ditas “perfeitas” do norte da Europa — o modelo politicamente correcto dos burros académicos — condenam a tourada, mas consideram o aborto um “direito humano”.

Portanto, temos que partir racionalmente do seguinte princípio: não existem, nem nunca existirão, sociedades perfeitas, e o progresso não é uma lei da natureza.

Se considerarmos válido este princípio, poderemos começar a aprender alguma coisa. Por exemplo, podemos começar a fazer escolhas éticas que sustentem critérios racionais de positividade dos valores em uma cultura antropológica.

Por exemplo, eu prefiro viver em uma sociedade que não proíba as touradas mas que critique o aborto na cultura antropológica — porque considero a vida humana superior ao valor da vida de um boi (parece certo que, para o Ludwig Krippahl, um bovino é equiparável a um ser humano).

Prefiro viver em uma sociedade que não proíbe as touradas do que viver em um outro que as proíbe mas tem a pena-de-morte; ou prefiro viver em Portugal com as touradas do que viver na Bélgica com a eutanásia compulsiva e sem a concordância do idoso. Prefiro viver em Portugal em que a tourada é uma festa da família, do que viver na Holanda onde a família natural vai sendo destruída pelas elites políticas.

Uma sociedade sem tabus é um círculo quadrado. É impossível uma sociedade sem tabus. Por outro  lado, não é possível uma cultura antropológica sem defeitos: não existe (nem nunca existirá) uma sociedade perfeita. A ideia segundo a qual  é possível uma sociedade perfeita só pode vir de um lunático ou de um filho-da-puta que age na política.

Se uma sociedade não pode ser perfeita, temos que ter cuidado com a mudança de tabus e com as engenharias sociais e culturais. Podemos ter a pretensão de criar um “mundo melhor” estando a gerar uma futura sociedade monstruosa, e muitas vezes sem que tenhamos consciência disso.

Portanto, de uma vez por todas, deixem as touradas em paz — porque, de contrário, haverá violência. Proibir as touradas em Portugal é um acto de violência que merece resposta violenta.

Sexta-feira, 24 Abril 2015

O racismo cultural e as anti-touradas

O racismo já não é hoje a crença na desigualdade das raças, nem a hostilidade de princípio em relação a uma determinada categoria de seres humanos — tudo isso pertence ao passado; em vez disso, o racismo é hoje considerado pelo politicamente correcto, e pela classe política em geral, como qualquer forma de apego a um modo de vida específico, a uma paisagem natal, e a uma identidade particular.

A ideologia dominante actualmente é uma ideologia universalista (maçonaria) que condena no fogo da nova Inquisição qualquer forma de enraizamento cultural e patriótico. É uma ideologia que privilegia a mobilidade irracionalizada, o desenraizamento cultural e político, um novo nomadismo bárbaro, a aceitação do “novo” como sempre melhor do que o tradicional (falácia ad Novitatem), a precariedade como um valor supremo, a instabilidade pessoal como modo de vida.

O conceito actual de “racismo” já não tem a ver com a cor da pele: hoje é classificado de “racista” quem preza a sua cultura e as suas tradições, e quem gosta do seu país e da sua nação. Estes são os novos racistas.

O patriota, para além de ser considerado “racista”, é considerado pelo politicamente correcto como tendo uma natureza corrompida. Quando as pessoas simples do povo dizem que preferem conservar as suas tradições em vez de se submeterem a culturas estrangeiras, os ditos progressistas vêm a terreiro bradar que “o povo é egoísta  e xenófobo”. Ou seja, o povo é racista e corrompido, e há que substituir o povo português por outro povo qualquer.

O culto do mestiço é a inversão do culto nazi da pureza da raça: assim como, para o III Reich, o ariano era o modelo ideal, o mestiço é o modelo ideal da nova ideologia que — tal como os nazis tinham —  têm hoje uma obsessão com a raça, uma mesma sobrevalorização da importância dos factores rácico e étnico na evolução das sociedades humanas. O contrário do racismo passou a ser um racismo em sentido contrário.

É neste ambiente irracional que se situam o Ricardo Araújo Pereira e o Nuno Markl. Ser “anti qualquer coisa” passou a ser a norma. Segundo aquelas mentes anormais, as tradições portuguesas são racistas e/ou desumanas, e o povo tem uma natureza corrompida. Por isso há que acabar com este povo e arranjar outro povo para o substituir. Neste contexto, ser “anti-touradas” assume uma semelhante significação em relação a ser “anti-racista”. 

Quinta-feira, 5 Março 2015

O retorno da nossa cultura ao neolítico

Filed under: Europa — O. Braga @ 12:57 pm
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Para o cidadão comum é muito difícil compreender o que se está a passar com a nossa cultura (ocidental); e outros, não a compreendendo, pensam que alguns fenómenos culturais actuais são algo de “novo”.  Vejamos este caso:

“A esperança média de vida é cada vez maior, mas a população continua a crescer e os cemitérios a ficarem sobre-lotados. Se a cremação não é algo que lhe agrade, esta pode ser uma opção a ter em conta.

O projecto italiano Capsula Mundi quer desenvolver uma cápsula orgânica e biodegradável que transforma um corpo em decomposição em nutrientes para uma árvore.”

Gostava de ‘reencarnar’ numa árvore?

O que se está a passar hoje na nossa cultura antropológica (principalmente na Europa) não é apenas um retorno a um monismo: é sobretudo um retorno cultural às religiões do neolítico da mãe-terra.

A questão do sentido (da vida) está na base não só das religiões propriamente ditas, mas também das religiões políticas. Ao longo de dois milhões de anos da Pré-história da humanidade, os nossos antepassados aperceberam-se da sua especificidade no contexto do mundo orgânico que os rodeava.  Aquilo que designamos hoje de “sentido” (da vida) passou-se a exprimir claramente a partir do homo sapiens, em experiências momentâneas indistintas, no medo e na esperança; e fenómenos deste tipo eram sempre acompanhados por rupturas da vida  ou de situações-limite.

A partir do paleolítico médio tornou-se claro que os vestígios de enterros rituais revelavam que a morte tinha que ser superada religiosamente, como aliás continua a acontecer hoje embora com uma hermenêutica diferenciada pelo Cristianismo. Ou seja, desde muito cedo verificaram-se “ritos de passagem” que configuravam religiosamente a vida.

(more…)

Terça-feira, 20 Janeiro 2015

O piropo e os alienados de Lisboa

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 9:25 pm
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“O discurso da criminalização do piropo não me representa, nem como mulher, nem como penalista. Prefiro que se reflicta sobre a educação que estamos a dar aos nossos filhos e filhas. Prefiro que se reflicta sobre a representação da mulher na literatura, no cinema, nas artes, na publicidade. Prefiro que se façam campanhas de sensibilização.

Não podemos criminalizar tudo o que nos desagrada. Tudo o que seja de mau gosto, feio ou ordinário. Uma Maria Capaz não resolve todos os seus problemas gritando pelo irmão mais velho e mais forte, que é como quem diz, criminalizando. Entre nós, haveremos certamente de encontrar formas mais criativas – e, na minha opinião, eficazes – para erradicar a cultura do machismo lusitano.”

Inês Ferreira Leite

Eu sublinhei acima o que me interessa para este verbete.

Uma sociedade em que não existe uma certa dose saudável de machismo não se consegue defender. Repare-se: machismo saudável, o que significa que o machismo não é necessariamente mau. A  sociedade idealizada pela Inês é uma sociedade indefesa em nome de uma abstracção do conceito de igualdade — existe nessa sociedade utópica um divórcio entre a realidade e a ideia de igualdade.

Quem critica o piropo vive em Lisboa.

Quem critica o piropo nunca viveu em uma aldeia ou vila de Portugal, onde o piropo é uma forma de comunicação tão disseminada e vulgar que ninguém nota, e onde o piropo é feminino e masculino (do homem para a mulher, e vice-versa), porque as pessoas conhecem-se mais ou menos umas às outras, e por isso o piropo tem uma função de coesão cultural e social na comunidade — porque se tratam de comunidades, o que não é o caso de Lisboa. Lisboa significa a alienação da cultura portuguesa tradicional. E são os alienados culturais de Lisboa que pretendem criminalizar o piropo. É tempo de acabar com esta moda de fazer de Lisboa o paradigma nacional!

Não devemos confundir “piropo” com “bullying”.

Nas vilas e aldeias de Portugal também não se tolera o bullying. O que distingue o bullying do piropo é a intencionalidade percebida no primeiro através de códigos culturais bem estabelecidos — o que não acontece em Lisboa, onde os códigos de comunicação se dissolveram, ou existem apenas em pequenos grupos sociais. Nas comunidades, essa intencionalidade do bullying não é subjectiva — como acontece em Lisboa, onde cada um interpreta o piropo como quiser — mas antes tem a objectividade que a própria cultura comunitária lhe dá.

Nós, portugueses, estamos já cansados de levar com com essa Lisboa alienada pelas costas abaixo. Sugiro que se façam leis apenas para Lisboa, e deixem o país em paz e sossego.

Sexta-feira, 12 Dezembro 2014

O homem actual e a “autonomia mimética”

 

Thomas F. Bertonneau escreve um mini-ensaio sobre a cultura europeia actual:

Na sociedade moderna e actual, a ideia de “autonomia” já não se baseia no conceito kantiano de autonomia, mas antes é apenas e só a autonomia do desejo (individual) entendido em si mesmo, assumindo a forma de uma crise mimética1 em constante expansão que dissolve todas as diferenças e faz com que cada um seja simultaneamente o modelo do outro e o seu rival.

Na crise actual, a Europa da ditadura do politicamente correcto vai regredindo em direcção a um momento pré-humano de que só sairá quando as elites politicamente correctas impuserem necessariamente um novo tabu total e avassalador2 .

Notas
1. (“autonomia mimética”; o modelo de “autonomia” que se copia dos outros, a cada instante, e que muda à medida em que o objecto do desejo e o modelo de desejo vão mudando)
2. (o novo totalitarismo, dissimulado mas brutal, que já se enxerga; um totalitarismo que oprime ferozmente em nome da “autonomia do desejo”).

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