perspectivas

Terça-feira, 15 Abril 2014

É preciso ter cuidado com as palavras que utilizamos

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 6:22 pm
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“Desmistificação” — ou o verbo desmistificar — é uma palavra inventada por Karl Marx e adoptada pelos marxistas, em geral. Portanto, não é suposto que seja utilizada em um blogue que defenda a tradição monárquica.

Sábado, 5 Abril 2014

A Europa que a Esquerda pretende construir

Filed under: Europa — orlando braga @ 7:51 pm
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a ruina da cultura web

Quinta-feira, 3 Abril 2014

¿Como se explica o arquétipo mental de Isabel Jonet?

 

É evidente que Isabel Jonet é mulher e sobretudo mãe.

isabel jonet webAs mulheres têm (estou a fazer um juízo universal) uma maior eficácia na acção comunitária e na acção política local, quando comparadas com os homens. Quando eu vejo uma mulher candidatar-se a uma autarquia, penso seriamente em votar nela. O nível de acção política das mulheres é diferente da dos homens — o que não significa que “diferença” seja sinónimo de “hierarquia”, como pensa a Esquerda.

Portanto, é evidente que as mulheres têm uma forma de ver o mundo diferente da dos homens (continuo a falar em termos de juízo universal). Essa diferença não significa “inferioridade” das mulheres, ao contrário do que a Esquerda e os neoliberais pensam.

Sendo que a mulher é naturalmente melhor talhada para a acção política comunitária, tende a construir padrões de raciocínio estruturados a partir da experiência própria colhida na acção comunitária. Uma pessoa que age na comunidade tem necessariamente um pensamento concreto (pragmatismo) e tende a colocar as abstracções em um segundo plano.

Por isso, aquilo que a Isabel Jonet pensa acerca dos desempregados e das redes sociais baseia-se em uma experiência concreta da mulher Isabel Jonet enquanto agente de uma determinada instituição comunitária que funciona em um determinado âmbito social e em um contexto geográfico restrito (área de Lisboa).

Segue-se que a opinião de Isabel Jonet acerca da relação entre desempregados e redes sociais é também um juízo universal que, em aparente contradição, não pode ser extrapolável para todo o nosso país — mas antes é um juízo universal restrito a um determinado contexto social e geográfico, juízo esse que é marcado pela experiência pessoal de alguém (Isabel Jonet) que se preocupa com o concreto e relega o abstracto para segundo plano das suas preocupações.

Ou seja, Isabel Jonet fala daquilo que ela conhece pessoalmente, da sua experiência própria no âmbito da sua (dela) acção comunitária.

Ora, aquilo que é evidente (por exemplo, a diferença entre o homem e a mulher) é hoje alvo de ocultação cultural premeditada e propositada pelo politicamente correcto. E por isso é que Isabel Jonet é atacada pelos me®dia, pela Esquerda e também pelos neoliberais: em nome da “igualdade” entre o homem e a mulher, atacam a idiossincrasia feminina! Estranha forma de defender a “igualdade”!

Sexta-feira, 28 Fevereiro 2014

O problema da natalidade e a classe política

 

O governo do Partido Social Democrata e do CDS/PP criou uma comissão para estudar o problema da baixa natalidade em Portugal.

pai e maeOuvi ontem a opinião de Manuela Ferreira Leite na TVI24 acerca deste assunto e fiquei com um mau presságio acerca desta comissão governamental — aliás, ultimamente tenho andado em desacordo com Manuela Ferreira Leite, porque me parece que ela reduz toda a realidade à economia (quando lhe convém): por um lado, ela fala de “valores” quando se refere ao respeito que se deve ter em relação às pessoas idosas; mas, por outro lado, já diz que a razão pela qual a natalidade baixou é a de que “a vida está difícil”, mesmo sabendo que antes da crise de 2008, a natalidade já evoluía em baixa. Manuela Ferreira Leite tem que se convencer que a natalidade também é uma questão de “valores”.

Em dez anos de adesão ao Euro, a classe política destruiu valores essenciais que sub-jazem à família que, por sua vez, é a verdadeira base da natalidade que garante o futuro da sociedade.

Em primeiro lugar, a classe política baniu a representação protocolar da Igreja Católica nas cerimónias do Estado. Trata-se apenas de um símbolo, mas que tinha um significado societário profundo, uma vez que a Igreja Católica é defensora da família natural e dos valores do Direito Natural contra o aborto. Mas a classe política em geral preferiu ceder à aliança entre a esquerda radical e a maçonaria, banindo a Igreja Católica do protocolo do Estado.

foi-cesarianaDepois, a classe política instituiu o “divórcio sem culpa e na hora”. Divorciar passou a ser tão fácil quanto beber um copo de água, e as crianças e as mulheres mães foram as mais prejudicadas. Mais uma vez, a classe política cedeu à aliança entre a esquerda radical e a maçonaria. É óbvio que em uma situação em que o homem é irresponsabilizado por lei, as mulheres tendem a não ter filhos e a alimentar o negócio do aborto. A lei do “divórcio sem culpa e na hora” é — esta sim! — uma lei sexista e que apenas beneficia o homem irresponsável.

Logo a seguir, a classe política legaliza o “casamento” gay — mais um prego no caixão da natalidade! O símbolo cultural da instituição do casamento continuava a ser destruído pela classe política, que mais uma vez cedeu ao jacobinismo, comum à esquerda radical e à maçonaria. A partir daqui, não há dinheiro nem economia forte que faça recuperar o simbolismo cultural perdido (a não ser por via de uma ditadura qualquer). É o futuro da democracia que está hoje em perigo, e foi esta classe política presentista e irresponsável, que se diz “democrática”, que colocou a democracia em rota de colisão com a realidade.

A seguir, a esquerda radical aliada à maçonaria preparam-se para legalizar a adopção de crianças por pares de invertidos, a procriação medicamente assistida fora do núcleo familiar, as “barriga de aluguer” e o tráfico de crianças. É a cereja no topo do bolo da destruição da família natural e a redução da natalidade a uma espécie de “capricho do indivíduo” — quando anteriormente a co-responsabilização em relação aos filhos paridos pela mulher era um dever assumido pelo homem.

Neste contexto, ¿que sentido faz uma comissão governamental para estudar o problema da baixa natalidade em Portugal? Nenhum, porque os sinais que a classe política — incluindo o CDS/PP e o Partido Social Democrata — passam para a sociedade são contraditórios (estimulação contraditória).

Domingo, 23 Fevereiro 2014

Armando Leandro deve ser sumariamente afastado das suas funções públicas

Filed under: Política,politicamente correcto — orlando braga @ 12:20 pm
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Armando Leandro foi aquele personagem que defendeu a retirada do filhos de Liliana Melo para adopção, alegadamente porque a mãe é pobre. Ora, é uma besta destas — que defende que os filhos devem devem ser retirados à mãe porque ela é pobre — que vem agora com um pensamento circular acerca das touradas: toma a premissa como a própria conclusão do seu raciocínio:

1/ As touradas fazem mal às crianças;

2/ Temos que averiguar as consequências das touradas nas crianças;

3/ E, depois, proibir a assistência das touradas por crianças, porque as touradas fazem mal às crianças.

O relatório da ONU que fundamenta a argumentação circular de Armando Leandro foi elaborada pelo alemão Franz Weber, que já se esqueceu do que os seus pais e avós fizeram a 6 milhões de judeus nos campos de concentração nazis, e incluindo milhões de crianças. É um filho/neto de um qualquer nazi que vem agora ditar ordens em Portugal e dar opiniões de como os portugueses devem lidar com as suas crianças.

Trata-se de uma tentativa de inversão dos tabus da nossa cultura antropológica.

É esta gente, que defende a adopção de crianças por pares de invertidos, que uma criança pode ter duas mães ou dois pais, que defende a legalização das “barriga de aluguer”, a procriação medicamente assistida para toda a gente, o tráfico internacional de crianças, etc. — que tenta agora branquear a sua imagem pútrida distraindo a atenção da opinião pública para ninharias como esta.

Segunda-feira, 17 Fevereiro 2014

A adopção de crianças por pares de invertidos e a ideologia de género

 

Não há ainda histórico estatístico e científico, e por isso procede-se com toda a pressa, antes que as estatísticas apareçam e revelem cientificamente a realidade. A esperança é que se faça uma história que seja irrevogável; que a imposição da ideologia à realidade seja permanente; que uma psicose colectiva passe a fazer parte da normalidade.

1984 webQuando aparecerem as primeiras estatísticas sólidas e fidedignas, as anomalias irão então ser consideradas normais — porque a história já foi feita e é considerada irrevogável: quando a anomalia passa a ser a regra, as excepções à regra passam a ser anomalias.

A visão da realidade é hegeliana: tudo o que seja a negação do “progresso dialéctico” (mesmo que este “progresso” seja produto da vontade exclusiva de um pequeno grupo ou de uma elite) não é tolerável, porque se parte do princípio de que o progresso é uma lei da natureza — mesmo que o “progresso” seja imposto à Natureza e à revelia da Lei Natural.

O Direito transforma-se, assim, na sua negação. Mas como o Direito Negativo também vai fazer parte da história, não poderá ser invalidado, porque não se pode invalidar o “processo histórico” hegeliano. O “processo histórico” é a garantia do “progresso da moral” (e do “progresso da lógica”, porque, alegadamente, “a lógica evolui”); e a moral, sendo substituída pelo Direito Positivo, poderá passar a ser não importa o que for decidido pelo Poder de fazer as leis arbitrárias.

O legal passa não só a ser legítimo, como passa a deter o exclusivo da legitimidade; e passa também a substituir a ética — qualquer ética que não coincida com os valores da arbitrariedade do Direito. A ética passará a emanar exclusivamente dos tribunais e à revelia de qualquer ciência. Para garantir que a substituição da realidade pela ideologia não seja colocada em causa, será então construído um eficaz pan-óptico cultural.

Domingo, 16 Fevereiro 2014

O silêncio dos defensores portugueses da eutanásia

 

A notícia segundo a qual a Bélgica legalizou a eutanásia para crianças sem qualquer limite de idade, foi recebida com um silêncio de morte por parte dos defensores portugueses da eutanásia, na sua maioria da esquerda maçónica, mas também do Bloco de Esquerda e de uma certa “direita” libertária. Não vi nada escrito sobre o assunto, e não sei explicar esse silêncio senão pelo total absurdo que a eutanásia de crianças implica.

bandeira belgaPerante os critérios de inimputabilidade moral e jurídica que o Direito contempla o estatuto da criança, estamos, atónitos, perante uma contradição fundamental que roça a irracionalidade mais abjecta: por um lado, as crianças não podem ser juridicamente e moralmente responsabilizadas se cometerem um acto de assassínio; mas, por outro lado, já podem ser juridicamente e moralmente responsáveis para decidirem a sua própria morte. O legislador belga não responsabiliza (integralmente) as crianças se estas atentarem contra a integridade física de outrem, por um lado; mas, por outro lado, dá às crianças liberdade total para atentarem contra a sua própria integridade física.

Como escreveu Christian Vanneste, a esquerda europeia e maçónica (com o beneplácito da “direita” libertária, acrescento eu) desistiu das reformas no âmbito da economia e passou à revolução da moral — nomeadamente através da inversão e perversão dos tabus tradicionais na esfera da família e da concepção da pessoa. Essa inversão, maçónica, esquerdista, alegadamente “libertária” e perversa, dos tabus, passa pela exaltação da autonomia individual mas sempre desprovida de qualquer culpa: é um sistema que permite a eutanásia de crianças inocentes de 12 anos, por exemplo, mas já não permite a punição da culpa de um adolescente de 17 anos.

Estamos a lidar com uma classe política perversa e próxima da “loucura” aqui entendida em termos do senso-comum. Esta gente é louca, e como tal deve ser tratada. Não devemos dar um “palmo de terreno” à maçonaria, por exemplo: essa gentalha deve ser combatida sem quartel e através de todos os meios considerados adequados.

Quarta-feira, 12 Fevereiro 2014

A Bélgica prepara uma lei para assassinar crianças

Filed under: ética — orlando braga @ 7:32 am
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Segunda-feira, 10 Fevereiro 2014

Petição de apoio à Santa Sé

 

A ONU tem vindo a atacar a Igreja Católica, exigindo que esta aceite o aborto e o ensino da promiscuidade sexual nas escolas. Assine a petição (em português) de apoio à Santa Sé, aqui.

defend Vatican at UN

Sábado, 8 Fevereiro 2014

Sobre a entrevista de ontem do Patriarca de Lisboa, D. Clemente, à TVI 24

 

Dom clementeOntem estava a ver a entrevista com o Bispo D. Manuel Clemente ou Manuel III, no canal TVI 24, e o entrevistador Paulo Magalhães ficou meio atónito (atordoado) quando o Patriarca de Lisboa disse uma coisa simples e óbvia: “devemos tratar as situações diferentes de forma diferente”. O Bispo referia-se ao “casamento” gay e à adopção de crianças por pares de invertidos, dizendo que o conjunto composto de duas pessoas do mesmo sexo não é a mesma coisa que um conjunto composto por um homem e uma mulher.

Isto parece ser evidente, pelo menos para mim. ¿Mas será que é evidente para toda a gente?

O entrevistador ficou “atónito” porque a ideia que passa em uma certa sub-cultura lisboeta (impregnada pelos me®dia) é a de que “devemos tratar as situações diferentes de forma igual”, fazendo assim dissipar quaisquer diferenças provenientes da dimensão do real. Esta noção é auto-contraditória, porque a “igualdade” assume aqui uma representação de “diferença”: tratando situações diferentes de forma igual, assumimos então a nossa diferença em relação ao conceito de “igualdade”.

Estamos em presença de uma ideologia igualitarista a que o entrevistador não pôde escapar sob pena de ser ostracizado no seu meio cultural (espiral do silêncio); e perante esta ideologia igualitarista, somos obrigados a recorrer à experiência intersubjectiva, à evidência dos factos e mesmo à metafísica para podermos demonstrar que um conjunto composto de duas pessoas do mesmo sexo não é a mesma coisa que um conjunto composto por um homem e uma mulher. Perante a ideologia, somos obrigados a demonstrar o que é óbvio e evidente; mas mesmo assim, não chega!

Uma ideologia não é uma simples teoria: antes, é uma doutrina que tende a cristalizar-se em dogma.

O problema da ideologia igualitarista é o de que constrói um sistema de racionalização, com uma coerência lógica interna própria de uma doutrina, mas faz essa construção (do sistema de racionalização) a partir de premissas erradas. E quando a experiência contradiz a aparente racionalidade que essa ideologia identifica com o real, a própria experiência do real torna-se praticamente intransmissível. A nossa experiência vivida do real esbarra sempre com a imagem abstracta e imagética do “real” que a ideologia defende, e o irreal — a ideologia, o mito — é mais forte que o real e torna este último invisível. Por assim dizer, a ideologia induz uma psicose colectiva.

Se um conjunto composto de duas pessoas do mesmo sexo não é a mesma coisa que um conjunto composto por um homem e uma mulher, ¿como podemos tratar de forma igual os dois conjuntos?! A não ser que, para algumas pessoas (que podem ser muitas), um conjunto composto de duas pessoas do mesmo sexo é, de facto, a mesma coisa que um conjunto composto por um homem e uma mulher; e assim pode ser possível defender a ideia segundo a qual devemos “tratar situações iguais de forma igual”.

Esta “irracionalidade racionalizada” da ideologia igualitarista parte (também) de um slogan: “todos diferentes, todos iguais”.

Mas este slogan tem origem no liberalismo clássico, e remete para a igualdade dos direitos fundamentais, e não para uma lógica política de construção sistemática e continuada de direitos “a la carte” — como se houvesse uma guerra na sociedade para ver quem tem mais direitos naturalmente adquiridos do que os outros. E é assim que a ideologia igualitarista destrói a lógica liberal da igualdade de direitos naturais fundamentais, fazendo com que as preferências culturais e comportamentais de um determinado grupo social se sobreponham à igualdade de direitos propriamente dita. A ideologia igualitarista transforma-se, assim, em uma ideologia discriminatória e injusta.

Segunda-feira, 27 Janeiro 2014

A União Europeia, o Euro e a natalidade portuguesa

 

O Alexandre Homem de Cristo comete aqui um erro que é useiro e vezeiro por parte de uma certa “intelectualidade” ocidental (não é só portuguesa): a ideia segundo a qual a baixa taxa de natalidade está directamente ligada à economia.

O que eu vou dizer a seguir não pode ser provado, mas estou convencido de que se o ordenado mínimo nacional fosse neste momento de 5.000 Euros mensais e a taxa de desemprego fosse de 3 ou 4%, a taxa de natalidade portuguesa não aumentaria significativamente por isso. Aliás, temos o exemplo da Alemanha que demonstra o que eu quero dizer. Portanto, olhar para as “experiências internacionais”, como se sugere, não levará a nada, porque essas “experiências internacionais” — maioritariamente do Ocidente — serão apenas paliativos que “empurram” o problema demográfico lá mais para diante no tempo.

A evolução demográfica alemã tem-se salvado por causa dos imigrantes (maioritariamente islâmicos) que não deixam de se reproduzir. Mas, mesmo assim, a taxa de natalidade alemã está longe daquela que se verifica em França também graças aos imigrantes. Porém, os imigrantes de segunda geração tendem a seguir os valores da cultura dominante, o que significa que a taxa de natalidade actual na Alemanha e em França serão “sol de pouca dura”.

Portanto, a experiência diz-nos que a taxa de natalidade não é uma questão de dinheiro: o problema é outro, bem diferente, e de tal forma grave e complexo que nem quero falar dele aqui para não ser condenado à fogueira do politicamente correcto.

“Há uma enorme diferença entre a França e a Alemanha, quando 650 a 680 000 jovens que entram no mercado de trabalho na França, há menos de 350 mil na Alemanha. Calculamos que a taxa de desemprego seria se a Alemanha tivesse a mesma dinâmica populacional França: teria 1,5, 2.000,000 desempregados a mais. Alemanha pode-se dar ao luxo de ter uma política que só é bem sucedida no curto prazo, pois é uma população em declínio. No entanto, os países que tão diferentes como a Alemanha e a França em demografia, com uma taxa de fertilidade de 1,6 em comparação com 2,05 – que é uma grande diferença – são forçados pelo euro a terem a mesma política económica.”

A União Europeia está a caminho de uma guerra quando procurava a paz.

O Referendo, o "Casamento" gay e adopção de crianças por pares de invertidos

 

Alguém colocou aqui o seguinte comentário:

“Caro Orlando,

Tenho acompanhado o seu percurso relativo ao referendo da adopção de pares homossexuais e, apesar de concordar e compreender a argumentação, gostaria de lhe apresentar o meu ponto de vista. Considero-o bem mais capaz que eu e por isso duvido que não tenha pensado no que lhe vou dizer. Dado isto, gostaria de saber o que o levou a rejeitar este raciocínio (para eu possa, eventualmente, abandona-lo).

Todas estas medidas, que vêm do marxismo cultural e do relativismo, tem, de forma mais rápida ou mais lenta, “entrado” sempre. Não existe nenhum partido que (efectivamente) se posicione contra isto. Se a ideia do PSD (seja juventude ou não) é decidir mediante a opinião da maioria, não referendariam antes a base do problema? O casamento em si. Eu vejo este referendo como foi o referendo do aborto. Se não passar hoje vão bombardear as pessoas com (des)informação e voltam a referendar. Eu sinto que este referendo é mais uma falta de respeito ao intelecto do cidadão de bem do que um acto democrático.



1/ O bom é inimigo do óptimo.

O ideal seria o óptimo, mas “a política é a arte do possível”. O “casamento” gay foi promulgado (em lei) em uma época em que o Partido Socialista tinha maioria no parlamento.

Reverter a lei do “casamento” gay só será possível se a sociedade estiver preparada para enfrentar a violência no espaço público por parte da esquerda. É uma situação que não se coloca neste momento, mas que estou convencido que é possível que se coloque no futuro, dependendo da evolução dos índices demográficos — porque o casamento é um símbolo social, antes de ser um mero contrato.

Portanto, referendar o “casamento” gay, neste momento, é impossível. É preciso que se demonstre empiricamente que o “casamento” gay é nefasto à sociedade, e isso pode demorar ainda alguns anos.

2/ A ideia segundo a qual o “casamento” gay é a base do problema, é falsa! E, mais grave, aceitar esse argumento é cair na retórica de quem pretende falsamente associar o casamento à adopção.

O casamento e a adopção são instituições diferentes.

Desde logo, o casamento envolve duas pessoas adultas (até ver!), ao passo que a adopção envolve um adulto e um menor — quem adopta é um indivíduo adulto em um determinado momento e não dois em simultâneo. Por isso é que a lei permite a adopção de uma criança por parte de um só indivíduo, embora em casos excepcionais.

Quando um casal adopta uma criança, essa adopção é “duplamente individual” (são os dois indivíduos, ela e ele, que adoptam), e não é feita enquanto casal. Não é o casal, enquanto tal, que adopta: é o homem e a mulher, enquanto indivíduos e nessa condição, que adoptam.

3/ O conceito liberal de “progresso da opinião pública”

O problema é o seguinte: ¿quem tem razão? Os que defendem a adopção de crianças por pares de invertidos ou os que são contra ela? Uns dizem que tem razão, e os outros também. Não há acordo possível e este problema não tem solução. Em princípio, este problema poderia ser resolvido através de uma guerra civil, em que os da outra parte seriam fuzilados e perseguidos politicamente.

Mas ¿teríamos a garantia, mesmo que ganhássemos essa guerra civil, de que uma ditadura seria o melhor caminho? Penso que não, porque ninguém pode conhecer o futuro.

A esquerda subverteu o liberalismo político e adoptou também o conceito de “progresso da opinião pública” que foi, em primeiro lugar, adoptado pelo liberalismo inglês do século XIX. O “progresso da opinião pública” baseia-se no princípio da persuasão (que nos vem da democracia grega): o povo não aceita uma determinada lei, mas vai sendo convencido ao longo do tempo — mesmo que essa lei seja péssima e sirva apenas o interesse de uns poucos, e até contribua para a destruição da sociedade.

A única forma racional de lutar contra o conceito liberal de “progresso da opinião pública” é, por um lado, esperar que as leis nefastas se demonstrem de facto nefastas em relação à sociedade, fazendo com que utilizemos o conceito liberal de “progresso da opinião pública” para as revogar mais adiante no tempo. E, por outro lado, é confiando na instituição do referendo e/ou do plebiscito, que é também uma forma de princípio para contrariar a arbitrariedade das leis promulgadas por uma minoria (a classe política).

O caminho alternativo é a instalação de uma ditadura. E ¿quem controla um tirano?

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