perspectivas

Quinta-feira, 5 Março 2015

O retorno da nossa cultura ao neolítico

Filed under: Europa — O. Braga @ 12:57 pm
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Para o cidadão comum é muito difícil compreender o que se está a passar com a nossa cultura (ocidental); e outros, não a compreendendo, pensam que alguns fenómenos culturais actuais são algo de “novo”.  Vejamos este caso:

“A esperança média de vida é cada vez maior, mas a população continua a crescer e os cemitérios a ficarem sobre-lotados. Se a cremação não é algo que lhe agrade, esta pode ser uma opção a ter em conta.

O projecto italiano Capsula Mundi quer desenvolver uma cápsula orgânica e biodegradável que transforma um corpo em decomposição em nutrientes para uma árvore.”

Gostava de ‘reencarnar’ numa árvore?

O que se está a passar hoje na nossa cultura antropológica (principalmente na Europa) não é apenas um retorno a um monismo: é sobretudo um retorno cultural às religiões do neolítico da mãe-terra.

A questão do sentido (da vida) está na base não só das religiões propriamente ditas, mas também das religiões políticas. Ao longo de dois milhões de anos da Pré-história da humanidade, os nossos antepassados aperceberam-se da sua especificidade no contexto do mundo orgânico que os rodeava.  Aquilo que designamos hoje de “sentido” (da vida) passou-se a exprimir claramente a partir do homo sapiens, em experiências momentâneas indistintas, no medo e na esperança; e fenómenos deste tipo eram sempre acompanhados por rupturas da vida  ou de situações-limite.

A partir do paleolítico médio tornou-se claro que os vestígios de enterros rituais revelavam que a morte tinha que ser superada religiosamente, como aliás continua a acontecer hoje embora com uma hermenêutica diferenciada pelo Cristianismo. Ou seja, desde muito cedo verificaram-se “ritos de passagem” que configuravam religiosamente a vida.

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Terça-feira, 20 Janeiro 2015

O piropo e os alienados de Lisboa

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 9:25 pm
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“O discurso da criminalização do piropo não me representa, nem como mulher, nem como penalista. Prefiro que se reflicta sobre a educação que estamos a dar aos nossos filhos e filhas. Prefiro que se reflicta sobre a representação da mulher na literatura, no cinema, nas artes, na publicidade. Prefiro que se façam campanhas de sensibilização.

Não podemos criminalizar tudo o que nos desagrada. Tudo o que seja de mau gosto, feio ou ordinário. Uma Maria Capaz não resolve todos os seus problemas gritando pelo irmão mais velho e mais forte, que é como quem diz, criminalizando. Entre nós, haveremos certamente de encontrar formas mais criativas – e, na minha opinião, eficazes – para erradicar a cultura do machismo lusitano.”

Inês Ferreira Leite

Eu sublinhei acima o que me interessa para este verbete.

Uma sociedade em que não existe uma certa dose saudável de machismo não se consegue defender. Repare-se: machismo saudável, o que significa que o machismo não é necessariamente mau. A  sociedade idealizada pela Inês é uma sociedade indefesa em nome de uma abstracção do conceito de igualdade — existe nessa sociedade utópica um divórcio entre a realidade e a ideia de igualdade.

Quem critica o piropo vive em Lisboa.

Quem critica o piropo nunca viveu em uma aldeia ou vila de Portugal, onde o piropo é uma forma de comunicação tão disseminada e vulgar que ninguém nota, e onde o piropo é feminino e masculino (do homem para a mulher, e vice-versa), porque as pessoas conhecem-se mais ou menos umas às outras, e por isso o piropo tem uma função de coesão cultural e social na comunidade — porque se tratam de comunidades, o que não é o caso de Lisboa. Lisboa significa a alienação da cultura portuguesa tradicional. E são os alienados culturais de Lisboa que pretendem criminalizar o piropo. É tempo de acabar com esta moda de fazer de Lisboa o paradigma nacional!

Não devemos confundir “piropo” com “bullying”.

Nas vilas e aldeias de Portugal também não se tolera o bullying. O que distingue o bullying do piropo é a intencionalidade percebida no primeiro através de códigos culturais bem estabelecidos — o que não acontece em Lisboa, onde os códigos de comunicação se dissolveram, ou existem apenas em pequenos grupos sociais. Nas comunidades, essa intencionalidade do bullying não é subjectiva — como acontece em Lisboa, onde cada um interpreta o piropo como quiser — mas antes tem a objectividade que a própria cultura comunitária lhe dá.

Nós, portugueses, estamos já cansados de levar com com essa Lisboa alienada pelas costas abaixo. Sugiro que se façam leis apenas para Lisboa, e deixem o país em paz e sossego.

Sexta-feira, 12 Dezembro 2014

O homem actual e a “autonomia mimética”

 

Thomas F. Bertonneau escreve um mini-ensaio sobre a cultura europeia actual:

Na sociedade moderna e actual, a ideia de “autonomia” já não se baseia no conceito kantiano de autonomia, mas antes é apenas e só a autonomia do desejo (individual) entendido em si mesmo, assumindo a forma de uma crise mimética1 em constante expansão que dissolve todas as diferenças e faz com que cada um seja simultaneamente o modelo do outro e o seu rival.

Na crise actual, a Europa da ditadura do politicamente correcto vai regredindo em direcção a um momento pré-humano de que só sairá quando as elites politicamente correctas impuserem necessariamente um novo tabu total e avassalador2 .

Notas
1. (“autonomia mimética”; o modelo de “autonomia” que se copia dos outros, a cada instante, e que muda à medida em que o objecto do desejo e o modelo de desejo vão mudando)
2. (o novo totalitarismo, dissimulado mas brutal, que já se enxerga; um totalitarismo que oprime ferozmente em nome da “autonomia do desejo”).

Domingo, 7 Dezembro 2014

É da Joana: quer acabar com os piropos por causa das apalpadelas e da perseguição persistente

 

Um artigo no jornal Púbico, assinado por uma tal Joana Gorjão Henriques, coloca no mesmo saco o piropo, as apalpadelas nos transportes públicos, e o stalking (perseguição persistente). Seria como se defendesse a restrição da liberdade de expressão porque existem discursos de ódio que podem levar à violência física. Será que a Joana pensa, ou anda com o penso?

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Sábado, 6 Dezembro 2014

A origem da família, da propriedade e do Estado — Engels (parte 1)

 

engels1/ Qualquer observador atento que veja como a instituição da família está a ser tratada pela política europeia, não pode deixar de verificar a influência das ideias de Engels na cultura política actual. Engels escreveu um livrinho a que deu o nome de “A origem da família, da propriedade e do Estado” [a minha edição é da Editorial Presença, 1976], e este opúsculo marcou indelevelmente aqueles que hoje assumem cargos políticos em Portugal — desde Passos Coelho, que militou na Juventude Comunista, até ao José Pacheco Pereira que, como sabemos, diz que foi maoísta mas já não é.

Se repararmos bem, todo o esforço político da União Europeia actual, na área da família, vai no sentido de valorar politicamente e refundar, na cultura antropológica, a família sindiásmica segundo o conceito de Engels. Não se quer com isto dizer que a família sindiásmica de Engels seja transposta literalmente para a actualidade, porque isso seria impossível: o que quer dizer é que as características fundamentais da família sindiásmica formatam as políticas de família, não só em Portugal como na União Europeia.

2/ Engels pretendeu dar ao seu livro citado um cariz científico; porém, mais não fez do que citar Antropólogos do século XIX, como por exemplo Morgan ou Espinas; e depois enviesa as conclusões desses Antropólogos (conclusões muitas vezes incorrectas do ponto de vista científico) para lhes dar uma forte tonalidade ideológica-política.

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Terça-feira, 16 Setembro 2014

¿Pretende o Estado criar PPP (Parcerias Público-privadas) na cultura?

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 10:03 am
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Discute-se a se o Estado deve subsidiar a “cultura”.

O ideal seria que existisse um mercado de alta cultura em Portugal, para que o Estado não impusesse taxas a todos os cidadãos para subsidiar a cultura; mas esse mercado não existe de facto; as livrarias, por exemplo, “estão às moscas”; e quando existiram arroubos de mercado livreiro, por exemplo, (no tempo das vacas gordas), eram para comprar os romances rombudos da Margarida Rebelo Pinto.

Portanto, a discussão está inquinada, porque a cultura não está na moda e a moda “virou” cultura. Não existe uma tradição de alta cultura. Se nos baseamos apenas no “mercado da cultura” que existe, esta resume-se às telenovelas da SIC em que há sempre um gay de serviço, e pouco mais.

E a situação tende a piorar: com o Acordo Ortográfico, o valor da língua decresce, passamos a ter uma gama baixa da língua — que dizem eles “ser acessível a toda a gente” — e deixamos de ter acesso à gama alta do mercado da língua que vai paulatinamente desaparecendo. O Acordo Ortográfico significa o filistinismo aplicado à literatura portuguesa e à cultura em geral: Portugal transforma-se num imenso Brasil.

conjunto maria albertinaImpõem-se perguntas: ¿o que é que o Estado pretende subsidiar com o dinheiro dos nossos impostos? O filistinismo cultural? Os romances de gama baixa da Margarida Rebelo Pinto? A música Pimba? As rendas fixas e vitalícias de alto coturno de artistas que já não produzem nada?

Pretende o Estado criar PPP (Parcerias Público-privadas) na cultura?

Eu percebo que o Estado subsidie, por exemplo, a ópera no Teatro de S. Carlos, ou o Teatro de S. João, ou recitais de piano na Gulbenkian ou no CCB — porque é um tipo de cultura de gama alta a que a tradição portuguesa não está vinculada. Educar o povo pode ser subsidiar gente com qualidade.

Para a cultura sem qualidade, existe o mercado sem qualidade do cidadão sem qualidade. Para a cultura sem qualidade existe o baile da aldeia com o Conjunto António Mafra. Pôr o povo a pagar impostos para subsidiar, por exemplo, a canção do Pito da Maria, é transformar o filistinismo em alta cultura. É isto que Passos Coelho e a Esquerda estão a fazer, mas também não poderíamos esperar deles outra coisa.

Quinta-feira, 1 Maio 2014

As elites modernas inverteram os mitos das sociedades primitivas

Filed under: Europa — O. Braga @ 4:27 pm
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A genialidade satânica do marxismo consiste no facto de se ter aproveitado dos mitos religiosos intemporais, e distorcendo-lhes o sentido, criou em seu lugar um mito exclusivamente imanente, materialista e terrestre.

Por exemplo, a “purificação do universo pela matança” é uma ideia mitológica que sempre existiu em muitas sociedades pré-cristãs, através de vários tipos de religiosidade, incluindo a religião dos Mistérios que marca e sempre marcou a maçonaria — seja uma maçonaria “cristianizada” (por exemplo, a maçonaria escocesa dos séculos XIII e XIX) ou pagã (a maçonaria napoleónica e iluminista, ou a actual maçonaria europeia, em geral).

O mito trágico da “purificação do universo pela matança” é velho como a humanidade: por exemplo, a celebração religiosa e mítica da gesta de Marduk e de Tiamat.

Este mito (o da “purificação do universo pela matança”) foi sendo distorcido pelo movimento revolucionário ao longo de séculos, até que Engels e Marx lhe deram a forma actualizada, retirando-lhe o aspecto cosmogónico que detinha na Antiguidade, e tornando-o em uma componente de uma religião política materialista e destituída de qualquer componente cosmológica. Esta redução do mito cosmogónico original a uma realidade chã e exclusivamente terrena, por um lado, e, por outro lado, o lucubro de uma realidade em que o ser humano é o centro e o símbolo absoluto da acção humana (e já não a cosmogonia em si mesma, que era o centro da atenção religiosa primitiva); este antropocentrismo prometaico que o marxismo condensou, distorcendo os fundamentos de mitos ancestrais — está na base do mito marxista da “purificação do mundo pela matança dos ricos”, de que fala aqui o Olavo de Carvalho.

O mito iluminista (Rousseau: “o bom selvagem”), e marxista do “retorno da humanidade a uma Era de pureza originária”, são também uma deturpação do mito antigo da celebração cíclica da cosmogonia através da invocação dos modelos exemplares dos Antepassados Míticos, no neolítico. É neste sentido que se pode dizer que a cultura da elite ocidental tende para uma emulação distorcida do neolítico, embora deturpando-lhe e distorcendo-lhe os símbolos.

Não se trata, na actualidade, de uma cópia do mito de Adão e Eva e do Paraíso, tal qual era entendido pelo Judaísmo e pelo Cristianismo; não se trata, hoje, da celebração dos modelos exemplares dos Antepassados Míticos das sociedades mais primitivas — porque ambos os mitos (o de Adão e Eva, e o dos modelos exemplares dos Antepassados Míticos das “sociedades arcaicas”) reconheciam e aceitavam a “queda ontológica” do ser humano, sendo que a evocação do mito servia apenas para que o homem se sentisse “mais perto” dos deuses, ou de Deus (no caso do monoteísmo).

Do que se trata, no mito actual, é de uma inversão do mito originário, em que o objecto mitológico deixou de ser a cosmogonia (a criação do universo), e passou a ser exclusivamente o ser humano dissociado do Cosmos e de qualquer ontologia originária — mantendo-se, contudo, o conceito original de “purificação do universo pela matança”, embora agora destituído de qualquer significado e simbolismo cosmogónico.

É nisto que consiste a perversidade satânica indizível do Iluminismo em geral, e do marxismo em particular: a ruptura radical em relação ao conceito ontológico de “ser humano inserido no Cosmos” (com tudo o que isso implica).

Segunda-feira, 28 Abril 2014

Ser de Esquerda é estar na moda

 

boca-de-sinoLembram-se das “botas à Beatle” da década de 1960 ou das “calças à boca-de-sino”?

Os jovens que não as usassem não estavam na moda, e por isso teriam uma maior dificuldade de integração na roda de amigos. As modas são criadas pelas elites — por exemplo: as “botas à Beatle” foram criadas pelo grupo musical The Beatles, e as calças “à boca de sino” tornaram-se populares na década de 1960 e de 1970 por intermédio dos grupos musicais que também estavam na moda.

Ou seja, as modas aparecem em primeiro lugar na elites sociais, e através de um efeito cultural de Trickle-down (definido pelo filósofo Georg Simmel no princípio do século XX), estendem-se a toda a sociedade. ¿Toda?! Não! Quase toda; porque, como nas histórias do Astérix, há sempre um grupo de gauleses que resiste ao império da moda.

 

A Inês Teotónio Pereira escreve o seguinte:

“Se eu fosse de esquerda a minha vida seria muito mais simples. Ser de esquerda é ser boa pessoa e eu gostava que toda a gente me considerasse boa pessoa – ninguém duvidaria das minhas boas intenções mesmo que eu tivesse como sol o regime da Coreia do Norte. Mas quis o destino que eu gostasse mais dos mercados do que de Hugo Chávez e isso trama-me a vida. Não tenho credibilidade em matéria de bondades. É injusto.”

singularidades da nossa revoluçãoOra, acontece que “gostar de mercados” nem sempre esteve na moda da Direita — porque a Direita também esteve na moda até Maio de 1968 (e por azar, foi também em 1968 que o Salazar caiu abaixo da cadeira: parece que estava escrito nas estrelas). A moda dessa Direita era mais dos monopólios económicos e financeiros privados do que de outra coisa: essa Direita não gostava muito dos mercados abertos e globais: era uma moda de privilégio dos monopólios privados dos mercados nacionais; por exemplo, a moda da Direita de De Gaulle, ou a moda da Direita de Salazar, ou a moda da Direita de Franco, etc.

E, de repente, a moda mudou e tornou-se internacionalista através da Esquerda que passou a estar na moda; e é por isso que hoje a Direita também é internacionalista através do globalismo, ou seja, a Direita pegou na moda internacionalista da Esquerda e adoptou o seu princípio, embora adaptando-o ao “gosto dos mercados”.

A Inês Teotónio Pereira continua:

“Mas o pior nem é isso, o pior é que além de ser de direita também sou católica. Ora um católico praticante de direita 40 anos depois do 25 de Abril não é mais do que um beato fascista. Um retrógrado. Como se não não bastasse ser de direita, ainda tinha de inventar ser católica. É mau de mais. Se eu fosse de esquerda e católica, a minha circunstância seria muito mais agradável e já ninguém me chamava beata fascista. Seria com muita pinta apelidada de católica progressista, o que é muito mais chique e moderno. E eu gostava de ser chique e moderna, apesar de católica e de gostar dos mercados.”

Esta coisa de “estar na moda” tem muito que se lhe diga: entre outras coisas, obedece a símbolos, embora esteja hoje na moda dizer que “não se obedece a símbolos”. Por exemplo, se um católico se referir ao cardeal Bergoglio como “papa Francisco”, é imediatamente considerado de Esquerda. Mas se se referir a ele apenas como “papa”, ou como “papa Francisco I”, os próprios católicos progressistas olham para esse católico de esguelha, ou seja, de forma canhota e sinistra. É que agora há dois tipos de católicos: os “fassistas” e os “progressistas”. Os “fassistas” são aqueles católicos que obedecem a símbolos, e os “progressistas” são aqueles que também obedecem a símbolos mas que dizem que “não obedecem a símbolos”.

Acontece que “papa Francisco” é chique; está na moda e soa bem. Não tem aquela coisa dos números cardinais obsoletos, como por exemplo, João Paulo II ou Bento XVI. A numeração romana é coisa dos cotas do tempo dos reis. Agora é moderno o “papa Francisco”, tu-cá-tu-lá, “ó papa, estás porreiro?”, “boé de fixe, meu!”, “tudo numa boa, ó Chico!”.

“A coisa agrava-se ainda mais pelo facto de eu ter muitos filhos. Ter seis filhos, ser de direita e ainda por cima ser católica, é uma desgraça completa. É quase estupidez. É pedir chuva. É como gostar de ser gozado no recreio por causa da franja e teimar em manter a franja. Ainda por cima tenho o supremo azar de os meus filhos serem loiros (só tenho um moreno). Ora loiros, neste contexto, quer dizer betos. Tudo mau. Se eu fosse de esquerda ninguém olhava para os meus filhos como meia dúzia de betinhos mimados. Agora, esta coisa de ter uma família do tipo “Música no Coração” dá cabo da minha reputação. 40 anos depois do 25 de Abril e sem nenhum capitão de Abril na família (apenas um católico progressista), a minha reputação é, fatalmente, miserável.”

Ora, aqui está! Perguntem aos academistas coimbrinhas do blogue Rerum Natura o que significa “ter muitos filhos”, e eles dirão, sem qualquer hesitação que é própria da ciência, de que se trata de “um indício de subdesenvolvimento”. Essa coisa de ter muitos filhos é coisa dos pretos da África sub-sariana. E como os progressistas (por definição) não são racistas, tendem a transformar os pretos em seres humanos através do “progresso cultural da opinião pública”. É neste sentido que o Bill e a Melissa Gates também são progressistas e de Esquerda, embora gostem do mercado globalista.

Para a Esquerda, a Inês Teotónio Pereira é uma espécie de preta com cara de branca; ou uma espécie de Liliana Melo a quem os progressistas tiraram os filhos para adopção por serem muitos. A diferença entre a Inês Teotónio Pereira e a Liliana Melo é a de que os progressistas ainda não conseguiram arranjar um argumento legal para lhe retirar também os filhos para adopção (de preferência, para adopção gay, que também está na moda).

Terça-feira, 15 Abril 2014

É preciso ter cuidado com as palavras que utilizamos

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:22 pm
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“Desmistificação” — ou o verbo desmistificar — é uma palavra inventada por Karl Marx e adoptada pelos marxistas, em geral. Portanto, não é suposto que seja utilizada em um blogue que defenda a tradição monárquica.

Sábado, 5 Abril 2014

A Europa que a Esquerda pretende construir

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:51 pm
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a ruina da cultura web

Quinta-feira, 3 Abril 2014

¿Como se explica o arquétipo mental de Isabel Jonet?

 

É evidente que Isabel Jonet é mulher e sobretudo mãe.

isabel jonet webAs mulheres têm (estou a fazer um juízo universal) uma maior eficácia na acção comunitária e na acção política local, quando comparadas com os homens. Quando eu vejo uma mulher candidatar-se a uma autarquia, penso seriamente em votar nela. O nível de acção política das mulheres é diferente da dos homens — o que não significa que “diferença” seja sinónimo de “hierarquia”, como pensa a Esquerda.

Portanto, é evidente que as mulheres têm uma forma de ver o mundo diferente da dos homens (continuo a falar em termos de juízo universal). Essa diferença não significa “inferioridade” das mulheres, ao contrário do que a Esquerda e os neoliberais pensam.

Sendo que a mulher é naturalmente melhor talhada para a acção política comunitária, tende a construir padrões de raciocínio estruturados a partir da experiência própria colhida na acção comunitária. Uma pessoa que age na comunidade tem necessariamente um pensamento concreto (pragmatismo) e tende a colocar as abstracções em um segundo plano.

Por isso, aquilo que a Isabel Jonet pensa acerca dos desempregados e das redes sociais baseia-se em uma experiência concreta da mulher Isabel Jonet enquanto agente de uma determinada instituição comunitária que funciona em um determinado âmbito social e em um contexto geográfico restrito (área de Lisboa).

Segue-se que a opinião de Isabel Jonet acerca da relação entre desempregados e redes sociais é também um juízo universal que, em aparente contradição, não pode ser extrapolável para todo o nosso país — mas antes é um juízo universal restrito a um determinado contexto social e geográfico, juízo esse que é marcado pela experiência pessoal de alguém (Isabel Jonet) que se preocupa com o concreto e relega o abstracto para segundo plano das suas preocupações.

Ou seja, Isabel Jonet fala daquilo que ela conhece pessoalmente, da sua experiência própria no âmbito da sua (dela) acção comunitária.

Ora, aquilo que é evidente (por exemplo, a diferença entre o homem e a mulher) é hoje alvo de ocultação cultural premeditada e propositada pelo politicamente correcto. E por isso é que Isabel Jonet é atacada pelos me®dia, pela Esquerda e também pelos neoliberais: em nome da “igualdade” entre o homem e a mulher, atacam a idiossincrasia feminina! Estranha forma de defender a “igualdade”!

Sexta-feira, 28 Fevereiro 2014

O problema da natalidade e a classe política

 

O governo do Partido Social Democrata e do CDS/PP criou uma comissão para estudar o problema da baixa natalidade em Portugal.

pai e maeOuvi ontem a opinião de Manuela Ferreira Leite na TVI24 acerca deste assunto e fiquei com um mau presságio acerca desta comissão governamental — aliás, ultimamente tenho andado em desacordo com Manuela Ferreira Leite, porque me parece que ela reduz toda a realidade à economia (quando lhe convém): por um lado, ela fala de “valores” quando se refere ao respeito que se deve ter em relação às pessoas idosas; mas, por outro lado, já diz que a razão pela qual a natalidade baixou é a de que “a vida está difícil”, mesmo sabendo que antes da crise de 2008, a natalidade já evoluía em baixa. Manuela Ferreira Leite tem que se convencer que a natalidade também é uma questão de “valores”.

Em dez anos de adesão ao Euro, a classe política destruiu valores essenciais que sub-jazem à família que, por sua vez, é a verdadeira base da natalidade que garante o futuro da sociedade.

Em primeiro lugar, a classe política baniu a representação protocolar da Igreja Católica nas cerimónias do Estado. Trata-se apenas de um símbolo, mas que tinha um significado societário profundo, uma vez que a Igreja Católica é defensora da família natural e dos valores do Direito Natural contra o aborto. Mas a classe política em geral preferiu ceder à aliança entre a esquerda radical e a maçonaria, banindo a Igreja Católica do protocolo do Estado.

foi-cesarianaDepois, a classe política instituiu o “divórcio sem culpa e na hora”. Divorciar passou a ser tão fácil quanto beber um copo de água, e as crianças e as mulheres mães foram as mais prejudicadas. Mais uma vez, a classe política cedeu à aliança entre a esquerda radical e a maçonaria. É óbvio que em uma situação em que o homem é irresponsabilizado por lei, as mulheres tendem a não ter filhos e a alimentar o negócio do aborto. A lei do “divórcio sem culpa e na hora” é — esta sim! — uma lei sexista e que apenas beneficia o homem irresponsável.

Logo a seguir, a classe política legaliza o “casamento” gay — mais um prego no caixão da natalidade! O símbolo cultural da instituição do casamento continuava a ser destruído pela classe política, que mais uma vez cedeu ao jacobinismo, comum à esquerda radical e à maçonaria. A partir daqui, não há dinheiro nem economia forte que faça recuperar o simbolismo cultural perdido (a não ser por via de uma ditadura qualquer). É o futuro da democracia que está hoje em perigo, e foi esta classe política presentista e irresponsável, que se diz “democrática”, que colocou a democracia em rota de colisão com a realidade.

A seguir, a esquerda radical aliada à maçonaria preparam-se para legalizar a adopção de crianças por pares de invertidos, a procriação medicamente assistida fora do núcleo familiar, as “barriga de aluguer” e o tráfico de crianças. É a cereja no topo do bolo da destruição da família natural e a redução da natalidade a uma espécie de “capricho do indivíduo” — quando anteriormente a co-responsabilização em relação aos filhos paridos pela mulher era um dever assumido pelo homem.

Neste contexto, ¿que sentido faz uma comissão governamental para estudar o problema da baixa natalidade em Portugal? Nenhum, porque os sinais que a classe política — incluindo o CDS/PP e o Partido Social Democrata — passam para a sociedade são contraditórios (estimulação contraditória).

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