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Sábado, 6 Fevereiro 2016

O deus do Anselmo Borges não é o Deus de Jesus Cristo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 3:18 pm
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« Segundo o modelo cosmológico padrão, vivemos num universo que se produziu no big bang e terminará numa morte energética futura: "um universo que nasce a partir de um "fundo" desconhecido no qual será reabsorvido".»

Sabemos, por inferência, que o universo teve um princípio; mas é abusivo dizer — como diz o Anselmo Borges ou qualquer outra pessoa — que o universo vai ter este ou aquele fim. A ciência é uma muleta para a filosofia, mas não podemos misturar ciência e filosofia, como faz o Anselmo Borges.

Do ponto de vista macroscópico — que é o ponto em que nos encontramos, na nossa realidade — não é possível conhecer o futuro. Mesmo as leis da física que conhecemos são revogáveis, por exemplo, face à singularidade.

Parece que o Anselmo Borges parte do princípio da filosofia gnóstica indiana do YUGA das elites secularizadas a partir do hinduísmo, que aliás influenciou Nietzsche na sua teoria do Eterno Retorno.

Um ciclo cósmico completo, um mahâyuga, compreende doze mil anos e termina com uma “dissolução” (pralaya) que se repete de uma maneira mais radical (mahâpralaya, a Grande Dissolução) no fim do milésimo ciclo. Assim, o esquema exemplar da “criação ― destruição ― criação” reproduz-se até ao infinito.

A Causa Primeira (Deus) já não é acessível ao Homem não-religioso através dos ritmos cósmicos.

A significação religiosa da repetição dos “gestos” cósmicos é esquecida; e a partir daqui, a repetição da natureza esvaziada do seu conteúdo religioso conduz necessariamente a uma visão pessimista da existência. Para o Homem não-religioso, o Tempo cíclico torna-se insuportavelmente terrível na medida em que se revela como um círculo rodando indefinidamente sobre si mesmo, repetindo-se até ao infinito.


« O ateísmo seria outra conjectura metafísica, também filosófica: no pressuposto das teorias especulativas de multiversos ou múltiplos universos e de supercordas, essa meta-realidade apresentar-se-ia como "uma realidade impessoal na qual se produziria de modo cego o nosso universo".»

O que o Anselmo Borges diz é que a teoria do Multiverso pode justificar racionalmente a ausência de uma Causa Primeira (Deus). A afirmação de Anselmo Borges não é crítica: é corroborativa. Portanto, segundo esse argumento, existirá um número infinito de Multiversos que justifica alegadamente a ausência de uma Causa Primeira (Deus) : é uma regressão infinita da existência e do Ser, em um mundo que o Anselmo Borges reconhece ser finito. Eu admito que um ateu ignaro coloque a hipótese desta tese; mas vinda de um professor universitário de filosofia ou teologia, acho muito estranha.


“Por isso falei de coisas que não entendia, de maravilhas que me ultrapassam” (Job, 42,2)

A imagem que o Anselmo Borges traça de Deus é a do “Deus absconditus” — o Deus oculto — que se mantém em silêncio:

“Teísmo e ateísmo são confrontados com o silêncio de Deus. Este silêncio manifesta-se num duplo plano: no plano cósmico, porque Deus não se revela de modo evidente enquanto criador do universo. O outro é o silêncio de Deus "perante o drama da história, devido ao sofrimento humano pessoal e colectivo e ao mal natural cego e à perversidade humana".”

Ou seja, o Deus de Anselmo Borges não é o Deus de Jesus Cristo. Por isso, é abusivo que ele relacione o Deus silencioso, por um lado, com o Deus cristão, por outro lado. É evidente que o Anselmo Borges volta ao problema da Teodiceia para justificar a irracionalidade ateísta; neste sentido, recordemos as palavras do filósofo Eric Voegelin:

« Quando o coração é sensível e o espírito contundente, basta lançar um olhar sobre o mundo para ver a miséria da criatura e pressentir as vias da redenção; se são insensíveis e embotados, serão necessárias perturbações maciças para desencadear sensações fracas.

É assim que um príncipe mimado se apercebeu pela primeira vez de um mendigo, de um doente e de um morto ― e tornou-se assim em Buda; em contrapartida, um escritor contemporâneo vive a experiência de montanhas de cadáveres e do horroroso aniquilamento de milhares de indivíduos nas conturbações do pós-guerra na Rússia ― e conclui que o mundo não está em ordem e tira daí uma série de romances muito comedidos.

Um, vê no sofrimento a essência do ser e procura uma libertação no fundamento do mundo; o outro, vê-a como uma situação de infelicidade à qual se pode, e deve, remediar activamente. Tal alma sentir-se-á mais fortemente interpelada pela imperfeição do mundo, enquanto a outra sê-lo-á pelo esplendor da criação.

Um, só vive o além como verdadeiro se ele se apresentar com brilho e com grande barulho, com a violência e o pavor de um poder superior sob a forma de uma pessoa soberana e de uma organização; para o outro, o rosto e os gestos de cada homem são transparentes e deixam transparecer nele a solidão de Deus. »

Sábado, 30 Janeiro 2016

Anselmo Borges e o enigma de Deus

 

Anselmo Borges escreve o seguinte:

“É possível que Deus exista, mas também pode não existir. Ninguém pode dizer que sabe que Deus existe, mas também ninguém pode dizer que sabe que Deus não existe. Ninguém sabe se na morte encontramos a vida na sua plenitude em Deus ou se, pelo contrário, para cada pessoa tudo acaba na morte. Este é o grande enigma da vida de cada homem, de cada mulher”.

Anselmo Borges poderia ter escrito: “Este é o grande enigma da vida de cada ser humano”, englobando o homem e a mulher em uma mesma categoria. Mas o politicamente correcto exige que o homem e a mulher pertençam a espécies diferentes. Noutros tempos, dizíamos “Minhas senhoras e meus senhores!” por uma questão de boa educação; hoje, dizemo-lo por obrigação politicamente correcta.


Anselmo Borges erra quando confunde “enigma”, por um lado, e “mistério”, por outro lado.

Aliás, esse erro foi decalcado do livro do jesuíta a que se refere o Anselmo Borges no artigo. Quando estudei a História de Portugal no liceu, pensei que a expulsão dos jesuítas por parte do Marquês de Pombal tivesse sido um exagero; hoje tenho dúvidas se não teria justificação racional. Não é acaso que o papa-açorda Francisco é jesuíta.

Um enigma tem solução, por princípio; um mistério é insolúvel, à luz da razão humana.

O problema do homem moderno é o de que não aceita, por princípio, de que há coisas que não compreende (no sentido do racional determinístico) e nem nunca compreenderá: a ideia segundo a qual possam haver realidades ou fenómenos racionalmente inacessíveis ao ser humano é um sacrilégio modernista e cientificista.

Perante o Ser de Deus (e não a “existência” de Deus, porque Deus não “existe” da mesma forma que o Anselmo Borges), o ser humano debate-se com um mistério, e não com um enigma. Por isso é que a Igreja Católica tradicional fala do “mistério da fé”; talvez a Igreja Católica do papa-açorda Francisco, cientificista e secularista, passe a falar no “enigma da fé”.


A julgar pelo texto de Anselmo Borges, Deus é uma espécie de velho com barbas brancas que vive acima das nuvens, na companhia de S. Pedro que é o manda-chuva. Por isso é que, segundo o Anselmo Borges e o jesuíta autor do livro, “ou Deus existe, ou não existe”. “O ser de Deus não pode ser compreendido como a existência de um existente ao lado ou acima de outros existentes. Se Deus fosse um existente, estaria submetido às categorias da finidade, sobretudo ao espaço e ao tempo” (Paul Tillich).

“O espiritual é fundamental para mim; vou mesmo ao ponto de afirmar que não existe matéria, mas apenas espírito. (…) Aquilo que constitui o fundamento da realidade não é a matéria, mas um campo que, no entanto, não é material, representando, contudo, uma espécie de potencialidade. Um potencial que possui a capacidade de se materializar”. Quem escreveu isto não foi o abade da minha paróquia: foi Hans-Peter Dürr 1.

A ciência actual não pode ser materialista; ou não é ciência. Mas a verdade é que o naturalismo continua a ser o esteio da ciência que impõe uma cultura materialista.


Finalmente, Anselmo Borges confunde “dogma religioso” com “dogma cientificista” — colocando os dois tipos de dogma no mesmo plano ou nível.

É certo que o cientificismo naturalista é uma espécie de religião, mas trata-se de um monismo, imanente e materialista; é uma espécie de religião que apenas se foca em uma pequena parte da Realidade.

A Bíblia é um livro com que os primeiros cristãos transmitiram as suas experiências com Deus sob a forma de imagens, mitos e metáforas. As imagens dizem mais do que as palavras, porque conseguem superar frequentemente a contradição entre o individual e o universal. Por exemplo, a arte: a arte começa onde a linguagem acaba. A religião utiliza a arte das imagens para criar símbolos intersubjectivos que formam a comunidade dos crentes.

Para que estas experiências, e as respectivas imagens (símbolos) que as representam, possam fundar uma comunidade, aquelas são formuladas em dogmas. No sentido religioso propriamente dito — mas não no sentido cientificista ou naturalista —, um dogma é uma afirmação sobre a Realidade que está para além daquilo que é alcançável através da linguagem. O dogma religioso é a tradução do modus ponens da experiência secular religiosa dos cristãos: é uma espécie de “ajuda racional”.

Ou seja, o dogma religioso é um dogma positivo; o dogma cientificista é um dogma negativo (a negação do Ser). Colocar os dois tipos de dogma no mesmo plano de análise, é uma estupidez.


Nota
1. “Gott, der Mensch und die Wissenschaft”, 1997

Quinta-feira, 14 Janeiro 2016

Os ateus dizem que os barbeiros não existem

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 1:23 pm
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Sábado, 12 Dezembro 2015

Alberto Caeiro e o paganismo positivista

 

"A religião não só é a condição da liberdade eficaz do pensamento, como é a condição da função hígida do pensamento"
— Fernando Pessoa


Ser reaccionário é compreender que o ser humano é um problema sem solução humana.
(Nicolás Gómez Dávila)

Já demonstrei aqui que Fernando Pessoa era um gnóstico — não só no sentido moderno da atitude de revolta contra a Realidade, mas também no sentido místico próprio da Antiguidade Tardia. Portanto, os textos de Fernando Pessoa e dos seus personagens têm que ser “filtrados”.

Ou seja, Fernando Pessoa não era propriamente um reaccionário. Ser reaccionário é compreender que o ser humano é um problema sem solução humana (Nicolás Gómez Dávila). Qualquer tipo de ideologia prometaica dos “amanhãs que cantam” e do “futuro certo” é revolucionária, ou seja, é gnóstica.


Vejamos aqui um trecho de Fernando Pessoa, aliás, Alberto Caeiro:

“O neo-paganismo português reconhece que as pátrias são apenas meios para um fim, que as transcende. Esse fim nem é a Religião, nem a Humanidade, mas a Civilização — isto é, o aumento constante de aquisições científicas, de possibilidades de emoção agradável, e de meios fáceis de acção; o acréscimo em suma, do conteúdo da inteligência, do conteúdo da sensibilidade, do conteúdo da vontade”.

O neo-paganismo português


"O papel intelectual do sentimento religioso é, em primeiro lugar, o de estabilizador e disciplinador da inteligência"
— Fernando Pessoa

Para se perceber este trecho de Alberto Caeiro é necessário, em primeiro lugar, saber o que representa o Alberto Caeiro em relação a Fernando Pessoa; e depois ter a noção da oposição que movia o Fernando Pessoa contra o Alberto Caeiro.

Fernando Pessoa não concordava com Alberto Caeiro. Por isso é que é muito simplista apresentar um texto de um dos personagens de Fernando Pessoa e afirmar que é a opinião deste. Só devemos dizer que determinada opinião é de Fernando Pessoa quando é assinada pelo próprio Fernando Pessoa, e não por um dos seus múltiplos.

“A ausência de sentimento religioso tem isto de péssimo: é a ausência de toda a base, de todo o ponto de apoio para se progredir"
— Fernando Pessoa

Alberto Caeiro era um positivista (no sentido de Augusto Comte e do paganismo naturalista do Positivismo); Fernando Pessoa era anti-positivista (no sentido místico) .

Alberto Caeiro escreve o seguinte: “as três condições de criação civilizacional são: a liberdade do indivíduo, a homogeneidade da pátria, e a dedicação a um princípio superior à Pátria”. Fernando Pessoa escreve o seguinte: “tenho visto muita coisa neste mundo mas não vi ainda a liberdade.”

Segundo Fernando Pessoa, “o progresso é uma revolta contra a espécie humana” (sic). Segundo Alberto Caeiro, o progresso é uma lei da Natureza. Quem não compreender a idiossincrasia de Fernando Pessoa não compreende a sua “Mensagem”.

Fernando Pessoa sabia perfeitamente que não é possível haver civilização sem religião; ou, na terminologia de Kant, a religião é a condição da civilização. E o paganismo ou neo-paganismo, como quiserem, não é uma religião superior: quem estudou a História das Religiões sabe perfeitamente disso.


“A religião é a perpétua afirmação do presente; a História é a perpétua negação do presente”. — Gabriel Marcel

Domingo, 22 Novembro 2015

Anselmo Borges e a violência das religiões

 

Outro texto controverso do Anselmo Borges: coloca as religiões todas no mesmo saco, como faz, aliás, o ateísta Richard Dawkins. Anselmo Borges generaliza propositadamente; há uma intenção em colocar as religiões todas no mesmo saco.

Aliás, José Pacheco Pereira, no último programa Quadratura do Círculo também comparou a Jihad islâmica com a “primeira cruzada” cristã como exemplo de “fanatismo suicida”; de facto, ele enganou-se, porque não se tratou da primeira cruzada, mas de uma outra posterior conhecida como a “cruzada dos pobres” e que teve a sua origem não no Papa, mas no Sacro Império Romano-Germânico (actual Alemanha).

Tanto Anselmo Borges como José Pacheco Pereira misturam a “brutal história criminosa das religiões” (para utilizar uma expressão de Anselmo Borges), por um lado, com a génese criminosa de algumas religiões, por outro lado. Tanto um como o outro são intelectualmente desonestos.

No Cristianismo, a eventual “brutal história criminosa das religiões” não é incentivada e propagandeada nos Evangelhos, que são os textos do fundamento da religião cristã. Mesmo nas cartas apostólicas de S. Paulo não encontramos qualquer apelo à violência física de tipo jihadista ou de qualquer tipo. De forma semelhante, nos textos búdicos, não encontramos qualquer apelo à violência física.

Já no Alcorão, que é o texto fundamental do Islão, os apelos à violência física e ao assassínio são constantes e sistemáticos — fazem parte da lógica interna do Islamismo.

Ou seja, não podemos confundir aquilo que os homens fazem de uma religião ao longo da História, por um lado, com aquilo que faz parte intrínseca dessa religião e que está na sua génese, por outro lado. Não devemos confundir o rei Nabucodonosor com Nabonocudosor.

Ora, é esta confusão que é feita por Anselmo Borges e José Pacheco Pereira em nome do politicamente correcto, e por isso é que são intelectualmente desonestos.

Anselmo Borges procura identificar a “imposição da verdade através da persuasão” (a religião da palavra, que é o Cristianismo), por um lado, com a imposição da verdade através da violência (a religião do livro, que é o Islamismo), por outro lado. Ele mistura estes dois planos e fá-lo de propósito.

Quando cada um de nós afirma qualquer coisa, está sempre a tentar impôr uma nossa verdade aos outros. Sempre, quer queiramos ou não.

Por exemplo, quando eu digo que “amanhã vai chover”, estou a tentar impôr uma verdade a quem me ouve. Mas essa imposição de uma verdade (que pode ser doxa  ou episteme ) é normalmente feita através da persuasão. A minha opinião meteorológica (doxológica ou epistemológica) pretende transmitir uma verdade, mesmo que quem me ouça não a considere como sendo verdade.

Naturalmente que Anselmo Borges não podia deixar de falar na Inquisição. Lembro aqui a afirmação do historiador francês Pierre Chaunu: « A revolução francesa matou mais gente em apenas um mês e em nome do ateísmo, do que a Inquisição em nome de Deus durante toda a Idade Média e em toda a Europa. »

No entanto, a Revolução Francesa foi feita em nome da igualdade, fraternidade e da puta-que-os-pariu. A lengalenga da Inquisição não serve para branquear o “progresso hegeliano da História” defendido por Anselmo Borges ou por José Pacheco Pereira.

Sábado, 31 Outubro 2015

O positivismo é o romantismo das ciências (para memória futura)

 

« O positivismo é o romantismo das ciências. A tendência própria do romantismo para identificar o finito com o infinito1 para considerar o finito como a revelação, e a realização progressiva do infinito é transferida e realizada pelo positivismo no seio da ciência.

Com o positivismo, a ciência exalta-se, apresenta-se como a única manifestação legítima do infinito e, assim, assume um carácter religioso, prendendo suplantar as religiões tradicionais.

O positivismo é parte integrante do movimento romântico do século XIX. Que o positivismo seja incapaz de fundar os valores morais e religiosos e, especialmente, o próprio princípio de que dependem, a liberdade humana, é um ponto de vista polémico, que a reacção anti-positivista, espiritualista e idealista da segunda metade do século XIX fez prevalecer na historiografia filosófica. Assim se pode considerar justificado, no todo ou em parte, este ponto de vista.

Mas é fora de dúvida que, nos seus fundadores, e nos seus epígonos, o positivismo se apresenta como a exaltação romântica da ciência, como infinitização, como pretensão a valer de única religião autêntica, e por conseguinte, como único fundamento possível da vida humana individual e social.

O positivismo acompanha e promove o nascimento e a afirmação da organização técnico-industrial da sociedade, fundada e condicionada pela ciência. Exprime as esperanças, os ideais e a exaltação optimista que provocaram e acompanharam esta fase da sociedade moderna. O Homem, nesta época, julgou ter encontrado na ciência a garantia infalível do seu próprio destino. Por isso rejeitou, considerando-a inútil e supersticiosa, toda a garantia sobrenatural e pôs o infinito na ciência, encerrando nas formas desta, a moral, a religião, a política – a totalidade da sua existência.

(…)

O materialismo, que alguns epígonos deduzem do positivismo evolucionista, é, ele próprio, uma metafísica romântica: a deificação da matéria e o culto religioso da ciência. »

→ “História da Filosofia”, de Nicola Abbagnano, Tomo X, §629, Editorial Presença, Lisboa, 1970


Nota
1. A imanência

Sábado, 17 Outubro 2015

O Anselmo Borges e o deus kantiano

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 12:41 pm
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Montesquieu escreveu que “se Deus não existisse, teria que ser inventado”. O Anselmo Borges afirma uma coisa semelhante:

“Deus é um postulado da razão prática (de Kant) , isto é, exige-se moralmente que Deus exista, para dar-se a harmonia entre o dever cumprido e a felicidade. A natureza não faz isso, só Deus.”

Segundo o Anselmo Borges, parece que Kant — que criticou o utilitarismo de Hume — via no conceito de “Deus” uma “coisa útil” para se conseguir a “felicidade”. Porém, sabemos que o conceito de “felicidade”, segundo Kant, era contraditório nos seus próprios termos: passo a fazer um resumo do conceito de “felicidade”, segundo Kant:

1/ O desejo humano em relação aos objectos do mundo (a tal “felicidade” que implica uma conduta interessada) não é compatível com a ética e com a moral, a não ser por puro acidente — se for uma motivação sensível (o desejo) a comandar o estabelecimento de uma norma (lei positiva ou regra moral), então qualquer mudança no objecto de desejo e de satisfação implica ipso facto uma reviravolta da conduta.

2/ A “felicidade” não se pode traduzir em uma lei prática ou regra moral. A ideia que cada ser humano tem de “felicidade” é uma ideia absoluta — que satisfaz em sumo grau o máximo de inclinações no decurso de uma duração indeterminada. Porém, o que acontece na realidade concreta, é que a experiência humana da satisfação das inclinações individuais, é fragmentária, contingente e parcial. Logo, existe uma contradição entre a exigência de felicidade, por um lado, e a experiência humana concreta relativamente ao conhecimento dos elementos que a produzem, por outro lado. Ou seja: para que o homem pudesse ser feliz, teria que ter ao seu dispor exactamente o oposto do conhecimento empírico e contingente dos meios para satisfazer a exigência de felicidade: o ser humano teria, neste caso, que encarnar em si o próprio conceito de “Deus”.

Ou seja, invocar Kant para falar de “Deus” e/ou de “felicidade” é um absurdo. O Anselmo Borges poderia ter preferido falar em Santo Agostinho:

“Todos querem ser felizes, mas nem todos procuram viver do único modo que permite viver feliz: quem sabe amar-se, ama a Deus”;

mas presumo que, para o Anselmo Borges, seja embaraçoso referir-se a uma pessoa tão antiquada e fora de moda como é o Bispo de Hipona. Santo Agostinho cheira a mofo. Para um “teólogo” moderno, de vistas largas, e respeitado pelos me®dia, falar em Santo Agostinho não fica tão bem quanto falar em Kant.

Terça-feira, 22 Setembro 2015

As crenças de Darwin e de Francisco Louçã

 

Francisco Louçã diz “Darwin não acreditava na Bíblia como uma revelação divina nem que Jesus Cristo fosse filho de Deus”. E considera que a crença de Darwin é boa, em contraponto à crença má de quem acredita na Bíblia como uma revelação divina e que Jesus Cristo é filho de Deus.

Ou seja, Francisco Louçã considera que a sua (dele) crença é mais verdadeira do que a crença de biliões de cristãos, muçulmanos e judeus. Francisco Louçã considera-se uma espécie de super-homem, um ser superior ao comum dos mortais.

Francisco Louçã pretende fazer parte de uma elite gnóstica moderna, de uma nova espécie de Calvinismo que detém a verdade soteriológica (a verdade da salvação de uma casta de eleitos que passa pela negação histórica: a Utopia Negativa). Francisco Louçã faz parte da casta dos novos Pneumáticos.

Francisco Louçã deveria dedicar-se à economia de que sabe certamente alguma coisa, e deixar a metafísica para os filósofos e a religião para os teólogos.


Jesus Cristo e o Cristianismo introduziram na História uma diferenciação cultural positiva, não obstante as críticas de Nietzsche que foi mais um literato do que filósofo. Mas nem todas as diferenciações culturais são positivas: ao contrário do pensamento hegeliano de Francisco Louçã, o progresso não é uma lei da natureza, e muitas vezes aquilo que consideramos “evolução” pode ser “involução”. Basta uma geração de bárbaros da estirpe de Francisco Louçã para que o progresso desça pela pia abaixo.

Uma diferenciação cultural positiva não é uma revolução, no sentido, por exemplo, da Revolução Francesa que matou mais gente em apenas um mês e em França, do que a Inquisição católica em toda a Idade Média e em toda a Europa. Uma diferenciação cultural (que pode ser positiva ou negativa) é uma mudança de paradigma na mundividência colectiva — uma mudança de paradigma intersubjectiva.

Cada dogma — e até cada confissão — não pode ser senão expressão da experiência humana; e durante muitos anos prevaleceu o dogma darwinista das elites segundo o qual a vida teria surgido da matéria inerte. A maior fé que existe é a do cientista, porque é inconfessável. A diferença entre o dogma darwinista e alguns dogmas da religião católica é a de que os dogmas principais do catolicismo (por exemplo, o dogma da consubstanciação) são afirmações sobre a realidade que está para além daquilo que é alcançável através da linguagem.

Porém, e visto que cada dogma foi formulado na linguagem de determinada época, pode tornar-se eventualmente necessário adaptá-lo ao pensamento e à linguagem modernos — os dogmas adaptados à mentalidade moderna, que têm que ser necessariamente conquistados à realidade, e não substituindo os dados da realidade como tem feito a psicose darwinista. E, neste sentido, a física quântica vem em auxilio da Igreja Católica: hoje, é impossível falar em metafísica sem termos em conta a física quântica.


Se “evolução” é um processo através do qual o insondável (Deus) se apresenta no espaço-tempo, e por isso, se “evolução” subentende que o espírito, a alma e a razão são produtos de uma evolução, então o termo “evolução” não representa qualquer problema.

Mas se o termo “evolução” for entendido em termos meramente materialistas e darwinistas, então, o facto da verificação da autoconsciência, e a possibilidade de acesso à dimensão das verdades perenes, destrói este quadro e esta mundividência evolucionários.

Domingo, 5 Julho 2015

A primeira lei da termodinâmica e o dualismo metafísico

Filed under: filosofia,Quântica — O. Braga @ 7:22 am
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Em metafísica, “dualismo metafísico” é a teoria segundo a qual a realidade é formada de (pelo menos) duas substâncias independentes uma da outra e de natureza absolutamente diferente: o espírito e a matéria, ou, como em Descartes, a alma e o corpo.

Não confundir com “dualismo ontológico” de diferentes sistemas religiosos que admitem, para o universo, não apenas um, mas dois princípios de explicação ou de origem (por exemplo, o maniqueísmo , ou a gnose).

“Dualismo” é, neste verbete, entendido como “dualismo metafísico”.


A grande dificuldade da afirmação do dualismo é a primeira lei da termodinâmica:

Primeiro princípio ou axioma da termodinâmica: princípio da equivalência (ou conservação de energia): a energia não pode ser nem criada nem destruída, mas apenas transformada. Num sistema fechado, a sua energia total permanece constante e representa o “equivalente mecânico” do calor.

A primeira lei da termodinâmica é equivalente, por assim dizer, à lei de Lavoisier: na Natureza, nada se cria, nada se perde, e tudo se transforma.

Portanto, o actual raciocínio científico “politicamente correcto” (paradigma) é o seguinte:

  • se o universo é um sistema fechado e é constituído por matéria (seja o que for o que se entenda por “matéria”), então não pode haver lugar para o espírito, nem pode haver qualquer influência do espírito sobre a matéria (o cérebro). Se o espírito quiser actuar sobre a matéria do cérebro a partir do exterior, tem que desrespeitar a primeira lei da termodinâmica — ou seja, seria necessária uma energia material exterior ao sistema físico para influenciar a matéria.

Em última análise, para que a primeira lei da termodinâmica fosse respeitada (porque a energia no universo tem de permanecer constante, segundo a primeira lei da termodinâmica), o espírito também seria uma qualquer forma de matéria, e, neste caso, deixaria de fazer sentido o conceito de “dualismo”.

Portanto, a ciência clássica parte do princípio de que o universo é um sistema fechado, e só em um sistema fechado a primeira lei da termodinâmica faz sentido e pode ser aplicável.

E se a primeira lei da termodinâmica é válida, então segue-se que não pode existir espírito e/ou alma, e as ideias e os pensamentos não passam de epifenómenos da actividade química do cérebro1 . Paul Churchland, por exemplo, supõe que é possível substituir a frase: “O senhor Manuel pensa que…”, pela afirmação: “No cérebro do senhor Manuel disparam no momento T1 os neurónios N1 a N12 do núcleo X, desta e daquela maneira”.

Portanto, ser cientista, segundo o paradigma clássico, significa não só a negação do espírito ou/e alma, mas também significa literalmente ser ateu. Surge então a Teoria da Identidade. 2


 
A física quântica veio alterar este paradigma científico, colocando em causa a concepção do universo como sistema fechado.

human-spiritA “amplitude de probabilidade de função de onda” (ou “função de onda quântica”, ou ainda, na terminologia mais recente, “vector de estado“), por exemplo, de uma partícula atómica, não constitui um campo material (ou não tem massa ou tem uma massa mínima), mas actua sobre a matéria ao causar a probabilidade de um processo de partículas elementares.

Estamos a falar de um facto científico baseado na experimentação, e não apenas de uma teoria. Este facto científico abriu as possibilidades de estados finais diferentes resultantes de processos dinâmicos idênticos, e sem que tivessem sido alteradas as condições iniciais (como, por exemplo, o abastecimento de energia).

Ou seja, segundo a ciência mais recente, o universo como sistema fechado e a primeira lei da termodinâmica estão colocados em causa. A primeira lei da termodinâmica pode ainda ser utilizada em ciência da mesma forma que o conceito de “absoluto” foi utilizado por Newton para elaborar a sua Dinâmica (o conceito de “absoluto”, em Newton, era uma espécie de muleta).

Resulta disto que a alma ou/e espírito não são produto da evolução (“evolução” entendida no sentido naturalista e darwinista), e que o dualismo metafísico passa a fazer sentido mesmo à luz da ciência. Hoje já não faz sentido que um cientista seja necessariamente ateu, ou que defenda uma mundividência naturalista do ser humano.


Notas
1. por exemplo, segundo Susan Blackmore, Rodolfo Llinas, Paul e Patrícia Churchland.

2. Para a “teoria da identidade”, as ideias não possuem qualquer realidade própria, sendo apenas um produto da actividade neuronal. Aquilo que é primário [aquilo que está em primeiro lugar] são os processos químicos e físicos nos neurónios, que decidem o que eu penso, o que faço e o que sou.

Karl Popper demoliu a “teoria da identidade” quando demonstrou que esta teoria não pode ter qualquer sentido se obedecer aos seus próprios pressupostos: se as minhas ideias não podem existir sem suporte físico, ou seja, se as minhas ideias são produtos e portanto, efeitos, da química que se processa no meu cérebro, então nem sequer é possível discutir a “teoria da identidade”. Esta teoria (da Identidade) não pode ter qualquer pretensão de verdade, visto que, por exemplo, as provas dela decorrentes são igualmente química pura. Se alguém defende uma teoria contrária, também tem razão, dado que a sua química chegou a um resultado diferente. Karl Popper chama a esta armadilha lógica de “pesadelo do determinismo físico”.

Quarta-feira, 24 Junho 2015

O puritanismo e o pensamento único de Anselmo Borges

Filed under: ética — O. Braga @ 9:31 am
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« O que desde há anos Hans Küng vem sublinhando – a necessidade do diálogo inter-religioso para ser possível a paz no mundo – é cada vez mais urgente. Entende-se mais claramente do que nunca que a obra do célebre teólogo, autor principal da “Declaração de uma Ética Mundial”, aprovada pelo Parlamento Mundial das Religiões em Chicago em 1993, se oriente pelo lema:

“Não haverá paz entre as nações sem paz entre as religiões. Não haverá paz entre as religiões sem diálogo entre as religiões. Não haverá diálogo entre as religiões sem critérios éticos globais. Não haverá sobrevivência do nosso globo sem um ethos global, um ethos mundial” ».

Anselmo Borges, “Religião, religiões e diálogo inter-religioso” (PDF)

Anselmo Borges é um indivíduo que estudou o fenómeno da religião mas é pouco inteligente: faz lembrar aqueles colegas marrões que tiravam boas notas mas que nunca “pensavam fora da caixa”. Naturalmente que Anselmo Borges pensa de si próprio que “pensa fora da caixa”: para ele, “pensar fora da caixa” é seguir “os ares dos tempos”, é seguir a moda das ideias — o que é exactamente o contrário do que ele pensa.

Repare, caro leitor, na proposição subscrita implicitamente por Anselmo Borges:

“Não haverá paz entre as nações sem paz entre as religiões (certo!). Não haverá paz entre as religiões sem diálogo entre as religiões (certo). Não haverá diálogo entre as religiões sem critérios éticos globais (errado). Não haverá sobrevivência do nosso globo sem um ethos global, um ethos mundial” (errado) ».

Sigamos a inferência falaciosa:

Paz → paz entre religiões → diálogo entre religiões → critérios éticos globais → ethos mundial.

O termo ethos é grego e significa “característica”, “conduta habitual”. O conceito de “ética” vem de ethos. A ética implica a existência de valores. Uma “ética mundial” significa a predominância ou mesmo a imposição de determinados valores a nível mundial através do modelo discursivo.

Desde logo, Anselmo Borges parte do princípio de que o ser humano já conhece todos os valores. Não há, para ele, a possibilidade de existirem valores que o Homem desconheça ainda. E como o Homem, segundo Anselmo Borges, conhece já todos os valores possíveis, o ethos mundial será a uniformização global da ética em função dos valores que o ser humano conhece neste momento.

Esta posição de Anselmo Borges é puritana. E perguntaria o leitor: “¿como é possível que um ex-sacerdote católico que defende o aborto possa ser puritano?!” Uma das características do puritanismo de qualquer época — defendendo o aborto, ou não — é o entendimento dos valores da ética como algo dado e acabado, que não depende do tempo e das modas de cada época. O facto de Anselmo Borges defender a legitimidade do aborto é apenas um detalhe utilitarista que marca o nosso tempo.

Por outro lado, não se segue — non sequitur — que o diálogo entre religiões implique necessariamente um ethos mundial, porque um ethos mundial — ou seja, um conformismo ético global — seria a negação a posteriori do próprio diálogo (contradição em termos). “Diálogo inter-religioso” não é a mesma coisa que discussão de opiniões diferentes sobre a equipa do Benfica ou acerca de programas eleitorais de partidos políticos.

Por exemplo, para Anselmo Borges, a prática do aborto deveria certamente fazer parte dos tais “critérios éticos globais” que determinam o tal “ethos mundial” — porque ele próprio defende a legalidade e a legitimidade do aborto. O que se pretende é que um determinado quadro ético global não religioso, e que está na moda, influencie a ética das religiões; e não o contrário disto. Ou seja, o que Anselmo Borges defende é um pensamento único.

Sábado, 20 Junho 2015

Fé e Saber

Filed under: Ciência,filosofia — O. Braga @ 8:52 am
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Vamos analisar a proposição de Nietzsche : “crença é um desejo de não saber”; e depois a frase de Olavo de Carvalho : “fé não é crença: é confiança”.

(more…)

Quinta-feira, 2 Abril 2015

O disparate do materialismo ateísta

Filed under: filosofia — O. Braga @ 11:31 am
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Os ateus são pessoas que se reúnem — na Internet, em fóruns, em blogues, em colóquios, em conferências, etc. — para protestar contra Aquele (Deus) que eles dizem que não existe.

 

olavo-de-carvalho-ateismo-web

O Ludwig Krippahl escolhe bem as suas “vítimas”. Tentou “discutir” comigo acerca de religião, e cedo se deu conta de que mais valia procurar “vítimas” mais fáceis de “caçar”. A estratégia retórica do Ludwig Krippahl é a amálgama: mistura, em um mesmo texto, alhos com bugalhos, na esperança de que, através da ciência, se opere um milagre e os alhos se transformem em bugalhos (ou vice-versa). Olhem para este texto verifiquem a amálgama. Olavo de Carvalho tinha razão quando escreveu o seguinte:

“A mente humana é constituída de tal forma que o erro e a mentira podem sempre ser expressos de maneira mais sucinta do que a sua refutação. Uma única palavra falsa requer muitas para ser desmentida.”

Refutar aquele texto do Ludwig Krippahl daria um ensaio de muitas páginas. A única forma de denunciar a erística dos argumentos-cacete do Ludwig Krippahl sem escrever um ensaio, é focalizando a nossa atenção em alguns argumentos-chave do referido texto: por exemplo, “verificação”, “crença”, “verdade”, “autoridade”, e obviamente “ciência” que, alegadamente, se opõe à  religião.


Comecemos pela alegada oposição entre ciência e religião. “Oposição”, aqui, deve ser entendida no sentido dialéctico: “Não nos devemos cansar de estudar os extremos opostos das coisas. O mais importante não é encontrar o ponto comum, mas deduzi-lo dos contrários; é este o segredo e o triunfo da arte” (Giordano Bruno). Invoco aqui Bruno para que não se diga que estou a utilizar uma autoridade eclesiástica católica qualquer.

Mesmo que a religião e a ciência estivessem em oposição, não nos deveríamos cansar de estudá-las — embora o mais importante não seja encontrar o ponto comum, mas antes deduzir esse ponto comum dos dois contrários. Desprezar os contrários ou um dos contrários, significa estupidez.

Mas a verdade é que a ciência e a religião não se encontram em oposição.

Perante as descobertas científicas da física quântica, o materialismo ateísta é a maior estupidez que pode existir no século XXI. Ser materialista, no sentido ateísta, é a negação da ciência. O antagonismo clássico “ciência contra a religião” já não existe actualmente: foi a própria ciência que o eliminou, ao alterar a sua auto-concepção e a sua exigência de validade. Não é de admirar que, no fim da investigação das partículas elementares (física quântica), surja nos ateus materialistas um grande silêncio: pelo menos, o disparate do século XX seria perfeito.

Nas ciências empíricas, é discutível falar de “verificação”. Karl Popper demonstrou que se pode estabelecer experimentalmente a falsidade de uma hipótese, embora não seja possível estabelecer a sua verdade (falsificabilidade). A “verificação” do Ludwig Krippahl é isto: pode-se dizer que uma coisa é falsa, mas não se pode dizer que outra coisa é verdadeira. E ele sente-se superior às pessoas religiosas apenas e só por isto…!

Dizer que “apenas a religião se baseia em crenças”, é ser intelectualmente míope. Duma maneira geral, a crença é adesão a uma ideia, um pensamento, uma afirmação, uma teoria, um dogma… Nesse sentido, a ingenuidade, o preconceito, o erro, a fé, a opinião, assim como o saber científico, são diferentes formas de crença.

Por último, afirmar que “na ciência não há autoridade de direito”, é tentar enganar os pacóvios. Basta que na ciência existam paradigmas para que prevaleça sempre a autoridade dos que seguem o paradigma vigente.

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