perspectivas

Segunda-feira, 31 Março 2014

Os "católicos fervorosos" e a perseguição dos católicos na Crimeia

Filed under: Igreja Católica — orlando braga @ 4:56 pm
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A Igreja Católica Grega da Ucrânia não é a mesma coisa que Igreja Católica Apostólica Romana.

A Igreja Católica Grega da Ucrânia é uma Igreja sui juris que está em comunhão com a Igreja Católica Apostólica Romana — assim como, por exemplo, a Igreja Copta do Egipto é uma Igreja sui juris  que está em comunhão com a Igreja Católica Apostólica Romana.

Afirmar que a Igreja Católica Grega da Ucrânia é a mesma coisa que a Igreja Católica Apostólica Romana, é falso — inclusivamente, os ritos são diferentes! A Igreja Católica Grega da Ucrânia é uma Igreja nacional, ao passo que a Igreja Católica Apostólica Romana é uma Igreja universal.

Sendo uma Igreja estritamente nacional e nacionalista, a Igreja Católica Grega da Ucrânia acaba por ter conexões políticas acentuadas em relação à esfera do nacionalismo político ucraniano. E é neste contexto nacionalista e político que caracteriza a Igreja Católica Grega da Ucrânia1 que se verificam as alegadas perseguições à Igreja Católica Grega da Ucrânia, na Crimeia.

Portanto, quando alguns católicos fervorosos vêm dizer que “os católicos estão a ser perseguidos na Crimeia”, estão a confundir a Igreja Católica Grega da Ucrânia, que é uma Igreja nacionalista ucraniana, por um lado, e a Igreja Católica Apostólica Romana, que é, por longa tradição, uma Igreja que existe acima ou para além das nacionalidades.

Qualquer perseguição religiosa é condenável — incluindo a perseguição religiosa encapotada, em relação à Igreja Católica Apostólica Romana, que acontece nos países europeus ditos “democráticos”, como por exemplo, a Inglaterra, a Bélgica e os países nórdicos. Por exemplo, a Igreja Católica Apostólica Romana teve recentemente que abandonar a actividade de infantários e de adopção de crianças em Inglaterra, porque recusou a adopção de crianças por pares de invertidos imposta por lei.

Impôr a uma religião, de uma forma coerciva e utilizando a força bruta do Estado, uma lei que contrarie os princípios dessa religião, também é uma forma de perseguição religiosa.

Nota
1. nacionalismo que a Igreja Católica Apostólica Romana não tem, porque existe o Estado do Vaticano que elimina as múltiplas “nacionalidades católicas”, e por isso é que este papa é criticável por não assumir o passaporte do Vaticano.

Sexta-feira, 21 Fevereiro 2014

Para quem diz que Albert Einstein foi ateu

Filed under: curiosidades — orlando braga @ 4:43 pm
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“¿Acha estranho que se considere a compreensibilidade do mundo como milagre ou como mistério eterno? Na realidade, a priori, deveria esperar-se um mundo caótico que não se pode compreender, de maneira alguma, através do pensamento. Poderia (aliás, deveria) esperar-se que o mundo se manifeste como determinado apenas na medida em que intervimos, estabelecendo ordem. Seria uma ordem como a ordem alfabética das palavras de uma língua. Pelo contrário, a ordem criada, por exemplo, pela teoria da gravidade, de Newton, é de uma natureza absolutamente diferente. Mesmo que os axiomas da teoria sejam formulados pelo ser humano, o sucesso de um tal empreendimento pressupõe uma ordem elevada do mundo objectivo, que, objectivamente, não se podia esperar, de maneira alguma.

Aqui está o “milagre” que se reforça cada vez mais com o desenvolvimento dos nossos conhecimentos. Aqui está o ponto fraco para os positivistas e os ateus profissionais.”

(Albert Einstein — “Worte in Zeit und Raum”)

“A ciência só pode ser feita por pessoas que estão completamente possuídas pelo desejo de verdade e compreensão. No entanto, esta base sentimental tem a sua origem na esfera religiosa. Isto inclui também a confiança na possibilidade de que as regularidades que valem no mundo do existente sejam razoáveis, isto é, compreensíveis à razão. Não posso imaginar um investigador sem esta fé profunda. É possível exprimir o estado das coisas através de uma imagem: a ciência sem religião é paralítica, a religião sem ciência é cega” (ibidem)

Terça-feira, 18 Fevereiro 2014

Uma sociedade sem o conceito de “milagre” é uma sociedade destruída

Filed under: A vida custa,cultura,filosofia,Sociedade — orlando braga @ 8:39 am
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No fim de cada tentativa de fundamentação da realidade, surge apenas aquilo que foi introduzido nela no início. Fazendo uma analogia: se introduzirmos carne em uma picadora de carne, obtemos carne picada com o resultado da nossa acção — e não outra coisa qualquer.

Assim, em uma sociedade fundamentada no materialismo não pode haver lugar para um Deus imaterial, porque a própria hipótese de um mundo exclusivamente material implica a não existência de Deus. O pensamento humano é circular e contraditório, por natureza.

Em uma sociedade em que não há lugar para um Deus imaterial, também não há lugar para os milagres — mesmo que eles aconteçam a cada momento. No fim da tentativa da fundamentação materialista da realidade, surge apenas materialismo e nada mais do que isto. E, em uma sociedade materialista, o ser humano não consegue ver nada senão matéria, e é por isso que os milagres deixam de existir, porque ninguém os vê.

Sábado, 11 Janeiro 2014

O Decálogo e a ética

Filed under: ética — orlando braga @ 6:27 pm
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O termo “Decálogo” foi cunhado ou por Clemente de Alexandria (~ 150 – ~ 230), ou Irineu de Lião (~ 130 – ~ 202) : não se tem a certeza de qual dos dois foi o autor do termo. Existem duas versões ligeiramente diferentes do Decálogo: a do Êxodo e a do Deuteronómio. Vamos apenas fazer aqui referência ao Êxodo.

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Sexta-feira, 10 Janeiro 2014

A liberdade religiosa está a ser ameaçada pela aliança da direita com a esquerda

 

Este texto dá-nos uma visão breve do processo histórico recente que levou a colocar em causa a liberdade religiosa nos Estados Unidos. Um facto que é de extrema importância, e que eu chamo à vossa atenção, é o da aliança entre a direita neoliberal Goldman Sachs e a esquerda marxista cultural, no sentido da limitação e restrição da liberdade religiosa nos Estados Unidos. Ou seja: por razões diferentes, a direita Goldman Sachs e a esquerda marxista cultural estão de acordo no que respeita à limitação da liberdade religiosa.

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Quinta-feira, 12 Dezembro 2013

A grave doença espiritual das elites

 

O suicídio de Kate Barry (filha de Jane Birkin) chocou-me, como me chocam todos os suicídios. Mas tratando-se de uma figura pública que não vivia propriamente na pobreza, o seu suicídio torna-se ainda mais incompreensível.

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A semelhança entre os ateus e os gays

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — orlando braga @ 9:17 am
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«Portugal privilegia a religião e discrimina, através da sua exclusão, os ateístas, os humanistas e os livres-pensadores, conclui um relatório internacional que analisa os direitos dos grupos não religiosos em 198 países.

No relatório “Liberdade de Pensamento 2013: Relatório Global sobre Direitos, Estatuto Legal e Discriminação Contra Humanistas, Ateístas e Não Religiosos”, Portugal é classificado como um país de “discriminação sistémica” em relação a estes grupos.»

Relatório diz que Portugal discrimina ateus e humanistas


“O ateu nunca perdoa a Deus a sua inexistência” — Nicolás Gómez Dávila

O ateu é uma espécie de integralista islâmico sem o Alá.

Para os ateus — e/ou ditos “humanistas”, ou também chamados “livres-pensadores” que de livres têm muito pouco —, não concordar com eles é uma forma de discriminação insustentável e insuportável do ponto de vista ético. É um pouco como acontece com os fanchonos: se a gente lhes diz que não gosta de homens, eles sentem discriminados e ofendidos na sua dignidade. Para que não discriminemos um ateu ou um invertido, temos necessariamente que concordar com o primeiro e “amochar” com o segundo.

E quando as outras pessoas se reúnem em torno de uma qualquer actividade religiosa, os ateus sentem-se automaticamente ofendidos e passam a reclamar não só um “Estado secular”, mas também o desaparecimento da religião da praça pública (laicismo): a simples manifestação pública da religiosidade — que não seja a sua — é um insulto inominável para o ateu que ele não pode, de modo nenhum, admitir. O ateu é uma espécie de integralista islâmico sem o Alá.

De modo idêntico, o fanchono não faz outra coisa senão angariar novos membros para o seu “clube”: o proselitismo invertido, tal como o ateu, transformam-nos nos mais activos da actualidade. E tudo o que vá contra o clube gay ou contra a religião ateísta é considerado uma heresia medonha que tem que ser erradicada a qualquer custo.

Sábado, 23 Novembro 2013

Venerável texto de João César das Neves

 

Excelente texto de João César das Neves no blogue Logos (transcrevo a parte que mais toca a filosofia):

“Porque essa morte, que Ele sofreu por minha causa, durou apenas três dias. Porque Ele, o único a poder dizer que não merece a morte, destruiu a morte com a morte que sofreu por minha causa. Assim não há mais morte, não há mais culpa. Tudo foi levado na enxurrada da ressurreição de Cristo.”

Há assuntos que eu não devo mencionar aqui para não ofender os "católicos fervorosos" que só leram o catecismo da Igreja Católica; mas penso que devo mencionar, por exemplo, que se Deus criou o universo (o mundo e toda a realidade), também criou o devir, a mudança; e se criou o devir, Deus também admite ou permite a existência do negativo — é o Deus absconditus, o Deus que age por toda a parte, no mundo e na realidade, sem que nos demos conta Dele. Sem a acção do Deus absconditus, o universo não poderia existir a cada segundo cósmico, porque a cada segundo cósmico o universo é renovado, como se existisse de novo a cada marcação do tempo cósmico, como se o universo findasse e se renovasse a cada instante cósmico.1

universoO Deus absconditus intervém no macrocosmos através do microcosmo, e sem perturbar as expectativas de regularidade das leis da física (clássica). O princípio da causalidade, que orienta a ciência, “aparece” determinado a partir do microcosmos. Recentemente, teorias no campo da biologia e da bioquímica indicam-nos de que os processos individuais dos seres vivos não são orientados por causas empiricamente comprováveis, mas sim pelo respectivo sistema global mas sem que estas causas resultantes do sistema sejam comprováveis. 2 Sendo assim, por exemplo, o comportamento de uma abelha teria causas comprováveis de ordem genética, mas, para além disso, esse comportamento seria orientado por causas empiricamente não localizáveis do sistema global chamado “colmeia”. Transpondo esta ideia para a ideia de Deus absconditus, podemos fazer uma analogia e dizer que Deus pode intervir nos processos naturais a partir da posição da Totalidade, sem que as leis da natureza sejam infringidas e sem que a Sua intervenção seja comprovável cientificamente.

Sem que o Deus absconditus permitisse o Mal, ou o negativo, não poderia haver a mudança e o negativo que advém do devir. Mas esse Deus absconditus é “periférico”: podemos verificar o Seu Ser na natureza e no universo, no tempo e no espaço, na mudança e no devir, mas não é propriamente o Deus do espírito humano: é o Deus que criou as condições naturais para que os seres vivos pudessem existir.

Porém, Deus tem muitas propriedades: o Deus da Bíblia é também o Deus misericordioso, o Deus de Jesus Cristo. O filósofo Schelling escreveu o seguinte 3 :

“Podemos considerar o primeiro Ser como algo acabado de uma vez por todas e como algo existente sem alterações. Este é o conceito habitual de Deus da chamada “religião racional” e de todos os sistemas abstractos. Porém, quanto mais elaboramos este conceito de Deus, tanto mais Ele perde para nós em vida, tanto menos é possível compreendê-Lo como um ser real, pessoal. Se exigimos um Deus que podemos encarar como um ser vivo e pessoal, temos de O encarar também de maneira completamente humana, temos de admitir que a Sua vida apresenta a maior analogia com o humano, que n’Ele, para além de ser eterno, existe também um devir eterno.” 4 

Ou seja, segundo Schelling, Deus é Ser e Potencialidade que é, por sua vez, a possibilidade de multiplicidade. E Jesus Cristo simboliza esta outra propriedade ou faceta de Deus: o Deus imutável que encarnou no mundo do devir por Ele próprio criado. Jesus, como ser humano, sofre na cruz, no espaço-tempo e sujeito à experiência da condição humana; mas Cristo, como propriedade de Deus, não sofre e abre ao ser humano a esperança do Ser Eterno.


Notas
1. Orígenes escreveu que “o Logos (o Filho) olha constantemente para o Pai, para que o mundo possa continuar a existir”História da Filosofia, de Nicola Abbagnano.
2. Fritjof Capra, The Web of Life, 1996
3. Filosofia da Revelação, 1841, na parte tardia da vida de Schelling e, portanto, menos imanente e mais transcendente.
4. Em 1841 ainda não se sabia da teoria do Big Bang

Quarta-feira, 13 Novembro 2013

O “progresso” do mito e da religião, segundo Cassirer

 

Passo a citar Cassirer, interpolando algumas imagens:

«Do ponto de vista do pensamento primitivo, torna-se desastrosa a mínima alteração do estável esquema das coisas. As palavras de uma fórmula mágica, de um conjunto ou exorcismo, as fases de um acto religioso, um sacrifício ou uma oração, têm de ser repetidas na mesma invariável ordem.

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Sexta-feira, 18 Outubro 2013

Ser cristão porque se é um céptico radical

Filed under: Ut Edita — orlando braga @ 10:05 am
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Eu tive uma educação católica e tive uma experiência pessoal "perto-da-morte", e por isso seria muito difícil eu ter uma concepção materialista da vida e do mundo. Mas o que contribuiu de forma significativa para fazer de mim um cristão foi (e é) o meu cepticismo radical; e, dizendo isto, já vejo alguns "católicos fervorosos" pensar: “Esta criatura ensandeceu! ¿Como é que um céptico radical pode ser cristão?!”.

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Sábado, 12 Outubro 2013

A postura anticientífica de algumas religiões

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — orlando braga @ 9:29 am
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Há dois tipos de seres humanos que eu desconsidero: os cientistas ateístas e os religiosos anticientíficos. Sinceramente, não sei por qual dos dois tipos tenho maior desprezo.

Em finais do século XIX, a torre da igreja de S. Marcos, em Veneza, Itália, foi atingida por um raio. O clero católico local mandou reconstruir o cimo da torre, mas recusou-se a colocar lá um pára-raios, alegadamente porque “o pára-raios era coisa da ciência”.

Nos vinte anos seguintes, a torre de S. Marcos foi atingida mais três vezes por raios, destruindo-lhe por tantas vezes a cumeeira, antes que o clero local se decidisse, finalmente, a colocar lá um pára-raios, porque os prejuízos já se acumulavam de uma maneira insuportável. Isto para dizer que há católicos que pensam que a ciência se opõe à religião, e de tal forma assim pensam que recusam, ainda hoje, a simples ideia de um pára-raios.

Há gente desprezível, que se diz “católica”, que afirma peremptoriamente que "os dinossauros existiram há dez mil anos"e quem os contradiz é objecto de insulto e de ódio! É esse tipo de gentalha que insulta, nos comentários dos blogues, quem não é um "católico fervoroso" como eles se julgam a si próprios.

Terça-feira, 17 Setembro 2013

A Santíssima Trindade é um símbolo

Filed under: Igreja Católica,Ut Edita — orlando braga @ 7:05 pm
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  1. Deus tem muitas propriedades, mas são as Suas propriedades “pro me” (para comigo) que interessam ao cristão — porque é praticamente impossível ao ser humano conhecer todas as propriedades de Deus.
  2. Perante a impossibilidade do ser humano conhecer todas as propriedades de Deus, a resposta da religião cristã é a Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Naturalmente que a Trindade não significa que um deus se transforme subitamente em três deuses: isso seria um absurdo completo, porque no Absoluto não existe plural e multiplicidade. “Quem começa a contar, começa a errar” — diz Santo Agostinho.

    A Trindade é um símbolo.

    sstrindade

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