perspectivas

Quinta-feira, 14 Novembro 2013

Esta porcaria vale 100 milhões de Euros

 

borras anais do Francisco Presunto web 650

As coisas valem aquilo que dão por elas: se alguém der 100 milhões de Euros por um monte de esterco, devemos então concluir que o cagalhão pictográfico colorido tem esse valor. Mas aquela matéria fecal pitoresca plasmada em tela não tem culpa que dêem por ela valores obscenos: a culpa é do filistinismo de uma burguesia acéfala e culturalmente podre que é a causa da decadência cultural europeia a partir do século XIX.

Otto Dix mulherPor exemplo, ainda há pouco tempo saiu a notícia de que foram encontradas “obras de arte” escondidas em um apartamento de um alemão de Munique. Entre essas obras de arte estava um pedaço de arte rupestre do princípio do século XX, de autoria de um espécime do Neandertal que deu pelo nome de Otto Dix, pictograma esse que vemos aqui ao lado. Segundo os entendidos em arte rupestre contemporânea, esse quadro do neolítico actual vale 10 milhões de Euros. Otto Dix fazia parte do movimento Verista que se caracterizava pelo ênfase no feio e no sórdido:

“The verists’ vehement form of realism emphasized the ugly and sordid.[6] Their art was raw, provocative, and harshly satirical. George Grosz and Otto Dix are considered the most important of the verists.”

O australopiteco moderno Otto Dix adoptou, depois, a “Arte DaDA”. O nome “DaDa” é arbitrário: poderia ser, por exemplo, arte “Bilú-Bilú”, ou arte “Piu Piu”, ou arte “Puta que o Pariu” que se caracterizou pela dissolução total de todo e qualquer valor humano nos campos da ética e da filosofia, por um lado, e, por outro lado, pela total negação de tudo o que existiu até ao paleolítico moderno marcado por esse movimento cultural rupícola.

Depois surgiu o Futurismo, a que o pitecantropo Otto Dix também aderiu — já no tempo de Fernando Pessoa adulto e em relação ao qual ele utilizou uma ironia crítica finíssima. O Futurismo é uma espécie de um movimento de hipsters trans-humanistas que viam na tecnologia a destruição da moral e da natureza humanas: o ser humano era visto pelos futuristas como um produto fora de moda e desactualizado.

É neste contexto niilista que surge o Francisco Presunto (para que não se confunda com o emérito epistemólogo Francis Bacon, nascido no século XVI), cujas borras anais impressas valem 100 milhões de Euros.

Sábado, 26 Outubro 2013

A “arte” moderna

 

Morreu o escultor abstracto modernista Anthony Caro (notícia respigada aqui). Vemos aqui em baixo dois exemplos da “arte” moderna de Anthony Caro (clique mas imagens para ampliar).

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Domingo, 9 Dezembro 2012

“O Novo Rebelde”, segundo Chesterton

“O novo rebelde é um céptico que não confia integralmente em nada. Não tem nenhuma lealdade; por isso, não pode ser nunca realmente um revolucionário. E o facto de ele duvidar de tudo constitui um obstáculo quando pretende denunciar qualquer coisa — porque toda a denúncia implica uma doutrina moral de qualquer tipo; e o revolucionário moderno duvida não só de uma qualquer instituição que ele denuncia, mas também duvida da doutrina através da qual ele a denuncia. Por isso, ele escreve um livro queixando-se que o império insulta a pureza das mulheres, e depois escreve outro livro (acerca do problema sexual) em que ele insulta o sexo. Ele insulta o Sultão porque as raparigas cristãs perdem a sua virgindade, e depois insulta a senhora D. Grundy porque ela guarda a sua virgindade.

chesterton-daguerre-webComo político, ele gritará que a guerra é uma perda de vidas, e depois, como filósofo, dirá que a vida é uma perda de tempo. Um pessimista russo denuncia um polícia por ter morto um camponês, e depois demonstra através de mais altos princípios filosóficos que o camponês se deveria ter suicidado. Um homem denuncia o casamento como sendo uma mentira, e depois denuncia os devassos aristocráticos por tratarem o casamento como uma mentira. Diz que a bandeira é uma bugiganga, e depois culpa os opressores da Polónia e da Irlanda porque lhes retirarem e proibirem as respectivas bugigangas.

O homem desta tendência moderna vai primeiro a uma reunião política onde se queixa que os selvagens são tratados como se fossem bestas; e depois pega no chapéu e no guarda-chuva e vai para uma reunião científica onde ele faz prova de que os selvagens são praticamente bestas. Em resumo, o revolucionário moderno, sendo um céptico infinito, está sempre comprometido em minar as suas próprias minas. No seu livro acerca da política, ele ataca os homens por transgredirem na moral; e no seu livro acerca da ética, ataca a moral por transgredir em relação aos homens. Por isso, o homem moderno em revolta tornou-se praticamente inútil para todos os propósitos de revolta. Revoltando-se contra tudo, ele perdeu o direito de se revoltar contra o que quer que seja.”

— G. K. Chesterton

Sexta-feira, 27 Abril 2012

A esquizofrenia moral da modernidade

“O primeiro prémio da justiça é sentir que se a pratica.” — Rousseau, in “Emile”

Enquanto Rousseau escrevia esta frase, os seus cinco filhos tinham sido abandonados por ele num orfanato. A modernidade é caracterizada por uma esquizofrenia moral explícita e obscena. A ética e a moral são abstraídas da realidade concreta, como se pertencessem a um universo paralelo, ou a uma realidade ficcionada e ideal.

Os livres-pensadores actuais vão mais longe: em vez de abandonarem os filhos em qualquer orfanato, matam-nos antes de nascerem; e continuam a falar de justiça.

Segunda-feira, 29 Agosto 2011

A herança ética de Espinoza

“Nós não desejamos uma coisa pelo facto de a julgarmos boa, mas julgamo-la boa porque a desejamos.”
— Espinoza [Ética]

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Quinta-feira, 30 Dezembro 2010

O perigo do presentismo na Europa

Filed under: gnosticismo,Política,religiões políticas — orlando braga @ 11:04 pm
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O presentismo da nossa sociedade não é bom sinal. Se repararmos no que aconteceu durante o século XX, todas as ideologias totalitárias prepararam a instauração do seu poder por via do presentismo cultural das massas, por um lado, e pela criação de uma elite de iniciados que “explicaram” às massas “o verdadeiro significado da História”. O presentismo é a condição necessária para a aceitação de uma qualquer interpretação histórica, enviesada e tendente à instalação de um regime totalitário gnóstico moderno.

Antes do Iluminismo e da revolução francesa, e embora as “massas” fossem, na sua maioria, iletradas, a preponderância da religião na cultura concedeu grande valor aos mitos de origem e, portanto, à valorização do passado, seja este mítico ou histórico.
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Domingo, 21 Março 2010

Entre Gandhi e Husserl

Estive ontem a rever (em DVD) o filme “Gandhi” que na minha opinião é um dos melhores filmes de sempre. Dei comigo a pensar que Einstein não esteve certo quando disse que “nas próximas gerações as pessoas se interrogarão sobre o facto de como foi possível que uma pessoa com as características dele (de Gandhi) tenha andado sobre esta terra”. Perguntem hoje a alguém na Europa com menos de 30 anos quem foi Gandhi e estou convencido de que a maioria tem uma ideia desfocada da personagem e o resto simplesmente não sabe; dêem mais duas gerações à Europa e Gandhi mergulhará no esquecimento total. E isto porque o aparecimento na Europa da idade moderna de um fenómeno minimamente semelhante ao de Gandhi ― por mais remota que seja essa semelhança ― seria praticamente impossível; alguém com uma mundividência semelhante à de Gandhi seria ― na Europa do filisteu actual ― considerado um maluco risível e “a quem se deve dar um desconto”.
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Domingo, 31 Janeiro 2010

A ignorância cientificista e o revisionismo do holocausto nazi

O autor do blogue “O Citadino” já comentou aqui neste meu humilde tugúrio, chamando-me de “ignorante”. Eu não nego a minha ignorância em muitas coisas, mas como dizia Aristóteles (mais ou menos isto), o que importa é aprender pelo amor à arte que advém do saber, e não aprender pela utilidade que a ciência possa ter. No primeiro caso ― e segundo Aristóteles ― o Homem é livre porque não tem dono e segue a lógica e a razão, em vez de seguir, como muitas vezes acontece no segundo caso, a racionalização que é imposta pelos outros através daquilo a que chama de “aprendizagem que desconhece as causas primeiras” (ou, transpondo o conceito para a modernidade, de “ensino oficial do Estado”).

A ciência ― entendida no sentido utilitário ou técnico e essencialmente pelo método positivista ― é imbuída de uma auto-confiança que lhe é dada pela “certeza” (pelo menos da “certeza” inerente a cada Zeitgeist no processo do devir) que lhe advém da verificação da causalidade empírica dos fenómenos. Porém, quando essa auto-confiança, que é própria da ciência positivista, é literalmente transferida para a existência humana, passa a predominar na sociedade a crença segundo a qual a nossa existência pode ser orientada e coordenada, em sentido absoluto, através da “verdade” da ciência.

Ora, a propagação desta crença cientificista ― ou seja, a valorização absoluta da ciência positivista, e da posse do conhecimento científico ― leva à legitimação da ignorância em tudo o que diz respeito aos problemas que existem para além da ciência dos fenómenos.

Em resultado dessa crença cientificista ― a que podemos chamar de “ignorância cientificista” ― , grassa em massa, na nossa sociedade, a ignorância em relação aos problemas existenciais que são de decisiva importância para todos nós. Este novo tipo de ignorância (a “cientificista”) transformou-se em um desastre civilizacional na medida em que a ordem do ser (a ordem da existência do ser individual e da sociedade) não pode ser determinada através da aquisição de conhecimento no sentido fenomenológico (no sentido do método da ciência positivista). É esta ignorância cientificista sobre a existência, legitimada pelos manuais escolares baseados na ciência do nosso tempo, que permitiu e legitima ao “citadino” chamar-me de “ignorante”. (more…)

Sexta-feira, 25 Dezembro 2009

José Rodrigues dos Santos, a peste negra e a ciência

Na entrevista dada recentemente por José Rodrigues dos Santos ao Milton (ou Nilton?) no seu programa da RTP2, JRS falou na peste negra medieval correlacionada com o alegado facto de o homem medieval recorrer às escrituras religiosas para explicar o mundo. (more…)

Sexta-feira, 6 Novembro 2009

A seguir ao aborto, vem aí o infanticídio a pedido da mulher

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Singer, divertido

O mais famoso bioeticista do mundo, o conhecido utilitarista Peter Singer, escreveu o seguinte no seu livro “Rethinking Life and Death” (Repensando a vida e a morte):

« Uma vez que nem uma criança recém-nascida nem um peixe são pessoas, o grau de gravidade em matar tanto a primeira como o segundo não é o mesmo do que a gravidade de se matar uma pessoa. »

Peter Singer compara uma criança nascida a um peixe.

Na Holanda, 8% dos óbitos de crianças são assassinadas pelos próprios médicos nos hospitais. Pela primeira vez, em toda a História, foi constituída a figura jurídica e cultural do “humano não pessoa” (HNP). O feto é um HNP. A partir do conceito de HNP chegaremos ao conceito de PNH (Pessoa Não Humana). É uma questão de tempo enquanto as elites poderosas se movem e apontam o caminho da política, da cultura e das ideias do futuro.

Sexta-feira, 2 Outubro 2009

A refutação do neodarwinismo através da simples evidência

nykid-darwinism

« Horia Cretan, dono de uma loja na Avenida Zerega, no Bronx, passou de desconhecido a herói na tarde da passada quarta-feira. Tudo porque, enquanto trabalhava, ouviu um grito e decidiu correr em direcção ao edifício em chamas de onde partira o pedido de ajuda.

Dentro do mesmo, um rapaz de quatro anos encontrava-se encurralado no quarto, enquanto o edifício ardia. Horia Cretan, subindo a escada de incêndio exterior do prédio, recebeu a criança dos braços de um bombeiro, ajudando nas operações de salvamento. »

(ler notícia no JN, com vídeo)

Para pessoas como Richard Dawkins, isto é, para um ateu qualquer, a Madre Teresa de Calcutá só é compaginável e imaginável como alguém que, evidentemente, calculou a sua recompensa celeste. No entanto, o que move um ser humano, que não é religioso e que não espera nenhuma vida eterna, irromper numa casa em chamas, a fim de salvar uma criança desconhecida ?
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Domingo, 30 Agosto 2009

O Positivismo e a Razão

Chamo a vossa atenção para este texto que vale a pena ler. Contudo, não deixaria de fazer ressaltar algumas ideias do texto com as quais não estou em total acordo:
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