perspectivas

Quarta-feira, 10 Fevereiro 2016

O Partido Comunista irá extinguir-se rapidamente

 

Tradicionalmente, o Partido Comunista não adoptava uma ética utilitarista. Karl Marx dizia que “o utilitarismo é uma moral de merceeiro inglês”. Álvaro Cunhal dedicou a sua tese de doutoramento em Direito à justificação da legalização do aborto: o aborto era de tal modo repugnante para ele, que ele dedicou a tese inteira do seu doutoramento para justificar a sua legalização.

Desde a morte de Álvaro Cunhal, o Partido Comunista abandonou “progressivamente” a sua tradição não-utilitarista, em parte devido à influência do fenómeno Bloco de Esquerda, e por outra parte devido ao isolamento ideológico que sofreu dentro da União Europeia do Euro.

Isto faz com que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista sejam hoje intermutáveis: tanto faz votar num como no outro. A distinção não-utilitarista do Partido Comunista desapareceu.

À partida, o problema colocar-se-ia assim: a probabilidade do Bloco de Esquerda substituir o Partido Comunista é tão grande como a do Partido Comunista substituir o Bloco de Esquerda no eleitorado. joao-semedo-autonomia-web

Mas, para além do utilitarismo adoptado pelo Bloco de Esquerda, o Partido Comunista terá que seguir à risca o Culto da Autonomia 1 (a perversão do conceito iluminista de “autonomia” segundo Kant) que também caracteriza o Bloco de Esquerda.

O princípio utilitarista da “maior felicidade para o maior número”, sendo repugnante para Karl Marx, ainda tem qualquer coisa de colectivo; mas o Culto da Autonomia, que caracteriza o Bloco de Esquerda, o Partido Socialista e uma parte do Partido Social Democrata, destrói qualquer desígnio colectivista real, e transforma os partidos de Esquerda em meros projectos de poder apenas pelo Poder.

O Culto da Autonomia é, no seu fundamento, incompatível com qualquer partido marxista-leninista. Quando o Partido Comunista tenta ignorar esta contradição, desfigura-se e copia o original que é o Bloco de Esquerda. Entre a cópia e o original, os eleitores tendem instintivamente a seguir o original. Por isso é que o Partido Comunista tem os dias contados em Portugal.

eutanasia-velharias


Nota
1. A autonomia de Kant pode definir-se 1/ como liberdade no sentido negativo, isto é, como independência em relação a qualquer coacção exterior (o cidadão), 2/ mas também no sentido positivo, como legislação da própria Razão pura prática (o legislador).

A autonomia da vontade é, segundo Kant, “o princípio supremo da moralidade” (“Fundamentação da Metafísica dos Costumes”). Segundo Kant, uma acção não pode ser verdadeiramente moral se não obedece a razões sensíveis exteriores à razão legislativa. Por exemplo, segundo Kant, se ajo por amor à Humanidade, não ajo por dever, mas por sentimento.

Ora, uma acção cuja máxima se baseia num sentimento não pode aspirar à universalidade e servir de lei a todo o ser racional. Em contrapartida, e seja qual for o meu sentimento em relação à Humanidade, “tratar a Humanidade na minha pessoa e na pessoa de qualquer outro, sempre simultaneamente como um fim, e não simplesmente como um meio”, é a máxima exigível universalmente, um dever para todos; a vontade que determina a sua acção a partir dela, é uma vontade autónoma, na medida em que se submete livremente à lei da razão pura prática.

Ou seja, para Kant, a autonomia consiste em ser simultaneamente “cidadão e legislador”: a vontade do Bem é ela própria uma criação livre.

A radicalização do princípio da autonomia de Kant, que ocorre na contemporaneidade, consiste grosso modo em adoptar a liberdade em sentido negativo (o “cidadão”) e excluir o sentido positivo da função da Razão no papel do “legislador”, transformando a autonomia em subjectivismo puro e não passível de universalidade, levando à atomização da sociedade.

Terça-feira, 9 Fevereiro 2016

O conceito actual de “autonomia” coloca em cheque a “consciência”

Filed under: filosofia — O. Braga @ 6:07 pm
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“Só há a vida do indivíduo, mas a consciência ultrapassa o indivíduo e rompe sem cessar os seus limites.

(…)

A consciência conduz a vida sob a sua própria jurisdição, em lugar de ser ela a submeter-se à jurisdição da vida.

O animal não se eleva acima da vida. Mas a consciência só ilumina aquilo que existe para se interrogar sobre o seu valor; só é consciência psicológica por ser também consciência moral. A vida só conhece o bem do indivíduo; a consciência eleva-se até ao bem universal; e quando o bem do indivíduo a põe em cheque (à consciência), eis que surge o mal”.

(Louis Lavelle, “Tratado dos Valores”, T. 1, pág. 744)


A consciência é, aqui, a essência que caracteriza não só o indivíduo, mas também a que une todos os indivíduos (o Absoluto). A nível do indivíduo, a consciência é uma experiência originária — comprovável a nível intersubjectivo — que antecede a experiência objectiva, tanto em termos lógicos como também em termos existenciais.

Quando o “bem do indivíduo” coloca em causa, ou em cheque, a “consciência” que se eleva ao bem universal, surge o mal. Quando o conceito actual e politicamente correcto de “autonomia do indivíduo” ignora a consciência e o bem universal, destrói a sociedade e o indivíduo, em vez de os tornar melhores. Não é possível um “mundo melhor” que se baseie principalmente no bem do indivíduo — porque o animal não se eleva acima da vida que só conhece o bem do indivíduo.

Segunda-feira, 8 Fevereiro 2016

Cada um tem a morte que merece

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 7:58 pm
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Quem vive como um animal, morre como um animal. Cada um tem a morte que escolheu em vida.

Eutanásia: um desejo privado não é automaticamente um direito público

 

Alguém escreveu o seguinte:

« Desenvolvimento de cuidados paliativos e dignidade para morrer não são incompatíveis nem mutuamente exclusivos.

"NINGUÉM TEM O DIREITO DE OBRIGAR SEJA QUEM FOR AO SOFRIMENTO, À DOR, À AGONIA, COMO NINGUÉM TEM O DIREITO DE ANTECIPAR A MORTE DE UM DOENTE QUE NÃO O QUEIRA FAZER" (roubado ao João Semedo). »

Deixem de ser ignorantes


Desde logo, existem no textículo supracitado duas falácias lógicas informais: a primeira é o ad Hominem. Quem não concorda com a criatura que escreveu aquilo é “ignorante” — embora ela não explique por que razão é ignorante. É ignorante, “porque sim”! A outra falácia é de apelo à autoridade: não é porque o João Semedo é licenciado em medicina que está habilitado a pronunciar-se sobre questões éticas ou jurídicas. Ou seja, o João Semedo pode ter a sua (dele) opinião, mas não tem uma qualquer autoridade de direito ou de facto nessa matéria.

Ademais, o desejo (privado) de uma pessoa não se transforma automaticamente em direito (público).

Mas é assim que aquela criatura pensa: o desejo individual é sempre passível de ser transformado em direito, alegadamente “desde que não prejudique outrem”. Ora, o conceito de “prejuízo de outrem” é deliberadamente desvalorizado e obnubilado.


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Se a eutanásia for legalizada, as pessoas com doenças terminais, ainda que não estejam em grande sofrimento físico, serão informadas pelos médicos acerca da possibilidade da eutanásia; ou seja, os médicos dirão detalhadamente a essas pessoas — muito antes da fase terminal da doença em que o sofrimento físico se acentua — quais as consequências futuras da evolução da doença em termos de dor e sofrimento; e isto para salvaguardar os requisitos de “consentimento informado” necessários para a “eutanásia voluntária”.

Por outras palavras: quando o médico detecta uma doença incurável no doente, informa-o imediatamente da possibilidade da eutanásia (cumprindo, assim, os requisitos legais de “consentimento confirmado”), muito antes de se manifestarem, no doente, quaisquer dores extremas.

O doente (a quem foi diagnosticado uma doença terminal) e que não queira ser eutanasiado, ouvirá inevitavelmente do médico, de amigos e de familiares, o relato da trágica prognose de sofrimento e dor — entrando em dissonância cognitiva em relação às suas próprias convicções anti-eutanásia; e tenderá, lógica- e obviamente, a aceitar a eutanásia (mesmo contra as suas convicções) para evitar o fardo do sofrimento — o que terá como consequência um sofrimento acrescido: o de se sentir culpado por ter violado a sua própria consciência.

Um doente a quem foi diagnosticada uma doença terminal, poderá viver, por exemplo, mais dois anos. Se ele opta por ser eutanasiado, poderá não ser beneficiado por avanços da ciência na área da doença dele.

Por outro lado, o doente pode procurar a eutanásia por motivos altruístas (mesmo que se oponha à eutanásia por objecção de consciência) para que não seja um peso em relação à família, ou porque não quer ser um peso em relação aos recursos escassos do Serviço Nacional de Saúde.

O doente que não deseja a eutanásia entra em um estado de ansiedade, com receio de ser incluído no rol das vítimas. Pessoas muito doentes ou débeis, internadas em hospitais ou lares de idosos, encontram-se muitas vezes em estado de confusão mental e/ou psicológica; por exemplo, é vulgar a regressão emocional. O facto de ele saber que pessoas à sua volta estão a ser eutanasiadas pode causar nele um estado permanente de medo.

A família do doente eutanasiado (que seja moralmente contra a eutanásia) sofrerá mais a morte dele do que se se tratasse de uma morte natural.

Se quem vê o ser humano como um animal sem alma tem o direito a ser eutanasiado, a verdade é quem se opõe moralmente à eutanásia não deve ser desconsiderado. Ou seja, a legalização da eutanásia não serve o interesse público, mas antes serve apenas o interesse privado dos filhos-de-puta que a defendem.

Se a eutanásia for legalizada sem regulamentação, aqueles que não queiram ser assassinados tornar-se-ão vítimas involuntárias (a lei contra o homicídio fica fragilizada). Se a eutanásia for legalizada com uma regulamentação apertada, envolvendo o governo e o Estado na matança, aqueles que não concordam com a eutanásia serão envolvidos na situação contra a sua vontade.

Uma vez que o envolvimento do Estado no processo de eutanásia será o de apenas promover o interesse privado e particular (e não o bem comum), a acção do Estado infringirá injustamente a liberdade de todos aqueles que não concordam com a eutanásia como um bem — o que torna ilegítima a acção do Estado.

O problema coloca-se, em suma, nas seguintes condições: existe uma contradição insanável entre os interesses privados daqueles que defendem a eutanásia (que vêem no ser humano um simples animal, sem alma, e que podem ser abatidos como um qualquer animal), por um lado, e por outro lado os interesses da maioria e do bem comum. Não é possível conciliar aqui os interesses de ambas as partes.

Ou seja, a legalização da eutanásia não é possível sem injustiça.

Domingo, 7 Fevereiro 2016

A barbárie dos “pachecos-pereira avant-garde”

Filed under: Europa — O. Braga @ 11:25 am
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Nicolás Gómez Dávila escreveu que “se retirarmos ao europeu a túnica cristã e a toga clássica, o que fica é o bárbaro”.

tunica-togaO temos hoje, nos “pachecos-pereira avant-garde” da Europa, é a evidência da barbárie: por exemplo, ao mesmo que tempo que defendem a legalização da eutanásia, defendem a livre imigração em massa de muçulmanos (o que é uma contradição em termos). Já atiraram fora a túnica cristã e despiram a toga romana. O rei vai nu, mas o povo ainda não viu.

Nos debates nos me®dia, ninguém os confronta com as suas próprias contradições, porque quem se atrever a fazê-lo é banido da intervenção publicada — “ninguém lhes franqueia as portas à chegada / eles comem tudo e não deixam nada”.

Ninguém se atreve a um corte epistemológico com eles; e assim os “pachecos-pereira avant-garde” desta vida vão fazendo o seu caminho, impunes e inimputáveis. A única coisa que os choca é uma qualquer ameaça à sua impunidade adquirida por direito.

O Islão manifesta aquilo a que Nietzsche chamou de “grande saúde”, porque dispõe de jovens soldados dispostos a morrer por ele. Os jovens soldados islâmicos suicidam-se — não para eutanasiar qualquer sofrimento terminal, mas por causa de um ideal (que é também anti-europeu).

Mas os “pachecos-pereira avant-garde” defendem o niilismo da eutanásia, por exemplo, ao mesmo tempo que abrem as portas à “grande saúde” islâmica.

Na origem desta contradição está a “grande recusa” marxista cultural, que fustiga a “pulsão de morte da civilização judaico-cristã mercantil”, por um lado, e por outro lado adopta uma axiomática de submissão ao Islamismo que prefere a escravidão de uma vida apoucada e vazia, à morte aquileana e honrosa do combate nobre por princípios.

O que pretendem os subscritores do manifesto a favor da eutanásia

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 2:20 am
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1/ A agenda política dos defensores da legalização da eutanásia é simples:

  • Primeiro, pretendem pelo menos conseguir um referendo para casos de eutanásia de doença terminal; e mesmo perdendo o referendo e estando em minoria, essa minoria justificaria a despenalização da eutanásia (a descriminalização).
  • Depois, através do “progresso da opinião pública” por intermédio do doutrinamento dos me®dia, legalizar a eutanásia a pedido do cliente, sob pretexto de que “há muita gente já a pratica”. Mais uma fez, o facto vai criar o Direito.
  • E, finalmente, impôr coerciva- e involuntariamente a eutanásia aos extractos populacionais mais vulneráveis.

Esta é, em suma, a agenda política dos psicopatas que assinaram este manifesto.

2/ Na Bélgica, a eutanásia foi legalizada em 2002 para aplicação exclusiva em casos de doença terminal. Mais tarde passou a ser eutanásia a pedido do freguês (doenças psíquicas e outras); e recentemente, a lei da eutanásia foi extensiva a crianças. Este é o “progresso da opinião pública” defendido pelos psicopatas que assinaram aquele manifesto.

3/ Há dias, na Bélgica, o governo chegou à conclusão de que a lei da eutanásia não estava em ordem e que, por isso, tinha que ser revista — em função do caso de uma cidadã de 38 anos, de seu nome Tine Nys, que foi eutanasiada “a pedido” por sofrimento psicológico devido ao seu divórcio. A família dela alegou que os médicos decidiram matá-la rapidamente, e sem lhe propôr qualquer tratamento.

Em função deste caso, a classe política belga decidiu que a lei teria que ser revista — depois de ter morrido gente!. Para os filhos-de-puta que legalizaram a eutanásia, casos como o de Tine Nys são meros danos colaterais que legitimam a deificação do seu estatuto ontológico elitista.

4/ Basta que consideremos a experiência e os factos decorrentes das leis da eutanásia na Holanda e na Bélgica — em que já matam pessoas que não pediram para morrer — para que não tenhamos qualquer dúvida de classificar os subscritores do dito manifesto como um grupo de filhos-de-putas (incluindo o Rui Rio).

Obviamente que esses sociopatas irão dizer que “em Portugal será diferente da Bélgica e da Holanda” — como se a filha-da-putice portuguesa se distinguisse da dos seus congéneres holandeses ou belgas. E vão dizer que “a recusa da eutanásia é matéria religiosa”, como se a experiência laica da lei da eutanásia naqueles dois países supracitados pudesse sustentar um argumento tão miserável quanto esse.

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5/ A defesa da eutanásia é uma manifestação pura de utilitarismo, de recusa de se gastar dinheiro com a protecção e preservação dos mais fracos. Por isso é que os subscritores daquele manifesto são uma plêiade de filhos-de-puta.

Em vez da eutanásia — cujo corolário lógico se pode verificar através do que se passa hoje na Holanda e na Bélgica —, a sociedade deve investir dinheiro em cuidados de saúde, em geral, e nos cuidados paliativos em particular. E os psicopatas que assinaram aquele manifesto devem ser monitorizados cuidadosamente pela sociedade.

Sábado, 6 Fevereiro 2016

Os defensores da eutanásia deveriam imediatamente eutanasiados

 

A mesma elite política que legalizou o "casamento" gay e a adopção de crianças por pares de invertidos à revelia da vontade do povo português, irá certamente legalizar a eutanásia.

Estamos perante a adopção da filosofia da “República” de Platão, em que uma elite se arroga no direito de definir o destino de toda a sociedade sem a consultar.

Quaisquer argumentos racionais contra a legalização da eutanásia, não irão adiantar absolutamente nada, porque a decisão já foi tomada nas lojas maçónicas e nas sedes dos partidos políticos jacobinos. O parlamento português está sitiado e condicionado; a classe política está controlada. O debate está inquinado à partida, e qualquer discussão pública sobre o assunto é prolixa.

Das duas, uma: ou o povo baixa os braços; ou reage com violência física — por exemplo, dando à Paula Teixeira da Cruz, desde já, a eutanásia que ela defende. Todos os defensores da eutanásia deveriam imediatamente eutanasiados, para que a sociedade possa manter a sua salubridade ética e cultural.

Quinta-feira, 4 Fevereiro 2016

Ex-maçon com o 14º grau confessa a responsabilidade maçónica nas engenharias sociais

Filed under: Europa — O. Braga @ 12:55 pm
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Em um livro publicado recentemente, um ex-maçon francês (Serge Abad-Gallardo) reconhece que as leis francesas do aborto, a eutanásia, o "casamento" gay ou da adopção de crianças por pares de invertidos, foram gizadas pela maçonaria.

Cerca de 20% dos deputados franceses são maçons, embora a maçonaria represente apenas 0,3% da população francesa. Os maçons votam no parlamento enquanto maçons, e independentemente do partido político a que pertencem; ou seja, a maçonaria funciona como um partido político.

As leis contra a família natural, promovidas pela maçonaria, têm como objectivo destruir a influência cristã na cultura antropológica. Por outro lado, a maçonaria é uma aliada formidável da plutocracia globalista: o ser humano sem família, ou com uma família precária, é facilmente manipulável.

Quinta-feira, 28 Janeiro 2016

O corolário da lei da eutanásia (Monty Phyton)

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 4:33 pm
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Sábado, 16 Janeiro 2016

O espírito de manada da classe política portuguesa

 

No recente debate televisionado entre Maria de Belém e Marcelo Rebelo de Sousa, a primeira disse o seguinte acerca de uma eventual lei da eutanásia:

“É preciso ter cuidado com a questão da eutanásia, até porque só existem dois países da União Europeia que aprovaram uma lei da eutanásia”.

Esta frase passou despercebida a muita gente; e significa o seguinte:

Se a maioria dos países da União Europeia tivesse já aprovada uma lei da eutanásia, a questão seria diferente e Portugal poderia adoptar também uma lei idêntica.

A preocupação da Maria de Belém com aquilo que os outros países da União Europeia fazem, é evidente; se a maioria dos países da União Europeia se atirar a um poço, a Maria de Belém vai a seguir. Isto revela um espírito de manada por parte da nossa classe política. Não são indivíduos: são bois e vacas que nos representam e que nos controlam.

No espírito de manada, os indivíduos (políticos) actuam colectivamente sem uma direcção centralizada, ou seja, actuam em roda livre. A manada (da nossa classe política) aparece como uma unidade em movimento, mas a sua função resulta de um comportamento descoordenado de indivíduos em regime de auto-gestão.

Kierkegaard e Nietzsche criticaram o espírito de manada. A classe política portuguesa, que supostamente deveria ser um melhor exemplo para a sociedade, é um grupo de pessoas que imita os membros de outro grupo que consideram superior — as classes políticas dos outros países da União Europeia.

O ser humano não pode escapar ao mimetismo cultural. Mas em questões fundamentais da cultura, como por exemplo na estética ou na ética, o espírito de manada é a antítese de civilização.

Terça-feira, 17 Novembro 2015

Pílula da morte, grátis, na Holanda

Filed under: ética — O. Braga @ 8:19 am
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Na Holanda prepara-se a legalização de distribuição gratuita da pílula da morte para pessoas com 70 ou mais anos. Qualquer pessoa com 70 ou mais anos, mesmo que não esteja doente, poderá dirigir-se a uma farmácia e requisitar grátis e livremente a pílula da morte, e suicidar-se.

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Quarta-feira, 1 Julho 2015

“Discriminação” : a palavra-mestra do politicamente correcto

Filed under: Política,politicamente correcto,ética — O. Braga @ 11:32 am
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A qualidade vertiginosa do actual ambiente sócio-político não pode prescindir de Kafka para o descrever: é como se acordássemos de manhãzinha, e sete em dez pessoas, conhecidas ou não, tivessem sofrido uma metamorfose, transformando-se em baratas gigantes.

“In the Journal of Medical Ethics, two influential bioethicists argue that we should allow euthanasia for patients suffering from ‘treatment-resistant’ depression. Udo Schuklenk, of Queens University in Canada, and Suzanne van de Vathorst, of the University of Amsterdam, claim it is discriminatory to allow euthanasia or assisted suicide for terminally ill patients but to deny it to those who suffer from incurable mental illness. Professor Schuklenk is co-editor of the journal Bioethics”.

Leading bioethicists back euthanasia for mentally ill

Segundo dois eminentes académicos especializados em ética, a ideia é a seguinte:

“Se uma pessoa com com cancro terminal, por exemplo, tem direito à eutanásia; segue-se que é discriminatório não conceder a eutanásia a pessoas com depressão mental resistente a tratamento”.

Ou seja, para não haver “discriminação”, tem que haver “direito”.

Levado às suas últimas consequências, este raciocínio implica que toda a gente tem direito à eutanásia, para que não seja alvo de discriminação. Por exemplo, o adolescente a quem a namorada pôs os cornos, e que está em um sofrimento psicológico atroz e insuportável, também tem direito à eutanásia; e os desempregados também (dava muito jeito às estatísticas!). Se o critério da concessão da eutanásia é a avaliação pessoal e subjectiva acerca da nossa qualidade de vida, estamos todos potencialmente fod***s!

Dizem, portanto, os académicos, que uma pessoa com “depressão mental resistente a tratamento” não deve ser discriminada, e por isso deve ser autorizada a “decidir” morrer desde que “a decisão seja livre” (sic). Ora, há aqui uma coisa que eu não compreendo (certamente serei deficiente cognitivo): ¿uma pessoa com “depressão mental resistente a tratamento” poderá tomar “decisões livres”?

Mas a falácia da cultura da morte vai mais longe: por exemplo, na Holanda e na Bélgica, já é praticada a eutanásia a pessoas (com Alzheimer, demência, etc.), sem consentimento prévio; e o argumento é o seguinte: se essas pessoas pudessem julgar o seu próprio estado, considerariam que não vale a pena viver”.

Nestes dois países já não existem crianças com síndrome de Down, em resultado de uma política de erradicação pré-natal (aborto selectivo). Quando já não existirem pessoas deficientes (porque foram todas eutanasiadas), nem velhos dementes, nem pessoas com “depressão mental resistente a tratamento”, etc., — ¿quem será eutanasiado a seguir, para não ser “discriminado”? Os pobres? Ou talvez você.

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