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Sexta-feira, 27 Maio 2016

A eutanásia para todos, e o progresso da opinião pública

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:16 pm
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Primeiro disseram que as uniões-civis entre homossexuais não tinham nada a ver com o "casamento" gay, mas antes se tratava de uma solução humanista para a situação dos homossexuais.

E as uniões gay foram legalizadas.

Depois, disseram que o "casamento" gay não tinha nada a ver com a adopção de crianças por pares de invertidos, mas antes se tratava de uma questão de igualdade.

E o "casamento" gay foi legalizado.

Depois disseram que a adopção de crianças por pares de homossexuais nada tinha a ver as "barriga de aluguer", mas que era do interesse das crianças abandonadas.

E a adopção de crianças por pares de invertidos foi legalizada.

E agora dizem que as "barriga de aluguer" é um direito de quem não pode parir (sejam homens ou mulheres). E as "barriga de aluguer" vão ser legalizadas.

Também dizem agora que a eutanásia é só para os doentes terminais. ¿Alguém acredita nisso?

O Luís Laparoto e a soteriologia da eutanásia

 

O grande problema da filosofia — e da ética — é o de que muitos “filósofos” fazem dela pura retórica (na esteira de Nietzsche, que lançou a moda). A filosofia é reduzida ao acto de “escrever bem”; desta forma, qualquer literato passa a ser filósofo. Se não é assim, então analisemos este texto de um tal Luís Coelho. Trata-se de uma logomaquia que confunde alhos com bugalhos; e o laparoto até publica livros.

Negação do livre-arbítrio; “a liberdade humana é ilusória”

O laparoto é livre para dizer que a liberdade do comum dos mortais é ilusória; mas a liberdade nietzscheana dele, na sua qualidade de semi-deus, já não é ilusória. Critica Platão e o platonismo, mas assume o direito a ser uma espécie de rei-filósofo que decide o que é bom para os mortais.

“Se a liberdade é, de facto, um dogma da espiritualidade, e da Filosofia em geral, é também factual que só a morte se aproxima de uma verdadeira forma de "ser livre". Porque a liberdade que geralmente achamos possuir é apenas obediência à condição primária e arquetípica que, quiçá ilusoriamente, sentimos ser nossa”.

Todo o texto está cheio de contradições; aliás, a contradição, em si mesma, é transformada em uma espécie de lógica. Por exemplo, quando ele diz que a liberdade é ilusória, mas, ao mesmo tempo, defende a liberdade de alguém exigir a um médico que o mate.

“Tenho por hábito dizer que, com o advento da modernidade, acrescido ao dogma da liberdade individual, ganhámos o direito inalienável de gozar com duas coisas: Deus e a Morte. A primeira é tabu já desusado, a "morte de Deus" tornou o sagrado obsoleto, matéria risível, para o bem e para o mal; a segunda é tabu ainda dominante, nisso a religião ainda prepondera, e quando o tema da "morte assistida" é reactualizado é a morte própria, a destruição pessoal — a culpa milenar incutida pela religião e o platonismo —, que é reactualizada, em conjunto com o que Mircea Eliade denunciaria enquanto "reactualização nostálgica das origens"”.

Toda a gente sabe, por intuição, que o sagrado não se tornou obsoleto; o que mudou (em alguns estratos culturais) foi a concepção do sagrado — o sagrado nunca morre nem se torna obsoleto, porque o ser humano não pode viver sem ele. O sagrado actual passou a ser, em parte, a negação de um certo sagrado: trata-se de uma metafísica, porque qualquer negação da Metafísica é uma forma de metafísica. Mas o laparoto escreve livros. E diz que leu Eliade.

E depois vemos um laparoto que despreza a teologia a abordar a problemática teológica; deixou de falar em ética e passou para a teologia com tiques de especialista — tal como um criacionista bíblico convicto pode criticar a evolução das espécies.

Em seguida, temos o problema da “culpa”. Temos que extirpar a culpa do ser humano, nem que nos atiremos de uma ponte abaixo. Maldita culpa! Puta-que-pariu a consciência moral!, que não deveria existir! Deveríamos ser livres o suficiente para não sentir culpa — embora a liberdade seja ilusória para os Hílicos.

O laparoto pertence à categoria dos Pneumáticos que já conseguiram a salvação porque “gozam com a morte”: ele já se encontra em uma dimensão ontológica superior, característica de uma plêiade de indivíduos nietzscheanos que está “para além do bem e do mal”. Só lhe falta agora cantar o hino litúrgico da Igreja Católica,

“Ó morte, sempre vencedora,
Onde está agora, a tua vitória?”,

e meter uma bala na cabeça — porque toda a gente é livre de se suicidar: não há é o direito de exigir que os outros se transformem em assassinos por imposição do Estado.

Quarta-feira, 25 Maio 2016

São estas as ideias que nos governam. Precisamos urgentemente de uma libertação

 

“Está ínsito na ideia de criarmos núcleos familiares que querem crianças, que vão amar as crianças, que vão protege-las e que não vão, como muitos casais heterossexuais violá-los, matá-los, mutilá-los, ofendê-los e impedi-los de ter uma saúde mental e física que lhes permita terem uma integração social útil”, afirma Eurico Reis, presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida.

Conselho de Ética fez um parecer unanimemente negativo, mas a esquerda aprovou a lei da "barriga de aluguer". Rita Lobo Xavier duvida da legalidade da medida, que considera inaceitável.

Naquela frase de Eurico Reis podemos ver a essência da argumentação do politicamente correcto em relação à procriação medicamente assistida para toda a gente, e em relação às "barriga de aluguer":

1/ as excepções à regra são propositadamente hiperbolizadas (falácia da mediocridade). O raciocínio induzido é o seguinte: “Há ‘casais heterossexuais’ que maltratam as suas crianças? Há! Por isso, qualquer forma de família alternativa à família natural é tão boa ou mesmo melhor para as crianças”.

2/ a afirmação da utilidade (utilitarismo) do Comportamentalismo (behaviourismo) na avaliação intrínseca da criança.

O materialismo behaviourista (behaviourismo) contesta a existência do espírito — e por esta via, recusa a liberdade humana e a subjectividade humana —, uma vez que tudo o que poderíamos observar seria o comportamento exterior que corresponde literalmente ao comportamento animal que, no caso do ser humano, inclui o comportamento linguístico. A sociobiologia é a expressão contemporânea do behaviourismo em todo o seu esplendor.

A teoria ética do behaviourismo é tenebrosa, porque parte da teoria do condicionamento do reflexo condicionado (Pavlov), que alegadamente explica todo o comportamento humano através do adestramento positivo e negativo (neste caso, das crianças).

Sexta-feira, 20 Maio 2016

O João Lobo Antunes e a eutanásia

Filed under: Política — O. Braga @ 9:59 am
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“A Igreja pronuncia-se de um modo vigoroso a defender princípios que são, na sua perspectiva, basilares e inegociáveis, nas questões do fim e do princípio da vida, esses são os grandes pólos. Entre um e outro há um enorme intervalo, o intervalo da vida. Há mundos morais locais, nos cuidados intensivos, numa urgência, e portanto algoritmos éticos rígidos não servem. Trazer a dicotomia de crentes e não crentes e tratá-la com displicência, chamando aos primeiros "confessionais", é uma forma de extremar o diálogo em posições inconciliáveis e impedir qualquer procura conjunta de soluções. Se a eutanásia é tomada apenas como a afirmação de um direito, é evidente que esse direito mais tarde ou mais cedo vai ser consagrado na lei. Isso é uma inevitabilidade”.

Porquê?

“Porque aparece quase como um direito simétrico do direito à vida. Isto vai implicar uma mudança substantiva na natureza da profissão médica. Andamos há séculos a defender que não é legítima no exercício profissional”.

"O direito à eutanásia será consagrado na lei. É uma inevitabilidade" (João Lobo Antunes)


Vamos tentar sintetizar a logomaquia propositada de João Lobo Antunes. Vamos começar pela seguinte proposição:

“Há mundos morais locais, nos cuidados intensivos, numa urgência, e portanto algoritmos éticos rígidos não servem”.

Temos que saber, em primeiro lugar, o que significa “mundos morais locais”, e depois o que significa “algoritmos éticos rígidos”. Sem as noções destes dois conceitos, não podemos dizer o que o João Lobo Antunes diz sem dizer quase nada — que é o que ele tenta fazer.

“Moral” pode ser concebida em dois sentidos principais:

  • Tudo o que deriva da ordem dos sentimentos e dos costumes. Refere-se à definição de estados psicológicos e subjectivos, na linha do Romantismo que nos chegou do século XVIII (Rousseau e comandita).

É neste sentido que o João Lobo Antunes valoriza os “mundos morais locais” — mas essa moral não define os valores da ética: a ética está para a moral, assim como o musicólogo está para a música.

  • Juízos derivados da ordem dos valores designados “constituintes éticos” — em que a filosofia propõe ao Homem um conjunto e um modelo de reflexão, onde a sua vida (e não apenas o seu pensamento) se pode empenhar — e onde se reflecte o livre-arbítrio que nos dá o sentido da vida.

O que o João Lobo Antunes quer dizer — na sua qualidade de cientista que acredita que existe uma Verdade em ciência, em parte já descoberta e outra parte ainda por descobrir — é que a moral é irracional e que os valores da ética são subjectivos (que não existe objectividade e concreção nos valores). É isto que o João Lobo Antunes quer dizer com “mundos morais locais”.

Ou seja, para o João Lobo Antunes, a moral é uma construção social e cultural, e por isso não é intuitiva no ser humano (por exemplo, para o João Lobo Antunes, o homem não mata porque pode ser assassinado também: a moral resume-se ao utilitarismo e ao interesse dos genes egoístas).

E sendo que a moral é uma construção social e cultural (uma construção não-intuitiva dos costumes através do processo histórico aleatório), ficam assim legitimadas as “morais locais, nos cuidados intensivos, numa urgência”, ou em qualquer outra parte. A atomização da moral baseia-se no indivíduo, em que qualquer um tem a sua moral tão legitimada quanto a moral de outro qualquer. Em moral não há qualquer “verdade absoluta” (passo a redundância), tudo depende do ponto de vista, e por isso todas as opções morais estão abertas à discussão. Em moral só há uma verdade absoluta: a que não há uma verdade absoluta (já não é nada mau!).


Os “algoritmos éticos rígidos” são os valores éticos entendidos em si mesmos, tal qual defendidos pela Igreja Católica (realismo ético) que o João Lobo Antunes critica. Para o João Lobo Antunes, o valor da justiça só faz sentido em relação a uma qualquer utilidade, porque o valor da justiça não existe por si mesmo e independentemente do que é útil. Para ele, a justiça só tem significado no sentido daquilo que é útil para o indivíduo enquanto átomo social, porque os valores da ética não existem senão em função da utilidade que podem ter.

E como aquilo que é “útil” varia de indivíduo para indivíduo, conclui o João Lobo Antunes que temos que combater os “algoritmos éticos rígidos” da Igreja Católica que dão uma realidade própria e independente aos valores da ética — porque aquilo que tem uma realidade própria e independente, possui a rigidez própria e característica do princípio da identidade (A = A).


“Trazer a dicotomia de crentes e não crentes e tratá-la com displicência, chamando aos primeiros "confessionais", é uma forma de extremar o diálogo em posições inconciliáveis e impedir qualquer procura conjunta de soluções”.

Se, por um lado, o João Lobo Antunes acredita que a moral é irracional e que os valores da ética são subjectivos, por outro lado o João Lobo Antunes acredita que é possível uma solução racional e global para a aplicação social da eutanásia — o que é uma contradição em termos. Ou a moral é irracional (e ponto final!), ou então é possível uma solução racional global e científica para um problema ético e/ou moral. Para mim é muito difícil compreender como uma pessoa com a estaleca intelectual do João Lobo Antunes (pelo menos, parece tê-la) incorre em uma contradição destas.

É certo que a moral não pertence ao domínio da ciência positivista — mas então não metam a ciência na definição de critérios morais que regulem actos éticos fundamentais como os do aborto ou da eutanásia.

A ideia de responsabilidade moral reside na experiência subjectiva, enquanto que a ciência só concebe acções determinadas pelas leis da natureza, e não concebe autonomia, nem sujeito, nem consciência e nem responsabilidade. A noção de “responsabilidade” é não-científica. A ética e a moral pertencem ao domínio da metafísica que se caracteriza pela falta de “bases objectivas” — aqui entendidas no sentido naturalista [naturalismo ≡ cientificismo metodológico].

Ou o João Lobo Antunes admite a metafísica, e neste caso pode falar de ética, ou adopta a posição positivista da ciência. A ideia da possibilidade da “cientificação” da ética no sentido da sua aplicabilidade social também foi tentada pelos nazis e pelo estalinismo. E deu no que deu.


“Se a eutanásia é tomada apenas como a afirmação de um direito, é evidente que esse direito mais tarde ou mais cedo vai ser consagrado na lei. Isso é uma inevitabilidade.

Porquê?

Porque aparece quase como um direito simétrico do direito à vida”.

Temos aqui o conceito de “simetria do direito” — não apenas no sentido de “direito negativo”, mas no sentido do “direito a não ser” em simetria ao “direito a ser”. Tradicionalmente, na cultura europeia, o “direito a ser” tem tido um valor positivo, valor esse que é traduzido em normas éticas ou/e jurídicas. Por exemplo, a lei actual diz que aquele que tenta o suicídio não pode “deixar de ser”, e por isso deve ser impedido de se suicidar e ser tratado compulsivamente (se necessário) em psiquiatria. Ora, parece que a lei da doença mental vai ter que mudar.

O conceito de “simetria do direito” retira, ao direito individual e ao Direito, qualquer positividade normalizável, tratando-os, em vez disso, como o resultado de um qualquer acto gratuito do indivíduo, desprovido de qualquer racionalidade: o direito individual aproxima-se da noção de “capricho”. A pulverização do direito fará com que o Código Civil e o Código Penal não caibam numa biblioteca.

No Estado moderno, existem apenas dois partidos: os cidadãos e a burocracia.” — Nicolás Gómez Dávila

Domingo, 15 Maio 2016

O “direito a ser mãe”

 

A nossa sociedade chegou a um estado de putrefacção tal, que se escrevem, nos me®dia, artigos deste calibre sobre o putativo “direito a ser mãe” através das "barriga de aluguer".

Direito a ser mãe

Repare, caro leitor (extenditur ad speciem humanam, etiam feminis): em matéria de costumes, tudo é defensável desde que seja racionalmente fundamentado; por exemplo, eu até compreendo o raciocínio dos que pretendem proibir as touradas: existe uma determinada lógica no abolicionismo tauromáquico — mas o meu problema está na proibição, por via legislativa, de uma tradição. Ou seja, o abolicionismo tauromáquico afronta irracionalmente o Direito Consuetudinário (o Direito da Tradição, e o direito à tradição).

Mas o conceito de “direito a ser mãe” é aberrante e irracional, porque transfere directamente o Direito Natural para o Direito Positivo, ou seja, pretende-se abolir totalmente qualquer resquício do Direito Natural. Eu não sei se aquela senhora que escreveu aquele artigo nos me®dia tem a noção disto; provavelmente é apenas ignorante.

No Direito Natural, o “direito a ser mãe” é condicionado pela Natureza.

Não se trata de um direito que possa ser imposto pela política, mas de um direito que a Natureza concede apenas à mulher em geral (as excepções confirmam a regra, porque a Natureza tem leis e excepções que as confirmam; e é da constatação deste facto que se faz a ciência).

Quando o “direito a ser mãe” se separa totalmente do Direito Natural, o conceito de “maternidade” fractura-se em três partes: a biológica, a gestacional e a social.

Se levado até às últimas consequências — e se a Esquerda (incluindo o Partido Social Democrata) for coerente — o “direito a ser mãe”, como consequência exclusiva do Direito Positivo, deve ser concedido também aos transgéneros que se assumem como mulheres, uma vez que a Lei Natural é abolida no Direito. Os transgéneros também passam a ter o “direito a serem mães”.

Quando se pretende que o Direito Positivo substitua totalmente o Direito Natural (eliminado este último), abre-se uma caixa de Pandora de consequências imprevisíveis e que faz prevalecer a normalização da insanidade mental na sociedade.

Vivemos já em uma sociedade controlada por psicopatas e doentes mentais.

Sexta-feira, 13 Maio 2016

A Esquerda no Partido Social Democrata

 

Pedro Passos Coelho, Paula Teixeira da Cruz, Teresa Leal Coelho, Jorge Moreira da Silva, Carlos Abreu Amorim, Miguel Santos, Sérgio Azevedo, Ângela Guerra, Berta Cabral, Luís Vales, Sara Madruga da Costa, António Leitão Amaro, António Costa Silva, Fátima Ramos, Firmino Pereira, Emília Cerqueira, Álvaro Baptista, Duarte Marques, Regina Bastos, Margarida Balseiro Lopes, Pedro Pinto, Margarida Mano, Rubina Berardo, António Lima Costa.

É muita esquerda no Partido Social Democrata. Esquerda a mais. Esquerda que escolheu cirurgicamente o dia 13 de Maio para aprovar a lei da procriação medicamente assistida para toda a gente e a lei da "barriga de aluguer".

Quinta-feira, 12 Maio 2016

A crítica ao anti-utilitarismo de John Rawls

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 10:19 am
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Este verbete do Aires de Almeida faz a crítica ao anti-utilitarismo de John Rawls.

A melhor crítica que podemos fazer ao utilitarismo é a de que é condicionado por duas proposições antitéticas ou contraditórias entre si:

  • uma proposição positiva, que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista;
  • e uma proposição normativa, que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do "maior número".

Todo o utilitarismo mistura, em proporções infinitamente variáveis e dependente apenas da discricionariedade política das elites da sociedade, uma axiomática do interesse e uma axiomática sacrificialista, que é simultaneamente um encantamento pelo egoísmo (individualismo) e uma apologia do altruísmo, e tentativa de reconciliar um ponto de vista ferozmente individualista e uma vertente globalizada e holista.

Ou seja, a melhor crítica ao utilitarismo é reduzi-lo ao absurdo, por um lado, e por outro lado sublinhar a importância do sacrifício voluntário, consciente e racional do interesse próprio que só a religião transcendental (até certo ponto) pode conseguir.

Terça-feira, 3 Maio 2016

A religião oficial de “intelectuais” como o José Pacheco Pereira ou Isabel Moreira

 

Quando chegamos à conclusão de que a “democracia está cansada”, (“nós”, os que pensam como eu), não o fazemos com gáudio ou prazer. Fazemo-lo com tristeza. É triste constatar que a democracia está exausta.

A principal causa da exaustão da democracia é a ideia laicista segundo a qual o Direito Positivo substitui a ética: acredita-se que se os valores da ética forem sujeitos a regulação jurídica, então tudo é regulável.

Ou seja, na democracia cansada, a lei pretende substituir a ética. Mas, sendo que os valores da ética só se impõem através do sacrifício do interesse próprio, esses valores impõem-se por intermédio da religião; mas, na democracia cansada, a religião foi afastada da praça pública pelo Poder político; a democracia cansada acredita que a lei substitui a religião.

A democracia cansada acredita que a vigilância da polícia tem o mesmo efeito prático do sacrifício do interesse próprio que os valores da ética impõem. Segundo a democracia cansada, basta que se regule por lei, por exemplo, a eutanásia ou as "barriga de aluguer", para que a eutanásia e a "barriga de aluguer" se tornem eticamente legítimas. É como se os valores da ética se esfumassem e fossem substituídos por uma norma policial.

No caso da eutanásia, a democracia cansada acredita que, regulando-a por lei, se evitam assassinatos. Sendo que os valores da ética são eliminados e substituídos pelo Direito Positivo (por normas policiais), os democratas cansados acreditam que é possível regular a eutanásia de modo a evitar homicídios. E quando esses homicídios não são evitáveis, os democratas cansados dizem que se tratam de “danos colaterais”. O assassínio passa a ser um dano colateral, em nome do sacrifício radical da ética e da sua submissão ao império do Direito Positivo.

No caso das "barriga de aluguer", a democracia cansada fractura a maternidade em três partes: biológica, gestacional e social.

Tal como uma prostituta é reduzida ao sexo, a mãe da "barriga de aluguer" é reduzida aos seus atributos físicos e à capacidade de ter filhos. E a criança fruto da "barriga de aluguer" é reduzida a um objecto que se compra e se vende. E a democracia cansada acredita que, através da regulação do Direito Positivo, a transformação da mulher e da criança em objectos são perfeitamente legítimos por via da norma legal, e por isso, os valores da ética se tornaram obsoletos e anti-modernos. A ética passou a ser um fenómeno anacrónico.

Mas são os mesmos que defendem o anacronismo da ética que pretendem regular os offshores através do Direito Positivo.

Pensam que através da repressão policial o mundo se tornará perfeito; e que a ética não é necessária para nada, e a religião também não. A nova religião da democracia cansada é o Direito Positivo, e a nova Bíblia é o Código Penal. Esta é a religião oficial de “intelectuais” como o José Pacheco Pereira ou Isabel Moreira.

A democracia cansada está doente. Ou acabamos com ela, ou ela acaba connosco.

Sexta-feira, 8 Abril 2016

A França acaba de penalizar os homens que procuram prostitutas

Filed under: Política — O. Braga @ 12:24 pm
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A França acaba de penalizar os homens que procuram prostitutas, aplicando-lhes multas de 1500 Euros, ao mesmo tempo que descriminaliza a actividade da prostituta. O seja, a Esquerda francesa que aprovou a lei, segue os exemplos da Suécia e da Noruega.

O problema da prostituição é muito difícil do ponto de vista ético. Em minha opinião, é mais difícil do que os problemas do aborto ou da eutanásia. E é difícil porque a prostituição está ligada às naturezas fundamentais e diferentes do homem e da mulher, naquilo que é do domínio do puro instinto.

pronstituta-vintageÉ certo que o ser humano deve ser um fim em si mesmo, e não um meio para um qualquer fim (aqui concordo com Kant que apenas foi buscar ao Cristianismo a noção de imperativo categórico). Por isso, a prostituição não é defensável do ponto de vista ético. A minha dúvida é que seja possível erradicar a prostituição por via da norma jurídica — porque a única forma de contrariar o império do dinheiro é fortalecendo a lei da honra, e isto não vai lá com leis que caducam quando a força bruta do Estado acaba.

Mas se a nova esquerda puritana quisesse ser coerente, teria que penalizar o homem que procura a prostituta mas também a prostituta, embora, admita eu, que em graus diferentes. Penalizar apenas o homem revela o enviesamento esquerdista contra o sexo masculino — sendo que o problema ético da prostituição diz respeito aos dois sexos.

A menorização moral da mulher conduz a um beco sem saída.

Esta lei francesa apenas vai conduzir a uma maior clandestinidade da prostituição, em que apenas uma classe rica de homens terá acesso às prostitutas; irá conduzir a uma prostituição exclusiva para as elites económicas e financeiras. E por isso é uma lei hipócrita, como são hipócritas a maioria das leis de Esquerda na área da moral e dos costumes.

Penso que não será possível, nunca, erradicar a prostituição; mas é possível minimizar o seu impacto na sociedade, através de uma melhor educação ética e cívica que passa inexoravelmente pelo fim da neutralidade do Estado em relação à religião.

Domingo, 3 Abril 2016

O Padre Portocarrero de Almada “fuzila” o João Semedo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 1:28 pm
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“A defesa da eufemisticamente chamada ‘morte assistida’ é, na realidade, uma proposta que pretende a substituição de uma ética personalista e de uma ordem jurídica humanista, baseada no valor supremo da vida, por uma prática de exaltação da liberdade individual que, no seu limite, atenta contra a vida e a dignidade humana.

A eutanásia não é um direito de ninguém, mas a violação do gravíssimo e universal dever fundamental de respeito pela vida humana inocente, que a todos obriga, sem excepção do próprio. A vida de qualquer ser humano – são ou doente, velho ou novo – é digníssima e irrenunciável, desde o instante da concepção e até ao momento da morte natural”.

Eutanásia, liberdade e dignidade humana

Sexta-feira, 1 Abril 2016

Eutanásia na saúde [Norberto Canha]

Filed under: Política — O. Braga @ 9:45 pm
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(Artigo do Professor Doutor Norberto Canha, catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, publicado no Diário das Beiras)

eutanasia-cadeiras
Pobres velhos! Aproxima-se a legislação que permitirá interromper a vida, não só aos velhos como aos imprestáveis.

A princípio destina-se a situações específicas, bem fundamentadas, depois, o leque estende-se e englobará até os legisladores.

Nós classificamos em três graus os idosos, os inválidos ou os deficientes.

Grau 1 – sem qualquer dependência para as actividades correntes

Grau 2 – com dependência moderada mas capacidade de exercer e executar as tarefas quotidianas da vida

Grau 3 – totalmente dependentes.

Tudo leva a crer que é para este terceiro grau de dependência a legislação, mas não inclui os psicopatas que invadem este mundo e não faltam neste país.

No tempo de doentes ultrapassado – sobretudo traumatismo cranio-encefálico – quando não reagia a qualquer estímulo, em midríase, ou o electroencefalograma não tinha oscilações, considerava-se em morte cerebral e desligava-se a máquina da respiração assistida. Não respirava por si. Morte cerebral.

A partir desse momento podia-se proceder à colheita de órgãos para transplantes se fosse consentido. Com esta morte assistida, será assim? Não se virá a tirar lucro da própria morte para a venda de órgãos?

Eu médico, decidi-me a esta profissão para salvar vidas e não para ser motorizado para a morte. Nunca o faria nem farei.

Quando o paciente estiver dependente de máquinas e sem reação, isso eu praticaria e aconselharia. Com a abrangência que se adivinha ou se poderá vir a cair, isso Não.


norberto_canhaVou puxar pela memória e recordar o ocorrido quando tinha à volta de vinte e poucos anos. Tínhamos duas éguas, a Joaquina mansarrona preferida pelas mulheres, puxava a charrua ou o arado mostrando vontade de agradar; a Carriça cavalgava, escolhida pelos homens, era contrariada que ajudava nas actividades agrícolas.

Engravidaram ao mesmo tempo, cada uma delas teve uma mula, irmãs, filhas do mesmo burro.

A filha da Carriça partiu o pé dianteiro, direito a cima da pata, onde desvia para fora. O veterinário aconselhou o abate; não tinha cura. Nós tínhamos afecto às mães e às filhas. Recusamos o conselho. Curou e embora com deformação deixou-se montar sem aprendizagem. E era tão boa ou melhor que a irmã a puxar e a levar a charrua ou o arado ou uma boa carga de sacos.

Eram diferentes. Embora filhas do mesmo pai.

Desde que não sejam violentos – e para isso há medicação – porque não estender aos nossos antepassados tanto ou mais carinho do que recebemos. É tomar a decisão pensada, mas fria da pena de morte assistida? Nunca! Eu sei que é penoso e trabalhoso, mas temos de pensar. Hoje são Eles. Amanhã seremos nós. O que é que o criador pensará de nós, duns e doutros?

Tu não acreditas, mas eu acredito. E para além da morte há outra vida!.

Não quero partir com tal penar!

A Eutanásia? Nunca! Não! Isso é comércio, é negócio do deve e haver.

Não é ódio a Peter Singer: é a massa crítica que falta ao Rolando Almeida

 

“A base do argumento de Singer neste livro é a seguinte: Se uma acção x produzir um maior bem para mais pessoas, então é uma acção moralmente correcta”.

Rolando Almeida (professor de filosofia)


Não há qualquer dúvida histórica de que o holocausto dos judeus por parte do partido nazi beneficiou (materialmente) a esmagadora maioria dos alemães. Mas, da acção do extermínio nazi dos judeus não se pode dizer que foi moralmente correcta — a não ser que o Rolando Almeida pense o contrário, o que não me surpreenderia.

O argumento do “ódio contra Peter Singer” é risível, se não fosse perigoso: dá a ideia de que qualquer crítica a determinados raciocínios politicamente correctos é sempre uma expressão de ódio. Tudo o que afronta racionalmente o politicamente correcto é fobia!

Já demonstrei (racionalmente!; não se trata de uma fobia) que a doutrina ética do “especismo” de Peter Singer, por exemplo, é incoerente. E fica aqui demonstrado racionalmente que o Rolando Almeida é estúpido.

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