perspectivas

Quarta-feira, 10 Fevereiro 2016

O Partido Comunista irá extinguir-se rapidamente

 

Tradicionalmente, o Partido Comunista não adoptava uma ética utilitarista. Karl Marx dizia que “o utilitarismo é uma moral de merceeiro inglês”. Álvaro Cunhal dedicou a sua tese de doutoramento em Direito à justificação da legalização do aborto: o aborto era de tal modo repugnante para ele, que ele dedicou a tese inteira do seu doutoramento para justificar a sua legalização.

Desde a morte de Álvaro Cunhal, o Partido Comunista abandonou “progressivamente” a sua tradição não-utilitarista, em parte devido à influência do fenómeno Bloco de Esquerda, e por outra parte devido ao isolamento ideológico que sofreu dentro da União Europeia do Euro.

Isto faz com que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista sejam hoje intermutáveis: tanto faz votar num como no outro. A distinção não-utilitarista do Partido Comunista desapareceu.

À partida, o problema colocar-se-ia assim: a probabilidade do Bloco de Esquerda substituir o Partido Comunista é tão grande como a do Partido Comunista substituir o Bloco de Esquerda no eleitorado. joao-semedo-autonomia-web

Mas, para além do utilitarismo adoptado pelo Bloco de Esquerda, o Partido Comunista terá que seguir à risca o Culto da Autonomia 1 (a perversão do conceito iluminista de “autonomia” segundo Kant) que também caracteriza o Bloco de Esquerda.

O princípio utilitarista da “maior felicidade para o maior número”, sendo repugnante para Karl Marx, ainda tem qualquer coisa de colectivo; mas o Culto da Autonomia, que caracteriza o Bloco de Esquerda, o Partido Socialista e uma parte do Partido Social Democrata, destrói qualquer desígnio colectivista real, e transforma os partidos de Esquerda em meros projectos de poder apenas pelo Poder.

O Culto da Autonomia é, no seu fundamento, incompatível com qualquer partido marxista-leninista. Quando o Partido Comunista tenta ignorar esta contradição, desfigura-se e copia o original que é o Bloco de Esquerda. Entre a cópia e o original, os eleitores tendem instintivamente a seguir o original. Por isso é que o Partido Comunista tem os dias contados em Portugal.

eutanasia-velharias


Nota
1. A autonomia de Kant pode definir-se 1/ como liberdade no sentido negativo, isto é, como independência em relação a qualquer coacção exterior (o cidadão), 2/ mas também no sentido positivo, como legislação da própria Razão pura prática (o legislador).

A autonomia da vontade é, segundo Kant, “o princípio supremo da moralidade” (“Fundamentação da Metafísica dos Costumes”). Segundo Kant, uma acção não pode ser verdadeiramente moral se não obedece a razões sensíveis exteriores à razão legislativa. Por exemplo, segundo Kant, se ajo por amor à Humanidade, não ajo por dever, mas por sentimento.

Ora, uma acção cuja máxima se baseia num sentimento não pode aspirar à universalidade e servir de lei a todo o ser racional. Em contrapartida, e seja qual for o meu sentimento em relação à Humanidade, “tratar a Humanidade na minha pessoa e na pessoa de qualquer outro, sempre simultaneamente como um fim, e não simplesmente como um meio”, é a máxima exigível universalmente, um dever para todos; a vontade que determina a sua acção a partir dela, é uma vontade autónoma, na medida em que se submete livremente à lei da razão pura prática.

Ou seja, para Kant, a autonomia consiste em ser simultaneamente “cidadão e legislador”: a vontade do Bem é ela própria uma criação livre.

A radicalização do princípio da autonomia de Kant, que ocorre na contemporaneidade, consiste grosso modo em adoptar a liberdade em sentido negativo (o “cidadão”) e excluir o sentido positivo da função da Razão no papel do “legislador”, transformando a autonomia em subjectivismo puro e não passível de universalidade, levando à atomização da sociedade.

Terça-feira, 9 Fevereiro 2016

O conceito actual de “autonomia” coloca em cheque a “consciência”

Filed under: filosofia — O. Braga @ 6:07 pm
Tags: , , ,

 

“Só há a vida do indivíduo, mas a consciência ultrapassa o indivíduo e rompe sem cessar os seus limites.

(…)

A consciência conduz a vida sob a sua própria jurisdição, em lugar de ser ela a submeter-se à jurisdição da vida.

O animal não se eleva acima da vida. Mas a consciência só ilumina aquilo que existe para se interrogar sobre o seu valor; só é consciência psicológica por ser também consciência moral. A vida só conhece o bem do indivíduo; a consciência eleva-se até ao bem universal; e quando o bem do indivíduo a põe em cheque (à consciência), eis que surge o mal”.

(Louis Lavelle, “Tratado dos Valores”, T. 1, pág. 744)


A consciência é, aqui, a essência que caracteriza não só o indivíduo, mas também a que une todos os indivíduos (o Absoluto). A nível do indivíduo, a consciência é uma experiência originária — comprovável a nível intersubjectivo — que antecede a experiência objectiva, tanto em termos lógicos como também em termos existenciais.

Quando o “bem do indivíduo” coloca em causa, ou em cheque, a “consciência” que se eleva ao bem universal, surge o mal. Quando o conceito actual e politicamente correcto de “autonomia do indivíduo” ignora a consciência e o bem universal, destrói a sociedade e o indivíduo, em vez de os tornar melhores. Não é possível um “mundo melhor” que se baseie principalmente no bem do indivíduo — porque o animal não se eleva acima da vida que só conhece o bem do indivíduo.

Segunda-feira, 8 Fevereiro 2016

Cada um tem a morte que merece

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 7:58 pm
Tags: ,

joao-semedo-eutanasia

 

 

Quem vive como um animal, morre como um animal. Cada um tem a morte que escolheu em vida.

Eutanásia: um desejo privado não é automaticamente um direito público

 

Alguém escreveu o seguinte:

« Desenvolvimento de cuidados paliativos e dignidade para morrer não são incompatíveis nem mutuamente exclusivos.

"NINGUÉM TEM O DIREITO DE OBRIGAR SEJA QUEM FOR AO SOFRIMENTO, À DOR, À AGONIA, COMO NINGUÉM TEM O DIREITO DE ANTECIPAR A MORTE DE UM DOENTE QUE NÃO O QUEIRA FAZER" (roubado ao João Semedo). »

Deixem de ser ignorantes


Desde logo, existem no textículo supracitado duas falácias lógicas informais: a primeira é o ad Hominem. Quem não concorda com a criatura que escreveu aquilo é “ignorante” — embora ela não explique por que razão é ignorante. É ignorante, “porque sim”! A outra falácia é de apelo à autoridade: não é porque o João Semedo é licenciado em medicina que está habilitado a pronunciar-se sobre questões éticas ou jurídicas. Ou seja, o João Semedo pode ter a sua (dele) opinião, mas não tem uma qualquer autoridade de direito ou de facto nessa matéria.

Ademais, o desejo (privado) de uma pessoa não se transforma automaticamente em direito (público).

Mas é assim que aquela criatura pensa: o desejo individual é sempre passível de ser transformado em direito, alegadamente “desde que não prejudique outrem”. Ora, o conceito de “prejuízo de outrem” é deliberadamente desvalorizado e obnubilado.


eutanasia-cadeiras
Se a eutanásia for legalizada, as pessoas com doenças terminais, ainda que não estejam em grande sofrimento físico, serão informadas pelos médicos acerca da possibilidade da eutanásia; ou seja, os médicos dirão detalhadamente a essas pessoas — muito antes da fase terminal da doença em que o sofrimento físico se acentua — quais as consequências futuras da evolução da doença em termos de dor e sofrimento; e isto para salvaguardar os requisitos de “consentimento informado” necessários para a “eutanásia voluntária”.

Por outras palavras: quando o médico detecta uma doença incurável no doente, informa-o imediatamente da possibilidade da eutanásia (cumprindo, assim, os requisitos legais de “consentimento confirmado”), muito antes de se manifestarem, no doente, quaisquer dores extremas.

O doente (a quem foi diagnosticado uma doença terminal) e que não queira ser eutanasiado, ouvirá inevitavelmente do médico, de amigos e de familiares, o relato da trágica prognose de sofrimento e dor — entrando em dissonância cognitiva em relação às suas próprias convicções anti-eutanásia; e tenderá, lógica- e obviamente, a aceitar a eutanásia (mesmo contra as suas convicções) para evitar o fardo do sofrimento — o que terá como consequência um sofrimento acrescido: o de se sentir culpado por ter violado a sua própria consciência.

Um doente a quem foi diagnosticada uma doença terminal, poderá viver, por exemplo, mais dois anos. Se ele opta por ser eutanasiado, poderá não ser beneficiado por avanços da ciência na área da doença dele.

Por outro lado, o doente pode procurar a eutanásia por motivos altruístas (mesmo que se oponha à eutanásia por objecção de consciência) para que não seja um peso em relação à família, ou porque não quer ser um peso em relação aos recursos escassos do Serviço Nacional de Saúde.

O doente que não deseja a eutanásia entra em um estado de ansiedade, com receio de ser incluído no rol das vítimas. Pessoas muito doentes ou débeis, internadas em hospitais ou lares de idosos, encontram-se muitas vezes em estado de confusão mental e/ou psicológica; por exemplo, é vulgar a regressão emocional. O facto de ele saber que pessoas à sua volta estão a ser eutanasiadas pode causar nele um estado permanente de medo.

A família do doente eutanasiado (que seja moralmente contra a eutanásia) sofrerá mais a morte dele do que se se tratasse de uma morte natural.

Se quem vê o ser humano como um animal sem alma tem o direito a ser eutanasiado, a verdade é quem se opõe moralmente à eutanásia não deve ser desconsiderado. Ou seja, a legalização da eutanásia não serve o interesse público, mas antes serve apenas o interesse privado dos filhos-de-puta que a defendem.

Se a eutanásia for legalizada sem regulamentação, aqueles que não queiram ser assassinados tornar-se-ão vítimas involuntárias (a lei contra o homicídio fica fragilizada). Se a eutanásia for legalizada com uma regulamentação apertada, envolvendo o governo e o Estado na matança, aqueles que não concordam com a eutanásia serão envolvidos na situação contra a sua vontade.

Uma vez que o envolvimento do Estado no processo de eutanásia será o de apenas promover o interesse privado e particular (e não o bem comum), a acção do Estado infringirá injustamente a liberdade de todos aqueles que não concordam com a eutanásia como um bem — o que torna ilegítima a acção do Estado.

O problema coloca-se, em suma, nas seguintes condições: existe uma contradição insanável entre os interesses privados daqueles que defendem a eutanásia (que vêem no ser humano um simples animal, sem alma, e que podem ser abatidos como um qualquer animal), por um lado, e por outro lado os interesses da maioria e do bem comum. Não é possível conciliar aqui os interesses de ambas as partes.

Ou seja, a legalização da eutanásia não é possível sem injustiça.

Domingo, 7 Fevereiro 2016

O que pretendem os subscritores do manifesto a favor da eutanásia

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 2:20 am
Tags: , ,

 

1/ A agenda política dos defensores da legalização da eutanásia é simples:

  • Primeiro, pretendem pelo menos conseguir um referendo para casos de eutanásia de doença terminal; e mesmo perdendo o referendo e estando em minoria, essa minoria justificaria a despenalização da eutanásia (a descriminalização).
  • Depois, através do “progresso da opinião pública” por intermédio do doutrinamento dos me®dia, legalizar a eutanásia a pedido do cliente, sob pretexto de que “há muita gente já a pratica”. Mais uma fez, o facto vai criar o Direito.
  • E, finalmente, impôr coerciva- e involuntariamente a eutanásia aos extractos populacionais mais vulneráveis.

Esta é, em suma, a agenda política dos psicopatas que assinaram este manifesto.

2/ Na Bélgica, a eutanásia foi legalizada em 2002 para aplicação exclusiva em casos de doença terminal. Mais tarde passou a ser eutanásia a pedido do freguês (doenças psíquicas e outras); e recentemente, a lei da eutanásia foi extensiva a crianças. Este é o “progresso da opinião pública” defendido pelos psicopatas que assinaram aquele manifesto.

3/ Há dias, na Bélgica, o governo chegou à conclusão de que a lei da eutanásia não estava em ordem e que, por isso, tinha que ser revista — em função do caso de uma cidadã de 38 anos, de seu nome Tine Nys, que foi eutanasiada “a pedido” por sofrimento psicológico devido ao seu divórcio. A família dela alegou que os médicos decidiram matá-la rapidamente, e sem lhe propôr qualquer tratamento.

Em função deste caso, a classe política belga decidiu que a lei teria que ser revista — depois de ter morrido gente!. Para os filhos-de-puta que legalizaram a eutanásia, casos como o de Tine Nys são meros danos colaterais que legitimam a deificação do seu estatuto ontológico elitista.

4/ Basta que consideremos a experiência e os factos decorrentes das leis da eutanásia na Holanda e na Bélgica — em que já matam pessoas que não pediram para morrer — para que não tenhamos qualquer dúvida de classificar os subscritores do dito manifesto como um grupo de filhos-de-putas (incluindo o Rui Rio).

Obviamente que esses sociopatas irão dizer que “em Portugal será diferente da Bélgica e da Holanda” — como se a filha-da-putice portuguesa se distinguisse da dos seus congéneres holandeses ou belgas. E vão dizer que “a recusa da eutanásia é matéria religiosa”, como se a experiência laica da lei da eutanásia naqueles dois países supracitados pudesse sustentar um argumento tão miserável quanto esse.

eutanasia-cadeiras

5/ A defesa da eutanásia é uma manifestação pura de utilitarismo, de recusa de se gastar dinheiro com a protecção e preservação dos mais fracos. Por isso é que os subscritores daquele manifesto são uma plêiade de filhos-de-puta.

Em vez da eutanásia — cujo corolário lógico se pode verificar através do que se passa hoje na Holanda e na Bélgica —, a sociedade deve investir dinheiro em cuidados de saúde, em geral, e nos cuidados paliativos em particular. E os psicopatas que assinaram aquele manifesto devem ser monitorizados cuidadosamente pela sociedade.

Sábado, 6 Fevereiro 2016

Os defensores da eutanásia deveriam imediatamente eutanasiados

 

A mesma elite política que legalizou o "casamento" gay e a adopção de crianças por pares de invertidos à revelia da vontade do povo português, irá certamente legalizar a eutanásia.

Estamos perante a adopção da filosofia da “República” de Platão, em que uma elite se arroga no direito de definir o destino de toda a sociedade sem a consultar.

Quaisquer argumentos racionais contra a legalização da eutanásia, não irão adiantar absolutamente nada, porque a decisão já foi tomada nas lojas maçónicas e nas sedes dos partidos políticos jacobinos. O parlamento português está sitiado e condicionado; a classe política está controlada. O debate está inquinado à partida, e qualquer discussão pública sobre o assunto é prolixa.

Das duas, uma: ou o povo baixa os braços; ou reage com violência física — por exemplo, dando à Paula Teixeira da Cruz, desde já, a eutanásia que ela defende. Todos os defensores da eutanásia deveriam imediatamente eutanasiados, para que a sociedade possa manter a sua salubridade ética e cultural.

Quarta-feira, 27 Janeiro 2016

A confusão do Rolando Almeida sobre factos e valores

Filed under: cultura — O. Braga @ 12:48 pm
Tags: , , , ,

 

“Subjectividade e objectividade respeita às afirmações que fazemos e à sua relação com a verdade. Fazemos afirmações sobre factos e afirmações sobre valores, vulgo juízos de facto e juízos de valor. Especialmente no secundário haveria de corrigir alguns aspectos terminológicos. Isto porque se ensina na primeira unidade o que é uma proposição, mas quando se fala em valores fala-se em juízos. Nada me parece errado aqui. Mas seria preferível referir “proposições sobre factos” e “proposições sobre valores”, já que é disso que se trata e, desse modo, habituávamos os estudantes a uma uniformização lexical que me parece de todo vantajosa, pelo menos neste nível de ensino.”

Rolando Almeida


A oposição entre juízos de facto e juízos de valor é mais aparente do que real.

O uso do juízo de valor enuncia o que “deve ser”, e o que “não deve ser”. Embora não possa existir uma ciência normativa constituída por juízos de valor, mas apenas uma ciência crítica, podemos contudo tomar como base de discussão a afirmação inversa: os juízos de valor são meros juízos de facto que enunciam, embora de forma “sinuosa”, o pensamento (que é efectivamente um facto) "valorizador" daquele que fala.

O pensamento de uma pessoa acerca de um qualquer fenómeno, é um facto, que pode ser verdadeiro ou falso.

Essa verdade ou falsidade do juízo de valor pode ser verificada através de uma ciência crítica que, tal como na ciência normativa dos juízos de facto, depende dos pressupostos (postulados, axiomas) de que parte. Por exemplo, se eu disser que “o João mede 1,76 metros de altura”, essa verdade (a ser verdade) é intersubjectiva (ou seja, objectiva), mas parte do postulado de uma bitola de medição física macroscópica que tem como pressuposto (axioma) a velocidade de rotação e de translação da Terra, por exemplo. Outro exemplo: se colocarmos dois relógios acertados um com o outro — um deles na estratosfera, e outro dentro da crusta terrestre, ao fim de algum tempo os dois relógios deixam de estar acertados um com o outro.

Ou seja, a verdade de um juízo de facto depende da verdade de outro juízo de facto que lhe está subjacente e, assim ad infinitum.

Tal como acontece com os juízos de facto, os juízos de valor dependem de postulados e/ou axiomas.

Ou seja, à luz da ciência mais actual, o juízo de valor é tão relativo quanto é o juízo de facto. Não é possível, em bom rigor, afirmar que o juízo de valor é mais passível de ser verdadeiro ou falso do que um juízo de valor.

Se considerarmos que o juízo de valor é relativo, teremos também a aceitar que o juízo de facto também é relativo — o que seria a negação da ciência enquanto tal.

A ideia segundo a qual “a verdade das proposições sobre valores depende directamente das crenças” é tão válida quanto a ideia segundo a qual “as proposições sobre factos depende directamente das crenças” — porque a ciência (empírica ou teórica) também é baseada em crenças, embora crenças de grau superior.

O que interessa, tanto no juízo de facto quanto no juízo de valor, é a fundamentação racional do juízo que justifica a crença, e não apenas a crença entendida em si mesma.

Terça-feira, 26 Janeiro 2016

Emotivismo Moral

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 11:35 am
Tags: , , ,

 

“Outra teoria meta-ética importante é conhecida como emotivismo ou não cognitivismo. Os emotivistas, como A. J. Ayer (1910-1988), no capítulo 6 de Linguagem, Verdade e Lógica, defendem que nenhuma afirmação ética tem literalmente sentido. Não exprimem quaisquer factos; o que exprimem é a emoção do locutor.

Os juízos morais não têm nenhum significado literal: são apenas expressões de emoção, como resmungos, bocejos ou gargalhadas.

Logo, quando alguém diz «a tortura está errada» ou «devemos dizer a verdade», está a fazer pouco mais do que mostrar o que sente em relação à tortura e à honestidade”.

Emotivismo Moral

Deveríamos perguntar ao A. J. Ayer se a sua (dele) proposição ética exprime quaisquer factos, ou se apenas exprime a emoção dele.

E o Rolando Almeida e o Desidério Murcho deveriam colocar esta pergunta aos seus (deles) alunos.

Sábado, 16 Janeiro 2016

O espírito de manada da classe política portuguesa

 

No recente debate televisionado entre Maria de Belém e Marcelo Rebelo de Sousa, a primeira disse o seguinte acerca de uma eventual lei da eutanásia:

“É preciso ter cuidado com a questão da eutanásia, até porque só existem dois países da União Europeia que aprovaram uma lei da eutanásia”.

Esta frase passou despercebida a muita gente; e significa o seguinte:

Se a maioria dos países da União Europeia tivesse já aprovada uma lei da eutanásia, a questão seria diferente e Portugal poderia adoptar também uma lei idêntica.

A preocupação da Maria de Belém com aquilo que os outros países da União Europeia fazem, é evidente; se a maioria dos países da União Europeia se atirar a um poço, a Maria de Belém vai a seguir. Isto revela um espírito de manada por parte da nossa classe política. Não são indivíduos: são bois e vacas que nos representam e que nos controlam.

No espírito de manada, os indivíduos (políticos) actuam colectivamente sem uma direcção centralizada, ou seja, actuam em roda livre. A manada (da nossa classe política) aparece como uma unidade em movimento, mas a sua função resulta de um comportamento descoordenado de indivíduos em regime de auto-gestão.

Kierkegaard e Nietzsche criticaram o espírito de manada. A classe política portuguesa, que supostamente deveria ser um melhor exemplo para a sociedade, é um grupo de pessoas que imita os membros de outro grupo que consideram superior — as classes políticas dos outros países da União Europeia.

O ser humano não pode escapar ao mimetismo cultural. Mas em questões fundamentais da cultura, como por exemplo na estética ou na ética, o espírito de manada é a antítese de civilização.

Terça-feira, 5 Janeiro 2016

A epigenética e a adopção de crianças por pares de invertidos

Filed under: Política — O. Braga @ 12:07 pm
Tags: , , , ,

 

Se adopção de crianças é hoje concebida em termos exclusivamente utilitaristas e behaviouristas — o que é verdade! —, então segue-se que a epigenética (a ciência) irá certamente aconselhar que não seja permitida a adopção por pares de homossexuais.

“Um dos primeiros cientistas a sugerir que os hábitos de vida e o ambiente social em que uma pessoa está inserida poderiam modular o funcionamento de seus genes foi Moshe Szyf, professor de Farmacologia e Terapêutica da Universidade McGill, no Canadá.

Szyf também foi pioneiro ao afirmar que essa programação do genoma – que ocorre por meio de processos bioquímicos baptizados de mecanismos epigenéticos – seria um processo fisiológico, uma espécie de resposta adaptativa ao ambiente que começa ainda na vida uterina”.

Pioneiro da epigenética fala sobre relação entre ambiente e genoma

Obviamente que a ciência não determina a ética; mas não pode deixar de ser tida em consideração pelos eticistas. Ignorar a ciência é loucura.

Segunda-feira, 28 Dezembro 2015

Em Portugal, quem rouba o patrão não pode ser despedido com justa causa

Filed under: Política — O. Braga @ 6:34 pm
Tags: ,

 

“A empresa Infraestruturas de Portugal terá pago uma indemnização a um trabalhador despedido no âmbito do processo Face Oculta, depois de o Tribunal do Porto ter considerado injustificado o despedimento por justa causa, levado a cabo pela empresa.

A notícia, avançada pelo jornal Público, refere que Abílio Guedes terá prejudicado a Refer, “ao adulterar pesagens de sucata a favor de Manuel Godinho”. Na sequência desse caso, foi condenado mas o Tribunal da Relação do Porto considerou que o seu despedimento não foi por justa causa”.

Empresa despediu trabalhador na sequência do processo mas Relação do Porto deu razão a Abílio Guedes.

(via)

A Justiça está minada. Há que enviar grande parte dos juízes para o Tarrafal.

Segunda-feira, 9 Março 2015

A democracia, a Esquerda, a Direita da Fundação Francisco Manuel dos Santos, e os direitos de braguilha

Depois da rejeição do Relatório Estrela pelo parlamento europeu, surgiram dois novos relatórios no mesmo sentido: o de instituir o aborto como um “direito humano”. São os relatórios Tarabella e Panzeri.

Se estes dois relatórios forem rejeitados pelo parlamento europeu, irão surgir provavelmente quatro novos relatórios no mesmo sentido; e se os quatro forem rejeitados, surgirão oito novos relatórios no sentido de instituir o aborto como “direito humano”. E assim por diante…

A democracia é isto: é o “progresso da opinião pública” mediante uma pressão política (por parte de uma elite psicótica) de tal forma violenta que vence pelo cansaço qualquer oposição e para além de qualquer racionalidade.

À  medida em que o tempo passa, e em função desta União Europeia, estou cada vez mais céptico em relação àquilo a que se convencionou chamar “democracia”. Se a democracia serve para nos impôr a desumanidade através do formalismo processual de promulgação do Direito Positivo, então nada distingue a democracia de um totalitarismo. E, totalitarismo por totalitarismo, mais vale optar por um que defenda a vida humana.

A estratégia seguida pelos progressistas (de direita e de esquerda, por que já não podemos falar de Direita ou de Esquerda) é o de Aldous Huxley na novela “Maravilhoso Mundo Novo”: o controlo das massas era realizado através de um mecanismo repetitivo e incessante dirigido ao inconsciente do cidadão durante as horas de sono. Hoje, essa função é realizada pelos me®dia apoiados por organizações capitalistas como, por exemplo, a Fundação Francisco Manuel dos Santos, ou a SIC de Pinto Balsemão  — e por isso é que já não faz sentido falar de Esquerda ou de Direita: a única coisa que os divide é o conceito de “propriedade privada”; em tudo o resto são iguais.

A “libertação das massas”, que o sistema democrático defende, segue o conceito de Marcuse de “desenvolvimento não repressivo da libido” (“Eros e Civilização”); se juntarmos ao “desenvolvimento não repressivo da libido” os efeitos afrodisíacos do consumismo exigido, por exemplo, pelos donos do Pingo Doce ou do Continente, em vez de libertação das massas temos uma nova escravatura das massas à  moda de Aldous Huxley. A felicidade passa a ser sinónimo de irresponsabilidade.

E, na actual época de crise económica, quando os afrodisíacos do consumismo estão pela hora da morte, resta aos donos da democracia propôr às massas a “libertação da libido” através da promulgação de direitos de braguilha que compensam os salários de miséria, até que se alcance um estado de animalização colectiva a que cinicamente se chama de “felicidade”, promovida por literatura “filosófica” barata (no preço e no conteúdo) como, por exemplo, a do Pedro Galvão subsidiada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Para se conseguir este estado de animalização feliz, o sistema democrático propõe-se erradicar o livre-arbítrio do ser humano. É neste contexto que surge o conceito contraditório de “aborto como direito humano” — como se assassinar um ser humano passasse a ser um direito — que se baseia em uma estratégia de estimulação contraditória que induz uma dissonância cognitiva nas massas que reduz drasticamente a capacidade crítica e o livre-arbítrio do cidadão.

A liberdade democrática é utilizada para retirar o livre-arbítrio e a capacidade de discernimento ao cidadão. Se isto é liberdade, então uma ditadura pode ser melhor.

Página seguinte »

O tema Rubric. Blog em WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 728 outros seguidores